ANIMAGO MORTIS
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Capítulo XV – Antes Tarde Do Que Nunca Mais
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Após um jantar não muito bem apreciado, Nicolai tentou voltar a se concentrar em
suas lembranças para que estas fossem depositadas na penseira. Estava começando
a se sentir mal por ter que ficar lembrando de uma série de coisas antigas que
preferia esquecer pra sempre. Havia concordado de boa vontade no início, pois
não achava que seria tão chato e tão demorado. Estava exausto. Só tinham se
passado algumas horas desde que despertou pela primeira vez em 20 anos como
sendo um ser humano novamente e se via em meio a montes de explicações a dar. E
o pior ainda estava por vir...
Ainda tinha esse maldito Ministério em seu encalço. Se ele não tivesse ficado
desacordado por cinco dias, certamente teria sido levado à julgamento na mesma
hora em que conseguiu libertar-se da maldição Animago Mortis. Ele seria julgado
de ser uma animago ilegal, um comensal da morte e um assassino... bem, ele
realmente era tudo isso, mas será que não poderiam dar-lhe uma pequena trela, um
tempo suficiente para respirar oxigênio com pulmões humanos?
Estava se decidindo a não manter nenhuma convicção de herói de quinta categoria,
dizendo que tudo o que fizera foi por bem, que se aliou à Voldemort apenas para
destruí-lo, manteve sua animagia oculta de todos apenas para isso. Quantos aos
assassinatos, a menos que Dumbledore contasse isso ao Ministério, ninguém
saberia, além deles. Ele seria julgado, sim, pelo assassinato do sujeito que
quase matou Hermione... mas, provavelmente seria absolvido disso sob a condição
de legítima defesa.
Quanto aos seus outros dois crimes, estava decidido que jogaria a culpa em
terceiros. Jogaria a culpa no próprio Voldemort e também em seus pais, alegando
que foram eles que o persuadiram a entrar pro Círculo das Trevas, o que, de
fato, era verdade. Ele tinha apenas dezesseis anos quando seus pais o deram de
presente à Voldemort. E fora apenas neste momento que viera a descobrir o
verdadeiro motivo da mudança repentina de seus pais da Rússia para a odiosa
Inglaterra.
Como era tolo naquela época. Achava que conhecia muito bem todas as coisas
quando não passava apenas de um adolescente iludido que passara tempo demais em
frente à livros e vislumbrado pelos conceitos de nobreza e tradição de uma
família de bruxos autênticos.
Já eram quase dez horas da noite, hora da ronda noturna de Hermione. E tudo que
queria agora era estar em seus braços, embalado pelo calor e perfume de lírios
da menina. Maldita hora em que venceu a maldição! Tantos anos para isso ter
acontecido e fora acontecer justo quando ele tinha tudo a perder! Conhecendo
Hermione como conhecia, ele duvidava que ela lhe aceitaria sendo quem era...
provavelmente ela nem sequer ainda tinha assimilado os novos fatos, coisa que
ele mesmo ainda não conseguira assimilar.
Preferia manter-se para sempre como Crookshanks, tendo o carinho e aconchego de
Hermione, do que perdê-la para sempre, sendo um ser humano. Que ironia. Agora
que parecia que tinha sua vida de volta, ela talvez estivesse prestes a ser
tomada novamente. Se ele fosse mandado para Azkaban, perderia sua vida de novo
e... perderia Hermione para sempre! Talvez tivesse sido melhor ter morrido
naquele sábado sob a identidade de Crookshanks.
Estava cansado. E estava ficando deprimido.
Dumbledore se compadeceu com a exaustão do rapaz. Ele sabia que estava exigindo
muito de Nicolai, mas tinha um pressentimento de que o garoto merecia voltar a
ter uma vida normal, independente se ele viesse ou não a se juntar na luta
contra as Trevas. Ele já deu sua contribuição a esse respeito uma vez e foi
punido cruelmente por isso. Ele, definitivamente, merecia uma segunda chance.
_Eu sei que está cansado, filho, mas precisamos estar com argumentos certos para
enfrentar o Ministério... amanhã eles virão buscá-lo.
_Me buscar?! E eu já serei levado para Azkaban?!
_Não, você será levado para o prédio do próprio Ministério. Ficará na sala de
custódia até o seu julgamento.
_Por quê?! Eu não poderei aguardar aqui em Hogwarts mesmo? Eu não irei fugir! Se
for essa a minha única chance de consertar a minha vida... terminar meus
estudos, obter o perdão de minha família... tê-la de volta...
Sua voz sumiu num sussurro no final da frase, deixando-se cair pesadamente numa
poltrona em veludo vinho, sentando-se praticamente sobre as costas. Leva as
palmas das mãos aos olhos, esfregando-os vigorosamente. A enxaqueca que sentiu
assim que acordou parecia querer voltar com força total.
A idéia de ser levado para o Ministério sob custódia tirara toda a sua energia.
Sempre esteve a par de todos os fatos e notícias e sabia o quanto o Ministério
da Magia andava intolerante. E se ele fosse condenado, por mais que Dumbledore
intercedesse a seu favor? Nunca mais veria Hermione...
E isso estava latejando em sua cabeça.
Não queria ter como última lembrança dela, aquela quase tragédia. Não queria ter
como última lembrança aquela figura frágil e ferida. De todas as suas más
lembranças, mesmo as piores, essa de Hermione sendo machucada por um maníaco era
a que doía profundamente no peito.
Sabia que ela estava bem, o que, obviamente, era um alívio. Mas precisa vê-la.
Precisava sentir a suzuran que exalava dela... e, se possível, estar em seus
braços pela última vez...
Ele certamente não conseguiria isso e essa nova situação lhe dava medo, não
sentia-se preparado para assumir nada agora... mas Crookshanks... Hermione devia
estar sentindo muito a falta dele.
_Perdão, professor... eu sei que está fazendo tudo isso por mim e lhe serei
eternamente grato por isso, mas... eu preciso fazer algo antes... se eu for
levado pelo Ministério amanhã, talvez nunca mais volte... eu preciso vê-la.
_'Vê-la'... quer se despedir da sua namorada, a Madame Nor-r-ra? – Snape
desprendia sua atenção da Penseira para um comentário mais que sarcástico,
dirigindo um sorrisinho afetado e divertido para Nicolai, que devolveu um
sorriso forçado entre os dentes.
_Sabia que censo de humor não combina contigo, Severus? – Nico colocava-se em
pé, puxando os cabelos para trás numa falsa dramatização teatral. _Oh, Merlim!
Se até o sádico tirano me vem com essa piadinha óbvia, o que virá desse bando de
alunos acéfalos de Hogwarts?!
_Eu estava estranhando de você não ter tocado nesse assunto antes, mesmo crendo
intimamente que esse era seu maior desejo desde que despertou. – Dumbledore
tinha um sorriso leve e sincero nos lábios, olhando para Nico por sob os óculos.
Snape o olhava intrigado, pois não sabia ainda do que se tratava.
_Vá filho, procure-a! Ela é a sua maior razão de estar aqui conosco hoje...
*
Hermione prendia duas mechas de cabelos atrás da cabeça com uma delicada fivela.
Seus cachos pendiam-se soltos e sedosos por suas costas, indo até a cintura. Ela
havia sido dispensada de suas obrigações de Chefe dos Monitores por toda a
semana, devido ao trágico acontecimento do sábado passado. Nisso, incluíam-se
suas rondas noturnas. Mas com todos os acontecimentos ruins do dia, ela resolveu
fazer sua ronda para ajudar a espairecer um pouco.
O dia de hoje havia sido um pouco demais da conta. Em menos de quatro horas,
havia brigado com seus dois melhores amigos. Rony até mereceu o que recebeu, mas
Harry... uma pressão sufocava em sua garganta ao se lembrar disso. Ela fora rude
demais com o pobre menino... ele não merecia aquela grosseria de sua parte.
Mas o que estava feito não podia ser mudado. Então, o melhor seria se distrair
com algo. Andar pelos corredores desertos e silenciosos do castelo lhe ajudava a
colocar as idéias no lugar. E hoje era lua cheia. Gostava da luz intensa que
adentrava o corredor principal através dos grandes vitrais.
Esquecer. Refletir. Colocar idéias em ordem. Decidir quais atitudes iria tomar.
Tentar reencontrar-se. Tentar voltar a ser como antes era, ao menos para todos
que estão de fora.
Levantou-se da penteadeira indo até sua cama e pegando a capa negra e a varinha.
Ajeitou esmerosamente sua capa sobre o corpo e escondeu sua varinha na manga.
Era hora da velha Hermione voltar. Já havia passado da hora. O fato de todos
estarem se metendo tanto em sua vida era por estar demonstrando sua fraqueza e
fragilidade. Ela não deveria demonstrar seus sentimentos dessa forma. Agora via
o quanto poderia ser desastroso ser emotiva.
E ela não era emotiva. Era racional. Ponderada. Crítica. Era essa Hermione que
tinha que se vista por todos. A menina-moça de 17 anos deveria ficar oculta por
essa máscara. Apenas um alguém teve esse privilégio de conhecê-la tão
intimamente, mas isso porque acreditava que ele era o que aparentava. Mas não
era. E não mais existia.
Confiar seus sonhos e suas tristezas a seus amigos? Jamais. O dia de hoje
provara que nenhum deles é confiável, logo indignos. E aquela Gina, fazendo-se
de sonsa para saber das coisas... a ruivinha estava se revelando uma pequena
víbora! Por que ela fora contar aos outros o que havia lhe dito hoje a tarde, às
margens do lago? Traidora. Inocente cínica.
Hermione descia a escadaria do dormitório feminino de queixo erguido, como antes
era. Ela era Hermione Granger, melhor aluna de Hogwarts dos últimos vinte anos,
chefe dos monitores. Ela era superior a todos ali e é dessa forma que deveria
portar-se, embora tal alcunha não lhe agradasse. Mas era a intragável sabe-tudo
que todos respeitavam, não a menina Hermione por baixo da máscara.
O Salão Comunal estava abarrotado de alunos de vários anos. Como praxe, Rony e
Harry jogavam xadrez bruxo numa das mesas próximas à lareira. Gina, os irmãos
Creevey e mais três garotinhas da turma de Gina conversavam animadamente
próximos à Harry e Rony. Lilá e Parvati jogavam charme para um grupo de garotos
do sétimo ano, entre eles Dean, Seammus e Neville. Quando Hermione mostrou-se
visível no Salão, Pavarti se calou instantaneamente, a observando curiosa.
Mas somente quando Gina chamou por Hermione, que passava por todos calma e
desinteressadamente, que Harry e Rony a notaram. Ambos a olharam primeiramente
de forma curiosa. Rony apenas deu de ombros, voltando a se concentrar no jogo,
mas em Harry um misto de mágoa e raiva ardiam em seu peito.
_Mione! Que bom que você desceu! Estamos planejando um encontro pro próximo fim
de semana em Hogsmeade... que tal nos dar algumas idéias? – Perguntava uma
sorridente Gina, levantando-se e indo em direção à Hermione.
_Ah.. desculpe Gin, mas agora não vai dar.
A ruivinha segurava uma das mãos de Hermione, olhando em seu rosto
minuciosamente. Havia uma certa admiração em seu olhar.
_Nossa! Por que está tão bonita assim, Mione? Adoro quando você prende essas
mechas da lateral, deixa seu rosto aparecer mais... e fica muito bonito... onde
você vai?
Hermione corou levemente com a declaração tão sincera, amargando internamente o
conceito que acabava de desenvolver pela menina. O único defeito de Gina, pelo
jeito, era a sua ingenuidade, que a deixava muito bobinha. Ela jamais teria mau
caráter de prejudicar alguém de forma proposital.
_Nossa... obrigada, Gin! Mas eu só irei fazer a minha ronda noturna, já está na
hora.
_Mas a Prof McGonagall a dispensou de suas funções de Chefe dos Monitores por
toda a semana... por que você iria hoje? – Harry perguntava secamente,
intrometendo-se na conversa.
Hermione virou-se, deparando-se com os mesmos olhos verdes e flamejantes daquele
desentendimento com Rony. Por que ele começou a agir dessa forma, ela não
entendia.
_É minha função, Harry. Já está na hora de voltar à rotina. Eu estou
perfeitamente bem, não tenho o que ficar adiando mais isso.
Dito isso, a menina despediu-se de todos com um doce sorriso, saindo rapidamente
do Salão. Gina virou-se para Harry, com um largo sorriso.
_Uau, Harry! Seja lá o que você falou com ela no jantar, deu muito certo! Ela
parece ótima! Está como sempre foi!
_Claro, Gin! Se Harry pode até com Você-sabe-quem, o que diria com uma garotinha
mimada e temperamental. – Dizia Rony, sarcasticamente, batendo a mão no ombro de
Harry, que permanecia estático, como se estivesse assimilando a situação.
*
Hermione rumou diretamente para a sala particular da Profª MacGonagall, batendo
na porta logo em seguida. Não tardou muito e a professora logo veio atender. A
recebeu com um olhar surpreso, desmanchando-se logo num sorriso, ao ver que a
menina estava muito tranqüila e também sorridente.
_Só vim desejar-lhe boa noite, professora. A partir de hoje voltarei as minhas
atividades de rotina. Não há razão eu deixá-las de lado.
_Oh, mas é claro, querida. Sente-se bem mesmo, não é?
_Claro, professora, estou perfeita... estou como antes.
_Isso é ótimo! Então, tenha uma boa ronda.. e uma boa noite também.
_Obrigada, professora. Boa noite.
Hermione girou em seus calcanhares e já estava afastada de Minerva em alguns
passos quando a velha professora chama sua atenção com uma exclamação. A menina
vira-se curiosa para a professora, que parecia um pouco preocupada.
_É provável que ainda não saiba, mas é melhor que seja informada por mim do que
por fofocas de alunos pelos corredores...
A garota, que havia se aproximado novamente, a olhava intrigada, com a
sobrancelha vincada. Pela expressão de Hermione, Minerva teve certeza de que ela
não sabia de nada.
_Bem... o rapaz animago, Nicolai Donskoi, finalmente se recuperou e despertou
hoje no fim da tarde...
Hermione sentiu seu estômago gelar, espalhando ar frio por todo o peito. Por
mais que se controlasse para não demonstrar nada, sua respiração se alterou um
pouco. Suas sobrancelhas se estreitaram ainda mais, enquanto prensava fortemente
sua mandíbula. Serrou as mãos em punho, enquanto aguardava ansiosa pelo que mais
a professora tinha a dizer a respeito.
_...ele está bem e.. está com o Diretor...
Minerva levou sua mão ao rosto da menina instintivamente, como se quisesse
consolá-la. Hermione apenas esboçou um sorriso com a surpresa do gesto.
_Filha, as coisas estão diferentes agora, sei que é confuso... mas não se iluda
e misture os fatos. Crookshanks, seu gatinho, ainda vive, mas ele não existe
mais.. você entende, não é?
_Claro, professora... – Hermione reforçava a resposta com um assentimento de
cabeça. _... e Shanks não existe mais, não... ele morreu, naquele sábado.
_Se é assim que pensa.. muito melhor. Agora vá para sua ronda, querida. E não se
preocupe, ninguém irá importuná-la... bem, talvez um ou outro aluno fora da
cama, mas... é a nossa rotina.
McGonagall despediu-se apenas com um sorriso, retribuído pela menina. Já
bastante afastada da sala particular da professora é que se permitiu relaxar
para saborear sua ansiedade. Ela tinha mesmo muito que refletir e agora lhe fora
dado a prioridade de qual pensamento pôr em ordem. É, tinha muito que pensar...
*
_'Vê-la'? A quem Nicolai se referia? Não é a Srta Granger, é?
Snape olhava intrigado para um sorridente Alvo Dumbledore, que ainda fitava a
porta por onde saia apressado um imenso gato persa.
_E você acha que existe alguém ou algum motivo de maior vital importância para
ele do que a Srta Granger?
_Er.. bem.. ela o tinha como animal de estimação e... o senhor acha que ele se
deixou influenciar tanto assim por ela? Perdoe-me, mas isso não corresponde em
nada à personalidade e criação dele...
_Ao Nicolai que estudou contigo certamente não... – Alvo se virava para Snape,
ainda com um sorriso suave no rosto. _Severus, você é um grande estudioso e
pesquisador, sabe muito sobre magia negra... então sabe qual o contrafeitiço da
Animago Mortis, não é?
_Sim, claro.. embora não seja uma maldição nada comum, muito pelo contrário,
mas... o contrafeitiço pode ser um simples Finite Incantatem, desde que quem o
faça seja mais poderoso que aquele que conjurou a maldição.
_...ou se o próprio amaldiçoado desenvolver, nem que seja por instantes, uma
força ainda muito maior que o bruxo que conjurou tal maldição.
_É, isso também, mas Nicolai foi amaldiçoado pelo Lord! O senhor está me dizendo
que ele superou os poderes dele?!
_Exatamente... naquele momento crucial que você mesmo presenciou. E fora no
momento em que percebeu que perderia o que lhe era mais caro.
_O senhor acha que a Srta Granger é assim tão importante para ele? – Snape
estava com sua expressão incrédula. O Nicolai que ele conhecia certamente era
bem diferente desse que estava agora com eles.
_Mais que isso, ela é a vida dele! Ele a ama intensamente e fora a força desse
sentimento que o libertou. Apenas algo tão intenso e puro poderia superar a
força de Voldemort. A menina o libertou, Severus.
*
Hermione descia as escadarias dos vários andares do castelo rumo ao corredor
principal, onde iria patrulhar os corredores menores adjacentes. Pelo caminho
encontrava alguns monitores das outras casas, que se surpreendiam com ela a
primeira vista.
_Her-Hermione?! V-você já es-está bem pras rondas? – Perguntava nervoso um
monitor quintanista da Corvinal, acompanhado de uma menina da Grifinória, também
quintanista e monitora.
_Perfeitamente bem. E as coisas aqui voltarão a ser com eram antes, está
entendido?
_C-claro, Mione! Mas nada mudou na.. sua ausência! – A grifinoriana tentava
disfarçar seu nervosismo com um sorriso sem graça.
_O que estou dizendo, senhores monitores, que não é para deixar a ronda de lado
e ficar de amasso nos pontos mais escuros dos corredores!
Os dois monitores pensaram em replicar em suas defesas, mas a voz não saia.
Ambos estavam muito corados e trêmulos, o que fez Hermione engolir uma risada,
mantendo-se heroicamente séria e o olhar gélido.
Mas, afinal, no fundo ela era uma manteiga derretida...
Com um meio sorriso simples, completa a sua sentença:
_...pelo menos não o tempo inteiro.. deixem isso pro finalzinho da ronda.
Hermione prosseguiu em seu caminho, deixando para trás o casalzinho de monitores
mais leves e até sorridentes. A menina, num suspiro, tece seus elogios à
Monitora-Chefe ao namorado.
_Eu não te disse que ela era legal? Não parece, mas é gente fina... é por isso
que o pessoal da nossa casa pega tanto no pé dela.
_É.. agora eu acredito... então vamos obedecer às ordens dela, ok?
_Olha quem está falando!
A menina agarra o braço do corvinal, fazendo-o abaixar-se um pouco para
beijar-lhe no rosto. O menino retribui com um sorriso e ambos saem para sua rota
de patrulha. Hermione observava com um meio sorriso, escondida numa densa sombra
de uma pilastra, prosseguindo em seu caminho, satisfeita.
_É.. tudo como antes...
*
Crookshanks corria pelo amplo corredor da entrada principal, vasculhando nas
salas próximas, tentando farejar algum perfume de lírios no ar. Estava exausto
pela procura, devido a sua falta de energia e transformar-se consumia muito de
suas forças. Mas precisava vê-la. Talvez fosse a última vez. Esses pensamentos
dolorosos martelavam em sua mente, não o deixavam em paz.
Pensou que talvez ela não estivesse fazendo as rondas, afinal, seria exigir
muito sua obrigação de patrulhar a escola pouco tempo depois que ela sofrera
aquele atentado. Será que a teriam dispensado de suas tarefas?
Mas estava muito cansado, precisava recuperar o fôlego. Num salto, pôs-se
sentado no batente de uma das longas janelas de vitrais do grande corredor,
apreciando a vista noturna. Os basculantes nos topos de algumas das janelas
estavam abertos, deixando entrar o luar intensamente, iluminando no alto das
paredes. A luz que atravessava os vitrais fazia desenhos coloridos no chão
mergulhado na penumbra. Uma brisa leve e fresca circulava no corredor. Um
silêncio etéreo dominava o ambiente tanto que era possível ouvir o farfalhar do
vento sobre a vegetação no exterior do castelo.
Com um suspiro de enfado pensou o quanto iria perder.. novamente. E, novamente,
não dera o devido valor a tudo aquilo, a não ser nesta última hora, quando tudo
isso, provavelmente, deixaria de existir para si. Era mesmo muito difícil ser um
grande pessimista... não conseguia ver boa expectativa em nada.
No ar pairavam odores de plantas que exalavam seus perfumes somente à noite.
Eram perfumes tão intensos que preenchiam todo o lugar, abafando os odores de
pedras e poeira que havia no ambiente. Se fechasse os olhos e se concentrasse um
pouquinho, seria capaz de visualizar cada planta pelo seu perfume...
Pinho...
Eucalipto...
Rododendro...
Alguns passos mansos aproximavam-se num baque causado pelos saltos sobre o chão
de pedras planas que ornamentavam o chão em desenhos suntuosos. Despertou de sua
particular brincadeira de adivinhação, sendo surpreendido por uma leve pressão
de ar que se formou quando a brisa que corria ali encontrou um pequeno obstáculo
em seu caminho. A brisa que retornava, trazia consigo um perfume novo...
"_Suzuran?!"
Seu coraçãozinho disparou e arregalou seus olhos de grandes pupilas dilatadas
para melhor enxergar. Manteve-se em silêncio, estático no parapeito da janela,
na ansiedade.
As formas das longas janelas se desenhavam no chão em profusão de cores. As
tochas do corredor estavam todas apagadas. O ambiente era iluminado intensamente
pela Lua cheia que pendia-se alto no manto estrelado da abóbada celeste. Ela
adorava aquilo. Aquela imagem era digna de ilustrar poesias.
Um castelo medieval de decoração antiga e magnificente, mergulhado nas sombras
que eram quebradas em intervalos regulares pela luz leitosa que adentrava pelas
longas janelas em arcos. Uma ciranda de cores em formas geométricas estava
impressa à luz no piso de pedras. Uma forma em sombra alongada e distorcida
quebrava aquela gostosa monotonia.
Seus olhos castanhos procuram curiosos de onde vinha tal sombra, situando-se
numas das janelas próxima de si a alguns poucos metros.
_Madame Nor-r-ra?
Aproximou-se pela curiosidade, não era comum ver a gata do zelador solta a toa
pelo corredor principal. Decerto, era o gato de algum aluno, talvez espreitando
alguma presa fácil que por ventura tivesse a infelicidade de circular por ali
naquela hora. Parou num sobressalto, seu coração e respiração pararam juntos...
_Shanks?!
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Fim do Capítulo XV – continua...
By Snake Eyes – 2004
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N/A: Prontinhu! O encontro tão almejado dos dois já foi feito... agora eu paro
por aqui e só volto na próxima semana ;-P
Malvado, malvado, malvado!
Tem Caleidoscópio e 2 Realidades para dar atenção também...
Para estrangular o autor, por favor, coloquem-se em fila para a distribuição de
senhas.
