Capítulo 3

Hermione torceu o cabelo num coque e passou um lápis por ele, abanando a nuca molhada de suor com um pedaço de pergaminho. Parecia que o mês de julho estava transformando o castelo numa sauna. Suas vestes estavam emboladas sobre a mesa; até mesmo seu top branco de gola redonda e sem mangas e seu shorts azul marinho eram roupa demais para se usar hoje. Apoiando a bochecha na mão, ela fechou os olhos e imaginou um mergulho no lago; logo, ela começou a cochilar.

– Confortável, Srta. Granger?

Com um susto, ela abriu os olhos e jogou a cabeça para trás, fazendo o lápis em seu cabelo voar pela sala dos professores. O Prof. Snape estava parado do lado de dentro da porta, impecável como sempre em sua capa e vestes negras. Ele imobilizou o lápis no ar com um balançar de varinha e o mandou flutuando de volta para a mesa. Por um momento, Hermione ficou confusa e sentiu-se como uma aluna pega fazendo algo de errado.

– Eu estava apenas descansando os olhos – ela disse de atravessado, esfregando as órbitas criminosas para tirar o sono delas.

Snape levantou as sobrancelhas, curvou os lábios, e olhou de relance para as vestes amassadas dela, empilhadas ao acaso em cima da mesa.

– Se você diz, Srta. Granger. – Ele fechou a porta da sala e caminhou para trás dela, olhando o cronograma em que ela estivera trabalhando. – Ainda não terminou o itinerário do simpósio? Que pena. Eu estava quase lhe dizendo para tirar o resto da tarde de folga.

Hermione se mexeu na cadeira, sentindo-se quase despida e estranhamente embaraçada. Ela disse irritada: – Eu não preciso da sua permissão para tirar a tarde de folga. – Uma gota de transpiração começou a escorrer pela sua nuca. Ela se virou para olhar feio para Aquele-Que-Não-Transpira, apenas para encontrá-lo... olhando para o seu top?

Snape imediatamente tomou a ofensiva. – Se você quer trabalhar como minha assistente neste projeto, você seguirá as minhas ordens. Senão, Srta. Granger, você pode – os olhos dele passearam desdenhosamente pelo estado desgrenhado dela – ir para o litoral, ou qualquer outro lugar onde esta roupa seria aceitável.

Deus do Céu, mas ele era detestável! Hermione se levantou e avançou o espaço pessoal do Snape, notando com satisfação, de olhos estreitos, o passo involuntário que ele deu para trás. Ela o seguiu, ignorando o frisson de excitação com a proximidade dele. – No caso de você não ter percebido, Prof. Snape – ela disse asperamente –, está torrando aqui dentro! Torrando! Então eu vou me vestir confortavelmente. Se você acha inaceitável, você pode...

A conversa franca foi interrompida quando a porta da sala dos professores abriu com um estrondo e Tonks entrou de ímpeto, com o cabelo em sua cor natural castanho claro, para variar. Ela vestia jeans, uma camiseta tingida e sandálias de couro; as unhas dos pés estavam pintadas de rosa chiclete.

– E aí, beleza, Hermione? – ela disse alegremente, lançando a mochila sobre as vestes da Hermione. – Tudo bem, Severo? – ela acrescentou, não querendo deixar ninguém de fora.

Hermione afastou-se de Severo, e as narinas dele se alargaram em aprovação ao recuo dela. Ele acenou um cumprimento com a cabeça para Tonks, mantendo um olhar alerta em Hermione. – De volta para o fim de semana, Tonks? – ele perguntou.

Tonks sorriu para ele. – Não, eu vim para seqüestrar vocês pelo fim de semana.

Hermione arregalou os olhos para ela. – Deixar Hogwarts? Pelo final de semana inteiro? Vai ter sombra, Tonks? E brisas, e limonada?

Tonks se jogou desajeitada numa cadeira, e Hermione a copiou, seus olhos esperançosos fixos no rosto de Tonks, Snape completamente esquecido com o atrativo de campos mais frescos.

Foram duas semanas tensas. A cada manhã ela se reportava ao escritório de Snape para suas atribuições; a cada tarde ela entregava seu serviço completo para ele. Ele a entregava a tarefa diária sem tirar os olhos de seus próprios livros e recebia o trabalho completo de volta com um agradecimento murmurado e sem contato visual. O homem era enfurecedor! Depois de um quase-flerte em sua chegada, ele havia se recolhido em si mesmo novamente como se nada jamais tivera acontecido entre eles. O único momento que ele olhava para ela era nas refeições, quando ele podia ocasionalmente ser convencido a falar com ela. Ela estava feliz em descobrir que eles compartilhavam de certos interesses literários e podiam conversar quase naturalmente sobre assuntos que iam de Chaucer à Dickens até Sir Arthur Conan Doyle. Snape tinha a tendência de desaparecer assim que terminava de comer e era raramente visto na sala dos professores. Ela praticamente nunca ficava a sós com ele e estava achando quase impossível dar continuidade ao seu plano.

Tonks tirou duas chaves com aspecto comum do bolso da calça e as mostrou para Hermione. – Um dos meus colegas do serviço pegou dois quartos num hotel, bem pertinho da praia. Ele não pode ir neste final de semana, então ele me ofereceu o lugar, e naturalmente, eu pensei em vocês. – Tonks olhou de Hermione para Snape com uma excitação suprimida. – Vai, eu sei que vocês querem! Nós podemos apenas vadiar, beber vários drinks sofisticados com guarda-chuvinhas rosa, e contar histórias sobre todo mundo que conhecemos. Vai ser brilhante.

Os lábios de Snape se comprimiram irônicos. – Eu acho que não.

Hermione pegou uma chave da mão de Tonks. – Paraíso, Tonks. Parece divino.

Remo Lupin entrou a passos largos na sala, uma mochila na mão. Ele vestia uma camisa pólo azul clara, colocada cuidadosamente para dentro da calça jeans, e mocassim sem meias. Ele colocou a mochila na mesa e cruzou os braços no meio do peito. – Vamos logo, vocês dois, o tempo está passando. Se nós corrermos, podemos chegar lá a tempo do pôr-do-sol no mar e tomar pelo menos um copo de alguma mistura gelada de bebida trouxa. – Ele pensou por um momento. – Talvez dois.

Snape fez um movimento como se fosse sair da sala. – Eu agradeço, mas não.

Lupin barrou a porta da sala dos professores. – Vamos, Severo, eu não vou fazê-lo beber coquetéis trouxas idiotas. Para você, só o gim mais seco. – Lupin piscou para as meninas e sorriu simpático.

Tonks entrou para o grupo de persuasão. – Olha, Severo, dois quartos, um para as meninas e outro para os meninos. Eu sei que o Remo ronca como um trasgo – Lupin bufou com aquilo –, mas vai lhe fazer bem sair de Hogwarts. E eu sei que você tem sunga, porque a Minerva nos contou que você foi de férias pra St. Tropez num verão. – Tonks levantou as sobrancelhas para ele. – Garotas em biquínis, Severo, e comidas que não foram feitas por elfos domésticos.

Lupin parecia pensativo. – Seja companheiro, velho. Se elas me arrastarem para boates todas as noites, eu vou enlouquecer tentando dar conta das duas. Mostre alguma solidariedade, de colega para colega.

Hermione sentou quieta na cadeira, apertando a chave tão firmemente que ela marcou a palma da mão e tentando não respirar. Diga sim, diga sim, diga sim – ela entoou o mantra na cabeça, enquanto observava o rosto de Snape para sua reação às falsas promessas. A expressão dele obscureceu quando Lupin mencionou dançar com as duas meninas, mas ele carregava o ar de um homem recusando educadamente solicitações zelosas. Enquanto o observava, ela percebeu que ele não acreditava que Lupin e Tonks queriam realmente que ele fosse. Repentinamente, toda a animosidade que ela tinha por ele desapareceu; ela caminhou até ele e colocou suas mãos na manga dele.

Tonks estava tirando um barato do Lupin por ser muito velho para dançar a noite toda; Lupin estava se defendendo alto e divertido. Na confusão, Snape olhou para as mãos de Hermione em sua manga e então deixou seus olhos viajarem das mãos para o rosto dela. Ele rapidamente calculou os benefícios contra os riscos desta saída proposta; era perigoso deixar sua zona de conforto, mas sair de férias poderia significar o advento do Severo Férias, que operava fora dos limites impostos ao Prof. Snape. Indiferentemente, antes que Hermione pudesse falar, ele disse: – Eu irei com vocês, mesmo que só para ver você num ambiente realmente apropriado para as suas roupas. – Tirando as mãos dela gentilmente, ele disse por sobre o ombro enquanto se afastava: – Melhor correr, Srta. Granger. Sem dúvida todos nós esperaremos enquanto você faz as malas.

Hermione ficou mole de alívio e um pouco tonta com a repentina aquiescência de Snape. – Eu aposto o valor da primeira rodada de bebidas que eu estarei com as malas prontas e nos portões antes de você, Professor – ela disse para a nuca dele.

– Apostado – ele respondeu enquanto saía da sala com um rodar das suas longas vestes negras.


Hermione pendurava as roupas no guarda-roupa enquanto Tonks checava o banheiro. O hotel era pequeno, mas os quartos eram bons e a vista de tirar o fôlego. Cada quarto tinha duas camas, um guarda-roupas, e uma cômoda com uma televisão e um vídeo cassete em cima. Havia também uma área de estar, que consistia em duas cadeiras arrumadas em frente às portas de vidro. As meninas abriram bem as cortinas e as portas francesas para o terraço, que tinha uma mesa de ferro fundido branca e um grande guarda-sol azul e quatro cadeiras de ferro fundido com almofadas azuis. O sol estava se pondo num esplendor de glória fabuloso sobre o oceano. Quando o sol se pôs, a temperatura caiu; logo, Hermione estava contente com a jaqueta fina com capuz que trouxera.

Ela ouviu seu nome e olhou para ver Lupin, seguido de Snape, passando as longas pernas por cima do parapeito que separava um terraço do outro. – Cadê a Tonks? – Lupin perguntou, cruzando as portas francesas. – Não está assistindo aquela maldita tv, está? Apareça, Ninfadora Tonks, homens famintos esperam por sua presença para que possam jantar!

Tonks franziu o nariz para Lupin do outro lado do quarto, onde ela estava se arrumando na frente do espelho. – Olha, eu posso ficar com o meu cabelo roxo, Remo – ela disse numa voz meio suplicante. Lupin murmurou um xingamento leve e entrou no quarto.

Hermione se encontrou distraída pelo movimento de Snape enquanto ele dobrava seu longo corpo em uma das cadeiras. Ela estava tendo muita dificuldade em manter os olhos longe dele desde que ele a encontrara no Saguão de Entrada do castelo com a mala leve na mão. – Acho que empatamos – ele dissera, tirando a mala da mão dela. – Isso significa que o Lupin tem que pagar a primeira rodada.

Ele sorrira com malícia para ela e liderara o caminho pela trilha até os portões. Ele vestia o que parecia ser uma camisa de seda preta desabotoada na garganta e com as mangas enroladas até os cotovelos. A camisa estava para dentro de uma calça jeans preta justa, e ele vestia tênis pretos. Hermione nunca vira tanto da pele ou do corpo dele, e ela certamente nunca o vira em roupas trouxas como as que ela e seus amigos vestiam. A boca dela ficara seca e as mãos suadas só de olhar para ele. De fato, ainda estavam. Ela enfiou as mãos nos bolsos de trás da calça jeans para secá-las.

– Está com fome? – a voz sedosa de Snape inquiriu agora, acordando-a de seu transe. Ela o olhou fixamente com muita atenção, procurando por sinais de um duplo sentido intencional, mas a expressão dele não era nem mais, nem menos sarcástica que o usual.

– Sim, estou com fome. Eu vou ver se consigo apressar a Tonks. – Hermione passou pelas portas francesas, para longe dele.


Severo a observou se retirar, memorizando todos os detalhes. O cabelo dela fora alisado e estava torcido no alto na cabeça. Cachos emolduravam o rosto e a parte de trás do pescoço delicioso dela. O jeans modelador o lembrou vividamente da moda trouxa da sua juventude, mas a camiseta minúscula, que mostrava um pedaço de pele sobre o jeans, era estritamente uma moda atual entre os jovens. Ele sabia que sua boca estava cheia d'água pela mulher, ao invés do jantar prometido. Deliberadamente, ele olhou para onde os últimos raios de luz magenta e dourado estavam desaparecendo no céu da noite; discretamente, ele secou as palmas das mãos no jeans negro.

Severo estivera praticamente certo que Hermione estava atrás dele, encarando seu traseiro, enquanto eles caminhavam para fora do castelo mais cedo. Era o que ela merecia por usar aquele short e aquele top minúsculo na sala dos professores, mostrando as pernas e os seios quase descobertos para ele. Dois podiam jogar aquele jogo. Ele não tinha muita certeza de como iria resistir à visão dela em roupas de banho, mas estava determinado a ser forte.

Severo estava de férias, e sua filosofia sempre fora, O Que Acontece nas Férias, Fica nas Férias.

Apenas como ele iria comunicar essas regras perfeitamente racionais para a Hermione ainda não havia lhe ocorrido.


No quarto, Lupin e Tonks estavam numa fervorosa discussão.

– Seu cabelo natural é adorável.

– Remo, eu não vou SAIR desse jeito, seja gentil, deixe-me mudá-lo... – a voz dela sumiu quando ela retorceu o rosto para fazer o cabelo ficar roxo.

– Não. Nós concordamos: sem se transformar.

Tonks virou-se para ele com uma ferocidade repentina. – Você não me escutou? Eu nunca saio parecendo assim, eu mesma, isso é idiota!

Lupin se levantou da ponta da cama onde aguardara pacientemente ela terminar seu acesso de fúria e elevou-se sobre ela. – Você vai sair comigo exatamente como você é. – O tom dele era final e não permitia argumento.

Eu posso melhorar. De verdade. – Ela parecia quase que iria chorar.

Lupin pegou a pequena mão dela e a trouxe até seus lábios. – Você me aceita, Dora, exatamente como eu sou. Eu aceito você da mesma maneira. Transforme sua aparência para o trabalho, se você precisa, ou para você mesma, se você gosta, mas quando está comigo, eu a quero inteiramente como é.

Tonks ficou vermelha e deu as costas para ele para passar batom. Lupin caminhou para trás dela e olhou para o reflexo dos olhos dela no espelho. – Você é uma gata da maneira que é, sua tolinha. Agora, vamos jantar, eu estou faminto.

Pelo espelho, ele espiou Hermione, pairando incerta ao fundo. – Você está com fome, certo, Hermione? Eu sei que Severo está com fome, e se nós não nos apressarmos, ele pode começar a corroer os transeuntes.

Lupin começou a arrebanhar Tonks para a porta, pegando a jaqueta dela de uma das camas, e expulsou a Hermione para fora no terraço também. – Severo, fazer uma bruxa sair quando se está com fome é serviço para dez bruxos. Por que nós decidimos andar com elas?

Snape revirou os olhos enquanto se levantava da cadeira e seguiu os outros pelas escadas do terraço para a calçada. – Porque ela nos arranjou as acomodações para nosso passeio, talvez? – ele sugeriu malicioso.

Lupin concordou solenemente. – Isso ela fez! Belo movimento da nossa parte. – Tonks bateu no braço dele, mas ele apenas sorriu para ela.

– Onde é esse pub, exatamente? – Snape perguntou, parecendo resignado com o seu destino de companhias fúteis.

– Ali na esquina – Tonks disse, passando seu braço no dele. Snape pareceu um pouco surpreso, mas cortesmente aceitou sua função de acompanhante enquanto caminhavam pela rua.

Hermione colocou as mãos nos bolsos da jaqueta e sorriu para o Lupin quando começaram a seguir seus companheiros. – Aquilo foi absolutamente brilhante, o que você disse para a Tonks lá atrás, Remo.

– Besteira. Foi a verdade, pura e simples. Eu gostaria de saber quem foi que colocou na cabeça dela que há algo de errado no jeito que ela é. Uma boa azaração os colocariam no eixo, eu imagino. – Ambos checaram suas mangas por suas varinhas e sorriram um para o outro. – Por que eu me sinto tão desarmado toda vez que vou a um estabelecimento trouxa? – Lupin lamentou.

– Anime-se, Remo, você vai se sentir melhor depois da primeira jarra – Hermione opinou enquanto eles seguiam Tonks e Snape pra dentro do pub escuro.

Eles encontraram um banco grande circular num canto escuro, longe dos muitos trouxas em férias, que já tinham bebido um pouco demais. – Primeiro as damas – Lupin disse, acenando para que Tonks e Hermione se sentassem no acento acolchoado. Ele e Snape foram até o bar e fizeram seus pedidos.

Tonks cutucou Hermione. – Pare de encarar. Até o Severo vai notar esse tipo de babação patética!

Hermione tirou os olhos dele e deu um tapa no dedo intruso de Tonks. – Ah, cuide da sua própria vida. Eu não consigo me controlar. – Então, bem lamentavelmente, ela disse: –Eu sou mesmo patética?

– Incorrigível. Só há uma cura. – Tonks chegou perto do ouvido dela. – Você tem que transar com ele a semana toda.

Hermione virou um olhar especulativo para a amiga. – Tonks, você e o Remo estão...

– Não! – Tonks a encarou com um espanto cômico. – Você está louca? Ele é maravilhoso; ele poderia ter quem ele quisesse.

– Tonks, ele acabou de beijar a sua mão e chamar você de gata, e...

Tonks ficou profundamente interessada no conteúdo do seu porta-níquel. – É um hábito dele. Nós tivemos algumas missões juntos durante a guerra, e nós nos tornamos bons amigos. – Havia um olhar um tanto pesaroso no rosto em forma de coração. – Ele acha que eu tenho uma coisa que ele chama de "baixa auto-estima". Ele está sendo apenas camarada, fazendo-me sentir melhor e pensar mais em mim mesma, sabe.

Hermione tentou novamente. – Tonks, escuta. Eu realmente acredito que o Remo está atraído por você.

Tonks sacudiu a cabeça teimosamente. – Eu já tive namorados, Hermione; eu sei como um cara age quando ele gosta de mim. Remo jamais colocou um dedo fora da linha. – Ela olhou pelo salão para os dois homens encostados no bar, um rindo, o outro olhando com desprezo, e deu um suspiro audível. – Ele pensa em mim como uma amiga, ou uma irmã, talvez.

Lupin e Snape voltaram para a mesa com as bebidas. Lupin trazia uma jarra de margaritas e três coquetéis, os pés das taças presos nos dedos de uma das mãos. Snape carregava um copo alto com um líquido claro no gelo. Lupin se sentou ao lado de Tonks, e Snape ocupou o lugar ao lado de Hermione.

– Quatro porções de peixe com batatas saindo – Lupin as informou, servindo a margarita em três copos de coquetel e passando-os para as meninas.

– Lembre-me novamente por que nós estamos comendo neste estabelecimento para se beber? – Snape comentou secamente, recostando-se e engolindo um naco da sua bebida.

– Porque nós queríamos comer um pouco para não passarmos mal com a bebida, cara – Tonks lhe disse, levantando o copo. – Às mini-férias na praia!

Lupin e Hermione levantaram suas bebidas ridículas e esperaram até Snape rosnar e tocar seu copo nos deles.


Eles estavam na terceira jarra quando as verdades começaram a ser ditas.

Depois da primeira jarra, Snape cedeu e permitiu que Hermione servisse margarita para ele. Eles comeram o peixe com batatas, observaram os trouxas atirarem instrumentos pontiagudos num estranho alvo segmentado (– Eu estou falando para vocês, o jogo se chama DARDOS – Hermione insistiu), observaram alguns trouxas dançando, e eles conversaram, e eles riram. Bom, Snape não riu, mas ele fungou vez ou outra.

Eles lembraram dos seus dias de Hogwarts, quando eram todos alunos. Agradecidamente, Lupin e Snape mantiveram suas lembranças em tópicos gerais e não caíram em nenhuma maldade dos Marotos ou na brincadeira infeliz. Todos disseram suas matérias e professores favoritos e menos queridos. Quando Tonks, e depois Hermione, disseram que Severo havia sido o professor menos querido, os lábios dele se levantaram de um lado, e ele esboçou uma reverência de seu lugar. – Nós trabalhamos para agradar – ele as assegurou detestavelmente.

Lupin e Tonks, que tinham ficado em quartos próximos ao de Snape vez ou outra durante o trabalho para a Ordem, trocaram olhares. Eles nunca o viram tão solto e falador e humano. Era gratificante, mas também alarmante, porque não havia procedentes de onde este comportamento poderia levá-lo.

Nenhum deles jamais conhecera o Severo Férias antes.

Eles tomaram mais margaritas com tequilas, e Tonks levantou o assunto de seu primeiro amasso na escola. Ela estava um tanto quanto cômica, contando a história do encontro com um outro aluno na Torre de Astronomia uma noite. – Carlinhos tomou o susto da vida dele quando percebeu que eu não estava vestindo calcinha...

Lupin lembrou de sua primeira vez, no sexto ano, numa sala de aula nas masmorras... – Não, um cavalheiro não beija e fala – ele respondeu a pergunta maliciosa de Snape.

Snape fez um som "Phhht", e disse, contando cada razão nos longos dedos: – Se vocês estavam nas masmorras, era uma sonserina, porque não havia nenhuma lufa-lufa no nosso ano para quem você teria olhado duas vezes. Tinha que ser uma monitora, porque você não arriscaria que uma não-monitora colocasse em perigo a sua aposição. Ou era a Belinda Flint ou a Mary Nott. – Ele observou a cara de perplexidade de Lupin com um meio sorriso satisfeito e ofereceu o copo vazio para ser completado.

– Bem, Severo, aparentemente, você era o observador. Eu não faço idéia com quem você deu uns amassos. – Lupin deu um sorriso feroz para o Snape e tomou mais um gole de sua bebida.

– Bom, você não conheceria a moça, Lupin. Ela não estava em Hogwarts. – Os modos de Snape eram quase um afronte.

– Encontrou uma estranha nas férias, foi? – Tonks perguntou um pouco bêbada.

– Não – Snape falou, conduzindo suas palavras sarcasticamente. – Quando nós deixamos a escola, todos os garotos do sétimo ano da sonserina ganharam um presente de um sonserino já formado: Lúcio Malfoy, na verdade. – Ele fez uma pausa para fazer suspense. – Vinte e quatro horas num bordel caro. Em Paris.

A boca de Lupin caiu. – Vinte e quatro horas? Aos dezoito anos? – Ele balançou a cabeça abatido. – Agora eu queria ter sido um sonserino – ele lamentou para Tonks, que o socou no ombro.

– Cala a boca, Sr. Alcoolizado. É a vez da Hermione.


Hermione estava levemente alcoolizada também. Ela estava amando a maneira como Snape estava se soltando, amando os toques ocasionais da mão dele ou o joelho sob a mesa, amando seus amigos queridos, Tonks e Remo, passando um momento muito agradável – e então ela ouviu o tópico da conversa.

Pelas barbas de Merlin, ela NÃO queria responder esta pergunta. Ela deveria inventar qualquer coisa, mas seu cérebro estava branco; ela não conseguia pensar em uma única mentirinha para contar. Ela poderia jogar Vítor na roda; coitado! Entretanto, ele não estava aqui para se defender, e aquilo seria realmente baixo. Ela poderia se negar a responder, mas isso seria tão infantil. Ah, como era humilhante, vinte e um anos e nunca ter...

Todos estavam olhando para ela agora, Lupin e Tonks com sinceridade de bêbados, e Snape com um deleite pecaminoso – estaria aquele idiota presunçoso? Ele ousava?

– Mione? – Tonks instigou novamente.

Tarde demais, um Lupin bêbado discerniu a situação desagradável de Hermione e disse: – Ah, Merlin, olha o horário, eles vão fechar o lugar com nós ainda aqui...

Era uma tentativa corajosa, mas Hermione não lhe deu atenção; ela estava encarando o rosto de Snape, agora muito atento e focado nela. – Eu não dei uns amassos quando estava em Hogwarts. Eu não dei. Nunca. Ainda.

Hermione não parou para analisar a reação surpresa de Snape com a revelação dela. Falando com a articulação exagerada de qualquer bêbado, ela disse:

– Você poderia me deixar sair, por favor, Prof. Snape? Eu preciso visitar o "Senhoras".

Snape se moveu pelo banco com boa vontade, permitindo que ela escapasse do repentino confinamento da mesa. Ela deu três passos e voltou-se para a mesa, perfurando todos os três com olhares levemente desfocados. – Não por falta de ofertas, se me permitem. – Então ela continuou seu caminho tortuoso até o banheiro.


Severo a observou ir ao banheiro feminino, sua expressão cuidadosamente disciplinada para indiferença.

Pelas barbas de Merlin! Uma virgem, uma virgem de vinte e um anos, com toda a excêntrica má-sorte. Todo aquele tempo vivendo nos bolsos do Potter e do Weasley, dois anos de guerra, três malditos anos com aquele garoto Krum na Bulgária, e ela não conseguiu se livrar da virgindade. Bem, aquele era um pensamento para deixar qualquer um sóbrio, se ele algum dia teve um. Droga, droga, droga.

Indo a passos largos até o bar, ele pagou a conta deles e esperou a Hermione retornar do banheiro. Os bêbados Lupin e Tonks poderiam muito bem passar a noite fora se quisessem. Aparentemente, eles não queriam, já que se juntaram a ele na porta. Hermione voltou do banheiro com um ar de indiferença estudada e empurrou a porta de saída.


De acordo, os quatro começaram a curta caminhada de volta. Assim que chegaram à frente do hotel, Tonks se virou com um olhar absoluto de travessura no rosto.

– Há uma piscina coberta. – A voz dela estava excitada, mas silenciosa. – O que acham de um mergulho?

Lupin levantou a cabeça para um lado e avaliou a estrutura separada que Tonks estava apontando. – Nada como nadar depois de uma noite de bebedeira – ele refletiu.

Hermione estava olhando de um para o outro, horrorizada. Eles estavam loucos? – A piscina está fechada desde às dez da noite – ela sussurrou, indicando os horários na parede. – Nós seremos expulsos se acordarmos alguém!

Tonks apontou a varinha para a porta e murmurou:

Alohomorra.

Lupin empurrou a porta da piscina e entrou, lançando um feitiço silenciador.

Hermione parou cravada no lugar. – Mas as nossas roupas de banho!

Snape estava com o ombro encostado na parede, observando-a com um olhar quase predatório. – Por via das dúvidas, Srta. Granger, vá buscar seu biquíni. Afinal de contas, você é uma pessoa única. – Ele olhou pela porta para dentro da área da piscina. – Providencialmente, Tonks lembrou da calcinha esta noite; ela está nadando com as roupas de baixo.

Hermione passou por ele e entrou no recinto da piscina, onde ela viu Tonks e Lupin jogando água um no outro em suas roupas de baixo. Única, ela era? Por que era uma virgem? Ele iria atormentá-la diariamente por causa disso?

Hermione jogou a jaqueta numa cadeira e puxou sua camiseta pela cabeça, jogando-a na pilha. Desabotoando o cinto de couro largo, ela tirou as sandálias e depois esquivou-se da calça jeans. Sem olhar para os lados, ela mergulhou na água e emergiu falando às pressas:

– Está gelada!

Ela nadou para a borda, preparou-se para sair da piscina e pegar a varinha da cadeira. A voz de Snape, diretamente acima dela, a parou.

– Eu vou lançar o feitiço para aquecer. Fique na água.

– Obrigada – ela respondeu. Ela não saiu da beirada, mas ficou na superfície, observando a técnica de Snape enquanto ele aquecia a água da piscina. Com um sorriso malicioso, ele olhou diretamente nos olhos dela. – Satisfatório, Profa. Granger? – ele perguntou com uma preocupação zombeteira.

Hermione deu de ombros. – Belo trabalho com a varinha. Esquentou a água. – Com uma inspiração repentina, ela jogou água nas pernas vestidas em jeans dele. – Viu? Água morna. – Então ela se virou e nadou profundamente até o meio da piscina.

Snape colocou a varinha cuidadosamente na beira da piscina e tirou os tênis pretos. Em seguida ele tirou a camisa de seda preta, rapidamente seguida pela calça jeans preta justa.

Hermione, que assistia com segurança do lado oposto da piscina, observou o strip intencional com desejo. A pele dele era como alabastro, como se nunca tivera visto o sol. Havia um pouco de pêlos negros no peito, e uma linha de deixar a mente perplexa dos mesmos pêlos descendo pela barriga plana. Ela imaginou em que tipo de atividades ele se envolvia que mantinha o corpo tão magro e os músculos rijos tão em forma. Silenciosamente o incentivando, ela o observou tirar a calça jeans e viu, para sua grande satisfação, a cueca negra justa. Sua visão foi mesmo rápida, porque ele caiu na água rapidamente, e oh céus, ela estava encrencada agora, porque ele estava caminhando diretamente para ela, com um brilho determinado no rosto.

Hermione gritou e nadou para o raso, onde Tonks e Lupin estavam sentados, conduzindo uma conversa preguiçosa. Snape mudou sua direção na água e continuou sua busca. Hermione se aproximou dos outros e deslizou entre eles, depois para trás deles.

– Onde você está indo, Hermione? – Lupin perguntou enquanto Tonks ria.

– Para longe dele! – ela disse, apontando com crescente alarme para o Snape que avançava.

Snape estava no raso agora e levantou-se, caminhando na direção dela. – Você me molhou, Srta. Granger – ele comentou.

Hermione agarrou o braço de Tonks. – Me ajude! – ela sussurrou freneticamente.

Tonks saiu da frente dela e deu-lhe um empurrãozinho em direção ao Snape. – Falta de educação, Hermione. Se você vai molhar, você será molhada. – Tonks considerou o sorriso sórdido no rosto de Snape. – Ou algo pior, talvez. Mas você vai definitivamente pagar, se você foi injusta. – Tonks parecia piedosa. – É importante ser justo, no trabalho ou na diversão - ela entoou.

– Ah, Merlin! – Hermione gritou. Ela se moveu para sair da água.

– Srta. Granger, se eu tiver que me dar ao trabalho de capturá-la, só vai ser pior – Snape prometeu a ela.

Ignorando o conselho dele, Hermione pulou para fora da piscina, ficando no ar frio de calcinha e sutiã molhados. Ela estava completamente inconsciente da imagem que fazia, os pêlos escuros aparecendo claramente através do tecido da calcinha e os mamilos intumescidos pressionando a renda ensopada do sutiã.

Snape parecia estar tendo algum tipo de problema para respirar, e havia, inquestionavelmente, uma protuberância em sua cueca quando ele se içou na borda da piscina e avançou para a Hermione, enquanto ela recuava para longe dele. Deus, ele era uma visão para se admirar; aquele brilho voraz nos olhos dele quase fizeram seu coração parar. Ela queria este homem, queria ele da pior maneira possível, em todas as maneiras, e ele nem a chamava pelo primeiro nome.

Snape a levantou nos braços e caminhou a passos largos para a parte funda da piscina.

Tonks e Lupin estavam gritando encorajamentos para o Snape e comiseração para a Hermione, mas ela mal conseguia ouvi-los sobre o som de bombear do sangue no seu corpo. Ela estava pulsando em lugares que nunca notara antes enquanto pedia a mesma para memorizar como era sentir o corpo praticamente nu dele contra o seu.

Snape olhava diretamente para frente enquanto a carregava pelo recinto.

– Professor? – ela falou tentativamente.

- Não fale – ele rosnou.

– Bom, professor, eu achei...

– Não FALE, Srta. Granger. – Snape enfatizou suas palavras apertando os braços ao redor dela.

– Eu só achei que, já que nos vimos em nossas roupas íntimas, nós poderíamos usar nossos primeiros nomes agora – Hermione disse em voz baixa.

Ele olhou feio para ela. – Isso a faria se comportar, Hermione?

– Sim, Severo – ela suspirou.

– Está bem. – Ele a jogou como um chumbinho na água funda, depois a seguiu, para espirrar água e afundá-la repetidamente.

Hermione estava sem fôlego por ser afundada repetitivamente, e por sua própria risada ressonante, quando Snape parou o ataque aquático.

– Agora, você faria o favor de deixar um homem nadar?


Hermione conjurou as toalhas de banho enormes e grossas enquanto Tonks forneceu os acolchoados de chão e Lupin obteve com entusiasmo um conjunto completo de chá. Eles então se deslizaram para dentro dos roupões felpudos brancos que havia nos vestiários e acomodaram-se para um boa xícara de chá. Snape foi o último a sair da piscina, depois de nadar de ponta a ponta da piscina várias vezes, quase como se ele estivesse tentando se exaurir. Lupin jogou-lhe uma das toalhas e empurrou-lhe uma xícara de chá sem acúcar quando ele desmoronou no chão ao lado deles.

Hermione observou Snape com uma certa preocupação enquanto ele saboreava o chá. Era quase como se um modelo rígido houvesse caído dele e ele estivesse se expandindo e movendo-se em direções que ela jamais esperara que ele se movesse.

Tonks deu um bocejo enorme e espreguiçou-se. – Eu vou passar a manhã inteira na cama ao amanhecer – ela prometeu a si mesma.

Lupin cutucou a perna dela com o pé. – Você passaria todas as manhãs na cama se pudesse – ele disse.

Tonks se sentou repentinamente e colocou a xícara no pires. – Eu tenho uma pergunta para você – ela disse num tom contemplativo.

– Divida conosco, Dora – Lupin convidou.

– Vocês já ouviram falar do Encantamento?

Hermione olhou para ela com se ela fosse doida, mas Snape deu um curto aceno de cabeça, e Lupin disse:

O Encantamento, você diz? Com certeza.

Tonks cruzou os braços ao redor dos joelhos cobertos de roupão felpudo e apoiou o queixo neles. – Vocês acreditam que é verdade? Que existe?

Lupin suspirou. – Eu sempre quis que fosse verdade – ele admitiu. – Mas eu nunca senti, infelizmente.

Hermione olhava de um para o outro entre eles. Snape observou a confusão dela com um movimento mínimo nos lábios, uma sombra de um sorriso. Finalmente, um tópico que Hermione jamais encontrara num livro.

– O que é isso? – ela exigiu. – O Encantamento? Eu nunca li sobre isso, ou ouvi falar. É folclore, ou um conto de fadas; algo que eles não ensinam na escola?

Lupin, sempre o professor, teve piedade dela. – Trouxas chamam isso de Amor à Primeira Vista, Hermione, embora uma descrição mais exata seria amor ao primeiro toque. Para os bruxos, o Encantamento tem uma representação física efetiva. É realmente muito raro; eu só conheci dois casais que experimentaram isso. – Lupin coçou o queixo inconscientemente. – Não é como uma condição para o amor, ou o casamento, ou a felicidade, até. Mas é um presente fabuloso entre duas pessoas. Também é uma magia potente e antiga.

Tonks estava observando Lupin de perto, enquanto Hermione parecia não querer mais nada além de uma pena e um pedaço de pergaminho, para tomar notas. Snape estava olhando fixo para dentro de sua xícara vazia, cada linha de seu corpo anteriormente relaxado estava agora rígida e tensa.

– Quem, Remo? – Tonks perguntou suavemente. – Quem você conheceu, os que foram tocados?

– Tiago e Lílian Potter são os únicos entre os nossos contemporâneos. Na minha família, os pais do meu pai foram abençoados da mesma forma.

Tonks concordou respeitosamente, um olhar distante em seus olhos.

Lupin sorriu para Snape. – Severo, estou surpreso que você não tenha dito nenhuma frase ácida durante toda esta discussão. Por quê?

Snape deu de ombros e empurrou a xícara vazia para longe. Ele pareceu desconfortável com o tópico da conversa, mas respondeu:

– O Encantamento é um fenômeno historicamente comprovado. Parece um monte de esterco de Testrálios, mas realmente existe.

Hermione olhou de rosto em rosto. – Qual é o sinal físico? Como duas pessoas sabem se têm o Encantamento entre eles?

Lupin disse:

– Entre eles, dentro deles, ao redor deles; é como uma aura mágica envolvente...

Tonks disse:

– Eu ouvi dizer que a primeira vez te atinge tão repentinamente que te faz sentir fraco dos joelhos...

Com um de seus movimentos rápidos e parecidos com os de uma pantera, Snape estava na cara de Hermione; as palavras eram tão suaves que ela parou de respirar pra ouvi-lo e a voz dele era como chocolate líquido, quando ele disse: – É um campo de energia, inicialmente gerado pela proximidade do casal. – Os olhos de ébano de Snape reivindicaram os dela e os perfuraram enquanto ele falava. – Corre nas veias deles como o melaço mais grosso, envolvendo-os no poder e amarrando suas almas. – Com cada palavra, a imagem na mente de Hermione ficava mais nítida e a voz de Snape se tornava mais rouca. – Dentro do universo deles, eles são dominados por sentimentos de proteção e segurança, de uma paixão cega, e de da certeza inviolável de sua união sexual. É mágica elementar na sua forma mais pura.

Hermione foi transportada de volta; de volta à cozinha do Largo Grimmauld, número doze, para a noite que ela segurou o corpo dele nos seus braços e experimentou uma integralidade espiritual até sua essência – e um arrebatamento excitante além da compreensão dos seus dezoito anos de idade.

Snape se levantou abruptamente, quebrando o contato visual com ela, e a visão na mente dela se ofuscou. Transfigurando as roupas dele em um monte de seixos, Snape os colocou dentro do bolso de suas vestes, junto com a varinha. Hermione o encarou, e encarou, enquanto ele deu as costas para ela e caminhou a passos largos para a porta.

– Boa noite – ele disse rapidamente, e deixou o prédio.

Hermione ficou sentada como se tivesse sido atingida com um Estupeçafa. Certeza inviolável. INVIOLÁVEL. E ainda assim ele a deixou ir embora para a Bulgária por três anos, ignorou suas corujas, negou algo sagrado, algo sacrossanto. O corpo todo de Hermione tremia com um excesso de emoção; ela estava repentinamente tão exausta que não tinha certeza se conseguiria voltar para o quarto.

Lupin e Tonks estavam se movendo, conversando a esmo, enquanto arrumavam o recinto da piscina para deixá-lo da mesma forma que o encontraram. Lupin se inclinou para pegar a Hermione pelo cotovelo, ajudando-a a se levantar e guiando-a para a porta.

– E quer saber o que mais sobre o Encantamento? – Tonks disse desejosamente, seguindo com os braços cheios de roupas misturadas.

Lupin olhou de relance para trás, um sorriso gentil em seu rosto. – Não sei, o que mais?

– Ouvi dizer que a transa é maravilhosa...


continua... Master of Enchantment by Subversa Traduzida por Regine Manzato.


N/T; Regine posta o capítulo e corre, mas corre muito mesmo das leitoras enfurecidas com o looooooooongo atraso.

Quando as leitoras chegam, só encontram um bilhetinho ainda caindo, como uma pluma.

"... caras leitoras, perdoem o atraso, tive problemas com a vida real nas últimas semanas, foi um inferno, mas aqui está o capítulo 3, por favor, sejam bondosas e não me torturem tanto, ok?!

volto assim que a fúria diminuir.

Beijos,

Regine. "