Oi Pessoas!

Bora ler?

O melhor amigo

A corrida de taxi de volta ao meu apartamento depois do trabalho foi solitária, enquanto eu me deslocava no assento gasto de couro, sentindo falta de minha calcinha, especialmente por que o zipper de minhas calças estava esfregando contra a pobre Virginia. Eu normalmente tomava o metrô pra casa do trabalho, pois era mais barato e rápido, mas nesse estado, eu não poderia encarar o mundo subterrâneo de New York.

Eu conseguia me sentir começando a deslizar dentro de uma bacia escura de negação. Eu tinha passado uma boa porção de minha vida lendo livros sobre romance, e nem uma vez fui exposta a tal depressiva realidade de que isso não era tão fácil quanto parecia. Mas então, novamente, Alice e Edward pareciam ter um tempo bastante fácil no que dizia respeito a obter um relacionamento. Então, o que me vinha era que eu era amaldiçoada; não havia outra razão para isso.

Talvez eu tivesse altas expectativas, talvez eu estivesse saltando da barra mais alta?

Meu telefone começou a tocar em minha bolsa, e sem olhar para a identificação da chamada, atendi.

"Alô?"

"Bella?" uma voz familiar perguntou.

"Sim?" eu não estava conseguindo reconhecer a voz, mas sabia que já a tinha ouvido antes.

"Hey, é Jacob".

"Jacob?" perguntei, um pouco surpresa em ouvi-lo do outro lado da linha. Depois da minha situação de calças rasgadas, pensei que nós estavamos acabados. "Wow, eu não estava esperando que você me ligasse".

"Por que não? Eu disse que ia ligar", ele disse em um tom relaxado. Mas eu estava tudo menos relaxada, por que francamente, estava além de nervosa no que dizia respeito a homens agora. Era quase impossível para eu relaxar.

"Sim, não é pra bancar a mulherzinha com você, mas isso foi há alguns dias. Depois de não ouvir de você de cara, eu meio que descartei a ideia de ver você de novo".

"Eu sinto muito", Jacob disse, respirando de forma exasperada. "Eu não estava esperando gostar tanto de você".

"Ah, obrigada", eu disse, enquanto rolava meus olhos e olhava para fora da janela do taxi.

"Isso não saiu direito", ele tentou dizer. "Eu só, eu fiquei assustado".

"Depois que você disse que queria sair comigo? Depois de você dizer que esperava ser colocado em outra sessão de fotos comigo? Pare de brincar comigo, Jacob. Eu não sou estúpida".

Sim, eu estava sendo uma vaca, mas eu não estava no humor de lidar com ninguém, especialmente homens. Eu estava emburrada, irritada, envergonhada, e tudo que eu queria era colocar um par de moletons e afogar minhas tristezas em um pote de sorvete.

"Eu não estou brincando com você, Bella. Sinto muito se eu te fiz pensar outra coisa. Eu sou um idiota, e sim, eu deveria ter ligado mais cedo. Eu realmente espero que você me perdoe e considere sair comigo de novo. Desta vez só você e eu, sem boliche ou oportunidades de rasgar suas calças", seu traço de humor facilitou a tensão em meu corpo. "O que você diz, Bella? Posso te levar para um passeio de barco no Central Park no sábado?"

"Hmm, depende. Você planeja afundar o barco? Com minha sorte, isso poderia acontecer".

"Promessa, não haverá afundamento do barco".

Eu realmente queria sair com ele de novo? Eu pensei sobre isso por um segundo, e honestamente, eu queria. De todos os encontros que eu tinha estado, realmente curti a companhia de Jacob mais que os outros. Atticus era divertido, mas eu esmaguei suas nozes, então sem chances ali; Alejandro tinha um grande 'evitar' escrito com aquela grande besta

selvagem crescendo em suas cuecas, e James, bem, certeza que eu não ouviria mais dele.

"Eu acho que estarei livre no sábado".

"Você está bancando a difícil?" ele riu no telefone.

"Talvez, está funcionando?"

"Está. Estou começando a ficar desesperado aqui. Eu iria amar te ver de novo, Bella".

"Seria legal ver você de novo, também", concedi. "Mas eu não vou pedalar naquele barco".

"Deixa comigo. Que tal um picnic também?"

"Depende, o que você leva em um picnic?"

"Um, o que você acha de sanduiches bologna? Eu faço um com mostarda, e corto eles em pequenos triângulos".

"Triângulos, bem, eu tenho de dizer sim para isso. Eu nem mesmo acho que tenho uma escolha".

"Você realmente não tem", ele riu. "Então, você quer que eu te pegue?"

"Eu posso encontrar você, não precisa vir me pegar. Só me avise quando e onde".

"Que tal no barco lá pelo meio dia? Funciona pra você?"

"Funciona perfeitamente", eu respondi, me sentindo um pouco melhor.

"Bom, estou no aguardo. Antes de nós desligarmos o telefone, me diga, como está o mundo dos gatos?"

"Como você acha que está?", perguntei, rindo. "Com certeza, se eu tivesse baixado minha guarda hoje, os gatos teriam me comido viva. Eles podem sentir quando eu estou tendo um dia ruim, e minha determinação tinha fraquejado".

"Você teve um dia ruim?" ele perguntou suavemente, fazendo borboletas flutuarem em meu estômago. "O que aconteceu?"

Ha! Como se eu fosse dizer a Jacob o que estava acontecendo. Não, obrigada. Eu não iria dizer a um homem com quem eu queria sair que eu tinha soltado um barulhento peido no rosto de outro cara. Certamente isso seria um suicídio de encontro.

"Só algumas coisas no trabalho, eu não vou te incomodar com isso", respondi evasivamente. "Nada que não vá passar, mas obrigada por perguntar".

"Bem, se você quiser conversar, me deixe saber".

"Obrigada, Jacob", eu disse, chegando ao meu apartamento. "Hey, eu tenho que pagar o taxi, então tenho que ir. Te vejo no sábado?"

"Sim, não se atrase".

Nós desligamos e eu paguei o taxista, dando a ele uma gorjeta decente por não me fazer esperar no trânsito por muito tempo na hora do rush. Ele fez algumas manobras extravagantes que, sim, tinham me feito mijar nas calças algumas vezes, mas ele me trouxe em casa.

Quando entrei no apartamento, fiquei surpresa em ver que Edward já estava em casa. Fiquei ainda mais surpresa que havia comida chinesa no balcão da cozinha, um par de calças de moletom e uma camiseta larga dobrada sobre a cadeira, e um sorridente Edward em um par de shorts e uma camiseta justa esperando por mim.

"Bem vinda a casa, amor", ele disse, enquanto se dirigia a mim e pegava minha muda de roupas.

"Pensei que você iria querer se trocar antes de nosso pequeno encontro começar. Alice vai estar na casa de Jasper esta noite, então nós temos o lugar só pra gente".

"Você diz como se alguma coisa fosse acontecer", eu disse com um sorriso triste e peguei as roupas. "Obrigada por isso. Eu vou me trocar e já volto".

"Espera aí", Edward disse, segurando minha mão e me puxando pra ele. "O que está errado? Você continua brava comigo? Eu quero que você saiba que eu realmente sinto muito Bella. E eu também sinto muito se agi como um babaca com aquele cara dos rolos adesivos mais cedo".

"Não é isso", eu disse, me afastando. "Só um dia ruim. Eu já volto. Me faz um prato?"

Eu o deixei cuidando da comida enquanto me trocava. Me despi, tirei meu soutien e fiquei sem calcinhas, até por que eu já estava. Eu não queria nada me apertando esta noite. Uma vez que eu joguei meu cabelo pra cima em um coque bagunçado e coloquei minhas meias de pelúcia, me dirigi para a sala para encontrar Edward ligando o DVD player e colocando dois grandes pratos de comida na mesa de centro.

"Ja arrumei tudo pra nós", ele disse, vindo ao redor do sofá.

Eu sentei de pernas cruzadas no sofá e apoiei uma almofada no meu colo. Edward sentou perto de mim, e estava me entregando meu prato de comida quando viu as lágrimas que estavam em meus olhos. Instantaneamente, ele colocou seus braços ao meu redor, me apertando em um abraço em seu peito.

"Bella, o que está errado? Porque você está chorando, amor?"

"Eu sinto muito", disse, falando com a boca em sua camiseta, tentando evitar babar tudo sobre ele. Eu me afastei e enxuguei meus olhos. "Só um dia difícil".

"É o que você diz; você quer falar sobre isso?"

"Não realmente", eu admiti. Mesmo dizer a Edward parecia como algo que eu não podia possivelmente fazer.

Ele franziu sua boca para o lado enquanto me estudava. "Bella, você vai me dizer tudo. O que aconteceu? Tem algo a ver com aquele cara do rolo adesivo?"

"O nome dele é James".

Dando uma profunda respiração, Edward respondeu, "Bem, isso tem algo a ver com James?"

"Poderia", mais lágrimas começaram a cair em minhas bochechas só com o pensamento do que aconteceu.

Aumentando a raiva em um segundo, Edward me fez olhar para ele e perguntou, "Ele te machucou?"

"Não", disse, soluçando.

"Amor, por favor, fale pra mim. O que aconteceu? Você está me assustando".

Suspirando encostada nele, eu desabafei tudo. "Eu peidei no queixo dele quando ele estava me satisfazendo oralmente".

A fricção calmante que Edward estava fazendo em minhas costas com sua mão parou e eu conseguia senti-lo tentando compreender o que eu disse.

"Espere, o quê?"

Limpando o catarro de meu nariz, eu elaborei. "As coisas esquentaram um pouco no almoço, e ele me levou para seu escritório, onde se abaixou sobre mim, algo que eu nunca tinha experimentado antes. Eu fiquei um pouco relaxada demais, então quando ele estava lá embaixo, eu meio que buzinei".

O rosto de Edward contorceu, e eu conseguia vê-lo tentando ser educado e não rir na minha cara com o que eu disse. Ele se segurou, me puxando de volta ao seu peito e beijando o topo de minha cabeça.

"Não se preocupe com isso, amor. Isso acontece o tempo todo".

"Não é verdade. Você vai me dizer que uma garota peidou enquanto você estava fazendo lá embaixo nela?"

"Aconteceu comigo duas vezes. Eu levo isso como um elogio, que eu sou capaz de relaxar uma garota tanto que ela deixa todas suas inibições saírem. Obviamente, não é a coisa mais sexy a acontecer na cama, mas não é a pior também. O que James fez?"

Me repudiando, eu disse, "Ele retrocedeu, como se eu tivesse acendido um fosforo próximo de minha bunda para canalizar o fogo do dragão, e foi para o banheiro. Eu saí correndo de seu escritório, sem minha calcinha, o mais rápido que eu conseguia correr, e depois me escondi em minha sala até o fim do dia".

"Oh amor", Edward beijou o topo de minha cabeça. "Eu sinto que isso tenha acontecido com você".

"Você não vai rir de mim, me zoar?"

"Não, você está claramente triste, e o cara deveria ter sido mais cavalheiro sobre isso. Não é uma coisa incomum, amor. É dificil manter tudo seguro quando você está tendo um

bom momento, o que eu presumo que você estava tendo".

"Honestamente, eu não posso acreditar que deixei isso mesmo acontecer. O que eu estava pensando? Quero dizer, eu nem mesmo conheço o cara, e eu o deixei enfiar sua língua lá embaixo. Eu acho que estava toda carregada na fantasia".

"E que fantasia é essa?" Edward perguntou, beijando a lateral de minha cabeça e se aconchegando mais perto.

"Você sabe, o macho alfa, fantasia do homem de negócios. Onde o cara quer você ali naquele momento e você deixa isso acontecer; você joga a precaução ao vento e deixa o homem dominar você".

"Não estou familiarizado com esta fantasia", Edward levemente provocou. "Mas parece algo que eu me interessaria".

"Pare", eu ri e o empurrei.

"Fiz sair esse seu lindo sorriso agora, não fiz?"

Eu estava quase respondendo quando meu celular tocou. Alcançando, eu o peguei e vi aparecer o número do telefone dos meus pais.

"Alo?"

"Oi, querida", minha mãe disse do telefone. "Como está?"

"Indo bem, mamãe".

Edward se animou ao me ouvir dizer mamãe. Ele amava meus pais, e meus pais amavam Edward. Às vezes parecia que o amavam mais que eu.

Ele puxou o telefone de mim e apertou minha coxa enquanto dizia, "Olá, senhora Swan. É ótimo falar com você, também. Estou indo bem, e você? Oh, é mesmo? Bem, diga ao senhor Swan que eu comeria o seu espagueti todo dia, mesmo se você tiver usado extrato de tomate como molho".

Me encolhi ao ouvir aquilo. Minha mãe não era a melhor das cozinheiras, e enquanto crescia meu pai e eu nos certificavamos de ter comida a mais em casa, para o caso de ela ter feito molho de espagueti só com extrato de tomate.

"Bom falar com você também. Segura aí". Edward me entregou o telefone e disse "É sua mãe."

"Sério? Eu não tinha ideia", eu disse sarcasticamente, enquanto colocava o fone em meu ouvido. "Oi mãe".

"Oh, eu realmente sinto falta de Edward. Por favor, me diga que vocês dois vão vir para casa para o brunch no domingo. Nós amaríamos ver vocês dois".

**Brunch é uma refeição de origem britânica que combina o café-da-manhã (pequeno-almoço; breakfast, em inglês) com o almoço (lunch, em inglês).**

"Brunch no domingo? Eu não sei mãe", olhei para Edward, que estava concordando com a cabeça e fazendo sinal de joinha com o polegar. "Você vai cozinhar, mamãe?"

"Você está engraçadinha hoje, não está? Não, você sabe que seu pai não vai me deixar chegar perto da cozinha no brunch, especialmente quando ele está fazendo sua famosa rabanada".

"Rabanadas? Yeah, eu vou estar aí".

"E Edward?"

Figuras, minha mãe estava mais preocupada com Edward.

Eu me virei para o homem que estava sorrindo brilhantemente para mim, seus olhos felizes e seu lindo rosto iluminado só para mim. Não importava o que estivesse acontecendo em minha vida, eu poderia sempre me apoiar em Edward; eu poderia sempre contar com ele para me fazer sentir melhor.

"Edward, você gostaria de ir ao brunch comigo no domingo na casa dos meus pais?"

"Você ainda pergunta?"

"Ele tá dentro, mãe". Minha mãe comemorou do outro lado da linha, me fazendo rolar os olhos.

"Isto é maravilhoso, querida. Eu sinto a falta de você dois garotos. Quando vocês vão finalmente ficar juntos? Vocês fariam um casal perfeito".

"Está certo, eu tenho que ir, mãe", eu disse, encerrando a conversa. Sem falhar, minha mãe sempre fazia a pergunta do meu status com Edward. Ela estava comprometida e determinada a se certificar de que nós terminaríamos juntos. Ela não conseguia colocar em sua cabeça que nós eramos só amigos.

"Okay, querida. Eu amo você, e diga a Edward tchau por mim".

"Eu digo".

Desliguei o telefone e o atirei na mesa de centro. Me sentindo exausta, apoiei minha cabeça contra o braço do sofá e olhei para Edward.

"Ela perguntou se nós estamos saindo de novo?" Edward perguntou.

"Nunca falha em perguntar".

Rindo, Edward me puxou pelo braço, me fazendo sentar, e então eu estava em seu abraço de novo. Ele fazia círculos devagar sobre minha pele com seu polegar, enviando calafrios através de mim.

"Por que você não deixa isso acontecer? Faça sua mãe feliz".

Era sempre a mesma conversa gozada que nós tínhamos sempre que eu conversava com minha mãe no telefone. Edward averiguava se minha mãe perguntou sobre sermos um casal, e então dizia para darmos uma chance a isso. Eu só rolava meus olhos para mim mesma, porque eu sabia que ele estava brincando. Ele tinha uma ideia diferente de mulheres para sair. Mas dessa vez, não parecia que ele estava brincando: ele parecia mais sério.

"Sim, por que isso não seria um erro", respondi, tentando iluminar o humor.

Eu senti Edward enrijecer debaixo de mim com minhas palavras, e por um segundo, eu pensei que talvez o tivesse ofendido. Mas logo o senti relaxar de novo quando ele disse: "Sim, provavelmente".

"Eu acho que nossa comida está ficando gelada", eu sugeri, tentando mudar de assunto.

"Eu deveria esquentar?"

"Não, vamos só comer".

Me soltando, Edward se inclinou para frente e pegou a comida. Ele me entregou meu prato e um garfo, e depois pegou o dele.

"Você me conhece muito bem: carne com brócolis, meu favorito".

"Nosso favorito", ele piscou, enquanto cavucava no prato, não parando pra respirar enquanto sovia tudo em seu prato. Com sua boca cheia, ele perguntou, "Então, o que isso significa para o seu livro? Você continua escrevendo ele?"

"Sim", assenti, cobrindo minha boca com minha mão enquanto mastigava. "Só vai levar um tempo. Eu disse a você que será um pequeno ode a nossa amizade?"

"Sério?" ele perguntou, um pouco surpreso.

"Sim, eu quero modernizar ele um pouco, então estou escrevendo um livro sobre amigos de faculdade que descobrem que têm sentimentos um pelo outro ao longo do caminho".

"Alguma dessas estórias são verdadeiras?" ele perguntou, erguendo as sobrancelhas.

Eu pressionei minha mão contra sua testa e disse, "Você e minha mãe. Você está me deixando louca".

"Isso não seria tão ruim, você sabe. Nós conhecemos um ao outro, estamos confortáveis um com o outro, e nós somos melhores amigos..."

"Sim, e nós arruinaríamos essa amizade quando as coisas não funcionassem".

"E como você sabe que as coisas não funcionariam?" ele disse em um tom provocador, mesmo que seus olhos parecessem sérios.

"Porque nós dois sabemos que eu não sou o seu tipo, Edward. Além disso, eu sou inexperiente demais pra você. O mais longe que eu cheguei foi peido na cara".

Rindo, Edward balançou sua cabeça e disse, "Desculpe, eu tive de soltar uma risadinha".

"Tá tudo certo. Eu estava esperando que você finalmente perdesse essa aparência, onde esta se escondendo por trás".

Encolhendo os ombros, ele disse, "Eu sou apenas um humano. Mas voltando a nós". Balançando minha cabeça, eu o deixei continuar, "Pense sobre isso, amor. Minha experiência pode ajudar sua inexperiência. Eu posso ensinar a você tudo que você precisa saber". Suavemente, ele me olhou e disse,

"Nós seríamos perfeitos juntos".

Meu coração tombou em meu estômago quando pensei sobre a possibilidade. Deus, naquele momento, eu o queria, eu queria ver como seria estar com ele, ter seus lábios nos meus, experimentar outro lado de Edward, o único lado que eu não conhecia.

Ao invés de lançar meus braços sobre ele, eu o ignorei. Não estava pronta para lançar pra longe uma das melhores amizades que eu já tive.

"Sai daqui, não vai acontecer".

"Por que?" ele perguntou com seriedade, me fazendo suar. Ele estava falando sério agora?

"Sério?" eu perguntei, me sentindo nervosa.

O silêncio caiu entre nós enquanto Edward olhava dentro de meus olhos, procurando por alguma coisa em mim, e eu não tinha ideia do que era.

"Esqueça isso. Eu não tô a fim de um filme. Eu acho que deveria ir para o meu quarto e assistir algo na TV e dormir. Você é bem vinda a se juntar a mim".

Eu conseguia senti-lo se afastar, e eu não queria isso, então eu disse "Festa do sono?"

Seu rosto iluminou de novo quando ele assentiu e levou meu agora vazio prato para a cozinha. Eu desliguei a TV na sala de estar e o ajudei a armazenar o resto da comida chinesa. Nós trabalhamos em equipe, não tendo de dizer uma palavra, mas fazendo o trabalho eficientemente. Eu rio comigo mesma quando eu penso sobre isso. Não era de se admirar minha mãe nos querer juntos; nós já agíamos como um velho casal casado.

Quando a cozinha estava limpa, as luzes foram apagadas, e nos dirigimos ao quarto de Edward, que estava sempre imaculadamente limpo. Mais limpo que o meu quarto, e muito mais limpo que o de Alice, desde que ela decidiu que viver em um ninho de ratos era mais fácil que limpar o quarto.

Nos aconchegamos na cama de Edward, ambos encarando a TV, mas com Edward atrás de mim, envolvendo seu braço ao meu redor. Nós começamos a nos aconchegar juntos na faculdade, e isso era algo que fazíamos com frequência, então ter Edward enroscado comigo não era nada novo. Mas esse murmurinho que estava se desenvolvendo no começo do meu estômago cada vez que eu estava perto dele era, muito novo.

"Onde está o controle?" ele perguntou, procurando ao redor. "Estava na cama", ele se esticou e começou a cavar ao redor.

"Hey, olha isso", eu disse, bem quando sua mão se conectou com meu peito. Nós dois prendemos a respiração enquanto ele me olhava de sua posição acima de mim.

O tempo parou quando procuramos um ao outro, tentando entender a energia elétrica que estava passando entre nós.

Naquele instante, quando ele tocou em meu peito erguido, pela primeira vez que eu conseguia me lembrar, eu vi calor em seus olhos. Meus mamilos ficaram duros daquele pequeno contato que ele fez, também do caloroso olhar que ele estava me dando, e da proximidade de nossos corpos; isso tudo era demais para mim.

Minha mente estava gritando para ele me beijar, me tocar de novo. Eu nunca pensei que teria tais sentimentos por ele, àquela ânsia exorbitante pelo homem, mas com ele me encarando, tão próximo de meu corpo, trazendo uma onda de calor por minhas veias, eu queria seu toque... precisava de seu toque.

Cuidadosamente, sua mão lentamente se moveu para a frente de minha camiseta, onde meus peitos estavam em repouso. Eu conseguia sentir minha respiração começar a ficar carregada com sua proximidade. Sua cabeça se abaixou só o bastante para seu nariz arranhar o meu, mal me tocando. Meu coração alcançou meu peito só com sua mão levemente acariciando meu peito sobre minha camiseta. Meu coração socou em meu peito quando ele desceu os centímetros extras entre nossas bocas, seus lábios mal bailaram contra os meus. Foi sutil, mas eletrificante pra caralho, como se partículas cintilantes disparassem entre nós.

Todo o nervosismo que eu experimentei antes com os outros caras havia passado, e tudo que ficou foi um esmagador

sentimento de euforia. Mas este era Edward, meu Edward, meu melhor amigo, o único cara com quem eu podia contar. Eu estava realmente deixando ele me beijar? Estava realmente tendo esses sentimentos totalmente consumidores por ele?

Nem uma vez ele me pressionou ou me puxou com força. Ele manteve seu beijo suave, sua mão macia, e seu corpo relaxado, o que me fez sentir cada centímetro dele, cada grama de doçura que ele estava derramando sobre mim, cada último pedaço de anseio que ele possuía por mim.

Eu estava entregue.

No minuto que ele se afastou, eu me senti vazia, e por alguma estranha razão, eu queria mais... e aquilo era o que me assustava mais. Eu não queria que ele parasse de me beijar, ou me tocar. Eu queria que ele me despisse e pegasse o que eu estava oferecendo a cada outro homem em minha vida. Naquele momento, eu queria que Edward fosse aquele a tirar minha virgindade.

Seus olhos petrificaram enquanto ele olhava para baixo, em mim, e ele disse, "Sinto muito, amor".

O sorriso que cruzou seu rosto me disse que ele não estava na verdade sentindo muito, o que só me confundiu mais.

Ele alcançou o controle embaixo de seu travesseiro e ligou a TV.

Ele apoiou sua cabeça contra a minha, enquanto seus braços me puxavam para seu corpo. Ele não disse nada pra mim, mas ele não tinha que dizer: seus lábios literalmente fizeram a conversa por ele.

Eu tentei pela minha vida, mas não conseguia entender os motivos de Edward, ou o que ele estava planejando fazer com a situação que fermentou entre nós. Depois da conversa que tivemos sobre estar juntos, e provavelmente o mais incrivelmente fantástico beijo que eu já tinha experimentado, eu estava mais confusa que nunca. Mas diabos, estava satisfeita.

Enquanto a TV soava ao fundo, eu pensei sobre tudo que aconteceu entre Edward e eu.

Isto tinha mesmo acontecido? Nós estivemos realmente cruzando a linha da amizade?

Eu conseguia senti-lo adormecendo enquanto se apoiava em mim, então eu planejei fugir quando fosse desligar a TV depois de um tempo, e apenas deitei em sua cama, em seu abraço, pensando no que o amanhã iria trazer.

Eu me sentia estranha; eu não sabia o que dizer a ele, o que fazer. Só ignoraríamos o que aconteceu e seguiríamos em nosso alegre caminho, ou conversaríamos sobre isso de manhã enquanto curtíamos uma caneca de café juntos?

Calor queimava através de mim no pensamento de ter aquela conversa. Não havia jeito de eu conseguir fazer aquilo. Eu era covarde demais.

Ao invés de passar a noite com Edward, eu lentamente me furtei de sua cama e o cobri com seus cobertores. Antes de sair, eu olhei para ele e estudei seu lindo rosto. Desde quando eu podia me lembrar, eu tinha uma queda por ele, muito tempo, mas eu sempre soube que nós éramos melhores como amigos e, eu estava certa. Ele era meu melhor amigo do mundo inteiro, e eu não iria desistir daquilo por uma paixonite. Eu nunca iria querer perdê-lo.

Assim que deixei o quarto dele, comecei a pensar sobre suas intenções com aquele beijo. Porque ele iria fazer aquilo e arriscar tudo que nós tínhamos juntos? Ele era realmente um caçador de cerejas como Alice disse? Me devastaria se ele fosse.

Eu voltei para meu quarto e fechei a porta silenciosamente, para não acordar Edward. Tirei meu Kindle e comecei a ler para clarear minha mente, e me perder em outros pensamentos que não fossem os meus. Adormeci lentamente naquela noite, ignorando a pressão do sentimento que estava começando a se erguer em meu peito com o entendimento daquilo, o fato que Edward e eu cruzamos uma linha esta noite que eu estava bem certa de que iria ter um grande impacto sobre nossa amizade.

Na manhã seguinte eu o evitei a todo custo, me aprontando para o trabalho. Normalmente, nos esbarrávamos um no outro no banheiro, ou ele viria ao meu quarto enquanto eu estava fazendo a maquiagem checar se estava tudo okay comigo, mas aquilo não aconteceu. Nós mantivemos nossa distância, e aquele sentimento corrosivo crescia cada vez mais com cada minuto que nós ficamos sem falar um com o outro.

Eu me vesti com uma saia lápis preta e uma blusa poá de seda, combinando isso com saltos altos pretos.

Meu cabelo estava ondulado está manhã, graças ao modelador de cachos, e eu estava usando minha assinatura: batom vermelho. Eu não tinha ideia do por que eu me arrumei toda para trabalhar, já que meus colegas de trabalho eram um bando de bolas de pelo. Mas tudo que eu conseguia pensar era que me vestir bem para o trabalho me faria sentir melhor sobre mim mesma.

Como Alice ficou com Jasper noite passada, era só Edward e eu no apartamento, tornando isso muito mais desconfortável.

Eu caminhei para a cozinha enquanto abotoava minha saia, decidindo se eu poderia sair com dois ou tres botões abertos, quando notei Edward se inclinando contra o balcão da cozinha, vestido em um de seus imaculados ternos e tomando uma caneca de café.

"Bom dia, amor", ele disse casualmente por cima de sua caneca de café, como se não tivesse me dado o mais apaixonado beijo da minha vida noite passada.

"Bom dia", respondi, olhando para o chão e pra minha bolsa. Eu estava pronta para dar o fora do apartamento, mesmo se isso significasse chegar cedo no trabalho.

Eu não tive chance, apesar, quando senti Edward vir até mim por trás e colocar suas mãos sobre meus quadris. Ele abaixou sua cabeça em minha orelha, me dando calafrios na espinha.

"Você está linda, amor".

Virginia grunhiu com prazer enquanto eu tentava acalmar meu coração furioso. O que estava acontecendo?

"Obrigada", chiei.

"Dê uma volta", ele ordenou, e eu fiz como ele disse, sem nem mesmo questionar.

Com uma inclinação de meu queixo, ele me fez encarar dentro de seus lindos olhos, desejando que eu pudesse ler sua mente.

"Me desculpe se eu te peguei de guarda-baixa ontem a noite, mas eu não sinto muito pelo que fiz. Eu não consegui me segurar quando você estava tão linda com seus cabelos espalhados em meu travesseiro e seus olhos olhando pra cima, me encarando. Eu tive de provar você, amor".

Umm, não era algo que eu esperava ouvir de meu melhor amigo.

"Okay", eu disse como uma idiota.

Sorrindo, ele pressionou seus lábios contra minha testa e disse, "Tenha um bom dia, amor. Eu falo contigo mais tarde".

Com isso, ele abotoou o blazer de seu terno e colocou seu celular no bolso. Eu observava enquanto ele se afastava com desembaraço, como se a tensão entre nós não estivesse pairando sobre a gente como um gigante elefante rosa.

Uma vez que a porta do apartamento fechou, eu soltei uma longa respiração que estava segurando, e me inclinei contra o balcão da cozinha. Em que diabos eu tinha me metido?

Beijos e até mais tarde

Sim, estou terminando o outro cap. e jajá volto.