CAPÍTULO UM

Os olhos de Hermione levantaram-se para ver os de Draco, que tinha o cenho franzido e os olhos cinzentos fixos nas crianças que estavam tão perfeitamente acomodadas nos braços da morena. Retirou a máscara que utilizava, revelando a boca fina e a barba por fazer que mau aparecia por ser de cor tão clara.

- Granger, o que é isso? – a pergunta foi tão fria, mas tão trêmula, que fez a mulher chorar. Chorar de agonia e medo. A felicidade que estava sentindo fora esmagada ao ver os olhos azuis.

- Como me pergunta o que é isso, Malfoy? São crianças. Minhas crianças. – mas ela não tinha tanta certeza disso.

- Não só suas, se me permite a correção, Granger.

Ele não pediu permissão, apenas tomou o menino nos braços e o acolheu em meio aos músculos firmes. Hermione viu tudo calada. Viu seu filho, seu pequeno Brendon, segurar com firmeza um único dedo de Draco, que sorriu de canto ao ver o movimento involuntário do bebê. Ele sabia. Ela sabia que ele sabia. Isso apenas piorava as coisas. Ela esperava nunca ter de contar.

- O babaca pai não sabe, não é mesmo? – ele perguntou entretido com a criança em seus braços. Ele também não sabia, mas tinha de ter certeza. Ao menos olhava para a mãe, mas era um gesto pensado. Caso olhasse para Hermione, ela desabaria em lágrimas novamente. Conhecia Hermione. Conhecia-a muito bem para ter certeza de suas palavras não ditas.

- Eu achei... Achei que talvez eles pudessem ser parecidos comigo. – ela sussurrou, e ele riu ironicamente, comprovando tudo o que já havia passado em sua cabeça.

- Francamente, Granger, não pensou mesmo que eles seriam idênticos a você, pensou? – ela não respondeu, e ele soube que era exatamente aquilo que ela havia pensado. – Por Merlin, Hermione, e o que você vai fazer agora? "Surpresa, babaca-ruivo-pai, temos gêmeos, e eles tem olhos cinzentos!" É isso que pretende fazer? Ele é idiota, mas não tanto.

- Cale a boca, Malfoy. Talvez esses olhos escureçam... Não?

Draco olhou para a garota de forma tão penetrante que ela se calou. Prova de que estava desesperada. Muito mais do que o normal. Os olhos não iam escurecer. Bastava observar a imensidão azul que eram os olhos do homem parado a sua frente, ou do filho deste, para saber que eles não iriam, de forma alguma, ficar mais escuros. Ao menos um verde água. Um verde água poderia disfarçar bastante. Ela não teria tanta sorte.

Ele não diria, mas a felicidade de ter outro filho nos braços era imensa. Só não a demonstrava pois já achava demais estar brincando com o pequeno... Qual era o nome dele?

- O nome, qual é? – Hermione franziu o cenho, sem entender a pergunta. Ela estava ocupada acariciando o rosto da menina em seu colo. Draco revirou os olhos. – A criança, Granger. Qual é o nome dela?

- Brendon. O nome dele é Brendon. – respondeu secamente, mas lançando um olhar terno ao filho que era embalado nos braços do pai. Aquilo a causava náuseas. Draco Malfoy, pai de dois de seus filhos. Não, aquilo não acabaria bem.

- E da menina?

- Ela não tem nome. Ao menos sabia que teria gêmeos.

Draco assentiu solenemente. Seria muito abuso pedir para escolher um nome? Afinal, ele era o pai. Tinha direitos. Mas provavelmente não agiria como um pai. O babaca ruivo tomaria posse de seus filhos, não os mimaria, não os faria feliz, os deixaria de canto. Embora Scorpius tivesse contado sobre a infelicidade de Ronald com o novo filho. Com a notícia de que seriam gêmeos... Ah, ele enlouqueceria. E aquilo agradava o Malfoy.

- Luce. – ele disse após espantar os devaneios da ira de Ronald. Hermione voltou a franzir o cenho. Ela mesma estava perdida em seus próprios pensamentos. O que diria a Ron? E a Hugo? Rose entenderia. Gina e talvez Harry também. Luna ficaria feliz com a notícia. Ela sabia disso. Mas Ron e Hugo? Um era o espelho do outro. Ambos ficariam furiosos. – O nome dela, Luce.

Hermione apenas assentiu. Ela não tinha forças para negar.