Episódio 5- "A Caverna"

Sinopse: Jack encontra uma misteriosa caverna para se abrigar com Kate. Enquanto isso, Sawyer e Ana-Lucia estão enfrentado problemas na selva em meio à tempestade.

Censura: T.

A chuva torrencial já estava caindo novamente, o vento forte vez por outra derrubava os galhos das árvores, sibilando por entre as folhas, causando um barulho sobrenatural aos ouvidos. Mas Jack e Kate já estavam protegidos dentro da caverna. Ele passara pela entrada estreita carregando-a com muita dificuldade, mesmo assim estava feliz por ter encontrado esse lugar, que além de ser um abrigo natural, era muito aconchegante.

Jack tentou falar com Kate:

- Kate? Você está me ouvindo?

Ela gemeu em resposta. Jack sorriu: - Bom, muito bom. Pelo menos sei que sabe que estou aqui.- ele disse acariciando a mão dela. – Mas o que você tem? O que aconteceu na floresta antes de eu te encontrar? Por que estava andando a esmo sem provisões?

- Wayne.- ela respondeu fracamente.

- Wayne? Kate, estou ficando confuso aqui. Quem é Wayne?

Kate começou a ter um ataque de tosse incontrolável, Jack a segurou. Por alguns instantes, ela abriu os olhos e o fitou assustada: - Jack, eu...

- Está bem, não diga nada.- ele pediu vendo que ela estava exaltada.

Ela fechou os olhos novamente. Jack tocou sua testa e percebeu que ela estava ardendo em febre, o rosto mais corado que o normal.

- O que aconteceu com você?- ele murmurou para si mesmo. Precisava baixar a febre dela.

Correu até o pequeno lago e molhou as mãos, a água estava gelada apesar da temperatura ambiente da caverna.

- Vai servir!- ele disse, e foi até Kate, falando baixinho próximo ao seu ouvido: - Kate, você está ardendo em febre, precisamos baixá-la. Mas não posso colocar você de roupa e tudo na água, sem querer ofender, mas você está imunda.- ele disse sorrindo, enquanto acariciava os cabelos dela. – Eu vou tirar a sua roupa para poder deixar você limpa, mais confortável, e assim baixar a febre, tudo bem?

Kate nada disse, seu rosto parecia mais avermelhado a cada minuto que passava.

- Vou tomar isso como um sim.- Jack disse, desabotoando a blusa molhada dela. Em seguida, com muito cuidado retirou a camiseta de alças, a calça jeans e as botas.

Quando ela estava somente com a roupa íntima, ele tirou sua camisa e a calça, ficando só com o boxer branco. Entrou com ela nos braços no lago, e pôs-se a molhá-la bem devagar, passando a água por todo seu corpo. Ao sentir o contato da água fria em sua pele, Kate começou a tremer. Jack procurou acalmá-la.

- Não vai demorar, eu prometo.

Permaneceu com ela na água por cinco minutos, o suficiente para baixar a febre e limpá-la da lama. Quando a tirou da água, Kate tremia ainda mais. Jack foi até sua mochila e pegou a camisa extra que tinha trazido e o cobertor. Usou a camisa para enxugá-la. Ela voltou a tossir. Ele percebeu que era porque ela ainda usava o sutiã, que estava muito encharcado, colado a sua pele, provocando o acesso de tosse.

Jack respirou fundo e apressou-se em retirar a peça do corpo dela. Estava tentando ser o mais profissional possível, afinal era médico. Mas isso não o fazia sentir-se menos estranho. Desejou estar na escotilha naquele momento, com Sun ao seu lado executando aquela tarefa, para que ele parasse de se sentir tão mal com aquilo.

Assim que ele retirou o sutiã dela, a enrolou rapidamente no cobertor. Queria mantê-la aquecida. Mas isso não havia sido o bastante, Kate continuava a tremer, e ele próprio já estava com frio também. Enxugou-se com a mesma camisa que havia usado nela, pegou a mochila, retirou o resto das coisas lá de dentro e improvisou um travesseiro para ambos, deitando ao lado de Kate. Permaneceu lá parado ao lado dela tiritando de frio por alguns momentos, até que sem agüentar mais, aconchegou-se a ela na tentativa de se aquecer também. Mas não utilizou o cobertor, era melhor que ela continuasse enrolada nele. Logo a proximidade dos corpos aumentou a temperatura e Kate parou de tremer, Jack também não sentiu mais frio e ambos dormiram tranqüilamente, enquanto lá fora o mundo estava praticamente acabando.

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- Ana-Lucia, onde você está?- gritava Sawyer correndo em meio à escuridão, o vento tão forte que quase podia derrubá-lo.

- Aqui!- ela respondeu.

Sua voz estava mais próxima, mas parecia estar vindo de um lugar abaixo dos pés dele. Foi quando ele sentiu que o chão lhe faltava. Ana-Lucia vendo que Sawyer iria cair exatamente no buraco onde ela estava gritou:

- Não Sawyer, cuidado! Eu caí em um buraco. Você pode cair também.

Ele então se segurou em uns galhos que estavam próximos, e por pouco não caiu no buraco também.

- Ana-Lucia, você está aí?- ele indagou. Não podia vê-la, estava muito escuro.

- Sim!- ela gritou de volta.

- Eu vou te tirar daí! Só não sei como!- ele falou tentando se equilibrar em pé por causa da grande quantidade de lama escorregadia no chão, descendo para o buraco onde Ana-Lucia estava. Se Sawyer não a tirasse de lá depressa, ela morreria soterrada.

- Eu espero que o doutor e a sardenta estejam melhor que a gente!- disse Sawyer.

- Eu também.- respondeu Ana-Lucia. – Mas me tira logo daqui!

Sawyer tentava pensar rápido, pois precisava salvar Ana-Lucia daquele destino terrível. Lá embaixo, ela já estava com lama até os joelhos, e um sentimento estranho começou a apoderar-se dela. Aquilo estaria acontecendo por que merecia? Já há algum tempo que vinha fazendo muitas bobagens, descarregando sua frustração com sua própria vida nos outros. Lembrou da mãe, a última vez que falara com ela fora no celular em Sidney pouco antes de embarcar no vôo 815 da Oceanic e ir parar naquela ilha. Tudo o que queria era voltar para casa, para sua mãe e consertar seus erros. Mas tudo estava acabado agora, do jeito que a chuva estava caindo, logo o buraco estaria cheio de lama e ela morreria soterrada junto com seu sonho de mudar de vida.

De repente, uma corda de cipó improvisada foi jogada para dentro do buraco, seguida da voz de Sawyer:

- Ana? Está me ouvindo?

- Sim, estou.- ela apressou-se em responder.

- A corda chegou até aí?

- Chegou sim.

- Então segure na corda, que eu vou tentar te puxar pra cima.- ele pediu, estava muito preocupado porque não conseguia vê-la, mas fazia idéia da velocidade em que a lama estava subindo.

- Pronto, já estou segurando!- gritou Ana-Lucia.

Ele então começou a puxá-la de dentro do buraco com toda a força que podia. Tal era o seu esforço que as suas mãos começaram a sangrar. Levou cerca de dois minutos para tirá-la de dentro do buraco, mas conseguiu.Quando ela finalmente chegou à superfície Sawyer a agarrou pela cintura com uma das mãos e com a outra atirou o cipó completamente dentro do buraco. Com o esforço para segurá-la, Sawyer se desequilibrou para trás tombando no chão com Ana-Lucia em cima dele.

Arfando embaixo dela, Sawyer comentou:

- É Rambina, agora vou precisar ser muito agradecido por isto.

A chuva começava a dar sinais de que ia parar. Sawyer buscou os olhos de Ana-Lucia no escuro, ela também estava arfando, o peito subindo e descendo. Ele estranhou o silêncio dela:

- De nada!- ele falou aborrecido, esperava ouvir pelo menos um obrigado.

Ana-Lucia saiu de cima dele e sentou-se no chão, escorando-se em uma árvore. Sawyer sentou-se também, e não acreditou quando ela caiu em prantos.

- Ei Ana, eu disse alguma coisa errada?- ele indagou não sabendo o que fazer, ela era sempre tão durona. Vê-la chorar era no mínimo absurdo.

Mas ela não disse nada, precisava chorar. Mais uma vez tinha conseguido uma segunda chance. Sawyer levantou-se e foi sentar-se ao lado dela na árvore, e quando percebeu estavam abraçados, Ana-Lucia chorando sem parar, e ele a confortando, acariciando-lhe os cabelos negros.

Continua...