Episódio 26- "Estrada para lugar nenhum"

Sinopse: Final da temporada. O confronto entre os Losties e os Outros.

Censura: T.

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A noite caiu. Locke, Sayid, Rosseau e Michael rumaram para a praia como tinham planejado. O clima estava pesado, anunciando chuva. Ao chegarem lá, continuaram a manter uma distância segura camuflando-se entre as árvores. E para a surpresa deles, logo começaram a observar uma movimentação de pessoas, saindo da Pandora a caminho da praia pela trilha principal. Eram homens e mulheres carregando diversos caixotes em direção à doca onde dois barcos de porte médio estavam ancorados. Não eram embarcações de luxo, pareciam mais barcos construídos com pedaços de outros barcos.

- E agora?- indagou Michael, impaciente.

Sayid carregou sua pistola automática, Locke também, tendo o cuidado de esconder três facas pela roupa, em caso da pistola falhar. Rosseau carregou a espingarda e preparou as flechas do seu arco.

- E agora que nós vamos seguir com o plano, capturar reféns para ameaçá-los.- respondeu Sayid para Michael.

- Por incrível que pareça.- disse Locke. – Eles parecem estar muito distraídos com suas tarefas, nem cismam que estamos aqui.

- Não contemos com isso, eles são muito espertos. Podem estar apenas esperando nos manifestarmos.- falou Rosseau.

- Vamos nos aproximar lentamente, nos escondemos naqueles arbustos mais à frente.- disse Sayid. – Eu e Michael vamos pela esquerda, John, você e Danielle peguem a direita.

O grupo se dividiu em duplas, avançando bem devagar sobre os "Outros" que estavam muito concentrados em carregar o material das escotilhas para o barco.

Em sua sala, Juliet já havia recolhido tudo o que precisava e mandado embarcar. Estava estranhando os procedimentos adotados por Ben. Primeiro ele mandara enviar Ana-Lucia e seu filho para a cela de Sawyer, depois arrancara ambos de lá e se trancara com ela em um dos quartos, saindo de lá de dentro afirmando que ela estava morta. Isso não tinha nada a ver com Ben, ele era um homem muito frio e calculista para simplesmente tê-la matado por vingança do que fizeram a ele no acampamento dos sobreviventes.

- Tem mais coisa nessa história!.- murmurou consigo mesma perdida em seus pensamentos. Até que uma idéia absurda surgiu na sua cabeça. – Mas é claro!- disse. – Ben é muito esperto isso só pode ter a ver com o projeto 2342. Aquele desgraçado! Não acredito que Karen autorizou isso!

Bateram em sua porta, Juliet avisou que podiam entrar. Alex entrou em sua sala segurando James que dormia embrulhado em sua manta depois de ter chorado muito.

- Eu já estou pronta. Pra qual barco devo ir?

- Pro do seu pai, oras! - ela disse pegando as últimas coisas de sua gaveta, objetos pessoais, e jogando tudo dentro de uma sacola.

- Os prisioneiros irão partir conosco?- Alex indagou.

- Todos vamos partir, Alex.- informou Juliet. – Não restará mais nada. Pandora será incinerada.

- A mãe dele virá conosco no mesmo barco?- perguntou acariciando a mãozinha inerte de James.

- A mãe dele está morta.- disse Juliet, sem emoção.

- Como?- Alex perguntou com o semblante triste.

Juliet deu de ombros: - Eu não sei, foi o que Ben me disse. Aliás, ninguém me informa mais nada, se eu pudesse largaria a Dharma.

- O quê?- espantou-se Alex.

- Isso o que você ouviu. Quando entrei para esse projeto eu tinha outras coisas em mente, e estou vendo agora que não era nada do que eu pensava. Pobrezinho!- Juliet disse acariciando a cabecinha de James. – Vai sentir falta da mãe, ou não...

Alex piscou os olhos sem entender.

- Um escritor inglês chamado Shakspeare disse uma vez: "Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia", então adaptando esta frase para o que estamos vivenciando, eu digo que Ben Linus tem mais cartas na manga do que imaginamos. E nada é o que parece. Agora vamos!

Juliet pegou sua sacola e junto com Alex deixaram a sala dela. E ela respirou resignada quando trancou aquela porta pela última vez.

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- Ben!- chamou Colleen correndo na direção dele pelos corredores. – O iraquiano está na doca, com o grupo dele, estão de tocaia em duplas para nos atacar. Que faremos? Acredito que vão tentar impedir o embarque assim que verem os prisioneiros serem levados.

- Continuem fingindo que não sabem da presença deles, mas assim que eles atacarem, estejam prontos, matem todos, apenas John Locke deverá ficar vivo para poder retornar ao seu acampamento.

- Sim.- disse Colleen e saiu caminhando em direção à porta de saída da Pandora.

Juliet e Alex cruzaram com Ben no corredor. Este sorriu ao vê-las e ordenou:

- Vá logo para o barco Alex, e fique na cabina principal com o bebê. Cuide bem dele, não deixe que lhe falte nada.

- O principal já está faltando.- disse Juliet. – A mãe dele.

- Vá Alex!- insistiu Ben. Alex saiu. Ele voltou seus olhos para Juliet, irritado: - E agora, o que é isso? Me afrontando na frente da minha filha? Não se esqueça de que agora é minha subordinada.

- Já disse que não sou sua subordinada. E não sou idiota também. Ana-Lucia está mesmo morta ou isso tudo faz parte do seu ingresso no projeto 2342?

- Não sou obrigado a desmentir nem confirmar nada do que você diz. Mas sim, Ana-Lucia está morta, para sempre! Você entendeu? Não quero nunca mais que esse nome seja pronunciado na minha presença.

- Acha que essa experiência vai dar certo?- ela questionou. – O pesquisador não deve se envolver emocionalmente no projeto, aprendemos com Alva.

- Juliet, você ainda precisa aprender muita coisa pra chegar à minha altura, portanto não me questione. Em vez disso, vá buscar os prisioneiros com Greg como eu falei, já estamos em cima da hora de embarcar.

Ela não discutiu mais e foi fazer o que ele disse.

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Kate tinha cochilado mais uma vez, mas dormir mesmo não conseguia. Estava muito assustada e preocupada para isso. Sentou na cama e olhou para o soro que estava tomando, já tinha terminado. Ela gritou vendo que sua mão começava a ficar arroxeada por causa da agulha que já não transmitia mais nada.

- Hey, o soro acabou. Quero sair daqui!

Mal ela disse isso, Bea entrou. Não estava mais usando roupa de médica. Entregou um vestido para Kate, esportivo, de cor esverdeada e cheio de laçarotes, ordenou:

- Vista isso! Nós vamos partir!

- Partir para onde?- ela indagou. – O Jack...

- Cale a boca, e vista logo isso. Estamos atrasados e eu não estou com paciência...

- Não farei nada até que eu veja o Jack.- Kate afirmou.

- Você é quem sabe!- ela reiterou. – Greg, venha até aqui.

Um homem gordo e barbudo entrou segurando um aparelho de dar choques apontando para Kate.

- Se você não se vestir agora.- disse Bea retirando a agulha dolorida do braço dela. – Eu mando Greg arrancar as suas roupas e te levar nua pro barco, o que me diz?

Kate engoliu em seco, com medo. Levantou-se da cama e disse:

- Está bem, mas não vou me trocar na frente desse homem!

- Não me venha com tolices!- disse Bea e arrancou a camisola de Kate deixando-a só de calcinha no meio do quarto. Ela cobriu os seios com raiva. Greg deu olhar malicioso a ela. – Agora vista isso, princesinha!- gritou Bea puxando-lhe o cabelo com força.

Kate sentiu um ódio enorme dentro de si e vestiu o vestido o mais rápido que pôde. Assim que estava vestida, Greg puxou-a pelo braço arrastando-a.

- Me solte seu troglodita!- disse Kate debatendo-se.

Greg a soltou e ela andou na frente dele sem dizer mais nada, Bea a seu lado fazendo cara de ameaça. Deixaram a sala.

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Juliet foi pessoalmente buscar Jack. Entrou na sala em que ele estava e o encontrou sentado no sofá, quieto e pensativo. Ao vê-la Jack levantou-se. Juliet segurou com firmeza o aparelho de dar choque nas mãos, e falou com seriedade:

- Já conversamos sobre isso, violência não vai nos levar a lugar algum. Eu vim buscá-lo.

- Me buscar para ir aonde?- ele indagou. – E a Kate?

Ela fez cara de tédio.

- Nossa, você e ela parecem cd arranhado!

- Como é que é?

- Jack, por favor, não me chateie mais do que eu já estou chateada. Vamos?

Jack ficou imóvel no lugar onde estava, olhando para ela.

- Se não me disser nada sobre a Kate, não irei a lugar nenhum com você, Juliet.

- A Kate está bem.- ela limitou-se a responder, fazendo um gesto para que ele a acompanhasse.

Ele resolveu segui-la para ver aonde isso ia dar, quem sabe encontraria algum de seus amigos do lado de fora daquela sala? Caminharam pelo longo corredor alguns minutos quando de repente, Jack a viu. Vinha sendo escoltada por um homem e uma mulher. Inconscientemente ela voltou seus olhos para trás e se deparou com os olhos castanho-esverdeados dele encarando-a. Seu peito ficou apertado e ela gritou do fundo do corredor:

- Jaaaaaaaaaackkkk!

Jack saiu correndo na direção dela. Juliet apertou o botão do choque, mas sua consciência a parou, não teve coragem de eletrocutá-lo. Greg segurou Kate firme para que ela não corresse até Jack, e Bea apontou sua pistola na direção dele.

- Não Bea, deixe-os!- gritou Juliet.

Greg soltou Kate e ela se atirou nos braços de Jack, enquanto ele a levantava do chão apertando-a junto de si.

- Oh Kate, você está bem?- ele disse distribuindo beijinhos pelo rosto dela.

- Eu estou.- ela respondeu se agarrando a ele.

Juliet se aproximou de Bea e Greg contornando Jack e Kate. Bea disse a ela:

- Julie, o que está fazendo? Essas não eram as ordens. Deveríamos amarrar os prisioneiros, cobrir o rosto deles e levá-los para o barco. Eles não podiam se encontrar, Ben disse que...

- O Ben que se f...- disse Juliet. – Jack e Kate irão juntos no porão do barco dele. Quando chegarmos à Vila, os separamos de acordo com os procedimentos.- ela falou sussurrando.

- E quanto ao Sawyer?- indagou Bea.

- Ele virá comigo no outro barco. Mas não no porão, quero ele na minha cabine. Você Greg vai ficar vigiando do lado de fora caso eu precise de algum apoio.

- Mas...- Greg começou.

Juliet foi categórica:

- Vão questionar as minhas ordens agora?

- Não.- os dois disseram em uníssono.

- Então, Greg vá buscar o Sawyer. Amarre-o e cubra a cabeça dele até chegar no barco. Bea, você vem comigo, nós duas vamos levar Jack e Kate até o porão do barco de Ben.

Jack e Kate permaneciam abraçados no meio do corredor. Sabiam que não adiantaria nada tentar correr ali dentro, mas quando saíssem teriam uma chance, e foi nisso que Jack acreditou quando segurou a mão de Kate e seguiu Juliet e Bea para fora da Pandora.

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"Sawyer...Sawyer..."

Aquele tom de voz era inconfundível aos ouvidos dele.

- Ana?- ele indagou num murmúrio sem abrir os olhos, sentindo a respiração morna dela em seu pescoço.

"Sawyer..."

- Eles te deixaram voltar, baby?- sorriu. – O que você fez? Encheu todo mundo de porrada? Mas e o pequeno James?

Abriu os olhos e se deparou com ela, de pé diante dele. Piscou, tinha algo errado. Tocou a mão dela, estava muito fria.

- Ana, o que você tem? Por que está tão fria?

Ela tinha um semblante triste, o rosto excessivamente pálido, os olhos assustados. Sawyer sentiu um calafrio pelo corpo inteiro.

- Ben sabe.- ela disse num sussurro.

- Quem é Ben?- Sawyer indagou sem soltar a mão dela.

De repente, Sawyer notou que ela estava sangrando, o vestido completamente manchado de vermelho. Ele alargou os olhos, incrédulo.

- O que fizeram com você? O que fizeram com você?- gritou em desespero.

- Pergunte ao Ben, ele sabe.- e ela começou a repetir aquela frase sem parar, deixando Sawyer atordoado e com medo. Soltou a mão fria dela.

- Te vejo em outra vida.- ela disse.

Sawyer acordou ofegante, o coração disparado. Sentou-se no colchão. Depois de muito chorar e gritar sacudindo a grade quando Ana-Lucia e seu filho foram levados acabou adormecendo. Esfregou os olhos tentando se situar em meio à escuridão.

- Ana-Lucia?- chamou. – Ela estivera mesmo ali?.- estava confuso.

A porta se abriu, ele gritou:

- Ana!

Mas em vez de Ana quem apareceu foi Greg, o cara barbudo, segurando uma pistola e o molho de chaves da cela.

- Aí Alfred Molina, veio me buscar pra dar uma volta também? Pra onde levaram a minha mulher e o meu filho?

Greg ignorou a pergunta dele, e disse em tom ameaçador:

- È melhor você calar a sua boca e vir comigo, se quiser continuar vivo.

- Tá legal Incrível Hulk.-debochou Sawyer. – Não precisa começar a ficar verde!- Greg começou a destrancar o cadeado com cautela, sabia que Sawyer era muito esperto e ele não seria louco de dar uma oportunidade para que ele fugisse.

Greg abriu a cela e mandou Sawyer andar na sua frente enquanto apontava a pistola pra ele. Saíram da sala, Sawyer esfregou os olhos quando sentiu a claridade do lado de fora, já estava há muitas horas no escuro. Os corredores da Pandora estavam vazios, todos já haviam saído indo concentrar-se na doca onde embarcariam para outra ilha.

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Jack caminhava apreensivo segurando a mão de Kate. Vez por outra trocava com ela um olhar de cumplicidade, ela sabia que ele estava pensando em algo para escaparem assim como ela também. Juliet e Bea ainda os acompanhavam. Jack procurou Henry Gale com os olhos enquanto caminhavam em direção à doca, estava achando muito estranho ele não estar lá como da outra vez em que foram capturados.

Kate olhava para os lados, imaginando um jeito de correrem dali e se esconderem na floresta quando avistou Sayid e Michael entre uns arbustos emaranhados, não muito longe da praia, próximo a eles. Seu rosto iluminou-se e ela sorriu satisfeita. Sayid fez menção para que ela ficasse quieta, enquanto ele apontava sua arma para Juliet. Porém, Kate percebeu que a mira dali estava difícil, pondo a vida de Jack e a dela mesma em risco. Fez a primeira coisa que lhe veio à cabeça, fingiu estar desmaiando.

- Kate!- Jack gritou segurando-a em seus braços quando a viu tombando no chão. Não tinha percebido a intenção dela, por isso ficou muito preocupado.

Juliet correu pra cima dela, examinando-a com seu olhar atento de médica.

- Afaste-se Jack, eu sou a mais qualificada para cuidar dela.

No entanto, assim que Juliet se aproximou, Kate lhe deu uma cabeçada e a empurrou longe. Bea apontou sua arma para ela, quando Sayid surgiu dos arbustos com a pistola apontada diretamente para a a cabeça de Bea.

- Se eu fosse você não faria isso!- ele disse.

- Sayid!- exclamou Jack.

Juliet pegou o aparelho de dar choques e ia eletrocutar Jack quando Michael apontou sua arma para ela.

- Nem pense nisso!- bradou.

Mas Ben Linus não estava muito longe, avistou da doca a movimentação estranha, e ordenou ao seu grupo, que assistia a tudo devidamente posicionados, através de um walk-talkie:

- Está na hora, comecem a atirar!

Danny, Colleen, Tom e outros apareceram do nada diante deles, atirando pra valer. Rosseau e Locke já não eram mais ameaça para eles. A francesa estava amarrada em uma árvore, amordaçada para que não gritasse e Locke desacordado em algum ponto remoto não muito longe dali.

Sayid atirou de volta e Michael protegeu-se atrás dos arbustos, atirando também. Jack jogou-se sobre Kate protegendo-a contra os tiros. Bea saiu correndo para longe do tiroteio. Juliet pegou a arma que estava com ela, protegeu-se e também começou a atirar. Jack puxou Kate para que corressem, mas Danny surgiu diante deles apontando-lhes a espingarda de Rosseau.

- Acabou doutor!- ele disse grosseiro, apontando a arma para que eles caminhassem até a doca.

Sem saída, eles fizeram o que Danny ordenava.

O tiroteio continuava, Michael e Sayid não tinham chances sozinhos. Greg saiu da Pandora com Sawyer. Ao ver toda aquela confusão de tiros lá fora, o bad boy aproveitou para tentar fugir, mas levou um choque de Juliet que observou quando Greg o trouxe. Ficou tremendo no chão. Depois disso, Juliet apontou sua arma para Saiyd, mas suas balas haviam acabado. O iraquiano, vendo que ela estava desarmada colocou sua pistola no bolso da calça disposto a uma luta corpo a corpo. Greg tentou intervir, mas Juliet falou:

- Leve o Sawyer pro barco Greg, deixa o Sayid comigo!

Ela pulou em cima dele, dando socos em seu rosto, Sayid segurou o corpo esguio dela, defendendo-se ao mesmo tempo em que tentava esganá-la.

- Vai me matar, Sayid?- indagou Juliet, tentando respirar. – Acha que Nadia gostaria disso?

Ele continuou enforcando-a. Enquanto isso, Michael trocava tiros com Colleen e Tom, até que a loira acertou um tiro na perna dele, derrubando-o na água. O tiroteio já tinha chegado à doca. Juliet deu um chute no estômago de Sayid e saiu correndo para a doca. Ele saiu correndo na direção dela. Todos já estavam embarcando. Greg tinha acabado de entrar com Sawyer no barco 2, carregando-o em seu ombro. Tom e Colleen também tinham acabado de embarcar, só que no barco 1. Percebendo que todos já haviam embarcado, com exceção de Juliet, Ben mandou cortar as cordas, de ambos os barcos.

- Ben, seu desgraçado!- ela gritou enquanto corria de Sayid.

Sayid a tinha em sua mira, podia atirar nela à vontade se quisesse, mas não a queria morta. Queria pegá-la e torturá-la, por isso não atirou. Agarrou-a na doca, ela se debateu. Ainda tinha o aparelho de choque nas mãos e eletrocutou Sayid que não contava com isso e se jogou na água tentando nadar até o barco. Ben ria do esforço dela. Greg jogou-lhe uma corda, a qual ela se agarrou e foi puxada para o barco 2, por ele e mais outros dois homens. Gritou para Ben, do seu barco:

- Isso vai ter volta Benjamin, vai ter volta.

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Ben não deu a mínima para as palavras de fúria de Juliet, pelo contrário, seu sorriso cínico não saiu do rosto. Colleen comentou:

- Eu acho que ela não gostou da brincadeira está me parecendo mesmo muito zangada.

- Eu pedi sua opinião?- indagou Ben, grosseiro.

Colleen se afastou com a resposta, indo para o lado de seu marido Danny. Tom perguntou para Ben:

- Já está na hora?

- Sim, já estamos afastados o bastante. Acione o detonador.

Tom apertou o botão de um controle que tinha em mãos, e toda a estrutura da Pandora e seus arredores começou a ir pelo ares. Sayid na praia gritou:

- Michael!!!!- e correu na direção do amigo baleado para tentar salvá-lo em meio à explosão.

- Acha que eles irão sobreviver?- questionou Tom.

- Mas é claro que não, o iraquiano é mesmo muito burro, sobreviveria se não tivesse voltado para buscar o Michael. Não entendo esse excesso de lealdade para com alguém que os traiu não faz muito tempo.

As pessoas nos dois barcos observavam as chamas crepitando na praia, destruindo os laboratórios onde funcionaram anos de pesquisa. Juliet sentiu-se triste, mas não se deixou abater e ergueu a cabeça. Na praia, só era possível ver as chamas, altas em direção ao céu. Nem sinal de Sayid, Michael, Locke ou Rosseau. Alex assistia tudo da porta da cabine do barco 1, segurando James nos braços. Uma lágrima rolou de seus olhos, não gostava de ver a destruição.

Enquanto isso, muito longe dali, no acampamento dos sobreviventes, Eko acordou arfando, com o coração acelerado. Acabara de ter um terrível pesadelo, onde Ana-Lucia aparecia toda ensangüentada de vestido branco dizendo a ele:

"Eko, tudo se foi, encontre o John."

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A outra ilha para onde estavam indo, não era muito perto, viajariam naqueles barcos malfeitos por pelo menos metade da noite. O ar estava pesado, muita ventania que os ameaçava saírem da rota, uma tempestade tropical cairia a qualquer momento.

Jack e Kate estavam trancados no porão. Ele procurava por todos os cantos uma brecha para que pudessem sair de lá. Kate estava quieta, sentada em um balde de metal ao contrário, abraçando os joelhos. Jack não tinha se dado conta do quanto ela estava fragilizada naquele momento porque estava muito preocupado em arranjar um modo de escaparem. Ela não agüentou mais e caiu em prantos.

- Hey amor!- disse Jack indo ficar perto dela. Sentou em um caixote de madeira e a puxou de cima do balde, sentando-a em seu colo.

Kate não disse nada, apenas o abraçou, enterrando a cabeça no peito dele. Jack acariciou seus cabelos.

- Não fique assim, nós vamos sair daqui, você vai ver.

Ela soluçava: - Jack, acho que mataram Sawyer e Ana, e vão nos matar também.

- Não, não os mataram. Tenho certeza que não.

- Como tem certeza? E quanto ao Sayid e Michael?

Jack não sabia mais o que dizer, só não queria vê-la daquele jeito. Também estava com muito medo, também queria chorar. Mas não podia, tinha que cuidar dela, confortá-la, ser forte para que ela pudesse ter forças também ou então estariam acabados.

- Sabe o quanto eu te quero, não sabe?- Jack indagou, carinhoso.

Kate assentiu com a cabeça, e o beijou com vontade, voltando a se aninhar no peito dele como um bichinho desprotegido. Deixaram-se ficar assim, sentindo o calor do corpo um do outro, não sabiam por quanto tempo ainda estariam juntos, nem para onde estavam sendo levados. Jack queria acreditar nas palavras de Juliet sobre não ser uma inimiga, mas era difícil não pensar dessa forma.

Lá fora, a chuva começava a cair, aumentando de intensidade rapidamente. O barco balançou, violento. Jack e Kate caíram para trás. Ela gritou assustada, mas ele a segurou firme pela cintura.

- Está tudo bem amor, está tudo bem.- ele murmurou tentando mantê-la calma, mas nem ele acreditava muito nisso.

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No outro barco, Sawyer andava de um lado para o outro dentro da cabine de Juliet, muito enfurecido. Gritou batendo na porta trancada:

- Hey! Pra onde estamos indo? O que significa isso?

Ficou gritando e batendo na porta por uns cinco minutos, até que pegou uma queda quando o barco balançou por causa da tempestade. Greg abriu a porta da cabine com cara de poucos amigos, todo encharcado, apontando a arma para Sawyer:

- Que que é?- indagou ríspido. – Vai reclamar do que dessa vez? Tá na cabine da chefa, oras!

- Parola!- ele disse calmamente.

- Como é que é?- Greg perguntou sem entender.

- Parola!- Sawyer repetiu. – Desejo falar com o seu capitão. Pelo jeito você não é um bom pirata, nem sequer conhece o código. Diga pra sua chefa que eu tenho direito de parola, ou seja, de falar com o capitão.

Greg ficou confuso, não se lembrava de nenhuma regra desse tipo nos manuais da Dharma, porém não querendo parecer estúpido, respondeu:

- Está bem, vou falar com Juliet.

Assim que ele saiu, Sawyer ficou rindo sozinho, aquele sujeito só tinha tamanho, com certeza o cérebro dele deveria equivaler ao de um dinossauro.

Juliet secava os cabelos em outra cabine que tinha no barco, menor que a principal. Havia acabado de trocar a roupa encharcada do seu mergulho forçado no mar. Ao ver Greg, indagou irritada:

- O que foi?

- O prisioneiro diz que quer "parola."

- Como é?- Juliet perguntou rindo.

- Parola, o direito de falar com o capitão do barco, chefe ou algo parecido. Está no código.

- Está no código?- ela repetiu as palavras, incrédula com a estupidez de Greg.

- Sim.- ele assentiu com seriedade.

- Pois bem.- Juliet ficou séria, e pegou um embrulho de cima de uma mesinha na cabine.- Diga ao prisioneiro que tome um banho na minha cabine e vista essas roupas limpas. Logo estarei na cabine com ele e vamos jantar juntos.

- Mas e se ele não aceitar?- questionou Greg. – Bato nele?

- Não será necessário, diga-lhe que se ele não fizer o que estou mandando, ele não jantará comigo, mas com a tripulação e usando um lindo vestido.

Greg riu e voltou para a cabine principal.

- E então?- perguntou Sawyer ao vê-lo.

- Ela concordou.- ele estendeu o embrulho com as roupas limpas pra ele.

- E o que é isso?- Sawyer indagou.

- Juliet quer que você tome um banho aqui na cabine e vista essas roupas.

- Pois dia para a capitã Barbosa que eu não vou fazer p...nenhuma!

- Certo. Você é quem sabe. Ela disse também que se você não fizer o que ela está mandando, vai fazer você usar um vestido e jantar com a tripulação.- Greg tinha um sorriso debochado nos lábios.

Sawyer resmungou, sabia que ela seria capaz disso.

- Me dá essa droga aqui!- xingou pegando o embrulho das mãos de Greg que saiu trancando a porta.

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- Ande você vai Mr. Eko?- perguntou Steve que estava fazendo o turno da escotilha com o padre ao vê-lo arrumando suas coisas e pegando seu cajado.

- Tem algo errado acontecendo. Preciso descobrir o que é.

- Do que você tá falando?

- Do grupo de busca que partiu há quase quatro dias. Sinto que aconteceu algo com eles, e vou tirar isso a limpo.

E sem dizer mais nenhuma palavra Eko saiu da escotilha, seguindo a trilha para a floresta até desaparecer na escuridão. Steve levou as mãos ao rosto, angustiado. Sentia-se muito culpado por ter feito aquele acordo com os "Outros" pensando que fosse conseguir voltar para casa e conquistar Debbie. Será que algum dia a culpa o deixaria? Ele não sabia, mas de uma coisa tinha certeza, não contaria nunca a ninguém que ele fora o responsável pelo envenenamento de Ana-Lucia a pedido dos "Outros".

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A tempestade dera uma pequena trégua embora o mar ainda estivesse agitado. Juliet entrou em sua cabine, armada com o aparelho de dar choques. Greg ficou a porta, de tocaia caso Sawyer tentasse fazer alguma gracinha. Juliet tinha os cabelos loiros e crespos, soltos. No rosto uma expressão de divertimento quando viu Sawyer de banho tomado e roupa limpa.

- Olá Madame Min.- ele saudou quando a viu.

- Olá pra você, cowboy!- ela disse sorrindo.

Sawyer franziu as sobrancelhas, irritado:

- Me chame do que quiser, menos de cowboy!- ele exigiu, apenas Ana poderia chamá-lo assim.

- Certo. Então você se aproveitou da ignorância do Greg com essa história de "parola". Eu gostei, muito criativo. Aliás, esse filme é muito bom, assisti três vezes, sou uma fã do Johnny Deep.

- Eu prefiro a Kira Knigtly.- Sawyer disse.

Ela fez um sinal com a mão para que Sawyer se sentasse na pequena mesa de jantar com duas cadeiras, que já tinha sido posta há alguns minutos por Bea, a pedido de Juliet. A comida era simples, frango e arroz. Mas Sawyer não se importou, estava com muita fome e pôs-se a comer sem dar atenção a ela.

- Você me chamou aqui pra te ver comer como um degenerado, James?

- Não, eu te chamei por outro motivo, quem inventou essa história de jantar foi você, eu só estou aproveitando.- ele respondeu de boca cheia. – Mas já que você tocou no assunto.- Sawyer parou de comer, pousando o talher na beira do prato. – Quero negociar com você. Me diga o que você quer pra libertar a mim, Ana e o meu filho?

Juliet ergueu uma sobrancelha:

- O que você tem pra me dar que poderia ser tão interessante pra mim?

- Não sei, você é quem diz, loura. Andei notando que você não é a chefe de verdade por aqui. Tem alguém acima de você.

- Nossa!- ela exclamou. – E como você poderia saber disso?

- Benzinho.- ele riu. – Eu tenho ouvidos, deveria escolher melhor seus empregados. Eu os ouvi comentando sobre o seu mergulho noturno no mar.

Juliet ficou séria, e fingiu entrar no jogo dele:

- E se isso fosse verdade, o que você poderia fazer por mim? Me ajudar a "apagar" o sujeito que supostamente está acima de mim na corporação?

Ela era muito esperta, estava brincando com ele, sabia que Sawyer não tinha a menor idéia de que Jack e Kate tinham sido capturados também. Sawyer tentou ler a mente dela diante de sua proposta, ele era bom em aplicar golpes, mas algo lhe dizia que não seria qualquer golpe que o faria conseguir alguma coisa daquela mulher. Tinha que ser algo grande e ele precisava de tempo, coisa que no fundo sabia que não tinha.

- "Apagar"? Gostei do termo, se você prefere assim. Sim, podíamos apagar o sujeito, daí você seria a dona da Disneylândia e eu volto pro meu acampamento com a minha família.

Juliet mordeu os lábios sedutoramente e se aproximou bastante dele, colocando a mão em sua coxa:

- Bem, James, sua proposta me parece muito tentadora. O que você acha de selarmos essa possível sociedade com um...beijo?

Sawyer ergueu as sobrancelhas: - Quer um beijo meu?

- E por que não? Você não é de se jogar fora, benzinho.

- Se não tem nada melhor pra fazer...- Sawyer respondeu safado pensando que estava conseguindo convencê-la.

Puxou-a com firmeza para junto de si de cima da cadeira e sentou-a em seu colo antes de unir seus lábios aos dela em um beijo muito intenso. Juliet suspirou ao sentir a língua atrevida dele invadindo sua boca. No entanto, quando ela começou a gostar bastante do que estava acontecendo, Sawyer interrompeu o beijo e empurrou-a de cima do seu colo.

- E agora? Temos um acordo?- ele indagou.

- Não, não temos.- ela respondeu.

- E por que? Eu sou um homem de palavra, você me pediu um beijo, eu te beijei. O que você quer ainda? Não posso fazer mais nada além disso, a não ser que você prometa pra mim que Ana nunca saberá disso.

Juliet puxou uma respiração profunda:

- Não temos um acordo porque não posso negociar a liberdade da Ana-Lucia com você. Ela está morta.- disse de uma vez, sem nenhum preparo.

- Quê?- Sawyer perguntou com o coração na mão.

- Eu sinto muito, mas ela estava muito fraca por causa do parto e não resistiu. Nós a levamos naquela hora para cuidar dela, mas já era tarde e não pudemos fazer nada.

Sawyer estava em estado de choque com aquela notícia, sua mente repetia insistentemente que não era verdade e sua única reação foi a de ódio mortal. Quebrou um dos pratos da mesa e surpreendeu Juliet com um caco de porcelana em sua garganta antes que pudesse pegar o aparelho de dar choques. Sawyer já prevendo que ela o tinha, tirou-o do bolso dela e jogou-o longe.

- Me diga que isso é mentira!- esbravejou.

- Não, não é James, ela está morta! Sinto muito.

- Não, você não sente muito, vagabunda! Sabia disso o tempo todo e mesmo assim me fez beijá-la. Você vai pro inferno e se a Ana estiver lá vai te atormentar o resto da eternidade.

Greg ouviu os gritos de Sawyer dentro da cabine e entrou se assustando ao vê-lo com o pedaço do prato rasgando levemente a carne do pescoço de Juliet.

- Solte-a!- ele exigiu, apontando sua arma para Sawyer.

- Pode me matar se quiser, mas a sua chefa é uma mulher morta.

As outras pessoas que estavam no barco correram para ver a confusão. Juliet, sem que Sawyer notasse puxou um canivete suíço do cós da calça jeans e o enfiou no braço de Sawyer fazendo com que acidentalmente o caco cortasse mais um pouco de sua garganta, mas sem ser fatal. Ele jogou o pedaço do prato longe e gemeu de dor no braço, o canivete o atravessara, um ligamento tinha sido cortado

- Rápido, tragam a minha maleta de primeiros- socorros.- ela ordenou tentando estancar o sangue do seu pescoço.

- Está aqui doutora!- disse uma mulher entregando a maleta para Juliet mal ela tinha acabado de pedir.

Olhou seu corte no espelho, percebeu que o prato cortara superficialmente. Colocou uma gaze improvisada somente para conter o sangramento e se agachou ao lado de Sawyer que sentia a vista ficar turva.

- O que você me obrigou a fazer James?- ela murmurou.

- Vai tentar me salvar doutora? Por que? Eu no seu lugar te deixaria morrer.

- Cale a boca!- ela ordenou e pôs-se a cuidar do braço dele. – Saíam, saíam todos. Só quero a Bea aqui comigo.

As pessoas saíram. Bea agachou-se ao lado de Juliet para ajudá-la. Sawyer sentia muita dor no braço, porém maior do que essa dor fora a notícia de que Ana-Lucia estava morta. Ele não podia crer nisso. A única mulher com quem realmente pensou em ficar o resto de sua vida estava morta. Nada mais fazia sentido pra ele, pelo menos não naquele momento. Muitas lembranças começaram a vir em sua mente. Os dois juntos na barraca dela, abraçados, pernas entrelaçadas, totalmente despidos, rindo e conversando depois de um tórrido momento de amor.

(Flashback)

- Você nunca me disse o seu sobrenome. Vou ter um bebê com você e não sei seu sobrenome.- Sawyer comentou beijando-lhe o ventre grávido de poucos meses.

- Cortez.- ela respondeu doce.

- È sexy! Cortez.

Ela riu.

- E quanto ao seu?

- Ford.

- Sawyer Ford? Realmente não combinaria! Mas James Ford sim.

- Yeah, cupcake!

Ele se afastou um pouco dela. Ana reclamou:

- Aonde você vai? Ainda não te dispensei!

- Eu só queria pegar isto.- ele respondeu estendendo um pequeno pedaço de papel à ela, tinha sido arrancado de um dos diários da Dharma Initiative.

Ela começou a ler em voz alta:

- "Ana, teus lábios são..."- mas parou de ler alto ao perceber do que se tratava. Terminou de ler em silêncio. Voltou seus olhos escuros para ele, e sussurrou em seu ouvido, divertida: - Instintos sacanas? Me mostra!

Sawyer começou a beijá-la com vontade e eles fizeram amor mais uma vez.

(Fim do Flashback)

As lembranças pararam de vir e Sawyer desmaiou sonhando com a única mulher que amara de verdade em sua vida, enquanto Juliet cuidava de seu ferimento.

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A tempestade voltou, dessa vez com força total. Os barcos começaram a balançar cada vez mais perigosamente. As pessoas se agarrando do melhor jeito que conseguiam, para não caírem no mar. Ben Linus, havia se refugiado em sua cabine com Alex e o bebê. Jack e Kate continuavam no porão, encolhidos em um canto. Foi quando de repente, um pedaço da madeira do barco cedeu e uma enorme quantidade água começou a tomar o porão.

- Oh meu Deus!- Kate gritou.

- Hey! O porão está enchendo de água, vamos morrer afogados aqui!- Jack gritou a plenos pulmões, mas ninguém parecia estar ouvindo.

A situação foi ficando mais crítica, e a água cobrindo grande parte dos seus corpos. Jack empurrava Kate para cima, para que ela continuasse respirando. Mas o nível da água subia cada vez mais até deixá-los totalmente submersos. Olharam-se nos olhos dentro da água, deram-se as mãos esperando pelo pior. Não tinham saída.

A portinhola do porão se abriu com um estalo e uma grande quantidade de água pulou pra fora, se espalhando pelo convés. Jack puxou o ar e em seguida subiu Kate. Dois homens os ajudaram puxando-os para cima. Kate estava começando a ficar roxa quando se livraram da água, Jack começou a fazer respiração boca a boca nela sem parar, até que ela tornou tossindo muito. Ben apareceu, e ficou assistindo Jack reanimá-la. Quando percebeu que ela voltara a si ordenou que a levassem para sua cabine. Jack foi puxado pra longe dele e acorrentado no convés. Gritou o nome dela várias vezes em meio à chuva e o caos no barco que estava quase naufragando. Sentiu uma picada no braço e desmaiou. Os olhos de Kate clamando por ele enquanto a arrastavam foi a última cena que viu.

Continua na próxima temporada...