II – Fã sem nome contra o mundo

Acordei no chão de meu quarto durante a madrugada, após uma polução noturna. Cheguei à conclusão de que eu não havia resistido à emoção e desmaiei e enquanto desacordado tive sonhos eróticos com meus musos. Por um minuto então eu entrei em desespero, havia perdido a borracha mágica que esperei toda a minha vida possuir! Como eu poderia deixar uma chance única como dessa escapar de mim assim, de forma tão fula?

Resolvi então apelar, fui à rua e procurei por um taxi. Era cerca de três horas da manhã e com minha roupa de colegial, creio que todos me confundiam por uma profissional liberal da área dos prazeres da carne, mas não me importei, somente segui em direção ao ponto de táxi.

Chegando lá, só havia um taxista no ponto. Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele, rolou aquele clima de Bolsomito, mas ainda assim, corajosamente, entrei no taxi e falei:

- Pro bar do seu Nelso.

- Onde fica isso?

- No centro da cidade, perto do mercado de bananas.

- Entendido, chefia. - O taxista fora então calado durante todo o percurso, somente olhando algumas vezes para mim pelo retrovisor, criando um clima constrangedor entre nós.

Certo momento eu o reparei olhando para minhas coxas pelo retrovisor, e enquanto passava a marcha, tentava mexer em minha saia. Devo admitir que uniformes de colegiais japonesas são bem tentadores, mas não havia o que ser feito, era minha única esperança.

Faltando cerca de cinco quilômetros para chegar a meu destino, e em uma corrida que demorou meia hora e de alguma maneira surreal custando a meu bolso cerca de 120 dilmas. Na mesma hora o Taxista vira pra mim e diz:

- É, a corrida tá ficando mais cara do que você imaginou, né chefia? Não quero ser intrometido demais, mas posso fazer uma pergunta?

- À vontade. – Eu disse isso, mas queria mais era pular pela janela do taxi de tanto desespero.

- Por acaso, você é da zoeira? Eu estou com certos objetos no porta-malas de meu carro e queria saber se cê tá a fim de me ajudar com eles, quem sabe ainda possamos negociar o preço da corrida. – Falou o Taxista enquanto esbanjava um sorriso canastrão em sua túrgida face.

- O que queres dizer com isso?

- Ah, você sabe... Eu tenho uma esposa em casa, mas gosto de ter outras experiências...

- Perfeito! Era exatamente o que eu estava pensando. Entre no próximo motel que ver!

Ele então aumentou a velocidade do carro e entrou rapidamente em um motel que estava cerca de 200 metros, do lado esquerdo. Creio que ele já utilizara de tal estratégia posteriormente. Acalmei-me e então fomos à recepção. Fui para o quarto enquanto o taxista voltou no carro para pegar seus "objetos". Não faço ideia do que sejam, e isso me causa certo receio. Vou então até à banheira e começo a enchê-la, para surpreender o taxista. Após cerca de vinte minutos esperando-o, fiquei apreensivo. Pensei que aquilo não era mais um encontro inesperado para algumas memórias de Golden Shower, e sim que ele poderia estar armando algo para mim.

Até que eis que chega, o Taxista, ou que supostamente seria ele, vestido de minion e com uma roupa da bela adormecida por cima, com os pés descalços. Eu não tinha reação. Ele então disse:

- Creio que não me apresentei, meu nome é Xistose e eu sou um dos sete ex-malvados, mas agora, vestido de meu traje, pode me chamar de Wardeley.

Aquilo foi o que me ocorreu de mais perturbador enquanto eu estava em motéis fedidos e prostituindo meu corpo para eu tentar pagar corridas de taxis. Não tive reação, fiquei sem conseguir respirar e logo, com nenhum fôlego para correr. Não sei o porquê, mas por um breve momento pensei em cantar bonde do goteirão, mas também queria sair dali o mais rápido possível.

Chamei-o então para a banheira, dizendo que ela estava cheia e ele disse que não queria. Iria estragar a fantasia, e ele havia dedicado muitas horas em frente da máquina de costura para fazê-la. Eu então tentei persuadi-lo a entrar na banheira, mas então repentinamente ele me pegou em seus braços e me jogou na cama, enquanto levantava minha saia e arrancava minha calcinha. Por um breve ato de reflexo, estiquei a perna, dando-lhe uma pisada no único olho de sua fantasia, fazendo-o assim cair no chão enquanto proferia diversos xingamentos direcionados a mim, tentando se levantar, algo que não era fácil, visto que a roupa era cilíndrica e ele ficara como uma tartaruga.

Fui então até o banheiro e arranquei a mangueira de fazer chuca do bidê. Nisso, ele finalmente havia se levantado e vinha em minha direção, mas então eu girei a mangueira, e me senti o Indiana Jones com seu chicote. Acertei-o primeiramente no braço e depois no peito. Ele soltou alguns urros de dor, mas a roupa acolchoada de minion o protegia. Pegou-me pelos cabelos e bateu minha cabeça na quina da pia, abrindo um corte profundo.

Quando eu já estava sem forças graças às inúmeras pancadas que foram dadas em minha cabeça, o Taxista me jogou ao chão de bruços, montou em cima de mim e novamente levantou minha saia, mas desta vez, rasgou minha calcinha com os dentes e disse:

- Que belo cuzinho rosado, prontinho para ser todo meu! Pode deixar, eu trouxe o meu próprio lubrificante de casa, que só aumenta o prazer.

Ele então expeliu de seu ânus o que eu achava que era uma cápsula de cocaína (que cairia muito bem no momento), mas quando ele abriu, vi que se trava de uma mistura de areia, cascalhos e fragmentos de azulejos e telhas roubados de obras em que ele fazia bico quando não estava trabalhando de taxista.

Entrei em desespero. Minhas pregas já haviam visto muitas coisas, mas nunca viram fragmentos tão grandes de azulejos e telhas, eu iria preferir que fosse cerol, mas Xistose parecia não saber das propriedades sexuais que garantem prazeres somente compreendidos pelos Cenobitas que o cerol possui.

Em um momento de agilidade, virei-me de frente para ele, agarrei suas coxas com meus braços e apliquei de alguma forma muito estranha e errada uma espécie de pilão do Zangief. Ele caiu então por cima de mim e bateu com a cabeça fortemente no vaso e depois no chão, quebrando parte de seu crânio quando bateu com o mesmo no vaso, e quando bateu no chão, já estava desacordado.

Corri então para o quarto à procura de algo para mata-lo. Encontrei na gaveta do criado mudo uma faca de plástico, e essa fora minha arma. Fui em direção ao banheiro com chamas nos olhos e então comecei a rasgar toda a fantasia dele, e com a faca, após alguns minutos de esforço, arranquei sua pica e com um pedaço de bosta que saíra de seu cu quando expelia a capsula de lubrificante estanquei o sangramento. Continuei então com meu trabalho e após cerca de duas horas, arranquei seus pés. Eu então roubei as chaves do taxi que estavam em seu bolso traseiro, junto de algumas pedras de crack que resolvi guardar para mais tarde.

Enrolei seus pés em uma fronha, pulei a janela do motel, me esgueirei até o carro e fugi. Fui correndo até em casa, e então pus-me de frente ao meu altar dos decrépitos e me preparei para meu ritual. Recitei alguns trechos da Cabala e proferi algumas palavras de Eliphas Lévi. Desenhei alguns símbolos ritualísticos no chão e utilizando-me da chave menor de Salomão invoquei Belial, e junto dos pés de Xistose, fora oferecido aos Decrépitos em meu altar para que eu pudesse encontrar novamente a borracha que João anotara seu zap zap pra mim. Cerca de quinze minutos após os rituais serem finalizados e toda a aura obscura e névoa saírem de meu quarto, me virei e lá estava a borracha, ao lado da poça de fluídos sexuais que deixei no chão após a polução noturna daquela noite.

Fui até o altar, reverenciei as fotos de meus musos e então enfiei os dedos em minha garganta, vomitando um lance escuro em cima dos pés arrancados e do medalhão de serventia que Belial havia deixado para os Decrépitos.

Parece que minha vida finalmente iria melhorar. Tudo está indo perfeitamente bem desde que as aulas voltaram e descobri que os Decrépitos estão em minha turma. A vida parecia um sonho que se tornara realidade.