O Baile de Debutantes
Assim que suas aulas recomeçaram, Lizzy iniciou uma rotina de trabalho e estudos puxada, mesmo sabendo que deveria cuidar-se para que não ficasse doente novamente. No escritório, além do caso da indústria farmacêutica, seu chefe convidou-a a fazer parte, apenas como ouvinte, de um processo criminal, a pedido do Sr. Darcy. Animada com o desafio, levava alguns relatórios para casa, onde os lia, durante seus trajetos de ônibus e à noite, após chegar da faculdade. Nos finais de semana, Lizzy preferia permanecer em casa, dedicando-se aos estudos e preparando os trabalhos da faculdade, dificilmente saia com os amigos ou mesmo com Jane. Somente os domingos eram reservados para estar em companhia da família, onde, durante os almoços, costumava dividir com o pai assuntos sobre seu trabalho, o que lhe era enriquecedor, pois acabava ouvindo sempre um conselho útil ou informações históricas importantes.
Apesar de seu isolamento, sempre recebia Jane em casa, aos sábados, pela manhã. Após a festa da Sra. Bingley, o seu relacionamento com Charles parecia fortalecido, o amor havia ocupado definitivamente o lugar da paixão, o que antes era somente uma atração entre dois belos jovens, agora, haviam se tornado cúmplices dos mesmos objetivos. Lizzy adorava as horas em que passava as sós com Jane. Ouvia, empolgada, histórias sobre o romance da irmã, sabendo, um pouco, sobre os lugares que costumavam frequentar. Jane contava sobre ter conhecido o famoso e glamoroso Gallery. Nada parecia igual, era como um sonho.
- Eu olhava para o lado e via o Lauro Corona, olhava para o outro, lá estavam as Frenéticas. Você não sabe pra onde olhar, são atores, modelos, cantores, jogadores de futebol. Fora todo o resto, o lugar é chique, sofisticado, com todas aquelas luzes. Até o banheiro, sabia que tem uma mulher que nos atende lá dentro, como se fosse um garçom? Ah! E tem até perfume! – contava Jane completamente deslumbrada com a boate.
- Nossa! Não consigo imaginar um lugar assim!
- Da próxima vez, você terá que ir com a gente.
- Imagina, Jane! Segurar vela não é pra mim.
- Deixe disso, Lizzy! O Sr. Darcy esteve com a gente lá.
- O Sr. Darcy?
- Sim, ele mesmo!
- Mas estava acompanhado de Caroline.
- Não, não estava.
Lizzy estranhou até que Jane começasse a explicar.
- Charles me pediu segredo, mas com você não tem isso. Na verdade, quando fomos ao Gallery estávamos comemorando o novo negócio de Charles. Ele e o Sr. Darcy estão montando uma escola de pilotagem de kart, perto do autódromo de Interlagos. Eu já estive lá, é demais! Charles está muito animado com isso, um de seus sonhos sempre foi ser um piloto e, por enquanto, esta é a maneira mais próxima que ele pode estar de sua realização. Além disso, é uma maneira de ele se livrar de vez das imposições de sua família.
- Nossa, Jane! É maravilhoso ouvir isso!
- Acho que vai dar tudo certo, graças ao Sr. Darcy que está acreditando em Charles. Praticamente, foi ele quem incentivou e patrocinou tudo isso.
Lizzy permaneceu em silêncio. Mais uma vez o Sr. Darcy a surpreendia. Ele também havia acreditado nela ao envolvê-la nos casos do escritório. Agora, com Charles, isso significava que ele era a favor do romance entre o amigo e Jane, diferente da opinião de Caroline.
Num domingo frio e chuvoso, ao ir almoçar na casa de seus pais, Lizzy soube que, finalmente, sua irmã Mary havia decidido prestar Letras no vestibular da USP. Apesar de adorar música, percebeu que a faculdade de letras a tornaria uma excelente escritora, podendo compor suas próprias canções, como as de Chico Buarque.
- Estou muito feliz por você, Mary. Agora, precisa se preparar, pois o vestibular na USP é muito concorrido.
Também fora num domingo, não tão chuvoso, quando Lizzy sentiu a falta de Lydia na mesa.
- Lydia não vai almoçar com a gente?
- Oh! Pobre Lydia! Não está passando bem hoje. Está descansando no quarto, mas logo levantará para tomar uma canjinha especial que eu preparei pra ela. – contou a Sra. Bennet.
- Mas o que ela tem mamãe?
- Esta indisposta, um pouco enjoada. Essa juventude come tanta porcaria que não faz nada bem pra saúde.
Após o almoço, Lizzy foi até o quarto ver como a irmã estava. Achou Lydia abatida e com o rosto branco como a neve. Preocupada, perguntou a irmã:
- O que está sentindo? Você está tão pálida e gelada?
- Não é nada, Lizzy. Só estou um pouco enjoada?
- Podemos chamar um médico para examiná-la. Posso ver se o doutor, do apartamento 81, está em casa.
- Não precisa, já estou melhorando.
Lizzy passou algum tempo sentada ao lado da cama de Lydia acariciando seus cabelos. Já era final da tarde e ela adormecera, sem ao menos comer. Lizzy precisava voltar para casa, pois tinha que estudar para as provas da faculdade, antes, porém, deveria passar na costureira para experimentar o vestido que usaria no baile de debutante de Lydia, que aconteceria no próximo fim de semana. "Pobre Lydia, precisa se recuperar para sua festa.", pensou ela, deixando o quarto, preocupada com a irmã.
A semana estava chegando ao fim, quando Lizzy lembrou-se de marcar hora no cabelereiro. Sentia-se animada com a festa da irmã, afinal todas haviam tido seu baile de debutante, faltando apenas Lydia. Ocorreu-lhe que a última vez que saiu foi quando ela e Jane foram à festa de aniversário de Charles. Estava tão concentrada com sua rotina no trabalho e na faculdade, que se esquecera do quanto era bom sair de casa para se divertir, indo ao cinema, viajar ou passar a noite toda dançando. Sentia-se exausta e sozinha. A mudança da casa de seus pais havia tornado sua vida mais solitária. Não tinha mais a companhia do pai e nem das irmãs, principalmente de Jane, com quem dividia o quarto. Muitas vezes, quando chegava da faculdade sentia um imenso vazio por não ter ninguém para compartilhar seus sentimentos, suas ideias ou mesmo as coisas banais do dia-a-dia. Mesmo as implicâncias de sua mãe, lhe faziam falta. Tantas coisas passavam por sua cabeça, enquanto estava sentada em sua mesa no escritório, até que seu ramal tocou. Era Charlotte, pedindo a amiga que descesse por um instante, pois havia uma pessoa querendo conhecê-la. Lizzy achou que fosse alguma brincadeira e sem imaginar quem pudesse ser, desceu a escadaria, despretensiosamente, até o piso térreo. Antes que pudesse se aproximar da mesa de Charlotte, viu uma senhora muito elegante, com os cabelos loiríssimos, num penteado alto e sofisticado, acompanhada do Sr. Darcy.
- Vejam! Lizzy já desceu. – anunciou Charlotte.
Enquanto caminhava até eles, a senhora virou-se ficando frente a frente com Lizzy, aproveitando para observá-la minunciosamente, até que o Sr. Darcy se encarregou em apresenta-las:
- Lizzy, esta é a mãe de Charles. Ela veio me visitar, essa tarde e gostaria de conhecê-la, por ser a irmã de Jane.
- Muito prazer. – disse Lizzy, lembrando que Jane havia comentado sobre a postura dela na festa. Receosa, sabia que a Sra. Bingley não estava lá para ser sua amiga, mas não conseguia entender a razão pelo qual queria conhecê-la. Foi ai, que Lizzy decidiu arriscar: - Jane comentou sobre sua festa.
- Ah! Sim, recebemos Jane em casa nesta oportunidade, e para ser sincera, estive viajando após isso e ainda não tive como convidá-la novamente em nossa casa. Que descuido mais desagradável o meu. Mas, vou falar com Charles e providenciaremos o mais breve possível um grande jantar, assim poderemos conhecer toda a família de Jane. O que acha?
- É uma excelente ideia, Jane ficará satisfeita.
Sr. Darcy, que acompanhava a conversa entre as duas, conhecia perfeitamente a Sra. Bingley, a ponto de perceber que a real intenção de sua visita no escritório era conhecer Lizzy, no entanto, não conseguia desvendar o que de fato pretendia. Por outro lado, também conhecia Lizzy e sabia que estava agindo com cautela, talvez por achar que a Sra. Bingley estivesse com más intenções.
- Bem, preciso ir, ainda tenho muitas coisas a fazer. Obrigada por me receber Darcy, sei o quanto é ocupado. – disse Sra. Bingley, abraçando-o. – Foi um prazer conhecê-la, Lizzy.
- Até mais, Sra. Bingley.
Enquanto o Sr. Darcy acompanhava a Sra. Bingley até a porta, Lizzy retornou rapidamente a sua mesa. Queria imaginar que aquele encontro bizarro não havia acontecido. No entanto, em questão de minutos, o Sr. Darcy apareceu em sua mesa, pedindo que o acompanhasse até a sua sala. Assim que entraram, ele pediu a Lizzy que se sentasse e procurando ser o mais objetivo possível disse:
- Serei sincero com você. Desconheço o motivo que a Sra. Bingley tem em querer conhecê-la. Peço apenas desculpas, se isso a incomodou.
- Não se preocupe, está tudo bem. – disse ela, querendo encerrar o assunto, sem manifestar detalhes da vida de sua irmã com Charles.
Sr. Darcy, de fato, estava preocupado com a reação de Lizzy. No entanto, ela agia com frieza, parecendo não estar incomodada com o comportamento estranho da Sra. Bingley, deixando Sr. Darcy temeroso ao imaginar que Lizzy pudesse achar que estava envolvido nessa intriga. Sem jeito e sem saber o que dizer, permaneceu sentado em sua frente, perguntando-lhe:
- Quer beber alguma coisa?
- Não, acho melhor voltar para minha mesa.
- Claro.
Lizzy deixou a sala, um tanto confusa com a reação de culpa que parecia existir dentro do Sr. Darcy, ao passo que ele, permaneceu sentado, com uma sensação de impotência por não conseguir se aproximar da mulher a qual mais admirava.
O motorista da Sra. Bingley, que a aguardava dentro do carro, logo percebeu que seu humor não era o mesmo de quando havia partido de casa rumo ao escritório do Sr. Darcy. Fingindo que não escutava uma só palavra que a patroa esbravejava, o motorista tentava conduzir o carro o mais depressa possível até a mansão. "Caroline é uma tola!", dizia. A verdade é que ela esperava encontrar uma jovem que não fosse páreo para Caroline. Ao ver Lizzy, teve certeza de que Caroline estava enganada. Podia não ser uma beleza comparada a de Jane, porém Lizzy era uma bela jovem, charmosa e de atitude, daquele tipo de mulher, que conquistaria, com hesito, homens inteligentes, como o Sr. Darcy. Isso estava claro, na sua atitude protetora. Esteve ao lado, o tempo todo, assegurando que nada de ruim pudesse acontecer a ela, obrigando a Sra. Bingley ser amável e, até mesmo, convidar Lizzy e toda sua família para um jantar em sua casa.
Depois de permanecer incomunicável em sua sala, Sr. Darcy decidiu ir embora. Sentia-se abatido e confuso, por estar experimentando sensações novas dentro de si, sem que, ao menos, soubesse como reagir. Passando pela recepção, decidiu perguntar a Charlotte:
- Lizzy ainda está aí?
- Não senhor, ela saiu no horário e foi para a faculdade. Pensou em desistir, pois está bastante cansada e amanhã será o baile de debutante de sua irmã caçula, mas o senhor sabe o quanto ela é dedicada aos estudos, não é.
- Baile de debutante?
- Sim, sua irmã mais nova, Lydia, está completando 15 anos.
- Charlotte, por acaso você sabe onde será essa festa?
- Será amanhã, no Circulo Militar.
- É muita coincidência! – murmurou ele. - Obrigado, Charlotte. Tenha um bom fim de semana!
Sr. Darcy entrou no carro chocado com a coincidência. Amanhã seria o baile de debutante de sua prima Anne. Por escolha de sua tia Catherine de Bourgh, que fora casada com um general, o baile também aconteceria no Circulo Militar. A princípio, Sr. Darcy não cogitava comparecer a cerimonia, mas repentinamente sentiu-se motivado a acompanhar sua irmã Georgiana.
No dia seguinte, assim que Lizzy acordou, decidiu se preparar para o baile na casa de seus pais, junto com suas irmãs. Caminhou até lá, carregando uma enorme bolsa com tudo que iria precisar, inclusive seu vestido. Sr. Bennet estava em pânico tendo de conviver ao lado de seis mulheres enlouquecidas e histéricas por conta de um baile. Quando a Sra. Bennet e suas filhas Lydia e Kitty foram ao cabeleireiro, Lizzy já havia retornado do salão, porém Jane e Mary ainda estavam lá.
- Voltei pra lhe fazer companhia.
- Você está linda, minha filha! – disse ele, referindo-se ao penteado escolhido por Lizzy, que de fato, valorizava muito o seu rosto.
- Obrigada, papai. Sinto muita falta das nossas conversas.
- Eu também, minha querida. Estava aqui pensando no baile de debutante de Lydia. Antes, as moças que debutavam eram mais inocentes, quase crianças, iam ao baile, muitas vezes, para conhecer o homem o qual iria casar-se. Hoje está tudo mudado. A cerimônia é apenas uma diversão, corre o risco da debutante já estar acompanhada de seu namorado.
Lizzy lembrou-se de que Lydia possivelmente teria um namorado e que talvez, pudesse comparecer ao baile, à noite. Logo depois, voltou a falar com seu pai:
- Lembro-me das histórias que contava para mim, no dia do meu baile. Pareciam mágicas!
Lizzy abraçou seu pai com muito carinho.
Em seguida, Jane e Mary estavam de volta. Sentaram-se no sofá, fazendo companhia ao pai e a Lizzy, lamentando-se que William e sua mãe não pudessem comparecer ao baile de Lydia:
- Achava que William fosse ser o príncipe de gala de Lydia, afinal é nosso único primo. – comentou Mary.
- Lydia está fazendo suspense, acredito que nem mesmo a mamãe saiba que é ele. – contou Jane.
Lizzy, apesar de calada e ainda abraçada ao pai, ficou atenta aos comentários das irmãs. Achando que o príncipe de gala poderia ser o rapaz que Lydia estava namorando.
- Vai ver é um ator de novela! – exclamou Mary, fazendo com que todos rissem.
- Uma coisa é certa, se depender de Lydia, todos nós ficaremos surpresos! – concluiu Sr. Bennet.
O céu escuro anunciava que a noite havia chegado. Quando os Gardiner entraram a casa dos Bennets, as irmãs já estavam prontas, deixando a tia encantada com a beleza de suas sobrinhas. Porém, a Sra. Bennet, Lydia e Kitty ainda não haviam retornado do salão.
- Estamos preocupadas, faz horas que elas foram ao cabeleireiro e até agora não retornaram. – disse Jane.
- Espero que voltem a tempo. – comentou Sra. Gardiner.
Foi quando Lizzy teve a ideia de telefonar no salão perguntando pela mãe. A moça que atendeu a ligação, contou-lhe que as três haviam deixado o salão há pouco e que a demora foi porque Lydia sentiu-se enjoada o tempo todo, ora com o cheiro do shampoo, ora com o cheiro do laque. Lizzy tentava se convencer de que tudo não passava de uma reação emocional de sua irmã, prestes a participar de uma grande cerimônia, no entanto, lá no fundo, sabia que poderia ser algo pior do que isso. Preferiu não compartilhar sua desconfiança com ninguém, apenas anunciando que elas já estavam a caminho.
Finalmente as três chegaram. Lydia estava com um penteado clássico, com o cabelo todo preso na frente, onde foi colocada uma discreta coroa. Sua maquiagem era suave, como deveria ser.
- Está linda, Lydia! – elogiou a Sra. Gardiner.
- Não gostei da maquiagem, precisa ser mais carregada! – respondeu ela, indo para seu quarto, terminar de se arrumar.
Quando as três saíram do quarto, Sr. Bennet já havia guardado no bolso do paletó, a caixa com a joia que presentearia Lydia, durante a cerimônia. Ao entrar na sala, Lydia arrancou suspiros de todos, fazendo a Sra. Bennet conter suas lágrimas para não estragar a maquiagem. Kitty afofava com as mãos, a volumosa saia em cetim e organza bordada do vestido de Lydia. O tom rosa claro era a cor perfeita para o traje, o qual contrastava com sua maquiagem extravagante, que Lydia, insatisfeita, acabara de retocar.
Chegando ao grande salão do Círculo Militar, a família Bennet e os Gardiner sentaram-se nas mesas reservadas em nome de Lydia. À medida que o horário da cerimônia se aproximava, percebia-se a ansiedade que todos estavam para conhecer o príncipe de gala, porém, a Sra. Bennet, que não conseguia manter a mesma discrição de todos, alardeava, aos prantos, que sua filha seria uma debutante sem par. Jane, na tentativa de acalmá-la, disse-lhe que, caso fosse preciso, Charles poderia substituí-lo.
- Um Bingley como príncipe de gala de minha filha caçula? É uma excelente ideia! – disse ela, trocando as lágrimas por um ambicioso sorriso, imaginando, até mesmo, que poderiam sair numa coluna social.
Aos poucos, o salão ficou lotado de belas debutantes com seus vestidos exuberantes. A grande maioria delas vestia o tradicional branco, mas existiam suas variações e, até mesmo, as mais ousadas, que arriscavam o modelo na cor pink. As famílias também exibiam trajes elegantes e não conseguiam disfarçar, em seus rostos, a grande emoção que causava uma cerimônia como esta. Charles chegou numa hora de grande alvoroço no salão, devido à presença de alguns famosos como príncipe de gala. Mary, como outras garotas, assim que viu o apresentador César Filho, levantou-se imediatamente para lhe dar um forte abraço.
Quando faltava menos de cinco minutos para o início da cerimônia, todos ainda continuavam apreensivos com a ausência do acompanhante de Lydia e a tensão parecia maior, quando o mestre de cerimônias subiu ao palco e deu início ao evento. Lydia não conseguir disfarçar seu nervosismo, olhava, inquietamente, para todos os lados a procura de seu par. Após uma longa introdução, foi anunciada a presença de Catherine de Bourgh, dona de um dos maiores bancos do Brasil e viúva de um importante coronel para a história do país, que, naquela noite, estava, formalmente, apresentando sua filha Anne à sociedade. Notava-se no rosto do Sr. Bennet certo descaso, enquanto que os convidados presentes, inclusive sua esposa, levantaram-se para saudá-la. Foi, neste momento, que Charles surpreendeu-se com sua presença.
- Que coincidência! É a tia de Darcy! – exclamou ele.
- Sim, lembro-me perfeitamente de Anne, sentou-se em nossa mesa no aniversário de sua mãe. – respondeu Jane.
- Isso mesmo. Mais tarde, precisamos cumprimenta-la.
Lizzy apenas escutou a conversa entre eles, lembrou-se que Charlotte já havia mencionado o nome dela antes, dizendo para William que a dona do banco, o qual trabalhava, era tia do Sr. Darcy.
Após, Catherine ser prestigiada, o mestre de cerimônias solicitou o comparecimento dos pais das debutantes no palco, onde cada casal seria formalmente apresentado e receberia um lindo ramalhete de rosas. Sr. Bennet acompanhado por sua esposa levantaram-se da mesa e seguiram em direção ao palco. Como os demais pais, permaneceram em fila, até que a Sra. Bennet percebeu que Catherine de Bourgh estava atrás dela e, sem perder a oportunidade, começou a bajulá-la:
- É uma imensa honra debutar minha filha ao lado de pessoas tão importantes como a senhora.
Sr. Bennet apenas cumprimentou-a acenando com a cabeça, permanecendo concentrado na cerimônia.
Catherine também prestava atenção na cerimônia, agradecendo ao elogio da Sra. Bennet e lhe apresentando o seu sobrinho, que iria acompanha-la ao palco, sem saber que já se conheciam.
- Sr. Darcy, me desculpe por não tê-lo visto. Que falha, a minha! É um prazer revê-lo!
- Boa noite, Sra. Bennet.
- Lizzy ficará muito feliz em vê-lo aqui, ela fala muito do senhor, são tantos elogios! Ah! E minha filha Jane está acompanhada de seu amigo Charles, acho que desta vez é certo que saia um casamento.
Sr. Darcy surpreendeu-se com o comentário de que Lizzy o elogiava, normalmente ela era fria e não lhe dirigia palavras que não fossem referentes ao trabalho. No entanto, como as palavras saiam da boca de uma pessoa tão inconveniente como a Sra. Bennet, preferiu não se entusiasmar.
- Após a cerimônia irei até a sua mesa para cumprimenta-los.
- Que ótima ideia! Sempre um cavalheiro! Reservarei uma cadeira para o senhor.
- Somos os próximos! – alertou Sr. Bennet.
- Até logo, não deixe de passar lá!
Assim que o casal Bennet subiu alguns degraus, rumo ao palco, a tia do Sr. Darcy criticou a postura da senhora que ele conversara:
- Detesto esses tipos!
Enquanto isso, na mesa, Lydia sentiu-se mal, pedindo a Kitty que lhe acompanhasse até o banheiro. A Sra. Gardiner, que estava próxima a elas, preocupou-se com a sobrinha achando que estivesse aborrecida por conta de seu par não ter aparecido. Quando seus pais retornaram a mesa, as irmãs ainda estavam no banheiro, porém diferente do que sua tia havia imaginado, Lydia sentiu-se novamente enjoada e até havia vomitado no banheiro.
- Lydia, estou começando a ficar preocupada com você, não é normal ficar vomitando dessa maneira.
- Kitty, não se preocupe, só estou um pouco nervosa. Venha, me ajude a voltar para a mesa e não comente nada com ninguém.
Assim que elas saíram do banheiro, Lydia viu que seu par havia chegado. Um sorriso iluminou seu rosto pálido e suado.
- É ele!
- Quem? Do que está falando?
- Meu príncipe de gala!
- Onde? Mostre-me ele!
- Não seja tão atrevida, Kitty! Tudo na hora certa! Venha! Precisamos voltar para a mesa.
Kitty não entendia o motivo de tanto mistério e conhecendo Lydia como conhecia, sabia que a irmã estava aprontando alguma coisa. Começou a ficar preocupada e, ao retornar à mesa, não comentou nada com ninguém.
- Lydia, minha filha, estou tão emocionada! Mas onde está seu príncipe de gala?
- Não se preocupe, mamãe, ele já chegou.
- Oh! Muito obrigada meu Deus! Ouvi minhas preces! Então traga-o aqui para que possamos conhecê-lo.
Lydia não disse nada, apenas mostrou um sorriso em seu rosto. Exaltada, Sra. Bennet não pode esperar para contar a todos que havia conversado com Catherine de Bourgh e que, inclusive, havia conversado com o Sr. Darcy, espalhando não só o comentário em sua mesa, como também, na mesa ao lado, onde estavam Mary, Jane, Charles e Lizzy.
- Legal, Darcy estar aqui! Precisamos encontra-lo depois da cerimônia.
Lizzy permaneceu em silêncio, apenas pensava o quão desagradável era a coincidência em encontrar o Sr. Darcy, que muito provavelmente, deveria estar na companhia da insuportável Caroline.
Em meio a tantos acontecimentos, a cerimônia prosseguia, agora, os príncipes de gala foram chamados ao palco, onde lhes seriam entregues suas respectivas debutantes. Lydia levantou-se da mesa, confiante, seguindo em direção ao palco e sem revelar a ninguém sobre quem era seu par, despertando em sua família, muita curiosidade e desconfiança. Os rapazes permaneceram lado a lado, abaixo do palco e, conforme o mestre de cerimônias anunciava o nome de uma debutante, ele a esperava receber o belo ramalhete de rosas e seguiam juntos de volta a mesa.
Quando, finalmente, o nome de Lydia foi anunciado, todos ergueram o pescoço, indiscretamente, a fim de ver qual dos rapazes se manifestaria para recebê-la, quando descesse os degraus. Conforme se aproximavam, Lizzy foi a primeira a ficar indignada, seguida por Charles. Apesar de perplexa, preferiu manter-se em silêncio, evitando causar uma situação desconfortável na frente de sua família.
- Aí está você! – disse Sra. Bennet ao receber o rapaz em sua mesa.
- Muito prazer, Sra. Bennet, é uma honra estar aqui, ao lado de Lydia. – disse ele cumprimentando todos da mesa, para, em seguida, estender o cumprimento à mesa ao lado, onde estava Lizzy, porém apenas Mary e Jane alegraram-se com sua presença.
- Qual é o seu nome, rapaz? – perguntou Sr. Bennet.
- George Wickham.
- Seja bem vindo, George. Sente-se, por favor. – disse Sr. Bennet um tanto surpreso com a aparência mais velha do rapaz.
Lizzy fitou Lydia antes que ela pudesse sentar-se ao lado de George. Não entendia o que eles pretendiam, porém a irmã, mantinha no rosto um sorriso provocativo e faceiro. Lizzy percebeu que nenhum de seus familiares havia reconhecido George. De fato estava com a aparência um tanto mudada desde seu chá de cozinha, seus cabelos crespos estavam mais volumosos e seu rosto estava preenchido por barba e bigode ralos. Além disso, o traje que vestia, o tornava bastante diferente, tornando-o quase irreconhecível.
Sentado ao lado de Lizzy, Charles, estava sem compreender o que George fazia ali, já que conhecia toda sua história de vida e além de seu desapontamento, estava muito preocupado ao vê-lo envolvido, dessa maneira, com a família Bennet, por conta disso, perguntou-lhe, discretamente:
- Você pode me explicar o que o George está fazendo aqui?
- Também estou sem entender, Lydia e ele nos pegaram de surpresa.
Muito próxima a eles, Jane ouviu quando falavam, percebendo que havia algo de errado, no entanto, preferiu certificar-se:
- Está acontecendo alguma coisa?
- O par da sua irmã é o George, não se lembra dele?
Ao se dar conta de quem ele era, Jane levou sua mão a boca e depois disse:
- Era o rapaz que trabalhava com Lizzy, agora eu lembrei. Mas, o que ele está fazendo com Lydia?
- É exatamente isso que queremos saber.
Mantendo a discrição e sem intenção em causar nenhum tipo de constrangimento a Lizzy, Jane confidenciou algo que deixou Charles surpreso:
- Pobre Lizzy! Deve estar sentindo-se mal vendo ele com Lydia. Ela já foi muito interessada nele.
Após todas as debutantes serem conduzidas de volta a suas mesas, pelos príncipes de gala, era o momento oportuno para que o pai presenteasse a filha, para, em seguida, leva-la até a pista de dança para sua primeira valsa. Foi com um imenso prazer, que o Sr. Bennet colocou o delicado anel no dedo de Lydia e, antes de caminharem até a pista de dança, lhe deu um forte abraço, dizendo-lhe apenas uma palavra para simbolizar sua nova fase: "- Juízo!"
Em pouco tempo, todas ocupavam um espaço na pista de dança, iluminada e ao som da valsa, parecia mais um conto de fadas na imaginação de muitos. Emocionados, os familiares e amigos se aproximavam para conferir, de perto, o grande espetáculo. Os vestidos volumosos das debutantes rodopiavam pela pista, causando grande entusiasmo na plateia, que incansavelmente, aplaudia.
Lizzy, aproveitando a distração de todos, aproximou-se de George, pedindo-lhe satisfação:
- George, não entendi o que você está fazendo ao lado de Lydia?
- Calma, Lizzy! Só estou aqui porque ela insistiu muito.
- Sei e desde quando vocês são amigos?
- Ora, Lizzy, se esqueceu que foi você quem nos apresentou? E por duas vezes, a primeira no carnaval e, depois, na pizzaria. E, pode acreditar que somos bons amigos!
- Por que nunca me disse nada?
- Lizzy, parece que a convivência naquele escritório não está te fazendo muito bem. Não me lembro de ser assim, tão intrometida. Além do mais, sua irmã nunca quis que soubessem.
- Deixe Lydia fora disso, ela é muito jovem, não sabe o que faz. Também, não sei por que está me tratando desta forma grosseira, pelo que lembro, éramos bons amigos.
- Acontece que quando a gente tá na lama, ninguém fica do nosso lado. Você nunca me ligou para saber como estava, só quando precisou, para que eu fosse até a pizzaria. Mas depois que aquele bando de hipócritas chegou, você nem falou mais comigo. Já Lydia, ela é diferente.
Lizzy calou-se ao pensar que ele tinha razão. Eles haviam se conhecido durante esses dois encontros. Também tinha razão ao dizer sobre sua ausência, ela nunca telefonou para saber sobre ele, pois estava focada demais no trabalho e nos estudos. O jeito estranho e seu tom de voz cínico fez com que ela não reconhecesse aquele rapaz de aparência humilde, divertido, cativante e companheiro, pelo qual até chegou a ficar interessada, um dia. George era como um estranho ao seu lado, cheio de rancor e ódio, fazendo com que Lizzy chegasse a sentir culpa pela transformação do amigo.
- Com licença, Lizzy. Chegou minha vez de dançar com Lydia. – disse ele, num tom provocativo, se dirigindo até a pista de dança e assumindo a valsa no lugar do Sr. Bennet.
Sob a observação atenta de Lizzy, eles bailavam, aparentando terem muita intimidade um com o outro, tornando suas desconfianças e tormentos consideravelmente maiores. Já não tinha mais certeza se as histórias que George havia lhe confidenciado eram verdadeiras, nem mesmo, se ele era, de fato, a pessoa que acreditou que fosse. Lembrou-se, ainda, das palavras de Mary, dizendo que Lydia estava namorando e das palavras, do próprio George, confessando-lhe que conseguia bular a vigilância da dona da pensão, para receber visitas íntimas em seu quarto. Parecia que tudo estava desmoronando em sua cabeça num só segundo, seu coração batia desesperadamente forte e muito agoniada, perguntava a si mesma: "- Será?"
Com a atenção comprometida, Lizzy foi incapaz de perceber a presença do Sr. Darcy na pista de dança. Vê-lo dançar e sorrir era quase uma miragem, mesmo aos olhos de quem, de fato, o conhecia. Há muito, Georgiana não sentia seu irmão tão animado e estimulado a participar de uma festa. Para ela, que observava ele e Anne valsando, era bom vê-lo feliz e vivaz ao seu lado, porém seria ainda melhor se soubesse o motivo de tanta felicidade.
Quando a valsa com George terminou, Sr. Gardiner fez questão de valsar com sua sobrinha, deixando George livre para ter a ousadia em convidar Lizzy a bailar com ele. Próxima aos pais, Lizzy decidiu aceitar, evitando assim, qualquer indelicadeza de sua parte que pudesse ser notada por eles. Enquanto bailava com George, despertou surpresa em algumas pessoas, que a observavam, como Charles, Jane e no Sr. Bennet, que percebera no rosto da filha, certa aflição. Neste momento, sem saber da presença de George, Sr. Darcy deixou Anne ao lado da tia para conceder uma valsa a Georgiana.
- Parece tão feliz, meu irmão!
- Me sinto bem, hoje.
- Será que é só isso, mesmo?
- Não tente invadir meus pensamentos, sua bruxinha!
No entanto, foi quando bailavam que Georgiana reparou a expressão no rosto do irmão se transformar. Sr. Darcy acabara de flagrar Lizzy e George dançando juntos. Toda sua esperança em se aproximar de Lizzy, num ambiente que não fosse o trabalho, parecia ter desaparecido. Um sentimento doloroso e de decepção lhe invadia o peito, sufocando-o, pedindo imediatamente a irmã, que parassem de bailar.
- Precisa me dizer o que houve, Darcy! – implorava Georgiana.
- Não, agora, não! Apenas te peço desculpas por ter que interromper nossa dança.
Georgiana permaneceu observando a pista de dança, a procura de uma explicação pela mudança de comportamento de seu irmão, ao passo que o Sr. Darcy se dirigiu, irritado, até a mesa que estavam.
Como se não bastasse toda a confusão, Lydia, que continuava valsando com seu tio, ficou furiosa ao ver que sua irmã Lizzy se aproveitava da oportunidade para dançar com George. Mal sabia ela, que era contra a vontade de Lizzy e que, durante todo o tempo, não trocaram sequer uma palavra.
Finalmente a valsa terminou, todos puderam ouvir a voz do mestre de cerimônias anunciando a última etapa do evento. Com as debutantes presentes na pista de dança, o suspense parecia tomar conta de todos, ao apagar das luzes. Da direção do palco, surgia um gigantesco bolo rodeado por velas, tendo ao fundo a voz do mestre de cerimônias, que conduzia todos a cantarem:
"É 3, 2 ,1
Parabéns a vocês
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida!"
Sr. Darcy permanecia na mesa, ao lado de Georgiana, enquanto Anne e sua tia estavam na pista de dança. Procurava desesperadamente ver Lizzy de novo, aproveitando a pouca luz no ambiente. Queria ter a certeza de que ela estava, de fato, acompanhada de George. Porém, isso parecia quase impossível. Com todas as velas sopradas, o ambiente foi novamente iluminado e o mestre de cerimônias liberou as debutantes das formalidades do evento, incentivando elas e seus convidados a desfrutarem a festa como quisessem, sob o comando de um DJ.
A pedido da Sra. Bennet , toda a família se reuniu em volta de Lydia para tirarem uma foto. Por coincidência, Lizzy ficou ao lado de George, que apesar de não fazer parte da família, Lydia insistiu que deveria aparecer na foto. Enquanto isso, Charles, que estava sozinho no salão, havia se encontrado com Sr. Darcy:
- Darcy! É uma surpresa encontra-lo aqui!
- Vim por causa de Anne.
- Sim, eu sei, mas ainda não encontrei nem com ela e nem com a sua tia.
- E os Bennets, onde estão?
- Estão ali, tirando fotos. – respondeu Charles, indicando a direção de onde estavam.
Sr. Darcy virou a cabeça e viu toda a família reunida, incluindo George, ao lado de Lizzy.
Ao ver que seu amigo olhava na direção dos Bennets, Charles preferiu contar-lhe sobre a presença de George:
- George está com eles.
- Sim, eu já reparei.
- Parece que foi uma surpresa, a família não sabia. Uma confusão.
Antes mesmo que pudesse explicar ao amigo o que sabia, Charles foi interrompido por Jane, que acabará de retornar, permitindo ao Sr. Darcy que tirasse suas próprias conclusões sobre a presença de George.
- Sr. Darcy, boa noite! – disse Jane.
- Olá!
- Venha! Fique um pouco com a gente.
- Estou quase de saída.
Sr. Bennet ao se aproximar, reconheceu o Sr. Darcy, insistindo para que ele ficasse ao menos um pouco com eles. Envolvido numa conversa agradável e amena, Sr. Darcy reparou quando Lizzy apareceu. Parecia abatida e cansada, porém estava irresistivelmente bonita aos seus olhos. Preocupou-se em reparar se George estava ao seu lado, para depois cumprimenta-la:
- Boa noite, Lizzy!
- Olá, Sr. Darcy! Soube que estava na festa, minha mãe comentou.
- Sim, nos encontramos há pouco.
- Desejo felicidades a sua prima.
- Ah! Sim. Direi a ela. Obrigado.
Logo, Sr. Bennet continuou a falar sobre o assunto que conversavam, porém Sr. Darcy estava com toda sua atenção voltada em Lizzy. Ela observava sua família divertindo-se na pista de dança ao som de Summer Nights, de Olivia Newton-John e John Travolta. Sentia-se incomodada em ver que George, cada vez mais, se enturmava e conquistava a eles, lembrando-lhe e muito, o comportamento que havia usado para seduzi-la quando se conheceram.
Sr. Bennet concluiu sua animada história com o sorriso de todos eles, inclusive o de Lizzy.
- Agora, me dão licença, preciso encontrar um banheiro.
Charles e Jane estavam abraçados, encorajando Sr. Darcy a se aproximar de Lizzy. Mas, seu orgulho misturado a decepção em vê-la acompanhada de George num evento familiar, fazia com que ele mantivesse firmemente sua postura.
Lizzy fitou-o, sem que ele notasse, se recusava a aceitar a hipótese de que as histórias de George poderiam ser baseadas em inverdades e que, o Sr. Darcy não era o vilão cruel e injusto que havia imaginado. O incômodo silêncio e a atenção de Lizzy voltada para onde estava George fizeram com que o Sr. Darcy desistisse de permanecer ali:
- Vou embora, boa noite a todos!
- Tão cedo, Sr. Darcy? – insistiu Jane.
- Sim, não há mais nada a fazer aqui. – respondeu ele, sem rodeios.
Charles, preocupado com a atitude do amigo, acompanhou Sr. Darcy até o estacionamento, deixando Jane em companhia de Lizzy.
- Darcy, você está tão estranho. O que houve?
- Essa noite, deu tudo errado. Sou um tolo por acreditar nas pessoas. – revelou ele, entrando no carro.
- Não entendo o que está dizendo.
- Deixe pra lá, isso tudo é uma tolice! – respondeu ele, acelerando violentamente seu Landau.
Charles permaneceu, perplexo, observando o carro do amigo, sair em alta velocidade do estacionamento. Apesar de conhecê-lo há muitos anos, nunca havia presenciado tal comportamento no Sr. Darcy.
