- O que você pensa que está fazendo aqui, Sean? – disse, enquanto terminava de vestir o casaco. A tarde estava acabando, e o tempo ficando frio.
Minha mãe me fez tomar banho antes de poder "namorar e matar a saudade". Ela disse que teríamos todo o tempo do mundo.
Tomei o banho, me acalmei e fui botar ordem na situação. Ou tentar, para ser mais exata. Por incrível que pareça, meu corpo pinicava toda vez que eu chegava perto dele, como se ainda fossemos namorados. Ou, talvez, era pura raiva com um pouquinho de ódio.
Senti falta de alguma coisa, imaginei que términos de namoros recentes e começo de relacionamentos sem compromisso causasse isso nas pessoas. Mas de uma coisa eu tinha certeza, não era com o Sean que eu queria ficar. Isso não quer dizer que a outra opção seja o James.
Agora nós estávamos no quintal, embaixo da mesma árvore em que vi o James, pela primeira vez, aqui.
Por que, diabos, eu estou me lembrando disso?
- Vim te ver, oras! - respondeu ele. Olhei para ele incrédula.
- A gente terminou.
- Não fale assim, Lily. - ele chegou mais perto e pegou minha mão. Suspirei, e vi minha mãe acenar da janela. Provavelmente me vigiando.
- Falo sim! E quem queria primeiro era você! - soltei suas mãos delicadamente, e encostei-me no tronco da árvore, ficando de frente para ele.
- Mentira! - ele replicou, mas sem muita convicção. Ergui as sobrancelhas para ele. - Bem, no começo eu realmente queria... Porém, depois eu vi o quanto sentia sua falta...
- Pára. - isso estava me irritando. Pensei em dar uma tapa nele, mas mudei o movimento ao reparar em meu pai e minha mãe conversando perto da janela. Eles não mereciam uma filha sem coração como eu. E que, pelo jeito, já arrumou outro "namorado". Coitado dos meus pais, eles não me merecem.
- Lil! É verdade! - ele suplicou. - Ao pensar em você com outra pessoa...
Lembrei do meu dia de sol na cachoeira. E de um gosto quente me minha boca, mãos em minha cintura e um ou outro arrepio ocasional.
Fiquei vermelha ao ouvir o comentário do Sean, sorte que estava anoitecendo e ele não reparou em meio a suas desculpas.
- ... E Potter aqui me deixou intrigado, pois você sabe né, ele vive correndo atrás de você, não iria descansar enquanto não conseguisse...
- Pára tudo. - eu estava ficando furiosa. - Você só veio porque o James está aqui??
Ele parou abruptamente seu discurso, e ficou sem fala.
- Nã-não! Mas que coisa de se dizer! - ele se fez de ofendido - Eu? Por causa do Potter?
Olhei irônica para ele. Ele morria de ciúmes do James na escola, eu não podia sentar do lado do James que ele chiava, reclamava o tempo todo. Ah, eles tem rixa no Quadribol.
Era só o que me faltava, Sean com orgulho ferido.
Realmente, a vida está muito calma, melhor dar uma agitada nela. Afinal, o que é ter terminado um namoro, beijar outro menino (ex-inimigo), não contar para sua mãe (sobre nenhum dos dois fatos, principalmente o primeiro e mais relevante, pelo menos para ela), e receber a ilustre visita do seu ex. Ah, e largar o "atual" sozinho, sem explicações, na cachoeira, lindo, molhado e todo gostoso?
Por que agora parece tão certo beijar o James, namorá-lo, casar e ter um filho?
- Sean. Por favor! - supliquei. Já estava tremendo de raiva. Quem era ele pra controlar as idas e vindas do namoro? Inspirei profundamente, e tapei os olhos com a mão, pressionando as têmporas. Lembrei que tinha combinada com o Dan do drive-in. Mer-da. – Ok, Sean, seus motivos são nobres e honrados, mas não vai ter futuro nenhum. Agora vamos entrar, e você diz que só veio me ver, e você vai embora. A gente se vê em primeiro de setembro.
- O quê? Eu não vou embora!
Destapei os olhos, tentando acreditar que tudo não passava de um grande pesadelo. Um gigantesco pesadelo.
- Você o quê?
- Não vou embora. - ele me encarou. - Lily, eu sei que você ainda gosta de mim, sejamos francos. E eu ainda te amo.
Eu não sabia o que dizer. Estava sem palavras.
Como eu pude namorar com isso? Ele continuou.
- Lily, vamos! - ele voltou a pegar minhas mãos. - Me dê uma chance pra mostrar que nosso namoro pode voltar a dar certo...
- Sean, não! A gente terminou! Fim, acabou! E o nosso namoro nunca deu certo!
- Você está surpresa, eu sei. Foi muito de repente... O término, a minha volta. Vou ficar aqui alguns dias e...
Abri a boca para contestar. Ele colocou o dedo sobre ela, me fazendo calar.
- Shh... Ouça.
Aquilo foi demais. A raiva subiu a níveis astronômicos.
- "Shh" porra nenhuma! – sussurrei, grossa, me segurando para não gritar. - Nós não vamos voltar, nem hoje, nem em um milhão de anos. Não te interessa se o James está aqui, ou se você resolveu que quer voltar a namorar. Já chega! E você vai embora já!
Ele se assustou com o tamanho da minha raiva. Porém, depois, deu um sorriso debochado, me deixando incrédula.
- Eu não vou te perder pro James. E seus pais não vão deixar você me colocar pra fora de casa, eles acham que nós ainda estamos namorando. O que eles achariam da filha que faz isso com seu doce namorado?
Ele ergueu as sobrancelhas, presunçoso. Eu abria e fechava a boca várias vezes, sem saber ao certo o que dizer. Era um argumento válido, porém ainda existiam brechas. Eu podia simular uma grande briga com el...
- Se fizer escândalo, eu falo que você me traiu com o James. - ele falou como se lesse meus pensamentos.
- Como você ousa...
Enfim, ele me deixara sem argumentos, e eu não iria admitir para ele que beijei o Maroto. Se ele falasse isso para os meus pais eles iriam tirar a história a limpo com o James, e bem, ele confirmaria que nós nos beijamos.
E, então, eu seria a nova biscate da família. E meus pais não mereciam isso, não mereciam mesmo. Não que eu seja uma biscate. Certo? Eu tinha terminado o namoro, caramba! Além de que eles começariam a desconfiar de mim, afinal, quê namorado ou ex dedura a namorada para os pais?
Puta que o pariu!
- Você não faria isso. - recobrei minha voz. - Eles não acreditariam em você!
- Ah faria... E, sim, eles acreditariam. Ou iriam acreditar no campeão de detenções-Potter? - ele disse, presunçoso - Vou ajudar sua mãe com os pratos.
Deu-me um beijo na testa e saiu. E eu fiquei ali, lívida de fúria, sem saídas. Agora, me diz, como eu em sã consciência fui namorar um Lufa-Lufa? E ainda por cima louro.
Acho que prefiro os Grifinórios, morenos e honestos.
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Jantei em um silêncio mortal, interrompido somente quando extremamente necessário. Juro que se minha mãe lesse meus pensamentos iria me deserdar, devido aos compulsivos palavrões que iam e vinham na minha cabeça, xingando o Sean e a minha burrice. Bem, aí seria até fácil, ela me deserdava e eu matava o Sean, já não teria mais problema para ela ter uma filha presa.
Candidatei-me a lavar a louça, coisa que nunca faço, deixando o meus pais com meu suposto namorado. Eles ficaram conversando sobre como nós somos um "maravilhoso casal" e das férias do Sean. Eu podia ouvir cada palavra da conversa. Dava até pra ver cara cínica do Sean se fazendo de santo para minha mãe "Claro Sra. Evans, é só chamar quando precisar!"
- ... É só chamar quando precisar... - fiz uma voz aguda, imitando o Sean, falando da sala, enquanto lavava um copo. - ... Nunca, quem sabe?! É só... Merda!
Bati o copo no escorredor, quase o deixando cair. Segurei com mais força e o coloquei no lugar. Comecei a lavar os pratos, ainda com raiva, e nem reparei quando duas cabeças apareceram na janela da cozinha, em cima da pia, ou seja, na minha frente.
- Eu achava que o objetivo é só limpar, e não tentar desintegrar o prato. - James falou me encarando, sorrindo, com um boné preto escrito "Quadribol 4 Ever" com letras prateadas. – Oi, peixinho.
Peixinho. Vive na água, cachoeira, ham-ham, entendeu o trocadilho?
Pshh! Consciência assanhada!
- É, eu imagino que sim. - terminei de lavar o último prato, e sequei minhas mãos. – Então, a que devo a honra dessas ilustres visitas?
- Você nem imagina...? - James falou, malicioso. Dan olhou para a cara dele intrigado, pensando que ele era um verdadeiro maluco. Senti minhas bochechas arderem. - Ah, seu boné.
Ele me devolveu, e eu o coloque ao lado da louça lavada. Depois eu o guardava.
- Cinema, Lily! - Dan disse, exasperado. - Em que mundo você esteve?
- Vocês nem imaginam... - me apoiei na pia para contar a minha odisséia quando Sean entrou na cozinha. E ele não pode saber da minha, ahn, intimidade com o James. Ele não pode nem sonhar que o James sabe/vai saber da real situação.
- Lily, você... - então ele ficou mudo, olhando para as duas cabeças sobre a janela da pia. - Potter. E, você, imagino que seja o Daniel... Ouvi falar muito de você.
Daniel não reagiu à informação, e pelo jeito não gostou do Sean, ao contrário do James, que se enrijeceu e eu o vi trancar o maxilar. Esse definitivamente odeia o Sean. Pensei ter ouvido dedos estalando, mas aí eu achei que já era fruto da minha imaginação e da minha consciência maluca. E como eu ia saber, se não via as mãos do James ? Enfim.
- Half. - ele cumprimentou de volta, muito, muito sério. Engoli em seco.
Sean Half. Só para o caso de informação.
- Então, Potter, que bons ventos te trazem aqui? - ele se colocou ao meu lado, e passou a mãos pela minha cintura. As ondas de raiva estavam começando a vir. Olhei suplicante para o James, mas esse nem me deu atenção, estava encarando o Sean com muita intensidade, os dois pareciam estar duelando. Eu já via a hora de eles sacarem as varinhas. Olhei para o Dan, desesperada. Ele, para o meu alívio, me olhou intrigado.
- Vim com meus pais. São amigos dos pais do Daniel. - o Maroto respondeu, seco. Olhei outra vez desesperada para o Dan, que mexeu a boca formando "O quê?". Cocei a cabeça, disfarçando, e tentando me livrar das mãos do Sean. "Socorro!" fiz com a boca para o Dan, ele não entendeu. Ninguém falava, Sean e James apenas se encaravam, os segundos se tornavam anos para mim. Repeti. Ele fez cara de compreensão. Ufa! Ele parou e pensou por um instante, então mandou:
- Então, podemos ir? Estou doido para ver o filme.
Grande, Dan.
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Chegamos no Drive-in com um pouco de antecedência, mas as pessoas já estavam chagando. Com suas cadeiras e toalhas de piquenique, espalharam-se pelo gramado em frente à tela ainda branca. O barulho do burburinho das pessoas aumentava à medida que você chegava perto da lanchonete que existia um pouco atrás da tela, em um ponto estratégico entre a tela e o banheiro. Dan e James foram comprar pipoca, enquanto eu me sentava na minha tolha de piquenique azul com branco, com o Sean do meu lado. Ele sentou, colocou a mão na minha cintura, e foi beijar o meu pescoço.
- Sean, larga! - me afastei dele, sentando no lado oposto. - Ou eu não respondo por mim.
E lancei o meu mais mortífero olhar.
Cruzei os braços e fiquei com cara de poucos amigos até os meninos retornarem. Fiquei vendo as pessoas chegarem, algumas me cumprimentando com um "Boa Noite", outras não. O gramado foi enchendo (não que ele fosse muito grande) e a lanchonete faturando. Não pude deixar de sorrir ao ver os dois morenos virem na minha direção, o mestre e o aprendiz. E o James estava tão lindo, com aquele casaco verde garrafa e com aquele boné. Como uma pessoa criada no mundo bruxo consegue se vestir tão bem de trouxa? E olha que não é coisa que qualquer bruxo faça. Eles pararam na minha frente e ficaram me olhando, como se esperassem alguma coisa.
- Então... Lílian - James começou. Eu sorri para ele, incentivando-o a continuar. - Você não deveria sentar do lado do seu... Hum... Namorado?
Ah, sim, claro.
Minha cara despencou. Despedaçada, retornei ao meu lugar original. Sean riu, e voltou a passar a mão na minha cintura. Eu, com muita delicadeza a tirei, e, com a cara mais séria que eu consegui, disse:
- Não. E pára com isso.
Ele me olhou e se conformou, pelo menos por enquanto. James se sentou do meu lado, ergueu o pacote de pipoca me oferecendo, aceitei e peguei um punhado. As luzes dos postes se apagaram e a tela ficou branca, começou a gritaria. Senti um arrepio ao sentir o corpo do James do meu lado, que não tinha nada a ver com a expectativa do filme. Engraçado me pensar no meio desses dois.
Começaram os créditos, alguma coisa com sangue e uns atores cujos quais eu nunca ouvir falar.
- Você me falou que tinha terminado - James murmurou no pé do meu ouvido, me fazendo ter um sobressalto.
- E terminei. Você viu. Ouviu. - murmurei de volta, tentando fazer com que o Sean não visse.
- É, acho que sim. - ele me encarou. - Então por que ele está aqui?
- É... Complicado - resmunguei. Não dava pra contar a história ali. Não com o Sean de butuca, aqui do meu lado.
- Me beijar não foi complicado. Bem, não muito. Não naquela situação de hoje. - ele falou, amargurado.
Não sei se foi a cena de assassinato do filme ou o que o James falou, mas de repente me senti infeliz, me arrependendo muito de ter abandonado a cachoeira. Meu estômago se revirou, cheio de culpa.
- Foi sim, pode ter certeza. – respondi, convicta. Ele não tinha idéia do quanto...
- É, eu devo ser repulsivo. - ele respondeu, ainda aborrecido.
- Não é. E o problema 'tá aí. - falei um pouco mais alto do que gostaria. Ele me encarou, e o Sean perguntou:
- Que problema?
- Na-da. – respondi, seca, enquanto via o James balançar a cabeça para ninguém em particular, incrédulo, e sem entender nada.
Depois de dez minutos sem prestar atenção no filme, muitas investidas do Sean (em vão), e a minha odisséia James x Sean, fui dar uma voltinha. Claro, disse para o Sean que iria ao banheiro, assim ele não vinha atrás de mim. Andei por entre as pessoas até não ver mais os meus três companheiros. Fui parar do lado da lanchonete, escondida pela luminosidade da tela. Às vezes ouvia um grito ou outro das pessoas da platéia. O filme devia estar interessante.
- Oi, Jesse. - cumprimentei a balconista, uma mulher de uns cinqüenta anos, mas com pique de quinze. Ela abriu um grande sorriso. - Me arruma um refrigerante?
- E aí, garota? Como vão as coisas? – ela se apoiou no balcão e me encarou com aqueles olhos enormemente azuis, enquanto me entregava a bebida.
- Péssimas. - suspirei. Ela riu, e começou a lavar os copos.
- Imagino que sim. Pelas suas companhias, devem estar péssimas mesmo. - rolei os olhos. - Eu particularmente achei o louro bonitão muito arrogante.
- Isso por que você não conhece o moreno. E, sim, esses são os meus problemas. - ela ergueu as sobrancelhas.
- Dúvidas na escolha?
- Mais ou menos por aí... - explicar tudo ia ser tãããão complexo... Ela riu.
- Fica com os dois, boba! - ela disse, fazendo um gesto displicente com a mão. Sorri.
- Nããão, os louros dão muito trabalho, e os morenos mais ainda. Vou procurar um ruivo, ou quem sabe um careca! - ela riu.
Dei um aceno com a mão e me virei para contornar o telão para voltar ao meu suplício. Mal saí do campo de visão da Jessé, senti um solavanco na minha cintura me puxando para os fundos da lanchonete. O susto aumentou quando vi James me encurralando na parede. Bem, é excitante estar nessa situação tão perigosa, aqui nos fundos da lanchonete com o James. Arrepiei quando ele colocou a mão do lado da minha cabeça e mandou:
- Desembucha, Branca, que eu quero motivos para matar aquela ameba mal acabada do Half.
Suspirei, encarei-o, e contei toda a história. Ele não tirava os olhos de mim, e eu fui ficando nervosa, com medo de contar a minha delicada situação.
- Babaca. - ele falou, assim que eu terminei, olhando para os lados e chutando o chão. – Lílian, como você se enfiou nessa confusão?
- Não sei. – disse, enquanto terminava o refrigerante. Ele me olhou como se fosse uma criança. Suspirei, desanimada. - Agora é só esperar um dia, no máximo dois, e ele vai embora! Sem problemas e confusões!
- Uhum... - ele confirmou, distraído.
- Não é? - fiz ele me encarar. Ele suspirou, e confirmou. - Ok, então agora deixa eu ir, se não daqui a pouco ele está atrás de mim.
Reclamei, me virando para ir. Ele pôs o pé na minha frente e logo depois seu corpo, impedindo minha passagem.
- Eu ainda não terminei. - Senti um arrepio pelo corpo. Encostei novamente na parede, para não me aproximar demais dele. Eu não tenho muita resistência para essas emoções fortes.
- Hun... - tentei parecer desinteressada. Ele chegou mais perto, e cruzou os braços.
- Legal, você tem que fazer pose com o Sean por causa dos seus pais e tal. Eu entendo, e não me meto. - ele falou com calma. Até aí tudo bem, mais e daí? Então ele mandou: - E nós?
- Bem, não podemos ficar juntos. – eu disse, declarando o óbvio. Ele ergueu uma sobrancelha.
- Como assim? - Ótimo, ele não queria nada sério, dei uma tremenda bola fora, sou uma completa babaca, retardada, e agora estou apaix...
- Bem, se ele nos vir andando muito juntos, ele vai desconfiar que aconteceu alguma coisa e... - comecei, mas ele me cortou.
- Espera. Eu estava dizendo que você ia ceder à chantagem dele. A opção é sua. - encarei mais confusa que nunca, embora as coisas estivessem muito claras. – E, como assim? Nós estamos juntos. Eu não te beijei por acaso.
- Ah, é? – perguntei, engolindo em seco. O público do filme gritou, assustado. Ele colocou a mão perto da minha cabeça.
- É. E você sabe que sim. Duvido que você me beijaria só por beijar. - mordi o lábio. - Se fosse por isso, na escola existiram milhares de oportunidades. E eu não sou uma pessoa, ahn... De difícil persuasão.
Ele estava certo, e sabia disso. Ergueu as sobrancelhas como quem sabe das coisas.
- Certo... - desviei o olhar.
- Li... - ele me chamou, bem baixinho. Retornei o olhar, vendo seus óculos bem perto do meu rosto. - Você não que ficar comigo?
Ele disse preocupado, interessado e compreensivo. Pensei que minhas pernas não iriam me agüentar.
- Por mais incrível que isso pareça, eu quero! - murmurei de volta. Ele sorriu lindamente, e me deu um beijo estalado na bochecha. - Mas eu tenho medo de que meus pais venham a descobrir, e se decepcionem comigo e... É muito perigoso!
- Cara Lily, o perigo é o que deixa as coisas interessantes.
E me deu outro beijo estalado, porém agora nos lábios. Sorri, encantada, meu corpo pinicava pedindo mais e mais. Minha consciência, entretanto, por incrível que pareça, falava para eu ter cuidado. Ou então era tudo pro beleléu.
- Ok, hora de ir. - ele me encarou como um cachorro pidão. - Mesmo.
- Ok. - ele disse, começando a caminhar do meu lado. Ele me olhava de uma forma, no mínimo, diferente. Com brilho nos olhos e um sorriso contido na boca. Eu também não conseguia segurar, principalmente quando minha mão se roçava na dele e ele segurava meus dedos por uns poucos segundos. Andamos pelas pessoas conversando sobre amenidades. Algumas lançavam olhares interessados no James, e nos dizeres do seu boné.
Chegamos à nossa toalha, e encontrei um Dan muito medroso e um Sean muito mal-humorado. Sentei do lado do meu suposto namorado, muito mais feliz, e ignorando-o puxei Dan para o meu lado, passando meu braço sobre suas costas. A mulher do filme deu um grito desesperado, mas eu nem me importei. James se sentou do outro lado do Dan e me deu um sorriso, fiz força para não retribuir.
- Você demorou. - Sean resmungou do meu lado, olhei para ele incrédula.
- E daí? - ele ergueu as sobrancelhas com a minha petulância.
- "E daí"? Quem você encontrou nesse seu passeio, Lílian? - ele perguntou, desconfiado.
- Pelo amor de Deus Sean, se toca. Quem é você para me controlar? - me apoiei nos cotovelos, sem o menor interesse no filme, e deixei que o Daniel deitasse na minha barriga.
- Seu namorado. - ele disse, exasperado.
- Ex. - eu sussurrei. Fingi olhar para o filme, e pude ver pelo canto do olho James fingindo estar muito interessado no filme, mas um pouco mais inclinado que o normal em nossa direção. Voltei a olhar para o telão. Agora a mulher estava correndo por uma floresta e levava uma machadada na cabeça. Que coisa criativa...
- Lílian, Lílian... - Sean falou, aborrecido. - Assim eu vou achar que você estava com o Potter.
Ainda bem que estava escuro e ele não me pôde ver ficar vermelha. Mas minha mente vagou por três segundos a mais e eu pude me ver na mesma situação do filme, porém eu era o assassino com a machadinha e o Sean levava as machadadas.
- Faça-me o favor, Sean Half! - falei o mais indignada possível. - Eu estava conversando com a Jesse. - ele me olhou, intrigado. - A balconista da lanchonete. Pode ir perguntar. Eu encontrei com ele no caminho.
Ele me encarou, e se deu por vencido. Voltou a assistir o filme bufando, mas ainda desconfiado. Desisti do filme, e fiquei encarando as estrelas. James, pelo jeito, estava dormindo do meu lado, deitado apoiado no braço por trás da cabeça. Não pude ter certeza devido à sombra que o boné fazia.
O filme deu uma animada, as pessoas gritaram, vi sangue na tela e o Dan deu um pulo no meu colo. Ri da sua cara de assustado, e também deitei na toalha, voltando a observar as estrelas, enquanto a música aumentava e o assassino fazia ameaças.
Então comecei a reparar em uma formação de estrelas um pouco incomum, que ia se formando aos poucos. Sim, as estrelas estavam se reunindo! Virei a cabeça para ver se estava delirando, e me apoiei nos cotovelos. Olhei, intrigada, e encarei o James, que somente sorria abertamente para o céu. E, lá no céu, escrito nas estrelas, estavam escritas algumas palavras:
Dou-te o mundo
E as estrelas,
Como prova da minha
Eterna paciência.
Gargalhei.
NA: Perdão? Misericórdia? Desculpinha?Eu-amo-vcs-então-não-me-batam?
eu escrevi nas férias , mais ai eu revisei e a beta tava sem tempo( esse povo com férias estranhas!). Pensem pelo lado positivo, o capitúlo ta grande. Isso é um lado positivo?
Enfim, eu gostei particulamente desse capitulo, sabe, quando o James dá um chega pra lá na Lili e coisa e tal. Eu achei tão vc-não-era-minha-?-o-que-tá-fazendo-com-outro? Sabe, bem coisa do James que eu imagino. -
Pra variar adorei as reviews, as quais me deixaram com muito peso na consciencia e coisa e tal.
respostas dos sem cadastro :
Clarice- e que caminho longo heim!? brigada pela review!
Rumokura Hisa - quem não quer um Potter na vida? ah, vc é um amor! Brigada pela review!
sassah potter - ah, pode crêr, o Sean tá ai e pelo jeito não quer ir embora tão cedo. Brigada pela review!
Lembrem-se, a culpa da demora não foi da beta! Só as duas ultimas semanas, mais não briguem com ela!
Até o proximo capitulo, bitoquinhas!
Ah, reviews né minha gente!
Roxo é uma cor tão bonita né? Fica bem mais bonita quandp agente clica nesse botãozinho aqui de baixo viu?
