Episódio 24- "2° dia"
Sinopse: O grupo continua sua jornada em busca de Sawyer através da selva misteriosa, no entanto, no meio do caminho são obrigados a se dividirem, Jack resolve que não irá mais pôr em risco as vidas de Kate, Ana-Lucia e de seus bebês.
Censura: T.
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Não esperaram amanhecer para partirem. O ataque que tinham sofrido durante a noite havia sido suficiente para motivá-los a saírem dali ainda mais rápido. Pedro, apesar de ter tido o ombro quase dilacerado estava bem, Jack suturara o ferimento fazendo um eficiente curativo, ele iria sobreviver. O mesmo não se podia dizer de Ana-Lucia, ela caminhava cada vez mais arrastada, no rosto uma expressão de esforço extremo.
Jack estava cada vez mais preocupado com ela, ficava se perguntando até quando ela iria agüentar. E depois, o que fariam com ela se não fosse mais capaz de acompanhar o grupo? Preocupava-se por Kate também, ela ficara muito assustada com o que acontecera à noite. Sustos como aquele poderiam comprometer sua gravidez que ainda estava muito no início. No entanto, realmente não sabia se as duas estariam mais seguras no acampamento longe dos cuidados médicos dele. Pelo menos ele estava ali perto delas, pronto a acudi-las caso precisassem de qualquer coisa.
Kate começou a ficar inquieta de repente, ele notou. O trio que carregava a dinamite ia bem mais à frente, Rosseau logo atrás dele com o olhar atento a tudo e a todos.
- Kate, algum problema?- Jack perguntou.
Ela sussurrou:
- Tem pelo menos quatro homens nos seguindo. Rosseau já percebeu também, mas o Locke e os outros não.
Jack franziu a testa e instintivamente procurou com os olhos pelos tais homens no meio da mata. Kate o cutucou com o braço, advertindo-o para que não fizesse isso, ou então os homens perceberiam que tinham sido descobertos. Mas já era tarde demais, os homens viram seu gesto para eles e intensificaram o passo na direção deles. Ana-Lucia percebeu a movimentação entre as árvores e sacou sua arma.
Rosseau preparou seu arco e flecha, precisava proteger o grupo que carregava os explosivos, um tiro neles além de matá-los poderia explodir tudo ao seu redor, levando o grupo inteiro junto. Locke, Pedro e Sayid, ao perceberem os homens que os seguiam ficaram tensos, imaginando o que aconteceria se houvesse troca de tiros. Rosseau fez um sinal discreto para que sacassem também suas armas.
A situação era extremamente tensa, ambos os lados esperando para ver quem atiraria primeiro. Michael achou que um dos homens estivesse distraído e resolve atirar. Esse disparo foi o suficiente para que a troca de tiros começasse. Locke, Sayid e Pedro largaram devagar suas mochilas uma longe da outra e correram para se proteger enquanto sacavam suas armas. Pedro não sabia como atirar, isso o deixou nervoso.
Um dos homens mirou na direção de Ana-Lucia. Ela se deu conta disso e atirou no homem, mas o cano da sua arma travou deixando-a completamente vulnerável. Jack percebeu e se jogou na frente dela, protegendo-a. O tiro foi disparado. Kate gritou:
- Nãooooooooooo!
Tarde demais, Jack foi atingido, caindo aos pés de Ana-Lucia. O homem que atirou nele foi acertado por uma das flechas de Rosseau caindo de cima de um barranco de areia, os demais vendo que seu colega fora acertado, fugiram. Kate correu até Jack, desesperada:
- Jack! Meu amor, fala comigo! Fala comigo!- ela dizia enquanto deitava a cabeça dele em seu colo.
Ana-Lucia procurou o local onde o tiro acertara, suspirou aliviada quando viu que a bala passara de raspão provocando apenas um ferimento dolorido na perna esquerda dele. Jack abriu os olhos, sentindo a perna arder no local onde a bala tinha esbarrado.
- Jack!- exclamou Kate ao ver que ele estava bem. – Você me assustou, eu pensei que...- ela sentiu-se zonza por causa do susto, uma leve pontada no ventre. Gemeu de dor.
- O que foi Kate?- indagou Ana-Lucia.
- Nada, eu estou bem.- respondeu Kate, respirando fundo, tentando conter o nervosismo, não queria que isso prejudicasse o seu bebê. Concentrou seu pensamento em Jack e disse à Ana-Lucia: - Ana, pegue a mochila do Jack, preciso cuidar da perna dele.
- Tudo bem Kate.- falou Jack refazendo-se do susto. – Eu posso cuidar da minha perna...
Ana-Lucia trouxe a mochila. Kate ignorou o que Jack dissera e tirou o álcool, a gaze e a tesoura de lá de dentro. Entregou a Ana-Lucia a tesoura.
- Corte a perna da calça dele, Ana.
Ela começou a fazer isso enquanto Kate destampava o álcool. Locke e os outros se aproximaram.
- Você está bem, Jack?
- Estou John.- ele assentiu.
Rosseau puxou o grupo para um canto, deixando Kate e Ana-Lucia cuidando de Jack.
- Eles fugiram, mas vão voltar.- comentou. – Vamos precisar dividir o nosso grupo, as duas grávidas estão nos atrasando.
- E o que você sugere, Danielle? Que as deixemos para um lado e sigamos para o outro?- indagou Sayid.
- Não, estou apenas dizendo que vai chegar a hora em que teremos que nos dividir inevitavelmente. O acampamento deles ainda está longe. A mulher do doutor talvez possa agüentar muita coisa ainda, mas a outra não irá muito longe.
Sayd ficou pensativo com as palavras de Rosseau, mas desfazer o grupo poderia ser muito perigoso, até porque que critério usariam para essa divisão? Jack, as duas grávidas e o restante do grupo? Pedro estava muito ferido também, não poderiam deixar toda essa carga nas costas de Jack.
- Podemos prosseguir!- avisou Rosseau. – Fiquemos mais alerta dessa vez.
Locke havia acabado de checar o homem que atirara em Jack, e que Rosseau matara com a flecha. Nada que pudesse identificá-lo como era de se esperar. Mais um homem sujo e maltrapilho como seus comparsas.
Seguiram adiante, dessa vez menos animados do que quando partiram, mas nem por isso menos determinados. Apesar de ser dia, o céu estava escuro prometendo tempestade para mais tarde.
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Sawyer sentiu uma dor lancinante ao ser jogado com toda a força dentro de uma cela imunda. Os ossos estavam moídos por causa do tempo que passara amarrado. Massageava o próprio pulso sentindo o odor acre daquela prisão. Não tinha mesmo a menor idéia de onde estava, seu braço estava marcado por várias picadas de agulha que recebera para que ficasse desacordado a maior parte do trajeto. Das poucas vezes em que se sentiu consciente tentou perguntar aos homens que o estavam levando, para onde estavam indo. Mas não recebia resposta. Aqueles homens eram muito rústicos, não conversavam entre si, apenas resmungavam. Sawyer se perguntou se aquelas criaturas sabiam falar além de grunhir.
Começou a visualizar melhor o lugar onde estava. Era uma cela apertada, uma espécie de gaiola cercada por paredes de metal enferrujadas. Pôs-se de pé e gritou com toda a força que ainda restava em seus pulmões:
- Alguém venha até aqui! Estou com fome, com sede. Não quero ficar preso.- ninguém respondeu. Ele passou a mãos pelos cabelos loiros desgrenhados e apertou os olhos. Pensou em Ana, como ela estaria? Murmurou o nome dela, várias vezes. – Ana, Ana... – gritou: - Seus idiotas, me tirem daqui!!!!!!!!
- Assim você arrebenta os pulmões!- disse uma mulher de olhar inquisidor que adentrou a sala abafada no momento em que Sawyer gritava por Ana-Lucia. Usava um jaleco branco e os saltos dos seus sapatos ecoavam por todo o piso de madeira.
- Quem é você?- indagou Sawyer.
- Quem você quiser que eu seja.- a mulher respondeu com autoridade mexendo nos cabelos loiros e lisos, charmosamente. – Posso ser sua amiga ou sua pior inimiga, é você quem escolhe!
- Mas o que é isso? Me escalaram pra fazer um episódio do Arquivo X e eu não estou sabendo?- bradou Sawyer. Que papo é esse de amigo ou inimigo? Pra mim só existe o fato de que eu fui arrastado do meu acampamento por toda a floresta encantada só pra chegar aqui na casa da bruxa malvada. E o que vai fazer agora? Me engordar até eu estar no ponto de ser devorado? Nossa, por que fui esquecer de marcar o caminho com pedrinhas brancas?
- Bem que me disseram que você costuma usar o sarcasmo quando está nervoso. Mas te devorar? Pense bem, James, eu tenho cara de canibal?
- Quer mesmo saber do que eu acho que você tem cara, srta. Blair?
A mulher deu um falso sorriso, e com seu jeito sonso caminhou até a porta enferrujada e saiu por alguns minutos.
- Ei, onde é que você vai? Volta aqui!- gritou Sawyer outra vez.
Ela retornou com uma bandeja contendo uma garrafa de água e o que parecia ser um prato de sopa. Abriu uma portinhola na grade, que Sawyer não tinha notado, enfiando a bandeja por lá antes que ele pudesse tentar qualquer coisa pela estreita passagem. Fechou a abertura e disse:
- Coma! Esse é o meu conselho. Vai precisar para agüentar o que está por vir.
E sem dizer mais nada, saiu fechando a porta atrás de si. Sawyer não gritou mais, pelo menos não naquele momento. Pegou a água e o prato de sopa consumindo-os em segundos, estava faminto e sedento. Sua última refeição havia sido há praticamente dois dias, o macarrão que Kate preparara na escotilha. Sentia-se com um animal acuado, não gostara do que aquela mulher dissera, agüentar o que estava por vir? Do que ela estaria falando? Que espécie de gente era aquela? E quanto aos seus amigos, o tinham realmente abandonado? Veria Ana de novo? Muitas perguntas sem resposta, e Sawyer estava cansado. No canto da cela havia um colchão velho e mofento, mas ele não se importou em deitar lá e dormir. Precisava descansar para poder bolar um bom plano para escapar daquele lugar.
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Mais um dia inteiro de caminhada. O grupo se embrenhava por caminhos desconhecidos, que não constavam do mapa de Rosseau. Nem ela havia ido tão longe ainda. À medida que entravam cada vez mais fundo na mata, percebiam o quanto o território da ilha era vasto. Dava até a impressão de que não tinha fim, ou o que era pior, a sensação de que o resto da civilização havia sido dizimada, sobrando apenas aquela ilha onde seriam forçados a viver para sempre.
Com o cair da tarde também veio a chuva, transformando a terra em lama e dificultando a caminhada. Pelo menos não tinham tido mais nenhum encontro desagradável com os Outros ou uma daquelas criaturas estranhas que os atacaram na noite anterior. Rosseau dizia que estavam na pista certa, mas o grupo começou a ter dúvidas sobre isso quando a paisagem ficou estranhamente repetitiva. Kate se inquietou com aquilo:
- È impressão minha ou é a terceira vez que passamos por esse lugar?
- Só impressão!- falou Rosseau. – Todas as árvores parecem iguais pra mim, não importa onde eu esteja.
Jack balançou a cabeça, estava andando com dificuldade por causa do ferimento à bala na perna:
- Eu não sei não, acho que Kate tem razão, talvez estejamos mesmo perdidos. John!- gritou, Locke ia mais à frente por causa dos explosivos.
- O quê?- ele indagou, parando e voltando-se para trás.
- Quero saber o que acha, será que estamos perdidos?
- Eu não sei Jack, conheço esta parte da ilha tão bem quanto você.- Locke respondeu.
- Vocês não confiam mesmo em mim, não é?- queixou-se Rosseau.- Estamos perto, no máximo um dia e meio de caminhada.
- Como descobriu esse acampamento, Danielle?- perguntou Sayid.
- Foi num sonho!- ela respondeu com o olhar perdido.
Kate franziu a testa, largando sua mochila no chão enlameado, a chuva se intensificando cada vez mais, deixando-os encharcados.
- O que vai fazer Kate?- indagou Jack.
Mas ela nem se deu ao trabalho de responder e começou a subir em uma árvore muito alta, com uma rapidez incrível.
- Kate, mas o que você está fazendo?- preocupou-se Jack. – Você pode cair, desça, por favor!
Todos pararam para olhar o que ela estava fazendo, até mesmo Rosseau. Ana-Lucia estava muito quieta, não dissera mais nenhuma palavra desde o tiroteio. Sentia uma dor fina no abdômen que aumentava de intensidade à medida que ela caminhava.
- Kate!- gritou Jack mais uma vez.
- Espera, eu vou ver se consigo ver alguma coisa daqui de cima.
O pé dela escorregou momentaneamente do tronco da árvore. Os outros ficaram apreensivos, Jack prendeu a respiração. Mas ela conseguiu se manter presa à árvore, enroscando suas pernas no tronco. Conseguiu chegar ao cume e alcançar os galhos, pisando devagar, pé ante pé.
- O que você está vendo?- perguntou Michael.
O olhar de Kate vislumbrou a mata fechada vista de cima da árvore, enxergou uma praia não muito longe.
- Eu estou vendo uma praia, há uns dez quilômetros daqui talvez.
- È pra lá que nós estamos indo.- afirmou Rosseau. – Foi pra lá que levaram o amigo de vocês.
- E como vamos saber se conseguiremos chegar vivos lá sem sermos atacados outra vez por aqueles homens ou até pior, aquela coisa que me mordeu?- perguntou Pedro.
- Não sabemos Pedro.- retorquiu Sayid.- Estamos nos arriscando.
- Mas eu sei de uma coisa.- disse Locke. – Aceitamos que viesse conosco nessa missão porque você fugiu do acampamento deles. Esse caminho não te parece familiar?
- Não, eu não me lembro de caminho nenhum.- falou Pedro. – Eu estava transtornado, nem sei como cheguei até o acampamento de vocês.
- Então por que fez tanta questão de vir conosco nessa missão? Arriscar sua vida por Sawyer?- Sayid o confrontou com expressão séria.
- Eu quis vir com vocês porque ainda tenho esperanças de encontrar Nikki com vida.- ele respondeu no mesmo tom de Sayid.
- Que estranho!- exclamou Kate de cima da árvore.
- O quê?- perguntou Jack.
- Eu estou vendo uma fumaça preta vinda da praia, parece se mover...
Locke assustou-se com as palavras dela.
- Kate, desça daí agora mesmo!
- Kate! Venha!- pediu Jack.
Ela começou a descer. Estava certa, a fumaça preta se movia cada vez mais rápido na direção deles. De repente, ouviram o ruído metálico que já tinham escutado antes. Árvores ao longe começaram a tombar, a floresta toda estava sendo sacudida. Kate levou menos tempo para chegar ao chão do que pra subir. O som ficava mais próximo a cada segundo, e a fumaça vinha na direção deles como um furacão.
- Corram!- gritou Rosseau.
O grupo que estava com os explosivos, baixou as mochilas no chão bem longe deles e disparou na frente. Rosseau também correu. Jack forçou a perna tentando acompanhar o passo de Kate. Ana-Lucia ficou para trás, era incapaz de correr. Folhas começaram a voar por todos os lados. Ana tombou no chão enlameado, lágrimas escorrendo por seus olhos. Sayid percebeu que ela ficara para trás e correu até ela. A fumaça veio com tudo em cima deles. Cada um procurou se esconder como pôde por entre as árvores. Mas Sayid e Ana-Lucia permaneceram lá, à deriva. A fumaça pairou sobre eles, Sayid a abraçou, protegendo-a. Ana-Lucia escondeu o rosto no peito dele.
Os demais assistiam a cena impressionados, sem respirar. A chuva havia parado de repente, só a fumaça era visível. Sayid não se mexeu do lugar, mantendo sua posição com Ana-Lucia, a fumaça circundou-os por alguns segundos, emitindo uma espécie de força eletormagnética sobre o lugar. Foi então, que esta se dissipou, sumindo num vendaval de folhas. O barulho metálico também tinha parado. Tudo voltou a ficar no mais completo silêncio, a escuridão pairou sobre eles. Era noite outra vez.
Sayid soltou Ana-Lucia e a olhou fundo nos olhos:
- Você está bem?
Ela parecia aterrorizada, em estado de choque. O coração batendo a mil por hora. Os outros correram até eles, para ver como estavam quando uma enorme explosão os cegou. Caíram cada um para um lado. Mais fumaça, junto com um cheiro inconfundível de queimado.
- Mas o que diabos foi isso?- indagou Michael.
- Foram os explosivos.- disse Rosseau. – Vocês os deixaram à deriva e eles explodiram.
- Deixamos à deriva?- falou Pedro. – Nós nem tivemos tempo pra nada, e eu ainda nem entendi o que foi aquela fumaça preta.
- Pelo menos estamos vivos.- disse Sayid.
- Você nunca viu a fumaça preta?- perguntou Locke a Pedro.
- Eu não...- começou a dizer Pedro quando ouviram Ana-Lucia gritar.
- Ana!- chamou Kate, preocupada. Indo ficar ao lado dela.
Ana-Lucia levou as duas mãos à barriga.
- Eu não agüento mais de dor!- queixou-se mordendo os lábios.
Jack foi até ela:
- Acalme-se Ana, você só ficou nervosa com o...
- Ela vai ter o bebê!- disse Rosseau.
- Não ela não vai...- insistiu Jack.
Ana-Lucia gritou de novo, respirando com dificuldade.
- Jack ,ela está tendo contrações, e fortes.- afirmou Kate.
Jack passou as mãos pela cabeça, incrédulo.
- Não, isso não vai...
Água começou a escorrer pelas pernas dela. Ana-Lucia olhou para Jack com olhar de pânico.
- Oh meu Deus, Ana. A sua bolsa estourou!- disse Kate.
Diversos pensamentos passaram pela cabeça de Ana-Lucia ao ouvir as palavras de Kate. Quando tomou o vôo 815 da Oceanic Airlines há um ano atrás nunca pensou que fosse terminar numa situação como aquela. Grávida, dando à luz no meio da floresta e ainda por cima sem o pai do seu filho. Sabia que o que estava por vir não seria nada fácil, nem fisicamente e mais ainda emocionalmente.
- Oh, Dios!- exclamou ao sentir mais uma contração dolorosa.
Jack indagou com a voz angustiada, próximo ao seu ouvido, entendendo finalmente que não tinha outra alternativa a não ser trazer aquela criança ao mundo mesmo sob aquelas condições:
- Ana, vai ficar tudo bem. Eu vou fazer o seu parto. Mas preciso que você me ajude também, certo?
- Ok.
Ela respirava entrecortadamente, suando frio. Kate segurava sua mão como uma boa amiga, paciente ao seu lado, disposta a ajudá-la no que fosse preciso.
- De quanto em quanto tempo estão vindo as contrações?- Jack perguntou tocando a barriga dela.
- Eu não sei, de três em três minutos eu acho...
- Vamos contar juntas!- disse Kate. – Michael, eu preciso do seu relógio.
Michael lhe entregou o relógio de pulso caríssimo que havia sido presente de Jin, e que também já havia sido motivo de muita confusão no acampamento. Agora serviria para ajudar Kate a marcar o tempo das contrações de Ana-Lucia.
- Jack, há algo que possamos fazer?- perguntou Sayid.
- Sim.- disse Jack. – Eu preciso que você e o Michael improvisem uma tenda com aquele pedaço de lona que trouxemos e alguns tocos de madeira. Não vou deixá-la ter o filho ao relento.
Sayid concordou e junto com Michael saíram para procurar madeira.
- Com certeza você vai precisar de água.- afirmou Rosseau. – Eu ouvi um córrego não muito longe daqui. Vou até lá.
- Eu vou com você!- disse Pedro.
- John, acenda uma fogueira e esterilize a tesoura com o resto de água que temos pra beber, mas deixe um pouco na garrafa para Ana-Lucia beber, ela vai precisar.
- "Sam of a bitch".- xingou Ana-Lucia ao sentir uma contração ainda mais forte que a anterior.
- Yeah, três em três minutos.- falou Kate segurando o relógio. – Você vai ter o bebê logo, não vai demorar.
Ana-Lucia mordeu os lábios:
- Eu espero que sim!
Jack sorriu, o intervalo das contrações estava bom, se tudo continuasse assim o bebê nasceria logo, sem problemas. Entretanto, cerca de uma hora se passou e o bebê ainda não tinha nascido. Sayid e Michael conseguiram montar em tempo recorde uma pequena barraca para acomodá-la. Jack forrou-a com cobertores. Kate a preparou para o parto despindo-a das roupas molhadas e cobrindo suas pernas com um dos cobertores. O intervalo entre as contrações aumentou, de três passou para cinco minutos. Isso não era nada bom, pensava Jack consigo mesmo. Verificou a dilatação duas vezes, estava muito lenta. Ana-Lucia sofria muito, mas procurava não demonstrar. Mesmo assim Kate notava as expressões faciais de desespero dela e procurava ajudá-la.
- Você quer mais água, Ana?
- Sim, Kate.- ela assentiu enquanto Kate derramava um pouco de água sobre os lábios dela apenas para umedecê-los.
Jack se encontrava à entrada da tenda, segurando o relógio de Michael nas mãos, extremamente tenso. Sayid sentou-se ao lado dele.
- E então, como ela está? Ainda vai demorar muito?
- Eu não sei. O bebê já deveria ter nascido, mas a dilatação está muito lenta. Ela não tem passagem para tê-lo e as dores só tendem a aumentar por causa disso. Se ela estivesse em um hospital agora com certeza uma cesariana já teria sido autorizada. Mas não posso fazer uma cesariana aqui, não tenho meios de fazê-lo.
- E não há mais nada que possa ser feito?- Sayid indagou, preocupado.
- Nada, a não ser esperar mais um pouco. Preciso de mais dilatação para fazer o que estou pensando.
- Jack! Jack!- Kate gritou de dentro da tenda. – È melhor você vir rápido!
Jack entrou depressa na tenda. Ana-Lucia gritava, não conseguia mais se conter, a dor era muito forte. Sayid foi sentar-se com Locke, Pedro e Michael que estavam apreensivos em volta da fogueira.
- È o fim de tudo não é? A estrada acaba aqui?- perguntou Ana-Lucia com o rosto tomado por lágrimas.
- Não Ana, você vai ficar bem. Seu bebê vai nascer, eu vou resolver isso!- Jack dizia tentando acalmá-la, mas ele também estava na raias do desespero.
Ana-Lucia começou a perder muito sangue, e nada do bebê nascer. Ela estava cada vez mais fraca, e muito pálida, os lábios perdendo a cor. Mas ela era persistente, determinada, forte, iria conseguir. Pelo menos era o que dizia a si mesma, não se deixando vencer. Sentia que seu filho estava chegando e que só dependia dela que ele nascesse. Mesmo que morresse naquele parto, tudo o que ela queria era que seu filho viesse ao mundo, tivesse uma chance de sobreviver. Respirou fundo e sussurrou para Kate enquanto mais uma vez Jack checava a dilatação do útero.
- Kate, eu quero te pedir uma coisa.
- Diga Ana, pode pedir.- disse Kate enxugando o suor da testa dela com um pano.
- Se eu morrer...
- Não, você não vai morrer!- bradou Kate sem conseguir controlar as lágrimas.
- Por favor, Kate, me escuta!- ela insistiu, sua voz estava extremamente abafada. – Se eu morrer, você promete que vai cuidar do meu filho como se fosse seu.
Kate olhou para Jack que também estava chorando.
- Yeah, eu prometo cuidar dele. Mas você não vai morrer Ana-Lucia.
- Não, não vai!- disse Jack, determinado. – Você é uma mulher forte, sobreviveu a um acidente de avião, atravessou metade da ilha tentando manter o seu grupo vivo e não vai morrer agora. Você vai ter seu bebê e nós vamos encontrar o Sawyer, e vocês serão felizes juntos. Os três.
Ana-Lucia tentou sorrir às palavras de Jack, mas a dor estava insuportável.
- Eu não vou conseguir! Eu não vou conseguir!- ela chorava.
- Você vai conseguir, Ana-Lucia!- insistiu Jack. Aquela altura, a dilatação dela já era suficiente para ele fazer o que pretendia, embora fosse muito arriscado fazer ali sem nenhuma anestesia, mas ele precisava arriscar. Saiu da tenda e chamou Locke.
- E os instrumentos John?
- Estão esterilizados. Mas o que vai fazer? Vai usar o bisturi? Vai operá-la sem nenhuma anestesia? Você é louco Jack!
Jack enxugou o suor da testa, estava com uma aparência cansada. Se pudesse tudo o que queria fazer pelas próximas vinte horas era dormir, mas não, tinha que resolver aquilo. Ao ver a expressão dele, Michael recordou-se do dia em que Boone se machucou ao cair de um bimotor preso a uma árvore. Jack o chamou para construir uma lâmina potentemente afiada para amputar a perna dele. Naquele momento, Jack tinha o mesmo olhar, e Michael sabia que ele iria até o fim com aquilo.
- Jack, você está me ouvindo?- exasperou-se Locke. – Você não pode operá-la assim!
Mas Jack já havia pegado o bisturi e a tesoura. Faria o que precisava ser feito.
- Ana-Lucia.- chamou.
Ela voltou os olhos lacrimenjantes para ele.
- Eu vou precisar muito da sua ajuda. Você não tem passagem suficiente, e se o bebê ficar mais tempo preso no canal ele vai morrer sufocado e você terá uma infecção generalizada.
Ana-Lucia fechou os olhos sentindo muito medo, pensou no rosto da mãe. Como queria que ela estivesse ali.
- Mas eu vou fazer um pequeno corte em você que vai ajudar o bebê a sair, com essa dilatação é a única coisa que pode ser feita. Eu não tenho nenhuma anestesia, isso vai ser muito doloroso. Mesmo assim, vou precisar que você seja forte, agüente a dor e faça muita força depois que eu cortar, certo?
- Yeah!- ela respondeu resignada. – Eu faço qualquer coisa!
Jack pegou o bisturi, suas mãos tremiam muito. Kate notou isso e inconscientemente se pegou rezando em pensamento. Em seu íntimo, Jack contava até cinco tentando recuperar o controle. Posicionou o bisturi e fez o corte nela. Ana-Lucia sentiu a lâmina afiada rasgando-lhe a carne e pensou que fosse desmaiar. Começou a chorar convulsivamente abraçando-se a Kate.
- Vamos Ana, agora vou precisar de você. Faça força!
Ela começou a fazer força de olhos fechados porque a vista estava turva. Gritava desesperada. Lá fora, todos estavam em silêncio, com olhares temerosos. Apenas Rosseau parecia impassível ao que estava acontecendo enquanto comia uma manga quieta em um canto. Sayid começou a fazer suas orações em árabe.
- Isso Ana, você está conseguindo!- falava Jack, incentivando-a.
Ana-Lucia respirava fundo, descansava momentaneamente e empurrava mais. Não demorou muito e um sorriso iluminou o rosto de Jack quando ele vislumbrou a cabeça do nenê.
- Ele está nascendo Ana! Seu filho está nascendo!
Kate não sabia se ria ou se chorava, estava emocionada. Um sorriso dançou nos lábios de Ana-Lucia e mais do que determinada ela fez mais força, já estava perto de acabar. O grito de dor dela ecoou pela mata, seguido do inconfundível chorinho de bebê recém-nascido.
- Nasceu!- exclamou Sayid abraçando Locke. Pedro e Michael se abraçaram também. Rosseau limitou-se a sorrir.
Jack pegou o bebê limpando de imediato o nariz e a boca para que ele pudesse respirar. Seu coração batia muito forte, acabara de realizar o segundo milagre da sua vida.
- È um menino lindo, Ana.- disse Kate. – Como ele é grande!
Jack cortou o cordão umbilical e o entregou a Ana-Lucia que ainda chorava, mas desta vez de felicidade. Era uma sensação indescritível pra ela sentir finalmente o filho em seus braços depois de tudo o que passou. Kate começou a limpar o menino com um pano enquanto sua mãe o abraçava.
- Hola mi amor, yo soy tu mama!- ela murmurou em espanhol.
- Ele é enorme, deve pesar quase quatro quilos. É o bebê mais bonito que eu já vi.- emocionou-se Jack.
O menino era muito branco, gordinho, os pés e as mãozinhas arredondadas. Praticamente não tinha cabelo, apenas algumas penugens douradas. Seus olhinhos azuis encontraram os de sua mãe e instintivamente ele segurou em seu polegar com força. Ana-Lucia riu.
- Você è forte como a mamãe!
Ele fez cara de choro outra vez e desabou em prantos, inquieto.
- Oh!- disse Kate toda derretida pelo bebê.
- No llores, niño! Mama está aqui.
Ana-Lucia estava tão entretida com seu bebê que quase não percebeu quando Jack retirou a placenta e começou a suturar o corte que fizera.
O bebê não parava de chorar, e Ana-Lucia preocupou-se.
- È normal ele chorar assim, Jack? Ele tem alguma coisa?
Jack sorriu: - Tem sim, fome! Você tem que amamentá-lo.
Ele voltou a se concentrar na agulha que costurava a pele dela. Ana-Lucia olhou para Kate, apreensiva.
- Você vai conseguir!- Kate disse sorrindo. Ajudou-a erguer a camiseta deixando um dos seios dela à mostra. Ana-Lucia posicionou o bebê com cuidado e guiou-o para o seu seio. O menino começou a mamar imediatamente, sugando com força.
Ana-Lucia e Kate riram, vendo o desespero dele.
- Ele é mesmo filho do Sawyer!- Kate comentou.
Jack riu também, terminando de dar o ponto no corte. Depois de todo aquele sufoco, havia dado tudo certo. Ana-Lucia não parava de sorrir, acariciava a cabecinha do filho, extasiada. Tudo agora seria diferente em sua vida, tinha um filho. Nada poderia ser mais maravilhoso do que aquilo.
- Já sabe como vai chamá-lo?- indagou Kate.
- Sim.- Ana-Lucia sorriu. – James.
Tudo parecia estar perfeito, no entanto, seu esforço durante o parto, e mais aquele esforço para alimentar o filho a fizeram ainda mais fraca e sua vista ficou turva outra vez, escurecendo pouco a pouco. Ela desmaiou. Kate gritou:
- Ana, Ana! Acorde por favor! Ana!
Jack tocou o rosto de Ana-Lucia, ela estava fria, ele preocupou-se.
- Kate, pegue o bebê.
- Jack, ela...- Kate estava muito nervosa.
- Anda Kate, pegue o bebê!- Jack pediu, sério.
Assim que Kate o pegou, o menino começou a chorar por ter de largar o peito da mãe. Jack abaixou a camiseta dela, cobrindo-a. Tomou seu pulso, estava muito fraco.
- Ana!- Jack chamou tocando o rosto dela.
Ela entrebriu os olhos devagar, estava muito fraca.
- Consegue me ouvir?- ele indagou.
- O bebê...- ela murmurou.
- Seu filho está bem Ana. Você agora precisa se alimentar, beber água e descansar ou então não terá forças para alimentar o seu filho. Está sentindo dor?
- Sim.- ela respondeu. O corte que Jack fizera nela ardia bastante, incomodando-a.
- Você precisa ficar totalmente em repouso, não pode se mexer muito ou os pontos podem ceder. Eu vou te dar alguns analgésicos, são fracos, mas vão ajudar a suportar a dor.
- A mochila...-ela disse numa voz abafada. – Kate, a minha mochila...
Kate pegou a mochila dela que estava no canto da tenda e abriu. Além de algumas roupas e pertences de Ana-Lucia havia também algumas roupinhas, fraldas e a manta do bebê. Ela sorriu, Ana-Lucia pensara em tudo. Jack pediu a Sayid e Locke que trouxessem mais água do córrego. Kate banhou o bebê, vestiu-o e o colocou na manta, entregando-o para Jack. Depois ajudou Ana-Lucia a se limpar e a trocar de roupa. Deu água, leite e frutas para ela, que adormeceu logo em seguida.
Jack estava exausto à porta da tenda quando Kate saiu de lá deixando Ana-Lucia dormindo. Embalava o bebê nos braços e sorria. Ela gostou de vê-lo fazendo isso, imaginou-o embalando o filho deles, estava ansiosa para que esse momento chegasse.
- Me diz cara, como você pode ser assim tão parecido com o Sawyer?- indagou Jack, brincando com o nenê.
O menino estava quietinho nos braços dele, envolvido na manta. Sayid e os outros dormiam próximo à fogueira, preparando-se para partir logo cedo e continuar sua jornada. Kate sentou-se ao lado de Jack.
- Acho que ele não quer dormir.- ela disse olhando para o bebê que tinha os olhos azuis bem acesos. – Ele parece que está encarando a gente.
Jack sorriu: - Parece, mas é só impressão. Bebês nessa idade não enxergam muita coisa além de vultos. Se guiam pelo cheiro, é assim que reconhecem a mãe e o pai.
- De qualquer forma, acho que ele gosta de você. Onde aprendeu a lidar tão bem com crianças?- ela indagou, curiosa.
- Segredo profissional.- ele respondeu divertido. James começou a ficar sonolento, bocejando nos braços de Jack. Levou o dedinho à boca, sugando-o.
- Jack, você acha que a Ana vai ficar bem?
- È difícil dizer, o que eu fiz foi muito arriscado, poderíamos ter perdido os dois.
- Mas não perdemos.- Kate reiterou.
- O que me preocupa agora, é que não poderemos seguir adiante com Ana-Lucia desse jeito e um bebê recém-nascido. Ela pode ter infecção se fizer esforço, não vai poder fazer longas caminhadas por pelo menos umas duas semanas. Vai levar uns três dias para andar sem sentir desconfortável, e isso se tudo correr bem. Outra coisa que me preocupa é a alimentação do bebê, ela está muito fraca com poucas condições de amamentar. Não temos nada aqui que possamos dar ao bebê.
- E o que vamos fazer, Jack?
- Vamos desistir de ir atrás do Sawyer.- ele respondeu com seriedade.
- Como?- ela perguntou, incrédula.
- Kate, precisamos ficar aqui até que Ana tenha o mínimo de condições de voltar para o acampamento. Ficaremos bem, podemos improvisar uma barraca maior, tem um córrego aqui perto onde podemos beber água e já observei que há muitas frutas nessas árvores.
- Mas e quanto ao Sawyer? Foi tão difícil chegar até aqui, vamos desistir dele agora?
- Deixemos que o Sayid siga com Locke e os outros. Não podemos arriscar a vida da Ana-Lucia e do bebê.- ele olhou fundo nos olhos dela. – Não posso mais arriscar a sua vida e a do nosso bebê.
Kate tocou levemente os lábios dele com os seus, beijando-o docemente. Ao sentir toda aquela movimentação, James começou a chorar desesperado. Kate o pegou dos braços de Jack.
- Vem aqui bebê, não chore, lindinho!
- Acho que ele não mamou o suficiente.- disse Jack.
- Eu vou levá-lo pra Ana, ver se ela tem condições de amamentá-lo.
Jack assentiu. Antes de entrar na tenda com o bebê aos berros, Kate se voltou para ele e o beijou rapidamente nos lábios:
- Te amo, farei o que você quiser. Vamos ficar aqui.
Ele sorriu e levantou-se, resolvendo se acomodar para dormir. Dentro da tenda, Ana Lucia despertou com o choro do filho. Kate se aproximou dela, sentando-se ao seu lado com o bebê no colo.
- Mas o que o meu filho tem? Vem aqui com a mamãe!- disse Ana Lucia tomando-o dos braços de Kate com cuidado.
- Ele está com fome, você tem condições de dar de mamar?- perguntou Kate.
- Sim.- Ana Lucia respondeu abaixando a alça do vestido que usava e aconchegando o bebê em seu seio. – Estou apaixonada por ele, custo a acreditar que finalmente o tenho em meus braços.
Kate sorriu: - Ele é mesmo um menino muito lindo.
- E como se parece com o pai!- Ana Lucia comentou. – Sinto tanta saudade dele.
Kate respirou fundo, tinha que dizer logo a ela que não seguiriam com o grupo na manhã seguinte.
- Ana...- começou. Ela voltou os olhos negros para ela. – Eu estava conversando com o Jack, e ele disse que o procedimento que fez em você para que pudesse ter o nenê foi muito perigoso. Você vai precisar de tempo para se recuperar.
- O que está me dizendo?- ela indagou, temendo pela resposta.
- Estou te dizendo que não seguiremos com o grupo amanhã. Vamos ficar aqui, Jack, eu, você e o bebê.
Uma lágrima escorreu dos olhos de Ana Lucia, toda aquela situação a deixara extremamente sensível. Ela sabia que Kate tinha razão, como seguir naquela busca perigosa daquele jeito, ainda mais com seu filho? Mas não podia evitar, desistir de Sawyer doía demais.
- Eu sei que vai ser difícil. Mas você tem que pensar no James agora.
Ela ficou vendo o filho mamando tranqüilo. Seu coração estava quebrando por dentro, prometera a si mesma não abandonar seu amor à própria sorte. Mas não tinha outra saída. O bebê dormiu mamando. Ela o afastou com cuidado do seu seio para que não acordasse. Depositou o bebê embrulhadinho em sua manta ao lado dela e colocou a alça do vestido no lugar. No momento seguinte, chorava sem controle, colocando pra fora toda a dor que a estava consumindo. Kate apiedou-se dela e a abraçou confortando-a.
- Sinto muito, Ana. Sinto muito.
Continua...
