Beijo na trave. Beijo na trave. Beijo na trave... Na TRAVE.
Preciso ir dormir. Urgentemente.
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Quando digo dormir é dormir mesmo, não ficar rolando na cama pensando o que teria acontecido se ele me beijasse um pouquinho mais pro lado... Ai, ai...
Objetivo, objetivo, foco, concentração, vamos pensar em... Árvores.
Não! Árvores não! Ele se despediu de mim em baixo de uma árvore... Bem vejamos... Crianças!
Droga, Daniel estava do lado... Hm... Neve!
Nããõoo, eu estava pensando em neve... "Bem que poderia nevar", o calor está insuportável.
Meu boné! Ficou com ele. Mas que merda...
Paredes. Isso, paredes são... Ótimo, agora DURMA!
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Quando eu falo, grito, digo, berro que é para dormir, é dormir sem sonhos! Principalmente envolvendo uma praia, lua, estrelas, beijos e James. Principalmente envolvendo James.
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Bixo, tá calor. Muito calor. Acho que entrei na menopausa.
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- LÍÍÍÍÍÍÍÍLIAN!!!!!!!!!!!! - tive a leve impressão que alguém estava morrendo.
- Hunjatcorda...da... - resmunguei alguma coisa do tipo: "Está bem, já estou acordada, me levantarei em cinco minutos". Não foi tão diferente... Voltei a dormir.
- Líííííiliannnnnnnnnnn!! - Abri meio milímetro os olhos. Agora a voz estava mais perto, provavelmente subindo as escadas. Ok, tenho meio minuto de sono, ainda. Melhor aproveitar logo. Fechei os olhos.
- Lilian Evans! - droga, que meio minuto mais curtinho.
- Hun... - Me espreguicei na cama, e me tapei mais com o lençol.
- Acorde menina!
Ela acha que está falando com uma sonâmbula? Mãe tem cada coisa... Eu estou um só pouquinho sem sentidos.
- Lilizoca da mamãe... - Tudo bem, agora pegou pesado. Abri o olho. Vi-a em pé me observando na beira da cama. Certamente ela já sabia que o golpe ia dar certo. Lilizoca é sacanagem...
- Sim, mãe, tomo banho e já desço para o almoço...
- Almoço? - ela me olhou, intrigada. - Café da manhã, não?
- Mãe, que horas são?
- Nove e meia, por quê? – encarei-a, incrédula.
- Boa noite! - e enfiei a cabeça em baixo do travesseiro. Mamãe suspirou e foi arrumar as roupas que estavam largadas pelo quarto. Pelo menos foi o que pareceu pelo barulho.
- Então eu posso avisar que você não vai? - tirei o travesseiro da cara.
- Heim!? Avisar? Pra quem?
- Como para quem, Lily!? Para o Daniel e o James. - Peraí... James? Que intimidade é essa? E que, diabos, eles estão fazendo?
- E para onde, exatamente, eu vou? – perguntei, tentando pôr os pensamentos em ordem. Levantei da cama, e dei um bocejo.
- Lilian! Vocês vão visitar o Frank! Pelo menos foi o que o Daniel me contou. - ela estreitou os olhos. - O que vocês vão fazer?
- Eu sei lá! Nem sabia que a gente ia no Morro hoje...
- Mas eles falaram que você pediu para eles te acordarem... - fiquei incrédula. Safados...
- Tudo bem, avisa que eu já estou descendo. - mamãe sorriu e saiu do quarto batendo a porta, com uma pilha da roupa na mão.
Troquei de roupa - short, uma blusinha de manga e um chinelo de borracha. O calor da madrugada se manteve, ou a minha menopausa 'tá no auge. - e enfiei algumas coisas na mochila. Sentei em cima pra fechar. Sacudi um pouco, pra parecer mais vazia, e desci.
Encontrei os três, minha mãe - com um monte de roupa minha no colo -, o Daniel e o James, comendo rosquinhas e tomando café. Rolei os olhos e fui me sentar. Tentei, e falhei miseravelmente, tentar controlar o meu estômago. Precisa pular tanto?
Adotei a seguinte tática: não olhava para ele, e me empanturrava o máximo possível.
- Bom dia Lily! - Dan me cumprimentou, com especial cordialidade.
- Bom péssimo dia, criatura que acorda as pessoas. - respondi. James ergueu os olhos, e nem se atreveu a falar. Só deu um adeuzinho com a mão.
Tomei meu café: comi pão, bolo, e torradas. Depois fiquei enrolando com as rosquinhas, até James falar:
- Tudo bem, Lily, desculpe-nos. Prometemos não te acordar de surpresa, e pediremos a sua permissão. Agora podemos ir?! - pisquei com um dos olhos.
- Com certeza.
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Chegamos ao pé do Morro depois de uns vinte minutos de caminhada. Vimos um caminho estreito, mas sem vegetação. Fui na frente, mas parei quando o James falou:
- Vocês têm certeza que esse tão famoso Morro só tem esse caminho? - ele olhava meio incerto o nosso destino.
- Pode confiar, esse é o melhor. - olhei para ele, tentando convencê-lo.
- Tem certeza?
- Absoluta. – respondi, convicta.
- Tudo bem; se você diz, eu acredito. Seja o que Deus quiser. - ele se moveu com muita cautela.
Andamos, andamos e andamos. Durante dez minutos só vimos passarinhos. Aí eu comecei a guiar o James. Peguei ele pela mão, e o fiz seguir exatamente os meus passos. Ele, claro, achou estranho.
- Posso saber por que eu tenho que te seguir assim? - ele indicou as nossas mãos entrelaçadas. - Tudo bem que você quer ficar de mãos dadas comigo, mas não precisa me tratar como uma criança.
Rolei os olhos, tentando disfarçar que realmente estava gostando daquele contato. Por alguns segundos me senti outra vez como uma namorada.
- Por isso. - e joguei uma pedra bem no meio da estradinha. Um buraco, do nada, se abriu no chão de terra batida. Devia ter uns dois metros de profundidade. James arregalou os olhos.
- Isso não é muito normal em uma estrada... Pelo menos nas estradas que eu conheço.
- Claro, é magia. - ele me olhou, intrigado. Peguei sua mão e voltei ao caminho, com ele murmurando atrás.
- Magia? Magia magia? Daquelas que a gente conhece? Com varinha e tudo?
- Não. Essa utiliza galinhas mortas, morcegos, penas de hipogrifo e garras de um basilisco. - ele me olhou incrédulo, mas depois percebeu que era brincadeira. - Claro que é daquela que nós conhecemos, com varinha e tudo.
- Ahnn...
Avistamos uma casa, e soltei a mão dele. Eu sou tão inocente. Foi a deixa para ele ir olhar uma estátua de um bicho bem estranho. O problema é que quando ele ficou a metro da estátua, surgiram cordas e o amarraram da cabeça aos pés. Ele se debateu e tentou gritar, mas a s cordas o impediam. Suspirei, segurando uma gargalhada. Olhei para Daniel, que agora estava deitado no chão, de tanto rir.
- Frank! FRANK! Ele é meu amigo! - berrei ao nada. Com um pipoco, surgiu um velho de baixo de uma árvore.
- Jura?! - ele perguntou, desanimado. Coçou os cabelos desgrenhados, e fingiu pensar como tiraria o menino dali. James o olhava desesperado.
Conheci Frank deve ter uns quatro anos, apresentei ao Dan um tempo depois.
Eu, como a menina hiper-ativa que era, passava meus verões sem ter o que fazer, brigando com Petúnia. Falei para mamãe que iria dar uma voltinha. Bem, aí eu fui parar em uma das armadilhas que o Frank coloca para espantar as crianças. Só que eu gritei tanto que ele veio ao meu socorro pensando que eu estava morrendo. É, eu grito um bocado. Bem, aí ele passou a gostar de mim. E do Dan. Aí, vira-e-mexe, agente vem visitar ele.
Ele é um bruxo sozinho, que vive apenas com seu humilde alazão, que de humilde não tem nada, afinal é um reluzente cavalo alado negro. Eu não me dou muito bem com ele, o Daniel faz essa parte do social. O Frank não gosta de crianças, e vive falando sozinho sobre como elas são "chatas, irritantes, possessivas, e remelentas". É, ele não tem um temperamento muito fácil. Mas agente consegue contornar a situação.
Bem, voltando ao James e as cordas.
- E quem é esse prego? Seu namorado, Lily? - fiquei vermelha, e tentei mudar de assunto.
- Não. - Ele acenou a varinha, depois de analisá-lo por um tempo, e as cordas sumiram num piscar de olhos.
- Li... - James se levantou, limpando a roupa, e veio para o meu lado com cara de espantado.
- Calma, ele é legal. - ele me olhou, irônico. – Verdade. Mas relaxa, agente não ficar por aqui não.
Com essa constatação, ele ficou mais calmo e mais espantado. Daniel se levantou e foi cumprimentar o Gino, o cavalo alado.
- Não?! - perguntou Frank, ainda analisando o James, que agora se escondia nas minhas costas - Cachoeira?
- Sim, se você não se importar.
- Não, não. Sem problemas. - e tirando os olhos do James, ele me encarou. - Só tenha cuidado com esse aí. Olhe bem, moleque, ela é minha protegida!
Ri da cara do James. O Frank é incapaz de machucar uma mosca, apesar das armadilhas, que são feitas para espantar as crianças.
- Então vamos?! - James balançou a cabeça entusiasticamente atrás de mim, e o Dan veio pulando na nossa direção.
- Tchau, Frank! - Dan acenou para o homem, que ainda nos observava, e depois acrescentou para James - Você está parecendo a irmã da Lily quando vê uma barata.
Rapidinho ele se aprumou. Depois saiu das minhas costas, e se colou à minha frente.
- É, acho que ele não foi muito com a minha cara...
Daniel olhou para ele, perplexo.
- Acha?!
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Eu já não agüentava mais caminhar, então o James me carregou nas costas. Foi uma viagem... Diferente.
- Graças a Deus chegamos! - Daniel, o bom católico.
- Lily, você tem alguma massa muscular? Você é leve como uma pena! - James me colocou no chão, impressionado com a facilidade que teve para me carregar. Fiz bico.
- Claro que tenho! Só é bem distribuído... Aí nem pareço pesada. – cara, eu sou estranha. Todas as mulheres do mundo adoram receber elogios do tipo "Nossa! Você está pele e osso!", mas eu não. Quero ter massa, carne, gordura, sem celulite. É, eu realmente sou estranha.
- Bem distribuído? Com certeza... - ele me olhou daquele jeito bem cafajeste, que só ele sabe olhar, de cima a baixo. Encarei ele por alguns instantes, até jogar a bolsa em cima dele, indignada com tamanha cara de pau.
- Safado!
Senti gotas em meu corpo, Daniel não perdeu tempo. Já havia tirado as roupas, ficando só de sunga e entrando no rio.
- Vem, Lily! - ele berrou, enquanto mergulhava.
Não perdi tempo. Joguei a bolsa no chão e fui tirando as sandálias. James me olhou estranho.
- Lily, você vai entrar? - olhei para ele estupefata.
- Claro!
- Como?
- Como assim, "como"? Entrando, oras! Tira a roupa, pula na água... Não é muito complicado.
- Mas... Pelada?! - ele me olhava, extremamente sem graça. Demorei uns três segundos para entender o que ele disse. Depois, caí na gargalhada.
- Não, James! De biquine! - ele ficou extremamente vermelho. - E você, vai cair como?!
- De sunga... - ele resmungou.
Terminei de tirar a roupa, até só estar de biquine. A água, como sempre, estava fresquinha. Pulei que nem uma baleia, pelo menos foi o que me pareceu. Voltei a tona com mais delicadeza, a tempo de ver o James pulando, com muito mais talento do que eu, perto do Dan, fazendo ele sair do lugar para não ser atropelado.
É nessas horas que a gente se pergunta como alguém pode ter uma barriga como essa -porque isso NÃO é barriga, isso não é coisa de Deus -, estudando em Hogwarts, onde você só faz comer muito e estudar.
Desvia a tenção, Lily... Desvia...
Resolvi afogar o Daniel. Não afogar, afinal eu não sou nenhuma psicopata que gosta de matar pobres criancinhas afogadas, mas só fazer ele ficar bravo. Depois de um tempo ficou chato, e ele muito bravo. Sentei em uma pedra. Vi o James boiando e descobri que realmente estava com vontade de apertar aquela barriga perfeita, e ser abraçada por aqueles braços gostosos.
Deitei, tentando esquecer do mundo. Daniel me tacou um punhado de folhas, como vingança, que havia reunido e depois saiu correndo para eu não o pegar. Mergulhei de volta, emburrada. E com folhas cheias de areia grudadas em mim.
Resolvi ir para baixo da queda d'água. Fiquei lá até o momento que o impacto com a água me incomodou, mas em vez de ir me juntar à brincadeira entre o James e o Dan, fiquei entre a parede de pedra e a queda d'água, na mais completa paz, onde a água, por incrível que pareça, era calma, e o chão raso.
Fechei os olhos, curtindo aqueles poucos segundos onde só existia eu e a natureza, sem ratos, sem mãe, sem pai, sem Petúnia, sem James, sem paixões sem fundamento...
Ouvi um barulho, e abri os olhos para ver o que era. E lá vem o James me atormentar...
- Lily, você por aqui?! - ele brincou, e se apoiou na pedra ao meu lado.
- Pra você ver... Cadê o Dan?
- 'Tá brincando de pular das árvores. O menino parece um macaco! - ele me olhou, abismado. Sorri de volta, e voltei a fechar os olhos.
- Lílian Evans, você deveria usar biquines todos os dias. É a roupa ideal para você. Deveria ser uma lei. - ele declarou, depois de um tempo em silêncio. Continuei com os olhos fechados.
- Hahaha. – ri, irônica. - Muito engraçado...
- Por quê? Não está acreditando?!
- Sinceramente? Não.
- E eu posso saber o por quê?! - percebi a água se mexendo ao meu redor de um modo diferente.
- Porque, simplesmente, você diz isso para todas, não negue. - mantive os olhos fechados - E essa é a cantada mais velha do mundo, além de você ser um safado de carteirinha.
Abri os olhos. Dei de cara com outros olhos, cor de amêndoa, bem perto de mim.
- E se eu te dissesse que você realmente fica esplêndida de biquine, ou de qualquer outra forma... - Ele se aproximou, e colocou as mãos na parede, impedindo que eu me movimentasse, sem se quer piscar ou desviar o olhar.
- Que você consegue me deixar louco... – sorri, tentando descontrair.
- Essa animação estaria relacionada àqueles "ótimos conselhos do Sirius"?
Ele realmente estava perto, a barriga encostava na minha, mas as mãos continuavam na pedra. Ele fechou os olhos por um instante, mas logo os abriu, cheio daquela energia que ele tem quando quer alguma coisa. Arrepiei até os cabelos. Tentei sair do abraço, o que só fez nossos narizes se aproximarem, e ele resolver brincar comigo.
- Com certeza. Você não concorda que ele só tem boas idéias? - Aham...
Agora ele realmente me imprensou contra a parede. Ele passou a língua sobre os lábios, e meu olhar inevitavelmente seguiu o movimento.
- Ahnn, não. - isso soou realmente falso. Ele gargalhou.
- Lily, relaxe, você já não tem mais namorado... - Quem...?!
- James... O Dan...
- Shii... - ele tocou o meu nariz com o dele, cheirou a minha pele, a minha boca, os meus cabelos. Eu estava parecendo mais uma gelatina, e minha mente deu um curto circuito, já que eu não conseguia nem somar dois mais dois. Ele beijou minha nuca. Descobri porque tanta gente fica atrás dele (e olha que ele não fez muita coisa até agora), e que eu também gostaria de correr atrás. Ele esfregou o nariz na minha nuca, até a orelha... Arrepiei. Foi quando ouvimos um grito.
Descullllllllllllllllllllllllpem pela demora.
eu sei, não existe perdão. :(
então, espero q tenha valido a pena esperar... - o que eu acho mto diciil.
sem mais delongas.. REVIEWS!!!
quanto mais reviews, mais rapido eu escrevo, então, só depende de vcs! ( e das provas, mais isso agente da um jeito)
brigada ai td mundo q mando review!
té a proxima! beijos
