Goddess of the soccer

Capítulo 2: Treinamento especial

Genzo abriu os olhos devagar e levou o braço direito à altura da testa, tentando evitar a luz solar que entrava pelo vidro da varanda do luxuoso apartamento. Olhou à sua volta ainda sem levantar do sofá que estava deitado. O apartamento era muito bem decorado. A sala, onde estava, tinha dois ambientes e ele estava deitado num sofá grande de couro, preto com duas poltronas na frente deste e uma lareira atrás destas. Do outro lado da sala, próximo à porta, havia uma mesa de oito cadeiras, de madeira escura. Levantou-se mecanicamente e foi até a varanda. Abriu a porta de correr e debruçou-se sobre o corrimão, olhando para baixo. Ficou um bom tempo lá.

- Afinal, onde eu estou? – ele sussurrou ao observar as pessoas que caminhavam lá embaixo, porém uma voz feminina o despertou de seu transe.

- Já acordou? – perguntou Maya, encostada na porta de vidro, com um sorriso travesso no rosto. Vestia um roupão de seda, com rendas na barra, branco, por cima da camisola da mesma cor e tecido que ia até os joelhos. Seus cabelos estavam soltos em desalinho. Ele se virou para ver a dona da voz doce e se impressionou com sua beleza. – Ainda se lembra de mim? – Genzo balançou a cabeça negativamente e o sorriso dela desapareceu do rosto mostrando tristeza, mas sem abandonar o tom brincalhão ela tornou a dizer – Meu nome é Maya Lopez e eu jogo no time feminino do Grawlbald. Nós nos encontramos ontem, lembra?

- Ah, sim, claro. Desculpe. – ele disse batendo de leve com a mão na testa. Ela achou o gesto engraçado e sorriu para ele.

- Vamos tomar café? – perguntou gentilmente – A empregada acabou de colocar a mesa.

- Claro. – respondeu passando a mão pela barriga e lembrando que estava com fome

Os dois seguiram para a sala onde uma mesa farta havia sido posta.

- Ela... É bem silenciosa, não? Estava tão distraído olhando as pessoas lá embaixo que nem a ouvi colocando a mesa. – Genzo disse rindo. Maya riu descontraídamente junto com ele e os dois se sentaram à mesa e começaram a tomar café, enquanto conversavam.

- Tem muito tempo que você joga no Grawlbald? – ele

- Não muito. Estou lá há apenas dois anos. Foi quando eu parei de cantar e pedi pro meu pai me treinar.

- Seu pai também joga futebol?

- Não mais, ele costumava jogar e foi até um dos melhores jogadores do Brasil, mas devido a um acidente atualmente ele é apenas o treinador do Grawlbald.

- Deve ser bom treinar num time cujo pai é o treinador.

- Nem tanto. – disse, simplesmente, e tomou mais um gole de seu chá. Segurou a xícara com as duas mãos próxima ao rosto e perguntou: E você, há quanto tempo veio para cá?

- Dois dias.

- Por que escolheu logo a Alemanha?

- Porque a Alemanha tem os melhores goleiros do mundo e é isso que eu quero ser. – ele disse, os olhos brilhando de determinação.

- Você é ambicioso... Isso é muito bom. Gostaria de treinar comigo, Genzo?

- Com certeza. – ele respondeu, o rosto se iluminando num sorriso e Maya riu novamente

- Quando acabarmos de tomar café, podemos ir até o campo de treino do Grawlbald. Não deve ter ninguém por lá, mesmo...

Campo de treino do Grawlbald – 10h

A limusine encostou próxima a calçada e os dois jovens desceram. Ambos estavam vestidos com o moletom do Grawlbald. Os jornalistas que estavam de olho nos jogadores treinando, começaram a tirar fotos dos dois. O flash da câmera fez o rapaz levar a mão ao rosto, porém a jovem, acostumada àquilo, apenas sorriu para os fotógrafos.

- Bom dia. – ela cumprimentou a todos com um sorriso nos lábios

- Bom dia, senhorita Maya. – respondeu um jornalista. – Pretende jogar amanhã, no sábado?

- Oh, claro. – ela disse sorrindo, como sempre.

- Quem é este rapaz, senhorita?

- Ah, este é Genzo Wakabaiashi. Ele foi contratado pelo Grawlbald para a próxima temporada. Vai treinar comigo. – disse gentilmente e depois os dois foram andando em direção ao campo passando pelos repórteres – Agora, se não se importam, precisamos treinar.

- Por que todos te tratam com tanto respeito? – Genzo perguntou ao ver que tinham se distanciado dos repórteres – Eles a chamam de "senhorita"...

- É porque eu os trato bem. E... Ainda tem o lance do meu irmão...

- Como é ser a irmã do águia do Catalunã? – ele perguntou brincando quando os dois chegaram ao campo de grama sintética

- É péssimo. Todos ficam fazendo comparações, estão sempre perguntando por ele... Isso enche o saco. – ela bufou ao tirar sua mochila das costas e colocou-a num banco, ao lado do campo onde um grupo de jogadores se divertia com uma bola.

Maya colocou as mãos na cintura e olhou para o campo de treinamento, irritada.

- E eu achei que não ia ter ninguém treinando hoje... Ninguém costuma treinar a essa hora do dia. Parece que fizeram de propósito.

- Você é um pouco mimada, não é? – perguntou Genzo sorrindo para ela. Maya olhou para ele, boquiaberta.

- Como disse...? – ela perguntou incrédula com a franqueza dele. Ninguém nunca tivera coragem de dizer isso a ela.

- Bem, você tem várias empregadas, motorista particular e reclamou quando viu que o campo não seria só seu, ou seja, você não sabe dividir nada... E ainda por cima é milionária.

- Ah, essa última parte não tem nada a ver... E... Tudo bem, eu concordo, eu sou mimada. Mas é que eu e meu irmão fomos criados pelo nosso mordomo e ele sempre fez tudo o que nós queríamos.

- Mas o seu irmão não é mimado, é?

- O Rivaul é muito diferente de mim, todos comentam sobre isso. Principalmente na aparência: eu sou ruiva e ele é negro. A minha mãe é ruiva como eu, e o meu pai é negro, como o Rivaul. Por isso somos tão diferentes fisicamente. – ela completou, sorrindo, ao ver que ele não entendera o que ela dissera.

- Entendi. – ele disse e sorriu mais uma vez

- Vamos treinar, então.

Os dois fizeram um pequeno aquecimento e depois foram até o campo, mais especificamente até o gol. Maya segurava uma bola em suas mãos e Genzo ajeitava sua luva no interior do gol.

- Vou te mostrar o meu chute principal. Ele é bem difícil de ser defendido, por isso não se sinta frustrado caso não conseguir pará-lo, ok? – ela posicionou a bola no chão e se preparou para chutar. Ele acenou a cabeça para ela indicando que estava pronto. Maya levou a perna direita para trás, de modo que o pé ficasse acima de sua cabeça. Quando chutou, a bola subiu e depois desceu, fazendo uma curva. Genzo ficou perplexo ao ouvir o som da bola batendo contra a rede do gol. Ele nem conseguira acompanhar o trajeto dela com os olhos!

- Eu chamo isso de "chute de trivela". Vamos treinar um pouco mais, talvez você consiga acertar agora.

Os dois ficaram mais algumas horas treinando, porém eles não perceberam que já estava tarde. Já havia anoitecido e nenhum deles se deu conta que deveria ir embora.

- Maya. – Karl chamou e ela se virou para olhá-lo – Eu e o Kaltz vamos sair hoje à noite, você gostaria de vir conosco?

- Claro. – ela respondeu exausta e com dificuldade para falar. – Você gostaria de vir conosco, Genzo?

- Vocês têm certeza de que não seria nenhum problema? – perguntou dirigindo-se a Karl

- Claro que não, Wakabaiashi, será uma honra tê-lo conosco. – ele respondeu sorrindo e Genzo fez o mesmo

- Então vamos marcar um local para nos encontrarmos. – sugeriu um jogador baixinho que havia acabado de chegar e se chamava Kaltz.

- Eu posso passar na casa de vocês e então vamos todos juntos. – Maya disse acenando para Kaltz.

- Onde você está hospedado, Wakabaiashi?

- Num hotel próximo ao apartamento da Maya.

- Então, Maya, você leva o Wakabaiashi e nós nos encontramos naquela boate de sempre, ok? – perguntou Karl e ela acenou positivamente com a cabeça.

Karl se aproximou dela e a beijou demoradamente. Genzo sentiu suas bochechas corarem e, por algum motivo que ele ainda desconhecia, sentiu raiva de Karl.

Fim do segundo capítulo