Capítulo XXI

Medicina

Quando acordou ainda estava deitada na grama e Rivaul continuava segurando sua mão direita, mas agora Genzo também estava ao seu lado. A dor ainda estava lá, mas menos intensa. O médico o qual a estava examinando explicou que havia lhe injetado um remédio para aliviar a dor e que precisava examiná-la antes de a ambulância ficar pronta para levá-la ao hospital. Ainda sentia-se sangrando.

Não lhe deu atenção. Só conseguia olhar para Genzo ao seu lado e segurando sua mão esquerda. Sorriu para ele, que com a mão livre lhe fez carinho no rosto enquanto a olhava com um olhar terno. Não parecia com raiva. Parecia tão amigável quanto nos anos em que namoraram.

- Desculpe. – disse, mas quando ele fez menção de impedi-la de falar explicou-lhe que precisava. – Eu amo você, amo mesmo. E o motivo de ter dito não quando você me pediu em casamento foi que eu estava com medo.

Observou o olhar dele se alterar e se tornar ainda mais afetuoso e Rivaul olhar para os dois com uma expressão curiosa. Estava falando num volume baixo, mas tinha a impressão de que todos ao redor a estavam ouvindo.

- Meus pais foram o primeiro relacionamento a não dar certo na minha vida, e depois disso parece que todos os outros falharam. Eu nunca consegui me sentir presa a ninguém e não ligava para ter um relacionamento sério. Achava que estava levando a vida de uma forma inteligente por estar aproveitando tanto, mas só quando nós começamos a namorar eu me senti realmente feliz. Não percebi na época que aquilo era um relacionamento estável e que era do que eu precisava, mas só agora. Eu amo você, Genzo, e entendo por que você não quer voltar pra mim. Eu sou uma puta, é verdade o que todos dizem sobre mim. Mas se eu gostaria de estar presa a alguém pelo resto da minha vida, esse alguém é você. Somente você.

Genzo sorriu e abriu a boca para lhe dizer que também sentia o mesmo, mas o médico o interrompeu e ele tornou a fechar a boca. Maya sentiu-se desapontada por não saber o que ele sentia, mas contentou-se em saber o que estava se passando com seu corpo naquele momento.

- Maya, qual foi a última vez que você teve relações sexuais com alguém?

Sentiu as bochechas queimarem e olhou ao redor e para todos os rostos perto. Viu Genzo ficar ainda mais interessado no que o médico falava, e sussurrou a resposta num tom muito baixo no ouvido do médico para que somente ele ouvisse.

- Há três meses, antes de voltar à Alemanha, quando ainda estava em turnê.

- E com quem foi? – o médico sussurrou de volta.

- O Genzo, é claro.

Deitou-se novamente, ainda segurando a mão de Genzo e Rivaul. O médico então olhou para Genzo e depois para Maya. Sorriu fracamente, e coçou a cabeça pensando em como daria aquela notícia.

Os para-médicos da ambulância saíram do veículo e informaram que já podiam remover Maya.

- Você estava grávida, Maya, mas agora está sofrendo um aborto espontâneo. Diga-me, você tem bebido ultimamente?

Genzo olhou-a surpreso e perguntou se o filho era seu, o que fez com que Maya o olhasse seriamente, desaprovando sua dúenzo olhou-a surpreso e perguntou se o filho era seu, o que fez com que Maya o olhasse seriamente, desaprovando sua dvida, mas não se deu ao trabalho de responder à pergunta. Era óbvio que o filho era dele.

Mas não podia aceitar que o tivesse perdido antes mesmo de saber que o tinha. E perdoar a si mesma parecia um caminho ainda mais longo e muito mais difícil. O médico havia perguntado se ela vinha bebendo e a verdade era que vinha bebendo tanto que já perdera há tempos a conta de quantas garrafas pedira ao quarto de hotel, e antes de vir ao Japão também já visitara muitos pubs, ainda em Berlim.

Seu filho ou filha agora estava morto, e tudo por culpa dela. Sua menstruação não estava vindo há meses, e ela notara isso, mas supusera ser um efeito dos calmantes que vinha tomando. Quanta burrice aquilo lhe parecia àquele momento.

Olhou para Genzo e a expressão preocupada no rosto dele a fez recomeçar a chorar.

- Genzo, me desculpe, eu não sabia. – começou a dizer, mas os para-médicos levantaram seu corpo e o colocaram numa maca com rodinhas para levá-la até a ambulância próxima onde estavam.

As mãos que antes estavam entrelaçadas às suas se soltaram e enquanto via todos ficarem para trás enquanto a maca era arrastada, viu Karl sair de trás de algumas jogadoras e socar Genzo no rosto. Rivaul rapidamente o segurou, mas o soco fora forte. Genzo caíra no chão, mas levantou-se instantaneamente.

- Como você é capaz de fazer algo assim a ela? Por que não a procurou? Eu fiz isso, Genzo! Eu tentei cuidar dela, eu fiz algo por ela. A culpa de ela estar nesse estado não é minha, mas sua! Você sabia que ela o amava e sabia que estava mal, mas não fez nada. Deixou-a sofrer e ficar num estado miserável. A culpa disso tudo é sua, Wakabaiashi.

Maya observou a cena de dentro da ambulância e estranhou que Genzo não dissesse nada. Então talvez o que Karl dissera fosse verdade e Genzo concordasse com ele. Mas Maya não o culpava, ele não tinha culpa.

Viu os lábios dele se mexerem enquanto dizia algo a Karl e depois a Rivaul, mas não conseguiu ouvir porque já estava longe e os para-médicos ao seu lado terminavam de ajeitar a maca e a ambulância para que pudessem partir.

Genzo se aproximou e entrou na ambulância, sentando-se ao lado dela e dos médicos.

- Também amo você, Maya, e sinto muito que isso tenha acontecido. Mas podemos nos recuperar, tenho certeza.

Genzo abaixou-se sobre ela e comprimiu seus lábios contra os dela.

- Genzo. – Maya chamou quando ele se afastou. Estava feliz apesar da situação, e agora tinha certeza do que diria a seguir. – Quer casar comigo?

A expressão no rosto do japonês ficou séria e Maya se perguntou se ele havia desistido, mas no segundo seguinte ao seu pensamento Genzo tentava ficar ajoelhado ao lado da maca enquanto se espremia para não atrapalhar o trabalho dos para-médicos.

- Você não devia pedir. – disse sério quando finalmente conseguiu se ajoelhar. – Você, Maya, quer casar comigo?

- Quero passar a eternidade com você.

Beijou-o mais uma vez e estava com a mão presa na dele enquanto ele se levantava quando sentiu outra dor ainda mais forte do que todos as que já havia sentido. O aparelho que media as batidas de seu coração emitiu um som acelerado ao mesmo tempo em que Maya apertou a mão de Genzo com força. Ela então desmaiou, e Genzo gritou por ajuda para o médico que ficara do lado de fora.

Ele veio e examinou-a com uma expressão séria.

- O coração dela parou.

Os para-médicos vieram e pegaram o desfribilador e então o apertaram com força no peito de Maya enquanto revezavam a descarga com massagens. Na terceira tentativa, Maya abriu os olhos e se sentou na cama. Depois fechou os olhos e caiu deitada na maca. O médico a examinou novamente e então constatou:

- Ela está em coma, perdeu sangue demais.


Ignorem os excessos que fiz nesse capítulo e todos os exageros que a medicina não aceitaria ou não explicaria. Lembrem-se, é uma fanfic. É algo criado por um fã, não é algo oficial e não tem obrigação com a verdade.

Escrevi três capítulos de uma vez e agora estou exausta. Acho que deu pra compensar o quanto eu demorei para escrever durante esses dois anos da fanfic. Então o capítulo final (ou os capítulos finais, ainda não decidi se vai ter só mais um ou dois) vai demorar um pouco pra sair. Obrigada a todos que leram até aqui e aos que se mantiveram fiéis desde o início :)