Ai esta o 3º capitulo. Ele apareceu rapido, mas com os proximos deve ser diferente, ja que vou ter duas provas horriveis essa semana T.T O que quer dizer que eu so vou postar o 4º semana que vem com a ajuda de algum milagre...
3º Dia
Aquele era mais um lindo dia que se fazia no orfanato. As crianças que acordavam uma após a outra se animavam instantaneamente ao ver o céu limpo e o sol brilhando alto. Enquanto todos tentavam aproveitar o maximo aquela linda manhã antes que começasse a aula Near preferia continuar dentro do orfanato, montando mais um de seus dificílimos quebra-cabeças. Estava demorando um pouco para montar esse, já que parava de tempo em tempo para conferir o relógio, com medo de perder a hora como acontecera no dia anterior.
Depois de conferir varias vezes o relógio finalmente marcou a hora em que ele costumava entrar em sala. Guardou seu quebra-cabeça e se dirigiu logo a sala de aula. Ainda estava deserta, como geralmente estava na hora em que ele costumava entrar. Ele sentou-se em seu lugar e esperou ate os outros alunos começarem a chegar. De pouco em pouco a sala foi se enchendo ate que o professor entrou e a aula começou. Não havia ocorrido nada de especial naquela aula, estava ate mesmo mais monótona que o normal. O mesmo aconteceu nas aulas dos dois outros professores daquele dia, ate que finalmente o sino anunciou o intervalo das aulas. Todos os alunos guardavam seus materiais, mas antes que estes se levantassem o professor chamou a atenção de todos e pediu que antes de saírem, que eles passassem em sua mesa para pegar as provas de literatura que haviam sido corrigidas. Todos foram em direção à mesa ansiosos para conferir suas notas. Desempenho nos estudos era algo extremamente valorizado naquele lugar. Depois que a maioria já havia pegado suas provas saído de sala, Near levantou-se e foi ate a mesa onde o professor entregou sua prova com um sorrido lhe dando os parabéns. No entanto Near não o retribuiu, apenas olhou para a folha em sua mão. Dez como sempre, era de se esperar, para ele aquela prova tinha sido ridiculamente fácil. Ele então saiu de sala enquanto relia suas respostas tentando identificar algo que pudesse ter apresentado de modo melhor ou algum detalhe que esquecera, ate que diminuiu ainda mais o passo para tentar passar por um grupo de alunos que haviam parado no corredor para conferir notas e trocar opiniões.
- Ah não, você ta de brincadeira né? – Disse uma voz atrás de Near que o fez se virar rapidamente. Era um garoto que ele não conhecia que estava observando sua nota. – Não acredito que você conseguiu tirar dez nessa prova!
Todos os outros alunos que se encontravam naquele corredor olharam para ele e curiosos e se aglomeraram a sua volta.
- Nossa! Como você conseguiu entender o que ele queria naquela questão? Estava tão complicada...
- Não é a toa que você é o melhor do orfanato. Você é simplesmente um gênio!
- Ah... Isso da ate um desanimo... Eu nunca conseguiria escrever algo assim como você fez na resposta da questão nove...
Near não gostava de tumultos e sempre evitava lugares com muitas pessoas, mas nesse caso, já estava acostumado. Sempre era assediado pelos outros alunos nas entregas dos resultados, com todo tipo de elogio e as vezes um comentário um pouco mais frustrado. Mesmo assim ainda era estranho. Não conhecia aquelas pessoas, elas falavam com ele, o elogiavam, o chamavam de gênio, mas fora essas vezes, onde os resultados eram entregues ele não tinha nenhum tipo de contato com elas. Aquelas palavras de admiração soavam estranhas para ele, simplesmente não parecia fazer sentido aquelas pessoas que diziam admira-lo tanto ao mesmo tempo o ignoravam. Mas talvez fosse sua culpa. Sabia muito bem o que as pessoas falavam sobre ele e talvez aquilo fosse tudo verdade. Mas aqueles pensamentos o incomodavam, então simplesmente parou de pensar neles e voltou sua atenção para arranjar um modo de sair daquele lugar.
Algumas palavras bem pensadas e um pouco de pressa em seus passos e Near havia conseguido fugir dos colegas de classe. Foi para a biblioteca para conferir sua prova com mais calma. Lançou mais um olhar para a pontuação perfeita de sua prova e lembrou-se de Mello. Este ficaria realmente muito frustrado se estivesse ali.
oooooooooo
A noite já havia caído e as aulas terminado. Near estava apenas sentado em um canto de uma das salas acabando de montar um quebra-cabeça. Ao terminá-lo simplesmente o segurou no ar jogando todas as peças no chão, só que não sentiu vontade de montá-lo mais uma vez. Segurou a caixa do quebra-cabeça no colo e ficou sentado entre as peças espalhadas pelo chão enquanto olhava para as outras crianças que passavam pela sala. A calma excessiva e consequentemente a monotonia maçante daqueles últimos dias o deixavam com vontade de fazer nada. Olhou o relógio (ele passara a olhar o relógio com muito mais freqüência naqueles dias) apenas por olhar, pois sabia que ainda era cedo. Encarou seus ponteiros por um tempo e depois voltou a observar as pessoas em volta.
Enquanto seus olhos vagavam pela sala ele reconheceu um rosto. Era um dos garotos que o cercara no intervalo, se lembrou do rosto dele por este ter tentado roubar a prova de suas mãos para vê-la melhor. Ao lembrar-se daquele acontecimento, se lembrou também dos pensamentos que o incomodaram naquela hora.
Aquela idéia de que ele fosse simplesmente diferente não tão simples assim. Pelo menos não para ele. Acontece que ser diferente, fugir da norma, não é muito legal. Não importa o quanto ele fosse frio, seco e inexpressivo, aquilo não significava que ele era vazio. Near não chegava a se sentir sozinho, nem triste, nem com raiva, já que pouco sabia sobre essas coisas, mesmo assim, não gostava daqueles olhos que o viam como se fosse um ser de outra espécie, nem dos comentários que ouvia acidentalmente ao passar por uma porta entreaberta, nem mesmo do fato de o acharem inatingível, ou ate mesmo superior por sua inteligência. Acontece que as pessoas podem ser muito cruéis com aqueles que não se encaixam nos padrões de uma pessoa "normal", as vezes mesmo sem querer, mesmo sem a mínima crueldade ou má intenção é simplesmente difícil evitar um olhar meio curioso ou meio torto ao ver alguém diferente, Near não podia culpá-las.
Naquele momento, ele simplesmente quis que Mello estivesse ali. Isso parecia ser completamente absurdo, já que ele era o garoto que mais esfregava na sua cara o fato de ser diferente e com todas as palavras mais ofensivas que sabia, mas na verdade, isso fazia Near sentir exatamente o contrario. Sabia muito bem que todas aquelas ofensas e ameaças eram apenas tentativas de arrancas algum tipo de sentimento de Near. E mesmo sem querer, ele não conseguia deixar de pensar que se Mello tentava tanto arrancar um sentimento dele, talvez tivesse alguma coisa lá dentro para ser arrancada. Nunca havia notado aquilo antes, mas essa idéia era bem reconfortante. Assim como aqueles olhos, que estranhamente o fazia se sentir bem, pois não olhavam para ele com curiosidade por suas maneiras estranhas, nem com anormal admiração. Sim, eles o olhavam com ódio, um ódio tão ardente que dava calafrios, mas antes aquele ódio com que se encaram rivais e inimigos do que aqueles olhares como o de crianças admirando um animal no zoológico, pois rivais e inimigos não são tão anormais assim.
Quando se deu conta de que sua mente havia de distanciado um pouco demais naqueles pensamentos, Near notou que tinha inconscientemente amassado a caixa do quebra-cabeça que estava em seus braços. Ele tentou desamassá-la o melhor que pode e pôs-se a arrumar as pecinhas espalhadas pelo chão, contando uma a uma para ter certeza de que não havia perdido nenhuma delas. Ao juntar todas elas dentro da caixa amassada ele olhou novamente para o relógio. Ainda não havia chegado a hora de ir para a cama, mas a lerdeza dos ponteiros do relógio o irritou naquele momento, então ele foi para seu quarto assim mesmo.
O caminho ate seu quarto estava cheio de pessoas àquela hora, mas o tédio que o tomara naquele dia o fazia se importar ainda menos com elas. Chegando a seu quarto apagou as luzes e deitou em sua cama sem nem mesmo trocar de roupa ou desforrar a cama. Ele apenas queria que o tempo passasse logo.
Então é so isso por enquanto... talvez o Near tenha fica um pouco emotivo demais (qualquer tipo de emoção é demais para o Near...) mas eu pessoalemente acho que sem esse detalhe o capitulo teria ficado uma chatice... Sem contar que Near pensando em Mello é coisa mais fofinha desse mundo X3 Tehehe
Espero que tenham gostado e que não me matem se eu passar a proxima semana inteira sem dar sinal de vida, juro que não vou abandonar a historia no meio.
