Bem... A grande maioria dos personagens desse capítulo pertence à JK, e eu não ganho nada escrevendo sobre eles... O cigano Igor e boa parte dos homens na estalagem são criações minhas... Espero que gostem!


2. Primeiras impressões

Gina estava aliviada por ter conseguido comprar todos os mantimentos para o inverno e ainda economizar um pouco, mas o desejo de ir embora já a dominava. Ela andou por toda a cidade, comprou tudo o que precisava, andou mais um pouco, e logo se sentiu entediada com as casas sempre iguais e as mesmas caras de deboche e falsa animação demonstradas por todos naquela cidadezinha. Por fim, Gina retornou à carroça conforme o combinado, se ajeitou entre o feno e os sacos de farinha e grãos ali guardados, e se pôs a esperar por Gui.

Mas o fato é que ele estava demorando demais. Gina estava esperando na carroça, debaixo do sol, entediada e com fome, háhoras! Onde ele estava? Onde? Bufando, Gina desceu da carroça, encostou-se à pequena bandeja de água diante dos cavalos, e cruzou os braços sobre o peito, esperando. E esperou. E esperou.

Um grupo de garotas passou por Gina dando risadinhas tolas, que deixaram a ruiva vermelha de vergonha e irritação, fazendo-a desejar não ter vindo. Decidida a sair do sol e se esconder em qualquer buraco, Gina checou se os cavalos estavam bem presos e entrou na estalagem em frente.

Mal passou pelas portas de folhas duplas, e já se sentiu melhor: nada de garotas para zombarem de sua total falta de cuidado com roupas e cabelo. Apenas homens, o tipo de ser com o qual ela estava acostumada a lidar. Sorria para si mesma e estava pensando no que fazer, quando se assustou.

-Posso ajudá-la, senhorita? -disse uma voz grave e levemente arrastada. Gina pulou, virando-se na direção da voz, pronta para atacar quem a tinha assustado dessa maneira, mas ficou sem fala por um momento.

À direita da porta havia um balcão, de onde um rapaz alto, de cabelos loiros muito claros, a encarava com um sorriso agradável no rosto fino de traços firmes. Alguma coisa nele fazia Gina lembrar-se das gravuras de príncipes dos livros de contos de fada que encontrara no meio das coisas de sua mãe.

-Não, eu... Quero dizer... -oh, onde estavam as malditas palavras?

-Está se protegendo do sol? -perguntou o rapaz, muito educado. Gina quase suspirou de alívio, e afirmou com um aceno de cabeça.

-Como sabia?

-Muitas garotas fazem isso, entram aqui apenas para se proteger do sol forte. -ele pegou um copo molhado e se pôs a enxugá-lo com um pano velho, mas impecavelmente limpo. -Deseja beber alguma coisa? Um copo de leite, talvez?

Gina se aproximou do balcão, abrindo sua bolsa e contando quanto dinheiro ainda tinha.

Com um sorriso animado, ela voltou-se para o rapaz:

-Um copo de leite seria ótimo!

Ele sorriu-lhe de volta, e desapareceu atrás do balcão; Gina sentou-se em um dos bancos altos e descansou os cotovelos sobre a madeira, tamborilando os dedos no próprio rosto. O rapaz logo retornou, pousando uma caneca diante de Gina e enchendo-a com leite fresco.

-Obrigada. -agradeceu, concentrada em tomar seu leite e olhar para qualquer lugar, menos para o garoto de olhos cinzentos. E estava um certo silêncio (se é que se poderia chamar de silenciosa uma estalagem cheia de homens comendo e conversando alto), quando o rapaz exclamou:

-Você deve ser parente do outro ruivo. -Gina o encarou, com certa dúvida em seus olhos castanhos. O rapaz continuou: -Um alto, grande, de barba e cabelo comprido...

-Ah! -Gina pousou a xícara sobre o balcão, sorrindo e afirmando com acenos de cabeça -É meu irmão. O senhor o viu? Onde ele está?

-Sim, eu o vi, sim... -ele sorriu com um canto da boca, o que fez Gina desviar os olhos para sua caneca -Mas não respondo se me chamar de senhor...

-Oh! Está bem, senh... -ela sentiu as bochechas esquentarem -Quero dizer, você poderia me dizer onde ele está?

-Ele está lá nos fundos, conversando com Fleur...

-Fleur?

Ele sorriu abertamente agora, parecendo muito contente consigo mesmo.

-Sim, senhorita. Fleur Delacour, nossa funcionária, a melhor cozinheira da região e um amor de pessoa!

Alguma coisa na maneira com que ele disse "um amor", ou no seu jeito convencido de sorrir, fez o estômago de Gina se retorcer.

-Obrigada... -agradeceu, brincando com a borda metálica de sua xícara; descansou novamente o queixo na mão, o cotovelo se apoiando na madeira do balcão.

-Por que essa cara triste, senhorita? -disse o garoto, quebrando o silêncio que se formara e tornando a secar alguns copos com o mesmo pano velho. Gina não o encarava ao responder:

-Estou com medo do futuro.

Ele parou de enxugar o copo, pousando-o diante de Gina e se inclinando sobre o balcão.

-Medo do futuro?

Gina encarou-o, sentindo-se corar devido à proximidade de seus rostos, e afirmou com a cabeça.

-Apavorada, eu diria.

-Vai casar com um cara que você odeia? -tentou ele, encarando a ruiva com certa intensidade constrangedora em seus olhos cinzentos. Gina corou ainda mais.

-Não, eu... Eu não tenho noivo nem nada... -o garoto acenou com a cabeça, mostrando que a ouvira; ele se afastou por um instante, puxando para perto de si um banco alto onde se sentou, para depois tornar a inclinar-se sobre o balcão e encarar a ruiva.

-Então, o que o futuro te reserva e que te apavora tanto?

-Meu irmão, ele... -Gina escondeu o rosto nas mãos, sem saber por que estava a fazer confissões a um total desconhecido. Decidindo voltar a raciocinar devidamente, a ruiva tirou as mãos do rosto e se levantou, sem encarar o garoto loiro. -Esqueça, não tem importância. Eu tenho que... Quanto é o leite?

Ele negou com um aceno de sua cabeça loira.

-Desculpe minha indiscrição, senhorita. Eu tenho a terrível mania de querer saber demais!... -ele indicou novamente a cadeira com um gesto de sua mão pálida -Eu não faço mais perguntas. Por favor, sente-se! O leite é por minha conta!

Gina ponderou a proposta por um momento; espichou os olhos na direção da carroça, tentando ver se seu irmão já chegara e, ao notar a total e completa ausência de cabelos vermelhos, sorriu de novo e voltou a sentar-se no banco, aceitando o pedido do garoto loiro. Ele sustentava um bonito sorriso de canto de boca ao servir mais leite na caneca de Gina, e parecia que ia dizer alguma coisa quando um homem se aproximou do balcão.

-Draco! -o homem, de rosto barbado e olhos escuros que o faziam parecer um cigano, se apoiou no balcão e fitou o garoto. -Cadê a Fleur? Ela saiu há tanto tempo!

-Ela está nos fundos, Igor, conversando... E, você sabe, não é seguro interrompê-la...

-E como sei! -Igor e o rapaz riram e o homem se afastou, sumindo por uma porta sem maçanetas em um canto da estalagem, onde havia a placa "Funcionários somente". Gina tomou um gole grande de seu leite, e logo pousou seu copo semicheio novamente sobre a mesa.

-Então, -começou, meio incerta sobre o que dizer, e querendo impedir que se formasse novo silêncio entre ela e o rapaz -seu nome é Draco?

-Sim, senhorita -ele sorriu, lhe estendendo a mão pálida -Draco Malfoy, às suas ordens.

Ah! Esse era o nome na placa sobre a estalagem... "Malfoy's"... Gina retribuiu o cumprimento com um sorriso.

-Ginevra Weasley.

-Bonito nome, Ginevra. -comentou Draco, começando a guardar os copos, agora secos, debaixo do balcão.

-Obrigada -murmurou Gina, sentindo-se corar mais uma vez; agradeceu por Draco estar escondido detrás do balcão e não poder ver seu rosto vermelho e constrangido, e continuou: -Gosto do seu. Draco. É bonito de se dizer, lembra a realeza...

O loiro ergueu-se com um sorriso brincando em seus lábios finos; ele sentou-se novamente no banquinho, inclinando-se sobre o balcão e se aproximando de Gina, que até estava começando a gostar de tal proximidade...

-Meu pai tinha mania de grandeza... Ele achava que o primeiro passo para ser bem sucedido era ter um nome forte.

-Você fala no passado...

O bonito sorriso animado do loiro se tornou um tantinho triste e cansado.

-Meu pai morreu há muitos anos, Ginevra...

-Ah! -o sangue tornou a subir pelas maçãs do rosto de Gina -Eu... Eu não sabia, sinto muito!

-Não se preocupe! Faz realmente muito tempo. -ele afastou um fio de cabelo de sua testa enquanto dizia: -De fato, ele viveu o bastante apenas para me dar um nome e montar essa estalagem. Ele foi pego pela Febre.

Gina acenou com a cabeça em compreensão. A Febre fora a causa de muitas mortes, inclusive a de sua mãe.

-Ele tinha bom gosto para nomes, e um bom tino para negócios, pelo que percebo!...

O sorriso melancólico de Draco foi substituído por um orgulhoso e satisfeito. O loiro ia dizer alguma coisa, mas foi interrompido por certa balbúrdia em algumas mesas menores. Gina desviou os olhos do rapaz e procurou o que causara tal desordem, tentando entender o que estava acontecendo.

Dois homens gritavam um com o outro, se empurrando e xingando; um deles virou uma cadeira sobre outras duas que já haviam caído, enquanto o outro derrubava uma mesa, espalhando canecas de cerveja, pratos de metal e cartas de baralho no chão. Franzindo o cenho, Draco se levantou sem dizer coisa alguma e saiu do balcão, caminhando em direção aos dois encrenqueiros.

-Hey! Que confusão é essa?

Gina se assustou com o tom de comando na voz do rapaz, e pelo visto não foi a única: os dois homens pararam de brigar e começaram a dar explicações exaltadas ao mesmo tempo, de modo que nenhum dos dois se tornou compreensível.

-Parem de gritar! -até mesmo os pensamentos de Gina se calaram diante de tal tom ameaçador... -Falem um de cada vez!

-Jackson está trapaceando nas cartas! -apressou-se em dizer um dos brigões. O outro fez uma careta indignada:

-Eu não estou! -apontou o dedo para o primeiro homem, rosnando -Você é que é um péssimo perdedor!

-Ora, seu...!

-Tá bem, já chega! -Draco postou-se entre os dois homens, contendo-os. Havia tamanha aura de liderança ao seu redor, que os homens o obedeceram mesmo sendo muito maiores e mais fortes do que o loiro.

-Fora daqui, os dois! -sibilou Draco, empurrando os homens para fora. -Nada de brigas aqui dentro! Conhecem a regra da casa!

Os encrenqueiros saíram da estalagem em meio a resmungos e xingamentos; os outros homens no local se dispersaram pelas mesas pequenas, comentando sobre o ocorrido. Draco soltou um suspiro irritado, e se ocupou em arrumar a mesa e as cadeiras viradas, recolhendo os pratos e copos caídos e as cartas de baralho espalhadas pelo chão de tacos da estalagem, sempre acompanhado pelo olhar admirado e quase boquiaberto de Gina.

A ruiva estava perdida em pensamentos sobre a maneira com que o rapaz poderia trocar de personalidade como quem muda de sapatos (um rapaz gentil virou um garoto indiscreto e curioso, para depois se tornar um homem austero e assustador... Impressionante!...), quando uma porta azul se abriu, dando passagem a uma garota incrivelmente bela e loira, com olhos azuis animados e um bonito vestido acinzentado, que se movia conforme ela andava, quase aos saltinhos.

-Drraque! - ela entoou, com um sotaque francês e voz feliz, saltitando até onde estava Draco, ainda ocupado em limpar os vestígios da briga. -Drraque, eu vou me casar!

-Casar? -exclamou o loiro, após um instante de espanto e boca aberta. -Ah... Parabéns!

-Obrrigada, querrido! Eu sinto muito porr deixarr a estalagem, mas eu vou morrar forra da cidade, e...

-Tudo bem, Fleur, eu entendo! -interrompeu Draco, com aquele sorriso bonito e tom de voz gentil que poderiam derreter corações. -Mas posso saber quem é o noivo felizardo?

-Gui Weasley!

Gina sentiu o sangue fluir para longe de seu rosto. Gui ia se casar mesmo. E com uma garota linda!

Levantou-se de um salto do banco, correndo para fora da estalagem e indo se refugiar nos montes de sacos e feno da carroça sem nem olhar para trás, mas tendo certeza de que ninguém ia perceber sua falta.

Gina enfiou-se no meio do feno e ali ficou até que a informação fosse completamente assimilada. Gui conseguiu. Gui ia se casar. Gui arrumou uma esposa linda e trabalhadora. Gui arrumou uma esposa linda e trabalhadora que faria todos esquecerem quem foi Ginevra Weasley.

Céus, o que ia fazer? Viver como uma sombra, um fantasma em uma casa onde ninguém lhe dava importância? Talvez fugir fosse o mais certo a fazer... Mas fugir para onde? Com que dinheiro, já que gastara tudo o que tinha nos mantimentos para o inverno e que agora aoutra usaria em seu lugar? Talvez pudesse pedir ajuda a Draco, preencher a vaga que Fleur iria deixar na estalagem, e... Mas Gina não sabia cozinhar como ela, lavar como ela, ser como ela! O que ia fazer?

Afundou o rosto nos joelhos, as mãos circundando as pernas e as pressionando contra o peito. Desejou novamente não ter ido até o vilarejo, ter decidido ficar em casa e nunca ter visto a nova noiva de Gui. Sentia lágrimas surgirem em seus olhos, mas não iria derramá-las, precisava de um plano, precisava de um futuro...

-Focê deve serr a Ginevrra, suponho... -aquela voz macia e o sotaque francês não deixavam dúvidas de quem era a pessoa que falava com Gina. Não ousou erguer os olhos para fitar a noiva de Gui, mas nem foi preciso: sem esperar por convites ou por qualquer palavra da ruiva, Fleur subiu na carroça e sentou-se a seu lado.

-Focê nos assustou ao desaparrecer daquele jeito... -disse a loira, visto que Gina não estava disposta a falar coisa alguma. -Seu irmon querria te baterr, mas eu non deixei.

Gina engasgou, tentando não rir. Era bem típico de Gui ameaçar dar-lhe boas pancadas quando fazia algo errado; mas o irmão sempre tivera coração mole, e nunca bateu em nenhum dos Weasleys quando estes faziam travessuras - a não ser quando a travessura consistia em bater uns nos outros... O silêncio continuou entre as duas, mas agora Gina tinha coragem em encarar a noiva de Gui, podendo analisá-la mais de perto.

Ela era mesmo bonita, concluiu, com certa raiva. Os cabelos eram bem penteados, o vestido bem cuidado, as unhas bem feitas, os sapatos bem tratados... Até seu avental de cozinheira estava branco e limpo! Não era difícil perceber porque Gui a escolhera, afinal...

-Drraque achou que tinha te assustado... -comentou Fleur, encarando as próprias unhas, mas com um pequeno sorriso nos lábios carnudos. Gina sentiu o rosto arder.

-Não foi culpa dele, eu... Foi só o choque da notícia, só isso!

-Foi o que eu disse parra ele. -respondeu Fleur, agora olhando bondosamente para a ruiva -Mas focê sabe como son os garrotos, cheios de parranóias...

Gina ficou em silêncio, cogitando se deveria voltar à estalagem e se desculpar pela grosseria, ou se deveria se esconder melhor entre os sacos de farinha, caso Draco resolvesse procurá-la. Mas acabou sem se decidir entre as duas alternativas, pois uma cabeça ruiva bloqueou o sol e interrompeu o fluxo de seus pensamentos.

-Ah, aí está você! -disse Gui, sorrindo em contraste ao tom repreensivo de sua voz. -Vamos, Gina! Nós vamos conversar com o pastor sobre o casamento!

E assim, a ruiva foi puxada pelo irmão mais velho até a pequena igrejinha de Hogsmeade, ambos acompanhados pela estonteante Fleur, que sorria aberta e animadamente para todos que vinham cumprimentá-la. O maior mal das cidades pequenas, é que as notícias têm certa tendência a voar...


N/A: o tão aclamado encontro!... Tá, nem taaaão aclamado assim, mas vá lá... Eles se encontraram! xD

O sotaque de Fleur não é tão forte como nos livros, porque eu acho terrivelmente chato ler aquele monte de palavras escritas errado... Então, fiz uma pequena adaptação, apenas algumas coisas, como palavras terminadas em "ão" e alguns "R" mais puxados foram mantidos. Espero que dê pra entender! Senão, avisem que eu arrumo da melhor maneira possível! (e avisem mesmo; Fleur vai falar um bocado daqui pra frente...)

Bem... A Lauh me fez uma pergunta que me fez lembrar que nem todo mundo que lê "Sete Casamentos" lê a UDD (guerra de shippers? Whatever...), onde eu expliquei o pato todo... Sim, eu fiz cirurgia, pra retirar o apêndice... Mas agora estou ótima, sem pontos nem nada, só com uma cicatriz estranha e ainda avermelhada em forma de espinha de peixe... Enfim... Isso significa que talvez (eu disse talvez!) tenha capítulo novo na semana que vem! Depois disso eu não garanto mais nada... Maaaas, vejamos...

Um pouco de chatagem, certo? Certo. Eu quero reviiiiews!!! Mandem reviews, e eu mando o capítulo!!! Vejamos... Umas dez, pelo menos?? hahahahaha... Tá, se chegar às 20 eu fico feliz, mas eu quero 10... Combinado? xD

Obrigada a Assuero Racsama, 'De Zabini Malfoy, Biazinha Malfoy, LauhMalfoy, (que engraçado, todo mundo aqui tem sobrenome Malfoy! xP) e Isabelle Delacour pelas reviews!! Esse é outro capítulo curtinho, mas fofo. Não é? hehehee

Bjs a todos e um abraço de urso! (abraço mais decente, agora que não tenho mais pontos!)