Finalmente terminei esse capítulo... Nyaaaa... crise de criatividade... sendo que acho que da pra notar que a primeira parte, que eu escrevi forçadamente ficou piorzinha que as outras... nhaaaa pelo menos eu escrevi ¬¬
Talvez vocês possam achar que o Near esta um pouco mais emotivo, mas lembrem-se que a esse ponto ele já ta meio piradinho o.O
5º Dia
Ninguém poderia descrever o quão perturbador era o som do despertador tocando para Near naquela manhã. Aquela havia sido uma longa noite. Não conseguira dormir direito, passou horas apenas fitando o teto e mudando de posição na cama para ocasionalmente dormir e acordar novamente meia hora depois. Sentou-se em sua cama e encarou o relógio com um olhar cansado, estava exausto. Reuniu toda a sua força de vontade para poder levantar da cama e se preparar para as aulas.
Desceu para a mesa do café da manhã já com uma grande caixa embaixo do braço. Não queria ter que subir novamente para pegar seus brinquedos, especialmente porque poderia acontecer dele preferir ficar em seu quarto e ele não tinha certeza se era saudável se isolar tanto das pessoas. Não estava com fome, mas comeu um pouco apenas para que ninguém viesse perguntar o porquê de não ter comido nada no café. Saindo de lá foi direto para a sala de sempre com sua grande caixa embaixo do braço. Chegando lá ele sentou-se em um canto qualquer e abriu a caixa, fazendo centenas de pecinhas de dominó caírem no chão. Ele as espalhou mais uniformemente pelo local e foi as posicionando uma atrás da outra calmamente como sempre.
Horas se passaram e as pecinhas haviam se tornado um grade labirinto de dominós. O tempo passava e a construção aumentava, até que o sino do orfanato começa a tocar. Near já imaginava que iria perder a noção do tempo novamente, estava cansado demais para prestar atenção nas horas, então apenas continuou com seu trabalho, esperando que os outros fossem para suas salas até os corredores ficarem mais vazios.
Logo se deu para notar a movimentação do lugar. Todos os órfãos paravam com suas atividades e iam em direção de suas devidas salas. Um destes que corria por ali rindo com um amigo passou ao lado de Near e acidentalmente esbarrou em sua construção, como eram dominós, aquele pequeno toque foi o suficiente para fazer com que todo o labirinto desmoronasse com um ruído longo e tremido. O garoto e seu amigo imediatamente pararam de correr e olharam para as muitas pecinhas espalhadas no chão. Near olhou para onde antes estava seu trabalho e depois olhou, inexpressivo, para o garoto que o derrubara.
– Me... Me desculpe... – Disso o garoto agora olhando para Near com uma expressão preocupada. – Eu não estava prestando atenção... Sério...
Near examinou o garoto dos pés a cabeça, ele parecia estar muito tenso e ao perceber que estava sendo examinado, ficou ainda mais.
- Não se preocupe... – Disse voltando os olhos para as pecinhas espalhadas no chão e pondo-se a junta-las.
O garoto abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas nesse momento seu amigo que estava a seu lado segurou seu braço.
- Para de insistir. – Disse conduzindo o outro em direção da sala de aula. – Deixa o garoto sozinho, ele ta melhor assim.
Eles seguiram seu caminho e Near os viu desaparecer do outro lado da porta que levava até as salas de aula.
– ...
... Melhor?...
oooooooooo
A noite já se estendia por sobre a grande casa com seu manto bordado de estrelas. Na sala de jantar todos já estavam acabando suas refeições, menos Near, que observava fixamente seu prato ainda meio cheio com um olhar parado. Não estava com fome. Na verdade, toda a metade que havia comido fora forçada para dentro de sua boca. Estava tentado terminar o prato por mera teimosia, não queria admitir que não estava se sentindo bem e muito menos que outros soubessem disso. Respirou fundo tentando amenizar o mal estar que sentia, mas sentir o cheiro da comida o fez ter ânsia de vômito. Levou as mãos à boca, se curvando um pouco. Não adiantava mais insistir, saiu deixando seu prato como estava.
Foi para o segundo andar em passos arrastados, entrou em um quarto vazio, se deitou em um grande sofá estofado dentro dele e fechou os olhos esperando que o enjôo passasse por si só. Ao deixar-se afundar no sofá macio percebeu o quanto estava cansado. Seus membros pesavam como chumbo e seu corpo foi tomado por um uma leve dor nas vértebras. Respirou fundo e organizou seus pensamentos, como fazia quando percebia que um jogo de lógica estava um pouco difícil, era tudo a mesma coisa para ele.
A janela do quarto estava entreaberta, o vento noturno entrava fazendo um assobio e enfunado as cortinas escuras. Esse som acalmava Near e assim, logo o mal estar começou a passar. Como tinha suposto, era tudo psicológico. A falta de apetite, o cansaço, a insônia... Tudo causado pela monotonia e solidão que o atingira dês de que...
Lentamente ele se sentou na poltrona, lutando contra o peso de seu próprio corpo, sentiu tontura ao erguer a cabeça, mas pelo menos o enjôo havia passado. Não podia continuar assim. Tinha que encontrar alguma coisa para tentar anestesiar essa sua doença. Sim, doença. O que é que era aquilo ele não sabia, mas já havia classificado como doença. Estava doente de sabe-se lá o que.
Deitou a cabeça em uma das mãos e tentou diagnosticar ele mesmo o que tinha. Passou mentalmente os sintomas e tentou se lembrar de coisas que havia ouvido em aulas de biologia, documentários e livros que lia ocasionalmente. Pelo que parecia aquilo podia ser estresse. Sim, fazia todo sentido para ele, o problema é que para curar o estresse eram necessários remédios fortes que ele nunca conseguiria obter sem uso de meios ilícitos e a ajuda de psicólogos, coisa que ele não queria nem pensar em fazer. O que acontecia com ele era apenas para seu interesse. Tentou procurar alguma outra coisa que pudesse pelo menos amenizar o que estava sentindo.
O que as pessoas fazem quando estão se sentido mal?
Near fez essa pergunta a si mesmo e resposta não tardou a vir a sua cabeça. Mas aquilo não podia ser uma resposta, deveria ser um deboche. Não fazia idéia de quem era o dono daquela voz que o respondeu em sua cabeça, tão cinicamente, mas só podia estar gozando com sua cara. Acalmou novamente sua mente e pensou na respostinha de maneira lógica. Ela até que fazia sentido, tinha fundamentos. Não conseguia pensar em melhor maneira para prosseguir, mas para ter certeza ele fez novamente a mesma pergunta.
O que as pessoas fazem quando estão se sentindo mal?
Elas comem chocolate!
Mesma resposta...
oooooooooo
Depois de muito esforço para descer as escadas Near conseguira entrar na sala da dispensa. Não ser notado era algo fácil para ele, uma vez que já era naturalmente silencioso, alem disso, os inspetores não pareciam fazer questão de repreendê-lo como aos outros alunos, Near nunca causava problemas.
Ele acendeu a luz amarelada, mesmo assim o quarto não deixava de parecer escuro. Alem disso era abafado e sinistramente quieto. Near não queria ficar muito tempo ali, então se pôs logo a procurar o que queria nas estantes. Correu os olhos pelos vidros, sacos, caixas de todos os tamanhos, até que viu uma grande caixa de papelão em que ele reconheceu o nome escrito em vermelho. Puxou ela para si com um pouco de dificuldade e viu que o lacre já havia sido violado, ao abri-la viu uma grande quantidade de barras de chocolate, da mesma marca que Mello sempre mastigava tão nervosamente.
No começo não pode deixar de achar graça. Então ele realmente tem um suprimento de chocolate só para ele? Não me impressiona. Mas logo deixou de pensar nessas coisas e pegou uma das barras. Rasgou lentamente a embalagem de papel alumínio amassando-a ruidosamente. Logo o aroma adocicado do chocolate veio até ele. Apenas aquele som e aquele aroma já traziam incontáveis memórias à sua mente, na maioria desagradáveis, mas que faziam uma insuportável sensação de abandono pesar em seu peito.
Levou o chocolate a sua boca. O cheiro doce e meloso agora se intensificara, dificultando o ato de pensar. Tirou um pedaço com uma mordida e mastigou o doce lentamente. Foi subitamente que Near sentiu como se tivesse finalmente conseguido tirar uma parte daquele peso de cima dele. Não sabia se era o motivo era o estimulo a produção de endorfina em seu corpo ou as lembranças que aquilo lhe trazia, mas ele sentia-se melhor.
O estranho reconforto e a maçante solidão se intensificavam a cada mordida. Ele rasgou o que restara do papel alumínio e enterrou seus dedos no chocolate, como se quisesse liberar toda aquela tensão por meio dele. O doce apenas derretia a seu toque, deixando-se levar pela tensa emoção do momento de um modo que Near nunca havia conseguido fazer.
Mas como ele o invejava.
oooooooooo
Já era tarde da noite. Muito tarde. Não se via nenhum sinal de vida pelos corredores escuros do orfanato. Em meio a um dos corredores, um fantasma. O vulto branco do que já havia sido uma pessoa se encontrava parado, imóvel no meio de um dos corredores na área dos dormitórios. Ele olhava fixamente para uma porta de madeira escura em meio ao silencio da madrugada.
O que estou fazendo aqui?
Já havia perdido a conta de quantas vezes tinha feito essa mesma pergunta. Não estava conseguindo dormir como no dia anterior, então pusera-se a caminhar pelos corredores, a procura de um pouco de sono. Sem que percebesse, seus pés o haviam levado até ali. Não sabia quanto tempo havia passado dês de que se dera conta de onde estava, mas ainda encontrava-se sem ação. Ele apenas fazia qualquer tipo de movimento depois de ponderar cuidadosamente seus possíveis efeitos, mas já estava ali fazia muito tempo e a situação não parecia ter resposta até que ele infantilmente pensou Por que não?
Levou a mão à maçaneta da porta ainda com incerteza e a girou. Abriu a porta suavemente e sem fazer o mínimo ruído e olhou por traz dela como se pudesse ter alguém lá dentro. O quarto de Mello.
Este estava perfeitamente organizado, mas não como o quarto de Near. Era aquela organização melancólica dos quartos abandonados, tão vazios e sem vida. Ainda vacilante, Near entrou no quarto, olhando para os lados e examinando o que podia com a fraca luz da lua iluminado o lugar. Ele encostou a porta atrás de si e andou pelo quarto. Um armário quase vazio, uma estante cheia de livros, uma escrivaninha ainda com umas barras de chocolate nas gavetas, Near achou melhor não mexer nelas.
Depois de explorar o local, ele se sentou na cama de Mello. Estava exausto, mas continuava penosamente sem dormir. Passou os olhos mais uma vez pelo local até que a exaustão o dominou e ele deixou-se cair sobre a cama. Deitou a cabeça no travesseiro ainda de olhos abertos, imaginava onde o outro poderia estar naquele momento. Imaginava o porquê de ter ido embora, o que ele estaria fazendo... Sua ânsia para obter essas respostas o afligia, mas ele não queria pensar nisso. Não agora. Estava com muito, muito sono.
Demorou para aparecer, mas em compensação ficou um pouco maior que os anteriores. Bem que se vc não gostar muito de ler isso é ruim :(
Quando estava lendo isso pela segunda vez, notei que tem uma parte em que eu digo subliminarmente que o chocolate consegue ser mais emotivo que o Near O.O Isso foi sem querer...
Sem previsões para quando o próximo capítulo deve aparecer... estou passando por uma crise de drama dês de que me surgiu uma incontrolável vontade de jogar RP de MxN ate que me dei conta que não tenho ninguém com quem jogar (dramadramadramadramadrama)
