The goddess of the soccer

Capítulo 11: Separação

Algumas vezes o tempo passa tão rápido que gostaríamos que ele parasse. E em outras ele passa tão devagar que é como se ele tivesse parado. Em algumas dessas vezes, ele pára no momento perfeito. Mas, infelizmente, o tempo tem que continuar a passar.

E era exatamente isso que Genzo sentia que acontecera. Ele conhecera Maya, tornara-se amigo dela e os dois partilharam segredos, depois, ele percebeu que havia se apaixonado por ela – sim, porque se apaixonar, ele o fizera desde o primeiro momento em que a vira, mas para perceber que o que estava sentido era amor – e verdadeiro – demorou um tempo mais – e, por último, e mais importante, ela desistiu de um casamento por ele e os dois começaram a namorar. Nem parecia que já havia se passado um ano desde que ele saíra do Japão.

Durante aquele um mês de namoro os dois passaram o máximo de tempo possível juntos, mas nos últimos dias ele percebera que não só a imprensa, mas também os treinos de futebol os estavam separando.

Mas ele também sentia que não era só ele que estava sendo sincero sobre seus sentimentos. Quanto a uma traição, ele sabia que não precisava se preocupar. Sabia da fama de baladeira que Maya possuía, mas ele sentia que ela não o trairia. Ele não sabia como podia ter tanta certeza, mas de alguma forma ele tinha. Ele nem ligava para as revistas de fofocas que ficavam prevendo o fim do namoro dos dois – ou que apontavam brigas horrendas entre os dois que, na verdade, nunca tinham nem existido. Ele não se lembrava de ter brigado com ela uma vez sequer desde que se conheceram.

E, olhando a mulher sentada ao seu lado no sofá da casa dela reclamando de algum filme que estava passando porque, segundo ela, haviam escolhido errado a atriz que representava o papel da protagonista do filme – por algum motivo que ele não escutara, pois estava tão absorto em seus pensamentos que a voz dela parecia mais baixa do que já era – ele teve a sensação de que poderia passar a sua vida inteira daquele jeito, se aquela mulher concordasse em dividir a eternidade com ele.

- Você não concorda? – ela perguntou olhando-o com aquele olhar determinado que só ela tinha e que sinalizava perigo iminente para quem ousasse discordar dela.

- Ah, sim, claro. Totalmente.

- Você não estava me escutando, estava? – ela perguntou num tom de voz brincalhão enquanto trocava o canal da televisão

- Claro que estava. O que mais eu estaria fazendo? – ele perguntou no que esperava que não fosse um tom que o estivesse entregando

- Pensando no próximo movimento. – ela disse como se fosse algo sem importância enquanto continuava sua busca por algo interessante que estivesse passando na televisão

- Hã?

Ela bufou e deixou o controle no braço do sofá e sentou sobre a perna direita, de modo a ficar de frente para ele no sofá.

- Sempre que você fica com essa cara e eu pergunto se você está prestando atenção em mim e você responde que "totalmente", você está pensando em alguma coisa para me surpreender, o que você sempre consegue, já que eu me sinto como uma criancinha perto de você. Mas a questão é que você já fez isso algumas vezes.

Aquilo foi bem ruim de ouvir para Genzo. Ele não sabia que era tão fácil de ser analisado assim.

- O que foi? – ela perguntou sorrindo

- Eu não... Eu não sabia que eu era tão óbvio.

- E você não é. – ela respondeu como se aquilo fosse uma resposta convincente o bastante.

- Não estou entendendo. – ele disse sério

- Você não é fácil de ser analisado, você é até muito fechado. As almas-gêmeas têm o poder de ler através de seus amados.

Ele sorriu. Não que ele tivesse entendido o que ela dissera, mas porque ela havia se referido aos dois como almas-gêmeas.

Maya voltou a sentar-se normalmente no sofá, de frente para a televisão, e continuou a trocar os canais.

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- Ah, que treino mais chato... – Maya reclamou enquanto se espreguiçava.

O treino das jogadoras do Gralwbald estava muito parado, os treinadores apenas disseram que elas fizessem exercícios leves e alongassem o corpo e então estariam liberadas. Eles nem estavam presentes lá.

Isso está muito estranho... Ah, já sei! Vou ver o que o Genzo está fazendo!, ela pensou e foi até o vestiário feminino para vestir seu moletom. Depois foi correndo para onde os rapazes treinavam.

Estranhou que houvesse mais barulho que o habitual dos treinos enquanto se aproxima de lá.

Quando chegou ao local, ela surpreendeu-se ao ver os jogadores do Gralwbald jogando contra um time de jogadores de feições asiáticas vestidos com um uniforme azul.

- Mas... O que diabos é isso? – ela se perguntou não entendendo o que estava acontecendo. Genzo não havia lhe dito nada sobre jogar contra outro time e ela não vira nenhum aviso chamando os outros jogadores para assistir ao jogo.
E ao olhar para um dos lados do campo, lá estavam os treinadores.

- Droga! – ela reclamou chateada por não ter sido informada. Ela odiava não saber das coisas.

Foi até onde os treinadores estavam se controlando para não gritar com nenhum deles quando chegasse. Houve um momento em que os olhos dela e os de Genzo se encontraram e ela teve certeza de que ele estava com medo dela porque desviou o olhar do dela muito rápido.

- Quem são esses caras? – ela perguntou a seu pai quando o encontrou. Ele anotava algo numa prancheta

- São japoneses.

- Japoneses? – ela repetiu num tom irônico, como se ela já não soubesse aquilo – Por que eles estão aqui? – ela perguntou sem se deixar intimidar

- A Copa de Juniores é daqui a uma semana e o representante do futebol japonês, o Sr.Katagiri, me pediu que desse a esses garotos a chance de competir com o Gralwbald para que se acostumassem ao futebol internacional. E eles também vieram buscar o Wakabaiashi.

- Ah, então eles são os caras de quem o Genzo falou... Espera. Como assim buscar o Genzo? – ela perguntou aflita. Ele estaria indo embora de volta para o Japão? Então seria por isso que ele não contara a ela sobre a vinda de seus amigos para Berlim...

- Para jogar com eles na copa, não é óbvio querida? – o pai sorriu para ela

- Mas... Ele vai voltar, não vai?

- Claro que sim, o contrato dele é de mais cinco anos.

- Eu vou com ele! – ela exclamou decidida

- Sinto muito, mas não você poderá ir com ele. As garotas não terão folga durante o tempo que os rapazes estarão jogando na copa, então vamos pegar pesado com os treinos. – ele respondeu sem encará-la porque tinha voltado a prestar atenção no jogo. O Gralwbald estava na frente. Ela não entendeu como o placar deles podia ser zero, se Genzo havia insistido tanto que Tsubasa era um dos melhores do mundo.

- Mas, papai, o Genzo... – ela murmurou

- Ele vai e você fica, é simples. A não ser que você queira quebrar seu contrato, é claro. – ele respondeu olhando-a sério, querendo finalizar a conversa.

Ela não conseguia entender porque o pai não a compreendia. Maya se sentiu tão mal com a atmosfera do jogo que não conseguia ficar ali por mais tempo.

Quando estava indo embora, teve que passar pelo lado do campo onde os reservas japoneses e o técnico deles estavam e acabou esbarrando em um garoto japonês que havia acabado de chegar.

- Desculpe, eu não vi você. – ele se desculpou. Parecia estar mais interessado no que estava acontecendo com o jogo do que se ela se machucara porque ficava espiando por cima do ombro dela a quadra. Um homem de cabelos longos estava atrás dele, segurava seu blazer apoiado num dos braços.

- Tudo bem. – ela falou e continuou a andar, mas reparou que o garoto estava com o ombro direito enfaixado. De repente uma idéia lhe ocorreu – Espera. – ela pediu e se virou para ele. O garoto também parara e àquele momento a estava encarando com curiosidade. – Tsubasa, não é?

- Sim, sou eu mesmo.

- Bom saber. – ela disse com um sorriso triste. Ainda estava muito chateada com Genzo.

- E você, quem é?

- Não importa. – ela disse quando voltou a caminhar deixando para trás um Tsubasa confuso, mas ela percebeu que foi por pouco tempo porque ele logo voltou sua atenção para o jogo.

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- Por que você não me disse? – Maya tornou a perguntar, um olhar desolado em seu rosto. Ela tinha ido visitar Genzo à noite naquele dia e o encontrou fazendo as malas.

- Porque eu não sabia. – ele respondeu sem tirar os olhos das malas. Estava tentando colocar uma suéter ali, mas a mala já estava cheia.

- Como assim não sabia? – ela quis saber

Ele desistiu de tentar fazer caber mais roupa ali, então foi até um quarto vazio da casa que ele usava como depósito e voltou com uma outra mala.

- Eles não me avisaram, parece que queriam fazer surpresa. Mas o que eu não entendo é o porquê do pessoal do Gralwbald não nos avisar sobre o jogo, nós teríamos nos preparado melhor.

- Mas não foi necessário. – ela disse com seu tom de voz habitual, como se achasse aquilo tudo uma piada. Se Genzo não sabia que os amigos de infância estavam vindo para Berlim, ela o perdoava. Ele contaria para ela se soubesse, não contaria? – Eles perderam feio.

- Porque o Tsubasa não jogou. – ele respondeu sorrindo forçado para ela como sinal de ironia

- Por falar no Tsubasa, eu encontrei com ele hoje.

- Sério? – ele perguntou se interessando de repente pelo assunto

- Sim, ele estava chegando lá. Eu o reconheci por causa do ombro enfaixado. Ele não me deu muita atenção, estava mais interessado no jogo... – ela disse sorrindo, mas esse sorriso logo se desfez porque ela lembrou de outra coisa – Você vai embora quando?

Genzo também parecera estar pensando bastante sobre isso porque no momento em que ela fizera essa pergunta a ele, ele parara de mexer nas malas e ficou olhando com um olhar cabisbaixo para o chão.

- Daqui a três dias.

- Ah... – ela deixou escapar tristonha

- Vamos jogar contra o Rotburg. – ele disse sem demonstrar qualquer ansiedade.

- O time aonde o Karl vai entrar?

- Esse mesmo.

- Eu... Não vou poder ir ver você jogar. – ela disse, agora evitando encará-lo, mas podia sentir o olhar dele sobre ela.

- Não... Tem problema. – ele mentiu

- Eu queria... Ir com você. – ela respondeu já chorando um pouco

Genzo foi até ela e a abraçou apertado.

- Eu sei, mas você tem que ficar aqui e treinar. Promete que vai ser forte?

- Mas Genzo, eu...

- Promete? – ele perguntou segurando-a no queixo fazendo com que ela olhasse para ele, mas ele fez isso de um modo delicado. – Por favor, prometa, não vou conseguir me concentrar se souber que você não está bem. E, além do mais, você vai voltar a fazer shows mês que vem e nós não vamos nos ver por um bom tempo. Temos que ser fortes e começar a nos acostumarmos com isso.

- Você quer que eu me acostume a não ter você? – ela perguntou chorando ainda mais

- Ah, Maya, claro que não... Você sabe que eu na ficaria longe de você se pudesse escolher... Você é muito preciosa pra mim, querida. Então, promete que vai tentar superar a distância?

- Eu prometo. – ela respondeu e tornou a chorar quase que instantaneamente abraçando Genzo com mais força do que antes.

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Caminhando com Genzo a seu lado, Maya sentia como se ninguém pudesse feri-la. E ter suas mãos pequena e delicadas enlaçadas às grandes dele a faziam sentir-se protegida do mundo. Ela não sentia tristeza, ela não sentia medo e todas as lembranças do seu passado ficavam aonde pertenciam, à sua mente. Ela sabia que não podia apagá-las, mas sabia que com Genzo para lhe fazer companhia, elas não a alcançariam e ela conseguiria correr delas a vida toda.

- Quer ir ao cinema? – ele perguntou olhando no relógio no pulso direito.

Ela o olhou por um momento analisando as feições serenas e gentis dele.

Lindo, ela pensou.

- Claro. – respondeu sorrindo para ele.

E se eu não o tivesse conhecido? Teria conseguido sorrir tão sinceramente quanto agora? Ou teria continuado com a farsa?

Mas ela preferiu não continuar a pensar no que estava pensando e se concentrar em aproveitar ao máximo a presença de Genzo, já que dali a algum tempo ela não a teria mais.

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- Ah, Maya... – Genzo sussurrou, sua cabeça apoiada no ombro dela enquanto os dois se abraçavam. Ele se sentiu mais calmo por um minuto quando o cheiro familiar e suave emanando dos cabelos dela. – Eu vou sentir tanto a sua falta...

Ela não respondeu nada, lágrimas brotando em seus olhos foram a resposta não dita. Ela o abraçou mais forte num pedido de "não vá". Ele se afastou por um minuto para encará-la nos olhos. Um olhar que respondia "mas eu não quero ir".

- Fique. Por favor. – ela suplicou segurando as mãos dele nas suas

- Eu preciso ir. É o meu sonho, Maya, eu preciso lutar por ele. – ele disse tentando convencer a si mesmo de que era preciso. Se não tivesse prometido a Tsubasa e aos outros que iria... Ele seria capaz de trocar o sonho do campeonato mundial pelo sonho de mais um minuto com ela.

Era tão difícil deixá-la para trás. Mais difícil do que ele previra.

Ao ouvir a última chamada para seu vôo, ele deu um beijo na bochecha dela e ajeitou a bolsa em seu ombro. Viu uma lágrima escorrer sorrateira dos olhos esverdeados dela e os lábios dela se contraírem. Com as pontas dos dedos, ele limpou aquela lágrima e sorriu uma última vez para ela e caminhou até o portão de embarque. Não olhou para trás. Se olhasse, ele não seria capaz de ir embora.

Preciso me tornar um homem mais forte. Um homem do qual ela se orgulhe e goste ainda mais, ele tentou pôr em sua mente enquanto olhava a pista de decolagem pela janela do avião.

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Eu vou ser forte, Genzo, vou me tornar alguém que você não vai precisar ficar mimando e protegendo o tempo todo. Vou ser alguém de quem você vai se orgulhar e que você não vai querer deixar para trás. Eu prometo, ela disse selando a promessa que fizeram três dias antes com as mãos encostadas no vidro transparente da sala de espera que agora a separava daquele que amava. Quando você voltar, você não vai mais conseguir ir embora.

Fim do décimo primeiro capítulo


Olá! Desculpem pela demora, eu estava reescrevendo os capítulos anteriores e outras fanfics! Então leiam, ficou bem melhor agora! Ou não leiam, não há necessidade. Au revoir.