N/A: Estou no laboratório da faculdade, se alguém me ver, estou frita.
Não tive tempo de revisar. Onegai, ignore os erros.
Estou escrevendo o último capítulo de QL (devagar, mas estou).
Kissus
One More Time – Capítulo 3
Música: Far Away – Nickel Back
Os flocos de neve começavam a cair na capital japonesa, dando um ar melancólico a cidade e cobrindo as cerejeiras. Já estavam na primavera, mas o tempo continuava frio. Uma jovem suspirava com o rosto encostado no vidro da janela, embaçando-o com sua respiração. Rin odiava esse tempo, tudo parecia tão triste, feio com aqueles flocos caindo.
Havia tantas perguntas em sua mente, tantas lacunas que ninguém poderia lhe responder, nem mesmo sua prima Kagome e seus amigos que tanto lhe ajudaram... Depois do susto de ter perdido a memória, eles lhe contavam tudo o que sabiam a seu respeito, tudo o que acontecera a ela em seus 20 anos de vida. Bem... Tudo o que presenciaram e que ela lhes contara, é claro...
Entretanto, mesmo com tanto esforço, de rever várias vezes álbuns e vídeos, sua memória não retornara... É como se faltasse uma peça, muito importante, do quebra-cabeça, para que ela se lembrasse de tudo. Rin sabia, sentia, mas sempre que procurava em sua mente, só recebia um latejamento como resposta, e também, seu coração acelerava, como se a incentivasse a continuar procurando... Sentia vontade de chorar nessas horas...
Sabia que era uma jovem alegre, bondosa, que era louca por doces (principalmente por chocolate), gostava de sair, sua cor preferida era o dourado (embora não entendesse o porquê)... Enfim, sabia tudo sobre ela, mas a "peça" que faltava não era sobre ela, tinha certeza!
Suspirou, irritada consigo mesma, não deveria estar preocupada com algo que ela nem sabia o que era! Deveria estar muito feliz pela vida que levava! Estava quase no último ano de Ciências Sócias, tinha um apartamento próprio, conseguira um emprego no departamento de RH de uma grande empresa, tinha verdadeiros amigos, um namorado completamente apaixonado por ela...
Kohaku... Ele era um dos motivos de seus suspiros, que não eram apaixonados... Estava confusa, o irmão de Sango sempre esteve tão presente em sua vida, desde o acidente, não era justo sentir-se assim... Não apaixonada... Kohaku era tão carinhoso, compreensivo, amigo, companheiro... Nunca a magoara, nunca fora rude, nunca a fizera ficar triste ou chorar!
Era o namorado perfeito! Que mulher, em são consciência, não amaria um homem assim? Mas... Kohaku, às vezes, parecia forçosamente perfeito... Deveria ser Sango que falava para o irmão agir dessa maneira. Mesmo assim, Rin sabia e ouvia (afinal ele não perdia uma oportunidade para dizer) que ele amava-a. Que tudo fazia por ela!
Mas... E Rin? Amava seu namorado? Correspondia a altura o sentimento de Kohaku? Seu coração gritava que não, por mais que tentasse, que investisse naquele namoro, não conseguia ver Kohaku como homem, não conseguia toca-lo mais intimamente. Amava-o como um amigo, como um irmão!
Por mais que se esforçasse, sempre que se beijavam, Rin sentia seu estômago contrair, seu coração começava a bater dolorosamente, era difícil controlar-se para não chorar... Por quê? Por que sentia como se fosse um crime beija-lo? Seria... Repulsa que sentia? Repulsa por Kohaku? Pelo homem que fazia tudo, absolutamente tudo, para fazê-la sorrir e nunca chorar?
- Não, não pode ser... – Seu coração endoidara! Sim, só poderia ser isso. – Kami!
A pergunta surgiu, de repente, mas claramente em sua mente.
"Será que eu tinha alguém antes do acidente?" – Indagou para si, mas a resposta veio rapidamente. – Não, eu não tinha ninguém... – Suspirou, afastando-se da janela e deitando em sua cama.
Kagome, Sango e Miroku afirmaram que, o último namoro que ela teve, foi no último ano do ensino médio com um rapaz chamado Bankotsu... Depois, apenas alguns paqueras, mas nada sério ou profundo...
Mas então por que aquela sensação de... Traição?
"E se... E se eu conheci alguém e me apaixonei, um pouco antes do acidente?" – Sua mente fervilhava com supostas respostas. – "Mas por que não contei às meninas? Será que não deu tempo? Será..."
Rin começou a chorar, lembrando-se de um filme que assistira no final de semana... Devia ser uma paixão platônica! Daquelas que o amado é alguém que não pode correspondê-la... Poderia ser mais velho, mais novo, alguém influente, rico... Ou então...
- Alguém que, simplesmente, não me corresponde, desconhecendo a minha existência e o meu amor... – Seu coração acelerou, como se estivesse alegre com a descoberta, mas ela estava longe de estar... – Oh, Kami! – Rin amava alguém, que não era o seu namorado!
Pela primeira vez, sua cabeça não doía, depois de tantas indagações, pelo contrario, sentia-a leve...
As lágrimas continuavam a cair, incessantes... Quem seria o amor da vida dela? Sabia quem ela era? Sabia do acidente? Onde estaria agora?
Sesshoumaru suspirou irritado. Tinha documentos para ler, reler, reler de novo, assinar, revisar... Porém, estava encostado na janela do escritório, fingindo prestar atenção no que sua madrasta contava, excitada, sobre suas reformas na empresa de cosméticos que tinha.
- E também contratei novas pessoas para o departamento de RH, Inu. – Disse Izayou, dirigindo-se ao marido, que a ouvia com atenção. – Porque Kaede aposentou-se e Jakotsu foi transferido para o departamento de testes e...
- 'Aquilo' só serve como cobaia mesmo... – Resmungou Inuyasha, poderia estar em outro lugar, com Kagome... – Feh! – Sua mãe repreendeu-o com olhar, sempre defendia Jakotsu...
- E como Inuyasha havia me dito que Rin procurava um emprego, coloquei-a no lugar dele! – Concluiu, vendo três pares de olhos dourados encarando-a com assombro. – Ora, por que estão me olhando assim? Vi as notas de Rin na faculdade, ela é uma ótima aluna, mereceu a vaga.
- Izayou, querida, é perigoso, alguém pode lembrar-se de Rin e...
- Como diria o Miroku... E daí, Inutaisho? Vocês sabem que nunca concordei com isso! – Disse, olhando diretamente nos olhos do enteado que havia se aproximado dela, com os olhos estreitados. – Não fiz de propósito, Sesshoumaru. Afinal, qual é o problema, ela não se lembra de você! Eu ainda não acredito que fez isso e todos...
- Foi a escolha dele, Iza e... – A matriarca da família Inokuma levantou-se nervosa.
- Não me venha com essa historia de novo, Inokuma Inutaisho! Sesshoumaru não poderia ter feito isso! Era Rin que tinha que decidir, ela tem o direito de saber a verdade! Vocês não percebem? Ela não chora, não está triste, ninguém está a magoando, como você fez todos prometerem, Sesshoumaru! Mas... Os olhos dela, os olhos, Sess, estão infelizes. Por mais que Rin sorria, o brilho não chega aos olhos! Porque ela foi privada do amor, do seu amor, Sesshoumaru!
Izayou caiu na cadeira, chorando. Não agüentava mais ver duas pessoas que se amam daquela forma. Quantas vezes quis contar tudo para Rin. Dizer que tinha alguém sofrendo por ela, por não estar próximo dela, jamais poder tocá-la novamente...
- Eu não suporto mais... Você... Rin... Está...
- Rin está bem melhor sem mim. – Disse, com um tom brando, autocontrolado. Não queria pensar, não...
- Não, não está! O acidente não foi sua culpa! Eu vou...
- Não, você não vai contar nada, Izayou. – Sesshoumaru suspirou e agachou-se ao lado dela. – Você acha que Rin ficará feliz ao lembrar de mim? Do acidente? Das coisas que falei pra ela naquela noite? Será que Rin ficará feliz ao lembrar-se dos dois anos que a fiz a sofrer? – Izayou soluçou, murmurando palavras soltas. – Sim, eu sou o culpado... – Levantou-se e anunciou que ia almoçar. – "Sou o culpado de tudo..."
Rin não sabia o que fazia exatamente ali, no centro da cidade. Saíra de casa, pensando em dar uma volta e, quando percebeu, descia do metro, em uma região empresarial, no coração de Tokyo. As ruas estavam cheias, a neve parecia não incomodar ninguém, pois a maioria das pessoas estavam com guarda-chuvas e sombrinhas abertas.
Mesmo a rua sendo larga, Rin desviava-se com dificuldade das pessoas, ela não trouxera nada que a protegesse dos flocos brancos... E foi, girando bruscamente para lado, a fim de evitar uma sombrinhada que bateu com alguém.
- Gomen nasai. – Desculpando-se com uma leve reverencia. Não encarou a pessoa de vergonha, tombando daquele jeito nem parecia uma japonesa! Fixou seu olhar em algum ponto acima da mão que segurava o guarda-chuva.
A pessoa, que era um homem, resmungou algo e afastou-se apressado, como todos naquela rua, menos ela, que voltara a andar lentamente. Rin, perguntou-se, inconsciente, por que aquele homem não estava usando luvas naquele frio... Deveria, principalmente por causa da cicatriz que marcava sua mão... Uma cicatriz grande que, estranhamente, lhe parecia uma...
- Kami! – Exclamou, virando-se para trás... Sentiu os pés pregados no chão. Rin conheça aquela cicatriz em forma de lua!
