Capítulo 4
Hermione soube antes de abrir os olhos que tinha uma ressaca monumental. Ninguém vive uma vida normalmente livre de álcool, e então embarca numa noite de bebedeira desimpedida, sem pagar um preço por isso.
Sua primeira dica foi o latejar pesado de sua cabeça e a sensação geral de náusea em seu estômago, mas ela só teve certeza que ela estava numa manhã ruim quando a cama repentinamente se deslocou sob o seu corpo. Se a cama iria balançar como um barco no mar, ela podia muito bem ir para o chão. Preferivelmente, o chão do banheiro, só para garantir.
Corajosamente, ela abriu um olho para ver como sua cabeça reagiria à luz do dia. O pouco de luz que ela podia ver era clara para caramba, mas havia algo a bloqueando. Enviesando o único olho aberto, ela conseguiu focar no objeto entre seu olho e a luz da manhã. Quando sua visão finalmente comunicou a mensagem para o cérebro – que Severo Snape estava assomando-a em sua cama –, ela o estava encarando com um olho só por vários segundos. De certa forma tardiamente, o corpo dela pulou involuntariamente e suas mãos procuraram a roupa de cama, tentando em vão puxá-las para cima até o queixo. O movimento repentino foi uma má idéia; ela fechou os olhos contra a dor aumentada atrás deles e disse:
– Bom dia, Prof. Snape.
– Eu odeio ter que desiludi-la, Srta. Granger, mas a manhã acabou há um bom tempo. – Ela podia ouvir o sorriso de escárnio, mesmo que não pudesse vê-lo.
– Seria rude perguntar por que você está na minha cama? – ela perguntou, colocando uma mão na sobrancelha dolorida.
– Tecnicamente, eu estou em cima da sua cama, não na sua cama. Eu ficaria feliz em fazer o ajuste, contudo, se for necessário para o seu bem estar.
Hermione cerrou os dentes e ousou abrir os dois olhos numa olhadela dolorida. Ela estava vagamente surpresa em vê-lo vestindo uma camisa verde escura de manga curta, desabotoada sobre o peito nu, e uma sunga verde escura com uma estampa minúscula de cobras prateadas no tecido. Quando seus olhos vagaram de volta para o rosto dele, ela descobriu que ele olhava fixamente para as alças finas e o decote baixo da sua camisa de ceda branca.
– Você se IMPORTA? – ela exigiu, tentando mais uma vez colocar o lençol mais para cima sobre seu corpo, apenas para perceber suas tentativas frustradas pelo peso do corpo dele na roupa de cama.
– Ora, Srta. Granger, eu tenho certeza que você aprendeu em Hogwarts que devolver o gesto é jogo limpo – ele falou arrastado, deixando os olhos viajarem insolentemente dos seus seios para o seu rosto. – Ou você não estava olhando para o meu peito agora a pouco?
A resposta dela para aquele comentário foi uma exclamação de frustração e outro infrutífero puxão no lençol. Derrotada, ela deslizou mais para baixo na cama, cobrindo-se melhor, e então colocou as mãos na cabeça dolorida.
– Do que você chama aquela peça de roupa? – ele perguntou despreocupadamente.
– Aparentemente, completamente insuficiente – ela murmurou, virando para o lado esquerdo e dando-lhe as costas. – Vá embora, eu estou enjoada.
– Devo entender que você não precisa deste antídoto para ressaca?
Hermione virou de volta para encará-lo rápido o suficiente para fazer sua cabeça girar enjoativamente por um momento. Entrando e saindo de foco, ela podia ver a garrafa tampada, segura pelos longos dedos dele. Mudamente, ela estendeu a mão.
Snape segurou a garrafa só um pouco fora do seu alcance, com uma erguida inquiridora de sobrancelha.
– Por favor. – Ela realmente odiava choramingar.
– Por favor o quê? - Bastardo presunçoso.
– Por favor dê-me a maldita garrafa antes que eu vomite em você.
A garrafa caiu na cama e rolou na direção dela. Hermione arrancou a tampa e virou a garrafa na boca, indo a ponto de lamber o resíduo da tampa. Imediatamente, ela começou a se sentir melhor.
Tendo assistido aquele desempenho com diversão, Snape pegou a garrafa e a tampa de volta e levantou da beirada da cama. – Eu tenho certeza que agora você não vai perecer de ressaca, Srta. Granger. Se você decidir se aventurar lá fora hoje, eu deixei uma poção de protetor solar na mesa do terraço para você.
Hermione se levantou nos cotovelos, impressionada em como a poção agiu rapidamente para aliviar seus sintomas. – É Hermione, Severo – ela disse docemente, olhando para ele com um sorriso tímido.
Os cantos da boca dele viraram inesperadamente, como um tremor involuntário. – Saia da cama, garota, é hora do almoço – ele disse, saindo pelas portas francesas, descendo os degraus, e dirigindo-se para a água.
Hermione jogou as pernas para o lado da cama. A cama de Tonks estava vazia e não havia sinal dela. Os roupões felpudos que eles tomaram dos vestiários da piscina estavam amontoados na penteadeira. Com uma claridade abrupta, os eventos – e discussão – da noite anterior voltaram à sua mente agora sóbria.
Com olhos estreitos, ela olhou fixamente pelas portas francesas abertas para a praia, agora cheia de esteiras povoadas por trouxas aproveitando o feriado. Era bom que o Snape deixara o quarto antes que ela se lembrasse o quanto estava furiosa com ele.
Fervendo de raiva, Hermione fechou as portas francesas e fechou as cortinas com uma virada de pulso. Depois, ela foi para o chuveiro. Snape iria ouvir tudo o que ela pensava sobre a atitude insuportável dele nos últimos três anos. Ela não se importava se eles nunca mais se falassem depois de tudo, contanto que ela fosse capaz de dizer-lhe exatamente o que ela pensava sobre ele antes.
O spray forte do chuveiro lavou as lágrimas raivosas da suas bochechas enquanto limpava o seu corpo do cloro da piscina. Ela gostaria que pudesse enxaguar ele assim tão facilmente da sua pele e pelo ralo.
Severo se acomodou na cadeira de praia, embaixo do guarda-sol que Lupin armara para o uso deles. Os óculos de sol que Tonks lhe dera suavizava o brilho na água significativamente; ele era capaz de sentar-se quieto e ignorar as crianças trouxas brincando com pás no raso, enquanto mantinha um olho nas portas do quarto de Hermione.
Quando foi que ele teve a impressão de que estava no controle desta situação? Que febre mental o levara a acreditar que poderia começar a controlar Hermione Granger? Ele não podia nem controlar a si mesmo.
Um homem menos contido arrancaria os cabelos em frustração, mas a conduta de Severo não dava nenhuma indicação de seu tormento interior. Ele se sentia dividido. Seu eu mais familiar estava dentro dele, o Prof. Snape rigidamente controlado, emocionalmente reprimido e calculista, irônico e desdenhoso – mas era como se o volume fora abaixado dentro dele. Ganhando terreno agora estava o Severo Férias, que vivia fora do contexto do mundo do Prof. Snape. À Severo Férias era permitido expressar outras emoções além de aversão e desdém. Severo Férias podia se relacionar com outras pessoas de uma maneira não defensiva, porque o Severo Férias nunca mais veria aquelas pessoas. O Severo Férias era permitido experimentar novas atividades descontraídas, porque não importava o que os estranhos pensavam dele. O Severo Férias era um cara brincalhão e relativamente falador, mas havia um sério problema com o aparecimento do Severo Férias nessa escapada: Severo Férias nunca encontrara alguém que conhecia o Prof. Snape, e Severo sempre quisera manter as coisas daquela maneira.
Afinal de contas, O Que Acontecia Nas Férias, Ficava nas Férias.
E por que Tonks teve que falar sobre o Encantamento na noite anterior? Se Alvo Dumbledore não estivesse por trás daquele pequeno gambito conversacional, então os instintos de espionagem de Severo estavam falhando.
Severo soubera, após refletir, o que havia acontecido com a Hermione na cozinha do Largo Grimmauld, número doze, naquela noite três anos atrás — Dumbledore poderia usar o codinome "Circunstâncias Especiais", mas Severo soube que era o Encantamento. Naquele meio-tempo, Severo tentara se convencer de que era outra coisa, algo menos decisivo, o que sentira com ela quando ela o abraçou. A cada dia que passou desde que ela retornou a Hogwarts desmentia essa auto-evasão. Cada vez que ela se aproximava demais, ele podia sentir a energia cinética produzida pela proximidade dela. Na continuidade da sua vida diária, ele fora capaz de evadir a verdade, mas fora do contexto de seu mundo familiar, ele podia ver claramente: aqui, na pessoa de Hermione Granger, estava seu destino incontestável. Ele acreditara que podia viver até o fim da vida sem permitir outra pessoa dentro de sua casca protetora. Agora ele era provado que estava errado por uma mocinha levada. Não apenas a garota – certamente ele poderia ter se afastado da garota –, mas a magia estava além de questionamentos.
A pior parte disso tudo era que agora Hermione sabia disso. Ela era esperta – mais inteligente que qualquer outra pessoa que Severo já conhecera, com a possível exceção dele mesmo. Com a informação que recebera na noite passada, ela poderia colocar a bunda dele contra a parede figurativa.
E talvez ele até mereça isso.
Sua resolução de repelir Hermione, de mantê-la à distância, estava ruindo. O Severo Férias poderia ter um caso divino com a deliciosa Srta. Granger pelos próximos dois dias — mas a Srta. Granger voltaria para Hogwarts com o Prof. Snape, que não relaxava sua guarda para ninguém, nunca. Ou o Severo Férias teria que se desencorajar, ou o Prof. Snape teria que correr um risco pessoal e emocional.
Isso não era uma simples questão de escolha entre uma aventura de férias e alguma coisa mais séria. Ele estava mentindo para si mesmo se acreditava que tinha uma escolha no caso.
Severo ficou agitado e uma careta de tormento cruzou seu rosto quando a verdade o atingiu. Ele poderia ou se submeter ao imperativo da mágica ou tentar se afastar. O inferno do dilema era que qualquer decisão que ele tomasse não afetaria somente a ele, mas afetaria também a Hermione. Se ele escolhesse continuar sua vida sozinho, então ele a estaria condenando ao mesmo destino. Ela sentira o poder entre eles – era indubitavelmente a razão dela ter voltado da Bulgária sem se casar com aquele jogador de quadribol, o Krum. Nem ele nem a Hermione jamais seriam capazes de tocar outro amado sem comparar a experiência com o impacto do Encantamento.
A decisão precipitada de Severo de fazer esta viagem estava parecendo mais e mais com a causa da sua ruína. Ele vivera quase vinte anos de sua vida numa dança com o Lorde das Trevas, mas este era o capricho pelo qual perderia sua vida como a conhecia.
Sobraria para ele, então, tomar a melhor decisão para ambos, e que os Deuses tivessem misericórdia das almas deles.
Severo se distraiu das suas cogitações quando a Hermione saiu no terraço. O cabelo dela estava torcido no topo da cabeça novamente; ela vestia um maiô básico, em vermelho Grifinória, com uma canga combinando amarrada à cintura com um nó quadril. A canga deixava uma perna adorável à mostra. Ela estivera mais nua na noite passada só com as roupas de baixo, mas esta era a visão que ele viera à praia para ver – dane-se o mar. Ele observou quando ela pegou a poção de protetor solar e bebeu-a. Ele a viu se virar, quando Lupin saiu do outro quarto para o terraço. Hermione cumprimentou Lupin, que estava vestido como Severo, de suga e uma camisa aberta. Lupin também usava os óculos escuros que Tonks dera a eles, e entregou para Hermione os dela, que ela prontamente colocou. Severo podia ver que eles estavam rindo juntos e sentiu um golpe de ciúmes. Ah, Merlin, ele estava realmente e totalmente perdido, se a visão dela rindo com o lobisomem podia fazê-lo sentir-se dessa maneira. Com uma promessa rosnada, ele se levantou e caminhou rapidamente pela praia, para longe dos hotéis que salpicavam a praia, sua expressão ameaçadora e miserável na mesma hora.
Hermione olhou para a praia e viu Snape caminhando para longe dos turistas povoando as esteiras espalhadas na areia ao redor do grande guarda-sol deles. Por um momento, ela permitiu que seu olhar ficasse por mais tempo na figura dele em retirada, e depois desviou o olhar.
– Remo? – ela disse.
Lupin estava passando suas longas pernas sobre a mureta do terraço para se juntar a ela. – Sim?
– Cadê a Tonks?
Lupin balançou a cabeça e revirou os olhou. – Você já ouviu falar de uma atividade trouxa chamada parasailing?
Os olhos de Hermione se arregalaram em alarme. – Ela é louca?
– Eu me recusei a acompanhá-la, então ela me chamou de velho raquítico e saiu bufando sem mim. Você deveria ter visto a cara do Severo quando ela o convidou para ir com ela. Praticamente valeu o preço da entrada.
Rindo com ele, Hermione se sentou à mesa sob a sombra do guarda-sol e bateu na cadeira ao lado. – Sente-se comigo, Remo; eu quero conversar com você.
Lupin aceitou o seu convite e sorriu para ela com o calor usual. – Sim, eu acho que ele gosta de você.
Sem responder ao gracejo dele, Hermione disse:
– Não é sobre isso que eu quero falar com você.
Lupin murchou um pouco na cadeira e a expressão dele se tornou cautelosa. – O que é, então?
Hermione decidiu simplesmente arriscar. – Eu acho que a Tonks gosta de você, e eu sei que você gosta dela, e nenhum dos dois está fazendo alguma coisa sobre o assunto.
Lupin desviou os olhos, olhando através da areia para o horizonte. – Hermione, eu sei que você gosta de mim e da Dora. Eu estou lhe pedindo, como um amigo, para não intervir.
Hermione franziu os lábios e considerou o perfil dele enquanto ele continuava a olhar para o mar. – Por que eu deveria me manter quieta sobre isso, Remo? Eu sei de fato que foi você quem colocou o Harry no caminho certo com a Gina. E que você certificou-se de que Luna Lovegood fosse à festa na casa dos Longobottom quando o Rony estava passando por um momento tão difícil. – Hermione bateu na mesa com uma mão. – Você interferiu em favor dos seus amigos mais de uma vez; já está da hora de alguém fazer o mesmo por você.
Lupin virou a cabeça e encarou-a. Ela viu tanta tristeza nos olhos dele que estendeu a mão e tomou a dele. Com alguma dificuldade, ele disse:
– Hermione, eu amo ela. Eu a amo da maneira do vamos-casar-e-fazer-muito-sexo-e-ter-muitos-bebês.
– Então qual é problema...
– Não, escute. Eu sou um lobisomem. Sim, eu tenho a poção, mas isso não muda o que eu sou. Como eu jamais poderia pedir para uma mulher para fazer disso parte da vida dela? Como eu poderia? Especialmente se eu a amo? – A voz dele estava baixa como um sussurro e a cabeça estava agora curvada.
Hermione resistiu ao impulso de bater a cabeça dura dele e disse impacientemente: – Você não acha que a mulher em questão é capaz de tomar essa decisão por si mesma? Você não acha que poderia tratá-la como adulta e parar de tomar decisões que afetam AMBOS sem consultá-la? – Ela desejou com todas as forças que Severo Snape estivesse presente para ouvir esta parte da conversa.
Lupin levantou os olhos, surpreso com o seu tom exasperado. – O que faz você pensar que ela sequer me querer? Eu não acho...
Hermione o interrompeu. – Remo, ela me disse na noite passada que você é maravilhoso e que você poderia ter quem você quisesse. Ela acredita que você não gosta dela porque você é muito respeitoso com ela. – Tentando escolher suas palavras cuidadosamente, ela continuou: – Todos nós vimos a maneira que você age com as mulheres que você sai. Dê um gostinho disso para a Tonks, Remo.
Lupin começou a parecer um tanto quanto alarmado. – Mas eu não amava aquelas mulheres, Hermione. É fácil ser charmoso e xavecar uma garota quando realmente não importa...
– Qual é a pior coisa que poderia acontecer, Remo? – ela perguntou, o mais paciente que pôde.
– Ela poderia rir de mim. Não, eu suportaria isso; mas e se ela nunca mais quiser me ver novamente? – Ele levantou os olhos solenemente. – Do jeito que as coisas estão agora, eu posso vê-la com a freqüência que eu quiser, sempre que ela está livre. Nós saímos, nós bebemos, nós dançamos, nós conversamos sobre as coisas; é perfeito.
Exasperada, Hermione mudou de tática. – O que você faria se ela saísse com outro homem?
Lupin olhou para ela aterrorizado. – Ela saiu?
Hermione se permitiu um pequeno sorriso de satisfação com a mudança de comportamento dele. Dando de ombros, ela disse:
– E se ela tiver saído? Você não pretende fazer nada a respeito, e uma garota tem necessidades...
Lupin se levantou tão repentinamente que a pesada cadeira de ferro fundido tombou com um barulho alto. – Quem é ele? Diga, Hermione. Que Merlin me ajude...
Hermione o observou enquanto ele instintivamente procurou por a varinha, olhando furioso para ela de modo desafiador, com os olhos em chamas. Toda a lamúria patética tinha acabado, e ele era um bruxo com uma varinha na mão com uma bruxa para cuidar. Ela também se levantou e deu-lhe um sorriso deslumbrante.
– Excelente! Isso foi brilhante, Remo. Agora, acaba com essa atitude e vá procurar sua bruxa. Eu acredito que ela está tentando voar sem uma vassoura. – Ela apontou vagamente para a direção dos outros hotéis, do lado lotado da praia.
– Você disse aquilo só pra me deixar bravo? – Lupin exigiu, com algo entre rispidez e diversão.
– Eu disse aquilo para provar uma teoria. Mas que inferno, Remo, como você um dia vai chegar na parte do sexo e dos bebês se você nem ao menos beijá-la?
Ela observou as expressões passarem pelo rosto de Lupin enquanto ele considerava suas palavras. Normalmente, ela era mais delicada e mais paciente com os amigos, mas nesse exato momento, ela estava vendo Lupin simplesmente como um homem que não se comprometia com uma linha de ação definida; ela já estava de saco cheio disso.
– Ela disse que eu era maravilhoso? – ele perguntou, aparentemente repetindo a parte da informação que não fez nenhum sentido para ele.
– Maravilhoso – Hermione confirmou definitivamente.
Com um sorriso repentino e exuberante, Remo agarrou Hermione num abraço rápido e a rodou num círculo antes de colocá-la no chão. Sem outra palavra, ele guardou sua varinha desilusionada na sunga nas costas e saiu para procurar Tonks.
Severo estava caminhando de volta para o hotel quando o terraço ficou visível. Lupin e Hermione estavam sentados com as cabeças juntas, de mãos dadas. Severo acelerou o passo, mantendo-os em vista. Não seria irônico se, depois de toda sua agonia, ela escolhesse o lobisomem ao invés dele? Seu lábio se levantou num rosnado feio enquanto ele considerava a possibilidade. Remo Lupin fora um garoto bonito com amigos populares, quando Severo fora um garoto esquelético e desagradável sem amigos. Lupin havia se tornado um homem prematuramente grisalho, com cicatrizes da guerra, que ainda mantivera parte da boa aparência da juventude; Severo, no entanto, tornara-se um homem alto, anguloso e desagradável, que havia melhorado apenas marginalmente desde a sua juventude pouco charmosa.
Enquanto aproximava-se deles, Severo viu Lupin levantar de uma maneira ameaçadora. Se Severo estivesse a uma distância boa de disparo ele teria amaldiçoado o bastardo pelas costas por tal comportamento ameaçador. Quase que imediatamente, entretanto, Hermione estava em pé; Severo gozou um momento de satisfação enquanto esperava Hermione apontar a varinha para o Lupin. Ela não o atacou, mas balançou a mão, pareceu-lhe, de uma forma a dispensá-lo. Não tão satisfatório quando uma boa maldição, mas serviria, Severo pensou. Satisfazia-o vê-la mandar Lupin cuidar dos problemas dele.
Quando Lupin pegou a Hermione nos braços e a rodou no ar, Severo sentiu seu queixo cair em choque. A fúria que o preencheu literalmente o fez enxergar vermelho. Completamente indiferente aos perigos de ser visto por um trouxa, ele desaparatou.
Hermione estava observando Lupin se afastando a passos largos quando Snape aparatou bem em frente a ela, arrancando-lhe um grito. A ferocidade no rosto dele a fez dar um passo para trás, ao mesmo tempo em que ela olhava de relance ao redor para ver se algum trouxa testemunhara a aparição dele.
– Você está brincando? – ela sibilou para ele. – Você poderia ter sido visto!
Snape se controlou com um esforço visível e soltou:
– Eu gostaria de falar com você em particular, se não se importa.
Exasperada, Hermione atirou de volta para ele:
– Eu não entraria sozinha num quarto com você nem se você me pagasse!
– Você nem sequer ESPEROU por um quarto sozinha com Lupin antes de se jogar para cima dele! Qual é o problema, Srta. Granger? Nós meros mortais não temos o apelo bestial daquele lobo selvagem?
Hermione caminhou até o rosto odioso e insultante dele e deu-lhe um tapa o mais forte que pode. Sem esperar pela reação dele, ela correu para o seu quarto e fechou as portas francesas com um baque de chacoalhar os vidros.
Snape ficou imóvel no terraço com a marca da mão dela na bochecha, sentindo-se um completo idiota. Ele viu Hermione agarrar as cortinas nas mãos e fechá-las na cara ele. Com uma determinação inflexível, ele endireitou a cadeira que ferro fundido que Lupin perturbara e sentou-se encarando as portas francesas fechadas, suas costas para a praia.
Talvez uma hora de vigília se passara quando ele ouviu uma aproximação por detrás dele – os barulhos mais estranhos, para falar a verdade. Ele virou a cabeça e viu Lupin e Tonks fazendo um lento progresso para o quarto que Snape e Lupin estavam dividindo. Lento porque estavam se beijando e apalpando um ao outro numa demonstração pública extraordinariamente repulsiva. Ele imaginou rapidamente se eles desistiriam de lutar e simplesmente transariam bem ali na areia, mas ele ficou aliviado de vê-los subir os degraus do terraço para as portas do outro quarto. Enquanto eles procuravam desajeitadamente o caminho para dentro, Snape ficou perplexo quando Tonks olhou diretamente para ele, balançou a cabeça na direção das portas fechadas da Hermione, e depois desapareceu quando Lupin fechou a porta com um chute atrás dele.
Severo estava consciente de uma sensação como se toda a situação estivesse espiralando para fora do seu controle com velocidade sempre crescente. Ele já não estava mais agonizando sobre a escolha que tinha que fazer; estava dolorosamente claro para ele que a escolha fora feita. Sua fúria de possessividade, inflamada pela visão do Lupin dando em Hermione um abraço fraternal, contava sua própria história. Se ele fosse sincero consigo mesmo – um exercício detestável que ele evitava sempre que possível –, tinha que admitir que os sentimentos possessivos estiveram com ele por três anos, agora. Ele administrara aqueles sentimentos com disciplina de ferro até que Hermione chegara a Hogwarts e estivera entrando e saindo da sua presença todos os dias. Que espantoso que seu autocontrole, que lhe servira tão bem por tanto tempo, fosse insignificante em face ao domínio do Encantamento.
Ele não tinha sobrevivido duas guerras contra o maior bruxos das trevas de todos os tempos sem aprender algumas lições sobre se curvar a uma força superior. Ele a teria, mas ainda era sonserino o suficiente para querer que fosse de sua própria maneira. Teria ele que enfrentar a leoa ferida da Grifinória no covil dela, ou as circunstâncias o permitiriam alcançar uma reconciliação mais dissimulada? Resolutamente, ele começou a juntar os pedaços do seu orgulho e acomodou-se para esperar ela sair.
Paciência não era um problema para ele; algumas poções simplesmente demoravam mais para cozinhar do que as outras.
continua... Master of Enchantment by Subversa- Traduzida por Regine Manzato
parasailing não tem uma tradução, mas é um esporte onde uma ou até três pessoas ficam presas num pára-quedas voando enquanto são puxadas por uma lancha.
N/T: Oi gente!! Mais uma vez eu venho pedir desculpas pelo atraso na postagem do capítulo.
Maaaaaaaas, para compensar, anotem na agenda: semana que vem, SEM FALTA o penúltimo capítulo da fic vai estar no ar EU JURO!!!!
Obrigada a todo mundo que tem acompanhado a fic, a Subversa, eu e a FerPotter ficamos muito felizes com os reviews de vocês.
Beijos e até a semana que vem, gente!
