Episódio 16- "E se..."

Sinopse: Meses se passaram, Jack e Kate ainda estão brigados, mas aos poucos o gelo começa a ceder. Ana-Lucia começa a sentir estranhos enjôos, deixando Sawyer preocupado.

Censura: M.

xxxxxxxxxxxxxxx

3 meses depois.

Kate caminhava sozinha pela praia, era fim de tarde. A brisa suave emaranhava seus cabelos agora ainda mais compridos, dando-lhe um aspecto selvagem; as ondas do mar iam e vinham acariciando-lhe os pés.

As coisas no acampamento estavam calmas. Depois da morte de Dylan, Sayid montou um esquema satisfatório de vigilância e nada de estranho mais aconteceu. A história da contaminação também perdeu força, todos estavam relativamente saudáveis. Tina estava ótima, Desmond havia "ajudado" a superar sua perda, para a infelicidade de Aline que tinha sentimentos por ele; deixou de falar com Tina quando percebeu que os dois estavam juntos.

Não se falava mais em esperar pelo resgate, todos pareciam resignados a passar o resto de seus dias naquela ilha, acostumaram-se a sua rotina, ninguém mais falava em planos mirabolantes para atrair a atenção de algum avião ou barco que remotamente passasse pela ilha. Eko, que criara o hábito na comunidade de rezar missas todos os domingos, sempre dizia em seus sermões que se fosse a vontade de Deus eles seriam resgatados.

Quanto à alimentação do grupo, misteriosamente a Dharma Initiative, pelo menos uma vez por mês jogava sobre a ilha uma caixa enorme cheia de mantimentos. Alguns como Bernard, costumavam ficar encucados com isso, outros como Rose e Hurley apenas agradeciam por ter comida. Mesmo assim, de vez em quando Locke saía para suas caçadas atrás de carne, acompanhado por Desmond. Fazia isso mais porque gostava do que por necessidade.

Cansada de caminhar, Kate parou diante das ondas e deixou os pés afundarem na terra fofa, adorava fazer isso, era algo que costumava lhe trazer paz de espírito. Pôs- se a observar as crianças brincando na beira da praia, Walt, Emma e Zack corriam de um lado para o outro com Vincent. Estavam tão entretidas, que não viram quando a maré trouxe junto com suas ondas, várias águas-vivas enormes. Zack segurava uma concha em suas mãos, Emma tirou das mãos dele e jogou-a nas ondas.

- Não, Emma!- gritou o garoto e correu na direção da onda para buscá-la. Esbarrou em uma água-viva que imediatamente queimou sua pele. Lágrimas encheram os olhos do menino que voltou-se para a irmã com cara de desespero.

- Zack!- gritou Emma correndo na direção do irmão.

- São águas-vivas, saíam daí!- falou Walt. Vincent começou a latir.

Percebendo que tinha algo errado, Kate correu na direção das crianças, e sem querer também pisou em uma água viva, gemendo de dor. Mas isso não a parou, ela pegou Zack no colo e gritou para que Emma viesse junto e tivesse cuidado. A menina estava muito assustada e segurou no cós da calça de Kate até que estivessem longe da beira. Walt também os seguiu. Vincent continuou parado na beira da água latindo para as águas-vivas, como se estivesse dando um aviso.

- O que houve?- indagou Charlie ao ver Zack chorando muito no colo de Kate.

Walt respondeu:

- Uma água-viva ferrou ele. Estávamos brincando e não a vimos.

- Água-viva queimar pele!- disse Jin se aproximando deles, falando num inglês muito arrastado. – Buscar Jack, doutor.

- Sim, Jin. Vá buscar o Jack.- pediu Kate tentando acalmar o garoto enquanto ele se debatia de dor. Ela própria também estava sentindo onde a água-viva lhe queimara.

Jin entrou na floresta, indo em direção à escotilha onde Jack estava, mas encontrou-o no meio do caminho.

- O que foi Jin?- perguntou ao vê-lo agoniado.

- Água-viva! Garoto!

- Alguém foi queimado por uma água viva?

- Sim.

- Quem? Walt?

- Não, Zack.

Jack apressou-se em chegar logo na praia, águas-vivas eram venenosas, o garoto deveria estar sentindo muita dor. Quando chegou até a praia, várias pessoas estavam aglomeradas em cima do garoto. Jack foi pedindo licença e se deparou com Kate sentada na areia, Zack em seu colo. Seus olhos se encontraram momentaneamente. Desde a discussão na escotilha três meses atrás, mal se viam e quando se encontravam falavam somente o necessário.

Ele abaixou-se e examinou o pé do garoto:

- Como foi isso campeão?

- Foi o monstro.- o menino respondeu entre soluços.

Kate acariciou os cabelos loiros do garoto.

- Estavam brincando na beira da praia, a maré está secando e trouxe as águas vivas.

Jack assentiu, sem olhar pra ela:

- È o sistema de defesa da água-viva, ao tocar em alguma coisa elas liberam veneno.

Ele abriu sua maleta e retirou álcool, esparadrapo e gaze.

- Jin, peça a Sun que venha até aqui. Vou precisar que ela faça uma pomada de ervas para diminuir a intensidade da dor.

- Sun!- disse Jin já indo buscá-la.

Jack derramou o álcool sobre a queimadura do menino que chorou ainda mais, Kate o acalentou. Mas a queimadura em seu pé a estava incomodando, e ela remexeu-se nervosamente. Jack notou.

- O que foi, Kate?

- Quando fui tirá-lo da água, acho que pisei em uma também.

Instintivamente, Jack pôs a mão direita no pé dela procurando a lesão. Kate pôs sua mão sobre a dele, indicando o local. Fazia tanto tempo que não se tocavam, que o simples toque de suas mãos uma na outra foi suficiente para deixá-los um pouco perturbados. No entanto, Jack assumiu sua máscara de profissionalismo, e cuidou do pé dela assim como cuidou do de Zack. Sun trouxe logo a pasta de ervas, Jin lhe explicara o ocorrido.

- Pronto campeão, agora vai ficar tudo bem!- Jack disse quando terminou o curativo no garoto, que sorriu e o abraçou em agradecimento antes de sair de mãos dadas com a irmãzinha.

Meio sem saber o que dizer quando Jack finalizou seu curativo, Kate limitou-se a agradecê-lo:

- Obrigada Jack.

- Essa é a minha função.- ele respondeu vago, enquanto recolhia suas coisas de volta na maleta.

- Deixa eu te ajudar.- ela disse agachando-se ao lado dele.

- Já terminei!- ele falou levantando-se e se afastando dela, caminhando na direção da barraca de Sayid.

- Então tá!- murmurou Kate, triste.

Ele caminhou para longe dela sem olhar para trás porque se olhasse, seus olhos poderiam denunciá-lo. Passar todos aqueles três meses longe dela estava sendo terrível. Às vezes sentia raiva de si mesmo por não tomar uma atitude para tentar resolver as coisas. O tempo que passara já havia sido suficiente para refletir sobre o que Kate lhe dissera, embora houvesse alguns furos na história dela, Jack sabia no fundo do seu coração que ela lhe contara a verdade. Mas ele era um homem complicado, extremamente emotivo e principalmente orgulhoso, puxara ao pai, que morrera sem contar a ele como realmente se sentia. Se não fosse por Sawyer ter coincidentemente conversado com ele no dia de sua morte, Jack jamais saberia o que o pai pensava.

- Hey, Jack!- saudou Sayid ao vê-lo se aproximando de sua barraca.

- Hey Sayid. Como vão as coisas? Tenho passado tanto tempo na escotilha que não tivemos mais oportunidade de conversar.

- Por aqui está tudo bem, a vigilância tem dado certo há três meses. Ninguém reclamou de nada.

- Isso é bom! E como está indo o casamento?

Sayid sorriu: - Está tudo bem. A Shannon ás vezes é muito difícil, mas eu a amo supero tudo. Ela agora botou na cabeça que é estéril.

- Por que ela acha isso? Tem alguma coisa a ver com a vida dela antes de vir pra cá?

- Eu não sei. Quando pergunto a ela, muda de assunto. Fica dizendo que já estamos juntos há muito tempo e nunca ficou grávida. Sabe, não tomamos nenhum cuidado, fica difícil aqui nessa ilha...- Sayid estava um pouco embaraçado ao falar daquele assunto, mas Jack com certeza era a pessoa mais indicada para lhe dar um conselho. – Então, eu digo a ela que é melhor assim, que criar crianças em uma ilha é difícil, mas ela fica aborrecida, achando que isso é algum tipo de castigo. Não sei mais o que fazer.

- Eu não sei Sayid, talvez haja um fundo de verdade nas suspeitas dela, mas infelizmente não tem como saber aqui nessa ilha, ela teria que fazer alguns exames. Mas ouça o meu conselho, diga a ela que fique calma, que não se preocupe tanto. Isso pode estar atrapalhando se é isso mesmo o que ela quer. Agora, te digo uma coisa, a cada vez que uma mulher aqui nessa ilha engravidar, eu vou ficar imensamente preocupado. Veja Sun, por exemplo. – ele apontou para ela que estava conversando com Kate. – Não vai demorar muito ela dará a luz, e eu espero que dê tudo certo, porque se acontecer alguma complicação ficará difícil improvisar uma cesariana.

- Você tem razão Jack, e eu agradeço a Alá todos os dias porque Shannon ainda não engravidou. Apesar de tudo eu ainda tenho esperanças de sair dessa ilha, podemos ter nossos filhos em um lugar melhor.

Jack concordou, mas ressaltou:

- È verdade, mas a possibilidade dela ficar grávida ainda existe.

- E o que você sugere?

- Abstinência!- Jack gracejou.

Sayid riu: - Acho que isso só vale pra você que é um celibatário.

Ele riu também, e perguntou: - E por falar em "celibatário", por onde anda o Sawyer? Todas as vezes que venho à praia nunca o vejo.

- Ele anda muito ocupado, caçando com o Locke.

- Caçando?- Jack indagou rindo.

- Isso mesmo, disse que quer aprender tudo sobre a vida na selva. Pra mim, ele quer é impressionar a Ana-Lucia. Talvez esteja funcionando, desde que eles começaram a ficar junto, percebi que o humor dela melhorou bastante. É um relacionamento bem estranho, mas acredito que funciona bem assim. Não acha Jack?

Jack não o estava ouvindo já fazia um tempo. Seus olhos estavam muito ocupados observando Kate. Sayid notou, e não pôde deixar de comentar:

- Por que não conversa com ela e esclarece as coisas de uma vez?

- Hein?

Sayid fez sua expressão divertida.

- Se eu fosse você Jack, já tinha tomado uma atitude. Viver nessa ilha já é difícil, mas viver sozinho nela é muito mais.

Jack desconversou: - Não tenho nada pra esclarecer com a Kate. Eu vou dar uma caminhada pela praia, ver se alguém está precisando de mim. Até mais.- deu um tapinha no ombro de Sayid e se retirou.

xxxxxxxxx

- Ele nem olha mais pra mim Sun, acabou. Não tem mais nada a ver.- Kate se lamentava para Sun.

- Pois não foi o que eu acabei de ver, Kate. Ele não tirava os olhos de você. Noite passada Jin esteve com ele à noite toda no plantão da escotilha, já que o Locke está caçando com o Sawyer desde ontem. Jin me contou que enquanto estava em seu turno do botão, Jack estava dormindo no sofá e começou a dizer um monte de coisas, aparentemente Jack tem mania de falar dormindo. Dentre as poucas coisas que Jin conseguiu entender, ele escutou Jack chamar seu nome duas vezes. E ele tem certeza que não se enganou.

Kate sentiu o coração palpitar: - Mas e por que ele não fala direito comigo?

- Os homens são assim Kate, fechados, orgulhosos.

- Mas eu contei pra você o que aconteceu, Sun. Eu disse toda a verdade ao Jack, implorei pra ele acreditar em mim e ele não acreditou, em vez disso me rejeitou.

- Isso já faz três meses Kate, é hora de você fazer alguma coisa.

- Não posso Sun, prometi a mim mesma que não iria atrás dele.

- Que bobagem Kate, se você o ama faça alguma coisa. Ou então viva com esse sentimento de solidão eterna.

Sun tinha razão, precisava fazer alguma coisa. Mas o quê? Não suportaria se Jack a dispensasse de novo. Mesmo assim, precisava correr o risco. Respirou fundo, arranjaria coragem.

xxxxxxxxxxx

As chamas da fogueira crepitavam, altas labaredas se destacavam no centro da praia, onde a areia que durante o dia era irritantemente quente e de cor branca, à noite assumia uma coloração cinza, cuja temperatura se tornava agradável aos pés. O mar refletia a luz da lua, minguante, excessivamente pálida trazendo as sombras da noite.

Todos estavam reunidos ao redor da fogueira, jantando e conversando animadamente. Charlie se preparava para narrar um conto de terror, que segundo ele era verídico.

- Aconteceu onde hoje é a cidade de Liverpool, na Inglaterra. Quando a Europa ainda não passava de um grande conjunto de feudos, no reino de Littleton.

- Um reino com o meu sobrenome?- indagou Claire.

- Isso Claire. È o seu sobrenome, sinistro não?

- Charlie não enrola, conta logo a história.- pediu Kate que estava sentada ao lado de Claire, enrolada num cobertor. A noite estava um pouco mais fria que de costume.

- Pois bem...- Charlie continuou, tentando fazer uma voz assustadora. Jack riu.

Ele havia decidido passar a noite na praia ao invés de voltar para a escotilha, tinha dito a Sayid que ficara por causa do garotinho que foi ferido por uma água-viva, entretanto isso não passava de uma desculpa para de alguma forma ficar perto de Kate já que Zack estava bem melhor.

- O jovem Sir Charlie Pace era enamorado de Lady Claire Littleton, mas suas famílias eram inimigas...

- Peraí Charlie.- falou Shannon. – A família da Lady Claire Littleton era dona da cidade? Porque o sobrenome da família e o nome da cidade são o mesmo.

- Algo assim Shannon, mas não me interrompa.

Claire riu.

- Então...

- Ahuuuuuuuu!- fez Hurley. Charlie irritou-se.

- Hurley, ainda não é hora do lobo entrar em ação.

- Tô vendo que essa história não vai sair!- disse Jack balançando a cabeça.

- Eu também acho.- concordou Kate. Jack voltou seus olhos para ela, que o encarou momentaneamente e depois desviou o olhar, nervosa.

- Mas sim, os dois se amavam, mas as famílias eram inimigas.

- Por que as famílias eram inimigas?- indagou Walt.

- Porque elas eram, posso continuar a história pelo amor de Deus?

- Pode!- gritou Libby.

- Então como eu dizia...

- Eu vou dormir, boa noite.- falou Ana-Lucia que estava sentada ao lado de Libby.

- Boa noite!- alguns responderam.

Libby notou que Ana-Lucia não parecia muito bem, estava pálida e não quisera comer. Preocupou-se e se levantou indo atrás dela. Charlie tentava continuar sua história.

- Na família de Sir Charlie existia uma coisa muito incomum. Sua mãe tivera seis filhas antes dele, portanto o sétimo filho estava predestinado a uma maldição.

- Hahahahahaa!- Hurley fez uma risada maquiavélica, as crianças se assustaram, menos Walt que fez expressão de "pouco caso".

- Ana, Ana!- chamou Libby, correndo atrás de Ana-Lucia que se dirigia para sua barraca.- Você está bem?

- Estou sim. È só uma indisposição.

- Mas você parece tão pálida!- Libby afirmou.

- Eu já disse que estou bem.- ela voltou a dizer, antes de sentir um embrulho insuportável no estômago e uma ânsia enorme de vomitar. Escorou-se em uma árvore que ficava próxima de sua barraca e vomitou, mas não muito, afinal estava com o estômago praticamente vazio.

Libby se aproximou dela e tocou seu ombro: - Ana, você não está bem. Jack está logo ali sentado perto da fogueira, vou chamá-lo pra ver você.

- Não!- Ana-Lucia pediu. – È melhor não, só preciso ficar quieta.

Ela sentiu uma vertigem forte e segurou-se em Libby, que a apoiou.

- Você está tão gelada, meu Deus Ana, o que você tem?

- Me ajude a ir pra minha barraca, por favor.

Libby a ajudou. Ana-Lucia deitou-se em sua barraca e fechou os olhos, esperando que aquela sensação de vertigem passasse.

- Vou ficar aqui com você.

- Não Libby, obrigada. Pode ir, eu estou bem.

Muito a contra gosto, Libby deixou-a, mas resolveu que ficaria alerta, Ana era muito teimosa. Pelo menos Jack estava na praia naquela noite e poderia acudi-la caso ela piorasse. Retomou seu lugar ao lado de Hurley e das crianças próximo à fogueira. Charlie, aparentemente estava no auge de sua história:

- E ela disse, Sir Charlie, você está bem? Seus olhos estão vermelhos!

Kate morria de rir, fazendo com que todas as outras pessoas rissem também.

- Ô Kate, será que dá pra você trocar de lugar? Está desconcentrando todo mundo. Isso é uma história de terror e não uma comédia.

- Está bem, desculpe Charlie- ela olhou para Jack, que ficou sem graça por ter sido pego em flagrante observando-a. Levantou-se do lado de Claire e foi até ele.

O coração de Jack acelerou ao vê-la se aproximar. Ninguém notou nada, continuavam atentos à narrativa de Charlie.

- Posso sentar aqui?- ela pediu apontando o lugar ao lado dele, onde não tinha ninguém.

Jack balançou a cabeça assentindo. De repente, já não prestava mais atenção às palavras de Charlie.

- Está fria esta noite, não é mesmo?- ela perguntou baixinho, quase num sussurro.

- Sim.- ele concordou monossilábico.

- Minha mão está até gelada!- ela falou pegando discretamente a mão dele e pondo em cima da sua.

Ele estremeceu.

- A sua mão está quente!- Kate disse entrelaçando seus dedos nos dele.

Jack deixou que ela segurasse sua mão, estava gostando de senti-la outra vez. Mas mesmo assim não deu o braço a torcer e voltou a concentrar-se na história de Charlie, ou pelo menos tentou. Kate se aproximou bastante dele, Jack podia sentir seu cheiro, aquele perfume inebriante que ele não havia esquecido. Charlie falava, mas a mente de Jack começou a se sobrepor às palavras dele. Divagava, "não tinha ninguém na praia, via Kate se aproximar dele envolvida pelo cobertor. Ela o encarava com aqueles olhos verdes brilhantes e deixava o cobertor deslizar por seu corpo, estava nua".Sem perceber, Jack aspirou o perfume dos cabelos dela.

Kate arrepiou-se ao sentir a respiração dele tão próxima, seu corpo se encheu de uma sensação de ansiedade e bem-estar.

- E ele tinha os olhos vermelhos, garras enormes e afiadas...

- Era o Wolwerine!- gracejou Craig.

- Se aproximou da pobre lady...

As pessoas estavam mais do que concentradas aquela altura da narrativa. Exceto Jack e Kate. Eles pareciam ter se teletransportado para um outro lugar naquele momento. Sayid percebeu, mas fez vista grossa e manteve a atenção de Shannon na história para que ela não fizesse esparro ao ver a reaproximação dos dois e quebrasse o momento.

Jack roçou o nariz no pescoço de Kate que gemeu baixinho no ouvido dele. Aquilo era loucura, a vontade de ficarem juntos era tanta que estavam se arriscando a perder a compostura. Kate cochichou:

- Vamos sair daqui, Jack.

- As árvores balançaram, e as folhas farfalharam...- continuava Charlie quando de repente o fato que ele narrava começou a acontecer. Passos foram ouvidos, as folhas começaram a se mexer. O próprio Charlie, sem perceber, estava prendendo a respiração.

Jack também ficou alerta e levantou-se do lado de Kate sacando a arma que sempre levava consigo, Sayid pegou a sua também. Os dois se posicionaram. O barulho dos passos foi aumentando, logo todos se deparariam com o que estava prestes a sair do meio das árvores.

- Mas por que diabos estão apontando essas armas pra mim?- questionou Sawyer, surgindo da floresta junto com Desmond e Locke, este estava todo sujo de sangue e carregava um enorme porco nas costas.

As pessoas se entreolharam e começaram a rir da situação. Jack e Sayid guardaram suas armas.

- Sawyer?- falou Jack.

- Quem você pensou que fosse? O Pé Grande?

- Gente, acho que depois dessa é melhor irmos dormir- disse Rose, ajudando Bernard a se levantar.

Sun e Jin também se recolheram. Shannon puxou Sayid pela mão para que fossem dormir, mas ele disse a ela:

- Já estou indo minha loura.

Ela concordou com aquela expressão irritante de "como quiser" e foi para sua barraca. Charlie ainda estava assustado, enquanto Hurley dava gargalhadas do acontecido.

- Por que está me olhando com essa cara, hein, hobbit?

Charlie respondeu:

- Não é nada, só me assustei com essa sua cara feia saindo do nada da floresta.

Sawyer deu de ombros.

- Então vocês estavam caçando?- perguntou Jack.

Sawyer balançou a cabeça negativamente: - Não, nós nos embrenhamos na floresta por dois dias apenas para tentar convencer o porco a vir de bom grado com a gente, e olha só...conseguimos!- ele disse apontando para o porco que Locke tinha acabado de pôr no chão.

- Conseguimos não!- corrigiu Sayid. – John conseguiu.

- Na verdade foi o James, se não fosse por ele não teríamos trazido o porco. Usou a armadilha na hora certa.

- Isso é sério?- perguntou Kate, divertida. – Então agora você é o grande caçador? Tarzan, o rei das selvas?

- Isso depende sardenta, está se oferecendo para ser a Jane?

Jack balançou a cabeça, Sawyer não tinha jeito mesmo.

- Des! – gritou Tina ao ver Desmond, ela não estivera presente durante a intensa narrativa de Charlie, mas escutara os comentários de que o grupo tinha voltado da grande caçada.

Ele correu até ela e a beijou. Aline que estava indo para sua barraca nesse momento fez uma expressão zangada e continuou seu caminho.

- Quem está na escotilha, Jack?- perguntou Locke.

- Eko e Steve. Eu estava pensando em voltar pra lá.-disse Jack.

Kate fez cara de frustração, teve a impressão que Jack estava querendo fugir dela. Começou a pensar em dizer algo para fazê-lo ficar quando Locke disse:

- Não Jack, pode deixar que eu vou pra lá. Depois desses dois dias caçando preciso de um banho e uma cama decente.

- Nem me fale!- disse Sawyer. Bom, boa noite pra vocês. Eu vou ver a minha morena.

- Acho melhor ir vê-la mesmo.- disse Libby. – Ela não estava se sentindo muito bem esta noite.

Sawyer largou a mochila no chão e correu pra barraca dela imediatamente.

- O que ela tem?- indagou Jack, preocupado.

- Eu não sei. Talvez o Sawyer possa descobrir, já que ela não quis falar nada pra mim. Boa noite, eu vou pôr as crianças pra dormir.

- Eu também já vou me deitar, chega de histórias de terror por hoje.- disse Charlie, Sayid também se retirou.

Todos foram se recolhendo para as suas barracas. Locke pegou o porco e se embrenhou novamente na mata. Jack e Kate ficaram sozinhos.

- Eu...

Os dois falaram juntos, e sorriram logo em seguida. Jack disse:

- Bem, praticamente não tenho mais barraca aqui na praia, será que eu poderia...

- Claro.- Kate respondeu. – Vem, vamos pra minha barraca.

xxxxxxxxxxxxxx

Sawyer entrou na barraca de Ana-Lucia e a encontrou deitada com os longos cabelos no rosto. Se agachou ao lado dela, e perguntou, carinhoso, tirando o cabelo do rosto dela:

- O que foi meu dengo? Libby disse que você não estava bem. Isso é saudade do seu caipira dos infernos?

Ana-Lucia sorriu.

- Como é bom escutar a sua voz.- ela murmurou.

- Você não está bem mesmo, não me disse nenhuma ofensa.

- Cala boca!- ela falou, gracejando.

- Ah, aí está você.- ele falou respondendo à provocação, deitando-se ao lado dela. – Mas você não me respondeu, o que você tem?

- Não é nada, só preciso dormir. Mas quero que você fique aqui comigo.

- È claro que eu vou ficar, esses dois últimos dias eu só pensei em você.- ele disse, virando o rosto dela pra ele e dando-lhe um rápido beijo nos lábios, foi quando se deu conta do quanto ela estava suando frio. – Ana, você está gelada. O que está acontecendo?

A vertigem dela foi piorando e seus olhos começaram a ficar muito pesados. Sawyer desesperou-se: - Ana-Lucia, fala comigo. Amor, diz alguma coisa, vamos!

Ele se levantou rapidamente e saiu da barraca, correndo pela praia a procura de Jack. Viu-o parado à porta da barraca de Kate conversando com ela.

- Jack! Jack!- gritou.

Jack voltou seus olhos pra ele:

- O que foi Sawyer?

- È a Ana.- ele respondeu assustado.

Jack pegou sua maleta e saiu correndo para a barraca de Ana-Lucia. Kate o seguiu. Algumas pessoas puseram suas cabeças para fora da barraca para ver o que estava acontecendo. Kate fez um gesto com as mãos indicando que estava tudo bem para que não houvesse aglomeração no local.

- O que ela tem Jack? O que ela tem?

- Acalme-se Sawyer, e me deixe examiná-la.- ele pegou o braço dela e tomou seu pulso. – È uma queda de pressão, preciso de açúcar urgente, chocolate, fruta. Qualquer coisa.

Kate ouviu e correu até a barraca de Hurley para pegar, ele com certeza deveria ter.

- Queda de pressão? O que pode estar causando isso?

- Ainda não sei, preciso saber quais são os outros sintomas que ela apresenta.

Kate logo voltou com uma barra de chocolate Apollo. Jack tirou um pedaço bem pequeno e entregou na mão de Sawyer para que ele a fizesse comer. Ele começou a tentar, mas Ana-Lucia não abria a boca. Sawyer começou a fazer carinho no cabelo dela, pedindo baixinho:

- Meu dengo, come isso. Só um pouquinho pra você melhorar.

Jack e Kate entreolharam-se ao ver o jeito carinhoso como Sawyer a tratava, nunca tinham visto ele agir assim.

- Anda Lu!- Sawyer insistiu mais um pouco até que ela comeu.

Aos poucos a cor foi voltando ao seu rosto, e ela abriu os olhos, confusa ao ver os três em cima dela.

- Jack?

- Como se sente Ana?- perguntou Jack checando as pupilas dela.

- Eu não sei ao certo...

- O que você está sentindo?

- Vertigem, enjôo... muito enjôo e sono.

- Certo.- disse Jack. – Eu quero que você repouse bastante e pela manhã tome muito líquido e coma frutas. Vai se sentir melhor. De manhã, eu volto para vê-la.

Ele se levantou, saindo da barraca dela, Kate já estava lá fora.

- Obrigado, Jack- disse Sawyer com muita sinceridade pondo a cabeça para fora da barraca antes de voltar para o interior.

- Ela está bem mesmo?- indagou Kate.

- Tenho certeza que sim.- garantiu Jack. – Nada que não se resolva em nove meses.- ele falou bem baixinho.

Kate arregalou os olhos: - O quê? Ela está...?

- Provavelmente. Mas de qualquer forma logo teremos a resposta.

Ela respirou fundo: - Você ainda vai pra minha barraca?

- Sim.- ele respondeu sério. – Precisamos muito conversar.

xxxxxxxxxxxxx

Dentro da barraca de Ana-Lucia, Sawyer se aconchegava a ela, estava muito preocupado. Ao sentir o corpo dele junto de si, Ana-Lucia pegou o braço dele e o envolveu em sua cintura.

- Canta pra mim Sawyer, aquela canção que te ensinei.

Ele sorriu, e começou a cantar baixinho, em espanhol:

- "Hoy quiero hablar de ti, de lo que yo te amé. Me dueles tanto, tanto. Que solo soy, viento. Viento llegou, viento pasó, y como me acuerdo..."(Hoje quero falar de você, do quanto te amo, sinto tanto sua falta. Sou apenas o vento que chega e vai e como eu me lembro...)

Ela logo adormeceu ao som daquela voz que aprendera a amar durante aqueles três meses, a voz que a fazia sentir-se segura como se estivesse outra vez em casa. Sim, Sawyer era o seu lar. Naquele momento soube que o amava.

xxxxxxxxxxxxxxx

Por causa do tempo em que estavam naquela ilha, haviam aprendido a criar muitas coisas para tornar suas vidas mais confortáveis. As barracas que ocupavam na praia, diferente das primeiras que construíram, eram agora maiores e mais espaçosas, podiam até mesmo mantê-las organizadas como se fossem pequenas residências primitivas.

Quando Jack entrou na barraca de Kate, ela brincou para quebrar a tensão do momento: - Não repare a bagunça.

Ele sorriu, a barraca de Kate estava longe de ser bagunçada, estava até mais arrumada que a escotilha que na maior parte do tempo era habitada por homens, talvez isso explicasse a confusão de roupas, utensílios e livros espalhados. Para tentar manter as coisas por lá um pouco mais em ordem, Rose passava por lá e fazia faxina, uma vez por semana. Aí ficava tudo bem.

Jack observava a forma como Kate organizara sua barraca. Simples, mas acolhedora, com aquele característico toque feminino. Uma mesinha de canto improvisada com tábuas, em cima algumas frutas e algumas garrafas de água. No outro canto, sua mochila e uma caixa com suas roupas dobradas; do outro lado, mais uma mesinha, com perfume, batom, escova de cabelo, de dentes e outras coisas. E bem no meio, uma cama relativamente confortável confeccionada com as poltronas da Oceanic, coberta com um lençol também da empresa aérea.

- Quer beber alguma coisa? Água, água ou quem sabe água?

- Acho que eu vou querer água.- Jack respondeu, entrando na brincadeira dela, ele também estava tenso. Três meses era muito tempo para se guardar mágoas, sentia que já que ela tentara uma reaproximação, seria ele quem deveria dar o próximo passo, e não estava disposto a sair dali sem se entender com ela.

Kate serviu água de uma das garrafinhas em um copo de plástico e deu a ele. Enquanto ele bebia, Kate buscava seus olhos, tentando decifrar aquela expressão enigmática que fizera a ela quando se perderam momentaneamente naquele devaneio romântico pouco antes, perto da fogueira.

Jack bebeu a água sem pressa, tentava passar a ela uma expressão de serenidade, mas o que realmente sentia era adrenalina pura, ansiedade incômoda que estava contendo para não se atirar sobre ela como um tigre e amá-la por toda a noite, sem tréguas, a eternidade não seria o bastante.

- Jack?- Kate chamou baixinho, mais murmurando do que propriamente falando. – Eu nem sei por onde começar será que você pode me ajudar?

Ele depositou o copo de água próximo á cama, e aproximou-se dela, os músculos doloridos de tensão.

- Eu também não sei.- confessou. – Nesses últimos três meses eu pensei em tantas formas de ter essa conversa com você, mas não cheguei a nenhuma conclusão satisfatória, e...- ele tomou a mão dela na sua, brincando com seus dedos. – Não estou conseguindo raciocinar direito nesse momento.

Kate respirou fundo: - Então, pelo menos posso te dizer que gostaria que me perdoasse por eu ter mentido. Devia ter te contado a verdade, confiado em você.

Jack levou a mão dela até os seus lábios e a beijou: - Não Kate, eu deveria ter confiado em você, e não agido como um idiota teimoso e orgulhoso.

Ela sorriu: - Idiota você não é, mas teimoso e orgulhoso...

- E você é imprevisível e impulsiva, que mais posso dizer?

A noite lá fora, estava bastante fria, uma chuvinha fina começava a cair. Mas dentro da barraca de Kate, os dois suavam. O clima estava pesado, trazendo a ambos a sensação de que o inevitável estava por vir. As palavras fugiam dando lugar ao som da respiração.

O olhar de Jack era avassalador, Kate sentiu seu interior se derreter, se ele pedisse se entregaria sem pestanejar. Ele afastou um cacho do cabelo dela que insistia em ficar sobre o seu rosto, ao sentir o toque da mão dele ela gemeu, o coração dele deu pulos com a reação dela.

- Kate, sei que precisamos conversar, mas eu não estou em condições de fazer nada coerente esta noite então, se quiser que eu vá embora, irei e amanhã teremos esquecido tudo. Mas se quiser que eu fique, vou te amar de um jeito que nunca irá esquecer.

Ao ouvir essas palavras, Kate sentiu como se seu corpo tivesse se transformado em manteiga derretida, seu interior pulsava. Precisava muito dele.

- Não quero que você vá embora, quero que me ame, não só hoje, mas todas as noites...

Kate deitou-se na cama e Jack colocou-se sobre ela, os lábios se uniram sedentos um pelo outro. Línguas que se tocavam em várias direções, roubando estrelas do céu da boca. Jack sugava os lábios dela, se alimentando de toda a paixão que Kate nutria por ele cada dia mais. Ele forçou delicadamente as pernas dela para que se abrissem e o aconchegasse. Começou a roçar seu corpo no dela fazendo com que um gemido mais alto escapasse de seus lábios.

- Shiihhhh!- ele sussurrou no ouvido dela. – Não vamos querer que os vizinhos nos escutem.

Ela sorriu, e mordeu os lábios: - Vai ser difícil, não tem idéia do que está provocando em mim.

Jack saiu de cima dela e Kate fez cara de frustração. Jack sorriu safado: - Quem gosta de fugir aqui é você, esqueceu? Mas mesmo que você tente, eu sou capaz de te amarrar, te deixar imóvel enquanto eu me aproveito de você.

Kate riu: - Isso não, eu também quero me aproveitar de você.

Jack balançou a cabeça: - Esquece Kate, você vai ser uma boa menina esta noite e ficar bem quietinha. Ele pegou uma das garrafas de água de cima da mesinha de tábuas e indagou: - Está com calor?

Ele destampou a garrafa e colocou ao lado deles na cama. Aproximou-se novamente de Kate que o puxou para si beijando-o. Jack a afastou:

- Não, eu disse que você ia ficar quietinha...

Kate riu: - Está começando a me assustar.

Jack não deu importância ao comentário dela, apenas deu início ao que estava planejando fazer. Não havia sido previamente calculado, ele apenas estava realizando as fantasias que passara três meses sonhando, discreto no seu canto, cuidando de suas funções como único médico da ilha.

Retirou sua camisa e jogou-a num canto sob o olhar atento de Kate. Começou a subir a camiseta branca dela distribuindo beijinhos por toda a sua barriga até os seios, cobertos pelo sutiã de renda branca. Fez um gesto para que Kate despisse a camiseta. Ela prontamente a retirou, ficando sentada de frente pra ele.

Para a surpresa dela, Jack a agarrou com tudo, jogando todo o peso de seu corpo em cima dela, beijando-a de modo selvagem, dando mordidinhas no pescoço e entre os seios. Kate suspirava entre as carícias dele aspirando o seu inigualável perfume masculino.

- Hummm Jack...

Ao ouvir o gemido dela ele se segurou para não agarrá-la mais forte e possuí-la imediatamente, queria prolongar o momento até que a ânsia de ambos se tornasse insuportável. Soltou o fecho do sutiã dela e a afastou para olhá-la na penumbra. Ela respirava forte, os seios enrijecidos, lábios deliciosamente úmidos.

- Você não me respondeu se está com calor...

Ela ergueu a sobrancelha: - Sim, muito calor.

Jack pegou a garrafinha de água que havia colocado ao lado da cama e posicionou sobre Kate derramando um pouco do líquido transparente sobre os seios dela. As gotas de água misturaram-se com o suor deslizando sobre ambos, uma gota mais atrevida foi cair direto no umbigo dela. O olhar de Jack seguia as gotas de água que percorriam as curvas dela, extasiado. Beijou-a outra vez estendendo o beijo para o pescoço, deliciando-se nos seios até chegar à barriga. Kate estava arrepiada, contorcendo-se de desejo, não agüentava mais aquela brincadeira.

- Jack, não me tortura mais.- ela passava as mãos pelo corpo dele, apertando o bumbum até chegar ao cós da calça. – Oops!- disse deixando sua mão escapulir sobre ele, mais pra baixo.

Percebendo as intenções dela, Jack segurou seus braços para trás de sua cabeça e avisou:

- Kate, eu te disse pra ficar quietinha. Por causa disso você vai sofrer as conseqüências...

Ele abriu o botão da calça dela descendo o zíper. Retirou vagarosamente a peça, deixando Kate ainda mais ansiosa.

- Vamos Jack!- ela pediu.

Jack continuou não dando ouvidos, assim que ela estava livre da calça, ele também se desfez da sua e voltou até ela beijando-lhe as pernas até chegar nas coxas, acariciando uma de cada vez. Kate respirou mais alto quando sentiu ele se aproximar de onde ela estava vibrando de excitação. Mas para a decepção total dela, das coxas ele voltou para a barriga, os seios e os lábios, roçando seu corpo no dela novamente. Ela se agarrou nele, angustiada, tentando aumentar a proximidade de seus corpos. Mas Jack não permitiu, continuou segurando-a.

- O que você quer?

Ela gemeu: - Você, dentro de mim.

- Ainda não.

Kate mordeu os lábios: - Oh Deus, Jack!

- Nunca mais minta pra mim Kate, nunca mais.

- Não, nunca mais.

Ele saiu de cima dela outra vez e despiu sua última peça de roupa. Antes de tocá-la admirou-a por mais alguns segundos.

- Linda, você é linda demais!

No momento seguinte, pareceu a Kate que ela e Jack eram os únicos naquela ilha. Não pôde mais conter os gemidos de prazer. Jack a tocava como há muito tempo ninguém fazia, provocando-lhe sensações intensas.

Para a sorte de ambos, a barraca que ficava ao lado da de Kate era a do discreto Sayid. Ele, que estava sem sono aquela noite escutou os ruídos avassaladores vindos da barraca ao lado. Sorriu consigo mesmo. Shannon sonolenta, também escutou os gemidos de Kate e indagou a Sayid:

- Nossa, o que tá acontecendo na barraca da Kate? È o que eu tô pensando?

- Não sei Shannon, e também não é da nossa conta.

- Mas com quem será que ela tá transando?

- Em vez de ficar se preocupando com quem a Kate se deita, deveria dar mais atenção pra mim...

Shannon sorriu maliciosa e se atirou nos braços dele beijando-o. Se Kate podia gemer daquele jeito, ela não ia mais se importar em ficar se contendo.

- Jack! Jack!- Kate gritou quando o sentiu dentro de si.

Shannon parou de beijar Sayid.

- Yd, não acredito que é com o Jack que ela está? Você ouviu isso?

- Shannon se você não parar de ficar escutando a transa dos outros e se concentrar no que estamos fazendo, eu vou dormir lá fora.

- Não Yd, querido. Vem cá!- e os dois voltaram a se beijar.

Jack estava mais do que feliz aquele momento era tudo o que ele quis durante três meses de solidão. Não deixaria mais Kate, por nada nesse mundo, nem desconfiaria dela. O som das ondas quebrando na praia ditava o movimento ritmado dos quadris deles enquanto faziam amor, ora calmos, ora frenéticos. Kate estava com os olhos fechados e o rosto vermelho, sua expressão era de puro êxtase.

Inverteu a posição com ela e deixou-a sentada sobre ele, movimentando-se sobre o seu corpo.

- Eu te amo Kate, te amo demais.

Ela jogou a cabeça pra trás, não tinha condições de dizer nada, estava viajando no próprio prazer.

- Oh sim, sim!- ela murmurou, a sensação era de que ia até o céu e descia numa queda vertiginosa.

Jack também se sentiu assim, livre de qualquer preocupação, habitante momentâneo do paraíso. Quando tudo terminou, Kate se deitou ao lado dele de costas, Jack a abraçou por trás e cheirou seus cabelos. Ela suspirou:

- Incrível, isso foi incrível.

- Eu sei.- ele respondeu contando vantagem.

Ela virou o rosto pra ele: - Seu bobo! Não fica se gabando não!

Ouviram os gemidos de Shannon na barraca ao lado. Jack ergueu uma sobrancelha:

- Parece que você empolgou alguém...

- Ai meu deus, que vergonha. Será que eles me escutaram como estamos escutando-os?

- Eu não sei Kate, mas algo me diz que eles não irão nos denunciar.

Ela sorriu e fechou os olhos. Estava exausta. Precisava dormir. Jack logo adormeceu também, acariciando os cabelos dela. Sentia-se completo outra vez.

Continua...