ANIMAGO MORTIS
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Capítulo XIII – Acentuando o Medo
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_MAS QUE FILHO DA ...!!
Todos no Salão Comunal da Grifinória se sobressaltaram com o grito de Rony
Weasley. As peças do xadrez bruxo que estava jogando com Harry voaram para todos
os lados quando Rony socou a mesa com ira. Harry chegou a cair pra trás, olhando
assustado para Rony. Seja lá o que ele tinha feito – além de estar completamente
parado por longos minutos pensando em que peça deveria mover – não era o
suficiente para aquele escândalo de Rony.
Hermione, que estava sentada em sua poltrona preferida em frente a lareira,
havia abaixado o livro e fitava os dois garotos com uma expressão nada
satisfeita. Gina que descia as escadarias do dormitório feminino naquele momento
fica estancada no último degrau... sabia que isso não deveria ser boa coisa, uma
vez que nunca viu Rony gritar assim com Harry, pelo menos não enquanto os dois
jogam xadrez, já que é sempre Harry que perde o jogo.
_AQUELE CANALHA, MISERÁVEL! TINHA QUE SER UM MALDITO SONSERINO!!
_Abaixe o volume, Ron! Tá ficando maluco, é?! – Falava firmemente Harry, muito
aborrecido. Por instantes pensava que o amigo gritava com ele.
_Você tá falando do Malfoy? Lembre-se que você e Harry terão detenção com ele
daqui a quarenta e cinco minutos, logo após o jantar. – Hermione dizia dando de
ombros, voltando novamente pra sua leitura, acomodando-se na poltrona.
_Não falo de Malfoy! Embora ele seja um grande canalha, miserável e filho da
puta! Estou falando daquele maldito animago!! Ele se aproveitava da minha irmã!
Gina correu até a mesa onde Rony e Harry estavam. Harry terminou de derrubar
todo o tabuleiro de xadrez quando voou pra cima de Rony, tapando-lhe a boca com
aspereza, segurando-o pelo colarinho. Hermione salta da poltrona e aproxima-se
também dos garotos. Seja lá o que Rony tenha matutado sobre o assunto, não era
nada bom que todos os outros alunos ouvissem algo sobre isso.
_Porra, Ron! Tá maluco, cara! Não acha que Hermione já tem problemas demais com
isso?! Quer complicar ainda mais as coisas, cara?!! – Dizia um furioso Harry,
ainda tapando a boca do amigo.
Harry se ajeitava novamente na cadeira que havia caído com seu susto, olhando
furiosamente para Rony, que quase estava roxo pela falta de ar. Gina parecia
tremer da cabeça aos pés enquanto Hermione lançava um olhar fulminante aos
poucos curiosos que ainda lhes dispensavam atenção, entre eles Patil e Brown.
_Rony... você tá falando do Crookshanks, não é? – Falava Gina, com cautela.
Quando Harry e Hermione perceberam que Rony ia responder a irmã novamente em
altos brados, os dois o pegaram pelos braços e o arrastaram para o dormitório
dos garotos. Gina largou seus livros sobre a mesa e foi acompanhar o trio.
Chegando no dormitório, Harry empurra Rony com aspereza para dentro do quarto
enquanto Hermione batia a porta as suas costas, assim que Gina entrou. Exceto
pelos quatro, o dormitório estava totalmente vazio e ninguém no salão comunal
poderia ouvir os gritos de Rony.
_Agora você pode falar o que você tanto estava pensando lá embaixo no Salão, Ron...
– Harry dava a permissão, sentindo-se totalmente impaciente, cruzando os braços
e ainda olhando com certa raiva pro amigo.
_Esse cara, esse tal animago que se fez passar pelo bichinho de estimação da
Mion...
_Rony! Ele não fez isso! Ele estava amaldiçoado! Foi o próprio Dumbledore que
disse! – Hermione interrompeu Rony num misto de raiva e mágoa. Harry a segurou
pelo braço, olhando-a com piedade.
_Cala a boca, Mione! Não me interessa se ele tava amaldiçoado ou não! Ele abusou
da minha irmã e de VOCÊ TAMBÉM!
Harry sentiu Hermione se estremecer com aquelas palavras grosseiras de Rony, e a
segurou pelos dois braços, quase a abraçando. Gina já se demonstrava totalmente
impaciente com o circo que o irmão armava, já vendo que se tratava de outra
bobagem vinda da mente idiota de Rony.
_Você deveria parar com acusações e falar logo qual a bobagem que você tá
pensando, droga! A gente não tem o tempo inteiro pra ficar te ouvindo não, Rony!
_Gina! Você só vivia com Crookshanks no colo! E ele era todo derretido por você!
Ele era um animago, tinha consciência disso e se aproveitava da situação! Ele
ficava agarrado em você, ele tocava no seu corpo, Gina!!
_Rony! Que nojo! Que mente mais suja é essa?! Crookshanks era um gato! Gatos
agem dessa forma! Não havia nenhuma maldade no que ele fazia! E se ele estava
amaldiçoado, não devia ter nenhuma consciência humana, idiota!
_Não tinha consciência?! Não lembra como ele agia, sempre espreitando tudo,
entendendo tudo o que se passava a sua volta! Por Merlin! Ele até lia junto com
a Mione!
_Todo esse escândalo por isso, Ron? Só porque sua irmã pegava o gato no colo?
Suponho que você tentará assassinar o cara que quiser casar com ela – dizia
Harry totalmente entediado, voltando a cruzar os braços.
_Ah, e você acha isso pouco, Harry! Diz isso porque não é sua irmã! E quanto a
Mione? Pelo amor de deus! Mione dormia com aquele gato! Imagino o que ele deva
ter feito com ela sob a desculpa de ser 'só um gato'!
Rony alcançava uma Hermione estupefata com o que ele dizia, agarrando-a pelos
braços e quase a chacoalhando.
_Pode nos dizer, Mione! Somos seus amigos! Aquele miserável abusou de você, não
foi?! Você sempre dormia com ele! Ele deve tê-la visto diversas vezes sem roupa,
deve ter tocado em você, afinal ele era só um gatinho inocen...
Rony não pode terminar a frase, pois Hermione lhe deferia uma sonora bofetada,
deixando uma imensa marca vermelha no rosto do garoto. Hermione estava rubra de
raiva e chorava abundantemente.
_Você é sórdido, Rony!!
A menina saiu aos prantos correndo do quarto, batendo com raiva a porta as suas
costas e deixando seus três amigos confusos. Gina e Harry olharam para Rony com
se fosse matá-lo com o olhar. Rony estava ofendido enquanto esfregava o rosto.
Ele ali preocupado com Mione e ela lhe retribui dessa forma?!
Hermione entrava as pressas no seu dormitório, trancando a porta com um feitiço.
Jogou-se na cama, afundando o rosto marcado pelas lagrimas no travesseiro,
encolhendo-se e abraçando o próprio corpo. Sentia-se totalmente atordoada. Ela
estava mais sozinha do que nunca. Não sabia qual conceito deveria formar sobre o
assunto. Ela já estava muito confusa e com medo antes de Rony lhe falar
justamente aquilo que ela mais temia. Ele levantou uma questão que ela sequer
chegou a cogitar. Mas isso não era verdade, não poderia ser verdade! Crookshanks
jamais agiu com malícia, jamais! Mas ele conhecia demais sobre ela, sabia de
tudo que ia em seu coração. Sabia sobre suas aflições, angústias. Sabia do que
gostava, do que sonhava. Por Deus! Quantas vezes ele a vira totalmente a
vontade, de forma que nem sequer seus pais a vira, com a pouca roupa que dormia
em casa, nas férias de verão, de todas as vezes que saíra do banho e deixava
para se trocar no quarto??!
Ela afundou o rosto no travesseiro para sufocar o soluço. O medo dela já era
suficientemente desagradável! Rony precisava ter dito aquelas coisas?! Maldito
Rony!
*
Nicolai se desconcentrou, como se algo distante chamasse sua atenção. Levou a
mão ao peito, sentindo uma ardência desconfortável. Havia uma aflição crescente
dentro de si, a mesma aflição que sempre sentia quando...
_Nicolai, algum problema, filho? É preciso que você se concentre em suas
lembranças para que possamos colocá-las na Penseira. – Dumbledore lhe falava
calmamente, abaixando sua varinha.
_Talvez devêssemos fazer uma pausa, Alvo... já é quase hora do jantar. – Dizia
Snape, que observava as lembranças de Nicolai dentro da Penseira.
_Tem razão, Severus... mas creio que Nicolai ainda não deva aparecer perante
toda a escola, até resolvermos todos esses impasses com o Ministério...
_... você não se importaria de jantar conosco aqui em meu escritório, não é,
Nicolai.
_De forma alguma, senhor... pelo que me disseram sobre a minha repentina fama..
bem, ainda não estou preparado para os holofotes...
_Olo... quê?! – Perguntava Severus, o olhando com uma sobrancelha erguida.
_Ah, deixa pra lá, Severus... – Nicolai falava desanimado. A aflição ainda
incomodava em seu peito.
_Bem, Alvo.. falando nisso, seria melhor que o senhor não faltasse ao jantar,
para não aumentar ainda mais os rumores entre os alunos. Quanto a mim, será um
grande prazer me livrar daquelas desagradáveis companhias e barulho infernal por
um dia, pelo menos. Sabe que a mim ninguém dará falta, felizmente.
_Faremos isso, Severus. E, se me dão licença, irei para o Salão Principal.
Quanto a você, Nicolai, descanse um pouco sua mente, para podermos continuar
depois. Saiba que tudo que você tiver para nos dizer e nos mostrar será usado em
sua defesa perante o Ministério.
*
_Mione! Abra a porta! Vem jantar com a gente! Rony disse que tá muito
arrependido e quer te pedir desculpas! – Gina esmurrava a porta do dormitório de
Hermione, que continuava trancada. Relutantemente, Hermione vai até a porta,
atender ao chamado de Gina.
_Gin... diga a seu irmão que não estou com raiva dele, mas não quero descer pro
jantar. Não estou me sentindo bem pra isso.
_Mas, Mione.. você tem que se alimentar! Você tem...
_Não Gin, não estou com fome! Depois eu peço algo na cozinha. Quero apenas
descansar um pouco, está bem?
A penumbra do quarto não permitia Gina ver o quanto o rosto de Hermione estava
marcado pelas lágrimas, com seus muito vermelhos. A garota agradecia
intimamente, pois não queria ser incomodada por nenhum pseudo conforto de seus
amigos.
_Afff... tudo bem, Mione.. mas vou trazer alguma coisa pra você, ok? Não vou
deixar você dormir de barriga vazia. Quer um livro da biblioteca também?
_Não precisa, Gin... o livro que Madame Pince me emprestou está rendendo bem,
até estou copiando uns textos para mim.. até passo a você depois.
_Tá bom, Mione! Depois a gente se fala!
Hermione batia a porta num baque surdo, assim que Gina sumiu nas escadarias.
Parou por instantes a mão apoiada na porta, olhando para os próprios pés,
imaginando ate quando iria sustentar essa situação. Estava cansada de muitas
coisas, mas essa situação patética também estava cansando. Só restava poucos
meses para tudo isso se acabar então, a melhor opção, ainda era erguer a cabeça
e enfrentar tudo de frente, como sempre fizera... "mas antes eu era apenas uma
garotinha metida que tinha necessidade de provar o meu valor.. jamais poderia
fraquejar... sempre fiz além do que suportava.. mas agora, aquilo que se
acumulou está vindo a tona, tudo de uma só vez..."
A menina volta para sua cama, encolhendo-se embaixo de seus cobertores. De
repente uma atmosfera fria tomou conta de si, sentindo-se completamente sozinha.
Jurava para si mesma que esta seria a última vez que deixaria se abater desta
forma. A partir de amanhã iria voltar a usar sua antiga máscara e encarar toda a
situação de frente. Cedo ou tarde teria que enfrentar o tal Donskoi e o faria de
cabeça erguida, seja quem ele fosse.
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Fim do Capítulo XIII – continua...
By Snake Eyes – 2004
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