Agora que ja mostrei o que ta acontecendo vamos passar para a história de verdade, que vai ser mais ou menos uma descrição do dia-a-dia do Near. Ela ainda ta um pouco parada, mas é intencional, quero levar essa historia passo a passo. Alem do mais, volto a dizer que é o dia-a-dia do Near, o que vocês esperavam?


2º Dia

Ainda era bem cedo quando Near acordou aquele dia. Tinha o costume de acordar a essa hora para que não precisasse andar pelo orfanato cheio de alunos para tomar café da manhã. Ele já havia decorado a muito tempo os horários onde havia menos gente andando pelo orfanato, assim podia evitar os aglomerados de gente, ele não se sentia bem em lugares cheios.

Trocou de roupa rapidamente e arrumou sua cama, sempre deixava seu quarto perfeitamente limpo e organizado. Foi até a sala onde eram servidas as refeições com seu habitual passo lento e um tanto que desajeitado, descendo as escadas desertas do orfanato que àquela hora parecia abandonado. Chegando ao refeitório as serventes ainda estavam preparando a comida e alem delas não havia mais ninguém no lugar. Ele colocou qualquer coisa em seu prato e terminou antes mesmo das primeiras crianças chegarem. Logo depois voltou a seu quarto, pegou alguns robôs de brinquedo e foi para uma das salas comuns.

As primeiras crianças haviam acabado de acordar e ele já se encontrava deitado no mármore branco de uma sala comum com grandes janelas enquanto brincava silenciosamente com seus bonecos. Para um lugar como o Lar Wammy, aquela era um cena completamente normal, Near deitado no chão sozinho com seus brinquedos enquanto os outros alunos passavam pela sala conversando alegremente com os amigos, depois de um tempo todos já haviam se acostumado tanto com seus costumes estranhos que nem ligavam mais.

Algumas horas depois, os sinos do orfanato começam a bater indicando que as aulas estavam começando e que os órfãos deviam entrar logo em suas salas. Near estranhou esse barulho. Já estava na hora de entrar em sala? Ele geralmente notava que já havia passado um tempo dês de que acordara e se dirigia logo para sua sala, novamente para evitar os alunos nos corredores, mas dessa vez parece que ele perdeu a noção do tempo. O que será que houve para ele ter esquecido disso? Ele olhou para os lados e então percebeu. Aquela manha estava muito calma, mais do que o de costume, isso deve ter feito com que ele se concentrasse mais em seus bonecos e o feito perder a hora. Tentou adivinhar o porquê de aquela manhã estar tão estranhamente calma, mas achou melhor ir logo para a sala antes que não pudesse entrar por atraso.

Sem se importar com os robôs espalhados no chão ele foi até sua sala. No caminho havia ainda algumas crianças andando pelos corredores, ao o verem passar, algumas delas diminuíam o passo para observá-lo como se fosse um tipo de ser de outro planeta, não era comum vê-lo andando pelo orfanato. Ao entrar em sua sala foi novamente fitado pelos olhares dos outros alunos, que estavam acostumados a vê-lo sempre no canto mais distante da sala em toda sua apatia. Ele viu que a professora já estava em sala, se desculpou bem baixinho pelo atraso e se sentou em seu lugar de sempre no cantinho da sala.

A aula começou com a professora ditando algumas coisas sobre a matéria nova, todos os alunos anotavam suas palavras menos ele, que apenas prestava atenção e anotava mentalmente cada vírgula do discurso da professora. Ao acabar, ela pôs-se a propor perguntas para os alunos, Near permaneceu calado mesmo sabendo todas as respostas, mas aquele questionário o fez sentir novamente aquela sensação de demasiada calma no ambiente, tinha alguma coisa fora do seu lugar. Near passou os olhos minuciosamente pela sala. Teve um pouco de dificuldade de enxergar através dos colegas, ele era o mais novo da sala e maioria dos outros alunos tinham cerca de três anos a mais que ele, mesmo assim, com algum esforço ele pode ver claramente o que estava faltando. Mello não estava lá. Perguntou-se o que poderia ter acontecido com ele, provavelmente havia ficado novamente de castigo por ter batido nele ontem, mas que tipo de castigo era aquele que o fazia faltar aulas e poderia prejudicas suas notas? A possibilidade dele ter faltado por vontade própria não parecia lógica, já que qualquer coisa que pudesse diminuir o rendimento de Mello nos estudos e consequentemente suas chances de ultrapassar Near estava totalmente fora de questão para o garoto. Ficou pensando sobre isso até que o tempo daquela professora acabou, logo ela saiu de sala e entrou um outro professor mais algumas crianças que haviam se atrasado para a aula, Near esticou um pouco a cabeça para ver seus rostos, mas Mello não estava entre eles. Voltou para sua posição curvada na cadeira colocando um dos pés encima desta e enrolando uma mecha de seus cabelos brancos nos dedos enquanto imaginava o que teria acontecido com aquele garoto.

oooooooooo

Estava no horário do intervalo das aulas e o orfanato tinha sido invadido pelo som de vozes, risos e passos. Mesmo com todo esse barulho, em seu escritório Roger verificava sua agenda para confirmar se havia se esquecido de alguma coisa. Ele a folheava calmamente vendo nomes e horários enquanto guardava mentalmente os afazeres que ainda tinha que realizar.

Mesmo com todo o barulho do lado de fora, seu escritório se encontrava em um suave silencio, ate que este foi cortado pelo som de fracas batidas na porta de madeira. Ele tirou os olhos de sua agenda e pediu para que entrasse. Ao fazer isso a porta se entreabriu e ele pode ver o vulto branco de Near no outro lado o observando com seus olhos opacos.

- O senhor me chamou aqui? – Disse Near sem emoção.

- Ah, Near. Não fique ai fora, entre, por favor. – Disse Roger gentilmente indicando uma das cadeiras a frente de sua escrivaninha.

Near entrou com passos arrastados, mas não se sentou, apenas ficou em pé enrolando o cabelo com os dedos e esperando que Roger falasse.

- Não te chamei aqui por nada demais. Apenas queria te entregar isso que chegou para você. – Roger apontou para umas caixas em cima de sua mesa. – São apenas algumas coisas que você pediu e que eu tomei a liberdade de comprá-las como recompensa por novamente ter tirado as melhores notas.

Já esperava isso. Sempre pedia quebra-cabeças novos pelo fato de enjoar-se de todos os seus muito rapidamente, já que costumava completá-los várias vezes no mesmo dia e como tinha as melhores notas do orfanato, era natural que ganhasse algumas recompensas. Sem fazer cerimônia ele se aproximou da mesa e examinou as caixas, era um quebra cabeça e mais dois quites de plastimodelismo. Ele agradeceu, pegou as grandes caixas e foi em direção da porta, mas no meio do caminho ele parou, pensou por uns instantes se virou novamente.

- ... Roger... Eu poderia fazer uma pergunta?

- Claro. – Disse Roger disfarçando a curiosidade. – O que quer saber?

- É que... O que aconteceu com o Mello? – Perguntou Near sem mudar o habitual tom de voz. – Ele não veio à aula hoje.

- Ah, isso. É que eu e mais algumas pessoas nos reunimos para discutirmos sobre o acontecimento de ontem e decidimos que um tempo afastado do orfanato poderia fazer bem para ele.

- Quanto tempo?

- Ele saiu ontem, então ele deve voltar em seis dias, mais exatamente no próximo sábado.

- Humm... E para que tipo de lugar o levaram?

- Near... Falando assim parece ate que nos o apreendemos ou coisa semelhante. – Ele olhou para Near, mas este permaneceu calado esperando uma resposta. Roger suspirou. – Ainda não sei exatamente, deixei isso a cargo de outra pessoa, mas posso te assegurar que não é nenhum tipo de reformatório.

- Esta bem... – Near se virou novamente e saiu da sala.

Roger encostou-se em sua cadeira, uniu as mãos e deu um longo suspiro. Naquele momento ele daria tudo para saber o porquê de Near querer saber do paradeiro de Mello, especialmente porque ele deveria ser o mais beneficiado com o afastamento do rival. Ele pensou um pouco, mas se em todos os anos que ele já passara com aquele garoto ainda não conseguia entende-lo direito não era agora que conseguiria, então apenas voltou a abrir sua agenda.

oooooooooo

As aulas já haviam terminado por aquele dia e a noite já estava caindo. Nesse momento Near encontrava-se em outra sala comum começando a montar um de seus quites de plastimodelismo de um avião da 2ª Guerra. Ele tirava as pecinhas do molde e lixava as pequenas imperfeições minuciosamente, o que era um trabalho longo e que precisava de muita precisão e paciência. Near apenas o realizava para poder ocupar suas mãos e seu tempo com alguma coisa. Estava no meio do trabalho quando parou para observar em volta. Alguns grupinhos de crianças se entretinham com jogos e outros conversavam em meio a risos. As observou passando por ele como se este nem estivesse ali. Olhou para o relógio e viu que se quisesse evitar as crianças que já perambulavam pelo orfanato àquela hora ele ainda teria que ficar ali por um bom tempo ate que elas fossem dormir.

Aquela semana sem o Mello seria no mínimo monótona.


Fim do segundo dia. Se você ta achando a fic meio parada apenas pesso paciência, no terceiro capitulo as coisas vão começar a ficar mais intereçantes. Mesmo assim não vá se empolgando porque essa historia vai ser meio lerdinha mesmo.

O Roger até que ta aparecendo muito não é? Isso não foi planejado... Ahhh coitadinho dele, ele precisa de mais amor 3