O encontro entre Lizzy e o Sr. Darcy

Já era tarde quando o último funcionário deixou o escritório, estava as vésperas de um importante julgamento e decidira permanecer ali até aquele horário, sem se dar conta de que o Sr. Darcy ainda estava por lá, trancado em sua sala. Sentado numa confortável poltrona, apenas com os abajures acesos, tentava relaxar enquanto lamentava não ter estado ali, durante o dia, para reencontrar Lizzy. Tinha notícias de que voltara a trabalhar, com o mesmo entusiasmo de antes, ainda que não fosse mais ocupar o cargo de estagiária. Sentia-se exausto com a viagem e bastante preocupado com as recentes notícias que recebera, ainda que tentasse ordenar todas as coisas em sua cabeça. As negociações de venda da mineradora a um grupo alemão, que há muito havia manifestado interesse em adquiri-la, foram concluídas em menos de duas semanas, tempo demasiadamente curto considerando todos os tramites da transação. Envolvido freneticamente com todos os detalhes do processo, Sr. Darcy permanecera ocupado demais enquanto esteve na Alemanha, no entanto, a venda da mineradora, lhe rendera bons lucros e, ainda, possibilitava retomar a sua vida no escritório de advocacia, que era o que mais desejava, naquele momento. Aliviado, em parte, com o sucesso da transação e, principalmente, por não ter mais a obrigação de dedicar-se a tal negócio, lembrou-se do telefonema que recebera da psiquiatra, naquele início de noite, logo após ter chegado ao escritório. Aquela notícia o deixara bastante frustrado e infeliz, por não ter terminado como planejara. Relaxadamente, ainda sentado em sua poltrona, jogou a cabeça para trás de modo que ficasse a observar o teto, onde se refletiam as luzes indiretas dos abajures. Assim ficou por alguns minutos. Com a cabeça vazia, até começar a relembrar sua última tentativa em fazer George ter uma vida mais digna, principalmente, para poder participar, de alguma forma, da vida do filho que estava por nascer. Na verdade, sabia que sua frustração maior seria em não poder mostrar a Lizzy tudo que havia feito. Era por ela, não por ele. Não que quisesse o seu mal, mas sabia que George já havia ganho todas as oportunidades possíveis para seguir uma vida menos dramática. Poucas semanas, após tê-lo resgatado de uma situação bastante complicada, a qual acabou sendo preso ao envolver-se numa briga no bar onde frequentava, Sr. Darcy solicitou ajuda profissional ao chamar sua amiga e psiquiatra para o caso. Com o respaldo da Sra. Wickham, decidiram interna-lo numa clínica de tratamento, onde o objetivo maior era fazê-lo livrar-se do alcoolismo. Após pouco tempo, parecia ter se adaptado bem a nova rotina, havia se tornado uma nova pessoa, falava constantemente que gostaria de rever Lydia e, até mesmo, em fazer parte da vida do filho. Todos estavam surpresos com a recuperação e evolução que ele vinha apresentando, no entanto, repentinamente, desapareceu da clínica e, até aquele momento, ninguém tinha notícias sobre seu paradeiro. Isso explicava os vários telefonemas que a psiquiatra fizera durante todo o dia.

Naquele momento, Sr. Darcy estava convencido de que falhara novamente com George, sabia que não conseguiria ter o final que tanto desejara. No fundo, transformá-lo numa pessoa melhor, que pudesse ao menos assumir suas responsabilidades como pai, era apenas um pretexto, ainda que o fizesse muito satisfeito. A motivação maior estava em mostrar para Lizzy o quanto era capaz de fazer para deixa-la feliz. Sabia o quanto significava para ela ter George ao lado de sua irmã, não como um casal, apenas fazendo o papel de pai. Havia, ainda, um problema maior, em dizer a sofrida Sra. Wickham, a verdade sobre o desaparecimento de seu filho. Tal situação chegava a lhe partir o coração.

Logo ao chegar ao escritório, na manhã seguinte, Lizzy foi comunicada de que teria uma reunião com o Sr. Darcy, no início da tarde. Muito aguardada por ela, essa seria uma conversa muito importante, a qual seriam definidas suas novas responsabilidades. Ao tomar conhecimento de que o Sr. Darcy se encontrava no escritório, sentiu-se vibrante, lamentando-se, em seguida, por não ter caprichado mais no visual. Lembrou-se da última vez em que esteve com ele. Era natal e ainda estava internada no hospital. Ele apareceu no quarto, vestindo uma roupa causal, aparentando ter saído a pouco do chuveiro. Exibia o rosto bem barbeado e o cabelo perfeitamente penteado. Ainda que todos comentassem de sua surpreendente recuperação, sabia o quanto estava abatida, muito diferente do que ele estava acostumado a ver. Recordava-se, ainda, o quanto isso a incomodou naquele dia, esperando agora, causar uma boa impressão, quase um mês depois.

O tempo parecia se arrastar vagarosamente por toda a manhã, enquanto Lizzy se esforçava em manter a concentração na leitura que fazia. Estava muito ansiosa em poder discutir sobre sua carreira no escritório e, mais ainda, em revê-lo. A todo momento se via ensaiando falas e discursos e, principalmente, algumas palavras de agradecimento por tudo que fizera por ela. Quando chegou a hora do almoço, Charlotte logo percebera o quanto nervosa Lizzy estava. Sequer conseguia comer a pouca quantidade de comida que havia colocado em seu prato. Muito empolgada, Charlotte tentava lhe contar sobre os planos que havia feito com William e, somente quando mencionou a intenção de deixar o escritório, foi quando Lizzy, de fato, parecia ter despertado. Mesmo com tantas novidades a saber, preferiu apressar-se para subir, a fim de preparar-se para encontrar com Sr. Darcy. Algum tempo depois, Lizzy foi chamada. Seguiu para o andar de cima, petrificada, sentindo um frio na barriga, o qual nunca antes sentira. Tentava conter, sem hesito, a estranheza que sentia. Foi quando reparou a ensolarada tarde que fazia lá fora, através do brilho intenso que refletia no vitral colorido que acompanhava todo o trajeto da escada. Estava um dia muito agradável. Essa sensação parecia tranquiliza-la, no entanto, ao se aproximar da sala sentiu aquele frio na barriga lhe dominar novamente. E, era uma sensação que só fazia aumentar a cada passo que dava. Respirou fundo, com os olhos fechados e preferiu bater, antes de entrar. Lá de dentro, escutou ele dizer, em voz alta, que podia entrar.

Ele a esperava, bastante ansioso e curioso sobre seu estado. Sentado em sua mesa, assim que Lizzy entrou, levantou-se para saudá-la. Muito elegante, vestia um terno escuro de alfaiataria italiana, o que o tornava, dentro daquele cenário deslumbrante e luxuoso, algo intimidador, senão fosse pelo sorriso acolhedor que demonstrava em seu rosto. Com uma voz doce, cumprimentou-a, enquanto a observava, sem querer disfarçar sua emoção. Logo, sentiu-se admirado, ao perceber o quanto ela havia se recuperado do incidente. Ainda que Lizzy se esforçasse para sentir-se mais confortável diante de sua presença e de todos aqueles detalhes que tornavam o ambiente algo majestoso e impressionante por sua beleza, sentia-se atemorizada com a situação, principalmente, com o fato de notar a admiração que havia no olhar do Sr. Darcy, ou ainda, um pouco mais do que isso. Enquanto se acomodavam nas poltronas da pequena e aconchegante sala de estar, um profundo silêncio tomou conta do ambiente, cada qual tentando administrar, da melhor maneira possível, seus pensamentos, temores e emoções. Ainda demorou alguns segundos até que o Sr. Darcy começasse a falar:

- É muito bom vê-la. Quer dizer, vê-la recuperada.

- Sim, faz quase um mês que sai do hospital, desde então, estou me cuidando bem. – disse ela, ainda muito nervosa.

- Por favor, fique à vontade. Se preferir podemos nos sentar à mesa. – sugeriu ele, percebendo o quanto ela parecia estar aflita.

- Não se incomode, podemos ficar aqui. – disse ela. – Está tudo bem. – continuou, tentando convencê-lo de que estava bem.

Sr. Darcy sabia que deveria começar a conversa, porém ainda estava a admirá-la, sem concentrar-se direito em seu discurso. Foram alguns longos segundos, até que começasse a explicar sobre a sua viagem à Alemanha, a sua decisão em retornar ao escritório e seus planos profissionais. Aos poucos, tudo parecia fluir naturalmente, como se houvesse intimidade suficiente entre eles, considerando o quão reservado era com todos. Enquanto falava, Lizzy parecia acalmar-se e, até, podia observá-lo com mais nitidez, como nunca feito antes. Sem dizer muitas palavras, permaneceu ali, ouvindo e descobrindo seu lado sereno e inteligente, ainda que conseguisse enxergar sua alma, boa e pura, assim como havia imaginado. Admirava-o mais do que nunca, naquele momento e, sem perceber, sua feição demonstrava verdadeiramente o que estava sentindo.

Muito tempo se passou, até que, finalmente, fosse iniciada a conversa sobre o novo cargo e as responsabilidades que Lizzy teria no escritório. Sr. Darcy discursou longamente, com segurança, como se conhecesse o que, de fato, a interessava. Por um breve momento, por conta de alguns trechos que havia mencionado, Lizzy ficou bastante impressionada com a proximidade que havia com a sua própria maneira de pensar e, mesmo, com o que havia defendido em seu trabalho na faculdade, sem desconfiar o quanto ele esteve atento, durante todo o tempo, em saber mais e mais sobre ela. Logo, ela iniciou a falar, primeiramente, de seus planos, do interesse que tinha em prosseguir com seus estudos e, concluiu, o quanto estava surpresa com a precisão e percepção, o qual ele havia descrito suas aptidões e preferências.

Trancados na sala há horas, nenhum dos dois percebera o quanto de tempo havia se passado. O ambiente luxuoso e imponente já não intimidava Lizzy, que sentia-se à vontade, sentada na poltrona de camurça macia e confortável, discursando. Apesar do assunto não ultrapassar, em momento algum, seu propósito inicial, a empatia entre eles e os olhares apaixonados que trocavam faziam daquela tarde algo mágico, que ambos, igualmente, não queriam que terminasse. Sr. Darcy olhava para o relógio lamentando-se por estar tão próximo do horário de Lizzy partir, isso significava o término daquela aproximação prazerosa, a qual nunca havia vivido ao lado dela. Seu desejo era permanecer ali, por mais horas, ouvindo-a contar sobre seus sonhos e seus ideais, suas experiências e histórias interessantes, descobrindo a cada minuto, o quanto era perfeita aos seus olhos e o quão estava apaixonado por ela. Alguns minutos ainda se passaram até que que ele olhasse novamente para o relógio. Era perceptível, não só para ele, que haviam passado a tarde inteira dentro daquela sala, o sol já não brilhava mais com tanta intensidade, a claridade do dia parecia ter se recolhido. Desejava mais do que tudo ter a companhia de Lizzy pelo resto da noite, imaginando que seria tempo suficiente para contar-lhe o quanto a amava, nada havia mudado em relação aos seus sentimentos, ou melhor, havia sim. Sentia-o ainda maior. Enquanto ela se levantava e seguia, vagarosamente, em direção a porta, comentando, bastante descontraída, sobre a rapidez com que as horas haviam passado, prometia avaliar, com mais atenção, a proposta de trabalho que haviam conversado, mesmo que estivesse muito satisfeita. Ao ver que ela abrira a porta da sala, despedindo-se, um súbito desespero lhe tomou conta, manifestando-se com a primeira ideia que lhe veio à cabeça.

- Posso te oferecer uma carona? – perguntou ele, quase sem pensar. - Quer dizer, posso leva-la se quiser, assim terei um bom pretexto para sair no horário. – explicou-se, sorrindo.

Surpreendida com a atitude do Sr. Darcy, era tudo o que mais queria, prolongar a oportunidade de estar junto a ele. No entanto, sentiu-se certo constrangimento em aceitar:

- Bem, a semana inteira, meu pai insistiu em ser meu motorista, exceto hoje, porque o proibi. Gostaria de lhe mostrar que sou capaz, de agora em diante, de ir e voltar sozinha. Acho que seria uma ofensa a ele, se aceitasse sua carona.

- Certamente. – respondeu ele. - Mas, a intenção em leva-la para casa não é a mesma usada pelo Sr. Bennet. Eu acredito, verdadeiramente, que seja capaz de se locomover sozinha pela cidade.

Lizzy permaneceu a sua frente, surpreendida, ainda mais, com a rapidez de suas palavras, sem ao menos, imaginar uma resposta.

- Faça esse favor por mim! – insistiu ele, em tom de brincadeira. – Você é meu pretexto para que eu possa sair agora daqui, caso contrário, ainda terei que receber os outros em minha sala.

Os dois sorriram, descontraídos. Lizzy virou o rosto em direção ao hall, onde pode observar Charlotte ao telefone. Em seguida, voltou a olhar para o Sr. Darcy, sorrindo novamente, até concordar em aceitar a carona. Ambos pareciam irradiantes com a decisão. Rapidamente, se aprontaram e quando Lizzy, finalmente, surgiu na porta de entrada do escritório, Sr. Darcy já aguardava-a, dentro do carro.

Enquanto dirigia, mal conseguia acreditar que ela estava lá, sentada ao seu lado. Notava-se certa alegria em seu rosto, o que fazia com que se sentisse seguro em lhe fazer um novo convite:

- O que acha de jantarmos?

- Agora?

- Sim. Acho que estou com fome. – disse ele. – Já faz algum tempo que não sento numa mesa e faço uma boa refeição. Seria perfeito se me acompanhasse, o que acha?

- Bem, pra dizer a verdade, também sinto fome. Estava um pouco ansiosa com a nossa conversa, então mal toquei no prato na hora do almoço. – contou ela, demonstrando um pouco de timidez com a revelação.

- Isso é um sim?

Lizzy sorriu, acenando com a cabeça um sinal positivo.

Muito satisfeito, logo ficou a imaginar onde a levaria, enquanto seguia com o carro sem destino certo. Precisava de um lugar que a encantasse, nada muito requintado, sabia que não era isso que iria impressiona-la. Ainda que conhecesse os melhores lugares da cidade, achava que nenhum deles combinava com o momento maravilhoso que estava vivendo, naquele início de noite. De repente, quando o carro havia avançado próximo ao parque do Ibirapuera, Lizzy interrompeu o silêncio, dando uma sugestão:

- Que tal irmos ao parque?

Sr. Darcy surpreendeu-se, de imediato, com a ideia, no entanto, logo em seguida, lhe pareceu ser o passeio perfeito.

- Há um restaurante, nada muito sofisticado, como sei que está acostumado. – disse ela.

- Ei! – exclamou ele, chamando a atenção de Lizzy. – Não sou do tipo que só come pratos sofisticados, também aprecio uma boa comidinha caseira.

Lizzy começou a rir, em tom de gozação, sabia que aquela afirmação não era verdadeira.

- Vamos lá, qual é a comidinha caseira que gosta?

- Arroz, feijão e um belo ovo mexido, por exemplo.

- Bem, na verdade, isso é bem simples, mais do que eu podia imaginar. – disse ela, quase convencida. – Então, posso te apresentar a uma iguaria que costumava comer quando vinha ao parque. – sugeriu ela, desafiando-o.

Lizzy se divertia com a possibilidade de estar assustando o Sr. Darcy, no entanto, diferente do que aparentava, ele não estava nem um pouco preocupado com as ameaças dela, na verdade, estava achando tudo muito divertido e prazeroso. Em meio as risadas de Lizzy, o carro adentrou as ruas do parque. A noite estava iluminada pelo brilho da lua cheia que aparecia imensa no céu, o clima agradável tornava a ideia de Lizzy a mais perfeita.

- Acho que podemos deixar o carro aqui e continuar a pé, o que acha? – sugeriu ele.

- Boa ideia. – respondeu ela, bastante satisfeita.

Antes de iniciar a caminhada, Sr. Darcy achou melhor tirar o paletó e a gravata, deixando-os no banco de trás do carro. Havia poucas pessoas transitando pelo parque, algumas passeavam de bicicleta e alguns casais namoravam à beira do lago. Os gritos e as risadas das crianças que brincavam nos balanços próximos dali, quebravam a atmosfera silenciosa e tranquila do parque, naquele início de noite, ainda que ouvia-se, ao fundo, o barulho dos carros que passavam pelas avenidas em torno do parque. Os dois caminhavam tranquilamente, pareciam eufóricos com a aventura e tentavam desfrutar o máximo possível.

- Costumava vir ao parque todos os finais de semana quando era pequena. – contou Lizzy. – Tenho muitos retratos por todos aqueles brinquedos. – disse ela, apontando para onde estavam as crianças. – Lembro que Jane tinha medo de entrar naquele túnel, aí eu a ajudava, pegava em sua mão e íamos juntas até o outro lado.

- Parece que consigo vê-la fazendo isso. – comentou ele.

- E você? Onde costumava brincar na infância?

- A casa onde morava e moro até hoje havia um parquinho, não como este, mas tínhamos balança, escorregador, gira-gira e um pequeno espaço onde jogávamos futebol, tinha também um tanque de areia, onde minha irmã adorava brincar. – contou ele. – Diferente de você, eu costumava sair da piscina e destruir os castelinhos de areia que ela passava horas fazendo.

Lizzy estampou em seu rosto tamanha indignação com o que acabara de ouvir: - Pobre Georgiana, ter um irmão assim, tão cruel!

- Eu sei que fui terrível, mas depois eu até ajudava ela a reconstruir sua cidade de castelos.

- Também consigo imaginá-lo fazendo tamanha maldade. – comentou ela. Em seguida, perguntou: - Não está curioso em saber o que iremos comer?

- Até o momento, pra dizer a verdade, não estava tão preocupado, mas confesso que você está conseguindo me deixar curioso, até porque, não estou certo que haja alguma coisa funcionando nessa direção. – disse ele, apontando para frente, onde parecia não haver nada.

Caminharam por mais cinco minutos, até avistarem uma pequena claridade no meio do parque. Havia várias pessoas em volta de um pequeno carrinho de cachorro quente, onde um senhor bastante simpático, preparava os sanduiches, de maneira bastante especial, em meio a conversas animadas e bastante bom humor. Logo que Lizzy se aproximou, foi reconhecida, de imediato, pelo vendedor, que muito animado a recebeu:

- Minha filha, há quanto tempo não a vejo? Está ainda mais bonita! E seu pai, por onde anda?

- Boa noite! É um prazer estar aqui novamente, eu e meu amigo estamos famintos, precisamos de dois bem caprichados! Meu pai está bem, certamente, quando souber que eu estive aqui, vai ficar muito zangado por eu não tê-lo convidado.

- Haverá outras oportunidades, hoje você está muito bem acompanhada.

Lizzy olhou para o Sr. Darcy, concordando com as palavras do simpático velhinho, porém sem manifestar-se.

- Sentem-se naquele banco, levarei o lanche para vocês em um minuto.

Eles seguiram até o banco e sentaram-se lado a lado.

- Então era isso? – perguntou Sr. Darcy.

- Você não imaginava comer cachorro quente.

- Confesso que estava preocupado em não ter nada para comer por aqui. Até que não é uma má ideia.

- Este senhor trabalha aqui, acredito eu, desde a inauguração do parque, vendendo cachorro quente. Acredite, não é um simples cachorro quente, além disso, há toda essa linda paisagem para apreciarmos. – disse ela, bastante empolgada.

Não demorou muito até que o senhor entregasse a eles os lanches. Lizzy aguardou até que o Sr. Darcy desse a primeira mordida.

- Realmente, é muito bom! Melhor do que o de Nova Iorque. Acho que foi lá a última vez que comi um lanche assim.

- Você deve conhecer o mundo todo.

- Não, apenas alguns lugares. Se quer saber, a maioria das viagens que faço é a trabalho. Sempre uma correria, clima tenso, nada prazeroso. – contou ele. - É muito diferente disso aqui. Estar passeando aqui com você está sendo melhor do que tudo.

Eles se olharam profundamente por alguns segundos, até retornarem a atenção no cachorro quente que estava em suas mãos.

- Sabe, amanhã irei almoçar na sua casa.

- Serio?

- Sim, Georgiana me convidou.

- Não estava sabendo disso? Será que vou ser convidado?

Lizzy sorriu.

- Não olhe para mim, sou apenas uma convidada.

- Normalmente, o convidado tem direito a levar um acompanhante. – lembrou ele. – Mas, tudo bem, eu já entendi. Ainda bem que eu conheci esse lugar, será que ele trabalha na hora do almoço?

Ele deixou a cara séria de lado e observava Lizzy divertindo-se.

- Não tive tempo de falar com Georgiana ainda. Fico muito feliz de vocês estarem se dando bem e, mais ainda, em recebe-la em nossa casa.

- Obrigada. Georgiana é uma garota muito esperta e muito gentil também. Ela foi me visitar enquanto esteve viajando, passamos uma tarde muito agradável lá em casa. – contou Lizzy, enquanto Sr. Darcy a escutava, admirado com a notícia. De fato, Georgiana havia gostado de Lizzy, mas discretamente estava tentando dar uma ajuda ao irmão.

Havia passado mais de uma hora até que deixaram o carrinho do cachorro quente, despedindo-se do adorável velhinho e retornando pelo mesmo caminho que vieram.

- Meu pai deve estar preocupado, acho melhor ligar para casa, avisando que está tudo bem. – disse Lizzy, seguindo em direção a um orelhão.

Enquanto isso, Sr. Darcy se aproximou um pouco mais do lago, que parecia maior do que realmente era. As águas calmas pareciam cintilar com a luz da lua e, com um pouco mais de atenção, pode notar que os patos e cisnes descansavam as margens do lago, próximo de onde estava. Quando Lizzy se aproximou, observou atentamente em seu semblante um certo ar de felicidade. Parecia sentir-se bem em estar ali e mal conseguia se lembrar que ele era aquele mesmo homem que há meses atrás despertava toda sua ira e ódio.

- É bom estar aqui com você. – disse ela, repentinamente, com um tom de voz baixo e doce, despertando-o daquela paisagem que mais parecia um sonho.

- Você sabe que ainda sinto o mesmo amor que sentia antes. – afirmou ele, olhando-a profundamente.

- Sei. – respondeu ela, sem revelar seus sentimentos.

- Espero que você tenha mudado sua opinião ao meu respeito.

- Sim, hoje é bem diferente do que era naquela época.

Sr. Darcy tocou em sua mão, acariciando-a delicadamente.

- Eu a amo, ainda mais do que quando você me rejeitou.

- Não diga isso. Eu peço desculpas, apenas estava equivocada a seu respeito.

Antes que ela pudesse lhe dar mais explicações, os lábios do Sr. Darcy lhe tocaram e eles se beijaram, apaixonadamente, diante daquele cenário mágico e esplendoroso.