SongFic escrita por Zaah, com "Você pra Sempre"


Você pra sempre

Eu só quero estar no teu pensamento

Dentro dos teus sonhos

E no teu olhar

Não era possível. Não ela. Não sua Hermione. Aquela que Ron pensou estar no dormitório, chorando em sua cama, estava ali, na sua frente, andando colada a Vitor Krum. A garota que sempre está nos seus sonhos... Ele não agüentaria. Como ela pôde? Ron pensou que ela não tinha par algum. Pensou que ela havia mentido! Pobre Ron... Sentiu pena de si mesmo.

" Como eu sou burro! " pensava dele mesmo. Hermione não mentia. Não para ele.

Ele queria gritar. Algo nele pedia para sair. Sacar sua varinha. Amaldiçoar Krum, aquele jogador metido e arrogante.

Foi naquele momento, em que seus olhos azuis focalizaram a Hermione, completamente mudada, que ele negara a si mesmo que aquilo poderia estar acontecendo.

Mione, sua Mione, vestida de azul-turquesa, lindo coque prendendo seus cabelos rebeldes. Como ele conseguira ser tão tolo a ponto de não convidá-la? Como não percebera, durante quatro incríveis e emocionantes anos, que ela era uma garota? Sua garota? Sentia-se um verme. Dos piores. Ela estava ali, todo o tempo, ao seu lado e ele não percebera. Tarde demais. Ela dançava com o búlgaro. Um sorriso estampado nos seus lábios finos e delicados. Ela parecia alegre. Ao contrário de Rony. Seu mundo parecia ter despencado a não mais de dois minutos. Fingiu não ver. Não poderia. Não suportaria. Desviou seu olhar para um ponto indefinido no salão.

Tenho que te amar

Só no meu silêncio

Num só pedacinho de mim

Eu daria tudo pra tocar você

Tudo pra te amar uma vez

Todos pareciam extremamente animados com as Esquisitonas. Todos, menos Ronald. Ele gostava do grupo, era até legal. Mas algo o deixava realmente furioso. Harry vinha se aproximando da mesa onde estava sentado, após ter dançado (ou tentado dançar) uma música. Harry também não parecia muito animado. Hermione não estava muito longe, dançando com Vitor. Rony não tirava os olhos dos dois. Era demais para ele. Naquela noite, ela estava radiante, linda. E estava com Krum.

Mais uma música acabou e Hermione sentou-se no lugar onde antes Parvati havia sentado. (no momento ela dançava com um garoto.) Como ele queria ser o apanhador. Como queria poder dançar com sua Hermione. Seu amor nunca dito.

Rony quase tremia. Não de frio, mas de raiva. Aquele búlgaro... Hermione ao seu lado, contando que Vítor fora buscar bebidas para os dois.

- Vítor? - Não resistia. Não estava controlando. O impulso e a raiva eram maior. - Ele ainda não lhe pediu para chamá-lo de Vitinho?

Já me conformei

Vivo de imaginação

Só não posso mais esconder

Que eu tenho inveja do sol que pode te aquecer

Eu tenho inveja do vento que te toca

Tenho ciúme de quem pode amar você

Quem pode ter você pra sempre

Hermione o olhou incrédula, como se não o conhece. Ron, seu querido Ron, brigando com ela. O que ela fizera? Não adiantou perguntar se tinha algo errado. Isso só fizera o garoto fechar a cara mais ainda. (se é que era possível.) Tentou pedir ajuda de Harry, mas o menino sacudiu os ombros e olhou para Rony.

- Rony, é que...

Ela tentou. Tentou explica-lo. Se pudesse, o contaria tudo. Não só sobre Krum. Sobre tudo o que sentia pelo menino, uma amizade enorme, um afeto indescritível, uma raiva incontrolável, um amor inexplicável. Sentia tudo por ele. Só por ele. Mas às vezes, tudo parecia desmoronar. Confraternizando com o inimigo? Ela? Não, Rony estava maluco. Definitivamente maluco. Como ele poderia dizer algo tão ridículo assim! O próprio ruivo queria autógrafo, queria conhece-lo, tinha sua miniatura no quarto! Ela não conseguia acreditar. E, cada vez que tentava argumentar, o garoto criava mais pensamentos mirabolantes sobre Krum. Como ele podia? Será que não confiava nela, será que nunca percebeu nada entre eles? Será que sua amizade não seria o suficiente para o garoto ouvi-la e acreditar nela? Rony estava ficando descontrolado, dizendo coisas que a razão de Hermione recusava aceitar. Ele estava, novamente, brigando com a garota. Não era isso que ela queria. Nunca foi.

Eu daria tudo pra tocar você

Tudo pra te amar uma vez

Rony não sabia exatamente o que sentia. Raiva, ódio, desprezo. Tentava convencer Mione, sua Mione, que Krum estava jogando. Que ele estava se aproximando de Hermione para obter informações sobre Harry. Não só isso, o garoto sabia. Krum não estava interessado só em Harry. Em Hermione também. Rony sabia que seus passeios pela biblioteca tinham um objetivo maior. E esse objetivo era ela. Quando ela se afastou, ofendida demais para ouvir o que o garoto falava, ele percebeu intimamente que o que sentia se definia em cinco letras: ciúme. E como se não bastasse, Vítor Krum se aproximara, perguntando onde estava Hermione. Rony não respondeu. Queria pular no pescoço do jogador, mesmo sabendo que não tinha chances contra ele, e atacá-lo.

Já me conformei

Vivo de imaginação

Só não posso mais esconder

Que eu tenho inveja do sol que pode te aquecer

Eu tenho inveja do vento que te toca

Tenho ciúme de quem pode amar você

Quem pode ter você pra sempre

Hermione gritava com o garoto. Gritava muito... Sabia que gritar não resolveria. Mas tentava mostrar para Rony o que sentia. Queria mostrar sua indignação. Como ele não percebeu que ela sempre o amou? Que sempre o quis como mais que um amigo? Como Ronald não percebeu que ela queria ir ao baile com ele, dançar com ele, viver para o resto da sua vida com ele? Será que ele sentia isso em relação a Hermione? A garota se questionava se um dia o entenderia. Talvez não. Ela sabia que iriam brigar muitas vezes pelos mesmos motivos. Tolos. Coisas insignificantes. Hermione via naqueles olhos azuis que o amava. Não sabia o que ele sentia. Talvez amasse outra menina. Talvez ele só visse Hermione como amiga. Mas no fundo ela acreditava nesse amor. Independente do que viesse pela frente, ela acreditaria. Porque afinal, apesar de terem brigado, Hermione sabia o motivo. Rony não gostou de ver Hermione dançando com Krum. Talvez o garoto achasse que fosse uma confraternização com o inimigo, mas talvez ele poderia se sentir da mesma maneira com todos os outros garotos. E, na razão da brilhante Hermione, isso se chamava ciúme. No coração, esperança.

Que eu tenho inveja do sol que pode te aquecer

Eu tenho inveja do vento que te toca

Tenho ciúme de quem pode amar você

Quem pode ter você pra sempre

Deitado em sua cama, Rony podia sentir um perfume. Mas o cheiro não vinha pelo ar. O cheiro vinha do seu coração e sem explicação, o rosto sorridente da garota que amava apareceu na sua mente. Era ela. Era Hermione.