Episódio 4- "Devaneios de Kate"

Sinopse: Kate está sofrendo de algum tipo de delírio e Jack começa a preocupar-se. A tempestade aumenta e ele precisa encontrar um lugar para ficar com Kate até que a chuva termine. Sawyer e Ana-Lucia jogam "Eu Nunca" na floresta para passar o tempo.

Censura: K+.

Jack não estava entendendo nada. Por que aquela pergunta estranha? Ele começou a examiná-la preocupado tocando sua testa, procurando ferimentos na cabeça, no rosto e no pescoço. Não encontrou nada. Kate insistiu na pergunta, os olhos estavam vidrados, o coração batendo muito forte:

- Jack, você me odeia?- a voz saiu junto com um soluço, seu rosto estava tomado por lágrimas. Ela parecia estar em uma espécie de choque.

Jack a segurou forte pelos ombros tentando fazê-la parar de tremer.

- Kate, do que está falando? Da onde tirou essa idéia? Por que eu odiaria você?

- Ele disse. Ele disse que você me odiava.- ela respondeu com semblante triste, a voz quase um murmúrio distante.

- Ele quem?- indagou Jack encarando-a.

- Wayne! Foi o Wayne!- ela falou com a voz fraca, os olhos semicerrados. Estava desmaiando.

- Kate não! Fale comigo!- pediu Jack, sacudindo-a.

Mas ela não respondeu mais, seu corpo desfaleceu nos braços dele. Jack desesperou-se e tomou o pulso dela, apesar do desmaio estava aparentemente normal. Os chuviscos voltaram a se intensificar. Ele respirou fundo, precisava cuidar dela o quanto antes, mas ali no meio da lama e da chuva não seria nada fácil e voltar ao acampamento estava fora de cogitação. Ele não fazia a mínima idéia de onde Sawyer e Ana-Lucia pudessem estar para ajudá-lo. A única solução seria encontrar um abrigo para ficar até que pudesse voltar ao acampamento com ela. Havia trazido em sua mochila alguns remédios, duas mangas, duas garrafas de água potável, um cobertor e uma camiseta extra. Ficariam bem. Só precisavam sair dali.

Jack então escorou o corpo desfalecido de Kate na árvore e enfiou sua mochila no braço direito. Com o restante de suas forças ele pegou Kate em seus braços e saiu caminhando pela mata em busca de abrigo, estava contando somente com seu sexto sentido para enfrentar a escuridão.

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- Será que essa tempestade vai durar a noite toda?- perguntou Sun a Sayid nas cavernas.

- Não sei dizer, o clima desta ilha é muito instável. A chuva estiou um pouco, mas já está aumentando de intensidade outra vez.

- Estou preocupada com Jack e os outros que saíram atrás da Kate. Aonde ela poderá ter ido? Achei-a estranha esta tarde.

- Estranha?- ele perguntou sem entender. – Onde você a viu pela última vez?

- Ela passou correndo por mim na horta, eu a chamei, mas ela não parou.

Sayid preocupou-se: - O que será que estava acontecendo com ela?

- Eu realmente não sei, e quando o Charlie me disse que ela estava desaparecida fiquei ainda mais preocupada.

- Talvez não devêssemos nos preocupar tanto.- disse Charlie, com seu costumeiro sotaque britânico. – O Locke disse que o Jack vai encontrá-la.

- E por que confia tanto no Locke?- indagou Sayid.

- Acho que não é questão de confiança, tem algo a ver com vudu, ocultismo, sei lá, o Locke é meio mestre-dos-magos.

Sun riu, em seu íntimo desejava que Locke estivesse certo.

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- Eu nunca... sentei no colo do Papai Noel!

- Ah não, Lulu! Não acredito nisso!- disse Sawyer debochado. – O que você tem contra o bom velhinho?

- Sempre achei que ele tinha cara de maníaco, com aquela história de vem aqui garotinha, senta no meu colo!

- Você é maluca mesmo!- divertia-se Sawyer.

A bebida já tinha acabado, mas os dois continuavam fazendo confissões para passar o tempo, a brincadeira do "Eu nunca" não era nada mais do que um bom pretexto inventado por Sawyer para descobrir coisas interessantes sobre as pessoas.

- Ah não!- queixou-se Ana-Lucia ao sentir um pingo de chuva gelado sobre a pele.

- Ih, vai começar tudo de novo! Essa maldita chuva vai apagar a nossa fogueira, é melhor procurarmos uma árvore maior para nos proteger.

Ana-Lucia concordou, entretanto, assim que eles se levantaram e organizaram suas mochilas, um farfalhar de arbustos os assustou.

- O que foi isso?- indagou Ana-Lucia, instintivamente procurando por uma pistola que não existia no bolso de trás da calça jeans surrada.

- Eu não quero ficar aqui pra descobrir!- disse Sawyer puxando-a pelo braço.

O barulho foi aumentando gradativamente, como se algo monstruoso estivesse se aproximando deles. Os dois dispararam na carreira em meio à escuridão, sem olhar para trás.

- Sawyerrrrrrr!- gritou desesperada Ana-Lucia, mas seu grito pareceu longínquo aos ouvidos de Sawyer, e então ele se deu conta de que estava muito à frente dela.

- Ai eu não acredito, droga!- esbravejou para si mesmo! - Ana Luciaaaa!

Olhou para as árvores se mexendo. Ana-Lucia gritou por ele novamente:

- Sawyerrr!

- Fala sério!- ele murmurou baixinho. – Já estou indo!- gritou, correndo na direção da voz dela.

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Um galho incômodo machucou o rosto de Jack fazendo com que ardesse e sangrasse. O peso da mochila aliado ao peso do corpo desfalecido de Kate estavam acabando com ele, não sabia mais por quanto tempo iria agüentar. Mas precisava agüentar, não se perdoaria se algo acontecesse com ela porque ele fora um fraco.

Suas pernas e braços já tremendo, a chuva aumentando cada vez mais. Ele precisava parar, nem que fosse só um pouco. Jogou a mochila no chão e sentou-se devagar com Kate em seu colo, apoiando-a em seu próprio corpo, não queria deitá-la no chão enlameado, apesar de já estarem imundos. Kate tinha a respiração entrecortada, suava sem parar.

Jack também estava respirando com dificuldade, por causa do cansaço e da chuva. De repente, uma estranha luminosidade apareceu diante dos olhos de Jack. Ele ainda não tinha notado, mas essa luz saía de uma fresta numa rocha a poucos passos deles. Jack piscou os olhos, confuso. O que seria aquela luz?

- Me desculpe por isso.- ele falou depositando Kate gentilmente no chão, colocando a mochila embaixo da cabeça dela.

Aproximou-se devagar da rocha, os olhos seguindo a luz, que tinha um tom azul-celeste. Assim que estava frente a frente com a rocha, deu um belo sorriso, não era só uma rocha, era a entrada de uma gruta. Jack passou com dificuldade pela abertura, que era estreita, mas quando entrou não se arrependeu. Era um lugar lindo e aconchegante. Uma pequena caverna, iluminada naturalmente por aquela estranha cor azul emanada das estalactites no teto, como um céu coberto de estrelas. Havia também um pequeno lago de água potável, raso, tão azul quanto o teto da caverna.

Jack voltou correndo até Kate que continuava imóvel, e falou empolgado: - Você vai ficar bem Kate, encontrei um abrigo para nos protegermos da tempestade.

Continua...