Episódio 13- "Terra de Ninguém"

Sinopse: O mistério acerca da morte de Dylan continua. Sayid, Desmond e Michael conversam com Rosseau na floresta sobre uma possível contaminação estar ocorrendo no acampamento.

Censura: T.

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(Flashback)

A tempestade já estava caindo há um bom tempo. Raios iluminavam o céu seguidos de estrondosos trovões a cada dois minutos. Ela respirava com dificuldade dentro da despensa apertada. No rosto uma expressão de horror.

- Danielle, onde você está?- indagava uma voz medonha do lado de fora, os passos cada vez mais próximos ocasionando-lhe um incômodo frio na espinha. – Eu vou encontrar você, desgraçada! Por que os matou? Ficou louca?

Robert suava frio, a cabeça girando. Um sentimento de ódio dominando-lhe. Em suas mãos um machado potentemente afiado. Queria encontrar Danielle, acabar com ela e depois acabar com sua vida. Nada tinha mais sentido, não existia vida além das ondas do mar que os mantinham presos naquela ilha para sempre.

- Danielle!- ele esbravejou.

O ruído inconfundível do choro de um bebê o atraiu até a despensa. Seu coração começou a bater mais forte.

- Sei que está aí Danielle, me deixa acabar com isso. É o único de jeito de sairmos dessa ilha.

Ele se aproximou da despensa e ouviu a voz de Danielle acalmando a criança.

- Shhhhhhhhiiii! Não chore filhinha, vai ficar tudo bem.

Robert começou a chorar à porta da despensa, incontrolavelmente. O peito doendo.

- Me perdoa Dani, mas não tem jeito!

Ele começou a dar machadadas na porta, Danielle encolheu-se no fundo da despensa com a criança que chorava muito, ela chorava também. Vendo que não tinha outro remédio, pousou a criança sobre um canto da despensa e destravou o cano da espingarda que estava pendurada em seu cinto.

- Que Deus me perdoe, ele está infectado!

Ela abriu a porta ao mesmo tempo em que Robert se preparava para dar mais uma machadada e atirou certeira. Ele caiu ao chão imediatamente. Danielle correu até a filha e a acalentou cantando aquela velha canção que ela e Robert tanto adoravam: - "La mer..."

(Fim do Flahback)

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- Danielle!- ecoava uma voz pela floresta.

Ela assustou-se, dormia recostada a um tronco de árvore. Estava tendo um pesadelo e a voz a arrancou dele. Instintivamente pegou sua espingarda e armou-se, mas o timbre longínquo daquela voz lhe pareceu familiar. Arriscou:

- Sayid?

- Aqui Danielle!- ele respondeu não muito longe.

Danielle então se apressou em correr na direção da voz dele. Não demorou muito deu de cara com Sayid, Desmond e Michael.

- O que houve?- perguntou ao vê-los. Não era comum ser procurada por uma comitiva, quando isso acontecia significava que precisavam de alguma coisa ou havia algo errado.

- Um dos nossos foi morto noite passada, dentro do nosso acampamento.-Sayid apressou-se em dizer.

- Outros?- ela indagou.

- Não, irmã francesa. Contaminação.

Ela arregalou os olhos, espantada.

- Não, nada disso. Quer dizer não sabemos ao certo.- falou Michael. – Hoje logo cedo ele foi encontrado em sua barraca morto, transbordando sangue.

- Já viu algo parecido com isso, Danielle?- perguntou Sayid.

- Não.- ela respondeu. – Isso não é suficiente para afirmarem que se trata de uma contaminação. Ela não acontece assim, não dá aviso. Não leva somente nosso corpo físico, mas também nossas almas.

Desmond estremeceu, mas não disse nada.

- O que eu acho mais provável.- ela continuou. – È que "Os Outros" estejam pregando peças em vocês, para se vingarem porque recuperaram as crianças. Tudo o que importa pra eles são as crianças.

Sayid assentiu com a cabeça: - Eu já havia pensado nisso, mas queria conversar com você antes de mais nada.

Danielle esboçou um sorriso: - Mesmo assim, sugiro que enterrem seu amigo o quanto antes e observem todos ao seu redor. A contaminação já pode estar lá e vocês nem perceberam.

Sayid tirou um embrulho de sua mochila e entregou a ela, que indagou:

- O que é isso?

- Um pedaço de bolo do meu casamento.

Ela sorriu: - Ah sim, seu casamento. Obrigada meu amigo, muitas felicidades.

E dizendo isso ela voltou a se embrenhar na floresta, desaparecendo da vista deles em segundos.

(Fim do Flashback)

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Em sua barraca, Kate arrumava suas coisas calmamente quando foi abordada por Sun e Claire.

- Por que está arrumando suas coisas?- perguntou Claire.

- Você está bem?- falou Sun.

- Meninas, uma pergunta de cada vez. Bem, estou arrumando as minhas coisas porque vou ficar um tempo na escotilha com o "Jack".- ela frisou o nome dele com um sorriso maroto.

Sun e Claire sorriram.

- E, sim Sun, eu estou bem.

- Mas vimos quando o John trouxe você desmaiada. O que aconteceu?

- Cansaço, insolação, seja lá o que for. Não dormi direito esta noite, estou exausta.

Sun riu. Claire não entendeu.

- Vocês?- Sun perguntou.

Kate não respondeu, apenas olhou pra cima e mordeu os lábios.

- Kate? Vamos!- chamou Jack à porta da barraca.

- Bem meninas, tô indo. Voltarei mais tarde pro funeral do Dylan.

Sun e Claire ficaram paradas à porta da barraca olhando Jack discutir com ela pra ver quem levava a mochila. Por fim Kate ganhou e pôs sua mochila na costa, mas Jack não se deu por satisfeito e mais adiante pegou a mochila dela, colocou em sua costa e segurou sua mão enquanto iam conversar com Sawyer e Ana-Lucia.

Na igreja, Eko já começava a preparar a cerimônia para Dylan junto com Tina e outras pessoas. Era mais um dia triste na ilha.

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- Você entendeu Sawyer?- perguntou Jack com o semblante triste diante da barraca de Dylan.

- Sim, chefe!- ele respondeu, sarcástico.

- O funeral será ao pôr-do-sol, eu vou retornar à escotilha e volto mais tarde.

Ana-Lucia falou:

- Jack, será que eu posso dar uma palavrinha com você antes de ir?

- È claro.- ele respondeu e se encaminhou com ela um pouco mais adiante.

- Vai com ele, sardenta?- indagou Sawyer com a expressão séria.

- Vou sim.

- Pelo jeito a coisa está ficando séria, hein?

- O quê?- ela perguntou sem entender.

- Você e o Jack

Kate respirou fundo: - Com tudo o que está acontecendo, como pode estar me perguntando isso?

Sawyer ficou calado.

- È por causa do que aconteceu? Se é por isso, eu queria te dizer que...

- Não, Kate. Isso não tem nada a ver com que aconteceu. Aliás, não sei porque aconteceu. Mas queria que soubesse que tudo o que eu te disse naquela noite é verdade.

Kate ficou encarando-o, sabia que pela primeira vez Sawyer não estava brincando.

- Eu realmente fiquei preocupado com você quando o Locke te trouxe desmaiada, e sei que o doutor vai cuidar muito bem de você, mas...- ele hesitou por um momento. – Saiba que eu estou aqui também... por você.

Ela se aproximou dele e deu-lhe um beijo terno no rosto. Jack voltou com Ana-Lucia.

- Vamos então, Kate?

Kate nada disse e os dois saíram caminhando na floresta lado a lado. Ana-Lucia sentou-se na areia ao lado da barraca, Sawyer fez o mesmo. Ficaram quietos sem dizer uma palavra, até que Sawyer colocou seu braço em volta do ombro dela e beijou-lhe carinhosamente a cabeça. Ela voltou seus olhos para ele e encostou a cabeça no ombro dele antes de dizer:

- O que está acontecendo aqui, Sawyer?

- Eu não sei Lu, não sei.

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Jack e Kate caminhavam pela floresta sem conversar, Jack estava muito estranho. O silêncio dele estava incomodando Kate. Antes que chegassem à escotilha, ela o parou em uma clareira:

- Jack? Você está bem?

Ele a encarou com os olhos marejados de lágrimas, colocou a mochila dela sobre uma pedra e a abraçou bem forte. Kate correspondeu ao abraço se aconchegando a ele. Jack olhou fundo nos olhos verdes dela, ainda em silêncio e aproximou seus lábios dos dela beijando-a profundamente. Ela suspirou quando sentiu os lábios dele, com toda a confusão daquela manhã não tinham tido tempo para absorver a última noite.

- Se eu soubesse que você queria tanto me beijar, teria te arrastado pra cá antes.- brincou.

Jack permaneceu sério, e sussurrou antes de beijá-la novamente:

- Eu te amo.

Kate parou de respirar por alguns instantes ao ouvir as palavras dele, era a primeira vez que ele as dizia. Ela tentou falar algo, mas ele continuou beijando-a, lhe tirando o fôlego. Kate o empurrou delicadamente:

- Ei, calma. Preciso respirar.

Jack sorriu embaraçado, e limpou uma lágrima do canto do olho.

- Me desculpe.

- Vem cá.- ela disse puxando-o para que se sentassem nas pedras.

Ficaram em silêncio por alguns segundos, até que Kate disse:

- Então, você me ama?

Jack riu e beijou as mãos dela.

- Eu amo sim, acho que...

Kate ergueu a sobrancelha.

- Acho que como nunca amei ninguém. È um sentimento estranho. A vida inteira eu sempre fiz o que considerava ser o certo, agora nem sei mais. Tudo o que eu quero é estar com você.

Ela acariciou os lábios dele com a ponta dos dedos, e falou com semblante triste: - Existem coisas sobre mim que você não sabe. Você é um médico conceituado, já salvou muitas vidas. Eu sou uma fugitiva, uma criminosa, destruí vidas.

- Isso não faz diferença aqui.- ele apressou-se em dizer.

- Mas faz fora daqui.- ela afirmou. – Se formos resgatados, como poderá viver amando uma fugitiva? Eu vou pra cadeia Jack, é só o que me espera fora dessa ilha.

Jack enrolou os dedos nos cachos dos cabelos dela:

- Então não quero sair daqui nunca mais.

Kate sorriu e o abraçou.

- Pelo menos agora, vou acreditar que isso seria possível.

- E que mal existe em acreditar?- ele indagou.

Ela o beijou ternamente no rosto. Ele se levantou da pedra.

- Temos que voltar para a escotilha, Hurley deve querer voltar à praia.

- Pelo que me consta, eu e você passamos a noite toda no turno.

Jack sorriu: - È, mas nós não estávamos vigiando de fato.

- E quem precisa saber?- ela disse. – Vem comigo, tem um lugar que eu quero te mostrar.

E dizendo isso ela pegou sua mochila e saiu puxando-o pela mão.

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- Hugo, você está aí?- indagou Locke entrando na escotilha.

- Estou aqui!- respondeu Hurley, saindo do banheiro. – Aproveitei pra tomar uma ducha, fiquei imaginando que alguém fosse demorar pra aparecer. Como estão as coisas na praia?

- Um pouco tensas, Sawyer e Ana-Lucia estão vigiando a barraca de Dylan para evitar o pânico generalizado. E o Sayid saiu com Desmond e Michael para falar com a Rosseau.

- Acredita mesmo nessa história de contaminação? É que a Rosseau sempre costuma vir com esse papo vudu pra cima da gente.

- Ultimamente, nem sei no que acreditar.- queixou-se Locke. – Hoje acordei muito cedo, o dia não tinha nem clareado, eu saí para dar uma caminhada pela floresta. Quando estava retornando para a praia ouvi gritos e então encontrei a Kate desacordada.

- A Kate?- espantou-se Hurley. – Alguém atacou ela?

- Não vi sinal de ninguém, Hugo. Eu a levei até o Jack na praia e fiquei sabendo das circunstâncias misteriosas da morte do Dylan, e também que a Tina havia passado mal. As pessoas na praia estão dizendo que existe uma contaminação, e que o Dylan foi a primeira vítima. Seguindo essa linha de raciocínio as próximas pessoas a morrer seriam Tina e a Kate.

- A Kate? Por que a Kate?- questionou Hurley.

- Porque ela desenvolveu sintomas parecidos com os da Tina. Sei que o Jack pensou nisso também, mas está escondendo isso de nós.

- Cara, a Tina teve um peripaque porque ela era louca pelo Dylan, todo mundo sabia disso, não tem nada a ver com contaminação. Além do mais, se estivesse acontecendo alguma coisa séria com a Kate e o Jack soubesse, por que ele não nos contaria?

- Simples Hugo. Porque ele a ama. Jack ama a Kate.-frizou Locke.

Ele balançou a cabeça: - Não sei não John, dessa vez não vou concordar com essa sua teoria. Deve ter sido um dos "Outros", querendo nos sacanear outra vez. Nos destruir. Eu quase perdi a Libby por causa disso.

- Vejo que você pensa como o Jack. Ele fez um belo discurso lá na praia hoje.

- E quanto a você Locke? O que pensa?

- Penso que devemos apenas ficar alertas por enquanto.

Hurley assentiu com a cabeça.

- Bom, eu preciso voltar à praia, saber se estão precisando de algo.

- Quer saber se Libby precisa de algo?- gracejou Locke.

- Ela também, cara. Mas estou mesmo preocupado é com a Tina, coitada dela. Você assume aqui?

- É claro.- respondeu Locke. – Por isso vim pra cá, Jack saiu da praia com a Kate dizendo que viria para a escotilha, mas eu imaginei que eles precisavam de espaço.

Hurley não entendeu. Locke sorriu, e começou a descarregar sua mochila.

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- Pra onde está me levando Kate? Precisamos voltar. Há tanto para fazer. Eu estou preocupado.

Mas ela não estava dando a mínima para o que ele estava dizendo, só continuava puxando o braço dele. Até que ele parou. Kate reclamou:

- Jack? Por que parou? Já estamos quase lá.

Ele passou as mãos pela cabeça, e esboçou um sorriso:

- Não dou mais um passo sem que você me diga onde está me levando?

- Está com medo por acaso?- ela perguntou, divertida.

- Não, não é isso. Eu só estou um pouco transtornado. Acabamos de perder um dos nossos, Sayid se embrenhou na floresta com Desmond e Michael e você sentiu-se mal outra vez essa manhã.

- Mas agora eu me sinto bem, Jack.- seus olhos verdes encarando-os profundamente.

Ele puxou uma respiração: - Às vezes queria me importar menos com as coisas, viver o momento como você.

- Você fez isso ontem.- ela disse espontaneamente.

Jack sorriu, um pouco ruborizado: - Bem...

- Anda, vem logo, seu teimoso!- ela disse puxando-o novamente. Já estamos quase lá.

Ele resolveu segui-la, e andaram mais uns cinco minutos. Logo ele escutou um agradável barulho de água caindo, os passarinhos pareciam cantar mais alto também.

- Chegamos!- Kate disse sorrindo.

Era um lindo lago de água transparente, com uma queda d'água convidativa, entranhada nas rochas. A vegetação que a cobria era magnífica, um verdadeiro paraíso particular. Kate já havia estado ali, mas não com ele.

- Quando descobriu esse lugar?- ele indagou extasiado.

- Já faz um tempo, foi aqui que eu e Sawyer encontramos a maleta do agente federal.

- Esteve aqui com o Sawyer?- ele perguntou enciumado.

- Sim.

- E nadaram no lago?

Kate riu: - Não vim aqui pra ficar falando do Sawyer.

Ela se aproximou dele e deu-lhe um rápido beijo nos lábios.

- Vim aqui porque acho que até um grande líder como você, ás vezes precisa de distração.

- Distração?- ele indagou.

Kate não respondeu, apenas começou a desamarrar o cadarço dos sapatos.

Jack também não disse mais nada, e também tirou os sapatos sentando-se nas pedras. Depois do sapato, Kate despiu a calça jeans, ficando somente com a camiseta cor-de-vinho e a calcinha branca. Ele continuava sentado, observando-a.

- Você não vem?- ela perguntou colocando o pé na água.

Ele sorriu, e respondeu maroto:

- Não, não. Quero apenas observar a minha "distração".

Kate riu, embaraçada: - Eu não acredito! Você vai ficar aí me olhando tomar banho?

- Não vou não. Eu não estou nem aqui.- ele falou, divertido.

Ela sentiu-se tímida de repente, Jack a olhava intensamente, observando cada detalhe dela. Não tivera tempo de fazer isso na noite anterior, as coisas aconteceram muito rápido tal era a urgência que sentia em amá-la, tê-la para si. Agora era diferente, estavam sozinhos em um lugar pouco conhecido pelos outros sobreviventes, sem botões marcando o tempo. Jack esquecera a pressa, esquecera que tinha coisas a resolver, estava hipnotizado por Kate.

Resolvendo fazer o jogo dele, apesar da timidez repentina, Kate começou a entrar na água lentamente, sem olhar pra ele. Jack a acompanhou com o olhar. Ela mergulhou no lago, lânguida, adorando a sensação da água fria sob a pele e por um momento esqueceu-se mesmo que ele estava ali.

Jack não parava de sorrir, estava se sentindo muito calmo relaxado, e percebendo que ela estava distraída resolveu juntar-se a ela na água. Tirou somente a camisa e entrou, surpreendendo-a.

- Resolveu vir?- ela indagou colocando os braços em volta do pescoço dele assim que se aproximou.

- Impossível resistir!- ele respondeu enterrando o rosto no pescoço dela e beijando-o.

Kate sentiu as mãos dele acariciando sua cintura dentro d'água, descendo até o bumbum. Ela parou as mãos dele, fingindo irritação:

- O que pensa que está fazendo, Jack?

- Não me olhe com essa cara.- ele respondeu. – A idéia de vir aqui foi sua.

- É, mas eu te convidei pra nadar, nada além disso.

- Ah é?- ele questionou, divertido. – E quanto àquela história de que um líder precisa de "distração"?

- Você disse bem.- ela falou tocando os lábios dele. – Distração! Você já se distraiu!

Ela se afastou dele sorrindo e começou a caminhar de volta para as pedras, Jack a puxou de volta, ela se debateu rindo.

- Não, não mesmo. Você não vai me deixar assim.

Jack a agarrou e beijou-a com vontade, ela rendeu-se aos encantos dele por um breve momento, mas logo interrompeu o beijo, dizendo baixinho para ele:

- Esse é um jogo perigoso Jack, você sabe.

- Você é perigosa, me disseram isso uma vez.

- Quem disse?- ela questionou.

- Deixa pra lá.- ele respondeu. – Vamos sair da água.

Kate sentiu-se insegura:

- Tá chateado comigo?

Ele sorriu: - Mas é claro que não. Anda, vamos sentar nas pedras. Ela o acompanhou. Jack continuou olhando-a.

- Me deixa sem jeito quando olha pra mim assim.- ela disse corada.

- Nunca vou me cansar de olhar pra você.- respondeu.

Kate se aproximou dele: - Me beija!- pediu num sussurro.

Ele atendeu o pedido dela e mais uma vez perdeu-se em seus lábios, sugando-os. Roçou a barba no pescoço dela, que murmurou:

- Adoro quando você faz isso!

Jack continuou com as carícias e foi descendo do pescoço dela para os seios. Tocou-os por sob a camiseta, diferente das outras vezes, ela não estava usando sutiã. Ele levantou a blusa dela e beijou-lhe os seios pequenos, provando-os. Kate sorria, se sentia plena.

- Isso não é entretenimento pra essa hora do dia!- disse uma voz masculina grave.

Instintivamente Kate abaixou a blusa, cobrindo-se. Jack voltou seus olhos para o dono da voz, e indagou em um tom sério:

- O que você está fazendo aqui?

Kate tinha os olhos assustados diante daquela aparição inesperada e sem perceber colocou-se atrás de Jack, amedrontada. Jack também estava surpreso, não imaginava encontrá-lo ali, sozinho e aparentemente desarmado.

- Por que vocês dois estão me olhando como se eu fosse um fantasma? Talvez eu devesse estar fazendo essa cara de espanto agora mesmo, que cena foi essa?- o homem comentou, sarcástico. – Pelo jeito encontraram uma forma melhor de passar o tempo aqui na ilha.

- Cale a boca!- disse Jack sacando uma pistola que estava no bolso de trás de sua calça.

- Jack!- exclamou Kate estremecendo, não tinha percebido que Jack carregava uma arma.

- Acalme-se Jack. Eu vim em paz.- o homem pegou a calça de Kate do chão e atirou nas mãos dela que a agarrou e a vestiu rapidamente. – Vim para trocar informações com vocês, apenas isso. Sei que teria motivos para aprisioná-los agora mesmo depois de terem levado as crianças do nosso acampamento, mas sorte a de vocês que não sou rancoroso. Temos coisas mais importantes pra nos preocupar agora, não é Jack? Como o cadáver no acampamento de vocês.

- Como sabe disso?- indagou Kate.

- Ele sabe Kate, porque ele é o responsável pela morte do Dylan, não é, Tom, seu desgraçado!- esbravejou Jack ainda apontando a arma.

- Jack, tem que melhorar seu julgamento a meu respeito, temos que trabalhar nisso qualquer dia desses. E Kate, ele anda muito estressado, talvez pudesse fazer algo sobre isso...- Tom falou, debochado.

Kate fez cara feia pra ele.

- Diga logo o que você quer, e vá embora!- gritou Jack. – Ou eu não hesitarei em atirar em você.

- Verdade Jack? Isso não combina com você. Mas não farei mais rodeios, estou aqui porque quero respostas. Um de vocês morreu de um mal desconhecido, até onde isso poderá nos afetar?

- Está dizendo que não sabe nada sobre isso?Eu não acredito em você.

Tom respirou fundo:

- É Jack, já vi que ainda não é o momento de termos essa conversa. Talvez depois que Kate lhe explicar o que aconteceu naquela noite de tempestade.

Jack deu um tiro pra cima. Kate assustou-se e deu um passo pra trás. Tom não se amedrontou, continuou na mesma posição, encarando-os.

- O que você fez com ela? Você é o responsável pelo que está acontecendo? Deu alguma coisa pra ela? Pro Dylan e pra Tina também?

Tom fez cara de tédio: - Vou te dizer uma coisa Jack, o mais difícil em um relacionamento é estabelecer uma confiança mútua, sem isso tudo começa a desandar. Kate, não faça isso, por que está mentindo pro Jack? Por que não contou a ele sobre o nosso trato?

Jack voltou seus olhos para ela: - Que trato Kate? Do que ele está falando? Conversou com ele naquela noite?

Kate piscou os olhos, espantada com os comentários de Tom: - Não sei do que ele está falando Jack, eu não lembro de quase nada do que aconteceu naquela noite.

- Bem, acho que agora é com vocês. Voltaremos a conversar Jack, quando você estiver com a cabeça mais no lugar. Por ora, meus pêsames pelo Dylan e tomem cuidado, não estão numa ilha qualquer. Esta terra é de ninguém, até Deus ignora sua existência.

Tom virou as costas para os dois e saiu caminhando para dentro da mata. Jack tinha os seus olhos fixos em Kate, o coração cheio de dúvidas. O que ela estaria escondendo?

- Do que ele tava falando Kate?- perguntou nervoso.

- Eu não sei do que ele está falando.- ela respondeu calma, mas apreensiva.

- Eu só vou perguntar mais uma vez, que trato é esse que você fez com os "Outros"?

Kate tinha lágrimas nos olhos:

- È tudo mentira não é, você não me ama.

- Não mude de assunto.- ele falou mordendo os lábios e apertando os olhos.

- Eu não sei de trato nenhum.- ela gritou. – E odeio você!

Ela saiu correndo pra dentro da mata, chorando transtornada.

Jack sentiu o coração apertar e correu atrás dela.

- Kate, volta aqui!

Continua...