Goddess of the soccer
Capítulo 7: O doce veneno do escorpião
"Maya, será que você poderia me encontrar no parque que fica perto da sua casa? Gostaria dizer uma coisa a você."
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- Olá! – Maya cumprimentou gentilmente quando encontrou Genzo no parque. Ele havia deixado uma mensagem em sua secretária eletrônica para que o encontrasse lá.
Ela não entendia o porquê daquele encontro, já que o dia amanhecera chuvoso e ela preferia ficar enrolada no edredom a andar na chuva. Mas não conseguia resistir a um pedido de Genzo e, então, lá estava ela.
- Por que trouxe o seu violão? – ela perguntou apontando para o objeto ao lado dele
- Estava tocando enquanto você não chegava.
- Ah, ok.
Sentou-se ao lado dele num banco de madeira que ficava em frente a um grande carvalho. Ficou olhando pra frente e ele fez o mesmo.
- Quando estávamos no Japão, você chegou a encontrar algum de seus amigos?
- Sim, todos eles.
- Incluindo o Ozora?! – ela perguntou atônita se virando para encará-lo
- Sim.
- Por que não me levou junto com você?
- Ah, você estava ocupada treinando, era o último dia que ficaríamos lá e eu precisava mesmo dar uma volta sozinho.
- Por que o sozinho?
- Ah... Qualquer dia eu te explico. – disse sorrindo enigmaticamente
- Você está triste? – Maya perguntou com um sorriso nos lábios. Um sorriso que para Genzo era sinal de perigo. Sempre que ela sorria daquela forma, ele perdia a cabeça.
- Ah, um pouco.
Maya apoiou as mãos com força no banco e olhou o céu nublado com um sorriso enquanto balançava as pernas como se estivesse num balanço.
- Quando eu fico triste... Costumo ir até uma pista de patinação no gelo. Sempre funciona.
Genzo a olhou sem entendê-la.
Como pode ser tão inocente e ao mesmo tempo tão sedutora?
- Hm... Então, o que aconteceu quando você e o Tsubasa se encontraram?
- Ele tinha quebrado o ombro e insistiu em jogar na final do campeonato não se importando se pioraria o estado dele ou se não poderia mais jogar...
- Ele só queria vencer naquele momento.
- Isso mesmo. – Genzo a olhou abismado. – Como você sabia?
- Ah, isso já aconteceu comigo uma vez, numa competição de patinação no gelo.
- Só isso? Não vai me contar mais nada?
- "Qualquer dia eu te explico." – concluiu piscando o olho direito para ele. Genzo gargalhou.
- Então, o que queria dizer?
- Ah, pois é, eu a chamei aqui porque queria falar com você.
Hã?, Maya estava confusa.
- Maya. – Genzo virou seu corpo de modo que ficasse de frente para ela.
Maya sorriu tentando encorajá-lo a falar.
Por que é tão difícil para os homens se abrirem para os outros?, ela pensou travessa.
- Não posso deixar que você se case com Karl sem que fale isso a você.
- Ok, agora você está me assustando.
- Por favor, não fale nada até que eu tenha terminado. Você não tem idéia do quanto é difícil para eu estar fazendo isso e traindo a confiança do Karl, que eu demorei tanto para obter.
Está me assustando ainda mais.
- Quando a vi pela primeira vez, achei que fosse um anjo. Um anjo que veio me salvar da minha monótona vida. Mas depois descobri que esse anjo já tinha dono. E me omiti porque achei que ela amasse seu dono. Porém o que vi recentemente foi uma brecha. Uma brecha no coração desse anjo para que eu pudesse entrar. – ele virou o corpo novamente e ficou olhando o balanço enferrujado próximo ao grande carvalho que fazia um barulho irritante – Um anjo ferido, mas que nunca perdera seu altruísmo. Um anjo tão puro, tão belo. Não consegui resistir aos encantos desse anjo. Decidi-me novamente por não dizer nada. "Já tenho a amizade e confiança dela, não posso exigir que me ame", pensei. Mas esse dono percebeu que eu amava seu anjo. Entretanto, ele não denunciou a traição, ficou em silêncio. Estou prestes a perder o meu anjo, então... Forcei-me a dizer a ele tudo o que sentia, pois pior do que perder é não entrar na disputa. – ele virou o rosto de modo que pudesse olhar o de Maya. – Maya, quer ficar comigo? Eu não consigo viver sem você.
- Por que... Porque você sempre faz isso? Por que age como se me conhecesse muito bem e... Por que age como se soubesse exatamente o que estou sentindo?! – ela perguntou irritada sem encará-lo nos olhos
- Maya, se eu soubesse que ia te magoar tanto, eu...
- Você o quê?! – vociferou e se levantou do banco – O que teria feito?
A chuva caiu abundante como as lágrimas de Maya, acompanhada de trovoadas.
Genzo deixou o violão sobre o banco e pôs-se de frente para Maya.
- Desculpe, eu não deveria ter gritado. – Maya falou olhando para o chão. – É que... Nós nos conhecemos há tão pouco tempo e eu... Não posso corresponder aos seus sentimentos, Genzo, eu não posso! Estou noiva de Karl. Nós vamos nos casar amanhã. – foi a vez de Genzo derramar algumas lágrimas – Eu não posso amar você...
- Sei exatamente o que está sentindo. – colocou sua mão sobre o queixo dela e a fez olhar para ele. – E é exatamente por isso que não posso deixar que se case com Karl sem antes de fazer isso.
Foi como se os dois soubessem exatamente o que o outro estava pensando; as bocas, unidas, pareciam se conhecer há muito tempo; as mãos quentes deslizando pelos corpos gelados e molhados; a sensação de perfeição, de ter encontrado a pessoa certa, a alma gêmea... Aquilo tudo foi demais para Maya.
Ela o afastou bruscamente e o olhou com os olhos arregalados durante alguns segundos. Os olhos acinzentados dele a fizeram se sentir mal. Correu parque afora o deixando sozinho ali.
Nenhum dos dois sabia, mas um homem com uma máquina fotográfica na mão sorria satisfeito escondido atrás de um arbusto.
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Maya correu o mais rápido que pôde, mas não conseguia deixar aquela sensação para trás. Sentia-se despida. Sentia como se Genzo a houvesse despido totalmente diante do mundo.
Não conseguiu evitar que o rosto de Genzo viesse à sua mente. Todas as vezes que ele fora gentil com ela, todos os sorrisos...
"Você é linda."
"Vamos à minha casa, primeiro. Depois eu a levo para conhecer a cidade."
"Genzo, pretende ir a algum lugar em especial?"
"É uma Sakura. Agora você está perfeita."
- Karl...
"Maya, casa comigo?"
Fim do sétimo capítulo
