Goddess of the soccer
Capítulo 10: O último dos empecilhos
Maya olhou-se no espelho pela centésima vez. Estava muito incomodada com sua aparência. Possuía feições infantis e delicadas, quando na verdade ela não era nenhuma das duas coisas. Delicada ela até podia ser, mas muito pouco, ela fazia mais o tipo "garota levada".
Os cabelos alaranjados e longos junto aos olhos muito verdes lhe davam uma aparência quase que angelical. Tocou os fios longos e fez um muxoxo.
Então eles é que são o problema..., ela pensou.
Largou o cabelo e começou a procurar algo na gaveta embaixo da pia do banheiro. Sorriu ao encontrar a tesoura pela qual estava procurando.
Pegou primeiro as mechas da frente e as esticou para que pudesse ter uma idéia mais concreta do tamanho de seu cabelo.
É, realmente... Está muito longo, ela reparou que ele ia até um pouco abaixo da cintura quando estava esticado.
Pegou a tesoura e cortou aquele tufo de cabelos na altura do ombro. Quando os fios tocaram o chão, os que ela não cortara logo fizeram cachos nas pontas.
Sorriu para a sua imagem no espelho satisfeita com o resultado. Ela realmente era uma ótima cabeleireira nunca mais precisaria ir a um salão de beleza. Terminou de cortar o resto do cabelo – com um pouco de receio em cortá-lo de forma desigual, mas ela até que cortou direitinho – e depois pegou os tufos de cabelo caídos no chão e os jogou na lixeira ao lado do vaso sanitário.
Quando saiu do banheiro de sua suíte, jogou o roupão branco que estava usando em cima da cama e foi até o guarda-roupas para procurar seu biquíni. Ela, Genzo, Karl e Kaltz haviam combinado de irem à praia juntos naquele dia.
Inicialmente, ela recusara o convite preocupada com alguma possível tensão existente entre ela, Karl e Genzo, já que só se passara apenas uma semana desde que ela e Karl quase se casaram.
Quando suas amigas conseguiram localizá-la três dias após a data do suposto casamento, ficaram falando o tempo todo que ela não deveria ter feito aquilo com Karl e que a festa havia sido ótima – Rivaul não deixou que Karl cancelasse a festa como estava planejando e o colocou num táxi de volta para sua casa. – e que ela não deveria ter perdido, ao que Maya teve que responder "como eu poderia ir à minha festa de casamento se eu não me casei?" o mais baixo que pôde porque estavam na casa de Genzo e ela não queria que ele a ouvisse falar de Karl. Não que ele tivesse criado algum problema quanto a isso, ela tinha certeza de que ele não criaria, que seria o mais compreensivo possível, mas ela ainda tinha receio de tocar nesse assunto com ele, então desde o dia em que ela aparecera vestida de noiva no apartamento dele, eles nunca mais conversaram sobre isso.
Ao terminar de colocar o biquíni ela ouviu o interfone tocar e alguns segundos depois a empregada apareceu em seu quarto avisando que seus amigos já haviam chegado.
- Diga a eles que esperem só mais um minutinho que eu já vou descer, por favor.
Foi novamente até o guarda-roupas e pegou um short jeans curto e uma blusa de alças finas e as vestiu rapidamente porque imaginava que Kaltz estivesse reclamando da demora dela, como sempre fazia quando eles saíam juntos.
Pegou sua bolsa que ela já havia aprontado em cima da poltrona – a mala ela já havia deixado com o porteiro para não irritar Kaltz tanto assim – e saiu do apartamento, indo em direção ao elevador.
Quando chegou ao saguão de entrada, mal avistou seus amigos e os cumprimentou e Kaltz logo começou a reclamar.
- Francamente, Maya, por que se arrumar tanto? Todo mundo já não disse ao menos uma vez que você fica linda de qualquer... – ele não chegou a completar sua frase porque reparou pela primeira vez que ela cortara o cabelo. – Que diabos você fez com o seu cabelo??? O quê, mas... Por quê? O seu cabelo, ele... Não acredito que você fez isso! Ficou tão... Tão...
- Você não falou que eu fico linda de qualquer jeito? Ou ia falar, tanto faz... – ela disse de modo displicente enquanto abraçava Genzo. – Virou metrosexual, é, Kaltz? Achei que você fazia o tipo machão que nem fazer a unha faz. O Genzo faz a unha, não faz, amor? – ela completou enquanto pegava na mão de Genzo para analisar suas unhas
- Aposto que o Wakabaiashi faz parte desse grupo. – Karl disse com um sorriso debochado no rosto.
Maya o encarou assustada por um momento. Teria havido ali algum sinal de ciúmes ou fora impressão dela?
- Eu não faço a unha, Karl. – Genzo respondeu olhando Karl nos olhos de forma rude
- Mas, voltando o assunto ao cabelo desta criatura endiabrada que eu aposto que nem ir a um salão foi, a questão não é se eu sou metrosexual ou não, o que eu faço questão de afirmar que não sou, se você quer saber, e sim que você ficou com uma cara ainda maior de ninfeta!
- Vamos embora, por favor? – Karl pediu com educação enquanto se controlava para não rir. Maya havia tentado fazer Kaltz engolir uma flor de decoração que estava ali por perto.
Os quatro saíram do prédio após muita insistência de Karl e Genzo que tentavam apartar a briguinha de Maya e Kaltz e entraram no carro de Kaltz que estava estacionada na rua. Karl foi no banco da frente com Kaltz e Maya e Genzo foram no banco de trás.
- É a primeira que vou à praia, aqui na Alemanha. – Genzo disse olhando pela janela do carro
- Ver-verdade? – Maya disse se soltando do abraço e olhando-o atônita.
- Aham. – disse ele encarando-a sorridente.
Ao chegarem à casa de praia de Kaltz – Genzo ficou surpreso por quão grande uma casa de praia podia ser e ficou imaginando o tamanho da casa de Kaltz. Se a casa de praia dele era daquele tamanho... A casa deveria ser uma mansão. – eles levaram as malas até os quartos onde ficariam – Maya ficou com Genzo, naturalmente – e depois foram até a sala de estar.
- Maya!! – Ashlee a chamou enquanto corria da entrada da casa até ela
- O-o que você está fazendo aqui? – ela perguntou quando a amiga a abraçou
- Kaltz nos convidou. – Mia disse colocando sua mala no chão
- Achei que íamos ser só nós quatro. – ela disse olhando na direção de Kaltz que deu de ombros
- Vamos à praia? – Ashlee disse enquanto tirava sua blusa. Estava com um biquíni roxo que fazia forte contraste com a sua pele claríssima.
- Ah, claro. – Genzo disse puxando Maya pela mão na direção da saída da casa
- Ei, é pro outro lado. – Maya disse fazendo-o parar
- Mas... Quando nós chegamos, eu vi que a praia era do lado da entrada, como pode ser do outro lado?
- O Kaltz comprou uma parte da praia, seu bobo, a praia em que nós vamos é a dele. – Maya disse como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo e puxou Genzo, ainda atônito, para os fundos da casa onde ficava um quintal enorme, uma churrasqueira e, finalmente, uma parte da praia.
Genzo deu de ombros ao ver Maya tirar a roupa apertada e ao perceber que ela estava realmente linda naquele biquíni – ele o achou pequeno demais, mas preferiu não comentar sobre isso porque não queria brigar com ela e nem queria que ela achasse que ele era ciumento – e tirou sua blusa também.
Ela o puxou delicadamente até a água e ao chegar lá ela o abraçou bem apertado, sorrindo como sempre fazia com ele, e o beijou.
Mas, para infelicidade de Genzo, o beijo foi interrompido pelas amigas de sua namorada e Karl que entravam na água correndo e jogando água para tudo quanto é lado, inclusive em cima do casal. Kaltz ficou em casa, preparando o churrasco.
- Desculpe, Wakabaiashi, não sabíamos que íamos atrapalhar vocês. – Karl disse sorrindo de forma sincera. Pelo menos foi o que Maya percebeu porque Genzo achou que desde que eles se encontraram naquele dia Karl estava fazendo de tudo para parecer o menos indelicado possível. Com ele, não com Maya. Com ela ele continuava a agir de forma gentil e educada.
- Tudo bem. – Genzo respondeu sério soltando a mão de Maya que fora brincar com as amigas
Ele não iria deixar Karl estragar seu final de semana com Maya, aquele seria o primeiro final de semana que eles realmente ficariam juntos. A primeira semana de namoro dos dois – ele fez questão de pedi-la em namoro no dia seguinte ao "casamento" dela – teria que ser perfeita.
Em trinta minutos Kaltz chamou a todos avisando que o almoço estava pronto.
Maya puxou Genzo correndo para dentro da casa. Ela o levou para a sala de estar e o encostou numa das pilastras do lugar com a mesma intensidade do abraço da praia. E então o beijou mais uma vez.
- Estava com saudades, parece que o mundo resolveu conspirar contra nós nessa última semana, não acha? – Maya disse interrompendo o beijo. Desceu suas mãos do pescoço de Genzo para segurar as mãos dele nas suas.
- Nem me diga. – ele respondeu pousando a cabeça no ombro dela
- Por que as coisas estão sendo tão difíceis para nós, Genzo? Nós nos amamos de verdade, mas... Parece que o mundo quer impedir que nós fiquemos juntos para sempre, que tenhamos o nosso final feliz. – ela desabafou com a cabeça encostada no peito dele
- Porque nós precisamos passar por tudo isso para que o nosso amor se fortaleça. E quem disse que nós vamos ter um final feliz? O nosso amor vai atavessar a eterniadade. E eu juro Maya, não vou deixar que ninguém nos atrapalhe. Eu te amo de verdade.
- Também amo você. Muuuuuito. – ela falou encarando o rosto dele com um sorriso nos lábios
Genzo a abraçou com força como se temesse que aquele momento pudesse acabar e, num gesto de carinho, passou o rosto pelo cabelo dela. Ele se sentia tão confortável ali, como se o segredo da felicidade tivesse sido dado a ele.
- Já falei que adorei o seu corte de cabelo?
- Na verdade, - ela se afastou um pouco dele, o mínimo possível, apenas para poder olhá-lo nos olhos – não.
Ele sorriu e segurou a mão esquerda dela.
- Vamos almoçar.
- Vá na frente, eu vou num instante. – Maya disse olhando para o lado de fora da casa, para a rua.
- O.K., mas não demore. – ele disse antes de sair
Maya sorriu para ele mais uma vez e voltou a olhar pelo vidro da porta para a rua. E o que viu não agradou a ela. Pelo contrário, o que ela viu a fez até sentir-se mal. Ela vira Karl beijando Ashlee intensamente. E não, aquilo não era um beijo comum. Parece que estava acontecendo algo entre os dois, algo do qual ela não sabia.
Pelo resto do dia Maya tentou parecer o mais natural possível quando falava com Karl ou Ashlee. Não era como se ela estivesse gostando de Karl de novo, nem como se estivesse sentindo ciúmes. Ela apenas sentia que Ashlee não era a pessoa certa para Karl. Ele era tão certinho e ela era tão... Ela gostava de ficar com vários garotos e ela tinha certeza de que Karl era apenas mais um dos muitos garotos com quem ela queria apenas se divertir.
Mais constrangedor do que assistir àquela cena foi quando ela se encontrou com Karl na cozinha. Ela estava pegando um pouco de água na geladeira e ele comendo um pedaço de torta, sentado à mesa.
Estavam sozinhos, ela constatou ao olhar em volta.
- Hm, então, se divertindo? – ele perguntou não muito à vontade
- Ah, sim, e você?
- Também.
Maya sentou-se de frente para ele na mesa. Largou a garrafa de água e o copo em cima desta. Não agüentava mais, teria que falar com ele.
- Karl, qual é o lance entre você e a Ash? Porque, sabe, eu não acho que o que vocês estão fazendo esteja certo. Quero dizer, se você está tentando fazer ciúmes em mim ou algo assim ou, sei lá, alguma coisa parecida com isso... Karl, eu sei que machuquei você e sinto muito, mas você ainda pode conversar comigo. Eu achei que você já tivesse superado isso... Você já pensou na possibilidade de que eu posso não ter me recuperado dos últimso acontecimentos? Nós somos amigos, não somos Karl? Por que as coisas não podem voltar a ser como antes? E, ei, foi você que convidou a Ashlee e a Mia?
- Primeiro, Maya, - ele disse largando o garfo com estrépito na mesa. – sim, fui eu que as convidei. E, segundo, eu não superei você coisa nenhuma! Que saco, Maya, por que você sempre tem que se meter nas coisas? Você fica o tempo todo agarrada àquele japonês e depois vem me dizer com que eu posso e com quem eu não posso me relacionar? E você não se recuperou disso? Então, Maya, eu realmente não sei o que é só se recuperar de ter dado um fora em alguém. Porque foi exatamente isso o que você fez. Não foi você que levou o fora, não é você que precisa de tempo pra se recuperar disso, sou eu.
- Eu não estava fazendo isso, eu só... – Maya se sentiu incrivelmente mal. Porque Karl estava certo, ela estava errada. Ela havia mesmo ficado agarrada à Genzo o tempo todo, inclusive nas pausas dos treinos dos dois sem ao menos se preocupar com Karl.
- Vamos fazer uma coisa para que não reste mais nenhuma mágoa entre nós, ok? Eu fico com quem eu quiser e você com o seu japonês e nenhum de nós conversa sobre isso. Ok? E, só pra avisar, estou saindo do Gralwbald e indo para o Rotburg. Esse é o meu último mês jogando lá com vocês.
- Mas, Karl, eu... Eu não queria que as coisas fossem assim entre nós... – algumas lágrimas rolaram inconscientemente pelo rosto dela. – Eu não queria machucar você, Karl...
Ele se levantou da onde estava sentado e se ajoelhou de frente para ela. Sorriu.
Que droga, Maya, nem nas horas que eu preciso falar sério com você eu consigo., ele pensou com amargura
- Está tudo bem, é sério, nós dois vamos ser pra sempre irmãozãos. Eu prometo. – e a abraçou de forma acolhedora, ela ainda chorando em seu ombro.
- Obrigada por estar sempre comigo, Karl...
- De nada.
Quando os dois saíram para a praia, os olhos de Maya não estavam mais vermelhos de tanto chorar. Karl ficara lá com ela, esperando que eles voltassem ao normal para que ninguém soubesse do que havia acontecido entre eles.
Maya soltou a mão de Karl e foi até Genzo e sorriu para ele.
Ela estava bem. Agora estava. Não restava mais nenhum empecilho para o relacionamento dos dois. E ela decidira apoiar o relacionamento de Ashlee com seu ex. Quando ela viu os olhares que os dois trocavam enquanto estavam conversa, ela pensou que havia algo no ar, entre os dois. E que talvez uma bonita relação pudesse surgir entre os dois, algo sério.
- Tudo bem com você? – Genzo perguntou quando os dois estavam voltando para casa no domingo à tarde
- Tudo ótimo. Verdade. Mas diga-me, há alguma chance concreta de quando nós chegarmos em casa você passar o resto do dia comigo?
- Eu diria que há chances bem concretas, senhorita Maya. – ele disse bagunçando o cabelo dela – Adorei o seu cabelo, você ficou linda. E não tem nada de ninfeta, só de coelhinha da Playboy...
- Não tem nada!
- Ah, tem sim... Mas eu adorei.
Fim do episódio
N.A/: A Maya é mesmo a minha filhinha fofinha! Ela é tão lindinha, pena que ela não é real pra eu ficar apertando... . Até cortar o cabeço no ombro que nem eu ela cortou! Ok, vocês devem estar pensando "ei, mas foi você que escreveu essa cena". Sim, fui eu que inscrevi, mas eu senti que a Maya precisava de uma mudança radical para representar a nova fase da vida dela. E sabe aquilo de os personagens guiarem o escritor? Foi isso que aconteceu, eu senti que ela pedia pra cortar o cabelo.
Ela precisava fazer isso, é como um marco da nova vida dela. A vida dela com o Genzo.
"Irmãozãos", é assim que se escreve mesmo?
Ah, ah, quase que eu me esqueço da notícia principal do capítulo! Eu refiz o blog da fanfic! Aposto que a maioria de vocês nem sabia que eu tinha feito um blog, ein? Pois eu fiz e acabei excluindo porque ninguém aparecia por lá. Mas hoje eu o refiz porque fiquei pensando em fazer um especial desse capítulo, mas acabei desistindo porque a idéia não fluiu. Mas se vocês quiserem saber sobre o especial que não saiu mas que pode sair algum dia ou tiverem alguma dúvida ou quiserem só bater papo mesmo e saber do final da fanfic (eu acabo contando mesmo ¬.¬), é só irem lá no blog. E deixem o e-mail de vocês, por favor, para que eu possa responder aos seus comentários. O endereço do blog está lá no meu profile. Beijinhos e até o próximo capítulo!
