Goddess of the soccer

Capítulo 5: Quando as cerejeiras florescem

O avião do Gralwbald pousou no aeroporto da cidade de Nankatsu às 11h. Os jogadores saíram entusiasmados do avião e queriam ir logo para a cidade, porém encontraram uma legião de fãs à sua espera: a imprensa alemã sempre era avisada sobre as viagens do time, logo todo o mundo ficou sabendo.

- A cidade vista de cima é tão linda! – Maya exclamou ao passarem pelo portão principal do aeroporto. Acenou mais uma vez para os fãs. – Genzo, acho que eles estão acenando para você, não para nós.

- Atenção, jogadores! – o técnico pediu. O pai de Maya ao seu lado – Esses táxis que estão estacionados na calçada são para levar vocês ao hotel. Dividam-se em grupos de quatro pessoas por táxi, por favor.

Genzo ergueu o braço no ar. O treinador assentiu que ele falasse.

- Senhor, gostaria de dar uma volta pela cidade e de ficar em minha casa, não no hotel. Posso?

- Tudo bem, Wakabaiashi, está liberado. – Genzo sorriu. – Alguém mais tem alguma pergunta? – Maya ergueu o braço - Fale, senhorita Lopez. – o técnico se apressou em dizer. Sabia do clima delicado que pairava sobre as cabeças de Maya e seu pai.

- Posso ir com o Genzo? Eu queria fazer um reconhecimento do local, sabe...

- Pode ir, mas retornem às 16 horas para um treino no campo de futebol do hotel. – os jogadores reclamaram, mas o técnico ignorou e entrou num dos carros junto do pai de Maya.

Karl encarou Maya com um olhar furioso e entrou num táxi seguido por Kaltz e alguns rapazes.

Maya chamou um carregador e indicou as malas. Fazia gestos espalhafatosos com as mãos tentando fazê-lo entender, mas o homem parecia não conhecer linguagem de sinais.

- Leve estas malas até aquele homem dentro daquele carro – Genzo apontou com o dedo indicador para o pai de Maya enquanto falava com o homem em japonês. – e peça a ele para levar as malas da senhorita Maya Lopez para o quarto dela no hotel em que ficará. – enfiou as mãos nos bolsos da calça procurando alguma coisa. Depositou algumas moedas na mão do carregador que saiu fazendo uma breve referência. Fez o mesmo.

- Qualquer hora... Pode me ensinar a falar japonês? – Maya perguntou sorrindo.

- Quando quiser, senhorita Lopez. – a ruiva levou as mãos à boca sufocando uma risadinha. Genzo puxou as mãos dela e a conduziu até o táxi que os esperava. Segurou a porta para que ela entrasse. Maya sorriu e entrou no táxi.

Quanto cavalheirismo..., pensou e deu um longo suspiro.

Ao entrar no carro escorregou para o lado esquerdo para que Genzo pudesse fazer o mesmo.

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Maya e Genzo saíram do carro. Estavam no bairro em que Genzo morava. Saltaram do táxi um pouco antes da casa de Genzo para que Maya pudesse conhecer o bairro.

- Vamos à minha casa, primeiro. Depois eu a levo para conhecer a cidade.

- Ok.

Os dois foram andando lado a lado pela calçada larga. Maya observava tudo ao seu redor: as casas eram simples, diferentes das que ela morara, mas pareciam ser tão aconchegantes... As pessoas que passavam por eles sorriam. Ela nem sabia se eles a reconheciam, mas sabia que sorriam verdadeiramente, diferentes das pessoas que encontrava na Alemanha.

Eles chegaram a um campo de futebol um pouco abandonado. Havia uma ladeira repleta de grama que dava para o campo de areia. Genzo ficou observando o campo por um tempo.

- Vamos. – Genzo disse. Maya podia jurar que vira um sorriso no rosto dele.

Alguns minutos depois eles chegaram à casa de Genzo. Era bem mais luxuosa do que Maya imaginara.

A mãe dele os recebeu educadamente e não conseguiu conter sua felicidade ao ver o filho.

- Nós vamos dar uma volta então, ok mãe? – Genzo disse ao colocar suas malas em seu quarto

- Sim, mas Genzo pretende ir a algum lugar em especial? – a mãe perguntou sorrindo

- Lugar especial? Acho que não, por quê?

- Hoje à noite vai haver o Festival de Primavera. Você poderia levar essa sua amiga, tenho certeza de que ela irá gostar. Certo, senhorita Maya?

- Eu adoraria, mas... Pode não me chamar de senhorita, por favor? – perguntou gentilmente

- Oh, claro, querida. Desculpe-me.

- Sem problemas.

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A noite logo veio. Para Genzo ela demorou muito a chegar. Seria a oportunidade que ele estava esperando há muito tempo para poder conhecer Maya melhor, sem a presença de Kaltz e, principalmente, Karl.

Foi andando até o hotel onde os jogadores do Gralwbald estavam instalados. A lua no céu brilhava gentilmente e ele fechou os olhos ao sentir uma brisa passar por seu rosto.

- Você demorou. – Karl disse mal-humorado quando Genzo chegou à recepção do hotel. Nenhum sinal de Maya.

- Desculpe, eu quis vir andando para apreciar a noite.

- Tudo bem. A Maya já vai descer. E, Genzo, cuide da Maya, ok? Eu confio em você e sei que não deixará ninguém se aproximar demais dela.

- C-claro.

O silêncio reinou nos minutos seguintes. Genzo evitava olhar para o loiro e este de repente olhou para a escada que levava aos quartos.

Genzo parou de respirar durante um minuto. Sentiu seu rosto ficar quente. As mãos começaram a suar.

Maya estava linda. Vestida totalmente diferente do que ele já a vira usar antes. Ela vestia uma calça jeans colada ao corpo e uma blusa preta curta. Os cabelos soltos caíam sobre o ombro direito delicadamente. Seu rosto não estava maquiado. Apenas um batom claro e mesmo assim estava...

- Linda... – ele sussurrou sem sentir. Karl o olhou indignado, mas ele não o viu.

A ruiva terminou de descer as escadas e quando chegou perto dos dois deu um beijo na bochecha de Karl.

- Cuide-se. – ele disse quando ela enlaçou seu braço ao de Genzo.

- Pode deixar.

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No caminho até o festival, Genzo não disse nada. Apenas admirava Maya enquanto ela comentava sobre o serviço de quarto do hotel.

- É incrível! Deixaram até um chocolate pra mim! – ele riu. Ela era tão perfeita... Mas não pertencia a ele.

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- Você está bem? – Genzo acenou positivamente com a cabeça – Não quer procurar um remédio, não?

- Não...

- Você não parece bem.

- Eu estou bem.

- Tem certeza?

- Tenho.

- Se quiser vomitar não tem problema.

- Mas eu não quero vomitar.

- Tem certeza?

- Absoluta.

- Se você tivesse dito que tinha medo de andar na montanha russa eu teria ido sozinha.

- Eu não tenho medo de andar na montanha russa.

- Tem sim.

- Não tenho.

- Que tal sentarmos um pouco?

- Pra mim está ótimo. - Genzo respondeu cambaleando ao lado dela

- Claro, você está passando mal...

- Eu não estou passando mal!

- Sim, sim, eu sei. – Maya tentou abafar sua risada com as mãos. Era tão divertido implicar com ele.

Os dois sentaram-se num banco de madeira abaixo de uma cerejeira.

Uma brisa leve passava por fazendo com que os cabelos de Maya voassem. Uma pétala de cerejeira trazida pelo vento pousou no nariz dela. Mas ela não percebeu.

Genzo sorriu.

- O seu rosto... - tocou gentilmente no nariz dela e retirou a pétala. Durante um minuto ele pôde sentir o perfume doce dela.

Ficaram com os rostos próximos olhando-se por alguns segundos. Genzo quase não conseguiu se controlar e quase a beijara.

Maya desviou o olhar, ruborizada.

- Você está linda hoje. – ele disse ainda olhando para frente.

- Ah, obrigada...

- Só falta uma coisa.

- O quê? – Maya perguntou virando o corpo para ficar de frente pra ele, agora mais descontraída.

- Feche os olhos. – ela obedeceu ao pedido um pouco curiosa.

Sentiu Genzo levantar do banco e depois se sentar novamente.

- O que você está fazendo, ein? – perguntou curiosa

Sentiu Genzo tocar seu cabelo e pôr algo nele. Ela sentiu o perfume dele e tinha certeza de que ficara vermelha.

- Pode abrir os olhos.

Ela pôs a mão no cabelo e sentiu uma flor nele.

- É uma Sakura. Agora você está perfeita.

Ela sorriu. Apoiou a cabeça no ombro dele e ficou observando a lua cheia no céu.

Ela não sabia o que era, mas sentia que ele possuía algo que a atraia. Algo do qual era impossível fugir.

Fim do quarto capítulo