ORDINARY PEOPLE – CAPITULO 06

FAMILIA, FAMILIA…

Vincent não queria demonstrar, mas andava nervoso com aquela história de aula de beijos. Mas se no final não passasse vergonha com Cid, valeria a pena...

Sephiroth também notou uma certa mudança no caçula, que não mais desviava os olhos e saía correndo quando o via namorando. Agora ele pegava o irmão disfarçadamente o observando. "Ele está tentando aprender alguma coisa? Será que está acontecendo alguma coisa? Ou já aconteceu? Err..."

Com a sutileza peculiar a todo irmão mais velho, parou o garoto na escada um dia:

-Hey, morcego, você está comendo alguém? Ta usando camisinha e talz?

Só ouviu a porta do quarto batendo. Resolveu conversar com o pai, que balançou a cabeça:

-Você perguntou assim, na lata?

-Ué, porque não? É meu irmão, não minha irmã virgemzinha.

-Sephy, algumas pessoas tem mais pudores que outras, independente do sexo. Mas eu vou perguntar a ele, de uma outra maneira.

-Por favor, né? Esquece a parte do médico e professor, certo?

-Esta me dizendo que eu não sei ser pai do meu filho?

-Estou lhe avisando pra não ser didático.

Foi constrangedor, de qualquer forma. Vincent negou que estivesse sequer saindo com alguém, mas acabou confessando que sim, estava se interessando por outra pessoa. Jurou tomar todo tipo de cuidado e fugiu pra casa dos Turks, entendendo porque havia tantas histórias de fratricídio por ai.

Reno não estava menos ansioso. Ah, pensar naqueles lábios... Aquele dia era perfeito. Seu pai estava trabalhando, seus irmãos estavam cuidando de suas próprias vidas e sua mãe tinha ido pra casa de sua tia. Foi só dizer que ia estudar com o Vincent pra conseguir ficar em casa e voilá: sossego!!

Quando o objeto do seu desejo chegou, ofegante e ainda com as bochechas coradas do constrangimento em casa, Reno não conseguiu pensar noutra coisa que não fosse atacar aqueles lábios carnudos. E com toda sua impulsividade posta à prova, foi isso mesmo que ele fez, tão logo colocou Vincent pra dentro de casa. Prensou o garoto na parede e cobriu os lábios dele com os seus. O moreno, pego na surpresa, abriu a boca pra protestar, o que facilitou ainda mais para o ruivo, que já enfiou uma língua atrevida dentro.

Foi aí que a luzinha vermelha se acendeu no cérebro de Reno Fire: "Devagar, imbecil. Se ele assusta, não volta mais." E muito a contragosto ele soltou Vincent, que tinha fechado os olhos e tentava respirar depois de tudo. Quase que Reno mandou tudo à merda e atacou novamente o amigo. Mas se controlou e bateu no ombro de Vincent:

-Você não está preparado pra nada, mesmo. Um beijo de surpresa te tira do sério.

Vincent abriu os olhos, respirou fundo e perguntou:

-Você estava me testando, então?

-Claro! Eu sou um bom professor, cara. Preciso saber do potencial dos meus alunos...

-E eu tenho potencial, Reno?

"Vixe, cara, nem te conto..." – Precisa ser trabalhado, Vinnie. Mas é pra isso mesmo que eu to aqui. Pra te ajudar. Vem, vamos pro meu quarto, pra ficar sossegado.

No quarto, Reno pensou um minuto se dava "aula" pro Vincent de pé ou na cama. Achou melhor em pé primeiro, porque se sentasse na cama, pra deitar e violentar o garoto era como engatar a segunda: o óbvio.

-Vincent, venha cá. EU te beijei lá na sala. Agora eu quero que você tome a iniciativa. Vou ficar aqui em pé. Chegue em mim. Tamos só nós dois. Passe o braço pela minha cintura. Só passe os braços pelo pescoço se você quer ser tomado. Agora a outra mão agarra minha nuca. Força, cara, você vai dominar a situação. Isso. "Uh, isso me arrepiou todo". Inclina a minha cabeça, pra entrar no ângulo da sua boca... "Reno, não se mexa. Ele que tem que vir." Fecha os olhos e me beija.

-Como?

-Como assim, como? É só encostar os seus lábios nos meus... Ah, aquele beijo que eu te dei lá embaixo eu te ensino já... Por enquanto eu quero que você aprenda a pegada, entende? "E você já é bom nisso, garoto..."

Vincent fez tudo de novo, encostando os lábios nos de Reno. Que fez ele repetir a seqüência várias vezes, de outros ângulos, mudando de braço, mandando ele se encostar mais, roçar no corpo dele, uma doce tortura.

-Agora, o 'french kiss'... Como meu irmão me explicou, pensa numa uva.

-Tá, pensei.

-Agora pensa na uva dentro da sua boca, você rolando ela na língua, espremendo contra as bochechas e contra o céu da boca.

-Certo.

-Então a gente vai juntar as duas coisas. O beijo básico que você já sabe com a uva dentro da boca.

Vincent ficou nervoso, com medo de errar. Mas Reno era paciente (eu não escrevi isso...) e fez o pupilo repetir quantas vezes fosse necessário até ficar "aceitável".

O moreno começou a achar tudo delicioso, mas o quarto tava ficando meio quente ou era impressão? E aquela vontade louca de tirar a camiseta e pedir que o Fire fizesse o mesmo? Reno estranhou a inércia do seu aluno:

-Que foi, Vinnie? Cansou?

-Não... eu... só tou... ta calor aqui, não?

"Cara, vou te contar... eu tenho Fire no nome, mas você..." – É... tá um pouco, sim? Quer tirar a camisa? Acho que vou tirar a minha e...

-RENO!

Ao ouvir a voz da pessoa que ele mais tinha bronca no mundo, Reno congelou. Não podia ser! Mas a voz da sua mãe e da sua tia lá embaixo mataram todas suas esperanças de estar tendo apenas uma alucinação auditiva.

-Yuffie, ele está estudando lá em cima com um amigo.

-Então, não vai atrapalhar, querida.

-Eles estão há horas estudando, vou chamá-los para tomar um lanche... RENO, VICENT!! Desçam um pouco, queridos. Vocês não podem passar a tarde trancados no quarto, só estudando...

"Ah, mãe, a senhora nem imagina como eu posso..." – JÁ 'TAMOS INDO!!!

-Sua mãe?

-E pelo jeito, minha tia e a chata da minha prima Yuffie. Cara, já vou te pedir desculpas por ela. A menina é um porre. Se acha A gostosa. Se ela der em cima de você, dá uns cortes já, ok?

-Err... humm... bem...

-Vai por mim. Vai ser o melhor pra todo mundo. Se você não der, eu dou.

Os dois passaram a mão pelos cabelos, ajeitaram a roupa e desceram. Na copa, uma senhora conversava com Tifa, enquanto uma garota alta e magra olhava para as paredes, conferindo as "últimas aquisições" da decoração. Quando os garotos entraram, ela se virou, e sem disfarçar, avaliou Vincent de cima abaixo. Reno trincou os dentes.

-Ah, ei-los. Vincent, essa é minha cunhada, Shera. Minha sobrinha, Yuffie. Esse é um amigo dos meninos, o Vincent.

-Muito prazer.

-Nossa, que menino bonito... e é educadinho... – Shera piscou para Yuffie. – O tipo de genro que toda mãe procura.

Reno e Vincent ficaram super vermelhos, cada um por um motivo. E antes que alguém tomasse uma atitude, Tifa mandou-os para a varanda, enquanto ela preparava um lanche. Vincent se desculpou, mas já estava tarde e tinha que ir pra casa. Mas não faltaria outras oportunidades de comer o lanche dela.

Reno e Yuffie o acompanharam até o portão e ficaram olhando até que ele sumisse de vista. Depois um olhou para o outro, Fire queimando de indignação, Yuffie rindo por dentro. "É super divertido tirá-lo do sério."

-Sempre a mesma vagabunda de sempre, não? Fica de olho nos meus amigos, feito uma piranha com fome...

-Não tenho culpa se seus amigos são gostosinhos feito esse Vincent. E porque você está bravo? Por acaso tem medo de que ele se interesse por mim?

-Você não faz o tipo dele...

-E você faz? Olha que ele pode mudar de idéia, depois de me conhecer melhor...

-Orra, meu, mas você se acha mesmo, hein, garota. É uma tábua, sem peitos nem bunda e se acha... Até eu tenho mais bunda que você, Yuffie.

-E o que adianta ter, se não tem utilidade? Ou ta usando e ninguém sabe, hein, Reno?

Mais uma vez, Reno ficou parecido com o Tocha Humana. E cuspiu, antes de entrar:

-Isso é problema meu, querida. Mas te dou um aviso... deixa o Vinnie em paz, tá ouvindo? Não é pro seu bico...

"É o que vamos ver, querido primo. É o que vamos ver..."

N/A: Inspiração é uma coisa bem traiçoeira, né? Eu sabia como ia ser a aula de beijo, mas não como eu ia trabalhar com a Yuffie. Agora eu já sei. Vamos que vamos. 23/06/07.