Capítulo 16
Fim
Maya tentou adiar o máximo que pôde o momento de se levantar. Acordou cedo, como de costume, mas ficou deitada na cama, rolando de um lado para o outro, pensando em desculpas para o seu comportamento na noite anterior. Por mais que pensasse não conseguia pensar em nenhuma. Não havia desculpa.
O telefone tocou, mas como em tantas outras vezes naquela manhã, ela ignorou o som agudo e afundou a cabeça no travesseiro. Seus ouvidos já haviam se acostumado ao toque do telefone, e este não a incomodava mais. Seus olhos estavam quase se fechando quando um som diferente a fez despertar. Um barulho de interfone.
Pensou em ignorar, mas somente os que sabiam o número de sua suíte era seu pai e Rivaul. Resolveu checar qual dos dois seria, e se fosse o primeiro, ignoraria. Caminhou pé ante pé até a porta da suíte não querendo fazer barulho, e olhou pelo olho mágico. Surpreendeu-se ao ver Karl parado do outro lado da porta.
Não havia se preparado mentalmente para uma visita de Karl, mas que mal poderia acontecer? Abriu a porta e sorriu para ele, dando-lhe espaço para entrar no quarto.
Ele a cumprimentou e teve seu cumprimento respondido num tom educado. Maya reparou no quão desconfortável ele parecia, e demorou a perceber que ainda estava vestida com uma camisola semitransparente.
- Desculpe pela minha roupa, mas assim é mais confortável. Espero que não se importe. – disse indicando a ele um lugar no sofá de frente para a cama de casal. Sentou-se na cama após ele fazer o mesmo no sofá.
- Não tem problema. – Karl disse, mas seu tom rubro no rosto denunciava seus pensamentos, e o fato de ele estar evitando olhá-la e preferir mirar o chão denunciava ainda mais.
- Estão falando muito sobre ontem? – perguntou querendo antecipar a saída de Karl. Sabia que era este o motivo de ele estar ali, e que pelo menos acabasse logo.
O telefone recomeçou a tocar, e Karl apontou para o objeto.
- Não vai atender?
- Não, já sei quem está ligando. – disse pensando no pai.
- Maya, eu não vim aqui para conversar sobre o que você fez na noite passada, mas para pedir que não jogue contra o Japão amanhã. Você não deveria. Só iria se machucar ainda mais.
Levantou-se da cama e sentou-se ao lado dele no sofá, segurando sua mão direita em cima da perna e forçando-o a olhá-la no rosto.
- Obrigada, Karl, mas nem eu sei se vou querer jogar amanhã. Acho que vamos todos ter que esperar pelo dia seguinte, não acha?
Karl concordou e a abraçou. O fato de ela não estar usando sutiã tornou o gesto ainda mais embaraçador para ele, mas Maya não pareceu perceber. Despediu-se dela, e foi acompanhado até a porta.
- Acredito em você, Maya, e sei que você irá tomar a melhor decisão possível.
- Eu sei Karl, obrigada. Estava pensando em me aposentar definitivamente do futebol. Não dá mais para continuar, não depois de ontem.
-
Apesar do título, este ainda não é o capítulo final
