Episódio 18- "O estranho mundo de Jack"
Sinopse: Kate resolve ir atrás de Jack na escotilha altas horas da noite e é atacada por Bradley, um dos sobreviventes. Surge um homem misterioso na floresta. Sawyer está se sentindo culpado por ter rejeitado Ana-Lucia e tenta fazer as pazes com ela.
Censura: M.
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Andar na floresta em meio à escuridão nunca tinha sido um problema para Kate, mesmo com todos os perigos que a ilha oferecia. Mas aquela noite tinha um ar diferente, triste, gélido, assombroso. Ela segurava uma tocha para iluminar o caminho, estava ansiosa para chegar logo à escotilha, a sensação que tinha era de que o caminho estava mais longo do que de costume.
- Ai meu Deus!- exclamou de repente, levando as mãos ao peito. Um barulho a tinha assustado. Riu de si mesma quando se deu conta de que era um casal de sapos pulando de uma pedra para outra. – Às vezes eu detesto esse lugar!- comentou consigo mesma. – Mas só às vezes, em outro lugar eu não teria o Jack.
Continuou andando sem mais problemas quando um barulho de passos vindos em sua direção a fez parar novamente. Sentiu um frio incômodo percorrer sua espinha."Será que estou delirando de novo?"- pensou.
Mas não estava, os passos continuaram. Kate começou a respirar mais rápido em antecipação.
- Quem está aí?
Colocou a tocha à sua frente iluminando o caminho de sombras da onde vinham os passos. Foi quando Bradley surgiu do meio das árvores.
- Chapeuzinho Vermelho, sua mãe não te ensinou que não deveria caminhar sozinha pelo bosque por causa do lobo mal?
- Bradley? O que está fazendo aqui? Sayid procurou você o dia inteiro na praia.-ela falou, tentando ser o mais natural possível.
- Pra que ele tava me procurando? Pra me dar outro no soco no olho?- ele disse irritado, apontando para uma mancha roxa em volta do olho direito.
- O que você fez hoje com a Ana-Lucia foi horrível, deveria se desculpar com ela.- Kate falou tentando distraí-lo, sua mão esquerda devidamente posicionada no bolso de trás da calça jeans, buscando a faca que sempre levava consigo desde que Locke lhe dera para se desamarrar no dia em que desceram à escotilha pela primeira vez.
- A Ana-Lucia é uma piranha.- ele falou ríspido. – Ela não tem esse rostinho meigo de princesa que você tem. Esse corpinho delicado.- Bradley falava se aproximando dela.
Kate caminhava para trás, se afastando dele. As engrenagens de sua mente já buscando um bom plano para escapar.
- Eu ouvi você ontem transando com o Jack na sua barraca. Precisei de um banho de mar pra conseguir dormir, mas não adiantou nada porque quando eu lembrava dos seus gemidos de prazer, ficava "ligado" de novo.
- Você é um porco nojento!- ela falou com desprezo.
- Sou? E o doutor? Que eu saiba, ele é o mais nojento aqui, porque se aproveita do fato de ser médico para ficar com todas as gostosas da ilha.
- Cala a boca, você é um imbecil sórdido!- gritou Kate.
- Cala a boca você gracinha, se o médico ou qualquer um outro otário dessa ilha pode dar "umazinha" de vez em quando por que eu também não posso?
Kate ia dizer algo, mas Bradley sacou uma pistola e apontou diretamente para ela.
- Onde você conseguiu isso? Ninguém em sã consciência te daria uma arma.
Bradley deu uma risada maquiavélica, parecia completamente fora de si.
- Roubei do Sawyer, que idiota! Ele vinha caminhando pelo meio da floresta ainda mais distraído do que você. Dei uma paulada na cabeça dele, fez um estrago enorme.
Kate desesperou-se: - Você atacou o Sawyer? Está completamente louco mesmo. Onde ele está?
- Isso não interessa! Que morra, estou pouco ligando. O papo agora é entre nós dois, gatinha. Anda tira a roupa!
Kate balançou a cabeça negativamente, apertando os olhos que lagrimaram.
- Pode me matar se quiser, mas eu não vou fazer nada.
- Situações extremas pedem medidas extremas!- ele disse chegando bem perto dela e a puxando pelo braço. Kate se debateu e com o esforço acabou tendo o braço machucado.
- Pensa bem Kate, é melhor ser uma boa menina e fazer o que eu estou mandando, daí depois vai poder ver o seu doutorzinho de novo.
Ele puxou a tocha da mão dela e por pouco não se queimou. Apagou-a e jogou o galho longe. A escuridão tomou conta de tudo. Bradley segurou os dois braços dela e passou a língua por seu decote. Kate gritou, era estranho, não conseguia se livrar dos braços de Bradley, ele possuía mais força do que ela pensava. Ela então deu uma cabeçada nele, que o fez gemer de dor.
- Ora sua safada, vou ter que te dar umas palmadas pra ficar quieta?
- Jaaaackkk!- Kate gritou o mais alto que pôde, sabia que a escotilha não estava longe, mas também sabia que uma vez dentro dela os ruídos de fora eram abafados. Mesmo assim rezou para que ele ou alguém tivesse saído por um momento e escutasse o seu pedido de socorro.
Bradley a derrubou ao chão e passou as mãos sobre o corpo dela, Kate cuspiu nele, enojada. Não iria se entregar sem lutar.
- Jaaaackkk!- gritou de novo.
- Ele não vai te ouvir, nem adianta gritar.
Ela conseguiu soltar uma das mãos e pegar a faca no bolso da calça, enfiou-a no estômago de Bradley que se contorceu de dor.
- Sua desgraçada, eu vou acabar com você!- ele gritou, estapeando-a no rosto.
Bradley retirou a faca do seu estômago a sangue frio, estava sentindo dor, mas isso não pareceu afetá-lo o suficiente para deixá-la.
- Eu ia ser bonzinho com você, fazer tudo bem devagar, mas agora estou pouco ligando. Farei tudo o que eu quiser e depois vou te matar.
- Não! Não!- gritava Kate, a essa altura chorando convulsivamente.
A raiva e a loucura de Bradley era tanta que não se apercebeu dos dois homens armados que vinham por trás dele. Um deles tinha um fio de sangue escorrendo pelos cabelos loiros, e o outro a arma em punho e o semblante desnorteado, pronto para atirar.
- Você não doutor!- disse Sawyer empurrando Jack com força para trás com a mão esquerda, em seguida lançando três tiros sobre Bradley que caiu morto em cima de Kate.
Jack largou a arma no chão e correu até ela. Sawyer fez o mesmo, ajudando-o a retirar o corpo de Bradley de cima dela.
- Jack!- gritou Kate se jogando nos braços de Jack, chorando desesperada.
- Kate!- Jack disse acariciando os cabelos dela e apertando-a junto de si, chorava também.
Ela tremia sem parar. O coração de Jack estava apertado. Sawyer observava a cena em silêncio. Depois que Bradley lhe acertara, Rosseau o encontrou e o acordou ajudando-o a ir até a escotilha avisar Jack que o maníaco estava à solta, e com sua arma. Os dois correram para a praia e no caminho ouviram os gritos de Kate.
- Shhhhiii- Jack sussurrava baixinho para ela. – Vai ficar tudo bem meu amor, eu estou aqui.
Ele tentava acalmá-la a todo custo, mas em seu íntimo estava muito nervoso, um sentimento de culpa perseguindo-lhe. Ajudou-a levantar-se do chão, suas roupas estavam sujas de areia. Voltou seus olhos para o corpo ensangüentado de Bradley, pálido e de olhos esbugalhados. Sentiu o estômago contorcer-se, era médico já tinha visto muitas pessoas mortas, mas não dessa forma.
Sawyer continuava quieto, sua mente parecia estar divagando para outro lugar. O fio de sangue insistente continuava escorrendo do ferimento em sua cabeça. Kate ainda chorava, só que baixinho, a cabeça recostada no peito de Jack. Ele voltou seus olhos para Sawyer, e disse sem ter muita certeza do que estava fazendo:
- Acho melhor darmos um jeito no corpo.
- Sumir com ele?- indagou Sawyer. – Sem contar a ninguém?
- Não é isso que estou dizendo, eu só...não sei, não sei.- Jack dizia desnorteado ainda apertando Kate junto de si.
Sawyer levou a mão à cabeça, o ferimento estava latejando, precisava de um curativo. Ambos não sabiam o que fazer, Jack sentia que se voltasse à praia com aquele corpo, perderia totalmente sua moral de líder diante de todos. Não fora ele quem matara Bradley, mas apenas porque Sawyer o impediu. O que as pessoas achariam disso? O que ele próprio achava disso? Sawyer por sua vez estava em conflito com o fato de ser mais uma vez julgado por algo que fora obrigado a fazer e não queria ser colocado na berlinda de novo. Diante do silêncio dos dois, Kate disse:
- Ele era um perigo para todos nós, fizeram o que era certo. As pessoas vão entender.
- Não é tão simples assim Kate, não sou um criminoso.
Kate soltou-se do abraço dele, encarando-o, magoada: - Então seria melhor não tê-lo matado e deixá-lo se aproveitar de mim, de Ana-Lucia ou de alguma outra?
- Kate acalme-se, não é isso que estou dizendo. É só que estamos lidando com algo grande, coisas desse tipo não podem voltar a acontecer. Se começamos a matar-nos uns aos outros vamos nos dizimar.- ele explicou nervoso, abraçando-a de volta. – Jamais deixaria que algo acontecesse com você, mas algo precisa ser feito em relação a isso. Regras, precisamos de regras!
- Eu concordo com o Jack.- disse Sawyer. – Não quero que o meu filho nasça em Sodoma.
- Seu filho?- indagou Kate, surpresa. – Então é mesmo verdade?
- Temo que sim.- ele respondeu, com a mão na cabeça.
- Sawyer, vamos até a escotilha. Eu cuido do seu ferimento e pedimos ao Locke que corra até a praia e traga Sayd e Eko para cuidarem do corpo. Hoje, não farei mais nada. Eu e Kate vamos ficar na escotilha. Amanhã, vou encarar as pessoas.
Os três voltaram para a escotilha em meio à escuridão e deixaram o corpo de Bradley da floresta. Jack cuidou do ferimento de Sawyer, que felizmente não tinha sido tão grave e orientou Locke para que fosse até a praia. Sawyer resolveu ir com ele.
Quando os dois deixaram a escotilha, Kate disse a Jack:
- Me desculpe sobre o que eu disse lá na floresta, é que eu estava transtornada.
Jack a abraçou e beijou-lhe o topo da cabeça:
- Eu sei. A partir de amanhã, vamos ter que tomar medidas drásticas para que esse tipo de coisas nunca mais volte a acontecer. Querendo ou não, somos uma comunidade, que só tende a crescer. Por isso leis e cargos são necessários.
Ele observou a luxação no rosto dela e nos braços, franziu as sobrancelha, preocupado:
- Aquele desgraçado, ele te machucou. Eu devia ter chegado lá antes.
- Não Jack, eu é que não devia ter saído atrás de você no meio da noite. Mas é que eu não agüentava de saudade.- ela se aconchegou a ele.
- Você está com fome?
Ela assentiu.
- Por que não toma um banho enquanto eu faço algo pra você comer.
- A idéia me parece tentadora, mas minhas roupas estão todas na praia, e eu gostaria de trocar de roupa e depois queimar as que estou vestindo. È como se o cheiro daquele homem estivesse impregnado em mim.
Jack estremeceu por dentro, não queria nem imaginar o que aquele homem teria sido capaz de fazer com ela.
- Você pode tomar banho e vestir uma das minhas camisas até de manhã, depois posso ir até a praia buscar algumas pra você.
- Mas e se o Locke voltar pra escotilha? Não vai ser estranho ele me encontrar aqui com você usando a sua camiseta.
- Ele não vai voltar, e se isso acontecer ele não dirá nada. Anda, toma um banho. Use a minha toalha que está pendurada no banheiro.
Ela concordou e entrou de imediato no banheiro. Jack correu para a despensa, procurando algo agradável para comerem. Decidiu-se por uma sopa de legumes da Dharma Initiative, achou que a ocasião pedia. Pegou também um vidro de manteiga de amendoim para a sobremesa.
No chuveiro, Kate recordava o que tinha acontecido. Agradecia a Deus por Jack e Sawyer terem chegado a tempo e impedido que Bradley a violentasse. Teria sido horrível, Kate não queria passar por isso de novo. Lembrou-se de Wayne tentando espioná-la no chuveiro quando ainda era adolescente e da investida do agente federal quando a capturou pela primeira vez em Talahasse. Odiava homens como aqueles, que tentavam conseguir a todo custo o que eram incapazes de conquistar, o amor sincero de uma mulher.
Com Jack era diferente, a necessidade de estar com ele era algo além do físico para ela. Acreditava que seu amor por ele era transcedental. Sorriu ao recordar-se de um fato bobo da adolescência que agora fazia todo o sentido. Ela, sua amiga Beth e Tom, seu grande amor na época foram a um parque de diversões, e Beth insistira para que ela fosse em uma vidente saber sobre o seu futuro. Entre as coisas que a vidente dissera, a mais significativa: "Conhecerá seu grande amor em uma praia, médico, seu nome tem quatro letras...". Kate não acreditara em nada daquilo naquele momento, mas agora tinha certeza que era real. E ela iria recompensá-lo por cuidar tão bem dela, por fazê-la feliz, por ser o homem mais maravilhoso que já conhecera em sua vida.
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- Bradley está morto?- indagou Sayid. – Mas como aconteceu?
- Ele tentou abusar da Kate.- disse Locke.
- Jack o matou, John?- perguntou Desmond.
- Não, fui eu.- Sawyer apressou-se em dizer.
Os quatros conversavam reservadamente na barraca de Sayid. Locke não queria atrair a atenção das pessoas, era um assunto muito delicado.
- E por que vocês apenas não o imobilizaram? Precisavam matá-lo? Jack concordou com isso, "brotha"?
- Desmond, acho que você não gosta da Tina o suficiente.
- Por que está dizendo isso, Sawyer?
- Porque eu estava lá, vi o que aquele "son of a bitch" estava tentando fazer com a Kate. Vi o medo estampado nos olhos dela, e tinha que fazer alguma coisa senão o Jack faria, e se o tivesse feito eu não o julgaria. Mas conheço as mentes mesquinhas das pessoas desse lugar, vivem procurando um bode expiatório para culparem por estarmos presos nessa maldita ilha! O matei porque não vai ser novidade pra ninguém que eu tenha feito isso. Defendi a Kate, que é minha amiga, e cuidei da minha morena, e para que todos saibam está esperando um filho meu. Estamos na selva, e temos que proteger nossas famílias!
Os três entreolharam-se. Sayid sorriu para Sawyer:
- Que Alá o abençoe, você vai ter um filho?
- Yeah!- ele limitou-se a responder.
Locke sorriu também e deu dois tapinhas no ombro de Sawyer. Desmond comentou: - Pois eu sinto muito "brotha", já deve ter notado o quanto é difícil sobreviver nessa ilha, ainda mais com uma criança. Não sabemos até quando a Dharma vai nos alimentar.
- Eu não dou a mínima pra isso, a única coisa que me importa é proteger o que é meu.
- Eu concordo com o James, mas isso não vem ao caso agora. Temos o corpo do Bradley lá na floresta e quarenta pessoas para darmos satisfações.- lembrou Locke.
- E o Jack?- perguntou Sayid.
- Kate ficou muito abalada com o que aconteceu, achei melhor que eles pudessem ficar um pouco a sós na escotilha. Amanhã ele virá até a praia conversar com todos.
- Mas o que ele acha que devemos fazer, John?- indagou Desmond.
- Que o corpo deve ser enterrado dentro da floresta, sem alarde.
- Então faremos isso.- concordou Sayid.
Os quatro se levantaram e saíram da barraca. Ao vê-los, Shannon que esteve o tempo todo sentada perto da fogueira, estranhou e correu até Sayid:
- Yd, aconteceu alguma coisa? Por que estavam reunidos na nossa barraca?
- Está tudo bem querida. Assunto de homem.
- Não me venha com essa baboseira. Minha intuição feminina diz que tem algo errado e ela nunca se engana.
Sayid a beijou docemente nos lábios, e a tranqüilizou:
- Estou falando a verdade, está tudo bem, não precisa se preocupar.
Ele se afastou deixando-a apreensiva, mas ela não fez mais perguntas e se recolheu em sua barraca. Sayid saiu caminhando em direção do depósito improvisado onde guardavam as pás e o machado. Eko se aproximou dele.
- Sayid, John me contou o que aconteceu. Vou com vocês para encomendar o corpo de Bradley, ele era um pecador e a única forma dele não passar a eternidade sofrendo vai ser eu rezando pela alma dele.
Sayid assentiu: - Acho que foi por isso que Jack mandou chamá-lo.
Locke e Desmond já tinham se juntado a Eko e Sayid na entrada da floresta. Sawyer bebia água próximo à barraca de Ana-Lucia, queria vê-la antes de ir para a floresta. Como sabia que se ele a chamasse ela não viria, pediu à pequena Emma que fosse chamá-la sob algum pretexto, prometendo a ela dar-lhe um beijo, a menina era fissurada nele.
- Mas o que foi Emma? Aconteceu alguma coisa com o Zack? Onde está a Libby?- Ana sorria enquanto a menina lhe puxava pelo braço. Fechou a cara ao ver Sawyer.
- Obrigado, querida. Você é a minha favorita.- disse Sawyer para Emma.
- E quanto ao meu beijo, Sawyer?- indagou a menina.
- Aprendeu rápido, né?- Sawyer disse beijando a criança na testa. A menina foi embora sorrindo.
Ana-Lucia ficou parada olhando pra ele, sem dizer nada. Ele quebrou o silêncio:
- Ana, eu não vim aqui brigar, só vim aqui te dizer que preciso fazer uma coisa muito importante agora, mas quando eu voltar vamos conversar.
- Não estou interessada em nada do que você tenha pra me dizer.- ela respondeu, ríspida.
Sawyer respirou fundo e se aproximou dela, agarrando-a e beijando-a com vontade. Ela se debateu por alguns segundos, mas se deixou beijar, os braços amolecendo em volta do corpo. As pessoas que estavam em volta da fogueira riam e cochichavam entre si vendo a cena. Mas Sawyer não se importava.
Quando ele a soltou, Ana falou grosseira antes de entrar novamente em sua barraca: - Vai pro inferno!
- Eu vou Baby, mas quando eu voltar de lá vamos conversar.
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O cheiro bom da sopa de legumes estava exalando por toda cozinha, Kate sentiu o estômago roncar. Chamou Jack, da porta do banheiro:
- Jack, e a camisa?
Ele correu até o armário e trouxe uma camisa cinza pra ela vestir. Estava muito limpa, com um cheiro agradável de sabão em pó, porém o estado da roupa era deplorável, assim como a maioria das peças de roupa que possuíam. Cheia de buracos remendados com linha e agulha.
Jack sorriu quando ela saiu do banheiro vestindo sua camisa e enxugando os cabelos com a toalha.
- Feita sob medida!- ela gracejou referindo-se à camisa, que nela mais parecia um vestido curto e largo. – Que cheiro bom, estou morrendo de fome. O que temos aqui?- indagou destampando a panela. – Sopa?
- Yeah, sopa.- ele respondeu tirando a tampa das mãos dela e mexendo a panela com uma colher de pau.
Ela se aconchegou a ele por trás, roçando o rosto no pescoço dele. Jack fechou os olhos e parou de mexer a panela.
- Quando vi aquele homem em cima de você eu pensei que tivesse chegado tarde demais.
- Mas você chegou a tempo Jack, isso é tudo o que importa pra mim.
Ele pegou o braço dela e beijou a marca vermelha que tinha sido feita pela violência de Bradley.
- Minha princesa!- disse, carinhoso. – Me deixa cuidar de você, nunca mais saia de perto de mim.
- Você quer uma promessa?- ela indagou.
Jack balançou a cabeça sorrindo: - Não sei, só sei que ficar longe de você faz com que eu me sinta doente, como se eu fosse capaz de perder o controle de tudo a qualquer momento.
Kate não respondeu, apenas o beijou. Primeiro um leve roçar de lábios, depois uma confusão interminável de bocas que se abrem e se provam mutuamente, num exercício delicioso.
De repente, a sopa começou a borbulhar na panela e esparramou um pouco do líquido cremoso sobre o fogão, parando-os. Ambos riram, sentindo-se bem em poder gargalhar em uma noite tão tensa quanto aquela. Kate pegou dois pratos e entregou a Jack, que depois de apagar o fogo da panela serviu-os com sopa. Sentaram-se na mesinha de refeições e começaram a comer.
O líquido morno era reconfortante para os dois, inserindo-lhes novas energias. Olhavam-se intensamente enquanto comiam, fazendo com que uma necessidade crescente de caírem outra vez um nos braços do outro surgisse.
Kate terminou o prato de sopa e limpou a boca com um lenço, Jack fez o mesmo. Ela começou a tamborilar os dedos sobre o balcão, ansiosa. Queria muito ficar com Jack outra vez, mas não sabia como dizer, não queria parecer insensível, afinal acabara de passar por um trauma terrível e ainda tinha cabeça pra pensar em sexo? O que ele acharia disso?
Jack levantou da mesa e recolheu os pratos, começando a lavá-los.
- Deixa que eu faço isso!- pediu Kate.
- Não, é terapêutico pra mim.- ele respondeu.
Ele também queria estar com ela outra vez, mas estava se contendo porque ela acabara de passar por uma situação difícil, com certeza não estaria pensando no mesmo que ele. Que insensiblidade de sua parte ficar pensando em sexo numa hora como aquela!
- Jack!- Kate sussurrou.
- Sim?- ele indagou com naturalidade.
Ela não disse nada, e diante do silêncio dela, Jack deixou os pratos lavados sobre a pia e voltou seus olhos castanho-esverdeados para os dela. Kate tinha uma expressão de quem queria dizer algo, mas não sabia como começar.
- Quer me dizer alguma coisa?
Já que lhe faltaram as palavras, ela jogou-se nos braços dele e pôs-se a beijá-lo sem parar. Jack adorou a iniciativa dela e a suspendeu do chão, enquanto ela enrolava suas pernas ao redor do corpo dele. Estava perdido mesmo, totalmente "encoleirado", domado por aquela mulher.
Sentou-a no balcão da pia e começou a passear com as mãos por baixo da camiseta dela.
- Não precisa ser tão gentil dessa vez, passei o dia inteiro esperando por isso.- ela disse no ouvido dele, deixando-o atônito.
Jack não se fez de rogado, e ajudou-a a despir rapidamente a única barreira que os impedia de seguir adiante, atirando-a longe. Kate agora usava somente a camiseta, nada mais. Ele abriu o zíper da calça e se aconchegou a ela, possuindo-a. Ela mordeu os lábios ao senti-lo mais uma vez, nunca se cansaria daquela sensação tão boa. Abraçou-o e murmurou várias vezes:
- Te amo, te amo, te amo...
Para os moralistas, aquilo poderia parecer uma coisa extremamente esdrúxula e sórdida. Mas para os dois amantes que se entregavam naquele momento, era apenas uma conseqüência de todo amor, de toda a paixão que nutriam um pelo outro, fator essencial que os ajudava a sobreviver naquele lugar misterioso e infame.
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O som do vento assoviava nos ouvidos tornando aquele momento ainda mais terrível e assombroso. Sawyer, Sayid, Locke, Desmond e Eko decidiram por enterrar o cadáver de Bradley num lugar bem remoto da floresta, onde fosse difícil de ser encontrado.
Eko encomendara o corpo, mas para Sawyer isso não era suficiente para que aquele homem sórdido alcançasse a redenção. Ainda o odiava por ter tentado se aproveitar de Ana-Lucia e por ter atacado Kate daquele jeito, não sentia o mínimo de remorso por tê-lo matado. Sayd entendia como ele se sentia, não que matar fosse justificável, mas era mesmo difícil conseguir sentir remorso por matar um homem como aquele, que representava um perigo constante para as mulheres da comunidade. Um homem que já havia esquecido da sua qualidade de ser humano, se transformando em fera bestial que só obedece aos seus instintos primitivos.
Locke desejava que aquilo acabasse logo enquanto cavavam a cova do infeliz. Coberto de poeira, ele só queria um caldo quente e uma boa cama pra dormir. Mesmo assim, não voltaria para a escotilha aquela noite, Jack precisava de um minuto a sós com sua amada, ele sabia disso, e não seria ele o estraga prazeres, a noite por si só já tinha sido bem difícil.
Quando acabaram de cavar, Desmond e Sayd depositaram o corpo dentro da cova e os outros começaram a jogar terra por cima para fechá-la. Ao final de tudo, sentiam-se aliviados por poder voltar para o acampamento. Sayd e Desmond queriam ir para suas barracas, comer alguma coisa e dormir no aconchego com suas mulheres. Sawyer também queria isso, no entanto sabia que Ana-Lucia provavelmente o escorraçaria da barraca, mas ele tentaria de qualquer jeito.
Começaram a fazer o caminho de volta para o acampamento quando um barulho de alguém se aproximando chamou-lhes a atenção.
- Que droga, não estou a fim de usar a minha arma e enterrar mais um bandido miserável essa noite.- cochichou Sawyer.
Sayid que também estava armado colocou-se alerta. Os passos aumentaram de intensidade, e um homem apareceu do meio das árvores, muito ferido. Desmaiou aos pés de Locke antes de dizer qualquer palavra.
- Mas quem raios é esse sujeito?- questionou Sawyer iluminando o rosto do homem com uma tocha.
- Só pode ser um dos "Outros"!- disse Sayid. – Vamos matá-lo!
- Não!- pediu Locke. – Acho que devíamos levá-lo até a escotilha e colocá-lo na sala de armas.
- E correr o risco de acontecer o mesmo que aconteceu quando Henry Gale fugiu, "brotha"?- falou Desmond.
- Sim, devemos correr o risco.- disse Eko. – Mas tomando as precauções necessárias para não cometermos os mesmos erros.
- Então o levamos pra escotilha?- insistiu Locke.
- Está bem.- concordou Sayid.
Eko pôs o homem em suas costas sem nenhuma dificuldade caminhando em direção à escotilha, os demais o seguiram.
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"4, 8, 15, 16, 23, 42". Jack digitava os números no computador, o contador zerou voltando a marcar 108 minutos. Ele bocejou, estava muito cansado. Esses dois últimos dias haviam sido muito desgastantes e por mais que ele tivesse dormido um pouco aquela tarde, não tinha sido suficiente para repor as energias. Era problema atrás de problema.
Andou até o quarto e sorriu ao ver Kate dormindo espaçosa na cama, parecia tranqüila. Resolveu ir deitar no sofá, não queria correr o risco de acordá-la se deitando ao lado dela. Tirou os sapatos e deitou-se, fechando os olhos, cruzando os braços sobre o peito. O sono veio rápido transportando-o para o mundo dos sonhos. Tudo estava calmo, ele estava calmo, não precisaria se preocupar com nada pelo menos até de manhã.
Levou um susto enorme ao sentir uma mão em seu ombro. Sentou-se agoniado no sofá, em estado de alerta.
- Hey doc!- falou Sawyer. – desculpe acordá-lo desse jeito, mas a coisa é séria.
Jack suspirou cansado: - O que foi dessa vez?
Foi quando viu Eko depositar no chão um homem muito jovem, por volta dos trinta anos, machucado.
- Quem é esse homem?
- Não sabemos Jack.- falou Locke. – Ele surgiu do meio da floresta quando estávamos enterrando o corpo de Bradley.
- Esse homem é um dos "Outros", insisto que estamos nos arriscando.- disse Sayid.
- Eu sei que essa é a possibilidade mais provável, e por isso mesmo devemos cuidar dele, para obtermos informações.- disse Jack.
- Jack, "brotha", esse homem deve ter sido mandado para nos espionar como Henry Gale.
- Talvez sim, talvez não. O melhor agora é você deixá-lo em condições de falar, Jack.-pediu Eko.
Jack correu até o armário de remédios e trouxe algumas coisas para começar a cuidar do ferido. Enquanto limpava o rosto dele, cheio de luxações percebeu que não se tratava de um norte-americano, era um homem estrangeiro, mas Jack não sabia a qual nacionalidade ele pertencia. Era alto e esbelto, os cabelos negros e muito lisos caíam-lhe sobre o rosto de feições finas, nariz arrebitado e olhos pequenos.
- Acho que devemos amarrá-lo.- falou Sayid.
O médico balançou a cabeça em negativo: - Não, esse homem está muito fraco e desidratado. Não oferece perigo nenhum por enquanto. Vamos só ficar de olho nele.
- Jack, eu acho que isso seria arriscar nossas vidas desnecessariamente. E se ele estiver fingindo?- indagou Sawyer.
- Não está Sawyer, garanto isso a você.- respondeu Jack. – Ele está mesmo muito mal, parece ter sido submetido a algum tipo de tortura.
Sayid balançou a cabeça, mas foi obrigado a concordar com Jack, o homem parecia ter sido torturado de modo cruel por muitos dias, pouco a pouco.
- Certo Jack.- disse Locke. – Já que resolveu tomar as dores dele vamos pelo menos colocá-lo na sala das armas.
- Está bem John, assim que eu terminar. Do jeito que ele está, provavelmente só vai acordar em um dia ou dois.
- Daí descobriremos quem ele é!- falou Eko. - Por bem...
- Ou por mal.- completou Sayid.
- E a Kate?- indagou Sawyer voltando seus olhos para ela que dormia no beliche, o lençol cuidadosamente cobrindo-a, ocultando-lhe a nudez.
Quando ouviu a pergunta de Sawyer Jack ficou um pouco embaraçado ao lembrar que ela dormia completamente nua. Sua camisa jogada no chão do quarto e a calcinha ele não sabia nem aonde tinha ido parar.
- Ela está bem, está mais calma.- respondeu sem interromper o que estava fazendo.
Sawyer sorriu ao avistar a peça de roupa perdida dela no chão, perto da pia.
- Oh yeah doc, tenho certeza que ela deve estar ótima.
O deboche de Sawyer não fugiu aos ouvidos de Jack e ele encarou o texano antes de acompanhar o olhar dele até o chão, avistando a roupa. Seus olhos alargaram-se e ele parou de cuidar do ferido, indo buscar a peça no chão e enfiando no bolso de trás da sua calça.
Sawyer estava se segurando para não rir. Desmond estava na sala, sentado na cadeira de frente para o computador, enquanto Locke e Sayid preparavam a sala de armas para abrigar o desconhecido. Eko caminhava pela sala segurando seu cajado, pensativo.
Logo Jack terminou de cuidar do homem, fazendo com que ele tomasse, graças a ajuda de Sawyer uns dois comprimidos anti-inflamatórios. Os dois carregaram o homem até a sala de armas e o depositaram na cama que antes havia sido usada por Henry Gale.
Deixaram-no lá e ativaram o código da porta, fechando-a. Eko, Sayid, Sawyer e Desmond resolveram então voltar para a praia, Locke permaneceria na escotilha. Antes que os quatro deixassem o local, combinaram que por enquanto não diriam nada a ninguém sobre o desconhecido. Apenas Sawyer disse que se tivesse oportunidade contaria a Ana-Lucia. Os outros não fizeram objeção.
- Jack, você está muito cansado.- falou Locke quando os outros quatro saíram. – Pode ir dormir, eu cuido do botão. Só vou tomar um banho rápido e comer alguma coisa.
- Ainda tem sopa na panela, fiz agora há pouco.
Locke assentiu e entrou no banheiro. Jack caminhou até o quarto e juntou a camisa que Kate estava usando do chão. Tocou seus cabelos, ela estremeceu assustada, teve um espasmo momentâneo de medo, conseqüência da violência que tinha sofrido algumas horas antes.
- Amor, amor.- ele disse tranqüilizando-a. – Sou eu, seu Jack.
- Jack.- ela disse acalmando-se. – O que foi?- ela sorriu marota. – Quer recomeçar tudo de novo?
Jack sorriu também: - Eu gostaria muito, mas John está aqui.
- John?- ela indagou baixinho, morrendo de vergonha por estar sem roupa nenhuma, puxando o lençol para se cobrir ainda mais.
- Calma, ele está no banho. Toma.- ele disse entregando a ela a camisa e tirando a calcinha dela do bolso.
- O que a minha calcinha faz no seu bolso?- ela perguntou, vermelha.
- Longa história. Anda se veste.
Ela começou a se vestir depressa. Jack colocou a mão no queixo, apoiando o braço na coxa. Agora tinha mais uma preocupação, quem seria aquele homem que encontraram na floresta?
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O grupo retornou exausto ao acampamento. Durante o caminho de volta pouco se falaram, mas suas mentes estavam concentradas em tentar descobrir quem era aquele homem misterioso. Todos, exceto Sawyer. Seus pensamentos estavam voltados para Ana-Lucia e o bebê que ela iria ter, seu filho. Era grande demais para ele absorver, por isso fugira quando ela lhe contara, não porque não a quisesse, mas porque sentiu medo. Em toda a sua vida nunca fizera nada de bom, somente aplicando golpes, enganando as mulheres e roubando o dinheiro de seus maridos, como o homem que destruiu sua família, Sawyer.
- Vou passar na igreja antes de ir para minha tenda, gostaria de rezar um pouco. Amanhã teremos um dia cheio. Boa noite para vocês.- falou Eko.
- Eu também já vou indo para minha barraca, não gosto de deixar Shannon muito tempo sozinha.- disse Sayid.
Desmond fez um gesto com sua mão despedindo-se, iria para a barraca de Tina. Sawyer ficou sozinho no meio da praia, as tochas estavam acesas nos pontos estratégicos, mas a grande fogueira já tinha sido apagada restando somente as cinzas. Ele pensou consigo "È agora, tenho que falar com ela". Preparou o espírito e saiu andando até a barraca dela, sabia que não seria uma conversa fácil.
Chegou na barraca e entreabriu a lona chamando-a: - Ana? Você está aí? . Mas ela não respondeu, ele entrou na barraca e constatou que ela não estava mesmo lá. Porém, antes que pudesse ficar preocupado a avistou não muito longe perto das árvores na entrada da floresta. Correu até lá. Ana-Lucia estava pálida e vomitava. Seus olhos alargaram-se ao vê-la daquele jeito e ele segurou-a, passando a mão em sua costa, confortando-a.
- Ana, você está bem?- indagou com seriedade.
- Estou ótima.- ela respondeu ríspida.
- Não, não está. Sua pele está gelada, e seu rosto pálido. Isso é normal? Digo, não entendo nada de gravidez, mas...
Ela sentiu o estômago revirar outra vez, vomitou mais um pouco. Nada parava em seu estômago. Sentia-se péssima em estar vomitando diante de Sawyer, não queria que ele a visse como uma vítima, não precisa que ninguém tivesse pena dela.
- Vá embora, não preciso da sua piedade!
- Eu não vou. Me deixe ajudá-la!
- Não, eu não quero.- ela gritou, limpando a boca com um pano. Começou a ficar zonza, já era assim há dias, primeiro o enjôo, depois o vômito, seguido da tontura. Não agüentava mais, aquilo era muito difícil. Talvez se tivesse como ir a um hospital, esses sintomas pudessem ser contidos, mas não ali naquela ilha. – Eu já disse pra você ir, Sawyer!- uma lágrima escapou dos olhos dela.
Depois da discussão com Sawyer passou a noite inteira segurando o choro, já era de madrugada e não dormira, e o que comera acabara de vomitar. Estava péssima. A garganta embargando, os lábios tremendo, queria muito chorar.
- Vá embora, por favor, caipira dos infernos! Me deixe em paz!- disse num soluço.
Sawyer tocou o cabelo dela carinhosamente, sussurrou:
- Não precisa fingir pra mim, esses três meses que estivemos juntos eu conheci uma mulher que ninguém nessa droga de acampamento sabe quem é. Mas EU sei quem você é, uma mulher corajosa, amorosa, inteligente e doce...
Ela apertou os olhos, as lágrimas caindo sem controle sobre a tez.
- Eu não quero saber de nada disso, Sawyer. Você vai me machucar, eu sei que vai. E eu não sei se vou agüentar quando você se cansar de mim e me deixar, e me odeio por isso, por querer tanto você. Era pra ser um lance de uma noite só, não era pra ter acontecido assim.
- Lu você está enganada. Você me salvou da droga de vida que eu levava. Nada fazia sentido pra mim antes, eu me sentia vazio. Mas você surgiu na minha vida como um furacão, dizendo tudo o que queria na minha cara pra eu aprender a ser gente. Me agarrou no meio da floresta e fez amor comigo despudoradamente, se entregou pra mim sem nenhuma barreira.
Ela enxugou uma lágrima, e esboçou um sorriso:
- Mas eu só queria roubar a sua arma...
- Eu sei baby, mas no final das contas compensou não foi?- ele perguntou com seu típico sorriso safado.
Ana-Lucia voltou seus olhos para ele, e pela primeira vez em todo aquele tempo que estavam na ilha, viu que Sawyer estava chorando. Não era um choro convulsivo, eram lágrimas discretas e sinceras daqueles olhos tão azuis quanto a cor do céu. E ela se viu parada, atraída como um imã para aqueles olhos, ainda estava tonta, mas olhar para ele a mantinha de pé.
- Então você me quer de volta, hã?
- O que você acha meu dengo? Yo se que no he sido un santo, pero yo puedo arreglar, amor. Mi corazón es tuyo, chica.(Eu sei que não tenho sido um santo, mas posso mudar isso, amor.O meu coração é teu, garota).
Ela passou os dedos pelo rosto dele, sorrindo, o espanhol de Sawyer estava cada vez melhor.
- Ay amor, me duele tanto quedarme lejos de ti, pero(Ai amor, dói tanto ficar longe de você, mas)...se me quer de volta, caipira, vai ter que me reconquistar. – ela disse antes de sair caminhando em direção à sua barraca.
Ele ia dizer alguma coisa quando ela se voltou para ele e acrescentou:
- Ah, e não se atreva a vir atrás de mim, não vai dormir "de costela" essa noite, docinho.
- Mas que droga!- xingou Sawyer, já pensando em seu íntimo que não seria nada fácil tê-la de volta, Ana-Lucia era "osso duro de roer".
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- Não, por favor, me deixem viver! Não façam isso! Quem são vocês?
Jack acordou com os gritos do desconhecido dentro da sala de armas. Já era dia e Locke tinha saído para caminhar um pouco. Kate dormia no beliche, mas também foi acordada pelos gritos do homem, sentando-se confusa na cama.
- Não! Não! Não!- ele continuava gritando desesperado, em uma língua que Jack e Kate não conseguiam entender.
Ela levantou da cama e ficou encarando Jack, seus olhos perguntavam silenciosamente o que estava acontecendo.
- Fique aqui!- ele disse se levantando, disposto a ir até a sala de armas ver o que estava acontecendo.
- Jack, o que está acontecendo? Quem está gritando?
- Fique aqui!- ele ordenou outra vez, mas Kate não obedeceu e o seguiu até a sala de armas.
Jack posicionou sua pistola estrategicamente no bolso de trás da calça e digitou o código abrindo a porta. Dentro da sala, o homem se debatia na cama, suando muito. Jack se aproximou dele e tocou-lhe a testa, ardia em febre.
Kate levou as mãos à boca ao ver o homem, estava muito ferido, sentiu pena.
- Quem é esse homem Jack?
- Eu não sei.- ele respondeu tentando segurá-lo, mas o homem era muito forte e continuava se debatendo, murmurando palavras que Jack não entendia.
- O que ele tem?- Kate continuou perguntando.
- Eu não sei Kate.- Jack respondeu agoniado, tentando segurar o homem. – Já que resolveu vir até aqui poderia me ajudar?- pediu finalmente.
Kate se aproximou e começou a ajudar Jack a segurar o homem.
- Ele está com febre, vou ter que baixá-la.
- Água...quero água...água!- dizia o homem.
Jack e Kate entreolharam-se, o que aquele homem estava querendo dizer.
Ela tocou os cabelos lisos dele com a intenção de acalmá-lo, sussurrando: - Calma você vai ficar bem!
O homem abriu os olhos miúdos e encarou Kate, um traço de lucidez momentânea se fez presente e ele disse numa voz abafada:
- Água moça, eu só quero um pouco de água...water, please!
Jack assentiu, entendendo o que ele quis dizer e pediu a Kate: - Vá buscar um pouco de água pra ele.
Kate balançou a cabeça: - Não Jack, é melhor você ir buscar, assim pode trazer os remédios pra baixar a febre dele.
Ele ficou pensando por alguns segundos, não queria deixá-la sozinha com aquele homem, embora ele não parecesse perigoso isso não queria dizer nada.
O estranho segurou a mão dela e pediu mais uma vez: - Water, moça, please!
- Vai Jack, eu vou ficar bem.- ela disse, seu coração se enchendo de piedade daquele homem.
- Eu vou, mas volto em um segundo.- Jack disse, tirando a pistola do seu bolso e colocando no bolso de trás da calça dela.
Quando ele saiu, Kate tentou conversar com o desconhecido:
- Como é o seu nome? De onde você veio? Consegue entender o que eu digo?
- Sim.- ele respondeu fracamente. – Meu nome é...Pedro.
O homem não conseguiu dizer mais nada, a sede que sentia o estava sufocando. Jack voltou bem rápido com os remédios para febre e a água. Segurou-o enquanto Kate tentava fazer com que tomasse os remédios. Ele tossiu bastante, mas conseguiu engoli-los. A febre e o cansaço logo fizeram com que ele voltasse a dormir. Jack e Kate saíram da sala de armas. Ele indagou a ela:
- Ele disse alguma coisa enquanto eu saí?
- Sim.- respondeu Kate.- Disse que me entendia e que seu nome era Pedro, nada mais. Como esse homem veio parar aqui?
- Sawyer, Locke e os outros o encontraram na floresta ontem quando foram enterrar o corpo de Bradley.
- Acha que ele é como Henry Gale? Alguém plantado no nosso acampamento para nos espionar?
- Não sei Kate, mas te digo uma coisa, sei que como seres humanos somos levados a nos apiedar de situações como essa, mas não devemos confiar nele sem ter absoluta certeza de que não é uma ameaça para nós.
Kate assentiu e abraçou Jack, aconchegando a cabeça em seu peito.
- Mais um dia nessa ilha...que mais falta acontecer?- ele comentou abraçando-a também.
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- Bom dia "Sunshine"!- saudou Sawyer sorrindo para Sun, que estava caminhando com seu bebê pela beira da praia. Ele havia acabado de dar um mergulho no mar.
- Bom dia Sawyer.- ela saudou de volta.
- Então esse é o pequeno Jin Jr.?- ele disse olhando curiosamente o bebê nos braços dela.
- Na verdade ele se chama Jung Shon Kwon.
- Que nome tão grande para alguém tão pequeno.- ele sorriu acariciando o cabelo do bebê.
- Hey, vocês!- saudou Libby caminhando na direção dos dois de mãos dadas com as crianças.
- Sra. Hurley!- brincou Sawyer fazendo uma reverência.
Libby notou que Sawyer parecia muito interessado no pequeno Jung, e comentou:
- Por que esse interesse súbito pelo bebê, Sawyer? Pelo que eu sei você detesta ouvir choro de criança.
- Libby, ando precisando rever meus conceitos ultimamente. Aliás, Sun posso falar com você em particular?
- Ele é tão fofinho!- dizia Emma tocando o pezinho do bebê.
- Será que eu posso pegá-lo Sun?- Libby pediu. Sun entregou o bebê a ela com cuidado e saiu caminhando mais a frente, com Sawyer.
- Pode falar, Sawyer. Do que se trata?
- Você costumava enjoar muito na sua gravidez? Estou te perguntando isso porque você é a grávida mais recente aqui da Disneylândia.
- Sim, bastante.
- E existe algum remédio pra isso? Algo pra deixar a mulher mais confortável?
Sun estranhou as perguntas dele:
- Por que está me perguntando isso, quem está grávida?
Ele hesitou um pouco, mas respondeu por fim:
- Ana está. E ela tem enjoado bastante...
- Ana-Lucia está grávida? Você vai ser pai?
- Por que todo mundo faz essa cara quando eu conto isso? Sim, é verdade, no próximo dia dos pais já tenho direito de ganhar presente.
Sun abraçou Sawyer, parabenizando-o. Ele ficou um pouco embaraçado com o gesto de carinho dela, mas tentou parecer natural.
- E então? Existe algo que ela possa tomar pra melhorar? O que você fazia?
- Sim, existem algumas ervas que aliviam os enjôos. Vou preparar pra ela, mas ela tem que beber esse chá todos os dias antes de se deitar, e evitar ficar nervosa, o que intensifica os enjôos e provoca o vômito.
Sawyer sorriu, agradecendo-a. Quando ele se afastou, Sun murmurou consigo mesma: - Sawyer papai? Quem diria!
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Quando Locke retornou à escotilha, Jack e Kate já estavam se aprontando para voltar para a praia. Pedro, o homem desconhecido, não tinha acordado mais. Jack pensara em tentar fazê-lo comer, mas achou melhor fazer isso depois que retornasse da praia, precisava ir até lá esclarecer as pessoas sobre o sumiço de Bradley. Também queria falar com Ana-Lucia, saber se estava tudo bem. Havia ficado preocupado com as revelações dela sobre a natureza de sua gravidez.
- Bom dia.- disse Locke ao vê-los.
- Bom dia John.- respondeu Jack.
- Como você está, Kate?- Locke perguntou por causa do incidente ocorrido na noite passada.
- Eu estou bem, John.- ela limitou-se a dizer.
- Jack, e aquele assunto?
- Tudo bem John, ela já sabe.- avisou Jack.
- O quê? Pretendiam não me contar? Ainda estou fora do clube?- Kate indagou.
- Nada disso Kate, apenas achamos que quanto menos pessoas souberem da existência desse homem, melhor. Isso até sabermos quem ele é.
- Bom, pelo menos sabemos que ele entende a nossa língua.- ela falou.
- Sabemos?- Locke indagou sem entender.
- Sim, hoje mais cedo ele acordou por alguns instantes e pediu água, em inglês. Disse também que se chamava Pedro. Por enquanto é só o que sabemos.
- Acha que ele vai ter condições de falar logo? Sayd acredita que...
- John, não irei deixar o Sayd torturá-lo, não é assim resolvemos as coisas por aqui, estou cansado de dizer que não somos selvagens.
- Tudo bem Jack, mas você há de convir que a morte do Bradley mostra outra coisa. Se não somos selvagens por que ele foi morto por um de nós? O que dirá às pessoas?
- O Jack só estava tentando me proteger, e se o Sawyer não tivesse matado o Bradley ele continuaria sendo uma ameaça.- disse Kate, alterando a voz. Jack pôs a mão em seu ombro para que ela se acalmasse.
- Não estou julgando a decisão que tomaram para proteger o grupo, estou apenas lembrando a você Jack do que você mesmo tem dito ultimamente sobre criar regras. Se as regras serão estabelecidas, significa que todos nós devemos cumpri-las para o bom funcionamento da comunidade, se ficarmos quebrando-as porque nos sentimos os governantes dessa ilha tudo se transformará em um grande caos.
Jack sabia que Locke tinha razão, mas não tinha como voltar atrás, Bradley já estava morto, e mesmo assim sabia que se o tivessem deixado vivo, na primeira oportunidade ele o mataria, quando se tratava de Kate, Jack era capaz de burlar até seus princípios mais enraizados.
- De qualquer forma John, o que está feito está feito. Eu irei agora até a praia conversar com as pessoas, você fica aqui e toma conta do desconhecido. Vou pedir ao Sayd que venha para cá com você. Mas te faço um pedido, não façam nada contra ele, apenas mantenham-no na sala de armas. Quando eu voltar vou tentar fazê-lo comer alguma coisa; se queremos respostas precisamos deixá-lo em condições de respondê-las.
Ele saiu da escotilha acompanhando por Kate, os dois caminhavam de mãos dadas pela floresta. Num determinado trecho do caminho, Jack disse à ela:
- Kate, te pedi isso uma vez e você praticamente não aceitou, mas te peço de novo. Vem ficar comigo na escotilha, fico preocupado deixando você na praia.
Ela balançou a cabeça negativamente:
- Não Jack, você sabe como me sinto presa na escotilha. Quando você não puder ir até a praia eu vou vê-lo.
- Mas Kate, e se acontecer alguma coisa no caminho? Bradley está morto, mas algum outro pode surtar, todos estão sujeitos a isso. São homens confinados em uma ilha sem sexo por quase um ano. Você não deve andar sozinha por aí atraindo a atenção deles.
- Jack, eu sei me cuidar.- ela disse.
- Não sabe não Kate, ontem você quase foi estuprada.
- Porque o Bradley tinha uma arma, só por isso. Eu poderia tê-lo derrubado ao chão. Não seria a primeira vez que eu teria de bater em um homem que estava tentando me violentar.
Kate disse essas últimas palavras com o semblante triste, aquela recordação parecia ser muito dolorosa para ela. Jack a abraçou, dizendo carinhoso: - Vem aqui, meu amor, vem.
Ela aceitou o abraço dele, mas estava decidida a permanecer na praia. Enquanto a abraçava, Jack só pensava em duas coisas: no que diria às pessoas e em como convenceria Kate a ficar na escotilha com ele. Duas coisas muito difíceis, mas ele sabia que daria conta, já passara por situações piores, aquela era mais uma provação.
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Eko cortava lenha na floresta para substituir algumas tábuas da igreja que a chuva havia estragado quando Ana-Lucia o procurou. Ficou contente em vê-la, apesar de estarem na mesma ilha há tempos que não sentavam para conversar. Eram grandes amigos.
- Hey Ana.- ele disse abraçando-a bem forte junto ao peito.
- Hey Eko!- ela respondeu no mesmo tom aceitando o abraço carinhoso dele.
- O que está fazendo?
- Eu estou cortando lenha para substituir algumas tábuas.- ele apontou para a igreja.
- Sim, sua preciosa igreja.- ela disse sarcástica.
- Deveria aparecer lá de vez em quando, quem sabe assim clarearia suas idéias.
- E por que eu precisaria disso?
- Conheço você, sei que está com problemas, e por isso veio falar comigo.- ele se dirigiu até um tronco de árvore deitado como se fosse um banco, e sentou tomando água do cantil que tinha pendurado ao pescoço. Ana-Lucia fez o mesmo.
- Pode começar a falar...
- Eko, isso não é uma confissão, é uma conversa entre amigos.
- Sim, é claro.- ele concordou. – Vamos, vá direto ao ponto, o que está acontecendo?
- Eu estou grávida.
O rosto do padre iluminou-se e ele lhe deu um belo sorriso.
- Mas que boa notícia, Ana. Devo imaginar que Sawyer é o pai.
- Sim, péssima escolha que eu fiz não é?
- Isso depende do que espera dele. O que você quer?
Ela suspirou: - Na verdade estou confusa, não sei ao certo. Ele é um homem inconstante, num momento está me fazendo juras de amor, em outro está me desdenhando. Isso me deixa tão zangada, ás vezes quero bater nele...
- E noutras quer beijá-lo.- ele complementou.
Ana-Lucia ergueu uma sobrancelha: - O problema é que quero beijá-lo mais do que quero bater nele.
Eko deu uma gostosa risada: - Então você o ama, tenho certeza que esse filho que você espera foi feito num momento de intensa paixão.
- Momentos.- ela consertou, sorrindo. – Não sei nem ao certo quando foi...
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(Flashback)
Meses atrás
Ela achava muito bom caminhar na floresta de manhã cedo, sentir o cheiro de mato que exalava da vegetação. A brisa matutina era reconfortante, com ares de renovação.
Já estava caminhando há cerca de uma e hora e meia, sabia que não estava muito longe do acampamento, mas aquele pedaço da floresta era pouco conhecido pelos sobreviventes.
Estivera lá uma vez, um mês atrás, quando Kate a srta. não-preciso-de-ninguém-mas-Jack-me-salve-por-favor desapareceu mais uma vez, e ela junto com Jack e Sawyer saíram para procurá-la. No meio do caminho, se perderam por causa da tempestade e da perseguição implacável daquele ser terrivelmente assustador que nunca conseguiam ver de perto, entretanto sabiam que quando o ouviam tinham que sair correndo.
Passaram a noite em duplas separadas, mas pela manhã encontraram Jack e Kate naquele local, tudo bem que estavam sendo atacados por um enorme urso polar, coisa, aliás, inverossímel de acontecer, mas isso não vinha ao caso, naquele dia ela observou que lá existia uma espécie de gruta. Jack disse que usaram-na para se proteger da chuva, e Kate afirmara que a caverna não tinha nada de especial. Porém, Ana-Lucia ficara com a pulga atrás da orelha, queria ver o que tinha naquela caverna, algo lhe chamava pra lá, não sabia o que. Por isso, aquela manhã quando despertou e resolveu caminhar, decidiu voltar àquele local e explorar a gruta.
O que ela não sabia é que Sawyer a havia visto saindo cedo do acampamento e a seguira não muito de longe, tinha aprendido algumas coisas com Kate sobre seguir pessoas silenciosamente, o suficiente para que Ana-Lucia não percebesse que ele estava ali, queria dar um bom susto nela. Fazia duas semanas que eles tinham ficado juntos a última vez e depois disso ela simplesmente se afastara. Ela era assim estranha, num dia agarrava-o, noutro o escurraçava. Sawyer já estava cansado disso, queria dizer umas verdades pra ela, fazê-la implorar pela próxima vez deles.
Uma águia passou tirando fino da cabeça de Sawyer, ele assustou-se e gritou, desbocado como sempre:
- "Son of a bitch"!
Ana-Lucia que até então estava preocupada em procurar a gruta escutou a voz dele e deu um meio sorriso, voltando-se para trás:
- O que você está fazendo aqui, caipira?
- Estou dando uma volta, o que parece?- ele disse, sarcástico.
- Aham! Meio estranho vir dar uma volta pra esse lado da floresta.
- Eu concordo, por isso mesmo é que te pergunto, por que veio pra cá?
- O que você quer Sawyer? Desde quando se preocupa com o que eu faço?
Ele não soube o que responder, por um momento seu grande estoque de boas respostas lhe deixou na mão.
- Está bem, se não vai falar nada acho melhor continuar a sua "caminhada", que eu continuo a minha.
Ela voltou seu olhar novamente para frente, foi quando avistou a entrada estreita da gruta. Saiu correndo para lá.
- Ei, aonde você vai Rambina?
Sawyer saiu correndo atrás dela que parou diante da entrada da caverna.
- Agora me lembro desse lugar, não foi aqui que encontramos o...
- O Jack e a Kate.- ela completou.
- E por que você quis voltar até aqui?
- Não sei, eu queria ver esta caverna, algo aqui me chamou a atenção naquele dia. Vamos entrar?- ela convidou.
- Não sei não Lu, e se tiver um outro urso polar aí dentro?
- Está com medo?- ela indagou, o olhar malicioso.
- Não é medo, apenas não estou a fim de um corpo a corpo com um urso a essa hora da manhã.
- Ah é mesmo? Então fica aí, eu vou entrar.- ela disse já se esgueirando pela entrada da caverna.
Quando ela desapareceu lá dentro, Sawyer ficou procurando-a com os olhos pela fresta, mas não a viu. A luz azulada que a caverna emitia não era visível do lado de fora durante o dia.
- Ana!- ele gritou, mas ela não respondeu. – Droga, eu só posso ter jogado pedra na cruz, onde eu fui arrumar essa mulher! Ana!- ainda sem resposta. Resolveu entrar, encontrando certa dificuldade por causa do corpo alto e másculo.
Assim que entrou, encontrou Ana-Lucia molhando os pés despreocupadamente no pequeno lago ao centro da caverna. Seus olhos ficaram maravilhados com a luz azul refletida do lago batendo no teto da caverna iluminando as estalactites.
- Que raio de lugar é esse afinal?- perguntou olhando o lugar de cima a baixo.
- È incrível!- comentou Ana-Lucia. – Aposto que Jack e Kate não nos contaram sobre o que havia na caverna só pra ficarem com o lugar todinho pra eles.
- Ah, mas isso foi maldade.- disse Sawyer. – Eles não deveriam ser egoístas escondendo um lugar como esses, podíamos revezar!
- Essa água está tão boa.- Ana-Lucia disse levantando o cabelo e jogando um pouco de água em sua nuca de modo sedutor. – Estou com tanto calor por causa da caminhada.
Sawyer fingiu não perceber que ela estava tentando seduzi-lo. Ana-Lucia acreditou na aparente indiferença dele, virou de costas e pensou consigo: "- Sabia que mais cedo ou mais tarde ele iria se cansar de mim..."
Foi quando sentiu ele se aproximando, sorrateiro, já havia sido provocado o suficiente. Ela largou o cantil e a faca que carregava na cintura no chão, como que estivesse se rendendo. As batidas de seu coração aumentaram diante da perspectiva de aproximação dele. Fechou os olhos e gemeu baixinho quando ele a agarrou e apalpou seus seios por cima da camiseta preta, beijando-lhe o pescoço, mordiscando sua orelha.
- Pensou que ia poder me provocar e me deixar com cara de idiota de novo, Lucy?
Ana-Lucia afastou as mãos dele dos seus seios e se virou envolvendo os braços ao redor do pescoço dele, beijando-o ferozmente como uma vampira, mordendo-lhe os lábios. Sawyer a encostou com violência na parede estranhamente lisa e fria da caverna, o que provocou-lhe deliciosos arrepios. Ele suspendeu a blusa dela tirando-a, os seios agora estavam à mostra. Sawyer beijou-os e em seguida voltou a beijar-lhe os lábios enquanto apertava os seios dela com vontade. Ana-Lucia gemia de prazer, seu corpo estava elétrico por causa dos toques dele.
- Si cariño. Tomame!- ela sussurrava palavras em espanhol, enlouquecendo-o ainda mais enquanto ele descia pela barriga dela lambendo-a, ainda apertando seus seios.
Quando ele beijou sua boca novamente, como se pudesse sugar-lhe todo o ar dos pulmões, Ana-Lucia pulou em cima dele enganchando suas pernas ao redor de sua cintura. Ele a soltou momentaneamente, apenas para se desfazer de suas roupas, arrancou rapidamente a camisa, a calça ,o cinto, os sapatos. Ela fez o mesmo, ficando somente de calcinha, queria que ele a despisse de sua última peça de roupa.
- Santo Dios, é hoje que eu me acabo!- ele disse grosseiramente, Ana-Lucia deu uma risada safada, adorava o jeito de homem cafajeste de Sawyer.
Ele se abaixou e beijou o umbigo dela enquanto retirava sua calcinha.
- Vem aqui, coisa fofa!- falou levantando-a do chão novamente, apertando suas coxas em volta de sua cintura. Beijaram-se.
Sawyer a levou até a beira do lago raso sentando-se com ela sobre si, afundando nela.
- Oh Dios!- ela gemeu enquanto remexia os quadris freneticamente sobre ele.
Nesse momento, Sawyer acariciou os cabelos negros dela, olhando bem fundo em seus olhos, seu olhar era apaixonado. Deitou-a no chão, a água cobrindo parcialmente seus corpos aumentando a intensidade do prazer que estavam sentindo.
- Você é gostoso, muito gostoso! – ela dizia entre gemidos.
- Você também baby!- ele respondeu.
- Eu quero mais!- ela disse e inverteu a posição em que estavam, ficando outra vez por cima dele, de forma que pudesse comandar tudo. – Minha vez de ficar por cima, caipira!
- Dane-se então, como você quiser!- Sawyer disse segurando a cintura dela, aumentando os movimentos de acordo como ela se mexia.
Ela jogou a cabeça pra trás, no rosto a expressão era de êxtase, mordia os lábios e murmurava palavras em espanhol. Sawyer não agüentou mais, e explodiu dentro dela fazendo-a dar um último grito bem alto e selvagem.
Ficaram se olhando por alguns segundos em silêncio, Ana-Lucia saiu de cima dele e deitou ao seu lado, aconchegando-se em seu peito. Sawyer arfava, tinha sido o momento mais intenso que passaram desde a primeira vez em que estiveram juntos. Ele se voltou para ela:
- Não vou mais conseguir ficar sem você...
- Bandido!- ela murmurou, sorrindo.
Beijaram-se, mas dessa vez o beijo era lento e doce. Nenhum urso polar apareceu para atrapalhá-los, no entanto, de algum lugar não muito longe de onde estavam alguém os observava. Era uma mulher loira, por volta dos trinta anos, usando um jaleco branco diante de vários monitores. Seu peito arfava também, e ela sorria como se tivesse acabado de assistir a um filme muito excitante.
Ben Linus entrou na sala e ao ver a Dra. Juliet Burke tão interessada diante do monitor, aproveitou para alfinetá-la:
- Pelo jeito seus planos foram por água baixo não é Julie?
- Aí é que você se engana, Ben, querido.
- Mas você sabe muito bem que ELE queria um filho do doutor!
- E daí? Um filho do Sawyer também pode ter suas utilidades, além disso, Kate não está grávida ainda...agora vá, deixa eu me divertir um pouco.
Ben saiu fechando a porta atrás de si, enquanto Juliet continuava observando Sawyer e Ana-Lucia.
- Só faltou a pipoca!- disse sarcástica.
(Fim do Flashback).
Continua...
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