Episódio 22- "Problemas no Paraíso"
Sinopse: Acusado por Debbie de tê-la violentado, Sawyer é afastado do acampamento até segunda ordem. No entanto, nem tudo é o que parece ser, as coisas se complicam e mais uma vez os losties são obrigados a partir em uma perigosa missão de resgate.
Censura: T.
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Jack saiu da barraca de Rose chocado com tudo o que ouvira, e os exames preliminares que fizera em Debbie confirmavam tudo. Ela tinha mesmo sido violentada, não havia dúvida. Mas sua mente teimava em aceitar a culpa de Sawyer. Antes de entrar na barraca, estava decidido a desmascarar Deborah, e inclusive logo que a viu acreditou fielmente que ela estava representando. Porém, depois de examiná-la e escutar sua história, fora forçado a crer na narrativa dela. Que fazer? Durante os últimos meses ele havia se apegado a Sawyer, já o considerava tão seu amigo quanto Sayid. Sabia do amor dele por Ana-Lucia, e de suas expectativas em ser pai, poder começar do zero, esquecer o passado tenebroso. Mas acusá-lo poderia trazer o velho Sawyer de volta, o parasita irritante que sentira vontade de esganar mais de uma vez.
Sentou-se próximo a despensa e serviu-se de uma xícara de café que havia sido preparada há poucos minutos pela Sra. Lewis. Ficou observando a noite, não sabia se era impressão sua, mas a praia de repente pareceu-lhe sombria. As pessoas desconfiadas, reunidas próximas à barraca de Rose e Bernard, comentando entre si o que achavam que deveria ser feito com Sawyer. Jack só conseguia lembrar da expressão de medo nos olhos dele quando achou que Ana-Lucia fosse perder o bebê. Não, Sawyer não poderia ter feito aquilo! Mas se não fez, por que Debbie o acusou? Estaria usando o nome de Sawyer para encobrir alguém?
- Jack?
- Hã?- ele assustou-se, estava completamente perdido em seus pensamentos.
- Você está bem?- indagou Libby percebendo o semblante preocupado dele. Serviu-se também de uma xícara de café, e sentou-se ao lado dele.
Jack respirou fundo:
- O que você acha de tudo o que está acontecendo? Digo, acredita que Sawyer seria capaz de molestar alguém, ainda mais uma adolescente? Ele espancou o Boone por nada uma vez, e eu fico pensando até que ponto o conhecemos.
- Você examinou a Deborah?
- Sim.- ele respondeu pesaroso. – Tenho certeza de que ela não está mentindo, foi violentada. Mas me custar crer que Sawyer foi o culpado. Ele tem se dedicado tanto a Ana-Lucia.
- Eu não sei Jack, só estou sabendo das coisas porque os comentários estão correndo pelo acampamento mais rápido do que a Internet. Ainda não vi a Debbie, e também não falei com Sawyer, não posso tirar nenhuma conclusão. Mas queria te fazer uma pergunta.
Ele deu de ombros: - Se eu puder responder...
- Debbie é uma adolescente de 16 anos, imagino que isso não seja regra geral, mas ela alegou ser virgem antes do incidente?
Jack encarou os olhos verdes de Libby, muito sérios naquele momento:
- Eu não perguntei isso a ela, estava tão abalada.
- Então seu exame não foi totalmente conclusivo. Existem meios de saber se ela foi violentada mesmo, se perdeu a virgindade...
- Eu sei Libby, mas não dispomos desses meios aqui, estamos em uma praia, não temos ninguém qualificado para fazer isso. Eu não teria coragem...
Libby o interrompeu:
- Eu sou qualificada Jack. Como terapeuta posso convencê-la a colaborar, isso é pro bem dela. Precisamos ter certeza para não estarmos cometendo nenhuma injustiça.
- Libby eu acho que não é uma boa idéia.
- Jack, Sawyer está nesse momento amarrado em uma árvore na floresta escura, sozinho. Sayid e Locke já retornaram de lá. Ana está em uma cama porque alguém tentou envenená-la, sofrendo porque o seu homem está sendo acusado de estuprar uma adolescente. Pelo amor de Deus, há muitos crimes aqui a serem investigados. E sinceramente, torço para que Sawyer seja inocente, Ana o ama, ela é minha amiga, não quero vê-la infeliz. Não podemos deixar uma família ser destruída dessa maneira.
Jack sabia que Libby estava certa, acabou concordando.
- Está bem, converse com ela. Faça o que é necessário. Mas só se ela permitir, não vamos traumatizá-la mais.
Libby assentiu se levantando e tocando o ombro dele, antes de depositar a xícara de café na mesa e sair caminhando em direção à barraca onde Debbie estava.
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Sawyer estava muito quieto na floresta, os braços começando a ficarem dormentes por causa das algemas. Sentia muita raiva por estar preso ali injustamente, queria gritar, chamar todos os palavrões do mundo, os mais cabeludos, mas não sabia porque não conseguia. Era terrível constatar, apesar dos esforços de Jack, que aquela era uma terra sem lei onde todo mundo fazia o que bem queria, de bom e principalmente de ruim.
Um dia, há algum tempo atrás quando estava amarrado nessa mesma árvore, pensou que quando se libertasse mataria os responsáveis que o colocaram ali, mas agora tudo o que queria era se soltar para ir buscar Ana e juntos irem embora daquele acampamento. Sim, se conseguisse sair dessa era a primeira coisa que faria. Iria atrás daquele cavalo negro que vira com Kate uma vez, e o domaria, para em seguida fugir montado nele com Ana-Lucia para uma praia bem distante daquela, onde pudessem construir uma casa e serem felizes.
- Que pensamento idiota!- esbravejou Sawyer, forçando os braços tentando se soltar. Não agüentava mais ficar ali.
O barulho de mato farfalhando o assustou. Ele começou a olhar para todos os lados procurando alguém. Ouviu sussurros ininteligíveis, vozes medonhas cada vez mais perto, se aproximando junto com passos. Muitos passos. Sawyer fechou os olhos e gritou, a voz ecoando na mata:
- Quem está aí? Quem está aí?
Nenhuma resposta, os sussurros continuavam, cada vez mais próximos. Sawyer sentiu medo, muito medo. Arrepios que lhe percorriam a espinha sem explicação, jamais sentira aquilo, nem mesmo quando fora perseguido pelo monstro. Aquilo era diferente, muito pior.
- Nãoooooo!- gritou à medida que o som de passos e sussurros foi aumentando na direção dele.
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- Kate! Kate! Onde você tá mulher?- gritou Hurley quase colocando o pulmão pra fora, entrando na escotilha.
- Ela tá no quarto, Hurley!- avisou Charlie, já estava saturado de estar deitado no sofá. Mas levantar estava fora de cogitação, queria alguma coisa pra passar o tempo, seu violão seria bom.
Hurley apressou até lá. Encontrou Kate tentando convencer Ana-Lucia de que tudo ficaria bem.
- Eu preciso ir até a praia Kate.- ela dizia. – Alguma coisa de muito ruim está acontecendo com Sawyer, eu sinto.
- Não Ana, você não está em condições, passou por muita coisa hoje. Sawyer deve estar bem.
- Então porque o Hurley está aqui?- indagou Ana-Lucia se dando conta da presença dele.
- Dude!- exclamou Hurley. – Que eu saiba o Sawyer está amarrado lá na floresta, mas não aconteceu nada com ele não.
- Amarrado na floresta? Não! Eu vou quebrar a cara do "son of a bitch" que o amarrou.
- Ana, acalme-se!- pediu Kate. – Por que está aqui Hurley?
- Bom, o Jack me pediu pra vir te buscar, disse que não se sente bem. Que quer ver você. Pediu até pra eu ficar aqui na escotilha por enquanto.
Kate olhou para Ana-Lucia que enxugou algumas lágrimas teimosas que escorreram por seu rosto:
- Vá Kate, por favor. Veja se o Sawyer está bem, e se não puder voltar mande alguém vir aqui me dizer.
- Sim.- concordou Kate. – Agora procure se acalmar deve estar tudo bem.
Ela puxou Hurley para um canto na cozinha.
- Me diga Hurley, o Jack está doente, precisa de algum remédio?
- Não.- disse Hurley sorrindo. – Ele ficou um pouco perturbado com essa parada sinistra que tá acontecendo lá na praia. Quando ele me pediu para vir atrás de você, entendi de imediato que ele só queria "colo", "chamego", "cafuné", essas coisas.
Kate sorriu.
- Então vou indo, tome conta de tudo e em hipótese alguma deixe a Ana sair daqui.
- Não sei não, e se ela me quebrar de porrada?
- Ela não vai fazer isso Hurley. Fique aqui, eu já vou indo.
Kate saiu da escotilha apressada, segurando uma lanterna. Então seu Jack queria colo? Como são as coisas, até os grandes líderes tem seus momentos de fraqueza.
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- E então Debbie vai colaborar comigo? Eu estou aqui pra te ajudar, pode confiar em mim.
Insistia Libby para Debbie, que se mantinha quieta apenas ouvindo o que a psicóloga tinha para dizer. Os olhos estavam inchados de tanto chorar, abraçava o corpo numa atitude defensiva.
- Deborah?
Libby tinha pedido a Rose, Tina e Aline que estavam com ela para saírem da barraca, pois precisava conversar com ela a sós.
- Você não gosta de mim.- ela disse finalmente.
- Por que acha isso?- questionou Libby.
- Porque você já me repreendeu várias vezes.
- Repreensão não significa raiva, e sim cuidado. Sim, te repreendi várias vezes, e você sabe muito bem o motivo. Agora vamos deixar de delongas e me conte a verdade.
- Mas eu já contei pro Jack...-ela disse abaixando os olhos.
- Debbie, eu sei que está mentindo.
- Não estou mentindo!- ela se desesperou. – Eu fui violentada! Por que não acredita em mim?
- Eu acredito em você Debbie sei que foi violentada. Mas não por Sawyer. Quem você está encobrindo e por que?- Libby indagou, firme, mas sem levantar a voz.
Debbie voltou a chorar sem controle, mas Libby não se deixou convencer.
- Deborah, se você não me contar a verdade, estará pondo todo o acampamento em risco porque não sabemos qual dos homens que vive entre nós foi capaz de cometer tamanho desatino. Além disso, temos um homem inocente, Sawyer, amarrado em uma árvore no meio da floresta. Você gosta dele Debbie, eu sei disso. Mas por causa desse sentimento acha que tem direito de destruí-lo, separá-lo da mulher que ele ama?- ela fez uma pausa respirando fundo. – Sabia que Ana-Lucia passou mal porque foi envenenada?
Debbie arregalou os olhos.
- Então era verdade...
- O que era verdade? Sabe de alguma coisa sobre isso?
- Libby, eu sempre gostei do Saywer, desde que caímos nessa ilha. Fiquei tentando me aproximar dele o tempo todo, mas ele nunca deu importância, só tinha olhos para a Kate. Mas aí a Ana-Lucia chegou aqui, e eu percebia os olhares dele pra ela. No dia em que o Michael tentou atirar em você, eu estava na floresta colhendo frutas quando os vi transando. Comecei a sentir muito ódio dela, queria que ela morresse, que sumisse desse acampamento pra sempre. Mas nunca fiz nada contra ela, e jamais faria principalmente agora que ela está grávida.
- E tudo isso quer dizer o quê?
- Oh Deus, eu tenho tanto medo. Ele jurou que me mataria se eu contasse...
- Ele quem?
- Não sei quase nada sobre ele, apenas seu nome que ele fez questão de me dizer. Atacou-me na floresta depois que falei com Sawyer na cachoeira e ele me dispensou.
- Como era esse homem, usava trapos, tinha uma aparência de mendigo? E por que você acusou o Sawyer?
- Não nada disso. Ele estava bem vestido. Veio pra cima de mim sem que eu pudesse dizer nada, e depois falou que eu deveria voltar ao acampamento e dizer que foi o Sawyer quem me estuprou, ou então Ana-Lucia iria morrer, ele se encarregara pessoalmente do veneno e ia fazer com que ela tomasse mais até sucumbir junto com seu filho. Eu amo o Sawyer, não queria que ele a perdesse porque sei que isso o faria sofrer.
Libby estava estupefata com aquelas revelações, jamais pensou que Deborah estivesse envolvida em algo tão grande.
- Você disse que sabia o nome dele.
- Sim.- afirmou Debbie, o corpo tremendo em ter que repetir aquele nome. – Disse que se chamava Goodwin.
- Isso é impossível!- exclamou Libby. – Goodwin está morto. Ana o matou. Como sabe sobre ele? Você fez um pacto de algum tipo com os Outros? Está me contando um monte de mentiras?
Libby estava começando a se exaltar diante do absurdo da história. Mas Deborah insistiu que estava falando a verdade.
- Não Libby, eu estou dizendo toda a verdade. Me arriscando porque sei que os "Outros" não perdoam traições, já mataram mais de um dos nossos, e eu serei a próxima se descobrirem que contei tudo. Vocês precisam me proteger, por favor! Lamento ter acusado o Sawyer. Não o deixem na floresta os "Outros" o querem morto.
Ela voltou a chorar. Steve chamou da porta da barraca.
- Debbie, você está bem? Será que eu posso falar com você?
- Entre Steve, eu e a Debbie já terminamos.- disse Libby.
Ele entrou na barraca, ao vê-lo Debbie o abraçou soluçando, Steve acalentou-a. Libby saiu da barraca pensando no que fazer. Não sabia se deveria acreditar em Debbie, eram revelações demais pra uma noite só. Goodwin vivo? Como isso poderia ser possível? A única certeza que tinha, no entanto, era de que Sawyer não deveria permanecer sozinho na floresta. Era preferível que passasse a noite em sua tenda, mesmo que vigiado apenas para evitar que as pessoas do acampamento ficassem falando. Saiu depressa em busca de Sayid, para que Sawyer fosse retirado da floresta.
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Kate chegou até a praia e antes de procurar por Jack, resolveu saber como estava Sawyer. A angústia de Ana-Lucia a havia tocado profundamente, e seria muito bom poder tranqüilizá-la. Encontrou Locke acendendo uma fogueira para assar carne.
- Como estão as coisas por aqui, John?
- Sob controle por enquanto, as pessoas ainda não decidiram linchar o Sawyer então...
- Deborah foi mesmo violentada?
- Jack a examinou, mas não disse sua conclusão a ninguém. Eu o vi indo a pouco para sua barraca, ele me pareceu angustiado.
- E o Sawyer? O que fizeram com ele?
- Ele está bem, eu e o Sayid o amarramos em uma árvore, não muito longe do acampamento.
Kate balançou a cabeça negativamente:
- Isso é mesmo necessário? Vão deixá-lo lá a noite inteira? Ana está quase tendo um enfarto na escotilha.
- Bom, ainda não sabemos. Precisamos ter certeza da inocência dele, e pra isso vamos fazer o jogo da ilha.- Locke respondeu, enigmático.
- O jogo da ilha? Do que está falando? Acha que isso é algum tipo de teste pelo qual Sawyer tem que passar? Voltou a acreditar na ilha mesmo depois de ter se decepcionado com as coisas que descobriu?
- Kate, no dia em que eu deixei de acreditar na ilha, pra ser mais específico, no dia em que eu a traí, a ilha quase nos aniquilou. Não pretendo deixar a falta de fé me dominar outra vez.
- Está bem John.- disse Kate dando-se por vencida. Vou ver o Jack e depois quero que você me leve até onde o Sawyer está. Quero confirmar com meus próprios olhos que ele está bem.
Kate saiu caminhando até sua tenda. No caminho observou a aflição das pessoas comentando o que estava acontecendo. Passou por Libby, que parecia muito apressada, mas não indagou a ela o por que. Quando entrou na barraca, Jack voltou seus olhos para ela, estava cabisbaixo. Ela se sentou de frente pra ele:
- O que houve Jack? O que você descobriu?
- Que a Deborah foi violentada, mas não quero acreditar que o Sawyer fez isso. Se ele for culpado, Kate, acho que não tenho mais motivos para ter fé nas pessoas desse lugar.
- Oh Jack, não diga isso. Deve haver alguma explicação, eu também não acredito que o Sawyer seja culpado, ele estava tão feliz com a chegada do seu filho. Meu amor...
Jack atirou-se nos braços dela, como um menino desprotegido, literalmente querendo colo. Kate afagou o cabelo dele, bem devagar, com as pontas dos dedos.
- E se não pudermos mais levar as coisas adiante? E se o nosso destino for sermos destruídos um a um por essa ilha? Nosso filho vai chegar a nascer?
- Sim Jack, é claro que vai. E logo você vai tê-lo em seus braços, eu sei disso.
Ela beijou a testa dele. Jack tentou sorrir diante da tentativa dela de animá-lo. Tomou a mão dela e beijou, estendendo o beijo para o braço. Kate sentiu um arrepio gostoso e sorriu:
- Você está começando a melhorar, está vendo?
- Seus carinhos sempre me fazem sentir melhor.
Olharam-se profundamente. Ele roçou o nariz no dela, fazendo- a rir baixinho.
- As coisas estão calmas lá fora?- ele indagou entrelaçando seus dedos nos dela.
- Ao que tudo indica...-ela respondeu.
Jack ficou em silêncio, apenas olhando-a na penumbra.
- Opa, eu conheço esse olhar...-ela disse. – Você faz essa cara quando está tentando me convencer a...- Kate cochichou no ouvido dele, que riu.
- Estou conseguindo?
Kate respondeu com um beijo terno nos lábios dele. Jack pressionou as mãos na cintura dela, fazendo-a a sentar-se em seu colo, acomodando as pernas dela entre as suas.
- Não me canso de dizer o quanto você é linda.
- Se disser mais uma vez vou começar a acreditar.
Roçaram os rostos um no outro, naquela pequena confusão de bocas que quase chegam a se tocar, mas não se tocam.
- Acha que vão precisar de você agora?
- Eu acho que não.- ele disse mordendo o pescoço dela.
- Você vai me amar agora?- ela indagou, mordendo os lábios.
- Se você quiser...- ele murmurou intensificando as carícias no pescoço dela, com os lábios.
Kate envolveu os braços ao redor do pescoço dele e puxou-o pela nuca até seus lábios, beijando-os, sugando-os. Quando começavam, não conseguiam mais parar. Seria algum tipo de poder que aquela ilha tinha sobre eles? Não sabiam. Talvez se estivessem em Los Angeles vivendo juntos não se amassem com a freqüência que faziam isso na ilha. Mas lá, sentiam que deviam, que podiam, que era o certo.
Jack retirou sua camisa, Kate fez o mesmo, tirando também o sutiã branco. Aconchegaram-se, ficando alguns segundos assim só abraçados, sentindo o calor de seus corpos. Jack adorava a sensação dos seios dela em seu peito.
- Eu te quero Kate!- ele sussurrou no ouvido dela, arrepiando-a ainda mais. – Se despe pra mim.- pediu.
Ela não pensou duas vezes, o pedido dele era irrecusável. Ficou de pé e despiu-se bem devagar, provocando-o. Ela se deitou no lençol do chão da barraca e ficou encarando ele com expressão de desejo. Jack também se despiu. Kate gracejou:
- Tudo isso é pra mim?
Ele sorriu e deitou-se por cima dela. Tomou seu rosto nas mãos e disse:
- Adoro todas as suas sardas. Não ligaria se na próxima encarnação eu renascesse como uma delas, para estar colado ao seu corpo o resto da vida.
Beijou-a vorazmente, atiçando-a com a ponta da língua. Correu as mãos pelas costas dela, agarrando-lhe os quadris e pressionando-a contra si, pronto para tomá-la.
- Oh Jack!- gemia Kate em antecipação, sentia o corpo inteiro latejar.
Mas ele não a tomou, não de imediato. Decidiu ir mais devagar, aproveitar mais o momento. Guiou a mão dela para si. Kate estremeceu ao tocá-lo. Jack fechou os olhos e lutou para se controlar. Afastou a mão dela, e recomeçou a beijá-la. Primeiro os lábios, depois o pescoço, passando para os seios, sugando-os. Desceu para a barriga, brincou com o umbigo. Mas não a tocou onde ela queria, ao invés disso desceu para as coxas, mordiscando-as levemente.
- Jack!- ela gritou. As mãos dela procuravam algo para se apoiar, mas não encontravam nada. Cravou as unhas nas costas dele, mas sem machucá-lo.
De repente, ele a tocou fazendo-a gemer alto. Sorte que próximo à barraca dela não havia ninguém, todos estavam concentrados mais pro meio da praia. Seus dedos brincavam com ela, atiçando-a mais.
- Jack, eu quero você. Por que sempre me tortura assim?- ela choramingou sentindo os lábios dele nela.
- Porque gosto de ver você perder o controle!- ele disse levantando-a do chão, sentando-a sobre ele e tomando-a. Jack sufocou o gemido dela com um beijo, apaixonado. – Kate, o que você está sentindo?- ele indagou extasiado, gostava de ouvir os sons que ela fazia quando se amavam.
- Eu sinto que você é o homem da minha vida, não pare, por favor!
Jack intensificou ainda mais os movimentos nela, levando-a da terra ao paraíso em minutos. Ela atingiu o prazer máximo, depois relaxou. Tinha o rosto corado, a respiração entrecortada e um sorriso satisfeito nos lábios. Jack inclinou a cabeça para trás e deixou-se levar pela sensação que o consumia, fechando os olhos. Kate o abraçou, brincando com ele:
- Amor, você está aqui?
- Estou, querida.- ele disse beijando a ponta do nariz dela.
Mal seus corpos se separaram ouviram Sayid gritar do lado de fora da barraca:
- Jack, Sawyer sumiu! Ele não está mais na árvore, tem sangue por toda a parte.
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Ana-Lucia já não agüentava mais tanta espera por notícias de Sawyer. Já fazia um bom tempo que Kate fora para a praia, e desde então ninguém aparecera para lhe dizer o que estava acontecendo lá. Não deveria ter deixado levá-lo. Sentia uma angústia crescente dentro de si, um mau pressentimento. Sua avó lhe ensinou a nunca brincar com presságios, ainda mais um tão forte quanto aquele.
Ainda estava deitada na cama. Ouvia Hurley e Charlie conversando na cozinha. Uma música no estilo reggae tocava na vitrola da biblioteca, porém o som não era suficientemente alto para que pudesse abafar as batidas ritmadas de seu coração angustiado. Respirou fundo e sentou-se na cama. Olhou para o relógio de parede, nove e trinta e cinco da noite.
- Chega!- murmurou para si mesma. – È hora de agir, preciso ir até a praia.
Levantou-se com cuidado, se certificando de que seu corpo agüentaria em pé, e um sorriso formou-se em seus lábios quando constatou que podia. Fosse lá o que tivessem feito para ajudá-la havia funcionado. Não sentia mais dor, nem tonturas. A hemorragia tinha parado por completo, poderia chegar até a praia.
Andou até a cozinha ignorando Hurley e Charlie. Apressou-se até a sala do computador quando ouviu um pigarro atrás de si.
- Aonde a "moça" pensa que vai?- perguntou Hurley percebendo as intenções dela de deixar a escotilha.
Ana-Lucia voltou seus olhos escuros para ele de forma ameaçadora e falou:
- Não que te interesse, mas eu estou indo para a praia, atrás do Sawyer.
- Nada disso!- Hurley falou firme, balançando o dedo indicador e dando um passo para frente na direção dela. – A Kate me encarregou de não permitir que você saísse daqui até segunda ordem.
- Pois tente me impedir, jabba!- Ana-Lucia disse, dando um passo em direção à Hurley, fazendo-o recuar.
- Eu vou...- ele falou gaguejando.
- Vamos ver!
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Munidos de tochas e lanternas, Jack, Kate, Sayid, Locke, Michael, Jin, Libby e Desmond procuravam por Sawyer na floresta próximo ao acampamento. Eko decidira se embrenhar sozinho na mata, silencioso na escuridão portando seu cajado para ver se descobria alguma coisa. No entanto, até aquele momento, nenhum sinal dele ou de quem o tivesse levado, apenas o ruído dos passos do grupo de busca misturados à cantoria interminável dos grilos e o coaxar irritante dos sapos.
Sayid mostrou ao grupo, a árvore onde Sawyer estivera amarrado. As cordas que o prendiam estavam no chão, junto com as algemas que haviam sido cerradas. Tinha muito sangue espalhado na grama e marcas de unha cravadas na árvore.
- Será que todo esse sangue é do Sawyer?- perguntou Libby, temerosa.
Locke tocou as marcas de unha na árvore:
- Essas marcas, não são humanas. São garras de algum tipo de animal selvagem, como uma pantera, por exemplo.
Michael balançou a cabeça:
- Pode até ser, mas panteras não cerram algemas.- observou vendo as algemas partidas no chão.
O grupo estava reunido ao redor da árvore formando um círculo. Tentavam entender o que acontecera ali. Sawyer desaparecera do nada, simplesmente evaporara. Se havia sido atacado por que ninguém escutou nenhum grito? Ele não estava tão distante da praia assim. Kate estava estremecendo por dentro diante de todo aquele sangue. Afastou-se alguns passos para trás, o corpo todo começando a tremer, seguido de uma terrível náusea. Jack notou que ela não estava bem, e se aproximou dela:
- Kate, o que você tem?
- Jack...- ela murmurou, o rosto já tomado por lágrimas. – Você acha que ele...
- Não Kate, ele deve estar bem, nós vamos encontrá-lo. Está na cara que isso aqui foi plantado pra nos confundir, pra nos fazer pensar que Sawyer foi morto.
- Concordo Jack!- disse Jin.
- Eu vejo rastros, pegadas de mais de uma pessoa aqui, indo e vindo.- disse Locke iluminando o chão com a lanterna. – Podemos segui-las, mas não antes do amanhecer.
- Até o amanhecer, Sawyer pode estar morto, brotha.- falou Desmond.
- Ele tem razão.- disse Sayid. – Alguma coisa precisa ser feita imediatamente.
- Também acho.- concordou Jack.
- Jack, se formos atrás do Sawyer agora será perda de tempo, uma missão homicida. Estaremos fazendo o jogo deles, não sabemos o que pretendem.
- Ah, agora o jogo é dos "Outros", John, não é mais da ilha?- ironizou Kate.
- Os "Outros" são a ilha. Vocês não conseguem ver? Libby nos contou o que realmente aconteceu com Debbie, o que comprova a inocência de Sawyer. Desta forma, tudo está interligado, o envenenamento de Ana-Lucia, as acusações de Debbie contra Sawyer, o seu desaparecimento. E mesmo sabendo de tudo isso vamos cair na besteira de nos embrenhar na mata em meio à escuridão sem uma estratégia pronta? Quando resolvemos ir até o acampamento dos "Outros" para recuperar as crianças tínhamos uma estratégia programada que acabou dando certo. Precisamos montar uma para recuperarmos o Sawyer.
- John está certo!- disse Libby. – Isso tudo não passa de um jogo doentio que estão fazendo conosco, estão brincando desde que caímos aqui sem revelar seu verdadeiro propósito. Somos apenas espécimes de seu zoológico particular. Nos alimentam, nos vestem, sabem tudo o que fazemos e com quem nos envolvemos. Precisamos ser mais espertos do que eles. O mais provável é que esse sangue nem sequer pertença ao Sawyer, aposto numa armadilha enredada para nos capturar.
- Vendo por esse ângulo, acho que vocês tem razão.- falou Sayid. – Então, se vamos sair atrás do Sawyer vamos precisar de alguém que conhece esta ilha como a palma de sua mão e tenho certeza que não nos negaria ajuda: Rosseau.
- Sim, vamos precisar dela.- concordou Michael. – Até porque duvido muito que o esconderijo dos "Outros" ainda seja no mesmo lugar de antes.
- Se é assim, partiremos ao amanhecer, nos primeiros raios de sol.- anunciou Jack. – Quem está comigo?
Sayid fez um gesto com a cabeça, indicando que iria.
- Você sabe que eu irei, Jack.- disse Locke. Era mesmo muito importante que ele fosse, seus talentos de caçador serviriam para rastrear o caminho percorrido pelos "Outros".
- Eu também irei!- afirmou Michael.
- Bem, eu pago para não entrar em uma guerra, brothas.- falou Desmond. – Espero que sejam bem sucedidos, permanecerei no acampamento.
- Eu acho que serei mais útil no acampamento já que as pessoas vão ficar sem um médico- disse Libby.
- Não posso, Sun, Jung!- falou Jin com seu inglês arrastado.
- Então acho que o grupo está completo. Só falta perguntar ao Eko se ele também irá-.disse Jack.
- E quanto a mim?- indagou Kate. – Eu também vou!
- Nada disso!- disse Jack em tom autoritário. – Você não vai Kate, não dessa vez!
Kate alargou os olhos verdes lacrimejantes:
- Jack, Sawyer é meu amigo. Eu tenho que fazer alguma coisa, não posso simplesmente ficar aqui de braços cruzados...
- Kate!- Jack gritou.
- Eu não sou uma inválida, quero ajudar...
- Kate!- ele gritou de novo, tentando se sobrepor à voz dela, que continuava argumentando os motivos pelos quais ela deveria ir. – Vai ser muito perigoso, não fazemos idéia do que eles pretendem...
- Não importa eu vou sim!- ela insistiu levantando a voz.
O resto do grupo assistia a discussão sem se intrometer.
- Você está grávida, porra!- falou Jack, se descontrolando tamanha era a sua preocupação. Se perguntava por que ela tinha de ser tão teimosa quando ele tinha razão.
O grupo ficou surpreso com a notícia. Kate fechou a cara para ele, o peito ardendo e os lábios trêmulos querendo chorar. Ao ver que provocara aquilo, Jack se sentiu culpado e passou as mãos pela cabeça.
- Kate, me desculpe, eu não quis...
- Você nunca quer, não é mesmo?- ela gritou magoada e virou as costas correndo de volta para a praia.
Jack correu atrás dela.
- Grávida?- admirou-se Libby.
- Não surpreso!- comentou Jin com um sorriso maroto.
- Gente, deixemos Jack e Kate resolverem seus problemas. Por ora, devemos fazer o que o John sugeriu, montar nossa estratégia para amanhã. Vamos pra minha barraca.- falou Sayid.
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- Kate, espera! Espera por favor!- Jack pedia correndo atrás dela.
Ela só parou de correr quando estavam diante de sua barraca.
- Vá embora, não quero falar com você agora!
- Mas eu preciso conversar com você!- ele insistiu segurando o braço dela.
Kate puxou o braço da mão dele com violência e entrou na barraca. Jack entrou atrás dela.
- Kate, você precisa entender que ir atrás do Sawyer vai ser muito arriscado. Tudo o que está acontecendo é muito estranho, não sabemos o que os "Outros" pretendem com isso. Deborah foi violentada apenas para servir ao propósito de acusar Sawyer, de modo que ele fosse isolado do resto do grupo. O que isso significa? Eu não sei.
Ela ficou em silêncio e fitou-o, sentando-se na cama de almofadas.
- Kate...- ele sentou-se na cama ao lado dela. – Eu te amo, não quero perder você. Não vou me perdoar se algo acontecer a você e ao bebê.
- Jack, o que eu vou dizer a Ana-Lucia? Quando estávamos na escotilha, antes do Hurley ir me chamar, ela estava muito nervosa, dizia que tinha um pressentimento ruim sobre Sawyer. E eu não acreditei nela, achei que ela estava apenas transtornada.
- Como podíamos saber Kate? Se eu pudesse voltar atrás teria impedido Sayid de deixá-lo sozinho amarrado na floresta.
- E se nunca mais o encontrarmos?
Jack respirou fundo:
- Nós vamos encontrá-lo, meu amor. Vem cá.
Ele a puxou para si, deitando-se com ela na cama. Kate deixou-se acalentar, recostando-se no peito dele e deixando as lágrimas fluírem. Mais uma vez Jack não sabia se poderia cumprir a promessa que tinha feito, mas ia tentar tudo o que fosse possível, não deixaria Sawyer à deriva dos "Outros".
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Estava muito escuro. Ana-Lucia não sabia ao certo em que direção deveria ir. Talvez não tivesse sido uma boa idéia sair sozinha pela floresta sem nada para iluminar o caminho. Quando resolveu ir até a praia, seu desejo de ver Sawyer era tão forte que esquecera por completo esse detalhe.
Ela tentava se guiar pelo instinto para encontrar o caminho. Já estava andando há cerca de meia hora quando foi surpreendida pelo barulho de passos se aproximando.
- Por que isso sempre acontece por aqui?- falou consigo mesma, lembrando que estava desarmada.
Viu de relance um vulto vindo em sua direção. Estremeceu. Era um homem alto, pelo que podia discernir na escuridão.
- Quem está aí?- indagou com a voz firme, tentando fazer parecer que não sentia medo embora soubesse que não tinha praticamente nenhuma chance contra um homem daquele tamanho totalmente desarmada, e ainda por cima grávida de seis meses. Os músculos ficaram tensos, instintivamente ela assumiu uma postura defensiva, protegendo o ventre grávido.
- Ana, é você?- perguntou a voz de timbre grave, porém sereno.
Os músculos dela relaxaram e ela sentiu um imenso alívio ao ouvir aquela voz:
- Eko, gracias a Dios!
- Posso saber o que está fazendo perambulando pela floresta sozinha, em meio à escuridão?.- ele acendeu uma lanterna que trazia na mão.
- Poderia te fazer essa mesma pergunta, mas eu estava tentando chegar até a praia, preciso de notícias do Sawyer.
Eko fez uma expressão de pesar, que não passou desapercebida aos olhos dela.
- O que houve? Aconteceu alguma coisa com ele? Eko!
- Não vou mentir pra você Ana! Sayid e Locke o amarraram em uma árvore por causa das acusações da Debbie contra ele.
- Sim, eu sei!.- ela falou exaltada. – E onde é essa árvore que ele está amarrado. Leve-me até lá.
- Eu levaria, mas ele não está mais lá. Achamos que os "Outros" o levaram.
- O quê?- ela exclamou levando as mãos ao peito. – E tem idéia em que direção eles foram? Vamos chamar o Locke, seguir o rastro deles.
- Eu estava tentando fazer isso. Mas resolvi voltar, montar um grupo de busca para irmos atrás dele ao amanhecer.
- Não, eu não posso ficar esperando. Eles vão matá-lo! Devíamos partir agora! Leve-me até a praia quero falar com o Jack.
Ela nem esperou ele dizer nada, tomou a lanterna das mãos dele e saiu caminhando em direção à praia, com a luz ficara melhor de encontrar o caminho.
- Ana, espere!.- ele correu atrás dela. – Tem mais uma coisa que precisa saber.
- Então diga porque eu não vou parar de andar até chegarmos à praia!
- Debbie desfez a acusação, disse que Goodwin a violentou, e que a obrigou a acusar Sawyer. Caso contrário, você seria morta porque ele a estava envenenando.
- Gooddwin? Mas eu o matei! Não pode ser!
Aquilo era demais pra ela. Goodwin estava morto, enfiara uma estaca em seu corpo. Seria o seu fantasma voltando para assombrá-la? Balançou a cabeça.
- Não Eko, isso está esquisito. Vou falar com a Debbie, arrancar toda a verdade dela. E vai ser agora. Por bem ou por mal!
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Com o mapa da ilha desenhado por Rosseau em mãos, Sayid junto com Locke e Michael traçavam a estratégia que utilizariam para resgatar Sawyer dos "Outros". Desmond e Jin também participavam da reunião na barraca do iraquiano, embora não fizessem parte do grupo de voluntários que se arriscaria naquela perigosa missão.
- Os "Outros" são muito espertos. Sabem que iremos atrás de Sawyer, é o que querem. Devemos dar um jeito de chegarmos lá desapercebidos. Não podemos mais usar o barco do Desmond, o utilizamos em nossa última missão. Vai ficar muito óbvio.
- E de que jeito não seríamos óbvios, Sayid?. – indagou Michael. – Não temos muitas opções, e mesmo assim nem sabemos em que direção ir. È mais do que certo que eles tenham abandonado aquele acampamento, e construído um novo em outro lugar, onde não possamos encontrá-los.
- Não sei não, Michael.- falou Locke. – Concordo com você que eles devem ter mudado o acampamento de lugar, mas não acredito que eles não queiram que os encontremos.
- Tem razão John, mesmo assim vamos jogar com as armas que temos. Antes do amanhecer nós partiremos até um dos prováveis esconderijos da Rosseau e pediremos a ajuda dela.- disse Sayid.
- E depois? Seguiremos pelas pedras?- perguntou Michael.
Ao ouvir Michael falar em pedras, Jin se pronunciou em coreano. Ninguém entendeu, exceto Michael, o único capaz de decifrar o que Jin queria dizer.
- Eu sei que é difícil ir por ali Jin, mas se não tivermos escolha...
- Podemos ir pelo caminho do Rocha Negra.- sugeriu Locke. – Pegamos alguns explosivos lá, levamos conosco para ameaçá-los.
- Explosivos são perigosos, brotha!- disse Desmond.
- Se tivermos o devido cuidado, acho que é nossa única de chance.- falou Sayid.
- Mas e quanto às pegadas? Os rastros que nos levariam até o Sawyer?- questionou Michael.
- Aí é que está o plano Michael. Se seguirmos as pegadas, estaremos indo direto para onde nos querem, mas se as circundarmos indo pelo caminho do Rocha Negra é provável que nos antecipemos à armadilha que com certeza deve estar preparada para nós.
- Sayid!- alguém o chamava lá fora.
Ele foi até a entrada da barraca ver quem era.
- Pedro, o que houve?- indagou Sayid.
- Libby me disse que estão organizando um grupo de busca para encontrar o Sawyer. Eu quero participar.
- Ei cara! Todos que quiserem ajudar são bem vindos!- falou Michael.
Sayid convidou-o a entrar.
- Eu estava pensando em outra coisa importante!- disse Locke. – Libby nos contou que Debbie disse que o homem que a ameaçou e violentou se chamava Goodwin. E Goodwin, pelo que sabemos...
- Está morto!- Michael completou. Ana-Lucia o matou.
- Então é óbvio que esse homem usou um nome falso para nos confundir. Assim como Henry Gale o fez.
- Pai! Pai!- gritava Walt segurando Vincent pela coleira à porta da barraca de Sayid. – Eu não quero ficar sozinho lá na barraca, você não vem dormir?
- Sim, eu já estou indo. Bem, acho que estamos acertados então!- Michael disse antes de sair da barraca.
- Quatro e meia da manhã, nem um minuto a mais e nenhum minuto a menos. Eu e Locke iremos chamá-los, vamos levantar ainda mais cedo para buscar as armas no depósito.- avisou Sayid. O depósito de armas, desde que Sawyer as roubara, fora mudado de lugar, já não era mais na escotilha. Os únicos que sabiam do novo local eram Jack, Sayid e Locke.
- E a arma do Sawyer?- indagou Locke.
- Está com o Jack. Sawyer a deu para ele antes que o trouxéssemos para a praia.
- Bem, eu vou indo dormir brothas, boa sorte em sua jornada e que consigam trazer o Sawyer de volta.- disse Desmond apertando a mão dos que iam partir e saiu da barraca.
Jin disse algumas palavras de boa sorte em coreano e também saiu da barraca.
- Estou indo para a escotilha, mas te encontro na despensa às quatro. Não se preocupe que assim que eu chegar aqui aviso Jack sobre tudo o que foi decidido nessa reunião.- disse Locke e se retirou.
- Como eu disse, podem contar comigo.- falou Pedro também se retirando.
Quando Sayid se viu sozinho em sua barraca, sentou-se, bebeu água e levou as mãos às têmporas. Sentia muita dor de cabeça. Por que fora amarrar Sawyer na árvore e deixá-lo sozinho à deriva se sabia que ele era inocente? Se Sawyer estivesse morto, ele seria o principal responsável por deixar uma criança sem pai.
- Então você irá mesmo?- indagou Shannon entrando na barraca, o olhar muito sério. Quando Sayid decidira fazer aquela reunião na barraca deles ela tinha ido até a barraca de Aline enquanto esperava a reunião acabar.
- Sim.- ele assentiu tirando a camisa e os sapatos pois pretendia dormir. Os próximos dias com certeza seriam muito longos.
- Yd.- ela chamou docemente se sentando na cama de frente para ele. – Eu não estou zangada com o que você me disse hoje mais cedo, tinha razão para ter desconfiado de mim. Andei tão arredia nesses últimos meses.
Ele suspirou: - Pois eu lamento muito ter perguntado aquilo a você. Acho que o meu sexto sentido tem falhado ultimamente.
- Não, você continua brilhante como sempre, e tenho certeza que será bem sucedido nessa missão. Conseguirá trazer o Sawyer de volta para a família dele.
Eles se olharam intensamente. Sentiam muita falta um do outro. Sayid arriscou beijá-la, fazia muito tempo que não sentia os lábios dela junto dos seus. Shannon aceitou o beijo, correspondendo aos poucos, entreabrindo os lábios devagar, sentindo a língua dele acariciar a sua com delicadeza.
Pararam de se beijar. Os corações batendo muito forte. Sorriram um para o outro, olhando-se apaixonadamente. Shannon soltou os longos cabelos loiros, levemente cacheados do coque que estava usando. Começou a desamarrar o fio da blusa estilo corsellet, libertando os seios. Beijou-o novamente, agora com mais intensidade, se entregando por completo depois de tanto tempo.
Sentiu as mãos urgentes dele embaixo da saia, e gemeu baixinho.
- Eu te amo, Shannon. Senti tanto a sua falta.- Sayid tinha lágrimas nos olhos.
- Eu também, meu amor. Nunca mais vou me afastar tanto de você. Eu prometo.
Apertou-o junto de si sentindo-o possuí-la. Sabia que Sayid corria o risco de nunca mais voltar daquela missão de resgate. Mas também sabia que não adiantaria nada tentar impedi-lo, ele iria de qualquer jeito. Então se resignaria à vontade dele e esperaria por seu retorno, como a esposa de um bravo soldado deveria fazer.
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Depois de muito chorar e se lamentar, o sono finalmente venceu Debbie e ela adormeceu nos braços de Steve. Quando percebeu que ela estava em sono profundo, Steve deu-lhe um beijo terno na testa e saiu da barraca.
Àquela hora o acampamento estava deserto. Todos recolhidos em suas barracas, assustados com os últimos acontecimentos. Em sua barraca, Bernard não conseguia dormir, sentia-se culpado pelo desaparecimento de Sawyer, afinal fora ele quem insistira com Sayid para que ele fosse preso porque violentara a sua menina. Mas no final das contas, Sawyer era inocente, e Bernard sabia que Ana-Lucia jamais o perdoaria por ter contribuído indiretamente para o desaparecimento do pai de seu filho.
Lá fora, dois vultos se moviam rapidamente pela penumbra, poucas tochas estavam acesas na praia. Eram Ana-Lucia e Eko retornando ao acampamento. Ana estava bufando de raiva, completamente incontrolável. Eko tentava a todo custo acalmá-la:
- Ana, venha! Vamos conversar na igreja, rezar juntos por Sawyer você vai se sentir melhor.
- Não Eko, eu não quero rezar. Quero conversar com a Debbie.
- Ana, isso não vai levar a nada. Debbie já sofreu muito por hoje, deixe-a descansar. Amanhã você conversa com ela para esclarecer as coisas.
- Nós vamos conversar agora. Só eu e ela. – Ana Lucia falou enfatizando palavra por palavra, os olhos negros assumindo uma tonalidade ainda mais escura, refletindo todo o ódio que sentia.
Caminhou determinada até a barraca de Debbie, Eko a seguiu. Ela voltou-se para ele, tentando parecer calma:
- Você fica aqui enquanto eu falo com ela. Não ouse me interromper.
Eko assentiu, pelo menos naquele primeiro momento, não queria contrariá-la deixando-a ainda mais nervosa, temia pelo bebê. Deixou que ela entrasse sozinha, se as coisas saíssem do controle ele estaria lá para intervir.
Debbie dormia, mas quando Ana-Lucia entrou na barraca foi como se ela pressentisse sua presença. O sono tornou-se inquieto e ela despertou deparando-se com a própria.
- Ana!- exclamou, levando as mãos ao peito. – O que está fazendo aqui?
- È só uma visitinha. Vim ver como você está passando.- ela respondeu ironicamente. – Ah, e também quero lhe fazer umas perguntinhas se não se importa.
Deborah sentiu medo. Ana-Lucia tinha o olhar possuído por algum tipo de força demoníaca pronta a destroçar-lhe caso ela dissesse algo errado.
- Eu não posso conversar agora, mas queria te pedir desculpas pelo que eu disse sobre o Sawyer. Já pedi a Libby que o desamarrassem da árvore.- Debbie tinha a voz embargada, temerosa .
- Claro que pediu, inclusive isso já foi feito, pelos "Outros".- Ana-Lucia gritou. – Os "Outros" o levaram, e por sua culpa.
- O quê?- Debbie espantou-se. – Mas como isso? Ninguém me disse nada.
Ana-Lucia apertou os olhos e mordeu os lábios, tentando conter a raiva.
- Cínica! Por que Deborah? Queria tanto o Sawyer assim que se uniu aos "Outros" para tentar matar a mim e ao meu filho só para ficar com ele?
- Não Ana, eu não tive nada a ver com o seu envenenamento. Foi Goodwin, ele me violentou e me ameaçou. Disse que ia me matar e matar você se eu não acusasse o Sawyer, sinto muito.
- Cala a boca!- Ana ordenou, ríspida. – Chega de desculpas, chega de mentiras!
- Não é mentira Ana. Jamais quis o mal do Sawyer, eu o amo...
Ao ouvir essa declaração, Ana não se controlou mais e a estapeou, certeira, fazendo-a gemer de dor.
- Ana!- gritou Eko do lado de fora, já se preparando para entrar.
- Eu ainda não terminei Eko.- Ana-Lucia respondeu. Voltou seus olhos novamente para Debbie, e para sua surpresa esta a encarou, o medo se transformando em raiva por causa do tapa que levara.
- Por que sente medo quando eu digo que o amo? Sim, eu o amo. E você sabe tão bem quanto eu que ele só está com você por causa dessa criança que espera. Ouvi falar que você não pode mais ter filhos, e que não sabe nem se conseguirá ter esse. Mas eu não sou estéril como você, posso dar muitos filhos a ele.
Ana-Lucia deu um sorriso irônico:
- Antes que isso aconteça, você vai estar morta sua fedelha!
Voltou a estapeá-la, uma, duas, três vezes. Debbie foi pra cima dela tentando se defender com as unhas. Sem controle, Ana-Lucia envolveu as duas mãos no pescoço dela e começou a apertá-lo, sufocando-a enquanto Debbie se debatia.
Percebendo que as coisas haviam esquentado por lá, Eko entrou na barraca e segurou Ana-Lucia com força, impedindo-a de quebrar o pescoço de Deborah.
- Agora já chega Ana, vamos sair daqui!- pediu com autoridade.
A essa altura metade do acampamento havia acordado com a confusão, correndo para ver o que estava acontecendo, inclusive Jack e Kate.
- Cadela desgraçada!- gritou Debbie com a mão no pescoço dolorido!
Eko ainda segurava Ana-Lucia que tentava se soltar dos braços fortes dele querendo bater ainda mais no rosto cínico de Debbie.
- Sawyer não te ama. Você foi apenas uma distração pra ele!
Rose estava chocada com aquela cena. Estupefata com o que estava ouvindo Debbie dizer.
- Sou tão boa quanto você, e quando ele voltar pro acampamento vou provar isso a ele.
Nesse momento, Debbie sentiu a força de mais um tapa no rosto, que já estava marcado pelas mãos de Ana-Lucia. Voltou seus olhos para a pessoa que lhe dirigira o tapa:
- Tia Rose...
- Entre agora na sua barraca! Não quero mais ver a sua cara hoje.- Rose tinha lágrimas nos olhos.
Debbie entrou na barraca imediatamente. Steve fez menção de ir atrás dela, mas foi interrompido por Bernard.
- Nada disso, vá pra sua barraca também.
Ana-Lucia se livrou dos braços de Eko e saiu caminhando a passos duros para a barraca de Sawyer. As pessoas começaram a conversar entre si ao mesmo tempo comentando a cena. Jack pôs ordem ao acampamento:
- Muito bem pessoal, o show acabou. Peço por favor, que retornem às suas barracas.
Aos poucos as pessoas foram se dispersando, permanecendo apenas Eko, Jack, Kate e Libby.
- Eko.- chamou Jack. O Nigeriano se aproximou dele. – Partiremos às quatro e meia da manhã para irmos atrás do Sawyer, você virá conosco?
- Não, não irei. Creio que já que irão partir, minha presença no acampamento se torna necessária, não podemos deixar as pessoas desprotegidas diante dessas circunstâncias.
- Está certo.- concordou Jack. Aproximou-se de Kate, que acompanhava Ana-Lucia com os olhos, sentida por ela. – Vamos dormir, Kate.
- Mas e a Ana?- indagou preocupada.
- Eu vou falar com ela.- disse Libby.
- Ok.- Kate concordou. – Mas se ela precisar de alguma coisa, nos chame, por favor.
Jack colocou o braço em volta da cintura dela e Kate fez o mesmo com ele. Os dois saíram caminhando de volta para sua barraca. Libby correu até Ana-Lucia que já estava na entrada da barraca de Sawyer.
- Ana, você está bem?
- Libby, sei que quer me ajudar. Mas eu gostaria de ficar sozinha agora, por favor.- ela pediu de cabeça baixa, sem olhar para Libby.
- Está bem, mas se você sentir qualquer coisa, grite que eu venho correndo, tá?- abraçou Ana-Lucia e beijou-lhe a face carinhosamente.
Ana-Lucia concordou. Entrou na barraca de Sawyer pisando devagar, passo por passo. Doía muito entrar naquele lugar e não ver o seu Cowboy sentando na cama de almofadas, lendo qualquer coisa com aqueles óculos enormes e ridículos, mas que o faziam parecer mais lindo ainda.
Sentou-se na cama e pegou uma camisa dele que estava embolada em um canto da barraca. Levou-a ao rosto, abraçando-a junto de si, sentindo o cheiro dele na camisa. Deitou-se, o choro veio incontrolável, comprimindo-lhe o peito.
- Donde estás, mi amor? Donde estás?- murmurava consigo mesma, soluçando. Eu vou atrás de você, e ninguém vai me impedir!
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O alarme soava sem parar, enchendo o ambiente com seu ruído desesperado, como alguém que grita por socorro e não obtém resposta. Hurley e Charlie já estavam ficando malucos com isso. Um olhava para a cara do outro em pânico, sem saber o que fazer. Charlie, imobilizado no sofá por causa da perna machucada, e Hurley todo amarrado em uma cadeira, as mãos e os pés. Tinha até uma fita adesiva grudada na boca. Quando tentou impedir Ana-Lucia de sair da escotilha, ela foi para cima dele agressiva. Não o machucou, mas o deixou tão impossibilitado de se mexer quanto Charlie.
Hurley pensou que assim que conseguisse se livrar daquelas cordas, diria a Jack que nunca mais faria outro favor daqueles para ele. Tomar conta de Ana-Lucia? Nem pensar! Era melhor ser babá do capeta.
- E agora Hurley, se a gente não digitar o código, essa panela de pressão vai explodir e matar a nós dois. Se lembra o que aconteceu da última vez?
Hurley tentava falar, mas só conseguia emitir grunhidos por causa da fita adesiva colada na boca. O alarme soou uma última vez. Logo uma voz feminina computadorizada começou a repetir incessantemente:
- Falha no sistema! Falha no sistema!
- Ai meu Deus não! Eu sou muito jovem pra morrer!- desesperou-se Charlie.
Hurley fechou os olhos, temendo o inevitável quando de repente tudo ficou em silêncio outra vez. Charlie também tinha fechado seus olhos e ao ouvir barulho de passos vindos da sala do computador entreabriu o olho direito, temeroso.
Locke entrou na cozinha se assustando ao ver Hurley todo amarrado.
- Mas o que aconteceu?- indagou. – Por pouco essa escotilha não explode!
- John, que bom ver você!- falou Charlie sorrindo. – Eu já estava começando a ver a minha vida inteira passando diante dos meus olhos.
Locke apressou-se em pegar uma de suas facas no bolso da calça e cortar as cordas que prendiam Hurley.
- Quem fez isso?- perguntou tirando a fita adesiva da boca de Hurley.
- Foi a Ana-Lucia, cara. Aquela mulher é bizarra, não me canso de dizer isso. Eu tentei impedi-la de sair da escotilha por causa daquela parada do bebê e tal, mas a mulher não quis saber de nada não, baixou um "caboclo" nela e ela me amarrou aqui pra poder ir atrás do Sawyer.
- Então ela já deve estar sabendo do desaparecimento dele. – constatou Locke. – E deve ter ficado ainda mais furiosa.
- Desaparecimento do Sawyer? Que história é essa?- indagou Charlie.
- Os "Outros" o levaram é o que achamos. Sawyer é inocente, Debbie foi violentada, mas não por ele. Confessou ter sido Goodwin.
- Pô, e quem raios é Goodwin?- perguntou Hurley.
- Ele era um dos "Outros" que estava infiltrado no grupo de sobreviventes da cauda do avião. Mas Ana-Lucia o matou. Então está claro que esse homem está mentindo sobre sua identidade. Provavelmente estamos lidando com algo muito grande.
- Minha nossa!- exclamou Charlie. – Isso significa então que nosso acampamento está em perigo? Os "Outros" estão agindo outra vez? E a Claire e o meu filho?
- Acalme-se Charlie. Se eles quisessem mesmo invadir o nosso acampamento o que os impede de fazer isso?- raciocinou Locke. – Isso só me leva a crer que esse não é o interesse deles no momento.
- E o que vai ser do Sawyer, dude?- perguntou Hurley.
- Nós vamos partir atrás dele, amanhã bem cedo. Eu, Jack, Sayid, Michael, Pedro e com certeza a Kate.
- Mas e quanto à minha perna? – queixou-se Charlie. – Quem vai trocar os curativos já que o Jack não vai estar aqui?
- Libby vai tentar assumir o papel dele enquanto estivermos fora, não se preocupe ela é perfeitamente qualificada.- respondeu Locke.
- È claro que é!- concordou Hurley.
- Bem, eu não sei quanto a vocês, ma eu vou dormir. Tenho que levantar daqui a exatamente umas três horas e vinte minutos. Boa noite.
Charlie acomodou-se melhor no sofá para dormir, e Hurley resolveu ficar ali pela escotilha mesmo até o sol nascer, não queria se arriscar a sair pela floresta com essa história de ataque dos "Outros".
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O dia ainda não havia clareado, mas já passavam das cinco da manhã.Em sua barraca Kate dormia a sono solto, instintivamente aconchegando-se mais a Jack querendo entrelaçar suas pernas nas dele, mas acabou acordando ao notar que ele não estava lá. Sentou-se agoniada e olhou ao redor na barraca escura procurando-o.
- Jack?- chamou na entrada da barraca, na esperança de que ele estivesse lá fora. Mas Jack não respondeu. Kate ficou aflita. Teria ele partido mesmo sem ela? Não iria perdoá-lo se ele tivesse feito isso.
Levantou da cama e procurou pela calça jeans, vestindo-a. Trocou a blusa branca de alcinhas por uma camiseta azul baby-look. Pegou algumas peças de roupa, a jaqueta, alguns objetos pessoais e enfiou tudo na mochila. Lavou o rosto com um pouco de água que tinha em um balde, escovou os dentes, prendeu o cabelo em um coque e pôs a mochila nas costas, tudo muito rápido. Saiu da barraca praticamente correndo.
- Jack! Jack!- gritou e logo o avistou junto com o resto do grupo de busca. Pareciam estar em meio a uma grande discussão.
- Não, nem pensar! Não posso aceitar que você venha conosco Ana-Lucia, não no seu estado. Sinto muito!- Jack dizia.
Ana-Lucia torceu o nariz pra ele. Também estava com uma mochila nas costas. Usava uma camisa quadriculada de Sawyer, amarrada na cintura apenas para que não ficasse muito larga, uma calça de molleton cinza, e os logos cabelos negros cuidadosamente presos em uma trança raiz. O rosto estava abatido e inchado de tanto chorar, mas seus olhos refletiam determinação.
- Não me importa o que você acha, doc, mas eu vou atrás do Sawyer.
- Ana, pense bem. Vai estar arriscando a vida do seu filho.- lembrou Pedro, também equipado para a missão.
- Cale a boca, não estou falando com você.- ela disse grosseiramente, voltando seus olhos para Jack.
Locke e Michael não diziam nada, sabiam o quanto ela era teimosa.
- Não posso te amarrar aqui no acampamento, mas saiba que se vier a responsabilidade é sua se acontecer alguma coisa com seu filho.- avisou Jack, vendo que não a convenceria a ficar.
- Eu sei me cuidar!- ela falou.
Sayid vendo a insistência dela balançou a cabeça fazendo sua expressão divertida:
- Deixe-a Jack, eu me responsabilizo por ela.
Shannon que estava ao seu lado ergueu uma sobrancelha.
- Como é habib?
- Devo isso ao Sawyer, minha loura.
Ana-Lucia sorriu para Sayid, em outros tempos teria dito que não precisava de ajuda nenhuma, mas dadas às circunstâncias toda ajuda era bem vinda.
- Vamos então!- disse Locke. Ao ver Kate chegando, jogou uma pistola nas mãos dela. – Sua arma, Kate.
- Como assim sua arma?- bradou Jack. – Já disse que a Kate não vai!
- Isso não é você quem decide, vai ter que me engolir, Shephard!- Kate disse firme, colocando a arma no bolso da calça.
Locke entregou uma arma para Ana-Lucia que também fez o mesmo que Kate. Rose se aproximou do grupo com uma sacola.
- Aqui tem mantimentos para a viagem! Que Deus os proteja!
Eko fez o sinal da cruz sobre todos, abençoando-os, protegendo-os dos perigos que iriam enfrentar. Walt abraçou o pai.
- Meu filho, seja bonzinho com a Shannon, tá? Obedeça a todos e não se meta em encrencas.
Walt sorriu. Shannon se aproximou de Sayid, e sussurrou em seu ouvido:
- Que Alá te proteja, volta logo pra mim habib!
Ele a beijou intensamente, despedindo-se dela. Não sabia quando a veria de novo. Algumas pessoas que estavam presentes, como Desmond, Bernard, Rose, Libby, Tina, Aline, Jin e Sun apertavam as mãos dos que iam partir.
Sun deu um abraço apertado em Kate.
- Minha amiga, espero que você fique bem.
Claire veio correndo com Aaron ao colo para se despedir de todos, abraçando primeiro Kate. Ela puxou as duas para um canto.
- Tenho que contar uma coisa pra vocês.- as duas ficaram atentas. – Eu estou grávida!
Sun e Claire arregalaram os olhos.
- Oh meu Deus! E você vai nessa missão assim?- indagou Sun.
- Eu vou ficar bem, vai dar tudo certo. Vamos trazer o Sawyer de volta.
Ela beijou a testa de Aaron e depois abraçou Jin, acariciando o cabelo de Jung que estava em seu colo.
- Boa sorte!- disse Shannon para Ana-Lucia.
- Obrigada!- respondeu Ana-Lucia apertando a mão dela pela primeira vez.
- Ana, tenha muito cuidado, por favor!- pediu Libby com lágrimas nos olhos, estava muito preocupada de vê-la partir naquele estado.
Ana-Lucia sorriu e a abraçou. O grupo começou a caminhar para dentro da mata. Ela correu e abraçou Eko, que a acalentou junto ao peito beijando o topo de sua cabeça.
- Tome cuidado, niña. Estarei rezando por você.
O grupo partiu. No acampamento restaram apenas as incertezas. Os veriam novamente? Quem poderia saber?
Continua...
