Animago Mortis
==================================================================================
Capítulo XIX – Amigos, amigos. Negócios à parte.
==================================================================================
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
N/A: Haverá alguns diálogos em que Nicolai falará na sua língua pátria, o russo.
Então esses diálogos em russo estarão representados por dois pares de colchetes
= [[ ...diálogo... ]]. Sei que não é uma idéia original, mas foi o melhor que me
ocorreu. Não esperavam que eu escrevesse isso em russo, não é? Bem, só os
palavrões, heheh ----,
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Argo Filch, o zelador de Hogwarts, se apressou pelo corredor principal em
direção à grande porta de carvalho da entrada do castelo. Do lado de fora havia
quatro homens de idades e aparências variadas. Todos trajando ternos e
sobretudos escuros, apesar do calor de fim de Verão.
--Bom dia, senhor. Somos agentes especiais do Ministério. Viemos resolver um
assunto com o Diretor Dumbledore.
::::
Hermione ia apressada para as escadarias, rumo à próxima aula que seria de
Transfiguração. Desviava-se automaticamente dos muitos alunos que também
circulavam por ali naquela hora, entrando ou saindo de outras salas. Rony ia a
seu encalço, tentando se desculpar pelo o que aconteceu.
--Droga, Mione! Eu já pedi desculpas! Claro que eu não tive a intensão de
provocar o Snape para aumentar a sua detenção! Saiu sem querer...
A garota parou abruptamente, ruborizada pela raiva. Em sua mente apenas iam os
cálculos de seus dias e horários... seis horas a menos por semana por causa da
maldita detenção! Isso é quase todo o seu horário vago para descansar a mente
dos estudos!
--Sabe, Rony, é esse o seu mal! – Falava com certa amargura na voz, mas sem se
virar para o garoto. --O seu grande problema é falar demais! Há hora certa para
a indignação também, sabia?!
--Aaah, por Merlin, Mione! Como acha que eu ia adivinhar que Snape ia fazer essa
sacanagem! Aquela detenção dele foi traíra! Fiquei puto com aquilo e reclamei
mesmo! Mas fiz isso por você!
--Ah, claro, Rony! Agradeço muito a sua solidariedade! Vou me lembrar disso nas
próximas seis semanas!
--Quer saber de algo? Você é muito ingrata, Hermione! Toda vez que me preocupo
com você e tento fazer algo em seu benefício, você me vem com essas ceninhas!
Ainda não esqueci daquele tapa, ouviu?!
"--Ingrata? Ele disse 'ingrata'?!... Calma, Hermione, não vá explodir, a
situação só vai se complicar! Calma, calma..."
Hermione virava-se para Rony que a olhava de forma desafiadora. Ela
controlava-se para não perder a linha agora diante de todos... controlava-se
para não desabar e chorar, pois é isso que queria: chorar até secar
completamente suas lágrimas.
--Você acredita mesmo nisso, não é Rony? De que eu que sou a grande vilã má que
desdenho da preocupação dos meus amigos.. sou má por não tolerar a falta de
respeito de vocês...?
--É, é isso mesmo, Srta Granger! Você é má, é cruel! E tem se tornado uma
mesquinha e hipócrita! Só pensa em si mesma! Se acha muito superior, não é?
Tanto que nossas opiniões não importam em nada pra você!
Rony permanecia estático de braços cruzados sobre o peito e queixo erguido. Seus
olhos castanhos exprimiam o tamanho desprezo que sentia pela menina naquele
momento. Hermione não suportou sustentar as palavras e toda a expressão do
ruivo, mas, heroicamente, não permitia sequer que seus olhos se marejassem.
Chocada, deixou seu olhar se perder da face endurecida de Rony para o chão de
pedras polidas.
--Eu não acredito que você tenha dito isso! Não acredito que você pense
realmente assim, Ron...
Hermione levantava seu olhar para frente surpresa e Rony virava-se quase num
sobressalto com a voz grave e amarga que surgia as suas costas.
--Qual o teu problema, Ron? Por que magoar a Mione desse jeito? Cara, nem dá pra
te reconhecer assim!
--Harry?! Ah, qual é, não vem com essa agora, não! Virou duas-caras também? Até
parece que você não tem a mesma opinião!
--NÃO! NÃO ISSO! E VOCÊ SABE MUITO BEM!
--Não? Não foi você quem disse que Mione tinha se tornado ainda mais arrogante
depois que virou Monitora no nosso quinto ano? E que já foi mais fácil de
conviver com ela?
Definitivamente, o mundo caiu para Hermione. Ela olhava atônita para os dois
garotos. Rony mantinha a pose austera e falava calmamente com um Harry que se
tornou estupefato com a alcagüetagem do amigo. Seu olhar se perdeu de novo para
o piso. Alguns fios de cabelo lhe caíram ao rosto e ela levou a mão para
prendê-los atrás da orelha quando começou a rir baixinho.
Levantou sua cabeça e olhou na direção de Rony e Harry, que a olhavam intrigados
com a sua risada. Alargou o seu mais belo sorriso para ambos. A face rubra e o
brilho extra nos olhos pelas lágrimas que se formaram levemente, mas que ela não
permitiu que caíssem.
--Então vocês pensam em mim quando não estou? Falam sobre o que me tornei e
sobre o meu comportamento? Ficou feliz em saber, sério! Achei que jamais seria
assunto numa conversa de garotos...
Hermione girou em seus calcanhares e alcançou a escadaria correndo rumo à sala
de Transfiguração. Desapareceu rapidamente em instantes entre a multidão de
alunos que circulavam por ali. Harry e Rony a observaram até que desaparecesse
de vista. Ambos estavam com expressão abobada.
--Caraca! Agora a garota endoidou de vez!
Herry meteu uma cotovelada nas costelas de Rony, que se inclinou de lado com a
dor.
--Porra, Harry! Pirou também, é?!
--CALA A BOCA, RON!
Harry seguiu o mesmo caminho de Hermione, rumo à aula de Transfiguração. Seus
olhos faiscavam e seu sangue fervia nas veias, mas controlava-se furiosamente
para não espancar Rony ali naquela hora. Rony, pensava Harry, tinha muita sorte;
se fosse qualquer outro, o ruivo já estaria na enfermaria.
::::
-- Arf! Essa sensação de novo!?
Nicolai levava a mão ao peito com uma sensação de choque. Ao sentir a garganta
travar com uma súbita angústia, teve a certeza do que se tratava aquela sensação
desagradável que parecia congelar seu coração.
--O que houve, Nicolai? Sente-se mal? – perguntava Dumbledore, sentado a sua
escrivaninha, desviando seu olhar de um maço de papéis que segurava nas mãos.
--Não, quer dizer... preciso dar uma saída, professor! Preciso ver o que
aconteceu com a...
--Outra hora, Nicolai... Prof Dumbledore, esses 'senhores' são do Ministério e
estão aqui para você sabe o quê. – Falava entediado com um desdenho visível na
voz, entrando no escritório do Diretor acompanhado dos quatro agentes.
--Khu'in'a! Khu'in'a! Khu'in'a! – Nico sussurrava com raiva, socando uma
pilastra próxima e virando-se para outro lado. Hermione precisava de acalanto e
absolutamente nada ele podia fazer! Maldita Animago Mortis! Continua sendo uma
maldição mesmo quando termina!
::::
Hermione ajeitava-se na primeira fila de carteiras, sentando-se justamente em
frente à cátedra da Profª McGonagall. Ao menos ali sabia que nenhum de seus
ex-grandes amigos ficaria. Estava ofegante pela corrida nas escadarias e
principalmente por conter seu pranto, desfrutando agora de uma enjoada e forte
dor de cabeça.
Tinha consciência de estar totalmente ruborizada por causa de sua raiva e mágoa,
então, tentava a todo custo, esconder-se atrás do livro de Transfiguração que
acabava de tirar da mochila. Alguns alunos mais curiosos a fitavam de longe.
Lilá e Parvati cochichavam furtivamente sem desviar o olhar da pobre menina.
Ao entrar em sala, o olhar da professora recaiu diretamente sobre Hermione, que
estava comportando-se de forma estranha, estava acuada. Observou por breves
instantes a menina, tirando algumas conclusões, mas nada disse ou perguntou.
Seria melhor resolver algum problema após a aula, com a sala vazia.
Harry entrava logo em seguida, acompanhado de duas outras alunas que chagavam
atrasadas. Rony entrou um pouco depois. Seus olhos se desviaram no mesmo
instante que avistou Hermione, procurando por um lugar vago no fundo da sala,
bem longe da garota.
Harry procurou por uma cadeira vaga próxima à Hermione, mas todas já estavam
ocupadas. Ignorando o olhar impaciente da professora que detestava que alunos
chegassem depois dela na sala de aula, aproximou-se rapidamente da garota, que
não desviou o olhar do livro.
--Mione, precisamos conversar! Não acredite no que o idiota do Rony falou! O
problema é que ele anda estressadinho demais!
--Potter! Além de chegar atrasado quer atrasar também a aula? Há uma carteira
vazia no fim dessa fileira! Sente-se imediatamente e pegue seu material.
Conhecendo a severidade da professora, Harry obedeceu de imediato. Hermione
sequer desviou os olhos do livro ou disse qualquer palavra, mas não conseguiu
conter uma risadinha quando o moreno se afastou. Largou o livro sobre a mesa e
se recostou na cadeira, levando as mãos à testa, massageando-a por causa da
enxaqueca, mas mesmo assim ainda ria baixo... ria para não chorar.
--Hermione, sente-se bem, filha? – Perguntava num sussurro a professora que lhe
dirigia um olhar preocupado.
A menina erguia os olhos em direção à professora, dando-lhe um sorriso.
--Estou bem, sim, professora.. não é nada de mais.
::::
--Suponho que o rapaz seja o tal animago que viemos buscar, certo Sr Dumbledore?
– Perguntava um dos agentes com ar blasé, apontando desdenhosamente para Nicolai
que permanecia parado de braços cruzados sobre o peito, próximo à escrivaninha
do Diretor, que se levantava naquele momento.
[[--Oh, que brilhante dedução! Não é de se espantar que o Ministério inglês seja
o que é com bruxos com esse QI!]] – Nicolai falava entre os dentes num tom
aborrecido de escárnio. Falou em russo, a sua língua pátria, atraindo olhares
reprovadores dos agentes e uma risadinha furtiva de Alvo e Snape.
--O que foi que ele disse? – perguntou um agente mais velho, enojado.
--Oh, desculpe, senhor, eu também não entendi. Nicolai ainda está se adaptando à
forma humana e a linguagem é a mais difícil de se reaprender. – Respondia o
Diretor, sem conseguir disfarçar o sorriso de deboche.
[[--Ostokhuitel'no! Quer dizer que os nobres agentes do Ministério não sabem
russo?! Lamentável! Suponho que precisarei de um interprete... o que acha
Severus, de servir de tradutor pros caras?]] – Nicolai se divertia com as caras
de perplexidade que os agentes faziam com cada palavra que proferia.
[[--Lamento, garoto, mas não posso me afastar de Hogwarts. Além disso, acho que
um comensal auxiliando o outro não lhe ajudaria muito...]] – Snape parecia
também se divertir com as caras dos agentes.
--Muito bem, vamos parar com essa conversinha fiada, senhores. Nosso tempo é
curto e precisamos resolver logo esse problema. – O mais velho dos quatro
agentes já demonstrava toda a sua impaciência com a situação. Aproximou-se
arrogantemente de Dumbledore, que continuava a olhá-lo de forma calma e
sorridente.
--Concordo. Quanto antes resolvermos isso, mais cedo nosso jovem Donskoi voltará
para Hogwarts. Ele ainda tem um ano letivo para completar.
--Não contaria muito com isso, Sr Dumbledore, mas enfim... suponho que Hogwarts
representará a defesa do rapaz.. ou teremos que indicar um advogado do próprio
Ministério?
--Mais uma vez, supôs certo, senhor. Hogwarts está a favor do rapaz e eu próprio
farei sua defesa.
::::
A aula transcorria normalmente na mesma rotina, assim como era durante os
últimos seis anos. Mas as palavras de Rony ainda martelavam dolorosamente na
cabeça de Hermione, só fazendo sua enxaqueca aumentar. Tentava se concentrar na
aula, mas, assim como na aula de Poções, não conseguia manter a atenção
necessária, fazendo com que cometesse um erro bobo pela segunda vez no mesmo
dia.
Deveria transformar sua maçã numa macieira em miniatura, num bonsai, e tudo que
conseguiu foi fazer a maça apodrecer até virar pó sobre sua mesa. Soltou um
gritinho involuntário de frustração, jogando com força sua varinha sobre a mesa.
O gritinho, por mais mínimo que tenha sido, atraiu a atenção de alguns alunos.
Enquanto a maioria a olhava com incredulidade, duas garotas deixavam escapar
risadinhas debochadas. A professora aproximou-se da mesa de Hermione e olhou
preocupada do resto da maçã sobre a mesa para o rosto avermelhado da menina, que
tinha os olhos rasos d'água e as sobrancelhas vincadas.
--Hermione, pegue suas coisas e vá para a enfermaria imediatamente. – Hermione
sentiu o sangue gelar quando a professora iniciou a frase, pensou que seria mais
uma detenção.
--Eu estou bem, professora. Eu não posso perder essa aula, talvez eu não tenha
tempo de recuperá-la depois!
--Eu quero que você fique melhor, querida. Pegue suas coisas e vá descansar um
pouco.. você está precisando. – McGonagall sussurrava de forma que apenas
Hermione podia ouvir.
A menina deu-se por vencida, assentido com a cabeça. Juntou seu material dentro
de sua mochila de brim azul e saiu da sala cabisbaixa, atraindo a atenção de
todos na sala, formando um burburinho de especulações entre os alunos. Harry
sentiu seu estômago se contorcer, dando-lhe uma sensação de náusea. Sabia que
isso era parte de sua culpa.
==================================================================================Fim
do Capítulo XIX – continua...
By Snake Eye's - 2004
==================================================================================
N/A: Os cap 19 e 20 são, na verdade, apenas o cap 19. Como esse cap ficou com 14
págs na formatação normal, achei que seria melhor dividi-lo em dois. Se é pra
ser algo massante, que pelo menos seja parcelado.
E peço desculpas ao pessoal que já perdeu a paciência com a fic, mas, a minha
narrativa é lenta mesmo... sorry!
Traduzindo os palavrões (mas se vc encontrar um russo na rua, NÃO vá testar as
palavras nele, valeu?!):
Khu'in'a – expressão de descontentamento quando algo sai errado, tipo o nosso
"droga" ou o similar mais pesado, se assim preferir.
Ostokhuitel'no - muito bom, excelente (no sentido de ironia – pelo que eu entendi...)
