N/A: Galerinha, estou de volta! Desta vez sem mais vestibulares pela frente... A inspiração que anda difícil de vir!
Quero que vocês me deixem opiniões, por favor! Quero saber se a história está tomando o rumo esperado.. Se vocês esperavam mais da continuação de Love's Ways... Todas essas coisas.
Espero que curtam ;)
Capítulo III - Inimizades
Terceiro ano de Thomas Zabini. Campo de quadribol de Hogwarts.
'-O que ela está fazendo no campo, James?' – bradou o garoto mais novo, inclinando a vassoura para descer ao chão, junto ao capitão da Grifinória.
'-Charlie?' – ele sorriu de lado ao responder, apontando com a cabeça para a única presença feminina no machista time sonserino.
'-Sim! Ela é nova demais! E uma garota!' – argumentou, revoltado,
'-Ela tem idade suficiente para jogar em Hogwarts' – deu de ombros, apanhando a vassoura do chão e olhando enquanto o time todo da sonserina pairava sob sua cabeça – 'E aparentemente você nunca viu sua tia Serena jogando, garoto.' – James fez piada.
'-Tia Serena joga bem, eu sei. Charlie não! Ela nunca jogou!'
'-Não foi o que pareceu no último fim de semana do verão, quando ela e Lily jogaram contra Alvo e eu. É bom você tomar cuidado, goleiro, porque se ela jogar tão bem como artilheira quanto pareceu, essa partida vai ser acirrada. ' – o mais velho deu tapinhas nas costas do rapaz e jogou a vassoura sobre os ombros, indo ter com o resto do time.
Thomas bufou.
Depois da devida apresentação do time sonserino daquele ano, Charlotte desceu ao gramado junto aos demais. O time grifinório estava apreensivo do outro lado do campo. A garota foi até um dos bancos próximos à abertura que levava aos vestiários, descansando a vassoura e prendendo os cabelos lisos e platinados num rabo alto.
Quando ela colocava suas luvinhas de quadribol verde musgo, Thomas aproximou-se. Charlie revirou os olhos, sabendo o que viria.
'-O que você está fazendo aqui, sua sonserina de araque?' – ele gritou, apontando o indicador contra o peito da garota.
'-O mesmo que você. Jogando quadribol.'
'-Você não joga. Nunca jogou. Você nunca, nunca mesmo seria aceita para o time de Hogwarts. Quanto seu pai pagou para você estar aqui, Charlie?' – ele bradou, irritado, a fúria mostrada nos olhos azuis escuros.
'-Para sua informação, minha mãe me ensinou, Zabini. Eu não jogava porque Narcisa acha deselegante para uma garota jogar quadribol. Resolvi não ligar' – ela deu de ombros, o olhar primeiro chateado com a afirmação do ex-colega e depois cinza de raiva – 'Tio Blaise terá que pagar para você continuar no time depois de hoje!' – ela berrou, já saindo – 'Ah' – virou-se, lembrando de algo – 'Charlie é só para a família e amigos íntimos. É Lola pra você.' – nisso subiu na vassoura preta e tomou altitude em frações de segundo, impressionando Thomas.
O garoto gemeu de raiva, jogando furiosamente a reluzente vassoura de nogueira polida no chão.
~"~
O fim do jogo foi desastroso para a Grifinória. Charlotte, veloz como uma águia, marcara vários pontos para a Sonserina, mas o jogo acabou somente quando o apanhador sonserino, Michael Linner, alcançou o pomo de ouro, garantindo a vitória.
Até Serena e Draco Malfoy tinham ido presenciar a abertura do campeonato entre as Casas, não querendo perder o primeiro jogo da herdeira. Severo Snape também estava lá, ocupando um lugar de honra junto à Diretora, marcando sua presença ilustre de único herói sonserino de guerra em Hogwarts.
Charlie desceu contente de sua vassoura após o término do jogo. Se ela já era cobiçada antes, agora levava a população masculina de Hogwarts à loucura com as manobras ágeis de sua vassoura.
Tom reparava que mesmo após duas horas e meia de jogo, Charlotte ainda parecia uma boneca de porcelana, descendo graciosamente ao chão e tirando as luvas de couro de dragão tingido de verde.
Severo reparara no mesmo. Ele também apercebeu-se dos olhares e comentários masculinos direcionados à sua neta. Charlotte era como Alexandra.
Serena era tão linda quanto a mãe fora e quanto a filha era agora, mas não tinha o brilho e o carisma delas. Essa parte ela reservara apenas para Draco. Já Charlotte e Alexandra fulguravam; todo aquele brilho não cabia nelas, se derramava.
Charlie batera nas mãos de todo o time sonserino, Alvo Potter sendo o último, em comemoração para depois ser abraçada por uma Alanna extremamente entusiasmada com o jogo, vestida toda de prata e verde – com direito até à sombra nas cores nas pálpebras e diversas pulseiras combinando nos braços.
'-Parabéns, parabéns, parabéns!' – comemorou a morena, animada – 'Ah, Lola, olha a cara de dó do James. Acho que terei que ir lá consolá-lo.' – brincou, suspirando ao admirar o capitão grifinório.
'-James? James Potter, Anna?' – Charlie franziu o nariz. James parecera sempre um irmão mais velho, não um garoto a ser cobiçado.
'-Ele é tão charmoso! E joga tão bem... E é tão inteligente...' – a loira sorriu e deixou uma Alanna a suspirar, empurrando-a para que ficasse junto ao grupo sonserino que comemorava.
Charlie aproximou-se, então, dos pais, que a abraçaram, orgulhosos.
'-Eu disse que você podia fazer isso, Charlie' – Serena abaixou os olhos para mirar os da filha, piscando e sorrindo de lado para a loira.
'-Ela é uma Malfoy, amor. Ela pode fazer o que quiser.' – Draco disse em contrapartida.
As duas reviraram os olhos com a costumeira sentença.
'-O vovô veio?' – inquiriu, tentando esconder a expectativa.
'-É claro que veio. Ele vai nos encontrar daqui a pouco. Minerva precisava falar com ele antes.' – a mãe respondeu, mantendo o sorriso de lado.
Charlotte sorriu fino e acompanhou os pais até os jardins de Hogwarts.
'-Aquela guinada com a vassoura foi incrível, Lola!' – um sonserino do quarto ano cumprimentou-a com tapinhas nas costas.
'-A família dela é amiga de Potter. Ela deve ter aprendido quabribol com eles. Aquela guinada definitivamente é coisa do Potter.' – Charlie ouviu outro quartanista responder.
'-Lola?' – Serena inquiriu, arqueando uma sobrancelha para a filha.
'-É como eles me chamam aqui, mamãe.' – explicou e Draco deu de ombros, sorrindo para a esposa.
A alguns passos da porta que levava ao Salão Principal, um enfezado Thomas Zabini passou por eles, agarrando desajeitadamente a vassoura pela mão.
'-Ei, Tommy' – Draco falou alto, segurando o garoto pela capa das vestes.
'-E aí, tio Draco' – cumprimentou de mau grado, a cara fechada em uma carranca – 'Tia Serena'
'-Tom, desmanche esse bico. Vocês ainda têm uma temporada inteira para ganhar.' – aconselhou Serena, olhando sério para o afilhado.
'-E é bom que não entrem muitas goles nos seus aros, rapazinho, porque fui eu que te ensinei a jogar quadribol!' – Draco cutucou-o, arrancando um sorrisinho do menino.
'-Ben não veio ver o jogo? Eliza pediu para que eu desse uma espiada nele.' – Serena explicou – 'Sabe como é, é o primeiro ano dele, vocês estão em casas diferentes...' – ela piscou um olho para Tom.
'-Ela deve estar surtando.' – ele revirou os olhos.
'-Você pode ter certeza que está, Tommy' – Draco brincou, levando um cutucão de Serena.
'-Ben deve estar na biblioteca' – o irmão mais velho respondeu – 'Ele não pareceu muito interessado quando falei sobre o jogo.'
'-Vou dar uma olhada, então. Se eu não achá-lo, diga que sua mãe mandou um beijo.'
'-Pode deixar, tia Serena' – ele concordou, ainda enfezado – 'Tchau, tio Draco.'
'-Não esqueça dos aros, Tommy' – Draco brincou, dando tapinhas amigáveis nas costas do afilhado.
'-Por que você está com essa carinha de rabo-córneo húngaro, princesa?' – o loiro inquiriu, segurando o queixo da filha e imitando o biquinho dela.
'-Ele é ridículo. Nem sei porque vocês dão tanta atenção à ele.' – ela bufou, cruzando os braços e desviando o olhar do pai.
Draco ergueu ambas as sobrancelhas loiras como as da filha.
'-Vocês ainda estão brigando, Charlie?' – Draco fez mais uma pergunta, olhando com uma pitada de preocupação para a loirinha.
'-Thomas é um imbecil. Não sei como já pude ser amiga dele.'
'-O que ele disse para você, Charlie?' – foi a vez de Serena de inquirir, arqueando uma sobrancelha.
Charlotte parecia indecisa ao responder. Ela ameaçou falar e fechou a boca. Serena encarou-a, induzindo a garota a contar.
'-Gritou comigo porque entrei para o time de Quadribol' – Serena revirou os olhos ante a fala da menina – 'E disse que papai só podia ter pagado para que eu entrasse.'
Draco crispou os lábios e ficou púrpura repentinamente.
'-Vou ter é que pagar para sair de Askaban depois de ter azarado um grifinóriozinho até a morte!' – bradou ele – 'Zabini imbecil. Quem ele pensa que é para falar desse jeito com a minha filha?'
Serena segurou-a pelo colarinho, impedindo-o de ir atrás do afilhado.
'-Draco, acalme-se. Eles são crianças.' – Draco calou ante ao olhar ameaçador que recebia da esposa – 'E Charlie' – mudou o foco do olhar para a filha de braços cruzados ao lado deles, sem soltar as vestes do loiro – 'Tommy é nosso afilhado, é da família. Nós gostamos dele assim como o Tio Blaise e a Tia Eliza gostam de você.' – a careta de Charlotte se intensificou – 'Vocês não precisam ser melhores amigos, querida. Eu entendo que você está chateada – e com razão. Mas respire fundo e pense na tia Eliza. Nós não vamos querer que ela fique chateada, vamos?' – arqueou tipicamente a sobrancelha esquerda para filha, após a calma explicação.
'-Confie em mim, mamãe, eu tenho paciência até demais. Se eu não tivesse, já o teria azarado até que virasse um hipogrifo depois desse ano no castelo.' – ela revirou os olhos azuis com desanimo.
Draco riu, mais calmo, sendo solto pela esposa.
'-Essa é minha garota!' – ele apertou Charlotte pelos ombros. A loirinha o acompanhou no riso.
Serena os admirou juntos. Tão parecidos.
'-Tente ter o mínimo possível de confrontos com Tommy, filha' – a mãe recomendou, segurando uma das mãos delicadas da garota.
'-Mas não deixe ele te ofender, Charlie!' – completou Draco – 'Você sabe como dar um jeito, eu sei. Em todo caso, me mande uma coruja se necessário e o papai vem até aqui e...'
'-Você não faz nada, Draco' – a mulher interrompeu-o – 'Eles são crianças. Deixe que eles se resolvam. Você já é muito crescido para se meter nessas briguinhas.' – ela revirou os olhos. Charlie abafava o riso.
'-Eu não vou deixar Thomas tirar sarro da minha filha!'
'-Eu tenho certeza que Charlotte sabe bem se defender, amor.' – Serena desviou o olhar para mais ao longe, um sorrisinho se formando em seus lábios – 'E olhe lá. Seu avô está vindo.'
Charlotte sorriu abertamente indo ao encontro de Severo Snape.
'-Charlotte' – cumprimentou o homem, abraçando a neta – 'Você foi brilhante.'
'-Olá, vovô' – ela o abraçou de volta – 'Você achou?'
'-Certamente. Você colocou aqueles grifinórios no lugar deles.' – elogiou-a a seu modo, contemplando a garota.
Ela deu um sorrisinho presunçoso em resposta.
'-Adorei que todos vocês tenham vindo me ver' – ela confidenciou, olhando de lado para os pais.
'-Nós não perderíamos por nada, Charlie.' – garantiu Draco afagando os cabelos da menina.
Severo assentiu com a cabeça, concordando com o genro.
'-O quão brava vovó ainda está?' – inquiriu a loirinha a Severo Snape, os olhos culpados.
Severo revirou os olhos, negando com a cabeça – 'Ela não está brava de verdade, Charlie. Só não quis dar o braço a torcer ao vir. Você sabe que Narcisa é tão teimosa quanto você.' – ele garantiu, oferecendo um sorriso fino para ela, trazendo a neta para si num abraço de lado que confirmava suas palavras.
Charlotte deu um suspiro aliviado.
'-Despeça-se de seu avô, Charlie' – recomendou Serena – 'porque nós todos temos que ir para casa. Tenho certeza de que a senhorita também precisa descansar para as aulas de amanhã.'
'-Ah, mamãe. Já?' – Charlie fez manha, bufando tristonha.
'-Sim, querida. Parabéns de novo pela partida. Você foi incrível!' – a mãe parabenizou, sorrindo o costumeiro sorriso de lado para a loirinha, abraçando-a – 'E eu tenho certeza de que tem uma festa acontecendo nas masmorras. Você não quer perde-la, não é mesmo?' – confidenciou a mulher aos ouvidos da filha.
Charlie sorriu fino de volta.
'-Vou sentir saudade, mamãe.' – Charlotte abraçou-a novamente e Serena depositou um beijinho nos cabelos platinados da filha.
'-Tchau, papai' – a garota partiu para os braços do pai, que a abraçou apertado.
'-Tchau, querida.' – Draco sorriu fino espelhando a filha. Charlie beijou-o na bochecha. – 'O feriado do Natal chegará antes que o tempo para realmente sentir saudade' – brincou, afagando os cabelos da herdeira.
'-Falando no feriado, papai, mamãe, vocês se importariam se eu levasse uma amiga para passar alguns dias em casa entre o Natal e o Ano Novo?'
'-Absolutamente não, Charlie. Fique à vontade.' – concordou Serena, sendo apoiada por Draco.
Por fim, Severo Snape despediu-se da neta, já sentindo falta dela. Quando Charlie partira para Hogwarts, não fora apenas a Mansão de Wiltshire que ficara vazia. Narcisa e Severo também sentiam imensa falta de Charlotte visitando-os em Hampshire quase todos os dias.
'-Cuide-se, Charlie.' – recomendou o avô, sorrindo de leve para ela. A garota sorriu fino de volta e os assistiu enquanto andavam até os portões de Hogwarts, despedindo-se de McGonagall no meio do caminho. De lá iriam até Hogsmeade e depois via Floo para casa da lareira do Três Vassouras.
Chegaram na lareira de Hampshire, tomando um chá antes que Draco e Serena voltassem para casa e falando sobre o assunto que estava sempre na roda: Charlotte.
Serena simplesmente adorava toda aquela família e aquele carinho que havia sempre em torno de Charlotte. A garotinha merecia tudo aquilo. Tudo que Serena não tivera.
Ao contrário da mãe, Charlie tinha ambos os pais, os avós, os padrinhos, a família de Alexia e a família de Potter, todos sempre ali, bajulando-a desde que nascera. Para Serena, era a melhor coisa que ela poderia deixar à filha.
Os olhos de Narcisa brilharam quando foi informada sobre o êxito da neta na partida do dia, mas ela nada disse. Serena, afinal, sabia o quanto a sogra amava Charlotte.
Aparataram, Draco e Serena, para Wiltshire, abraçados. A mulher preferia que fosse assim sempre que possível. Ele passava o braço protetoramente pela cintura da esposa, também gostando mais daquela posição. Ela deitou a cabeça num dos ombros do marido, pensando no presente que ganhara do destino enquanto Draco os aparatava para casa.
~"~
'-Charlie, sua amiguinha está aqui' – chamou Draco, recebendo Alanna Sparkle no hall da Mansão enquanto a garota limpava o resto de fuligem que saíra com ela da lareira dos Malfoy.
Charlotte desceu as pomposas escadarias de mármore animada. Seria, finalmente, um feriado legal, um feriado que Thomas não estragaria.
'-Anna!' – deu um gritinho típico de menininhas da idade delas. Alanna correu ao encontro da amiga.
Abraçaram-se.
Draco estralara os dedos e um elfo aparecera para levar a mala da visitante para o quarto de Charlotte.
'-Papai, esta é Alanna Sparkle, minha amiga e colega de dormitório.' – apresentou devidamente a amiga, como fora ensinada por Narcisa, sendo uma boa Malfoy.
'-Prazer, Srta. Sparkle.' – Draco ofereceu uma mão, simpático – 'Já fiz negócios com a família Sparkle, na Irlanda. Será algum parente seu?' – lembrou o loiro, pensativo.
'-Meu pai, Sr. Malfoy. Ele também tem grandes empresas, mas ficam restritas à Irlanda e ao País de Gales.' – contou com firmeza, sorrindo ao finalmente conhecer Draco Malfoy.
'-Vamos, Anna, vamos achar a minha mãe' – a loirinha puxou a amiga pelo braço, deixando o pai lendo o Profeta Diário na sala de estar.
Serena foi encontrada no quarto andar da Ala Principal da mansão, numa área de lazer climatizada com magia para o inverno, acomodada, de biquíni, numa grande jacuzzi de madeira, admirando a paisagem invernal pela parede de vidro que as separava da neve lá fora.
'-Olá, meninas!' – exclamou, sorrindo – 'Vejo que sua amiga já chegou, Charlie.'
'-Sim, mamãe.' – Charlotte sorriu.
'-Eu sou Alanna Sparkle, Sra. Malfoy.' – apresentou-se a garotinha de cachos castanhos.
'-É um prazer, Alanna' – Serena sorriu – 'Por que vocês não vão colocar um biquíni e me acompanham? Eu vou adorar ouvir as histórias sobre Hogwarts.' – Serena sugeriu e as duas, rapidamente, desceram ao segundo andar daquela Ala, onde se situava o quarto da loira.
Charlie separou um biquíni para ela e mais alguns para que a amiga escolhesse.
'-Lola' – a garota não respondeu – 'Lola' – Alanna tentou de novo.
'Ahn, sim, Anna?' – respondeu, separando chinelos que combinavam com as peças de banho.
'-Seus pais te chamam de Charlie. Por que me disse que te chamavam de Lola?' – quis saber, desconfiada.
Charlie suspirou, largando os biquínis e os sapatos num canto perto do closet.
'-Todo mundo sempre me chamou de Charlie, Anna' – confessou, sentando no chão de braços cruzados. Alanna acompanhou-a – 'Mamãe, papai, meus avós, meu padrinhos, o tio Harry... Todo mundo.'
'-Você resolveu simplesmente trocar de apelido?' – inquiriu a amiga, os olhos verdes curiosos.
'-Você conhece o idiota do Zabini' – Alanna aquiesceu, o sobrolho franzido – 'Ele é afilhado dos meus pais.'
'-Você trocou de apelido por conta de um idiota qualquer?' – os olhos da garota estavam arregalados de surpresa e curiosidade, interrompendo a amiga.
'-Não, Anna.' – Charlie suspirou, esfregando as delicadas mãos brancas, parecendo uma boneca de porcelana – 'Tom e eu éramos melhores amigos. Ele era minha pessoa preferida no mundo todo.' – contou, a ingenuidade infantil deixando-se evidenciar.
'-Tom? Achei que estávamos falando do Nate Zabini.' – a morena estranhou, pensativa.
'-É o mesmo, Anna. Ele resolveu, de repente, que ele tinha crescido, que eu era pirralha demais para ser amiga dele e que agora ele se chamava Nate.' – Charlie contou com desgosto – 'Nathaniel é o nome do meio do Tom.'
'-Uau' – Alanna exclamou surpresa – 'Então você resolveu mudar de nome também?'
Os olhos azuis de Charlotte repentinamente adquiriram um tom cinza triste e o sorriso de deboche se desmanchou.
'-Tom tirou sarro de mim no primeiro dia de aula. Eu simplesmente previ que logo, logo a escola toda estaria me chamando de Charliezinha e agi rápido.' – informou à amiga, magoada.
'-E por que Nate não te desmentiu? Se ele estava tentando tirar sarro de você, poderia ter feito isso, certo?' – perguntou, preocupada com a reação de Charlie à menção de Zabini.
'-Porque se ele o tivesse feito, a farsa do Nate acabava também.' – ela deu de ombros.
'-Eu gosto de Lola, se você quer saber. E é apenas um outro apelido para o seu nome.' – consolou Alanna, dando um sorrisinho contido.
'-Eu não gosto de ter sido obrigada a usá-lo. Aquele Zabini idiota...' – lágrimas se formaram em torno dos brilhantes olhos azuis de Charlie.
'-Ei, Lola, não chore...' – pediu a amiga, preocupada – 'Ele não vale a pena.'
'-Eu não ligo pra ele hoje, Anna, juro que não' – Charlotte secou as lágrimas com as pontinhas dos dedos – 'Mas é que nós éramos tão amigos... Ele me traiu.' – a loira suspirou, os ombros tremendo.
Alanna abraçou-a, confortando-a e tentando entender o relacionamento tumultuado entre Lola e Nate.
'-Nós passávamos todos os verões juntos na França, a minha família e a dele. Num dos verões mamãe teve trabalho extra e não pudemos ir... Então tudo mudou.' - contou, mirando a madeira do chão.
A morena nada disse, apenas puxou a amiga para outro abraço carinhoso.
'-Esqueça o Zabini. Você pode ser quem você quiser. Charlie ou Lola, não importa. E você escolheu ser a Lola em Hogwarts.' – Alanna argumentou.
Trocaram olhares confidentes. Eram mesmo melhores amigas.
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Alanna acabara sendo convidada a ficar para a festa de Ano Novo da Mansão Malfoy, uma tradição que Draco e Serena deixaram que Narcisa mantesse.
A sogra, como sempre, era quem organizava tudo e garantia que a celebração fosse sempre considerada a festa do ano. Aquele ano não foi diferente. Tudo estava absolutamente impecável.
Alanna estava acostumada ao luxo; a família era deveras rica, mas aquela pompa toda ela não conhecia. Além de ricos, os Malfoy eram absolutamente tradicionais. Uma verdadeira família bruxa, possuidores de títulos, elfos domésticos, seções em livros de genealogia dentro da História da Magia. Estava encantada.
Charlie vestia um maravilhoso vestido de organza branco que deixava nus os ombros ossudos, trabalhado no busto, rodado e curto. Sapatos de boneca prateados nos pés com direito a um salto mínimo. A mãe adornara, ainda, os cabelos da herdeira com uma tiara prata reluzente trabalhada em flores cheias de detalhe.
A amiga, por sua vez, tinha mandado vir de sua casa, na Irlanda, uma saia rodada feita de inúmeros paetês prateados combinada a uma blusinha de seda bordada e estilizada de um violeta berrante – a mesma cor das sapatilhas. Ela explicara que seu horóscopo bruxo tinha lhe informado que aquela era a cor que melhor lhe serviria na passagem de ano.
Charlie rira das convicções da amiga, mas estava acostumada à elas e aceitou sem questionar muito.
Alanna esperara, de início, uma cerimônia mais intimista, mas assim que ela e Charlotte desceram as escadarias para o hall da casa – que as levaria até a Ala Sul, a parte reservada a confraternizações, ficou boquiaberta. Todas as pessoas influentes do mundo bruxo tinham sido convidadas.
Serena não fazia sala para nenhuma delas. Era mais Snape que Malfoy. Deixava a recepção, também, ao encargo da sogra. Ela permitira que Narcisa organizasse quantas festas quisesse, desde que fosse na ala social da mansão. Afinal, a casa agora era de Serena e ela manteria a privacidade de sua família.
A ruiva reunira seu pai, Blaise e Eliza Zabini e os Potter num canto mais reservado, onde pudessem conversar sem o furor da festa.
Quando as garotas juntaram-se ao núcleo familiar de Charlotte, Alanna quase não podia se conter – o que significava, sorrir loucamente e apertar o braço da amiga inúmeras vezes. A família Potter toda estava lá, inclusive James, cinco anos mais velho que elas.
'-Sossega, Anna!' – recomendou Charlie, entredentes.
'-Nós podemos falar com ele?' – os olhos da morena brilharam – 'Por favor, por favor, por favorzinho, Lola!' – pediu, puxando de leve a saia do vestido da amiga.
Charlie riu do desespero de Alanna.
'-Está bem, está bem' – a morena ia começar a andar na direção dos Potter quando foi puxada nada delicadamente pela loirinha – 'Mas só quando a Lily estiver junto. Precisamos de um motivo.'
Anna concordou com pesar e seguiu a amiga para cumprimentar a família dela.
'-Charlie, meu deus. Você está simplesmente maravilhosa!' – Eliza sorriu maternalmente e acariciou de leve o rosto da afilhada, espantada – 'Blaise, venha aqui.' – chamou o marido, emocionada.
Enquanto Blaise tentava se desvencilhar de cadeiras e garçons, Thomas Zabini adiantou-se, vindo do salão de festas para a área reservada.
'-Manhê' – chamou o garoto.
Elizabeth estava de costas para o filho e ele não conseguia ver direito com quem ela conversava. No momento em que a chamou, porém, Charlotte ergueu delicadamente a cabeça, deixando Thomas pasmo.
Ela era linda, ele admitia internamente. Já a vira arrumada diversas vezes. Nessa ocasião, porém, a garota estava divina. A mesma aparência de boneca combinada ao olhar azul e fugaz e o corpo que ameaçava ganhar curvas.
Thomas até esqueceu-se do que tinha ido perguntar. O queixo cedeu de leve.
'-O que foi, querido? Precisa de alguma coisa?' – Eliza perguntou, solícita, segurando uma das mãos do menino nas suas.
'-Não, não... Eu... Pego sozinho.' – murmurou, sem conseguir tirar os olhos da figura de Charlie que ria abertamente, agora na companhia da amiga e dos Potter.
'-Você conhece a amiguinha de Charlie que está aqui, Tommy? Alanna?' – inquiriu – 'Você devia se enturmar com elas, querido.' – recomendou Eliza, passando a mão pelos fios castanhos do filho.
Tom desconversou e tentou desvencilhar-se da mãe.
'-A propósito, você sabe onde está o seu irmão? Não me diga que tia Serena deu a chave da biblioteca pra ele. De novo.' – inquiriu, furiosa.
'-Não sei, mãe. Deve ter dado. Ben adora a biblioteca da tia Serena.' – resmungou, notando, de repente, a mão de Alvo Potter nas costas de Charlotte.
N/A: E aí? Como estou indo? Estou muito enferrujada? Hahahah
Me contem absolutamente tudo!
Beijo, L.
