O Baile de Carnaval

Antes de Lizzy deixar o escritório, no final do expediente, Charlotte entregou-lhe um papel com seu número de telefone, pedindo a ela que, caso fosse fazer alguma coisa durante o feriado, que ligasse para avisá-la. Ainda que tivesse outros irmãos, Charlotte era muito sozinha e estava empolgada em ter a companhia de Lizzy para poder se divertir um pouco no carnaval. Lizzy adorou a iniciativa da amiga e a abraçou com muito carinho, certa de que se encontrariam no dia seguinte. Tendo certeza de que George lhe telefonaria na manhã seguinte, Lizzy saiu sem ao menos se despedir do amigo, seguindo em direção ao ponto de ônibus. Excepcionalmente neste dia, não haveria aula na faculdade, afinal era carnaval. Iria direto para casa, como há muito não fazia. Durante o caminho, o rosto de Lizzy ficara corado ao lembrar-se das coisas que George lhe dizia. Sentia-se encantada pelo seu charme e sua espontaneidade. Apesar de ser bela, eram raros os rapazes que se atreviam a galanteá-la desta maneira.

Ao chegar em casa, ajudou sua mãe a terminar o jantar, o prato predileto de seu primo William, carne assada com batatas. Ele chegaria mais tarde, dando tempo suficiente para que ela pudesse tomar banho e colocar as fofocas em dia. Em seu quarto, na companhia de Jane, ela comentava sobre George, contando-lhe sobre os almoços e suas conversas. Sem deixar de notar, Jane estava surpresa ao ver Lizzy tão empolgada por um rapaz.

- Não me lembro de tê-la visto assim antes.

- Nem eu! – respondeu Lizzy, dando uma gostosa gargalhada.

- Estou curiosa em conhecê-lo.

- Amanhã nos encontraremos! – disse Lizzy, com os olhos brilhando de tanta empolgação.

Eram oito horas, quando William foi recebido na casa dos Bennet. Todos vieram cumprimenta-lo, sendo uma recepção muito calorosa. A Sra. Bennet havia deixado a mesa pronta, com os pratos, talheres e copos, prevendo que seu sobrinho fosse chegar no horário da novela. Sentada no sofá, enquanto aguardava ansiosa ao término do Jornal Nacional, pedia a ajuda das filhas para esquentar o arroz e a carne assada. Por nada, perderia ao capitulo de Agua Viva. Logo, Jane e Lizzy anunciaram o jantar e todos sentaram à mesa, servindo-se da divina especialidade de sua mãe. Estavam todos famintos já que o jantar costumava acontecer mais cedo, no entanto, suas primas ao mesmo tempo em que devoravam seus pratos, prestavam atenção nas novidades contadas por William e interagiam ao ver as cenas da novela que a Sra. Bennet assistia.

A noite se prolongava na casa dos Bennet, tornando-se agradável e divertida. Após o jantar, o Sr. Bennet decidiu ir para cama, enquanto William sentou-se no sofá em companhia de suas primas e de sua tia, contando-lhes histórias e mostrando as fotografias de suas últimas viagens a Ouro Preto e Mariana. Já passava da meia-noite, quando todos decidiram ir dormir.

O dia amanheceu irradiante, era sábado de carnaval e os ânimos das garotas estavam intensamente exaltados. Sr. Bennet não conseguia ter o silêncio habitual para ler o jornal, pois a cada instante sua atenção era direcionada as histerias de Lydia e Kitty que infernizavam a Sr. Bennet para irem ao baile de carnaval do Clube Pinheiros. Segundo elas, todos os seus colegas de escola estariam lá no final da tarde e, claro, que não poderiam ficar de fora. Mary, ao contrário de suas irmãs, não suportava os bailes do carnaval, preferindo passar o dia dentro de casa, além disso, estava mais interessada em ouvir as fitas K7 de seu primo William. Lizzy, que acordara cedo, aguardava ansiosa pelo telefonema de George. Esperava poder levar Jane e William ao baile do Clube da Portuguesa, como George havia comentado. Não podendo esquecer em avisar sua amiga Charlotte.

Quando o telefone tocou, Lizzy desesperadamente atendeu pensando ser George, porém era seu tio Gardiner, confirmando o almoço logo mais em sua casa. Há dias atrás, Sr. Gardiner combinou com Sr. Bennet que, aproveitando o descanso do feriado, iriam passar a tarde jogando uma partida de xadrez. Apesar de Lizzy adorar receber a visita de seus padrinhos, colocou o telefone no gancho muito desanimada com a demora da ligação de George, não estava acostumada a esperar por ninguém, sentia-se exausta, achando que ele desistira de sair. Juntou-se, então, a William e Mary, na tentativa de se distrair, escutando as músicas de Milton Nascimento e Lô Borges. Entretida com as letras e melodias agradáveis das canções mineiras, ela não percebeu as horas passarem, se assustando quando a campainha tocou. Eram seus tios Gardiner que chegavam para o almoço. Decidiu, portanto, que se George não telefonasse até o fim do almoço, ela ligaria para ele.

O almoço foi bastante especial, unindo todos à mesa para saborear uma deliciosa macarronada feita pela Sra. Bennet. A Sra. Gardiner trouxe a sobremesa, que para alegria de todos, era uma enorme travessa de pavê bem geladinho. Após toda a comilança, Mary e Jane se encarregaram em tirar a mesa e lavar toda a louça do almoço, enquanto seus pais e seus tios descansavam na sala. Um tanto sem graça, Lizzy pegou o papel com o número do telefone de George, se encorajou e começou a discar.

- Alô.

- Alô, o George está? Por favor.

- Um momento.

- Alô.

- George? Oi, sou eu, Lizzy.

- Oi! Que surpresa! Não esperava sua ligação.

- Bem, estou ligando porque você não me ligou.

- Tudo bem. Aconteceram algumas coisas, nem lembrei.

Lizzy percebeu que George estava com um jeito estranho e, mesmo assim, decidiu lhe propor um convite.

- Bom, minhas irmãs mais novas decidiram ir ao Clube Pinheiros, parece que o baile começa às quatro horas da tarde. Pensei que poderíamos ir, o que acha?

- Acho uma boa ideia. Seria bom vê-la. Acho que tô precisando conversar com alguém.

- Que bom! Podemos nos encontrar lá, então.

- Claro. Estarei lá às quatro.

- Excelente! Até mais.

Ainda que tenha achado George um tanto estranho ao telefone, Lizzy sentia-se feliz por ter conseguido falar com ele e, mais ainda, por ele ter aceitado seu convite. Finalmente, estariam juntos fora do ambiente de trabalho, isso lhe permitia imaginar momentos agradáveis ao lado dele. Muito animada, Lizzy correu para contar a Jane e William que se juntariam as irmãs mais novas no baile do Clube Pinheiros. Ao perceber a afilhada tão contente, Sr. Gardiner também se interessou em acompanha-los ao baile, achando que seria mais divertido do que assistir a uma partida de xadrez. Lizzy, então, deu um longo e forte abraço em sua madrinha. Finalmente, estava tudo resolvido. O baile de carnaval prometia ser bem sucedido a todos.

Lizzy estava tão ansiosa em encontrar George que havia se esquecido de Charlotte, seu coração batia forte, enquanto procurava em sua bolsa, o papel com seu número de telefone. Discou rapidamente, temendo que fosse tarde demais para convida-la. Apesar do susto, tudo deu certo no final. Charlotte se animou com o convite e, também, estava bastante curiosa para conhecer a família de Lizzy.

Restava apenas uma hora para que as irmãs Bennet se arrumassem para o tão esperado baile. Lydia e Kitty ousaram na maquiagem e, ainda, usavam orelhas de coelhinhas como adereço. Já Lizzy e Jane preferiram um visual mais discreto. William foi o primeiro a ficar pronto, aproveitando o tempo livre para espiar a partida de xadrez dos tios, que há pouco iniciara. Nem a Sra. Bennet e nem a Sra. Gardiner conseguiram convencer Mary em acompanha-las.

A Sra. Gardiner ofereceu uma carona a todos em sua Caravan, apesar de bastante espaçosa, Lydia precisou ir sentada no colo de Kitty. O Clube Pinheiros era um ambiente muito elitizado, localizado no Jardim Europa, bairro nobre da cidade de São Paulo. Fazia esquina com a sofisticada Av. Faria Lima, ao lado do primeiro shopping center do Brasil, o Iguatemi. Assim que Sr. Gardiner entregou o carro ao manobrista, todos desceram e permaneceram na porta de entrada do clube, observando a agitação dos foliões na calçada. Os convidados poderiam adquirir ingressos apenas quando acompanhado de um associado. Todos, portanto, aguardavam Lydia e Kitty localizarem entre seus colegas, sócios do clube, para poderem adquirir suas entradas. Além disso, o valor dos convites destinados a visitantes era suficientemente alto, para que fosse mantido o mesmo nível social dentro do ambiente. Lydia e Kitty não se continham de tanta excitação, olhavam maliciosamente para todos os rapazes, enquanto procuravam por seus amigos. Enquanto isso, Lizzy tentava avistar George e Charlotte, porém era grande o número de foliões, o que tornava sua procura um tanto difícil.

No exato momento em que suas irmãs caçulas retornavam em companhia de um sócio do clube, Lizzy localizara Charlotte encostada ao muro. Chamou à amiga, que se sentia aliviada em encontra-la. Todos seguiram ao guichê, para a compra dos convites e, enquanto aguardavam na fila, Lizzy apresentou rapidamente Charlotte à sua família, para que pudesse encontrar George antes que chegasse sua vez na fila.

Com a lembrança de que George estava muito estranho ao telefone, ela chegou a acreditar que ele não apareceria, no entanto, ao comprar seu ingresso, encorajou-se e pediu ao funcionário mais um convite.

Com os convites em mãos, Lizzy pediu a Jane, William e Charlotte que a fizessem companhia, por mais algum tempo, na entrada do clube, na esperança de que George aparecesse. Seu primo William, logo começou a conversar com Charlotte e pareciam ter coisas em comum sobre o tema carnaval. Sem perceberem o tempo que estavam lá fora, Jane os alertou de que já havia passado cerca de uma hora desde que chegaram ao clube, foi quando finalmente Lizzy se convenceu de que George não viria.

- Melhor entrarmos. – disse Lizzy um tanto chateada. - Me desculpem, fazer vocês perderem o baile.

- Imagina, Lizzy, jamais deixaria você esperar aqui fora sozinha. – respondeu Jane.

- É claro. – completou William.

Seguiram para o portão de entrada. Charlotte foi a primeira a entregar seu convite e entrar. Seguida de William e Jane. Quando Lizzy entregou seu ingresso, sentiu alguém segurando fortemente seu braço. Era George. Em questão de segundos, os sentimentos de Lizzy se alternaram de imensa decepção para uma alegria radiante. Ele segurava seu braço para que ela não entrasse no clube, mas Lizzy, sem entender, passou pela roleta.

- Achei que não fosse aparecer, fiquei esperando por você até agora.

- Não sei se vai dar pra entrar.

- Venha! Comprei um ingresso pra você. – disse ela, entregando ao rapaz da roleta o ingresso que reservara a George.

Sem recusar, George rodou a roleta sem ao menos agradecer pelo ingresso e, nem mesmo, interessou-se em reembolsar Lizzy. Sem se dar conta da atitude de George, ela apresentou-lhe ao primo e a irmã. Ele os cumprimentou seriamente e surpreendeu-se com a presença de Charlotte. Feitas as saudações, todos seguiram ansiosos para o baile, porém, antes que Lizzy pudesse entrar, George segurou-a novamente pelo braço, pedindo que lhe fizesse companhia fora do salão.

- Não quero entrar. Estou com a cabeça cheia.

- Percebi quando falei com você pelo telefone. O que houve?

- Minha vida virou de cabeça pra baixo.

Lizzy percebeu que a situação parecia séria e procurou um lugar mais reservado, onde pudessem conversar. Notou a aparência abatida no rosto de George, porém seu olhar parecia ser cheio de ódio, fazendo com que ela, pela primeira vez, não reconhecesse nele, aquele rapaz cheio de vida, generoso e alegre, que tanto admirava.

- Fui demitido injustamente do escritório. Não trabalho mais lá.

- Mas o que aconteceu?

- A minha história com Darcy é muito complexa. Nunca te contei, mas nasci em sua casa, minha mãe sempre trabalhou lá. Seu pai me tratava com muito carinho, como um filho. Mas, Darcy nunca aceitou isso. Sempre sentiu ciúmes. Nunca gostou de me ver por perto. Quando já era crescido o suficiente, seu pai me levou para o escritório. Eu era seu aprendiz. Admirava seu trabalho e ele sempre dizia para eu estudar que um dia seria um grande advogado, assim como ele. E era o que eu fazia. Enquanto isso, aprendi todo o trabalho administrativo do escritório, ele confiava em mim e sabia que meu sonho era me formar em direito, me prometendo uma bolsa integral. Mas, quando ele adoeceu, Darcy que já era formado, assumiu o escritório e todos os meus sonhos se perderam. Ele nunca me deu chance de crescer e, depois da morte de seu pai, nunca honrou suas promessas.

- Isso é terrível! Nunca ouvi uma história assim antes.

- Além da demissão vou ter que deixar o quarto onde durmo em sua mansão. Mas, ainda não tenho pra onde ir. Também não tenho dinheiro.

- Isso é muito injusto! Não pode tratar você dessa maneira. Dificilmente, me engano com as pessoas e apesar de mal conhecê-lo, sei que é um homem arrogante e nada gentil. Você acredita que ele esbarrou comigo no escritório e deu um grito, ordenando que eu não usasse o elevador. Se acha superior a todos, só porque tem dinheiro e poder.

George riu, descobrindo ter uma aliada e incentivando que Lizzy continuasse seu desabafo.

- Sou a estudante que foi selecionada para trabalhar em seu escritório entre muitos candidatos, mas ele nunca se interessou em me conhecer, conversar comigo, saber sobre meus conhecimentos e pretensões. Nem sequer, me parabenizou.

- Não espere essas atitudes de Darcy, minha cara.

- Pode contar comigo pra tudo que precisar. Vou falar com meu pai, ele conhece muita gente, talvez alguém esteja precisando de um bom administrador.

George sentia-se renovado com a atitude prestativa de Lizzy. Levantou-se e puxou-a pelo braço, correndo em direção à porta que dava para o grande salão.

- Venha! Vamos nos divertir!

O imenso salão estava todo decorado e a iluminação acompanhava o ritmo das marchinhas de carnaval, orquestrada por uma banda ao palco, no fundo do salão. Havia mesas espalhadas por toda a volta, tendo ao centro do salão, os animados foliões que jogavam para o alto as mãos cheias de confetes, ao mesmo tempo, que lançavam a distancia, os rolinhos de serpentina. Muitos estavam fantasiados, outros usavam apenas mascaras. Em meio a toda aquela confusão, Lizzy ficava na ponta dos pés e esticava o pescoço tentando encontrar sua família.

- Relaxa, você está comigo! – disse George próximo ao ouvido de Lizzy, tentando tranquiliza-la.

Lizzy respondeu a ele com um grande sorriso. Aos poucos, as empolgantes marchinhas deixaram os dois mais a vontade. Cantavam e dançavam em meio aos foliões. Até que, finalmente foram encontrados por William.

- Tá tudo bem? Você não entrava? – gritou Jane no ouvido de Lizzy.

- Tá tudo certo! – respondeu Lizzy. – Onde está a mamãe e a madrinha?

- Estão numa mesa embaixo dos camarotes.

- Quero ir até lá. – insistiu Lizzy, fazendo sinal a todos para que a seguissem.

George segurou-a pela cintura, em seguida segurou as mãos de Jane, colocando-as em sua cintura. Logo, todos estavam se divertindo com o trenzinho que haviam formado. Outros foliões participaram da brincadeira, seguindo-os até próximo ao palco. Porém, antes mesmo que Lizzy pudesse chegar à mesa onde estava sua mãe e sua madrinha, o Sr. Darcy, que ocupava o camarote principal, a viu sorridente ao lado de George, seguido por Charlotte. Ele, então, com a visão privilegiada que tinha do alto, seguiu-os até que chegassem à mesa. Charles, que estava ao lado do Sr. Darcy, logo percebeu o grupo que estava chamando a atenção do amigo. Ao olhar mais atentamente, viu Jane e reconheceu Lizzy e a Sra. Bennet.

- É ela! – disse ele, empolgado.

Sr. Darcy permanecia calado e sério, observando atentamente as brincadeiras e os sorrisos íntimos entre George e Lizzy.

- Você ouviu o que eu disse?

- Sim, mas não entendi. De quem está falando?

- Tá vendo aquela loira, ela é a Jane. Aquela de cabelos castanhos longos é a Lizzy, sua irmã. Ela é fantástica!

- Eu a conheço, está estagiando no escritório.

- Não brinca! Lizzy trabalha no seu escritório? Que mundo pequeno! Você vai adorá-la. Vamos convidá-las pra subir e ficar aqui com a gente?

- Acho melhor não. Veja quem está acompanhando elas, o George.

- Ora, Darcy. Ele deve estar acompanhando Charlotte, a sua secretária. Eu quero muito ver Jane, conversar com ela. Não nos vemos desde que terminamos.

- Está bem, vou convidá-los para subir, mas não se esqueça que Caroline está aqui.

"Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é,
Será que ele é.

Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é,
Será que ele é.

Será que ele é bossa nova
Será que ele é Maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é.

Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!"

Lizzy e Jane divertiam-se cantando e dançando ao lado de sua mãe e da Sr. Gardiner. Estava tudo perfeito, como Lizzy imaginara. Ao lado da família que tanto amava e de seus novos e queridos amigos. Ela observava William dançando ao lado de Charlotte. Notou que a amiga parecia muito mais bonita do que era habitualmente. Parecia que a companhia de seu primo estava lhe fazendo muito bem. Percebeu quando um homem forte e alto se aproximou de Charlotte, mas não deu importância, dando atenção a George que a cortejava, naquele momento. De repente, Charlotte chegou perto de Lizzy, dando a noticia de que o Sr. Darcy estava no camarote principal e havia convidado todos para subirem. Lizzy não hesitou em olhar em direção ao camarote, encarando Sr. Darcy a distancia, sem camuflar o desprezo que sentia por ele.

- Vamos, chame todos para subirmos. Fica muito deselegante recusar ao seu convite. – insistiu Charlotte.

Lizzy preferia não ter que colocar seus pés no camarote, ao lado daquele homem prepotente e arrogante. Mas, logo viu Charles, que lhe acenava, cumprimentando-a sorridente. Estranhou sua presença ao lado do Sr. Darcy, mas logo imaginou que poderiam ser amigos, já que os dois pertenciam a famílias ricas e tradicionais. Ao sorrir para Charles, Lizzy chamou a atenção de Jane e George.

- É o Charles! – disse Jane, muito feliz em reencontrá-lo.

- George, ele está nos convidando para subir, mas prefiro ficar aqui te fazendo companhia. – disse Lizzy, certa de que George não aceitaria ir até o camarote.

- Não, não. Vamos todos subir. Aproveitar toda a mordomia que deve estar lá em cima. – respondeu George, para espanto de Lizzy.

Lizzy voltou a olhar em direção ao camarote e avistou uma linda jovem de cabelos loiros, segurando uma vistosa mascara pink com lantejoulas e enormes penas. Parecia divertir-se, embora estivesse em companhia do Sr. Darcy, que mantinha em seu rosto seriedade e antipatia.

A notícia sobre o convite já havia se espalhado e todos aguardavam ansiosos por Lizzy e Kitty que dançavam no salão. A Sra. Bennet sentia-se extasiada pelo convite, comportando-se de maneira inadequada mesmo antes de chegar ao camarote, dando a Sr. Gardiner certo trabalho para contê-la. William, a pedido da Sra. Bennet, foi chamar as primas caçulas que dançavam no meio do salão. Ao contar-lhes que subiriam no camarote principal, as duas gritavam enlouquecidas. Juntaram-se ao grupo, acompanhadas de dois rapazes que há pouco haviam conhecido. Tudo isso, ao mesmo tempo, tornava a situação ainda mais incomoda para Lizzy.

Sra. Bennet ordenou ao segurança que poderia conduzir o grupo ao camarote principal. Um a um subiu a escada que dava acesso ao piso superior. Sendo Lizzy a última a subir. Terminando a escada, tinha-se a visão da sala principal. Muito ampla e luxuosa, tinha sua própria pista de dança, com piso claro, iluminado por efeitos de luz. Em sua volta, estavam distribuídos vários sofás, tornando o ambiente muito aconchegante. As mesas estavam decoradas suntuosamente, com arranjos de flores e toalhas de seda. As comidinhas pareciam fazer parte da decoração. Havia uma mesa só para os salgados e, outra, para os doces. Ainda, havia um bar todo espelhado e bem abastecido, onde um barman preparava e servia drinks. Não tinha como não se surpreender com aquele visual. Estavam todos maravilhados, porém Sra. Bennet, como era de costume, fazia comentários deselegantes e constrangedores, além das inconvenientes risadinhas de Kitty e Lydia.

Charles, sempre muito simpático, recebeu o grupo.

- Olá, meu nome é Charles, para quem ainda não me conhece, espero que gostem de ficar aqui com a gente.

- Oh! Meu querido! Estamos honradíssimos em estar num ambiente como esse. Tão chique! Requintado! De bom gosto! Quero aproveitar para dizer que todos em casa sentimos muito sua falta. Não é mesmo, Jane?

Além do constrangimento que o discurso da Sra. Bennet causara em Jane, também causou certa estranheza em Caroline, que estava sentada a frente ao bar, acompanhada por um amigo do Sr. Darcy. Caroline era a irmã caçula de Charles e não fazia ideia como aquela gente conhecia seu irmão.

- Não posso imaginar da onde Charles conhece essa gente. – comentava ela em voz alta.

Preocupada, Lizzy cochichou no ouvido de sua madrinha, pedindo que controlasse ao máximo sua mãe. Depois, dirigiu-se a Charles e disse: - Charles, obrigada pelo convite.

- Seja bem vinda! Fique à vontade, temos comida, bebida e uma vista incrível do salão.

Lizzy e Kitty saíram em disparada até o terraço, acompanhada pelos rapazes. Gritavam histericamente e acenavam, exibindo-se aos colegas que estavam no salão. Agiam desvairadamente, ignorando a presença do Sr. Darcy e de sua irmã Georgiana, a linda jovem de cabelos loiros, que Lizzy havia visto antes. Incomodados com a situação, decidiram ir para a sala. Charles conversava com Lizzy e Jane quando Sr. Darcy entrou na sala.

- Darcy, nossas convidadas chegaram. – anunciou Charles, muito animado.

- Percebi. – respondeu ele. – Fiquem a vontade. – disse ele à Jane e Lizzy, sério e sem preocupação nenhuma em parecer gentil. Logo após, seguiu em direção ao bar, juntando-se a Caroline, Fitzwilliam e Georgiana.

Lizzy estava descontente e muito incomodada em estar naquele ambiente, sabia que o Sr. Darcy e seus amigos desdenhavam a sua presença e de sua família e isso lhe era perturbador. Além disso, sua preocupação era George, que ao sair do banheiro ficava encarando o Sr. Darcy o tempo todo, deixando Lizzy mais tensa ainda. Contou-lhe tudo que sabia de pior sobre Caroline e sua irmã Georgiana, tornando sua presença detestável ao lado de Lizzy. William juntou-se a Charlotte e suas tias, que estavam na mesa dos doces. Sr. Bennet, bastante exagerada, provava todos os pequenos e enfeitados doces da mesa, para cada qual emitia um som demasiadamente insuportável, chamando a atenção do quarteto que estava no bar.

- Darcy, quem são essas pessoas? – perguntou Caroline, indignada com a presença e o comportamento da Sra. Bennet a mesa. – Veja, aquele não é o rapaz, filho de sua criada? – disse ela, apontando em direção a George.

Sr. Darcy permaneceu calado, reparando nos modos de Sra. Bennet e, depois, olhando para George se aproximando de Lizzy e tocando em seus cabelos.

- Outra coisa que não consigo entender, como meu irmão conhece essa gente? Veja, parece tão íntimo daquela moça. – indicando Charles e Jane.

- Caroline, são apenas funcionários do escritório. – respondeu Sr. Darcy.

- Todos eles?

- Não, apenas alguns.

Logo que Charlotte viu o Sr. Darcy, foi em sua direção para cumprimenta-lo, levando junto o amigo William.

- Ola, Sr. Darcy. Olá, a todos. Obrigada por nos convidar.

- Fique a vontade, Charlotte.

- Este é o primo de Lizzy, nossa estagiária. – disse Charlotte.

- Olá. Sou William. É um grande prazer conhece-lo. Minha prima está muito contente em trabalhar no seu escritório.

- Isso é bom.

- Estava conversando com Charlotte e ela contou-me que você é o sobrinho da Sra. Catherine de Bourgh. Sou funcionário em seu banco em Belo Horizonte. Sou economista e estou muito satisfeito. – disse William sem se dar conta de que o Sr. Darcy não estava interessado em ouvi-lo.

Charlotte, percebendo a indiferença do patrão, tratou logo em tirar William de lá.

- Vamos, William, já ocupamos tempo demais do Sr. Darcy. – disse ela, levando William para o terraço.

- Pensei que o rapaz fosse pedir um aumento de salário pra você. – disse Caroline, zombando de William.

Sr. Darcy balançou a cabeça desaprovando o comentário dela. Enquanto, Fitzwilliam se segurava para não gargalhar. Caroline era uma jovem muito bonita, porém era mimada, fútil e aprendera com a mãe a depreciar os menos afortunados. Passava seus dias frequentando o salão de beleza, praticando tênis e almoçando e jantando com seus amigos da alta sociedade, que frequentavam sempre os melhores restaurantes da cidade. Seu passatempo predileto era falar mal de todos em sua volta e, ainda que, estivesse inclinada a iniciar uma faculdade, não havia decidido a carreira que gostaria de seguir. Recentemente, após muitas tentativas, havia convencido o Sr. Darcy em ser seu namorado. Para Caroline era uma honra desfilar ao lado dele, principalmente por causar inveja na maioria de suas amigas. Seus pais consideravam o Sr. Darcy o melhor partido de todos, pois era um homem muito rico e poderoso, inteligente e sem vícios ou fama de mulherengo. Para ele, ter namorar Caroline era conveniente, pertenciam ao mesmo nível social e além de bonita, sabia se comportar em todas as ocasiões. Apesar do pouco tempo de namoro, Caroline já se apresentava como noiva do Sr. Darcy, mesmo sendo que nunca havia ganhado um anel de noivado.

- A moça disse que você tem uma estagiária? Qual delas é a sua estagiária? – perguntou Georgiana ao Sr. Darcy, curiosa em conhecê-la.

- É a moça de cabelos castanhos.

- Que diferença faz Georgiana, é apenas uma estagiária. – disse Caroline.

- Não é bem assim, Caroline. Ela deve ser muito inteligente e especial, por ter sido escolhida pelo meu irmão. Sei o quanto ele é exigente. – disse ela contemplando Lizzy. – Ela também é bastante bonita.

O comentário de Georgiana tinha peso relevante ao Sr. Darcy, pois apesar de sua pouca idade, suas ideias e valores eram bastante nobres e apreciados por ele. Georgiana admirava mulheres como Lizzy, que estudavam e batalhavam por uma carreira, era seu grande sonho, ainda que possuísse uma das maiores fortunas do Brasil. Sr. Darcy sabia que sua irmã estava certa, pois sua estagiária fora escolhida a dedo, contando com sua integral participação, ainda que oculta. Georgiana tinha toda certeza ao dizer que Lizzy era muito inteligente, afinal estudava na melhor universidade de São Paulo e tinha um histórico de notas exemplar. Também era muito especial, sabia se comunicar bem e possuía caráter e valores admiráveis. E, com toda certeza era bela. Porém, para o Sr. Darcy não eram apenas todas essas qualidades que faziam de Lizzy uma mulher interessante, havia algo que lhe chamava a atenção, algo indecifrável, que nem mesmo ele sabia ao certo. Permaneceu discretamente observando Lizzy, do outro lado da sala, lhe incomodando o fato de ela estar em companhia de George.

Exausto em criticar o Sr. Darcy e todos que o cercavam, George deixou Lizzy sozinha no canto da sala e seguiu até o bar, ficando lado a lado com o Sr. Darcy, porém sem cumprimenta-lo. Pediu uma dose dupla de whisky, esculhambando o barman por estar regulando sua bebida.

Caroline, que não sabia sobre a crise entre Sr. Darcy e George, se atreveu a dizer-lhe algo, deixando seu namorado um tanto perturbado.

- Você, eu já vi antes.

- Está falando comigo?

- Sim. Lembro-me de você na mansão do Darcy. É o filho da cozinheira, não é?

- Acho que está enganada. – respondeu George, colocando fim na conversa e seguindo na direção do terraço.

No exato momento em que Caroline iria reclamar ao Sr. Darcy sobre a postura do rapaz, este lhe respondeu num tom total de desaprovação:

- Caroline, fique na sua!

Vendo que Lizzy estava sozinha, Georgiana aproveitou a oportunidade para conhecê-la, deixando para traz, Caroline e Fitzwilliam. Lizzy estava sentada num confortável sofá, isolada de todos e de cabeça baixa, quando Georgiana chegou e se apresentou.

- Oi, sou Georgiana, irmã de Darcy.

- Olá Georgiana, prazer em conhecê-la. Estou sabendo que é a irmã do Sr. Darcy.

- Darcy, contou-me tudo sobre você.

- Sobre mim?

- Sim, quando você foi escolhida como estagiária do escritório. Admiro muito mulheres como você. Que buscam ter uma carreira e ser independente. Isso realmente é genial.

Lizzy adorou o elogio, porém preferiu não contar a jovem que seu irmão nunca participara de sua seleção, nem mesmo fez questão em conhecê-la após ser contratada. Parecia que ela criara uma imagem de irmão perfeito, pensou Lizzy, ao ouvi-la discursando sobre o Sr. Darcy. A conversa entre as duas fluiu, como se fossem velhas e boas amigas, não importando a diferença de idade ou da classe social. Havia respeito, admiração e amizade entre elas. Lizzy não pode deixar de compará-la ao irmão. Era delicada, gentil e humilde, sem contar sua simpatia, completamente o oposto do Sr. Darcy.

Entediado ao lado de Caroline que só sabia criticar a todos, Sr. Darcy foi até a mesa de salgados e procurou algo para beliscar. Apreciava atento, sua irmã conversando com Lizzy, pareciam estar se entendendo, seus rostos refletiam admiração e simpatia, uma pela outra. No entanto, Sra. Bennet, que estava com a blusa, na altura do peito, toda suja de açúcar, que havia caído de tanto comer docinhos, fez questão de lhe fazer companhia. Elogiou seu camarote sem fazer pausa em sua fala por cerca de cinco minutos, ao mesmo tempo, que tentava comer alguns canapés e pedaços de queijo. Apesar de falar pouco e se esforçando em demonstrar que a conversa não lhe era agradável, Sr. Darcy não conseguia livrar-se da Sra. Bennet. Nada a intimidava a parar de falar, mesmo quando estava com a boca cheia. Vieram histórias de seu marido, de suas filhas, até mesmo, sobre o namoro de Jane com seu melhor amigo Charles. Sua desagradável companhia foi suficiente para levar o Sr. Darcy a loucura e fazê-lo perceber sua futilidade, inconveniência e, principalmente, seu interesse por dinheiro.

De repente, Lydia e Kitty roubaram a cena com suas gargalhadas histéricas, ao entrarem no salão. Foram até uma das mesas e começaram a devorar os pequenos docinhos, parecendo duas mortas de fome. Caroline ficou aterrorizada com a cena. Muito envergonhada, Lizzy pediu licença a Georgiana para que pudesse se aproximar de suas irmãs para chamar-lhes a atenção.

- Vocês ficaram loucas? Vocês não estão em casa, parem de se comportar assim!

- Lizzy, dá um tempo, deixa a gente curtir o carnaval. – respondeu Lydia. – Venham! Vamos voltar para o terraço e sacanear com a galera lá embaixo. – disse Lydia chamando Kitty e os garotos.

Sra. Gardiner aproveitou para ficar ao lado de Lizzy, porém, ao perceber a aflição de sua afilhada, deu-lhe um grande abraço.

- Continue próxima de minha mãe, por favor. Cuide para que ela não seja tão inconveniente com o Sr. Darcy. – disse Lizzy observando-o.

E foi o que Sra. Gardiner fez. Aproximou-se da Sra. Bennet, libertando o Sr. Darcy de seus discursos inadequados. Caroline aproveitou a vinda de Lizzy até o bar, para então conhecê-la.

- Então é você a estagiária?

- Sim. Sou eu.

- Sou a noiva de Darcy.

- Prazer em conhecê-la.

- Estou impressionada como meu irmão Charles tem assunto com sua irmã.

- Pois é. Às vezes, temos a sorte em conhecer as pessoas certas.

Sem dar muita atenção ao seu comentário maldoso, Lizzy pediu licença e foi até o terraço, atrás de George. Ele estava debruçado sobre o grande janelão, não parecia bem, porém divertia-se com as provocações e insinuações de Lydia. Sem que ele percebesse sua presença, Lizzy permaneceu ali por algum tempo, observando-os, apenas para não ter que voltar à sala novamente. Sentia-se exausta e triste, pois sonhara com um baile divertido e entre amigos. Tendo ao seu lado, o George que conhecera durante os almoços no escritório. Ao olhar para o lado, viu William e Charlotte dançando a marchinha que ainda soava por todo o salão. Parecia que, ao menos, eles estavam se divertindo.

Sra. Bennet ainda rondava as mesas ora de salgados, ora de doces e sob os protestos da Sra. Gardiner, guardava os melhores que havia provado dentro de sua pequena bolsa. Até o momento em que Caroline decidiu se aproximar.

- Parece estar gostando da festa? Sou Caroline, a noiva de Darcy.

- Ah! Sim! Isso aqui é maravilhoso! Como dizia ao seu noivo, minha querida Caroline, tudo aqui é de muito bom gosto, não posso imaginar a fortuna que custa ficar num camarote como este. Sabe, meu marido é um homem muito importante, escreve nos jornais e até aparece em programas de televisão. É uma pena, não estar aqui. Mas, se não se incomodar quero levar alguns desses para ele experimentar. – disse ela, enfiando mais alguns salgadinhos em sua bolsa.

- Claro, fique a vontade. Leve quantos quiser.

Certa de que conseguiria esclarecer ao grande mistério da noite, Caroline passou a bajular a Sra. Bennet, tratando-a como uma convidada de honra.

- Então quer dizer que a senhora já conhecia meu irmão?

- Sim, claro. Ele e Jane, minha adorável filha, são namorados há muito tempo. Tiveram um pequeno desentendimento, mas acredito que já esteja tudo resolvido, afinal não se desgrudaram um do outro.

- Namorados? Como assim?

- Oh! Claro que você não deve saber, já que Charles me contou que sua família estava fora do Brasil. Mas, apesar disso, o namoro entre eles sempre foi sério. Namoravam em casa, na minha presença e na presença de meu marido. Jane é tão bela, que sempre soubemos que se daria bem. Fisgaria um bom partido, assim como Charles, rico e de boa família.

Caroline era esperta o suficiente para perceber a armação de seu irmão, ficando enraivecida por ele ter enganado, todo esse tempo, a família. Certamente, sabia que sua mãe seria contra esse relacionamento, pois além de não serem do mesmo nível social, eram todos inconvenientes, oportunistas e interesseiros, assim como era a Sr. Bennet.

Sra. Gardiner, percebendo que logo após o comentário da Sra. Bennet, Caroline virou as costas e se dirigiu ao sofá onde estavam Charles, Jane e Sr. Darcy. Desconfiou que a moça havia conseguido a informação de que precisava. Procurou por Lizzy, porém era tarde demais.

- Charles, não vai me apresentar sua namorada?

A reação de Charles foi de espanto, pois sabia que Caroline não guardaria segredo e, na primeira oportunidade, contaria a seus pais sobre Jane. Era admirável que um rapaz como Charles temesse ser descoberto pelos pais que namorava uma moça linda e inteligente. No entanto, o modo de vida que Charles havia escolhido permitia que seus pais comandassem e controlassem suas ações e, caso deixasse de seguir as regras, sua gorda mesada seria cortada. Aos 22 anos, Charles não se interessava em fazer uma faculdade e muito menos se envolver nos negócios da família, no entanto, adorava manter sua vida de playboy. O próprio Sr. Darcy tentava convencer o amigo a trabalhar e ter seu próprio dinheiro, mas parecia que Charles estava acomodado demais com essa situação.

- Caroline, essa é apenas uma amiga, a Jane. – respondeu Charles, tentando justificar a irmã quem era Jane.

- Ora, Charles! Estou sabendo de tudo. Não me faça de boba.

Nesse momento, Lizzy entrou na sala, presenciado o último comentário de Caroline. Mesmo não sabendo do que se tratava, pode perceber que estava havendo algum conflito. A Sra. Gardiner, que estava logo atrás de Caroline, parecia muito preocupada. Tinha suas mãos na boca. Caroline estava com o rosto tenso e exigia uma explicação de Charles, permanecendo em pé diante de seu irmão. Jane, que permanecia sentada ao lado de Charles, parecia tensa e espantada. Sr. Darcy mantinha-se quieto ao lado do amigo, apenas observando.

- Caroline, não te devo explicação nenhuma sobre minha vida.

- Mas deve explicação à mamãe e ao papai. Quero ver só o que vai te acontecer, quando souberem que namorou escondido uma garota, a qual tem uma família que só está interessada em colocar as mãos no nosso dinheiro.

- Já chega, Caroline. – ordenou Sr. Darcy, num tom de voz alto e rude.

Imediatamente, Lizzy seguiu até Jane, ajoelhando-se a sua frente:

- Está tudo bem? Vamos embora daqui! Venha!

Abraçada a Jane, Lizzy pediu à madrinha que chamasse a todos para que fossem embora. Antes de descer a escadaria, agradeceu e despediu-se do Sr. Darcy e de Charles. Sr. Gardiner foi até o terraço e pediu a todos que descessem, pois Lizzy e Jane estavam aguardando no salão de baixo. George, não lhe deu ouvidos, permanecendo onde estava, segurando em suas mãos um copo cheio de whisky. Mesmo com todo o tumulto que envolvia sua filha, Sra. Bennet continuava preocupada em colocar docinhos em sua bolsa, fazendo com que a Sra. Gardiner perdesse de vez a paciência.

- Sra. Bennet pare de ser indecente e saia de perto dessa mesa agora. Vamos embora, precisamos ver como sua filha está!

Agradeceu e se despediu de todos gentilmente, puxando pelo braço sua inconveniente comadre.