ORDINARY PEOPLE

CAPÍTULO 04 – O JANTAR

-Vamos entrar. Minha mulher está ansiosa por conhecê-lo.

"Como se eu fosse uma atração de circo nova, com certeza."

Ao entrar na casa dos Turks, Vincent teve um choque: era um paraíso para quem gostava de utilizar os sentidos. Cores variadas, móveis e objetos de decoração de vários tamanhos e texturas, sons que variavam de música clássica aos gritos dos rapazes e, claro, os cheiros que vinham da cozinha, de fazer sua boca salivar. Tseng, com a mão no ombro de Vincent, o guiando perguntou:

-Meus filhos me contaram que você desenha. Quer ver a casa primeiro? Acho que você vai ver muita coisa que nós, de tão acostumados, nem vemos mais...

-Depois, queridos, porque eu já coloquei a última travessa na mesa – Uma jovem senhora alta e magra, de bata vermelha, atravessou a cortina de miçangas que separava a sala da copa. – Meninos, o jantar está na mesa! Muito prazer, Vincent Wonder, eu sou Tifa Turk.

-O prazer é meu, senhora Turk.

-Ora, ora, agora já usamos nossa boa educação, podemos nos chamar pelos nomes, certo, Vinnie? Senhora Turk me lembra a minha sogra, que os deuses a conservem com boa saúde mas longe de mim...

Tseng abafou uma risadinha e os passos na escada avisaram que os "meninos" estavam descendo. Reno, Cloud e Zachs acompanharam Valentine e os pais para a copa, mas Tifa franziu a testa:

-Cid?

-Aqui, mãe. Do que adianta ter dois banheiros se o seu irmão que tomou banho antes usa todo o sabonete e não põe outro no lugar? E pior, nem fala nada. –Veio a voz aborrecida por detrás deles.

-Ponha a camisa antes de se sentar à mesa. – recomendou ela.

-Vou por a toalha na lavanderia e já volto.

-Então ponha a camisa ANTES de ir lá também. Com certeza você tomou banho quente e... – mas ele já tinha ido.

Vincent tinha acompanhado o diálogo sem virar a cabeça, pensando que mãe é tudo igual, só muda o endereço, quando Cid passou pelo seu campo de visão. Com a toalha no braço, a camisa pendurada no pescoço. Ele não pode evitar de ficar olhando. A impressão que ele tinha do outro gêmeo Turk era de um garoto meio nerd, que devia ser magrelo e não muito saudável, já que fumava muito. Mas o corpo que passou tinha a musculatura bem definida, era bronzeado, um excelente modelo... Vincent sentiu o olhar de Tifa sobre si e procurou prestar atenção na fala dela:

-Como eu não conhecia os seus gostos, fiz um pouquinho de tudo.

-Eu como qualquer coisa, obrigado.

Vincent comeu pouco, mais porque olhava maravilhado para os detalhes do galheteiro de Tifa, onde cada peça era trabalhada, seus enfeites orientais na parede, o lustre de juta, o desenho intrincado da renda da toalha da mesa... Enrubesceu quando Tseng mexeu com ele:

-Amor, da próxima vez, vamos comer na varanda, para que o Vinnie possa comer sem se distrair com a casa.

-Deixe ele em paz. Ele é sensível, está sendo uma festa para seus sentidos. Deixe-o absorver o quanto puder.

Outro que não conseguia comer muito era o Fire. Ele estava impressionado com Vincent, acompanhando meio que disfarçadamente os bons modos do garoto à mesa, podendo ver com calma os detalhes dele, que em classe a irritabilidade do outro não permitia. Reno percebia, enfim que Vincent tinha a pele tão clara quanto ele, mas o cabelo escuro destacava a palidez. As mãos eram de dedos longos e as unhas compridas estavam pintadas de preto. "Que inveja, ele não rói nenhuma..." Novamente ele se via atraído pelos olhos, de cílios compridos. Mas agora ele notava a boca de Vincent, uma boca de lábio inferior carnudo, boa para uns beijos, boa para morder...

-RENO!

O menino deu um pulo e ficou da cor do cabelo, antes de se virar para a mãe.

-Bem vindo de volta ao planeta Terra! Vai querer sorvete ou fruta de sobremesa?

-Fruta. – ele se abaixou na direção do irmão mais velho.- Perdi alguma coisa?

-Enquanto você estava secando o Vincent? – respondeu Zachs, de canto de boca. – Não.

Reno olhou mortificado para ele. Achou que estava sendo discreto, mas um olhar para os gêmeos confirmou a desgraça. Ia ouvir muita gracinha na hora de dormir, hoje. Depois da sobremesa, Tseng pediu aos rapazes que mostrassem a casa ao convidado. Tifa retrucou, enquanto tirava a mesa:

-Deixe que Reno faça isso, afinal não é dia dele ajudar na louça mesmo...

-Oh, sim! – ecoaram os irmãos. – Deixa Reno acompanhar o Vinnie até o quarto... – e caíram na gargalhada.

Vincent ficou meio perdido, ainda mais que o Fire estava parecendo mesmo uma tocha humana de tanta vergonha. Cid mostrou novamente que era o vento calmo da casa, enquanto encaixava os dois debaixo dos braços e tirava o caçula do embaraço.

-Também não é meu dia de ajudar na cozinha. Venha, Vin.

O moreno demorou uns bons minutos pra subir a escada, encantado com os enfeites no caminho. Depois pelas fotos na parede. Ele se sentiu acanhado em ficar perguntando, mas Reno e Sidney foram mostrando de qualquer jeito.

-Esta é a vó Turk, mãe do papai. Esta é a tia Shera, irmã da mamãe. Estes são os insuportáveis filhos dela, Kadaj e Yuffie e este é o supra-sumo da bestialidade humana, nosso tio Lost.

-Você tem um tio chamado Lost?

-O nome dele é Lozschider. – Vincent fez uma cara de desgosto e Cid riu – É, ele também não gosta muito desse nome e prefere abreviar pra Loz. Só que é um cara perdido no tempo e no espaço, então apelidamos ele de Tio Lost.

Reno abriu a porta e Vincent não acreditou quando entrou no quarto dele. Era enorme. E percebeu que a porta mais adiante no corredor dava no mesmo quarto. Cid explicou:

-Quando a gente era pequeno, dormia no mesmo quarto, em outra casa. Daí papai resolveu que ia mudar pra uma casa maior e talz.

-Mas a momis não queria que a casa tivesse cinco quartos, porque ia desenvolver individualidade, egoísmo, etc. Então o pai achou esta com três quartos.

-E nós pedimos pra reformar os dois quartos assim, sem a parede no meio. Os beliches são desmontáveis, podemos mudar a decoração do quarto como quisermos.

Vincent ainda estava atordoado. Ao mesmo tempo que era um quarto conjunto, conseguia ser um espaço individual pra cada um. E viu uma lança e espadas no canto.

-Ah, aquilo? – Cid acompanhou o olhar do moreno. – Idéias de nosso pai de como manter a disciplina com quatro filhos diferentes: por todos na academia pra aprender kung fu.

-Vocês lutam kung fu?

-É uma arte marcial muito interessante... Convencemos a chata da Jenova, nossa diretora, a colocar para o conselho administrativo a idéia de ter kung fu na escola. Você deve ter visto o cartaz no mural, vai ter um instrutor este ano.

-E nós vamos nos apresentar pra mostrar aos manes como daqui há alguns anos, com treino e prática, eles podem TENTAR ser como a gente...

-Modesto... – sorriu Cid.

"Ah, é daí que vem os músculos deles, então." Vincent pensou e sentiu suas bochechas esquentarem de novo.

-Vocês... – o moreno limpou a garganta, procurando pela voz. – Vocês me deixariam ver um treino? É que... é que eu sempre procurei modelos vivos pra aprender a desenhar a forma humana em movimento...

-Claro! Vou adorar que você me retrate na minha melhor forma!

Cid olhou para Reno, sorrindo. O irmão estava mesmo apaixonado... Vincent parecia meio arisco, mas os Turks adoravam um desafio. E Vin seria um Turk ou ele não se chamaria mais Sidney Wind. Acompanhou o resto da visita meio distante, deixando Reno tagarelar bastante. Ás dez, Tseng perguntou se Vincent estava querendo ir embora e o garoto se assustou com o horário, que ele nem tinha percebido o tempo passar. Pedindo mil desculpas por ser inconveniente desse modo em sua primeira visita e prometendo voltar mais vezes, ele se foi, deixando uma boa impressão em Tifa, um calor gostoso no peito de Fire, um sorriso no rosto de Cid, um monte de tiradas para Cloud encher o caçula o resto da semana e uma expressão pensativa em Zachs.

N/A: Por que será que Zachs ficou pensativo? E estará Reno apaixonado mesmo por Vincent ou Cid viajou na maionese? Jenova, diretora da escola... affe. Calma, fãs, que o Seph volta no próximo capítulo... E nada de Cloud e Aeris, porque é lindo, mas muito batido. To pensando ainda no que eu vou fazer de diferente com ele... 20/07/06.