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Era noite, e ela sabia que ele iria até o cassino. Tinha lhe confessado uma vez que era particularmente fã de pôker, e ela também o era. Colocou o seu melhor vestido, certamente agora ele não lhe negaria a palavra. Não havia homem que resistia a uma boa sedução, e ela estava disposta a tudo.

Estava sentada no bar de acesso ao cassino tomando seu dry martini quando viu o canceriano passar, usando um terno cinza escuro risca de giz, acompanhado de uma camisa vermelha semi-aberta e um chapéu negro como o terno, o que a fez ficar ainda mais surpresa com o bom gosto do rapaz, que não deixava dúvida de que ele era um italiano nato, e um siciliano autêntico.

Giancarlo entrava para uma das salas do Cassino, de forma descontraída e casual, chamando assim a atenção de muitos dos presentes, e arrancando olhares de mulheres interessadas naquele homem, o que fez a garota sentada no bar arquear as sobrancelhas; estava se interessando mais ainda por tudo aquilo. Mordiscou a cereja de sua bebida e resolveu entrar. Uma partida seria bem interessante...

Na sala, sete jogadores aguardavam sentados o início do jogo, que começaria assim que houvessem dez apostadores completando as dez cadeiras da grande mesa coberta por um pano verde típico do jogo. O canceriano, nada modesto, sentou-se na ponta desocupada da mesa, de costas para a grande porta de madeira trabalhada, com um sorriso tão confiante que intrigou um dos participantes. Observou cada um de seus oponentes; era a primeira coisa que fazia antes de começar a jogar: estudar seus adversários. Sentiu alguém passar a mão em seu ombro, de forma abusada, e quando seguiu com o olhar a fim de ver de quem se tratava, travou. Um andar tão sexy, acompanhado de um justo vestido de alças preto e saltos altos que a deixavam ainda mais elegante a atraente o fez perder a voz. Seus longos cabelos louros, presos em um cuidadoso rabo de cavalo, pareciam dançar conforme os passos que dava, e ela então se virou com um sorriso que o fez esquecer de toda sua raiva, ainda mais olhando aquele par de olhos verdes intensos que eram ressaltados pela maquiagem escura. Ficou interessado, muito interessado.

A italiana, única mulher presente na sala, chamou a atenção de todos os presentes, embora ela quisesse a atenção de um só deles. E por mais que ele tentou disfarçar, se ajeitando na cadeira, ela notou que tinha alcançado seu objetivo e então sorriu – para ele! Sentou-se do lado esquerdo do rapaz, na segunda cadeira depois da dele. Lançou-lhe uma olhada e um dos jogadores então interveio, claramente irritado com aquela presença feminina em um antro tão masculino.

- Por acaso a senhorita veio jogar ou veio acompanhar alguém?

- Vim jogar, algum problema? – sorriu.

- Não acha que é um jogo masculino demais? – arqueou as sobrancelhas.

- Medo de perder, cavalheiro? – perguntou apoiando os braços em cima da mesa, mantendo o sorriso instigador.

- Não espere por piedade. – sorriu maldoso.

- Não estou pedindo por ela. – respondeu se recostando na cadeira.

Giancarlo ajeitou o chapéu, escondendo um sorriso de satisfação. Seu ponto fraco era mulher bonita e decidida, e a sua frente estava um belo exemplar de seu tipo ideal. E a raiva do dia anterior se dissipou ante aquela sagacidade.

O jogo começou assim que os outros dois apostadores chegaram, minutos depois. As apostas eram altas, havia muito dinheiro envolvido. Giancarlo fazia o seu jogo: perder as primeiras rodadas propositalmente, para então incentivar aos jogadores fazerem, a cada turno, apostas maiores. E estava dando certo, até a garota perceber seu jogo e instigá-lo a jogar. E ela era boa no jogo! O senhor que a intimidou no início da partida foi o primeiro a perder todas as fichas, sendo assim eliminado e deixando o ambiente contrariado.

A cada rodada o jogo ficava mais interessante e mais intenso. Quando não era Giancarlo, era Giovanna quem levava a mesa, e um a um os jogadores acabaram sendo eliminados, descrentes nas habilidades dos dois. Um dos jogadores cogitou a possibilidade de eles estarem jogando em parceria, mas não existiam parcerias em pôker. Era uma disputa entre os dois, algo pessoal, e trocaram um último olhar logo depois que o último jogador foi eliminado, o que fez o funcionário perguntar aos dois remanescentes:

- Desejam continuar jogando?

- Não, estou bem. – respondeu o rapaz com um sorriso. – Posso utilizar essas fichas amanhã?

- Claro, as fichas são válidas, fique a vontade para utilizá-las quando quiser.

Giovanna riu. Estaria seu oponente fugindo? Não, ela não deixaria... Teve uma idéia, uma proposta que certamente o interessaria, e assim o instigou logo depois que o funcionário saiu.

- Medo de perder pra uma mulher? – sorriu provocante.

- Eu? Jamais! – riu o rapaz. – Apenas não vejo graça em jogar pôker com apenas um oponente.

- Ah não? Que pena. – riu irônica. – Porque eu queria continuar jogando. E tinha uma proposta irrecusável.

- Hum... - interessou-se. – Então me diga qual é, quem sabe me interessa?

- O vencedor leva tudo. – respondeu provocante.

- Hum... – arrumou seu chapéu, interessado, antes de sorrir malicioso. – Leva tudo o que?

- Tudo o que quiser.

Sentiu-se empolgar com aquelas palavras. Ela era uma mulher bonita, atraente, determinada... Não havia dúvida que aquelas palavras estavam carregadas de segundas intenções, e isso o fez animar ainda mais. Ela tinha conseguido o efeito que desejara! Olhou o relógio, eram três da manhã e ali ele poderia ganhar a noite.

- Rodada única?

- Pode ser, cavalheiro.

- Então será. Se incomoda que eu fume?

- À vontade. – respondeu juntando as cartas.

Ele acendeu o seu cigarro, irrequieto. Sabia que independente de quem ganhasse o jogo, o prêmio seria um só. E um que valeria a pena. Ela distribuiu as cartas, habilidosa. Observavam seus jogos e a primeira carta da mesa: um oito de copas. Giancarlo pensou em sorrir; aquele oito se encaixava perfeitamente com o nove e o dez do mesmo naipe que estavam em sua mão, mas se conteve por não saber o jogo da garota. E ela era boa no jogo.

A segunda carta foi virada e um sete de copas surgiu. Dificilmente ela ganharia dele! Estava feliz pelo que estava por vir, e sorriu quando viu um valete de copas aparecer na mesa. O jogo era seu! Ele apagou o cigarro em um cinzeiro posto em cima da mesa, e ela então perguntou, sorrindo:

- E então?

- Por favor, primeiro as damas. – respondeu em um falso cavalheirismo.

- Trio de valetes. – colocou as cartas sobre a mesa. – E você?

- Straight flush. – sorriu triunfante.

- Hum... – hesitou olhando as cartas do rapaz. – Parece que você ganhou, Giancarlo.

- Eco, Giovanna.

A garota riu, levantando-se e vindo em sua direção. Aquele andar sensual, aquele rebolado o deixava louco e excitado. Ela caminhava como se fosse de encontro à sua presa, e isso o deixou ainda mais animado, gostava de mulheres dominadoras. E então surpreendeu-se quando ela sentou em seu colo, de frente para ele, o que fez seu curto vestido subir até metade das coxas, e passou os seus braços pelo seu pescoço, encarando-o.

- O vencedor leva tudo...

- E você pode ter certeza que vou cobrar...!

"Now we're standing in the moonlight baby

It reflects in your eyes"

Os braços do italiano agora envolviam a cintura da mulher, puxando-a mais para perto de si, querendo senti-la mais próxima de si. Ela se animou também, e então beijou a boca do oponente de forma feroz, às vezes mordendo seu lábio, enquanto ele retribuía explorando suas mãos pelas grossas pernas da garota, fazendo com que o vestido subisse ainda mais.

O ambiente começou a ficar quente na sala. As mãos de Giovanna começaram a explorar o tórax do rapaz, ate que finalmente encontraram os botões do paletó, que ela abriu e então o tirou. Ele gostava de sua ousadia, de sua sagacidade... Não chegariam até o quarto, não antes de fazerem uma parada ali. Tudo nele pulsava a ponto que parecia explodir, e ele explodiria se continuasse ali.

Quando ela começou a lamber e mordiscar seu pescoço, as coisas ficaram fora de controle. Ele estava excitado demais, e queria possuí-la. Segurou-a pelos quadris e então se levantou, segurando-a e depois a sentando em cima da grande mesa. Nesse momento o vestido dela não era nada mais que uma blusa, e ele parecia disposto a tudo. Atitude... Há muito ela não via isso num homem. Estavam animados, extasiados... Ela começou a abrir os últimos botões de sua camisa, o que ele respondeu explorando as suas costas expostas pelo grande decote de seu vestido, até que ele alcançou as alças e puxou, deixando os fartos seios à mostra.

Sem cerimônia alguma, o rapaz se apossou deles, massageando-os, brincando com eles; queria deixá-la tão louca como ele próprio estava. E pôde ver o efeito surtir ao observar a sua expressão de prazer. E então sorriu.

Giovanna não deixaria por menos: controlou-se por alguns instantes e então abriu o cinto e a calca do rapaz. Por um momento ele parou apenas para observar a parceira, curioso pelo que ela estaria tramando, enquanto ela o fitava com um sorriso malicioso que o fez voltar seu olhar para ela, ao passo que ela se aproveitou daquele instante para colocar a mão por dentro de sua cueca e tocar seu membro, massageando-lhe. Ela sorriu quando ele cerrou os olhos e gemeu, excitado.

Agora ela tinha pedido, ele não agüentaria mais! Procurou em um dos seus bolsos traseiros da calça a devida proteção, sua mais fiel companheira. Queria pelo resto, e não queria esperar. E novamente a garota o surpreendeu: tirou o pequeno pacote de suas mãos e então o abriu, colocando-o nele o objeto sintético com uma habilidade que o deixou maluco. Sem hesitar, assim que ela terminou de tomar as devidas precações, ele a empurrou pelo ombro, o que a fez deitar na mesa, onde ele também subiria em instantes. As fichas foram atiradas ao chão segundos depois, mas nenhum deles se importava com elas ou com os valores que elas representavam.

Giancarlo debruçou-se por cima da garota, em uma atmosfera de puro desejo, e quando a penetrou, ela gemeu. Ele sorriu, maravilhado, e então o ritmo se tornou mais rápido e mais intenso. Ele parecia preenchê-la de todas as formas, e isso o enaltecia profundamente. Gostava de dar às suas parceiras prazeres que elas jamais provaram, mas ele não tinha idéia que Giovanna era da mesma opinião, e enquanto ele prosseguia no constante movimento de vai-e-vem, ela agarrou as suas costas, puxando-o para ainda mais perto de si e mordiscou seu pescoço, o que o fez suspirar de prazer. Como reflexo – e instinto! – ele aumentou a velocidade de seus movimentos, o que a fez fechar os olhos e ofegar. Momentos depois ouviu-se um alto gemido e o corpo do canceriano agora permanecia parado sob o dela. Tinham chegado ao ápice do prazer.

Depois de alguns minutos calados, recuperando parte do fôlego perdido nos constantes movimentos de momentos atrás, ele resolveu seguir naquele jogo, e instigá-la para saber até que ponto iriam, e se tudo já tinha acabado junto com aquele jogo.

- Já acabou meu prêmio?

- Isso, pra mim, foi só a comemoração da vitória. – sorriu maliciosa. – Mas se você não quer o resto...

- O vencedor leva tudo, não é mesmo? – riu com a resposta.

- Você me parece cansado. – seus olhos verdes o encaravam.

- Vamos trocar as posições pra ver quem é o próximo a se cansar. – sorriu a encarando com seus olhos azuis, saindo de cima dela.

- Vamos descer e eu te ensino como dar as cartas.

Giancarlo olhou no relógio, era pouco mais de quatro da manhã, e pelo visto a noite estava longe de terminar. Vestiram-se novamente; o rapaz, como bom acompanhante, lhe emprestou o terno para que ela se protegesse da brisa mais fria da madrugada, e logo em seguida juntou as valiosas fichas. Logo depois saíram, quando ele abriu a porta para que ela passasse, e ela então viu que nenhum funcionário estava presente. Sorriram, andando abraçados, rumo ao quarto do rapaz. E foram dormir bem depois do nascer do sol.

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Giancarlo abriu os olhos lentamente, como se tivesse acordando de um sonho bom. Por um momento perguntou se não era mesmo um sonho, mas as dúvidas se desfizeram em um sorriso quando ele observou a garota adormecida em seus braços. Os longos cabelos louros iluminavam o branco dos lençóis, e ele teve a impressão de que um anjo adormecia sob seus cuidados, embora ele soubesse que de anjo ela tinha somente a aparência. Com certeza foi o melhor jogo de pôker que ele tinha jogado em sua vida, e o fato do vencedor levar tudo alegrou-o ainda mais. A noite tinha sido intensa, e dessa vez ele se lembrava de tudo, e a sua parceira era alguém de que ele lembrava o nome e os arrepios que ela lhe causava. Quando ela se mexeu, virando-se para o lado oposto ao seu, ele decidiu que era hora de se levantar. Precisava de um bom banho.

Quando saiu do banheiro, enrolado em uma toalha, observou Giovanna enrolada no lençol, olhando da sacada do quarto o mar mais abaixo. Ventava bastante, e o tecido que lhe cobria parecia dançar com seus cabelos, tornando tudo ainda mais enigmático e sedutor. Afinal, qual era o segredo daquele encanto que ela exalava?

- Podia ter me convidado para o banho...

- Você tava dormindo tão gostoso que resolvi não te acordar... - disse com um sorriso sincero.

- Acordei com o barulho do chuveiro. - sorriu.

- Bon giorno. - se aproximou dela, dando-lhe um beijo na testa.

- Bom dia. - sorriu - O café já está subindo, pedi pra servirem aqui. Espero que não se importe.

- De forma alguma. - passou os braços em sua cintura, puxando-a para si, com um sorriso malicioso. - Melhor, porque ai ficamos mais a vontade...

- Sim, concordo. - disse beijando-lhe o pescoço. - Temos mais algum tempo até o café chegar...

Giancarlo entendeu perfeitamente o que ela quis dizer, ainda mais porque ela começou a beijar de forma mais pausada e sedutora seu pescoço, subindo até próximo à orelha. Retribuiu, procurando sua boca, o que resultou em um ardente beijo e algumas cenas quentes minutos depois, onde ficaram emaranhados entre os lençóis que completavam aquele cenário. Pararam apenas quando chegaram novamente ao ápice do prazer, pouco antes de irem, juntos, para o banho.

Desceram a tempo do almoço, e logo depois decidiram ir visitar o vilarejo perto do resort, visitar as casinhas típicas da região e depois ir até a praia. Tiraram o dia para passear e fazer algumas compras. Andavam de mãos dadas e sorriam muito, o que chamava atenção dos presentes. Quem os via, achavam que eram um casal feliz, e eles nem mesmo eram um casal.

Pararam em uma sorveteria em frente à praia, o calor era intenso e decidiram que era hora de se refrescarem. Por um momento Giancarlo pensou em mergulhar no mar azul à sua frente, mas seus pensamentos foram interrompidos por uma ligação no celular, que ele atendeu com um sorriso feliz.

- Alô?

- Oi, Giane. - disse a voz triste do outro lado.

- Que aconteceu, meu anjo? - perguntou preocupado que nem viu a careta de Giovanna.

- Você vai voltar?

- Claro que vou! - disse enfático. - Estava aqui na cidade justamente pra comprar seu presente.

- Tem certeza? - disse chorando.

- Tenho sim. - respondeu com semblante triste. - O que aconteceu?

- O Enzo me disse que você não vai voltar.

- Não liga pro Enzo. - disse ele tentando esconder a raiva ao ouvir essas palavras. - Ele é bobo e tá com ciúmes.

"Then some times...

Memories run through my mind"

A garota riu do outro lado da linha, e o olhar preocupado do rapaz se desfez em um sorriso satisfeito, enquanto pensava em como dar um jeito no irmão, que parecia incrivelmente disposto a prejudicá-lo.

- Te amo, Giane. - disse feliz com um sorriso.

- Também te amo, querida. Se cuida até amanhã, de tarde já tô aí.

- Eu vou tá te esperando! Tchau!

- Tchau.

Desligou o telefone com um sorriso doce e inocente que se desfez ao ver a acompanhante de cara amarrada e braços cruzados à sua frente. Não gostou da forma meiga como ele falou com a mulher que estava ao telefone com ele, e não faria questão alguma de esconder isso. Não achava certo, e por um momento sentiu-se perdida imaginando se ele teria deixado uma namorada em Siracusa. Não fez cerimônia alguma ao disparar, de forma inquisidora:

- Meu anjo?

- Ah, sim. - sorriu ele inocente. - A Giu é meu anjo.

- Ah, certo... - sorriu irônica. - Então volte para seu anjo, porque estou indo embora.

A garota levantou-se, brava. Que audácia a dele de dizer aquilo de uma forma que parecesse natural esse tipo de coisa! Era um absurdo, uma falta de respeito! Ela não aceitava ser a outra, e não aceitaria, jamais! Começou a caminhar por entre as mesas quando foi puxada pelo braço pelo rapaz.

- Ei, Gio! O que foi?

- Nada, Giancarlo. - disse séria. - Me solta porque você tá me machucando.

- Eu quero saber o que aconteceu, e você vai me falar.

- Cuida da sua vida e me deixa.

Era ciúmes! Ela estava com ciúmes dele! Ele riu daquela cena, o que a deixou mais brava, mas ele estava satisfeito. Perguntou, ainda rindo, para a garota:

- Você acha que Giuliana é quem?

- Seu anjo. - disse brava, se livrando de seu braço. - Uma pessoa especial pra você.

- E é mesmo. - riu maroto. - Minha irmãzinha caçula.

- Irmã? - disse com rosto perplexo.

- Sim, meu anjo de sete anos de idade que me liga todo dia para saber como estou. - continuou coruja. - E pra confirmar se o que o diabo do meu irmão mais velho diz é verdade.

- Eu pensei que...

- Boba. - riu.- Mas foi bom ter visto sua cara de brava.

Puxou-a em um beijo que ela não teve como recusar, e se entregou. Abraçou-o de forma aliviada, feliz em saber que aquele homem não era comprometido. Estava apaixonada, e por uma fração de segundo pensou no dia seguinte, quando ambos iriam voltar para suas casas - e para suas vidas! Foram até uma loja de artigos infantis onde Giancarlo, com a ajuda dela, comprou um presente para a irmã e depois voltaram para o hotel, onde mais a noite jogariam pôker novamente. Era um vício em comum, e novamente o vencedor levaria tudo.

Aproveitaram cada momento como se fosse o último, era a última noite dos dois juntos, mas nenhum dos dois quis pensar naquilo. Eram orgulhosos demais para dizer que estavam incrivelmente dependentes um do outro, mesmo em tão pouco tempo. Jantaram, passearam, mergulharam na piscina e depois foram jantar no restaurante mais perto da praia, que era mais tranqüilo e mais romântico. Pediram um bom vinho e a especialidade do chefe, e ficaram satisfeitos. Decidiram subir para o Cassino depois das onze da noite, hora em que começavam as boas apostas.

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O sol da manhã invadiu o quarto da moça, local onde tinham passado a noite. Estavam deitados na larga cama, cobertos apenas pelos lençóis que cobriam parte de seus corpos desnudos. Giovanna estava aninhada nos braços do rapaz, que a abraçava de forma carinhosa, e apenas olhava pela janela alguns pássaros negros sobrevoando aquele céu azulado de verão. O dia parecia estar bonito, mas para ela estava triste. Era a despedida.

- Eu não sabia que você gostava de contemplar o céu.

- Tem tantas coisas que a gente não sabe um do outro, Giane... - respondeu acariciando seu tórax.

- Sinal que a gente ainda tem muito a descobrir.

- É. Talvez.

Se levantou, disfarçando a tristeza em forma de silêncio, e foi até o banheiro. De lá Giancarlo ouviu o barulho do chuveiro instantes depois, indicando que ela estava tomando banho. Resolveu dar-lhe espaço, ele mesmo não sabia se estava feliz com a despedida, e por um instante pensou em sair para seu quarto, a fim de terminar de arrumar suas próprias coisas, mas talvez não seria certo. Vestiu um roupão do hotel e foi até a sacada, onde acendeu um cigarro, pensativo. Olhou para o mar abaixo e pensou em como aquilo lhe faria falta. Como ela lhe faria falta. Ouviu o celular tocar, mas não quis atender.

"I don't ever want you to cry

Cause I never tell you goodbye"

Observou a garota sair do banheiro, momentos depois. Seus olhos estavam vermelhos, mas ele não quis comentar o assunto, mesmo sabendo que ela iria dar uma resposta que não era verdadeira. Leonina orgulhosa. Ela abriu o guarda roupas, escolhendo uma roupa para se trocar, enquanto buscava o secador com os olhos. Ele apagou o cigarro e se dirigiu à ela, lhe dando um beijo carinhoso na testa enquanto lhe dizia:

- Vou tomar banho enquanto você termina de se arrumar.

Ela concordou com um aceno de cabeça, não lhe olhando diretamente nos olhos. Aquilo doeu nele. E quando a porta se fechou, algumas lágrimas desceram pelos olhos verdes da garota, cortando-lhe o rosto por inteiro. Foi quando ela ligou o secador, para abafar seu pranto.

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N/A

Tcharaaaaam!!

Mais Giane para alegria da mulherada! Tive que quebrar em duas partes essa que seria a segunda parte, porque ficou muito grande!

Bom, Giovanna e Giancarlo ficaram bem íntimos e agora não mais desejam voltar para a suas vida! O que pode acontecer agora que eles vão para duas parte distintas da Itália?

Obrigada pelos coments de todos D

Beijos