Soul P.O.V

O sol batia forte em meus olhos, simplesmente não consegui continuar dormindo. Meu pescoço e minhas costas doíam devido à posição em que dormi, mas não poderia deixá-la sozinha. Nem por um segundo.

Acordo e me espreguiço, sentido minhas juntas estralarem. Vejo que ela ainda dormia, seu rosto estava com uma feição tensa, talvez ela esteja sentindo as dores dos ferimentos.

Mas não era para menos, ela tinha arranhões e escoriações em todo seu corpo, além da perna esquerda quebrada e... um enorme corte nas costas.

Meu corpo estremece ao lembrar daquela noite, a noite a qual fui dominado completamente pela insanidade e acabei ferindo a pessoa que tentei proteger. Meio irônico, não?

- S-Soul? – Ouço uma voz doce e fraca chamando meu nome, ela havia acordado.

- Maka! Está se sentindo bem?

- E-estou... Não se preocupe. Já faz quanto tempo que estou aqui?

- Faz uns dois dias, mais ou menos. Certeza que está bem? Está pálida.

- Já disse para não se preocupar...

Eu ia contestar, ela estava pálida de mais, sua aparência parecia exausta e estava começando a suar frio, mas antes que eu pudesse dizer algo alguém bate na porta e entra em seguida.

- Olha só quem acordou! Já estava considerando a ideia de te dissecar e usar seu corpo para pesquisas, Maka.

- Professor Stein... – Digo, suspirando em seguida.

- Já que acordou, vamos ver como está. Soul ajude-a a se sentar.

Assim o fiz, e percebo que em certo momento, Maka morde o lábio inferior enquanto cerra os olhos.

- D-desculpe, Maka.

- Não... Está tudo bem!

- Sente alguma dor, Maka? – Stein pergunta.

- Não.

- Sim! – Contrario. – Ela é teimosa de mais para admitir, mas está na cara que sente.

- Entendo... Bom, vou dar uma olhada nas suas costas Maka.

Assim que Stein ergue parte da blusa da Maka para ver o ferimento nas costas, meu corpo fica tenso. O ferimento está enfaixado, mas Stein retira as faixas para analisá-lo e é neste momento que náuseas tomam conta de meu corpo.

Não posso acreditar no que fiz à ela, no que fiz à Maka.

O corte ia do ombro esquerdo até a cintura do lado direito de seu corpo, formando uma diagonal, ele ainda sangrava e estava meio roxo.

Meu coração se aperta ao vê-lo.

- Apesar de ainda sangrar, o corte não é muito fundo, ficará uma cicatriz, mas será bem menor do que a do Soul. Porém você perdeu muito sangue, Maka. Ainda deve estar se sentindo tonta, terá que descansar mais um tempo antes de receber alta. Além disso, sua perna está quebrada.

- Viu Soul? Eu disse que estava bem! – Maka diz, sorrindo amavelmente em seguida.

Como você consegue ser tão doce Maka?

Como consegue sorrir deste jeito para mim?

Eu sou um monstro.

Por que você não enxerga o que te fiz?

Mas eu te prometo Maka... Prometo que ficarei mais forte para protegê-la cada vez mais... Protegê-la de todos os males que possam te afetar e, principalmente, protegê-la de mim.

Suas costas... Eu imploro que me perdoe, porque eu mesmo não conseguirei me perdoar.

Abaixo minha cabeça e sussurro num tom quase que imperceptível:

- Me perdoe... Maka.

Maka P.O.V

Juro ter ouvido a voz do Soul pronunciando meu nome.

Olho para ele e vejo que está de cabeça baixa, penso em perguntar se ele havia me chamado, mas antes que eu pudesse falar algo ele levanta o rosto em minha direção e faz aquele sorriso.

Aquele sorriso que alegrava meu coração.

Aquele sorriso que me aquecia.

Aquele sorriso que só ele sabia fazer.