As coisas estavam difíceis para Hermione. Assim que enviou a coruja ao Ministério da Magia, seguiu diretamente para a cozinha, na realização ansiosa de uma rotina a qual estava tão acostumada nos últimos sete anos e meio. Abriu o armário superior sobre o balcão retirando quatro tigelas coloridas e dispôs sobre a mesa. Tirou o leite, suco, geleias e frutas da geladeira, antes de começar a fazer torradas no fogão.
"Uma alimentação saudável é fundamental para crianças em fase de crescimento!" Recitava ela sempre que um dos seus filhos reclamava pela falta de doces na mesa a cada manhã. Reprimiu um sorriso nervoso, ao recordar que era sempre Harry o primeiro a pedir torta de melado azedo e penas de açúcar no café da manhã em família.
-O que aconteceu a você, Harry?
Murmurava ela apoiando ambas as mãos sobre a mesa e respirando pesadamente. Perder a memória assim tão inexplicavelmente? Era impossível! Oito anos, oito anos de lutas, perdas, conquistas e do nascimento de um amor selvagem e inexorável entre eles. Ela fechou as mãos em punhos, os nós dos dedos perdendo rapidamente a cor contra a madeira escura da mesa.
A caça às horcruxes, as mortes em Hogwarts, a batalha final contra Voldemort, o seu casamento, o nascimento dos seus filhos... o coração da nascida trouxa apertou ferozmente. Ele mal se lembrava de estar apaixonado por ela...
Tantas coisas perdidas... engolindo em seco, Hermione fitava a aliança brilhante em seu dedo anelar esquerdo. Um misto de nostalgia e saudades inundando os olhos castanhos na iminência de mais lágrimas. Um sabor amargo subiu à sua garganta, assim como no momento em que o encontrou segurando a foto da sua lua de mel na Grécia.
Erguendo o rosto corajosamente, a bruxa se recusou a sucumbir àquele sentimento de tristeza repentino. Depois de tudo, Harry parecia, ao menos fisicamente bem, sem cortes ou contusões. Mas, aquele olhar no rosto dele... ele parecia tão perdido, tão aflito, lembrava o mesmo Harry que ela deixara na estação de King Cross ao final do trágico Torneio Tribruxo.
-Até faz, sentido, é tudo o que ele se lembra!
Repetia mentalmente Hermione, antes de voltar-se aos seus afazeres. Precisava deixar tudo pronto, logo as crianças estariam de pé e a encheriam de perguntas se a encontrassem tão distraída. Mas, ela já previa uma enxurrada de reclamações pela ausência de um certo moreno de olhos verdes na cabeceira da mesa.
Era quase uma tradição, eles sempre comiam juntos, todos os cinco Potters reunidos no café da manhã, era difícil manter as crianças quietas sem a ajuda de Harry, enquanto ela mantinha a ordem, ele mimava os pequenos. Com um suspiro pesado, ela decidiu seguir com o combinado... assim que as crianças estivessem na escola, entraria em contato com Madame Pomfrey, a velha medibruxa com toda certeza teria uma resposta a este estado desmemoriado de Harry.
Não demorou muito para ouvir os primeiros passos apressados pelas escadas ao final do corredor. Revirando os olhos ela alertou severamente sem ao menos olhar na direção da porta da cozinha:
-Sem correr nas escadas Theodore Potter!
O menino metamorfo logo abrandou os passos, os cabelos azuis ganhando uma coração vermelha muito semelhante ao seu rosto no momento em que foi repreendido pela nascida trouxa.
-Como sabia que era eu mamãe?
Pergunta ele fazendo muxoxo antes de tomar um lugar à mesa ansiando pelas torradas com geleia e mel da sua mãe.
-Você é o mais velho, seus passos são mais pesados! Apesar de Lily ser bem mais rápida que você ou James ela não faria tanto barulho assim!
Explica ela pacientemente antes de virar-se para ele com um prato repleto das torradas que Teddy amava.
-Onde está o papai?
Questionava ele olhando para os lados com curiosidade. Na maioria das vezes era Harry que servia o café da manhã enquanto Hermione se encarregaria de levantar James da cama e acordar a pequena Lily.
A nascida trouxa segurou um suspiro exasperado, desviando os olhos para a porta da cozinha pouco antes de responder ao menino:
-Seu pai está doente! Ele vai ficar de cama até se sentir melhor!
Explicava ela, satisfeita por não estar realmente mentindo para seu filho, se existia algo que ela abominava era mentiras, especialmente para seus filhos. No entanto a curiosidade de Teddy se transformou em preocupação e seus olhos castanhos ampliaram-se em alerta.
-O que o papai tem? Ele vai ter que tomar injeção? Ele ficar bom, não vai mamãe?
Percebendo o desespero do seu pequeno filho de oito anos de idade, Hermione deixa as torradas e copos de lado e agacha-se até ficar da altura de Teddy, o fitando diretamente nos olhos e com ambas as mãos em seus ombros.
-Teddy, seu pai vai ficar bem! Ele só está se sentindo cansado e por isso o deixei dormir mais um pouquinho!
Explicava amavelmente a morena antes de continuar.
-Mas, mamãe, o papai nunca ficou doente!
Protesta ele com aflição em sua voz infantil. O coração da nascida trouxa apertou novamente e ela abraçou o filho suavemente antes de voltar a falar.
-Você precisa se acalmar Teddy! Quanto mais nervoso ficar, mais difícil será controlar suas transformações!
Alerta ela docemente, levando uma das mãos aos cabelos desgrenhados e coloridos do menino, que mudavam freneticamente de cor.
-E adultos também ficam doentes afinal!
Completa ela dando um beijo casto na testa do menino que cruza os braços e começava a encarar seu café da manhã sem o mesmo entusiasmo de antes. Deixando Teddy sozinho por um instante, Hermione subiu as escadas em busca dos filhos mais novos, se não se apressasse, perderiam a hora.
-Mamãe! Hoje eu quero me vestir de chapeuzinho vermelho!
Gritava empolgadamente Lily agarrando sua fantasia preferida cheia de lantejoulas e cetim. Hermione revirou os olhos antes de pegar a menina nos braços e a colocando em pé sobre sua cama cor de rosa.
-Querida, esta roupa é só para dias especiais lembra?
Começa a nascida trouxa ternamente, mas a pequena parecia não escutar.
-Mas, eu quero a minha capa vermelha mamãaaaaaaaae!
Choramingava ela com os olhinhos quase completamente inundado em lágrimas.
-Querida e se ao invés de uma capa vermelha você usasse aquele vestidinho lindo que a vovó comprou pra você?
Insistia Hermione puxando suavemente a fantasia das mãozinhas de Lily que fungou em desgosto ainda com a carinha de choro.
-Mas, eu quero brincar de chapeuzinho vermelho!
Agora ela chorava abertamente, sentando-se na cama e enxugando os olhinhos com as mãozinhas fechadas em punhos.
-Lily não seja teimosa!
Repreende Hermione pegando um vestido vermelho e cheio de babados para a filha.
-Olha esse aqui! Tenho certeza que a chapeuzinho vermelho tinha um vestido igualzinho!
Brinca Hermione entregando o vestidinho para Lily que agora parara de chorar e encarava o vestido à sua frente com os olhinhos brilhantes e esperançosos.
-Um igual de verdade?
Insistia ela enxugando os últimos vestígios de lágrimas dos olhos.
-Não está vendo? É tão vermelho quanto a capa dela!
Continuava Hermione com um grande sorriso ao perceber que convencera Lily tão rapidamente. Em uma manhã normal, a pequena iria protestar até o ultimo segundo para usar suas fantasias coloridas no lugar de roupas normais, era tão teimosa quanto a própria mãe nessa idade.
-Então eu quero esse vestido mamãe!
Anuncia ela abraçando o vestido vermelho para o alívio da nascida trouxa. Que depois de preparara Lily e a deixar com Teddy na cozinha, seguiu diretamente ao quarto de James, estranhando que até agora ele não tenha acordado sozinho.
-Provavelmente passou a noite brincando com os jogos eletrônicos que Harry tinha comprado no seu aniversário!
Ponderou ela mentalmente. Mas, assim que entrou no quarto de James ela sentiu a temperatura baixar. Cortinas ainda fechadas, os brinquedos bem guardados e nenhum sinal de que passara a noite em claro. Mordendo o lábio inferior, ela segue a passos rápidos até a cama do filho com um sentimento de alerta constante.
Ajoelhando-se ao lado da cama, ela balança gentilmente o ombro do pequeno James de seis anos de idade.
-James, está na hora de ir para a escola!
Sussurra ela suavemente numa tentativa vã de despertar o filho. Mas, James apenas franziu a testa e encolheu-se ainda mais na cama.
-James, você tem que levantar filho! Teddy e Lily estão te esperando lá embaixo!
Insistia ela puxando o cobertor delicadamente, mas congelou em choque com o que viu. James estava tremendo, o rosto molhado de suor e pequenas pintinhas azuis espalhadas por todo o corpo.
O tempo estava se arrastando dentro das paredes daquele quarto, por mais que Harry estivesse se esforçando para manter a calma, ficar parado tentando dormir e ao mesmo tempo vasculhar sua memória em busca de alguma pista do que tinha lhe acontecido não eram duas coisas que se poderia fazer ao mesmo tempo.
Ele levantou-se depois de um longo tempo admirando inutilmente o teto impecavelmente pintado do quarto que "supostamente" dividia com Hermione. Apesar do ambiente aconchegante, da cama quente e reconfortante e do silêncio pacífico, Harry não conseguia ficar parado. Ele precisava fazer alguma coisa.
Sua varinha estava com ele, seus óculos também e acima de tudo, tinha Hermione do seu lado. Uma Hermione diferente, ele reconhecia, parecia mais madura, mais alta, mais cheia de curvas e com uma pele deliciosamente macia...
O grifinório levantou-se subitamente d cama, uma postura ereta e os músculos tensos, isso não era certo. Balançou negativamente a cabeça esfregando o rosto com as mãos. Não podia ficar pensando nessas coisas! Não agora! Repreendia a si mesmo!
Mas, lá no fundo da sua mente já tão perturbada, uma vozinha irritante ironizava: "não parecia tão hesitante quando fizeram amor". Maldição, era para ser um sonho, um mero, inofensivo e passageiro sonho adolescente que ninguém além dele deveria saber!
O rosto do Potter atingiu um forte tom de vermelho. Mesmo para um garoto de quatorze anos, a mera ideia de estar dividindo uma cama com uma mulher nua era surreal, ainda mais se essa mulher fosse a sua melhor amiga sabe tudo, de cabelos espessos e olhos castanhos.
Decidido a tomar sua mente em outro foco. Harry se aproximou da porta do quarto, ponderando se deveria ou não deixar o aposento.
-Hermione me pediu para ficar!
Relutou em pensamento, sua mão direita hesitante alcançou a maçaneta dourada quando o som de passos apressados o assustou e o fez afastar a mão da mesma como se tivesse sido queimado pelo fogo. Logo uma risada infantil ecoou do outro lado da porta e Harry sentiu todo o sangue do seu corpo congelar.
As crianças! Hermione disse que teria que mandar as crianças para a escola. Doce Merlin!
O moreno se afastou da porta e permaneceu a fita-la como se tratasse de uma espécie horripilante de portal para um mundo que ele não tinha certeza se desejaria descobrir, era tão aterrorizante como tentador, o lembrava vagamente a experiência de sentar-se nas noites solitárias em frente ao espelho de Ojesed.
Ele desejava ver essa "vida alternativa?" ele queria conhecer as "suas crianças com Hermione?" ele estaria preparado para isso? "Preparado para ser Pai?"
O estomago do moreno deu uma forte guinada e repentinamente ele sentiu-se tonto. Cambaleou poucos passos para longe da porta, decidindo permanecer na segurança da clausura daquele quarto. É melhor assim! Repetia ele mentalmente em um mantra desesperado. Era surreal demais para ser verdade, era ideal demais para acreditar...
Droga ele só tinha quatorze anos!
Respirando fundo, o Potter obrigou-se a levantar o rosto com altivez e encarar corajosamente sua situação, não haveria outra alternativa a não ser confiar nessa Hermione. Ela lhe pareceu convincente o bastante para aliviar certas desconfianças crescentes no peito do moreno de olhos verdes.
Sem percebe, ele se aproximava d penteadeira onde a nascida trouxa deixara pena e pergaminhos espalhados na pressa de enviar uma mensagem ao ministério.
-Eu sou um auror agora!
Murmura ele sentindo um ligeiro orgulho tomar forma em sua mente. Tocando cuidadosamente os objetos que encontrava com as pontas frias dos seus dedos, ele encontrou-se maravilhado como tudo ali tinha o perfume, o jeito, a forma e as cores da sua antiga Hermione.
A letra rebuscada, as penas e pincéis, os pergaminhos empilhados ordenadamente, alguns pequenos livros, uma tabela com uma agenda grossa cheia de anotações que chamou bastante a atenção de Harry. Sentando-se displicente na cadeira, ele abriu a agenda com genuína curiosidade...
Segunda-feira:
Assinar a autorização de Theodore para ir ao zoológico com a escola;
Comprar um uniforme novos bonés para Theodore;
Descobrir onde Lily escondeu seus sapatos novos;
Levar James para cortar o cabelo;
Renovar a assinatura do Profeta Diário;
Encomendar os livros de literatura de Theodore e James antes do verão;
Marcar uma consulta em Snt. Mungus após o horário do almoço;
Pegar as crianças na escola e encontrar Harry para comemorarmos!
O moreno se encontrava em estado de êxtase. Theodore, Lily e James? Essas eram as suas crianças, esses eram os nomes dos seus filhos. Três filhos! Três pequeninos que ele e Hermione trouxeram ao mundo. Theodore, James e Lily... esses nomes não saíam da sua cabeça. Os nomes dos seus pais, mas e Theodore? Seria o nome do pai de Hermione? De algum amigo que teriam feito nesses "oito anos de memórias perdidas como dizia Hermione?"
Um turbilhão de perguntas se formavam novamente em sua cabeça... quantos anos teriam, com quem pareciam, como se comportavam, eles eram felizes? Eram mágicos também? Harry engoliu em seco, fechando a agenda com força e a devolvendo ao seu devido lugar rapidamente.
Não era saudável ficar alimentando essas perguntas agora. Sim era fato que nessa realidade alternativa ou seja lá o que fosse, ele estava casado com sua melhor amiga, eles tinham uma vida intima no mínimo... instigante... a julgar pelo ocorrido durante a madrugada... e que isso levaria inconsequentemente à filhos.
Doce Merlin! Praguejou o moreno injuriado, sentindo o estômago revirar. Ele era novo demais para isso, mal tinha experiência com garotas, como lidaria com uma esposa e filhos? Como os protegeria? Seria um bom pai? Intrigado, Harry finalmente decide encarar a sua imagem refletida nitidamente no espelho da penteadeira.
Chocado consigo mesmo, percebeu que não havia mais vestígios do menino de quatorze anos de idade que acabara de escapar de um torneio da morte em Hogwarts. Empalidecendo gravemente, Harry percebeu uma barba por fazer espalhada pelo seu rosto, as sobrancelhas grossas, o nariz aristocrático e rígido bem maior do que lembrava, os cabelos tão negros quanto nunca, algumas linhas sobre os olhos verdes, o maxilar mais largo e uma expressão mais forte.
Sua mão inconscientemente alcançou a cicatriz quase inexistente em sua testa, o permitindo observar os músculos dos braços e ombros mais largos. Ficando de pé, ele notou que estava bem mais alto e nada o fazia lembrar da estrutura frágil e magricela de seus tempos em Hogwarts.
Ele era como Sírius disse uma vez... a imagem perfeita de seu pai, James Potter.
-Isso é demais...
Comentou ele com perplexidade absoluta.
-Ok, Harry, não surtar, não surtar!
Começava o grifinório em choque, preparando-se para explodir a qualquer instante quando um grito ecoou pelos corredores levando o sangue do moreno a congelar.
-HARRY!
Ecoou novamente, mas com um tom alarmado capaz de fazer todos os pelos do corpo do moreno eriçarem. Pegando a varinha em punho ele não pensou duas vezes... tinha que encontra-la!
-Hermione!
Chamou Harry, segundos antes de sair em disparada pelo corredor, sem nem ao menos saber exatamente para onde estava indo, seus instintos o levando para onde a voz de Hermione possivelmente teria escapado.
Não precisou ir muito longe. Ele a encontrou em um quarto de criança, provavelmente de um menino a julgar pelas cores e brinquedos espalhados pelo chão. Hermione estava debruçada sobre uma pequenina figura que se assemelhava muito a si mesmo quando criança. Ela tinha uma mão sobre a testa febril do garoto e com o braço livre tentava levantá-lo em seu colo.
Ele não sabia de onde tinha tirado forças para superar a surpresa e ajuda-la, tomando o menino pálido em seus braços fortes. Ele parecia tão pequeno e febril que a preocupação enraizou-se no peito do grifinório.
-O que houve?
Questiona Harry enquanto Hermione tentava vestir um casaquinho sobre os ombros trêmulos do seu filho de seis anos de idade.
-James não desceu para o café da manhã e quando eu cheguei aqui ele estava febril e não conseguia acordar...
Divagava ela nervosamente, atrapalhando-se entre recolher alguns pertences do pequeno e explicar tudo à um Harry desmemoriado.
-Hermione, você precisa ficar calma!
Exigiu o moreno com severidade. Ter James tremendo e cada vez mais febril em seus braços o dava a sensação de que nada no mundo poderia ser mais importante do que ajudar aquela criança.
-Eu estou tentando Harry!
Ela quase gritou, mas logo se arrependeu quando James resmungou entre um gemido e um choro afundando o rosto na camisa de Harry.
-O que vamos fazer?
Desespera-se o Potter mais velho voltando toda a sua atenção ao rosto contorcido de James enchendo-se de bolhinhas azuis.
-Te-temos que leva-lo a um medibruxo!
Responde Hermione rapidamente puxando a varinha e conjurando uma bolsa onde colocara roupas e alguns pertences do seu filho.
-Madame Pomfrey?
Arrisca o Potter apertando instintivamente James em seu abraço. O menino estava ficando gelado agora e isso o deixava ainda mais perturbado.
-Sim! Vamos levá-lo à Hogwarts, mas temos que cuidar de Teddy e Lily também!
Lembra-se Hermione com os olhos amplos em choque. Merlin, ela tinha deixado os dois sozinhos na cozinha, a essa hora estariam fazendo uma verdadeira guerra de comidas em pleno café da manhã!
Sem parar para explicar nada à Harry, ela corre em direção as escadas em busca dos dois filhos, o mais velho e a mais nova.
-Teddy, Lily!
Chamava ela em um tom de voz autoritário. Mas assim que entrou na cozinha, surpreendeu-se ao encontrar Teddy enchendo a tigela de Lily com algumas frutas vermelhas que ela adorava.
-Mamãe!
Cantarolou a menina com um sorriso brilhante enquanto segurava algumas cerejas em suas mãos pequenininhas.
-Cadê o James?
Questionou Teddy franzindo a testa novamente em preocupação.
-James... James e seu pai estão doentes agora! Febre alta, machas por todo corpo, levarei os dois a um medibruxo, por isso quero que se apressem, escovem os dentes e peguem suas mochilas!
Ordenava ela rapidamente surpreendendo os pequenos.
-Papai tá dodói?
Pergunta Lily chorosa.
-Ele vai ficar bem querida!
Intervém Hermione a segurando no colo e pegando um guardanapo na mesa, enxuga o rostinho sujo da filha mais nova.
-Agora se apressem! Vou avisar ao tio Rony para dar uma carona a vocês!
Completa ela colocando Lily no chão e olhando diretamente para Teddy, que parecia intrigado com o comportamento da sua mãe. Silenciosamente ele se aproximou de Hermione e segurou sua mão um pouco hesitante.
-Mamãe, vai ficar tudo bem com James e o papai, não vai?
O coração da nascida trouxa ficou pequenininho com o pedido do filho, ela poderia começar a chorar como um bebê ali mesmo tamanho era o seu desespero com a situação de Harry e a misteriosa doença de James, no entanto seu lado racional sempre a impedia de tomar atitudes precipitadas e assustar ainda mais seus filhos.
-É claro que sim, Harry é um bruxo muito forte e James é um menino teimoso demais para deixar uma febrezinha derrubá-lo!
Diz carinhosamente a nascida trouxa acariciando os cabelos coloridos do menino antes de puxar um boné e colocá-lo sobre sua cabeça.
-Agora lembre-se de ficar calmo e se divertir no seu passeio ao zoológico!
Aconselha ela abraçando o pequeno com carinho.
-Eu prometo mamãe!
Garante Teddy antes de seguir Lily em busca da sua mochila. Rapidamente Hermione chama Rony através do Flu.
-Ron, Harry e James estão doentes, preciso que leve Teddy e Lily para a escola hoje e os deixe na Toca até o final da tarde!
Pede ela sem deixar espaço para o pobre ruivo protestar, segundos depois, Rony ainda de pijamas, saía de sua lareira esfregando os olhos até ser bombardeado por abraços ferozes dos seus "sobrinhos" Teddy e Lily.
-Vamos para a escola titio!
Sorria Lily em seu vestidinho vermelho brilhante. Enquanto isso no andar superior, Harry tentava ainda sem jeito manter James em seu colo, mas a cada segundo que se passava, ele se contorcia e choramingava para grande desespero do mais velho.
-Papai eu estou com frio!
Murmurava sofridamente o menino e Harry instintivamente puxou o casaco pequeno sobre seus ombros trêmulos.
-Vai ficar tudo bem James, o frio vai passar!
Sussurrava ele sem nem ao menos saber o que dizer ou fazer agora. Hermione o tinha deixado sozinho afinal. Harry nunca teve qualquer experiência de ser cuidado quando mais novo, sempre que adoecia, seus tios o trancavam em um armário e o deixavam sem comida por dias.
A lembrança fez o sangue do grifinório arder em suas veias, por culpa dos Dusleys ele não sabia como cuidar do seu próprio filho. Segurando uma respiração profunda em seus pulmões ele tentou lembrar de como a senhora Weasley agia com Rony e Gina todas as vezes que ele tinha visitado a Toca. E embalou suavemente James em seus braços.
-Papai?
Chamou o menino fracamente e o coração de Harry pareceu pular dez batidas por segundo. Era a segunda vez que o menino o chamava de pai e um sentimento completamente inesperado agitava todo o seu ser. Ele quase engasgou antes de responder.
-O-o que foi James?
O pequenino abriu os olhos castanhos e encarou Harry amedrontado.
-Eu tô com medo!
O coração do Harry parecia ter se partido em pedacinhos, James estava assustado e muito mal, mas assim como o pequeno, Harry também estava aterrorizado, desesperado, completamente amedrontado. Mas, poderia ele dizer isso à uma criança?
-Não precisa ficar com medo, James! Eu estou bem aqui e não vou deixar nada nem ninguém machucar você!
Fala ele surpreendendo-se com a força e honestidade de suas próprias palavras, parecia que aquela promessa não tinha vindo dele, do jovem Harry de quatorze anos, mas do verdadeiro pai do garoto. James lhe devolveu um olhar mais aliviado e conchegando-se no peito do seu pai adormeceu pacificamente, bem a tempo de Harry ouvir a voz sonolenta de Rony no andar inferior...
Quero agradecer de coração a todos os maravilhoso comentários que me incentivaram a continuar a fic! Espero que estejam curtindo o capítulo e a confusão na pobre cabecinha do Harry também hauhauhauhuaha beijinhux a todos e bom fim de semana gente!
