Episódio 6- "A manhã seguinte"
Sinopse: Kate desperta seminua nos braços de Jack dentro da caverna e o clima esquenta entre os dois, mas as coisas não saem como eles esperam. Sawyer e Ana-Lucia continuam procurando por Jack e Kate, mas uma pequena distração os retém no caminho.
Censura: T.
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A luz do sol entrando pela abertura da caverna bateu no rosto de Jack despertando-o de um sono tranqüilo. Mesmo assim, ele não abriu os olhos de imediato, estava se sentindo muito confortável para querer acordar. Um corpo morno e macio enroscado no seu, fazia com que ele sentisse uma completa sensação de bem-estar. Mais do que isso era algo intenso e excitante.
No entanto, de repente, como um filme disparado em sua cabeça vieram as lembranças da noite anterior. A tempestade, o desaparecimento de Kate seguido de seu reencontro com ela, totalmente delirante e febril. Sim, estavam dormindo em uma caverna, Jack a despira para acabar com a crise de tosse e em seguida a enrolara em um cobertor, deitando-se ao lado dela somente para aquecê-la mais. Porém, isso não explicava a agradável sensação do corpo dela tão próximo.
Foi quando ele resolveu abrir os olhos. Kate estava dormindo muito tranqüila, de bruços, abraçada a ele, os seios nus de encontro ao seu peito. O cobertor cobrindo-a somente até a cintura. Jack exasperou-se com a situação. Ter Kate ali tão próxima e vulnerável estava despertando nele sensações indescritíveis. Um desejo latente de tocá-la tomou conta de seu ser, e ele não resistiu e acariciou-lhe as costas ternamente. Ela suspirou inconscientemente ao toque e mexeu-se sobre o corpo dele deixando-o numa situação constrangedora e preocupante. Jack murmurou para si mesmo:
- Oh Kate, não faça isso!
Mas ela parecia completamente alheia ao que estava acontecendo, por isso continuou agarrada a ele, espontaneamente. Jack mexeu-se nervosamente, estava tentando sair do abraço dela sem acordá-la, porém seus movimentos a despertaram.
- Jack? Mas o que...- ela indagou surpresa diante da situação. Estava seminua, deitada em cima de Jack dentro de uma caverna.
Ele queria explicar, mas vê-la acordada só deixou-o ainda mais transtornado. Os olhos dela brilhavam intensamente para ele, as emoções misturadas e o rosto corado de vergonha, se cobrindo com o cobertor.
- Kate...- ele começou tentando se explicar, mas suas mãos não o obedeciam sem que percebesse elas estavam passeando pelas costas, ombros e pescoço de Kate. – Bem, você sumiu do acampamento ontem, e eu fui te procurar daí te encontrei delirando e com febre, e acabei achando essa caverna para nos protegermos da chuva, e te despi porque você estava com crises de tosse, fiquei com medo que pegasse uma pneumonia...- Jack atropelava as próprias palavras.
A situação era no mínimo inusitada, Kate não se lembrava de nada. Jack tocou a testa dela: - A sua febre foi embora.
- Eu não sei.- ela disse.
- Não sabe o quê?- ele indagou tocando o rosto dela.
- Se a minha febre foi mesmo embora...é que me sinto tão quente Jack.
Kate sabia que estava pisando em um terreno perigoso, mas ela era assim de momentos, dada a rompantes. Há algum tempo, ela tivera uma estranha conversa com Sawyer desacordado na escotilha e por isso saíra correndo de lá. Jack foi atrás dela tentar conversar e acabou ganhando um beijo, que ele não havia esquecido mesmo ela tendo fugido dele em seguida. Agora estavam ali, sozinhos naquela caverna exótica, e Kate não conseguia se conter estava sendo capaz até mesmo de ignorar os estranhos acontecimentos da noite anterior.
- Kate, acho melhor voltarmos ao acampamento, os remédios que tenho aqui talvez não sejam suficientes para ajudá-la, nós podemos...- ele começou numa tentativa frustrada de desfazer o clima que havia se instalado entre os dois.
Kate chegou bem próxima ao rosto dele e sussurrou: - Você disse naquela noite que não lamentava que eu tivesse te beijado. O coração de Jack acelerou, podia sentir a respiração morna dela em seu rosto.
- Não, não lamentei.- ele respondeu unindo seus lábios aos dela, em um beijo muito intenso. As línguas se entrelaçando. Já estavam há muito tempo naquela ilha, a necessidade de ambos por aquele momento era urgente.
Kate deitou-se no chão e lançou a Jack um olhar de "vá em frente". Ele não perdeu tempo, não estava raciocinando naquele momento. Ele tirou o cobertor de cima dela e suspirou a visão de seu corpo. Mergulhou os lábios novamente nos dela, e em seguida começou a beijar-lhe o pescoço, emaranhando os dedos nos cabelos dela. Kate gemeu a sensação da barba mal-feita dele roçando em seu pescoço.
Do nada, o barulho de um rugido ameaçador quebrou o momento deles. Jack voltou-se para a entrada da caverna e viu um urso polar enorme tentando passar pela abertura estreita.
- Oh meu Deus!- exclamou Kate. – Será que invadimos a caverna dele?
Jack passou as mãos pela cabeça, era só o que faltava.
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- Eu não agüento mais não Ana, vamos parar!- falou Sawyer, suando sem parar, o calor estava sufocante na floresta apesar de ser tão cedo.
- Eu ainda não estou cansada!- ela respondeu ríspida.
- E eu com isso?- indagou Sawyer, irritado. – Por que temos que andar no seu ritmo? Você gosta muito de mandar, e eu detesto obedecer.
Ana-Lucia sorriu, e parou escorando-se em uma árvore: - Isso é mentira!
- O que é mentira?- ele perguntou sem entender.
- Que você não gosta de obedecer. Você me parece mais o tipo de homem que gosta de ouvir gritos e precisa levar umas chicotadas de vez em quando.
Sawyer piscou os olhos, incrédulo: - Meu bem, acho que você tem uma idéia errada a meu respeito. E fique sabendo desde agora que o meu negócio é ficar "por cima", se é que você me entende?!
Ana-Lucia riu: - Quem muito fala, pouco faz!
Sawyer a segurou pelos braços e a imprensou contra a árvore. Ana-Lucia assustou-se e respirou entrecortadamente, mas não se intimidou e disse:
- Acho melhor ir me soltando agora mesmo!
- E por que eu faria isso, hã? A posição está muito favorável pra mim!- disse ele, roçando seu corpo no dela e beijando seu pescoço.
- Sawyer, eu vou te matar...- ela murmurou, soltando um leve suspiro ao sentir as carícias dele em seu pescoço.
- Yeah, tá bom, eu deixo você me matar, te deixo fazer o que quiser comigo, que tal?
- Não, Sawyer!- ela respondeu incerta, sentindo as mãos dele envolvendo sua cintura.
Ele desceu devagar as alças da blusa preta dela até a altura dos ombros e sugou em sua garganta antes de sussurrar em seu ouvido, muito sedutor:
- Ora vamos Analulu, nós já fizemos isso duas vezes, uma quando você roubou a minha arma, duas porque eu fui buscar a arma de volta, a partir da terceira a gente não precisa mais inventar desculpa não, cariño!
O coração dela acelerou diante da investida dele, pela primeira vez vinha até ela sem motivo algum. Encararam-se cheios de desejo, Sawyer contornou os lábios carnudos dela com seus dedos e a puxou pela nuca em direção ao seu rosto, mas antes que pudessem se beijar os dois ouviram uma voz gritando não muito longe.
- Jack, Jack não!
- Você ouviu isso?- indagou Ana-Lucia.
- Mas é claro que ouvi, parecia a Kate. Vamos!
Os dois correram na direção dos gritos, e encontraram Jack encurralado entre os galhos de uma árvore apontando uma faca para um enorme urso polar, que estava tentando devorá-lo a todo custo. Kate estava próxima ao que parecia ser a entrada de uma gruta, e tinha os olhos assustados, totalmente voltados para Jack.
Quando Sawyer e Ana-Lucia se aproximaram, o urso desviou sua atenção de Jack para eles. Instintivamente, Sawyer protegeu Ana-Lucia com o braço esquerdo, e com o direito retirou uma pistola que estava presa na calça jeans, ocultada pela camisa preta que ele usava. Ana-Lucia franziu as sobrancelhas: - Você tem uma arma?
O urso veio a toda velocidade pra cima deles, mas Sawyer disparou três tiros que o aniquilaram. Kate respirou aliviada e correu até onde o Jack estava. Sawyer resmungou:
- Ei sardenta, qual é? Eu é que sou o herói aqui!
- Você tem uma arma?- Ana-Lucia insistiu.
- Não tá surpresa por que matei um urso polar? Existiam ursos polares do "seu" lado da ilha também?
- Você mentiu pra mim!- ela esbravejou.
- Menti pra você? Por que? Só porque eu sei que você é tarada por armas, e por acaso eu tinha uma e o-mi-ti de você?
Ela virou as costas pra ele e saiu andando até onde Jack e Kate estavam. Sawyer foi atrás.
- Você está bem, Jack?- indagou Kate abraçando-o.
- Eu estou sim.- ele respondeu. – Obrigado, Sawyer. Você chegou na hora certa.
- Ah, finalmente alguém reconheceu o meu valor! Mas me diga doutor, pretendia travar um combate corpo a corpo com o urso?
Jack não entendeu.
- É que você está sem camisa com todo esse sol...
- O urso rasgou a camisa dele.- Kate apressou-se em explicar.
Jack a olhou desconfiado, não entendeu porque ela estava mentindo.
- E onde você estava Kate?- perguntou Ana-Lucia.
- Eu saí pra procurar frutas, e acabei me perdendo.
- Saiu pra procurar frutas com toda aquela tempestade que estava por vir?- Ana-Lucia não se convenceu com a resposta dela.
- Foi.- Kate respondeu sem ter muita certeza do que estava dizendo.
- Você se perdeu?- estranhou Sawyer, Kate era uma boa rastreadora, dificilmente se perderia na selva assim.
- Por que vocês dois estão me interrogando?- ela zangou-se. – O importante é que o Jack me encontrou e agora está tudo bem.
Jack balançou a cabeça negativamente, chateou-se com Kate porque ela estava mentindo.
- Eu vou pegar minhas coisas na gruta.
- Estavam naquela gruta?- perguntou Ana-Lucia, curiosa.
- Sim, ficamos lá para nos proteger da chuva.- respondeu Jack. – E vocês por onde andaram?
Sawyer e Ana-Lucia se entreolharam, estavam imundos. Responderam em uníssono:
- Nem queira saber!
Jack entrou na gruta. Kate percebeu que ele estava chateado, mas agora não dava mais pra consertar. Mentira por suas próprias razões, mas não havia considerado a opinião de Jack. Sawyer a tirou de seus pensamentos:
- Algo de especial nessa gruta?
- Nada demais, é só uma gruta.- Kate mentira novamente, mas dessa vez porque não queria que Sawyer ou qualquer pessoa se interessasse por aquele lugar. Era muito bonito, distante e acolhedor, poderia servir um dia quando ela precisasse ficar sozinha.
Dentro da gruta, Jack começou a colocar suas coisas dentro da mochila. Quando se abaixou para pegar sua camisa que estava embolada no chão porque não dera tempo de vestir quando foram abordados pelo urso, percebeu que havia algo escrito na parede da caverna. Parou para olhar e quase não acreditou no que seus olhos viam, entalhados na pedra estavam os números 4, 8, 15, 16, 23, 42.
- Jack!- chamou Ana-Lucia do lado de fora da caverna. – Podemos ir?
- Já estou indo.- Jack respondeu, resolvera não comentar com ninguém por enquanto sobre os símbolos que vira na caverna.
Os quatro saíram caminhando de volta para o acampamento em silêncio, Jack ia na frente andando a passos rápidos. Sawyer tentava acompanhá-lo indo logo atrás. Kate e Ana-Lucia vinham quase no mesmo passo.
- Kate?- chamou Ana.
- O que é?
- Seu zíper!- ela falou baixinho, prevenindo-a sobre o zíper da calça jeans que estava aberto.
- Obrigada.- Kate respondeu, fechando o zíper. Vestira as calças com tanta pressa que não tinha se apercebido disso.
Ana-Lucia aproximou-se ainda mais dela:
- O que realmente aconteceu na caverna?
Kate respondeu sem emoção: - Nada.
E saiu caminhando na frente de Ana-Lucia. Nem ela mesma tinha entendido os últimos acontecimentos, e naquele momento isso não importava. Estava faminta e louca para tomar um banho na escotilha. Sabia que mais cedo ou mais tarde teria que conversar com Jack sobre o ocorrido, mas agora isso ia ter que esperar.
Continua...
