Ok! Era como estar num mundo diferente do meu, mas ao mesmo tempo muito parecido com ele. Bem, ao menos isso foi o que a Hermione mais velha tentou me explicar, para ela as possibilidades são bastante remotas, para que eu tenha sido "transportado" no tempo, e eu tenho que admitir, é o jeito de Hermione agir com ceticismo e não admitir nada até ter lido algo sobre isso.

Por um lado a sensação de pânico que eu sentia realmente diminuiu quando eu e a Hermione mais velha entramos em uma espécie de acordo tácito de não apontar varinhas ou acusar o outro sem motivos aparentes. Realmente, agora que tudo está aos poucos ficando mais claro, eu não consigo se quer olhá-la nos olhos.

Meu bom Merlin, eu fiz amor com ela!

Eu toquei seu corpo, deixei meus lábios percorrerem sua pele perfumada, permitir que meus dedos ousados trançassem seus cabelos cacheados, o sabor dela ainda estava em minha boca e segurá-la em meus braços não estava ajudando muito para mudar esse quadro.

Ela tinha secado as lágrimas e se afastava lentamente de mim, por alguma razão estranha, eu não queria que isso acontecesse, era mais fácil ficar apenas abraçado à ela sem ter que olhar em seus olhos. Céus, eu fiz amor com ela, mas não lembro de nada do que ela diz. É tão malditamente confuso!

Com um suspiro involuntário a deixei ir. Ela me encarou com um sorriso que não era muito animador, e desviando o olhar habilmente cruzou os braços e respirou fundo, assumindo uma postura mais racional.

-Antes de qualquer coisa... temos que confirmar se está tudo bem com a sua cabeça!

Pondera ela levando um das mãos ao queixo delicado.

-O quê? Ninguém vai mexer na minha cabeça! Eu estou perfeitamente bem!

Revidei alterado a pegando de surpresa, mas raios, eu não vou deixar ninguém apontar uma varinha para mim e mexer com meus pensamentos.

-Harry, por favor, fique calmo!

Pede ela em um tom de voz firme, mas ao mesmo tempo suave. Era quase como uma mãe repreendendo um filho travesso. Esse sentimento estranho fez o meu estomago dar solavancos, mãe... aquela criança de mais cedo... Hermione já era mãe? Balançando negativamente a cabeça afastando mais esse pensamento absurdo da minha cabeça eu tentei me focar no que ela dizia.

-Podemos chamar Madame Pomfrey, ela pode dizer se foi alguma concussão ou efeito colateral de algum feitiço que tenha usado...

Explica ela pacientemente e eu apenas acenava positivamente com o rosto em concordância não confiando na minha própria voz para responder-lhes.

-Harry, eu acho que antes de qualquer coisa, é essencial verificar se sua saúde mental, isso eliminaria duas possibilidades, uma amnésia provocada por uma pancada forte na cabeça ou efeito colateral de um feitiço muito forte pode ser facilmente reversível!

Continuava Hermione divagando sobre como deveria chamar a curandeira em Hogwarts. Harry respirou fundo, ao menos ela tem um bom argumento para convencê-lo, se algo estivesse errado, Madame Pomfrey com toda certeza saberia!

-Quando podemos vê-la?

Perguntava o moreno em antecipação, chamando a atenção da nascida trouxa mais uma vez. Assim que seus olhares se encontram, ele percebe a grifinória ficar ligeiramente rubra, desviando o olhar do dele antes de responder.

-Assim que as crianças estiverem na escola!

Diz rapidamente a morena seguindo para uma penteadeira do outro lado do quarto e tomando uma pena e pergaminho em sua mão. Harry mal teve tempo de processar a palavra "Crianças", no plural, suas pernas pareciam ter virado geleia, por que ele teve que voltar para a cama e se apoiar novamente.

-Primeiro temos que enviar uma mensagem ao quartel de aurores explicando a sua ausência, por motivos de força maior, é claro!

Dizia ela em tom autoritário, mas logo fora cortada por um Harry alarmado.

-Aurores? O que diabos os aurores tem haver com isso?

Questiona ele bravamente, recebendo um olhar exasperado da Hermione mais velha. Ela simplesmente finaliza a mensagem no pergaminho antes de levantar-se da penteadeira e seguir calmamente em sua direção.

-Você trabalha no departamento especial de aurores, Harry, você comanda uma equipe inteira no Ministério!

Responde docilmente a nascida trouxa, mal percebendo a respiração afiada do moreno de olhos verdes.

-E-eu sinto muito!

Desculpa-se ele sem conseguir encará-la.

-Eu n-não deveria ter gritado com você de novo, eu só... eu só não me lembro de nada disso!

Responde ele sem esconder a frustração em sua voz, passando displicente uma mão sobre os cabelos negros e bagunçados. Hermione, lhe oferece um sorriso terno antes de colocar uma mão sobre seu ombro e sentar-se ao seu lado com um pouco de hesitação.

-Está tudo bem! Deve estar sendo mais difícil para você do que para mim!

Garante a nascida trouxa com ternura, e Harry pela primeira vez, reconheceu de fato que a sua Hermione estava bem ali, a mesma voz, a mesma ternura, o mesmo carinho, cuidado e paciência que tivera com ele durante o Torneio Tribruxo.

-Obrigado, Hermione! Acho que... se eu não estivesse com você agora eu estaria muito pior!

Agradece ele com toda a honestidade que consegui reunir em sua voz. Ela simplesmente sorri para o marido e Harry nota a aliança de ouro em seu dedo anelar esquerdo... por instinto ele olhou para suas mãos, encontrando uma aliança correspondente à dela, só que um pouco maior.

-Não agradeça, Harry, eu estou fazendo isso por que eu te amo!

Agora ele a encarava em uma total perda de palavras. Ela disse que o amava! WOW, Hermione disse que o ama como se fosse a coisa mais natural do mundo. Sua expressão de choque era de tal forma tão cômica que Hermione não conseguia parar de rir. Sua risada era tão incrível, ele não lembrava tê-la visto sorrir assim em Hogwarts. Foram bons dois minutos antes que ela relaxasse e o encarasse novamente.

-Eu não queria assustá-lo, Harry!

Diz ela com a voz ainda risonha, ao que o moreno ainda impressionado apenas assentiu com um gesto do seu rosto. Os dois permaneceram em um silencio estanho, olhares perdidos um no outro até que mais uma vez ambos ficaram completamente rubros e desviaram abruptamente o olhar.

-Eu vou enviar essa mensagem e acordar as crianças!

Anuncia ela levantando-se subitamente sem mais conseguir encará-lo. Os cabelos encaracolados caindo suavemente quase alcançando a curva da sua cintura. Harry engoliu em seco com aquela simples visão.

-E você fica bem aqui! É melhor descansar um pouco!

Exige ela colocando as mãos na cintura antes de virar-se em sua direção e empurrá-lo de volta para a cama em posição deitada. A mente do grifinório estava a mil por hora. A sensação das mãos de Hermione sobre seus ombros, o corpo dela inclinando ligeiramente sobre o seu e a maldita camisola reveladora o brindando com a imagem perfeita das suas curvas.

Ele fechou os olhos com força, obrigando o coração a desacelerar. Esse definitivamente não era momento para isso. Mas, rapidamente Hermione se afastou, tirando seus óculos redondos e colocando-os na cabeceira da cama novamente.

-Você precisa estar descansado, madame Pomfrey com certeza vai fazer uma bateria de exames com você, e nós dois sabemos como ela é rigorosa!

Diz ternamente a nascida trouxa com uma das mãos acariciando o rosto do marido. Ela o fitava com um misto de carinho e preocupação, Harry nunca passara por nada do tipo e mesmo que encontrar madame Pomfrey tenha sido uma boa ideia, ela duvidava que aquela perda de memória fosse fruto de uma pancada ou feitiço usado. Mordendo o lábio inferior, ela prefere deixar pensamentos negativos para depois, dando um beijo casto na testa do moreno, onde antes se encontrava a infame cicatriz em forma de raio, ela deixa Harry sozinho no quarto e segue para o quintal, encontrando sua coruja cinzenta para enviar a mensagem.

-Este será um longo dia!

Murmurava ela assistindo melancolicamente a coruja sumir entre as nuvens claras do amanhecer.