ORDINARY PEOPLE
CAPITULO 05 – MUDAR PARA MELHOR...
Vincent entrou em casa atordoado. Eram muitas informações diferentes a serem processadas. Ele queria desenhar as coisas que vira na casa dos Turks. Deu um "drible" em sua mãe ansiosa ("Podemos conversar amanhã? Está tarde, mãe") e foi para o seu quarto, se sentar em sua mesa. Separou as folhas e febrilmente, foi passando para o papel tudo que conseguia lembrar. Até que parou, olhos arregalados, ao ver o que tinha desenhado por último: Cid Wind, sem camisa, toalha jogada displicentemente pelo ombro. Mesmo sabendo que estava sozinho no quarto, olhou pra trás, como se a qualquer momento alguém o flagrasse. Ficou ruborizado, mas continuou desenhando os traços belos e fortes de memória, depois ficou admirando, pensando na voz tranqüila e no sorriso sempre aberto. Com um suspiro, enrolou a folha e escondeu-a. Resolveu ir pra cama, porque o dia seguinte ainda era uma sexta feira.
Na manhã seguinte, passou pelo interrogatório da mãe respondendo o mínimo. Lucrezia esta por demais satisfeita por seu filhote deprê ter socializado com alguém que nem se importou. Anotou na agenda que precisava arrumar uma data para retribuir o jantar. Adam rolou os olhos.
Na escola, lembrou de cutucar o irmão pra entrar no clube de informática.
-Porque? Eu nem gosto de computador...
-Porque eles dão cursos de photoshop, noções de webdesigner... Você pode aprender a desenhar seus fundos no computador... Já pensou fazer desenho animado?
Vin só balançou a cabeça, num sinal de quem ia pensar no caso. E soltou uma coisa que estava em seu inconsciente desde a noite passada:
-Se eu começasse a me exercitar agora, ia demorar muito pra criar corpo?
Sephiroth congelou e pensou uns três minutos antes de responder alguma coisa. Porque aquilo agora?
-Bem, você não é bem o estilo magrelão... – não agüentou e deu um soquinho de leve no ombro do irmão. – Ae, garoto, ta a fim de impressionar umas minas? Ou algum menino? Algum daqueles Turks te passou uma cantada, foi?
-Para com isso, Sephy. Só perguntei, que inferno!
-AAAAAAAAAhh, ficou coradinho... Quem foi, me conta... vaaaaaa, foi o ruivinho? Ou aquele sócio da fábrica de gel? Ta bom, ta bom, eu paro. Se você começar uma academia HOJE, até o final do ano já está com um corpinho definido.
-Não quero esse corpo bombado desses acéfalos. Só queria... Ah, esquece! Que foi, Rufus?
-Como você pode ir jantar primeiro com os Turks e não comigo?
-Porque eles me convidaram antes. – e virando as costas, deixou o garoto boquiaberto.
Mas Rufus queria conquistar Vincent, então foi correndo atrás dele. Rude riu e foi conversando com Sephiroth pelo corredor. Na hora do intervalo, Vincent foi conversar com o monitor do clube de informática e procurou se informar com o professor de Educação Física se podia assistir um pouco do treino de kung fu sem compromisso.
Na saída, começou a procurar Sephiroth para voltarem pra casa e não o achava. Quando ia dar a volta para entrar no ginásio, viu um cabelo comprido meio que escondido e percebeu que ele não estava sozinho. Voltou pra perto da moto, entediado. Encontrou Reno sentado no mesmo banco que da primeira vez. Sentou-se com ele.
-Cadê o Sephy?
-Dando um trato numa menina. E você, porque não foi embora ainda?
-Esperando Zack resgatar Cloud da Jenova. Hoje ela está com o instinto assassino ligado.
-E o Cid? – Vincent esperava que sua voz estivesse no tom mais normal possível.
-Deve estar fumando, esperando que tudo se resolva. Seu irmão ta dando um malho numa menina na hora do almoço? Garanhão ele, não?
-Tem hora certa pra isso?
-Sei lá... acho que à noite, quando ninguém ta olhando, é melhor...
-Experiência própria, Reno?
-Quando se tem uns irmãos curiosos e pé no saco, o melhor é fazer escondidinho...
Vincent não falou nada. Nem sabia porque a conversa estava tomando esse rumo. Aliás, porque ele estava conversando com Reno? Não deu outra. O assunto virou pro lado pessoal... dele.
-E você? Namora à luz do sol? Ah, claro que não, vampiros só namoram à luz do luar...
-...
-Hey! Vai me dizer que você nunca namorou? Ai, droga. Tudo bem, não é um bicho de sete cabeças... Mas beijar você sabe, né?
-Sephy! – Vinnie respirou e dando um pulo, acenou para o irmão, que vinha quase correndo em direção à ele.
-E aí, Reno? Ih, cara, esqueci de você. Foi maus. Vambora, então?
"Com aquela boca, ele nunca beijou ninguém? Ah, eu vou ter o maior prazer em ensinar, Vinnie... você não perde por esperar."
Durante os próximos quinze dias, Rufus não deu trégua, até conseguir almoçar com Vincent. E fez que fez até levar um desenho dele para o pai ver. Reeves ergueu uma sobrancelha.
-Sim, não é apenas uma empolgação sua. O seu amigo tem talento.
-E ele vai começar a desenhar a figura humana daqui pra frente. Já pensou? Poderíamos gravar um comercial pra Shin-ra feito em desenho. Seria algo diferente! Ganharíamos até um prêmio da Associação de Publicidade e Propaganda!
Rude entrou nessa hora e mexeu com o caçula:
-Ta aloprando de novo?
-Pelo menos ele se interessa pela empresa que vai herdar e...
-Bla-bla-bla. Se você já tem um mini-empresário interessado na sua frente, poderia me deixar em paz, não?
-Ruderick Shin-ra! Por que você tem que ser tão desagradável na maioria das vezes?
-Porque eu sou Rude até no nome! – riu ele. – A mama pediu pra chamar vocês pra jantar. E eu sou o sonho de consumo de um monte de pais, fique sabendo. Nem todo mundo precisa ter uma registradora no lugar do coração pra ser feliz, fiquem vocês sabendo.
-Obrigado pela informação, Rude. Ela será muito útil num futuro próximo... digamos, no próximo final de semana, quando você for pedir dinheiro pra balada.
-Ae, velho. Ta aprendendo. Mas pelos próximos seis meses, não vou ter que te pedir dinheiro, sabia? Eu não gastei todo o dinheiro da viagem e ainda ganhei um pouco mais me apresentando com a Equipe Rocket. – Apontou os dois polegares pro pai e saiu gargalhando na frente.
Reeves fez uma cara tão desapontada, que Rufus bateu no braço dele.
-Vai tentando, papis. Vai tentando. Um dia, você vai vencê-lo! Eu confio em você...
Depois que Rufus viu os desenhos de Vincent e fez também uma propaganda básica na escola, Vin percebeu que, ao contrário do pessoal do 1º. Grau, o povo do colegial não estranhava que ele fosse um desenhista. Até pediam para servirem de modelos. Reno estressou:
-Não! Quem vai ser o primeiro modelo do Vinnie sou eu! Bando de oferecidas. Até pra posar pelada já se ofereceram...
-Com inveja, Fire? – Cloud deu sua cutucada.
-De uma menina querendo sair "igual a Rose do Titanic"? – fingiu por o dedo na garganta. – Coisa mais brega. Sem contar que a cantada é daquelas bem fuleiras.
Vincent, que estava arrumando os lápis, parou e olhou para o ruivo.
-Cantada?
-Ai, Vinnie, de que planeta você caiu? Cantada, sim. A menina ta com segundas intenções contigo, meu camaradinha.
-Posar nua? Terceiras e quartas, pra falar a verdade. – riu Zacks.
Cid jogou o cigarro no chão, apagou com a ponta do pé, depois jogou no lixo. Soprou a fumaça pra cima e convidou:
-Vamos começar a treinar?
-Ah, Vincent, seu irmão disse pra você se alongar com a gente. Ele disse que você sabe porque.
-Porque, hein? – Reno piscou um de seus belos olhos azuis pra ele. – Precisa estar flexível pra pintar alguma modelo mais fogosa?
Vincent nem respondeu, mas sentiu as bochechas arderem. Largou as folhas e os lápis e foi pra junto dos Turks. Fez toda a série de alongamentos, uma hora sendo par com Cloud, as vezes com Reno, quando a situação pedia. Antes que ele se sentasse, Cid fez sinal para os irmãos começarem sem ele e puxou Vincent pra fazer alguns exercícios simples de Tai chi. Quando o instrutor de Kung Fu entrou, os Turks já estavam aquecidos. Vincent pode, então, se sentar e ir desenhando tranquilamente. Nem tão tranqüilo, porque ele queria mesmo ficar de olho somente numa pessoa, que fazia seu coração disparar, em seus movimentos felinos.
Ao término do treino, ele desceu de novo para se alongar mais um pouco. Aquilo ia acabar doendo, mas ele sabia que Sephy o estava acostumando a um pouco de exercício físico.
Reno resolveu ousar:
-Hey, Vinnie, já fez meu retrato?
-Eu... estou apenas esboçando, Reno. Não to muito acostumado com a figura humana... muito menos em movimento...
-Deixa eu ver pelo menos o esboço?
-Hum... ham... olha, não espere muito agora...
-Nossa, cara, vai melhorar ainda?
-Eu espero que sim... – Vincent falou baixinho, recolhendo o material.
Deixando os irmãos saírem na frente, Reno ajudou o moreno com as coisas e segredou pra ele:
-Vamos fazer um trato, então. Você faz um desenho caprichado meu e eu te ensino a beijar.
Vinnie ficou paralisado. Que tipo de acordo era aquele? Mas como no dia do jantar, topou num impulso. Reno ficou hiper mega feliz.
-Eu te aviso quando e onde. – O Wonder só concordou com a cabeça.
N/A: Que tipo de acordo é esse? Acordo de gente esperta, com certeza. Adoro o Reno. Ta na hora dos primos aparecerem, pra tirar o sossego dele. No próximo capítulo então, Kadaj...e Yuffie. Apertem os cintos. 03/08/06.
