Aiaiai... me perdoem pela demora desse capitulo... é que minha internet estava morta :´( Ela ressucitou ontem e eu finalmente pude postar esse capitulo... para eu conseguir terminar ele foi quase um parto, mas depois de finalmente contornar a preguiça eu consegui completar ele ajoelha-se agredecendo aos céus


4º Dia

O dia amanheceu claro e belo como havia sido nos dias anteriores. Os primeiros raios de sol passavam por entre as cortinas do quarto de Near, atingindo seu rosto gentilmente e o acordando. Esfregou os olhos e espreguiçou-se, olhou o relógio na mesa de cabeceira ainda sonolento e viu que já estava na hora de levantar-se, mas ele apenas se deitou de bruços e agarrou o travesseiro. A idéia de sair de sua cama para ter que passar por mais um dia perturbadoramente parado era frustrante. Ele permaneceu mais cinco minutos imóvel em sua cama antes de convencer a si mesmo a parar de ser infantil e descer logo para o café da manha.

Ao acabar de comer seu café, ele foi como sempre para seu quarto pegar alguns brinquedos para se ocupar enquanto esperava as aulas começarem, só que ao chegar em seu quarto e escolher alguns brinquedos em seu armário, não sentiu vontade de descer novamente. Não estava com vontade de ver pessoas. Sua relação com os outros alunos era de total indiferença e ele nunca tivera nada contra nenhum deles, mas naquela manhã ele não se sentia disposto para descer e entrar em contato com outras crianças. Com isso, ele permaneceu em seu quarto, brincando com seus vários brinquedos, sozinho, que era como ele queria estar naquele momento.

Nas aulas daquele dia não houve nada diferente do habitual. Near nunca havia notado o quanto a sua rotina era repetitiva e cansativa. As mesmas coisas, os mesmos horários, os mesmos rostos, tudo aquilo era tão desinteressante que naquele momento ele se perguntou o porquê de todos os outros acharem estranha sua mania de viver rodeado de brinquedos. O que mais ele poderia fazer com seu tempo? Já estava aflito por não ter nada para se distrair naquela aula, ele sempre pensava melhor quando tinha algo para ficar mexendo.

Seria tão bom se sua vida fosse apenas aqueles brinquedos... Eles eram infinitamente mais fáceis de lidar do que com pessoas, não reclamavam, brigavam, bajulavam, mentiam, nem machucavam os outros. Você também não precisava se preocupar com eles, brinquedos não se magoam e se você quebrá-lo é só dar um emendo que tudo volta ao normal. E se por acaso se canse desse brinquedo você apenas o troca por um novo que ele não se magoa nem nada. Mas se for um brinquedo especial, você também não precisa se preocupar, porque ele não vai a lugar nenhum, se você tomar conta eles nunca o deixarão sozinho. Near suspirou de leve e olhou para os outros rostos naquela sala. Se todas as pessoas fossem brinquedos a vida seria tão mais fácil... Eles é que são estranhos por não gostarem de brinquedos.

Já fazia cinco minutos que o sino já havia tocado e só agora que Near começara a arrumar seus materiais para sair de sala. Arrumou impecavelmente, como fazia com tudo mais, mas ao finalmente sair de sala viu uma menininha de outra turma parada ao lado da porta. Ao notá-lo ela desencosta da parede e vai em sua direção.

- Near, Roger pediu para eu mandar um recado para você. – Disse a garotinha com sua voz fina. – Ele quer falar com você depois das aulas, então é para você passar no escritório dele ta bom?

Near não respondeu. Ao termino do recado ele apenas tomou novamente seu caminho até o refeitório para o almoço.

- Ta bom? – Repetiu a menininha atrás dele em tom de voz mais alto, como se pensasse que ele não tinha escutado.

-... Ta. – Respondeu brevemente antes de voltar a andar.

oooooooooo

Acabando com o almoço, Near voltou a seu quarto e pegou alguns brinquedos para se distrair em uma das salas, se sentia melhor do que quando acordou. Depois de um bom tempo brincando com seus robôs, ele interrompeu a brincadeira para segurar um robô em especial e o encarou de cima a baixo. Já havia brincado com aquele mesmo robô no dia anterior, e o pior, também na hora do recreio. Toda aquela repetição o incomodava. Ele jogou o robô para um canto qualquer e olhou em sua volta para ver se encontrava algo apenas para não se entregar totalmente a mesmice. Viu que estava perto de uma janela, aproximou-se e se debruçou sobre ela, olhando para os jardins.

Eles estavam cheios de crianças de todas as idades brincando de vários tipos de brincadeiras. Near apoiou o queixo na mão direita enquanto as identificava. Um grupo de crianças na faixa dos 10 anos brincava de pique, umas criancinhas pequenas pareciam estar brincando de casinha, os órfãos mais velhos apenas caminhavam e conversavam sobre futilidades, enquanto os meninos da sua idade jogavam futebol em um campo. E por muito tempo ele continuou a observá-las como uma maquina. Examinando suas reações, prevendo seus atos e armazenando informações, assim talvez ele pudesse entender melhor como eram as coisas fora de seu mundinho branco. Esse pequeno joguinho o ajudava a se entreter, mesmo aquelas pessoas sendo um que tanto previsíveis demais para o seu gosto. Preferia quebra-cabeças mais complicados...

No jogo de pique uma criança deixou-se ser pega para salvar o amigo. Near olhou a cena enrolando os cabelos. Ele conseguia prevê-las, mas isso não significa que ele as entendia totalmente.

oooooooooo

A noite havia chegado ao orfanato pontilhando o céu com inúmeras estrelas, todos se encontravam dentro da grande casa. Debruçado sobre uma das carteiras de uma sala de aula vazia, estava Near. As luzes estavam apagadas e naquele horário, poucas pessoas passavam por aquela parte do orfanato, dando a sala um ar melancólico e abandonado. A pouca luz que entrava na sala vinha da lua que mesmo minguante, ainda cobria o local com sua luz pálida. Near estava novamente se sentindo com vontade de ficar sozinho. Todas aquelas pessoas risonhas e alegres passando por ele como se não estivesse lá estavam começando a fazê-lo se sentir mal. Nesses últimos dias estava ainda mais longe do mundo real, se afogando nos próprios pensamentos. Essa distância estava fazendo-o deixar de se sentir humano. "Não é justamente a capacidade de se socializar, se comunicar e de sentir emoção que difere os humanos de todas as outras coisas?" Pensava.

Aos seus pés, encontravam-se os pedaços de um avião de plástico montável ainda não acabado. No momento em que a falta de luz começou a cansar seus olhos ele simplesmente o jogara no chão. Agora ele estava apenas com a cabeça deitada em seus braços estendidos sobre a carteira de madeira enquanto olhava desinteressadamente para o quadro negro a sua frente. Naquele momento sua mente voava alto, tanto que não poderia dizer que ele estava realmente ali. Estava tão absorto em seus pensamentos que não ouviu o som de passos que ecoava pelo corredor vazio e só notou a presença de outra pessoa por perto quando esta abriu a porta da sala deixando as luzes do corredor entrar. Primeiramente Near não reconheceu o vulto que acabara de entrar na sala, mas facilmente reconhece sua voz.

-Near! Finalmente te achei. – Disse a voz de Roger. – O que esta fazendo aqui sozinho e nesse escuro?

Ele não respondeu. Roger acendeu as luzes fazendo Near encolher-se na cadeira, escondendo os olhos da luz, foi em sua direção e sentou-se na carteira a seu lado, esperando os olhos do pequeno acostumarem-se com a luminosidade e este tirar os braços do rosto.

- O que esta fazendo aqui no escuro? – Repetiu Roger em tom preocupado.

Novamente não houve resposta.

- Eu mandei uma menina lhe dizer para que fosse em meu escritório depois das aulas. Por acaso você não recebeu o recado?

- Não... Informaram-me disso antes do intervalo. – Near estava calado fazia tanto tempo que as palavras o faziam sentir uma sensação engraçada em sua garganta.

- Então porque não foi a minha sala?

Silencio...

- Near... Você esta bem?

Near acenou afirmativamente com a cabeça. Roger o observou por alguns instantes, fora o comportamento estranho não via nada de anormal nele, mesmo assim tinha a sensação de que alguma coisa estava errada...

- Já esta ficando tarde. – Disse Roger colocando a mão na cabeça de Near e sorrindo gentilmente. – Por que não vai para o seu quarto dormir um pouco?

Near o olhou e decidiu seguir a sugestão, não costumava dizer não ao Roger. Este então o acompanhou ate seu quarto.

Chegando lá, Near sentou-se em sua cama e olhou para o despertador. Realmente já estava tarde. Ele se trocou, deitou-se na cama e apagou as luzes. Sentia-se cansado como se tivesse trabalhado o dia inteiro, mesmo assim não conseguiu dormir direito...


Bem, nesse capitulo eu ja começo a maltratar o Near. Nos procimos as coisas ainda vão piorar kukukukuku

Vou tentar escrever mais rapido... ate eu estou ficando impaciente a espera do 7º dia... agora é so torcer para que a união de preguiça e prova de português não me desanime...