6º Dia

Quando Near acordou aquele dia, o sol já estava alto no céu. Ele se espreguiçou entreabrindo os olhos e apalpando o móvel ao lado da cama na tentativa de achar seu despertador. Não estava lá, o que era muito estranho já que ele sempredeixava o despertador aquele lado da cama. Ao abrir seus olhos para procurar melhor deparou-se com um quarto que na era seu.

Sentou-se na cama rapidamente e aos poucos foi se lembrando da noite passada. Havia dormido no quarto de Mello, agora ele se lembrava melhor. Também se lembrou do mal estar e que o dominara no dia anterior isso fez com que aquela sensação de ter um peso em seu estômago voltasse. A mera lembrança de todas aquelas sensações e dores que o atormentavam dês de dias atrás fez com que elas voltassem uma a uma. Inevitavelmente seu corpo caiu molemente sobre a cama, ele correu os olhos pelo quarto, inspecionando-o agora que a claridade permitia que se visse melhor o que o rodeava.

Havia um relógio pendurado na parede oposta e por ele, Near havia perdido o café da manhã (coisa irrelevante, ele não estava com disposição para comer); um console de videogame acumulava poeira embaixo de um televisor devido à falta de uso na ultima semana; na estante, Near leu a lombada de alguns livros, matemática, história, geopolítica, sociologia, filosofia, psicologia... Ele já havia lido a maioria desses livros; ao lado de sua cama a janela encontrava-se aberta, as cortinas ondulavam com o vento, deixando passar a luz morna do sol (que para ele parecia um tanto doentia); contorcendo-se um pouco, ele pode ver um quadro de fotos ao lado da janela, mas não pode identificar nada do que estava lá. Ajeitou novamente a cabeça e se perguntou que tipo de coisa Mello botaria em um quadro de fotos. Ficou um tempo ruminado essa idéia, mas como já previa, não chegou a lugar algum, o que conhecia do garoto era tudo muito inconsistente para alguém como ele. Deu mais uma pequena olhada para o canto do quarto onde estava o quadro e uma curiosidade começava fazer cócegas nele. Ficou pelo menos cinco minutos com o pescoço naquela posição desconfortável pensando no que devia fazer, até que decidiu ignorar todas as dores em seu corpo e se levantou.

Arrastando-se para frente do quadro, ele olhou atentamente tudo que estava ali pendurado. Nele havia várias fotos, a maioria de Mello acompanhado de alguns amigos, algumas eram só dos amigos, conhecia uns poucos rosto dos que se repetiam naquelas fotos, mas só pelo nome. Olhou para os sorrisos congelados, lembrou-se de que Mello até que era popular, tentou imaginar o tipo de coisas que eles faziam juntos, mas essas coisas de amigos não eram o seu forte. No quadro também havia vários papeis com fórmulas matemáticas, trechos de resumos de matérias, lembretes (lembrar de escolher os filmes para ver na quinta com o pessoal ou ir para a biblioteca pegar alguns livros de química sobre ácidos), uma grande folha de papel com uma oração e algumas frases de estudiosos (Vulnerant Omnes. Ultima Necat.¹).

Ele perdeu a noção do tempo enquanto estudava e armazenava cada mínimo detalhe do que via naquele quadro. Direcionou um olhar especialmente demorado a uma foto de busto de Mello que se encontrava em um canto quase que totalmente escondida sobre um pedaço de papel com um lembrete. Cuidadosamente ele desprendeu a foto da parede, tomando cuidado para esconder a falta dela. Examinou-a por mais um tempo em sua mão, o Mello da foto parecia olhá-lo com arrogância, mesmo assim guardou a foto no bolso antes de voltar para a cama, se jogar nela e ficar.

oooooooooo

O almoço estava sendo servido. Roger ainda nem havia acabado o seu quando foi abordado por um professor acompanhado por mais dois inspetores. Crianças têm problemas toda hora, especialmente se forem órfãos. Órfãos super dotados mais ainda, mesmo assim a equipe que trabalhava naquele orfanato era especialmente treinada para lidar com isso, sendo desnecessário que pessoas como Roger ou Wammy tenham que interferir, mas um problema com ele era diferente. Qualquer coisa referente a ele deveria ser reportada imediatamente para os superiores o mais rápido o possível, alem do mais, ele era o aluno mais brilhante que orfanato recebia dês de que L havia saído de lá.

Terminou sua refeição rapidamente e decidiu que seria melhor falar com ele pessoalmente. Andou pelos corredores cheios de crianças até chegar a seu quarto, mas este estava vazio. Encarou o nada como se quisesse ter certeza de que não tinha ninguém lá, após ver que era inútil ficar ali pediu a ajuda dos inspetores na procura. Salas de aula, salas de jogo, biblioteca, salas de estudo, salas de musica... Todos os cantos do orfanato foram vasculhados à sua procura, já estavam ficando preocupado.

- Ainda não procuramos nos jardins. – Disse um dos inspetores. – Não acho que ele ficaria por lá. Acha melhor tentar?

Não acho que ele ficaria por lá

- Não, não é preciso. – Disse Roger com um leve aceno da mão. – Continuem procurando. Enquanto isso... Acabei de ter um pequeno palpite.

Ele voltou para os dormitórios, só que ao invés de ir para o quarto dele, passou direto, seguindo em frente no corredor. Parou em uma outra porta de madeira e a abriu. Deu uma espiada pela fresta da porta e lá estava ele, deitado, imóvel, sem vida...

Aproximou-se silenciosamente, parando ao ver, com surpresa, o estado do garoto. Adquirira um tom de pele pálido (mais do que o normal) meio acinzentado, seus olhos opacos estavam entreabertos e olhando fixamente para o teto, sem o mínimo sinal de que tinha notado a entrada do estranho, seus membros pendiam molemente, esparramados pela cama. Se não fosse o lento movimento de seu peito que indicava a respiração, não poderia ter certeza de que ele estava vivo. Com cautela, aproximou-se mais do corpo e sentou-se na beira da cama, olhando para os próprios pés.

- O que foi Near? – Disse bem baixinho. – Me contaram que você não vem aparecendo para as refeições dês de ontem e que faltou a aula hoje. Alguma coisa aconteceu?

Não houve resposta.

- Se você não me contar nada eu não poderei ajudar.

Silêncio

- O que esta fazendo no quarto do Mello?

Dessa vez ele virou um pouco a cabeça, de modo que pudesse examinar o rosto do homem. Abriu a boca, mas tornou a fechá-la logo depois. Roger olhou para aqueles olhos vazios cheio de preocupação, deu um sorriso com jeitinho de lamento e passou os dedos pelos cabelos brancos do garoto de modo paternal.

- Você parece estar se sentindo mal. Vamos até a enfermaria e depois conversamos.

Ajudou-o a se levantar da cama, Near sentiu sua cabeça girar com o movimento, deu um paço em direção da porta, apoiado no braço de Roger, deu outro, no terceiro sentiu uma vertigem que o fez cair sobre seus joelhos, apoiando-se com as mãos. Roger abaixou-se perguntando o que acontecera. Near continuou sem mover um músculo, recuperando-se do susto. O quarto a sua volta parecia estar perdendo a cor. Foi levantado e posto de volta na cama, onde Roger pediu que esperasse até que ele voltasse com uma enfermeira.

oooooooooo

Near havia sido examinado por duas enfermeiras diferentes e ambas disseram que não poderiam ter certeza do que ele tinha antes de fazer alguns exames, mas aparentemente, ele estava bem, qualquer mal que tivesse deveria ser psicológico. Aquilo não fazia sentido para ele, já tinha lido muito sobre essas doenças, mas nunca imaginou que um dia fosse sofrer de algo assim, alem do mais, o porquê de estar sofrendo de uma doença psicológica era um tanto que confuso para ele.

Depois de muita argumentação, Near convenceu as enfermeiras a o deixarem voltar para seu quarto, ele não se renderia a uma doença que aparentemente nem estava lá. Agora, já em seu quarto, ele olhava pela janela de sua cama, um robô de brinquedo achava-se deitado sobre seu peito e mais alguns outros estavam espalhados pelo chão. Continuava a remoer esse assunto na sua cabeça, até que lembrou-se de algo que Roger havia lhe dito a dias atrás.

- Ah, isso. É que eu e mais algumas pessoas nos reunimos para discutirmos sobre o acontecimento de ontem e decidimos que um tempo afastado do orfanato poderia fazer bem para ele.

- Quanto tempo?

- Ele saiu ontem, então ele deve voltar em seis dias, mais exatamente no próximo sábado.

Near olhou para o relógio. 11h14min, e era sexta-feira à noite... Mello chegaria no dia seguinte. Ele levou a mão ao bolso e retirou de lá a foto roubada no mesmo dia. Olhou para a foto por uns instantes enquanto enrolava uma mecha de cabelo com os dedos. Um mesmo pensamento não saia de sua cabeça. "Ele vai voltar amanhã...". Guardou a foto novamente no bolso, ficar a noite toda pensando naquela pessoa não era algo que ele queria. Ergueu-se da cama, arrumou os brinquedos que se encontravam no chão, foi para sua cama e apagou a luz.

12h45min

Ainda não havia conseguindo dormir.

01h30min

Por algum motivo estava agitado... Revirava-se pela cama e ainda não tinha conseguido pregar os olhos.

03h27min

Dormira por um curo tempo, mas acordara com um sonho estranho e agitado, saiu do quarto para beber um copo d'água. Quando voltou não se lembrava mais do sonho.

03h40min

Por que o tempo custa tanto a passar?

04h58min

Novamente dormira por um tempo... Acordara novamente por causa de um sonho, mas foi um sonho banal demais para ser lembrado.

05h30min

"Pensei que havia dito a mim mesmo que não queria passa a noite inteira pensando nele..."

06h25min

O dia começava a clarear...


1-Todas as horas doem. A ultima mata.
Minha prova final de matemática é essa semana... esta um calor horrível por aqui... e estou a dias com insônia... resultado... decidi tomar vergonha na cara, terminar esse capitulo e jogar toda a minha frustração em cima do Near... pq fazer ele sofrer é legal...

Mello finalmente volta no próximo e ultimo capitulo, que deve ser postado semana que vem...

Não falo mais nada, pois seu que tudo que é dito aqui pode ser usado contra mim...