O Novo Lar de Lizzy

Na manhã de segunda-feira, ao entrar no escritório, Lizzy seguiu em direção à mesa de Charlotte e aguardou a amiga desligar o telefone. Enquanto isso, retirou de sua bolsa uma vasilha com bolinhos de chuva que sua mãe havia feito no dia anterior.

- Bom dia! Quero agradecê-la o que fez por mim.

- Imagina, você merece. É uma boa amiga a todos aqui.

- Trouxe bolinhos de chuva feita pela Sra. Bennet. Espero que goste.

- Ah! Não acredito! Eu adoro bolinho de chuva. Obrigada, amiga.

Charlotte levantou-se e abraçou Lizzy carinhosamente. Distraídas, não perceberam que estavam sendo observados pelo Sr. Darcy, do 2º piso. Assim que Lizzy começou a subir a escada, ele entrou para sua sala.

Ambos estiveram bastante envolvidos no trabalho, durante toda a manhã. Quando Lizzy desceu, para o almoço, perguntou a Charlotte sobre o Sr. Darcy. Porém, soube que ele havia deixado o escritório antes do meio dia. Lizzy queria agradecer-lhe pelo presente, mas teria que esperar. As amigas almoçaram juntas e Charlotte aproveitou para contar que havia recebido uma carta de William, em resposta a sua. Parecia muito feliz e esperançosa de que a amizade entre eles continuaria. Lizzy tinha certeza disso.

No final do dia, quando estava deixando o escritório, Lizzy encontrou com o Sr. Darcy, retornando ao trabalho.

- Já está indo?

- Sim. Quero aproveitar para agradecê-lo pelo presente.

- Ah! Sim. Então você já recebeu?

- Sim. Mas, confesso que fiquei em duvida se deveria aceita-lo.

- Ficaria muito chateado se me devolvesse o presente.

- Pois é, meu pai me convenceu a não fazer isso.

Eles se olharam, como se quisessem dizer muitas outras coisas. Mas, Lizzy voltou a falar:

- Eu preciso ir agora, vou pra faculdade.

- Claro, eu sei.

- Tchau e obrigada.

- Até amanhã.

Lizzy seguiu sem olhar para trás, enquanto Sr. Darcy permaneceu observando-a até chegar à calçada. Respirou fundo. Não se podia negar o quanto era difícil para ele estar ao lado de Lizzy. Não conseguia se expressar, dizer-lhe tudo que gostaria. Para Lizzy, seu jeito pouco comunicativo era sinônimo de antipatia, porém, pela primeira vez, viu em seu olhar algo mais expressivo e terno.

As últimas semanas, antes das férias de julho, foram muito agitadas para Lizzy, com provas e entrega de trabalhos na faculdade. Acordou com o barulho da chuva, era sábado e, ainda, havia pouca claridade. Permaneceu deitada na cama, enrolada ao cobertor, tentando se aquecer naquela manhã tão fria. Apesar de cansada e sonolenta, sua mente parecia agitada com tantos pensamentos. Olhou para o lado e viu Jane dormindo profundamente em sua cama, ainda que a chuva fizesse um ruído estrondoso. Lembrou-se da mudança. Finalmente seria o grande dia. Sentia-se com medo do rumo de sua nova vida. Não queria deixar para trás a família que tanto amava. Não queria que pensassem que estava abandonando-os por não amá-los mais. Era difícil admitir que seu orgulho e sua vaidade tivessem a conduzido para este caminho. Sentia-se perdida, quase arrependida de ter caminhado pra tão longe. Uma lágrima escorreu em seu rosto como se transbordassem emoção e sensibilidade. Logo, distraiu-se com outros pensamentos. Havia muito que fazer durante o dia. Encaixotar seus livros e LP's. Arrumar suas roupas, sapatos e todos seus pertences. Ocorreu-lhe que ficaria sem ouvir os discos, já que não tinha uma vitrola. As fitas K7 dariam conta em distraí-la até que conseguisse adquirir um toca-disco. Lembrou-se da televisão. Depois, do cartão do Sr. Darcy. E, depois, pensou apenas nele, seu rosto sem sorriso.

Eram nove horas, quando Lizzy despertou. Não havia mais o barulho assustador dos trovões e da chuva caindo. Do quarto, podia-se ouvir a movimentação do café da manhã sendo servido na sala. Ainda sonolenta, levantou-se.

- Bom dia, Lizzy! – disse Jane entrando no quarto. – Preparada? – perguntou.

- Não vou mentir pra você, mas estou apavorada em sair de casa. – revelou.

- Oh! Minha irmã, o que posso fazer para ajuda-la? – perguntou Jane, abraçando a irmã.

- Apenas guarde esse segredo.

- Claro, mas isso é pouco.

- Também quero que saiba que não estou indo embora porque deixei de amá-los, eu só preciso fazer isso. É tudo minha culpa.

- Eu sei disso.

Mary entrou no quarto, quando suas irmãs estavam abraçadas.

- Bom dia! Acabou de chegar, é um cartão para você Jane.

- Venha até aqui, também quero abraça-la. – disse Lizzy à Mary, enquanto Jane abria, curiosa, o envelope.

- Meu Deus! É do Charles!

Lizzy e Mary observavam em silêncio sua irmã ler o cartão.

- Ele vai fazer uma festa de aniversário. Está nos convidando.

- E você está pensando em ir?

- Sim. Claro. Nós duas iremos!

Jane recebera uma ligação de Charles, há dias atrás, porém preferiu não comentar com ninguém, nem mesmo com Lizzy. Tinha receio em ser julgada por tê-lo perdoado. Apesar do longo tempo que ficaram sem se falar, parecia que a sintonia entre eles não havia se perdido. Todos os ingredientes de uma boa relação estavam lá, incluindo o amor. A esperança em reencontrá-lo e poder viver um momento ao seu lado sequer, era seu novo combustível. Finalmente, o convite chegara e com ele, todos os sonhos de Jane.

Apesar de estranhar a decisão da irmã, Lizzy preferiu acatá-la sem contestar Jane. Não naquele momento. No entanto, não demorou a imaginar que teriam que reencontrar a figura desagradável de Caroline.

- Preciso encomendar um presente para ele, urgente! A festa será no próximo sábado.

- Claro.

Após o café da manhã, Lizzy com ajuda da família, começou a encaixotar seus pertences. Foi trabalhoso como toda mudança, mas ao mesmo tempo, muito divertido. Próximo ao horário do almoço, seus tios Gardiner chegaram, trazendo a sobremesa preferida de Lizzy, pudim de leite moça.

- Obrigada, madrinha! Só mesmo o seu pudim para recuperar toda a energia que gastei.

- Já que você está com sua cozinha completa, quero ser a primeira convidada para um almoço em sua casa nova! – disse a Sra. Gardiner.

- Com certeza. – respondeu Lizzy. – Assim que eu completar os móveis da sala, convidarei você e o padrinho!

- Um amigo marceneiro está fazendo uma mesa com cadeiras para Lizzy. – contou o Sr. Bennet. O sofá, eu comprei para dar de presente à minha querida filhinha! – revelou ele. – Era para ser surpresa, mas a entrega é muito demorada. Preferi dizer, antes que você arranjasse um.

- Papai, não precisava. – disse Lizzy emocionada abraçando-o. - Você já fez tanto por mim!

- Soube que você ganhou um televisor? – perguntou seu padrinho.

- Sim.

- Esse senhor, que lhe deu o presente, deve considera-la muito especial! – completou ele.

Lizzy sentiu seu coração bater forte, com as palavras de seu padrinho, preferindo deixar a sala para continuar organizando suas coisas no quarto.

Durante a tarde, os senhores Bennet e Gardiner começaram a levar as caixas para o carro e duas viagens foram suficientes para concluir a mudança. Enquanto isso, todas as mulheres estavam à mesa, saboreando o pudim e tomando café.

- Bem, agora só falta você, Lizzy. – disse o Sr. Bennet ao entrar em casa junto com o Sr. Gardiner.

- Não seja apressado meu marido! – disse a Sra. Bennet. – Podemos jantar ou fazer um lanche reforçado antes de Lizzy ir. – sugeriu ela.

- Mamãe, não vou aguentar mais nada, depois destas duas fatias de pudim que acabei de comer. – disse Lizzy. – Posso levar uma marmita!

A preocupação da Sra. Bennet não era apenas em relação à alimentação da filha, estava sentindo uma enorme dor no peito em pensar que Lizzy estaria sozinha num apartamento, longe da família. Apesar de ser o tipo de mulher bastante fútil, a Sra. Bennet sonhava que suas filhas fizessem bons casamentos, pois amava cada uma delas e acreditava que apenas desta forma seriam felizes. Quando Lizzy entrou em direção aos quartos, aproveitou a oportunidade para estar a sós com a filha.

- Você sabe que vai fazer muita falta nesta casa.

- Sempre que puder estarei aqui com vocês. Quando não estiver na faculdade, posso vir jantar e aos domingos, estarei aqui para almoçar.

- Mas não será a mesma coisa. – lamentou a Sra. Bennet. Aqui dentro de mim parece que estou perdendo uma filha. – disse ela, emocionada com as mãos no peito. – Afinal, quem irá implicar com o meu jeito e com as bobagens que eu sempre digo?

- Ora, mamãe. Eu a amo, do jeito que é. Para mim também está sendo difícil. – contou Lizzy.

- Oh! Minha filha, então você não precisa ir! Não quero que sofra por nada.

Lizzy abraçou sua mãe e disse: - Vai ficar tudo bem!

- Você sabe que não foi dessa maneira que sonhei em te ver saindo de casa, por isso, eu te peço, pelo amor de Deus, que tenha muito juízo para não ficar falada.

- Prometo que não irei fazer nada para te decepcionar.

- Acredito em você, minha filha! – disse a Sra. Bennet, muito emocionada. – Lembre-se que quero apenas o seu bem e de suas irmãs.

- Sei disso, mamãe. Agora, vamos! O papai está me esperando.

Retornando à sala, todos aguardavam Lizzy para a despedida. A emoção tomava conta de todos os corações, através de sorrisos, lágrimas, muitos gestos de carinho e palavras nunca ditas. O Sr. Bennet se encarregou em leva-la até o apartamento. Havia muito que fazer por lá.

- Agora é arrumar tudo do seu jeito. Se precisar de ajuda é só pedir.

- Você já me ajudou demais, papai.

- Lizzy, minha querida, você ainda é minha garotinha! Sua coragem, determinação e ousadia lhe trouxeram aqui – disse ele, referindo-se a sua nova casa. – Cabe à você, mostrar ao mundo quem é.

Emocionada, ela não conseguia dizer nada, apenas chorava abraçada ao seu pai.

A primeira noite de Lizzy em sua nova casa não fora nada fácil. Sentia-se sozinha e muito angustiada. O arrependimento parecia assombrar lhe, porém relutava ao pensar que todo esse sentimento seria passageiro e, logo, estaria curtindo a vida em sua nova casa. Emocionalmente cansada, Lizzy deitou em sua cama e ligou a televisão para tentar distrair-se. Passava da meia-noite e não conseguia dormir.

Um barulho incômodo que parecia distante acordou Lizzy. Ao abrir os olhos, percebeu a claridade da manhã. O barulho voltou a incomodá-la. Era o interfone. Lizzy levantou e correu para atendê-lo. Eram suas irmãs.

- Não brinca! Você ainda estava na cama? – perguntou Lydia.

- Sim, foi difícil pegar no sono ontem.

- Bem, viemos busca-la para almoçar. – disse Jane.

- Eu sei, mas preciso arrumar tantas coisas aqui em casa. Ainda nem tirei as minhas roupas das malas.

- Podemos almoçar e depois voltamos para ajuda-la. O que acha? – sugeriu Jane.

- Ótima ideia! Vou me arrumar em um minuto, estou faminta!

O almoço foi bastante animado, todos sentiram saudades de Lizzy como se não a vissem há dias. A Sra. Bennet estava de bom humor e muito entusiasmada com a visita do Papa João Paulo II, católica fervorosa, já havia combinado com as amigas da igreja e, também, com a Sra. Gardiner em assistirem a missa prevista para os próximos dias no Campo de Marte. Não se falou em outro assunto durante todo o almoço. Após uma noite mal dormida, com pensamentos ruins e uma terrível sensação de insegurança, Lizzy sentia-se feliz e acolhida pela família. Sua mãe havia preparado um de seus pratos prediletos, macarrão com brócolis e seu pai havia comprado refrigerante.

Mais tarde, como combinado, retornou ao seu apartamento, acompanhada de sua mãe e das irmãs Mary e Jane. As irmãs caçulas ficaram em casa, o Sr. Bennet iria leva-las na domingueira do Circulo Militar para dançarem com seus colegas de escola. A sala da casa de Lizzy ainda estava vazia, sem nenhum mobiliário, apenas as caixas com os objetos que precisavam ser guardados, porém era apenas questão de tempo, para que o sofá chegasse e a mesa com as cadeiras ficassem prontas. A TV foi instalada temporariamente no quarto de Lizzy e estava sob a cômoda em frente a sua cama.

As tarefas foram divididas e, em pouco tempo, tudo parecia estar em ordem.

- Nem acredito! – gritou Lizzy.

- Vou pedir a Maria que venha amanhã lhe fazer uma boa limpeza. – disse Sra. Bennet.

Já era noite, quando sua mãe e suas irmãs foram embora. Lizzy as acompanhou até a porta do prédio. Após um demorado banho deitou em sua cama para assistir ao programa Fantástico até adormecer.

A semana no escritório seria calma, considerando a ausência do Sr. Darcy e de alguns funcionários em férias. Lizzy estava muito empolgada em acompanhar e fazer parte da equipe de advogados de um importante processo contra um laboratório farmacêutico. Passou a manhã toda, em sua mesa lendo, com muita atenção, todos os relatórios do processo, não se dando conta de que já havia passado do meio-dia. Ao descer a escada, Charlotte esperava a amiga.

- Obrigada por me avisar, estava tão envolvida na leitura que nem me dei conta do horário.

- Venha! Vamos almoçar.

Pegaram suas quentinhas e sentaram-se à mesa.

- Hummm! Eu adoro Virado à Paulista!

Lizzy achou engraçada a expressão da amiga.

- Preciso lhe contar. Seu primo me garantiu que no próximo mês virá para São Paulo, durante suas férias.

- Que notícia boa! E como está esse coraçãozinho?

- Não vou negar que me sinto atraída por ele, temos muitas afinidades e ele é muito gentil comigo.

- William é um bom rapaz. Muito responsável e trabalhador. Perdeu o pai cedo, ainda era uma criança. Começou a trabalhar jovem no banco e nunca abandonou os estudos.

- Isso é muito triste.

- Mas isso já faz muito tempo. Hoje, William é um homem feito. Espero que de tudo certo entre vocês.

Charlotte agradeceu à amiga, segurando-lhe a mão.

Como Lizzy ainda não estava com a linha telefônica habilitada em seu apartamento, recebeu o telefonema de sua irmã Jane no escritório. Estava vibrante com o convite de Charles, como há muito não se via, o que obrigava Lizzy a acompanha-la, sem desculpas. Apesar de estar bastante ocupada e envolvida com seu trabalho, Lizzy permitiu que sua irmã falasse sobre seus planos para a festa, despejando sua ansiedade e preocupação com a escolha do presente e, até mesmo, em relação a roupa que iria usar durante a festa.

Motivada com a animação de sua irmã, Lizzy decidiu percorrer algumas lojas no bairro, após ter deixado o escritório no final da tarde, na tentativa de encontrar uma roupa legal para a festa de Charles. De fato, as festas no Clube Sírio costumavam ser muito chiques. Experimentou alguns vestidos, mas nada lhe agradou. Resolveu, portanto, ir para casa e dar uma boa olhada em seu guarda-roupa. O céu estava escuro e o vento soprava frio, quando Lizzy chegou a sua casa. Era estranho abrir a porta e poder ouvir o silêncio. Não estava acostumada a isso. Na casa de seus pais, sempre existia agitação, suas irmãs cantando ou brigando, sua mãe assistindo a TV no volume máximo, Mary tocando violão. Ligeiramente sentiu saudade disso tudo, porém estava com seu coração confortável e sentindo-se muito orgulhosa por estar ali.

A semana passou na velocidade de um foguete, fazendo com que Lizzy não percebesse que o sábado havia chegado. Esteve muito envolvida em seu trabalho, estudando e levantando questões importantes no processo. De fato, não estava com cabeça em ir à festa, mas não queria magoar Jane, que esteve tão dedicada a isso, durante o decorrer da semana. Não passava das nove horas, quando o interfone tocou, ainda assim, Lizzy já aguardava a visita da irmã.

- Bom dia, Lizzy! Ainda está com a cara inchada!

- É porque ainda estou com sono.

- Venha! Quero lhe mostrar o que comprei para Charles.

Jane abriu o presente com cuidado, tirando com as pontas dos dedos a fita adesiva.

- Nossa, Jane! Isso deve ter custado uma fortuna! – disse Lizzy ao ver a caixa de perfume Azzaro.

- Confesso que não foi barato, mas Charles adora essa fragrância!

Jane pegou a caixa de perfume e delicadamente a retornou dentro do embrulho.

- Ainda falta o cartão. Vou escrever mais tarde.

- O que tem nessa sacola?

- É a roupa que irei usar na festa. – respondeu Jane, retirando de dentro da sacola um lindo vestido vinho com um bolero da mesma cor, cheio de lantejoulas na parte frontal.

- Uau! É lindo! Vai ficar maravilhoso em você! – disse Lizzy, admirada. – Ainda não sei o que vou usar.

- Por que não usa aquele vestido longo, que usou no último casamento que fomos? Ficou tão lindo em você!

- Pensei em usá-lo, mas acho que vou passar frio.

- Já gastei muito dinheiro, senão compraria um vestido novo pra você.

- Oh! Obrigada, Jane. Mas não quero que gaste seu dinheiro comigo.

- Posso te emprestar uma estola preta, assim você poderá usar o vestido.

- Perfeito! Então está decidido!

As irmãs tinham hora marcada no cabeleireiro, fizeram as unhas e o cabelo.

- Nossa! Estamos lindas! – disse Jane ao lado de Lizzy, ao se olharem no espelho.

- Você acha que o Charles vai gostar?

- Sua boba! Charles gosta de você até quando ronca!

As duas caíram na gargalhada. Estavam felizes, até mesmo Lizzy já estava mais conformada em ir à festa. Já passava da hora do almoço, quando Lizzy foi até a casa de seus pais, pegar a estola que Jane iria emprestar. Com as panelas ainda mornas no fogão, Lizzy e Jane aproveitaram para fazer uma refeição.

- Morro de saudades da comidinha da mamãe! – disse Lizzy, enquanto devorava uma garfada.