Hermione respirou fundo e cruzou os braços nervosamente quando assistiu seus filhos partirem na companhia de Rony através do flu. Os seus olhos aflitos, acompanhavam fixamente a figura pequenina da sua filha mais nova, Lily, acenando para ela em despedida animadamente, ostentando um sorriso imenso enquanto segurava fortemente a mão do seu adorado "tio" Rony.

Sua pequenina chapeuzinho vermelho parecia nas nuvens, ponderou a nascida trouxa com um sorriso frágil, diferente da forma como a encontrara mais cedo, tão alarmada e chorosa na porta do seu quarto, quando ela e Harry discutiam tão furiosamente durante a madrugada.

Pensando com mais cuidado, Hermione percebeu que se não fosse a interrupção da sua filha caçula talvez ela e Harry tivessem perdido o controle e dito coisas extremamente dolorosas um ao outro. Seu coração apertou com a lembrança do seu marido mirando a varinha em seu peito. Oh! Harry, como as coisas chegaram a este ponto? A grifinória mordeu o lábio inferior com força enquanto sua mente divagava nas possibilidades que envolviam a perda de memória do moreno de olhos verdes.

Ela sempre fora tão cautelosa, atenta aos mínimos detalhes especialmente os que se encontravam tão diligentemente conectados à sua família, como não percebera as mudanças em Harry? Como ele poderia perder a memória enquanto dormiam na segurança da sua casa, no calor da sua cama? Por que essa perda repentina de memória teria que acontecer logo agora, depois daquela notícia? Ele parecia tão feliz, e ela estava radiante com aquela felicidade refletida no sorriso do seu marido, os dois comemoraram aquela noite especial com beijos apaixonados e palavras de carinho e amor sem fim... e sem mais nem menos ele esquecia de tudo. Por que agora?

Assim como ele, a jovem senhora Potter tinha inúmeras e atemorizantes dúvidas a serem esclarecidas e ninguém apto a responde-las. Hermione desviou os olhos da lareira e encarou as fotos emolduradas sobre o centro da sala... em cada uma delas, encontrando um sorridente James no seu aniversário de cinco anos de idade, uma espirituosa Lily vestindo uma brilhosa e esvoaçante fantasia de princesa encantada, uma careta sapeca do seu pequeno Teddy mostrando a "janelinha" entre os dentes da frente depois de arrancar seu primeiro dente de leite, e um inesquecível abraço carinhoso entre ela e seu amado Harry em um piquenique no parque.

-Ele não recordaria de nada disso!

Murmura ela para si mesma com um misto de incredulidade e aversão. Hermione precisava tomar mais cuidado, não era apenas ela e Harry, mas seus filhos estavam presentes, eles eram pequenos demais para entender que seu pai, por alguma razão desconhecida teria "perdido a memória" e que por essa razão não os reconheceria.

Engolindo em seco, Hermione empurrou esses pensamentos sombrios para o fundo da sua mente, tinha que focar nas prioridades do momento, ou seja, levar James e Harry aos cuidados de madame Pomfrey o mais rápido possível. Obrigando-se a deixa de lado o forte aperto no peito e dirigiu-se à lareira com um punhado de pó prateado nas nãos.

-Hogwarts!

Anunciou ela decididamente. Enquanto isso, no andar superior...

Harry fitava a porta entreaberta do quarto de paredes azuis e repleto de brinquedos com assombro refletido nos incríveis olhos verdes, o grifinório empalidecera como um cadáver, prendera a respiração instintivamente, o coração acelerava dentro do peito, mas cada batida frenética parecia dolorosa demais para deixa-lo respirar.

Posso jurar que era a voz Rony, meu melhor amigo, o cara ruivo e sardento, irmão mais novo dos gêmeos Fred e George, filho de Arthur e Molly Weasley! Maldiçao, sim a voz que ouvira pertencia a Ron, por mais profunda e adulta, aquela voz pudesse ser pertencia ao Weasley mais novo. Pensava ele em alerta.

Rony estava aqui, apenas um andar sob seus pés. Ele estava tão perto e ao mesmo tempo inalcançável... distante demais, alguns passos pelo corredor e alguns degraus... para Harry eram como um corredor infinito, um caminho sem fim, a possibilidade de encontrar o seu melhor amigo naquele "universo alternativo" naquele "sonho louco" aterrorizava o moreno.

Como se pareceria fisicamente? Porque estava lá? Quantos anos teria? Seria o mesmo Rony que conheceu em Hogwarts? Ainda eram grandes amigos? Ele teria aceitado sua união com Hermione? Ele deveria arriscar e encontra-lo? Hermione teria contado ao ruivo sob sua "perda de memória"? A curiosidade estava insurgindo o cérebro do grifinório com milhões de perguntas que ele não era capaz de responder.

Seu estomago revirou com o forte sentimento de insegurança que o dominava. Já fora difícil o bastante encontrar uma versão mais "velha" da sua Hermione, ele a ameaçou e quase a enfeitiçou antes de perceber que ela ainda era a "sua" Hermione... o que faria se o mesmo acontecesse com Rony? Não! Não sairia do quarto, por mais que sua curiosidade o atormentasse por isso, decidiu permanecer no quarto... com "seu" filho. Seu filho... essas palavras ecoavam livremente por seus pensamentos e por mais que Harry tentasse reprimí-las, não conseguia tirá-las da cabeça, especialmente depois de ouvir James o chamando de pai.

Seus olhos instintivamente voltaram-se para o menino trêmulo em seus braços, ele agarrava-se tão firmemente ao seu pai, enquanto seu rosto infantil encontrava-se ligeiramente contorcido em uma expressão sofrida, o coração do Potter mais velho apertou instintivamente, ver aquela criança sofrendo era inexplicavelmente doloroso para ele. As manchas espalhavam-se por toda a pele de James e o garotinho não dava sinal de que iria acordar tão cedo. Harry engoliu em seco, não seria capaz de deixar o pequeno sozinho, não deixaria James mesmo que sua vida dependesse disso, a sua promessa ao menino fora cem por cento verdadeira, nada nem ninguém o faria mal.

-Eu não vou deixa-lo sozinho!

Sussurra o moreno ao "seu filho". Era incrível como estava determinado a cumprir com o prometido ao pequeno Potter, da mesma forma como conseguiu lidar com o impulso de deixar aquele quarto e encontrar o que possivelmente seria seu melhor amigo Rony. Com um suspiro entrecortado, Harry embalava o sono do seu filho pacificamente enquanto aguardava o retorno de Hermione. Seria a decisão mais sensata, ela tinha confiado a segurança do seu filho à ele apesar da sua inesperada "perda de memória" e nada mais justo do que retribuir sua confiança à altura.

Mais uma vez encontrou-se encarando James. Suas feições, seus cabelos escuros, seu nariz, seus lábios... por mais que quisesse negar isso, admitia com certo assombro que a criança em seu colo era uma verdadeira cópia dele, com exceção dos olhos castanhos... como os da mãe. O moreno apoiou a cabeça do pequeno em seu ombro e logo colocou-se a massagear as costas do menino para acalmar seu sono, como resposta, o jovem Potter relaxou em seus braços suavizando a expressão sofrida do rostinho.

Ele não sabia quanto tempo permaneceu assim, velando o descanso de James como se esta fosse a missão mais importante que tivera em mãos. O levando a esquecer-se momentaneamente de todos os problemas que o cercavam, e permaneceu nesse pequeno e perfeito universo de silencio e tranquilidade até o segundo que Hermione entrou pela porta do quarto trazendo uma bandeja de madeira com o que parecia ser um café da manhã reforçado.

Assim que avistou Harry com James em seu colo, o coração da nascida trouxa pulou uma batida. Ele parecia tão natural com seu filho nos braços, acalentando o sono do pequeno com tamanha devoção, que por uns breve instante ela sentiu os olhos arderem e seus lábios quase chamando seu nome com desespero e saudades... ela via o "seu" Harry ali...

Mas, como a jovem racional e lógica que sempre fora, empurrou esse sentimento para o fundo da sua mente, respirando fundo, obrigou-se a seguir em frente, ganhando a atenção do moreno. Seus olhos verdes ampliaram ao encontra-la, ele lhe ofereceu um fantasma de um sorriso e seguiu a passos lentos em sua direção, não desejando despertar James, ao que Hermione devolveu-lhe um olhar agradecido, equilibrando a bandeja na sua cintura fina ela levou a mão livre ao topo da cabeça do filho, acariciando os cabelos escuros com carinho.

-Como ele está?

Perguntou a morena sem tirar os olhos do menino, seu coração apertado dentro do peito e o esforço tremendo para não olhar Harry nos olhos. O Potter mais velho suspirou pesadamente antes de responder.

-Ele ficou mais calmo depois de dormir, mais ainda parece febril!

Responde com sinceridade o grifinório, também sem conseguir encarar Hermione. Todas as vezes que estavam tão perto assim, perto o suficiente para sentir seu perfume, para lembrar de como era a sensação de seu corpo contra o dele, sua pele quente em contato com a dele tão intimamente... sentindo todo o sangue do seu corpo subir para seu rosto, ele engole me seco amaldiçoando-se pelos pensamentos que nublavam seu discernimento das coisas, Harry foca-se novamente na figura da criança em seus braços, desejando desesperadamente resolver aquela situação.

-Bem, eu trouxe café da manhã... você ainda não comeu nada!

Interrompe a grifinória com um sorriso fraco, depositando a bandeja numa cômoda ao lado da cama de James e se oferecendo para tomar o filho em seus braços. Com cuidado, e ligeiramente hesitante Harry entrega um James sonolento à Hermione. Que logo o acompanhou sentando-se na cama do filho ao seu lado. Harry comia lentamente, não sentia fome realmente, essa manhã fora muito mais agitada e assustadora que a maioria das suas "aventuras" em Hogwarts...

-As crianças foram com Rony para a escola, pedi para passarem o resto do dia na Toca!

Murmura Hermione suavemente, para não acordar James, mas seus olhos encaravam Harry em busca de alguma reação, de alguma indicação de que ele entendia a situação em que se encontravam agora.

-Eu... eu ouvi a voz dele!

Responde o moreno no mesmo tom baixo, mas não confiando em si mesmo para encarar a melhor amiga sem sentir o estomago dar solavancos. Essa proximidade que compartilhava com ela, a manhã incrível que dividiu com ela, tudo isso surgia como um avalanche de sentimentos estranhos ao Potter e a confusão de sentimentos e lembranças o impedia de encontrar uma forma de lidar com a presença de uma Hermione diferente da que ele conhecia em Hogwarts.

Em contrapartida, a morena o fitava com apreensão, porque ele evitava olhá-la? Por que estava tão silencioso? Antes de deixa-lo com James ele não parava de lhe fazer perguntas e agora mal trocaram duas palavras...

Ele estava estranho e a julgar por todos os anos que ela o conhecia, algo teria acontecido e não fora do agrado do mais velho Potter. A expressão concentrada a qual ele dedicava as suas torradas com mel não enganavam a nascida trouxa, a última vez que o vira desta forma estava morrendo de ciúmes dela... sorriu amargamente com a lembrança, dificilmente este Harry sentiria algo assim por ela.

Mordendo o lábio inferior com força e obrigando-se a abandonar esses pensamentos, ela apertou James nos braços e beijou a testa do filho com carinho antes de continuar, precisava falar com ele e mais do que nunca precisava que confiasse nela. A partir de agora teriam que apoiar um ao outro, ela precisaria por James e ele precisaria dela para descobrir como recuperar suas memórias.

-Não precisa ficar preocupado. Não contei nada a Rony!

Arrisca a grifinória olhando de soslaio para o moreno que virou-se bruscamente em sua direção.

-Não estou preocupado com isso!

Responde rapidamente o Potter, no entanto, logo arrependeu-se do tom ríspido que acabou usando com ela. Estava tão perdido em meio a pensamentos contraditórios, culpando-se por não conseguir manter o controle de seus próprios sentimentos em situações de risco, sim, apesar da tranquilidade aparente de um lar feliz, ainda não poderia baixar a guarda, ele não conhecia ninguém aqui, não recordava dessa vida até então a única pessoa que ele supostamente poderia confiar era Hermione e agora encontrava-se completamente absorvido nesse novo meio. Era tudo perfeito demais, ele teria a profissão dos seus sonhos e uma família cheia de crianças com a sua melhor amiga, não podia ser real, ele jamais teria tamanha sorte, mais uma vez a ideia de uma armadilha de Voldemort o atemorizou.

Com um suspiro pesado ele desviou o olhar dela novamente. Ela despertava os sentimentos e pensamentos mais inesperados e o jovem Harry de quatorze anos de idade não conseguia refletir se este poder que ela possuía de confundir suas decisões e acalmar seu espírito, seria algo bom ou ruim. Como se de uma hora para outra todas as dúvidas que concordara em deixar de lado, retornassem com a força de um furacão. O que era real e o que não era?

Endireitando os ombros em uma postura reta, ele obrigou-se a agir normalmente, havia uma criança doente, uma Hermione extremamente confusa e uma vida inteira desconhecida entre eles. O que seria o correto a se fazer? Antes que continuasse divagando em pensamentos perturbados, Hermione o interrompeu.

-Harry...

Começa ela calmamente, mas ele a interrompe.

-Temos que levar James para um medibruxo!

Diz o moreno mais velho severamente, ignorando o olhar aflito de Hermione.

-Seguiremos para Hogwarts, madame Pomfrey já deve estar nos esperando! Eu só preciso trocar de roupas e pegar as coisas de James!

Responde Hermione rapidamente, mas sem tirar os olhos dele.

-Ela concordou em receber você e James!

Continua a grifinória deitando com carinho o pequeno James na cama e cruzando os braços em um gesto frágil, quase que como se tentasse dissipar o frio que os envolvera aquele instante, volta-se para Harry com uma expressão séria em seu rosto.

-Você não vai mesmo me contar o que está te incomodando tanto? Você mal tocou na comida!

Acusa ela sem esconder a frustração em sua voz. Mesmo que repetisse mentalmente que este Harry ainda se comportava como um garoto de quatorze anos que acabara de escapar de um desastroso o mortal torneio tribruxo, carregando a memória de um Cedric morrendo pelas mãos do seu maior inimigo, ele tinha que amadurecer mais e compreender que cooperar um com o outro para dar certo.

-Não é nada Hermione!

Responde ele entre dentes, ainda recusando-se a encará-la nos olhos e limitando consideravelmente seu tom de voz, apesar de todo o caos que mergulhava sua cabeça, não queria assustar James com sua voz alterada. No entanto, Hermione já não suportava aquele Harry frio que se mostrava a sua frente.

-Harry, eu entendo que isso tudo é confuso para você, mas também é confuso para mim! Estou sozinha com meu filho doente e um marido desmemoriado que não confia em mim! Eu não envenenei sua comida ou estou o traindo com seu melhor amigo, essa é a SUA vida e não uma maldita armadilha de Voldemort!

Desabafa furiosamente a nascida trouxa com algumas lágrimas escapando dos seus olhos castanhos. Ela estava aflita com o comportamento do moreno, preocupada com seu filho, temendo que as memórias de Harry não regredissem mais.

-Hermione...

Começa ele levantando-se e ficando frente a frente à sua melhor amiga de cabelos encaracolados, completamente surpreso e impressionado com a explosão dela, seus olhos buscando nos dela uma explicação para a súbita revolta que encontrava marcada em cada uma das suas palavras. Porém ela afastara-se dele magoada e ao mesmo tempo ansiosa.

-Não, Harry! Eu não vou aceitar que você se feche e comece a agir como se estivesse passando por isso sozinho, porque eu estou com você!

Termina ela enxugando nervosamente as lágrimas que teimavam em fugir de seus olhos. Mas, antes que tivesse a chance de se afastar de Harry ele a puxa para um abraço. Em questão de segundos ele a segurou pelo braço e desfez todo o espaço entre eles, quando seus braços a prenderam contra seu peito com urgência. Hermione perdeu o fôlego ao sentir os braços de Harry a segurando possessivamente contra si. Uma de suas mãos a mantendo firmemente pela cintura e a outra emaranhada entre seus cabelos longos encaracolados, ela podia discernir os batimentos acelerados do coração dele bem como o ritmo agitado da sua respiração.

-Harry...

Ela murmurou surpresa, incerta do que realmente queria dizer, agora que estava tão próxima à Harry, amaldiçoara as palavras duras que escaparam-lhe no momento de fraqueza.

-Eu... eu não queria dizer aquelas coisas... não dessa forma...

Desculpava-se mortificada a nascida trouxa, seus lábios roçando perigosamente seu peito sob o tecido fino da camisa do Potter, que não escondeu o suspiro trêmulo antes de responder calmamente à sua melhor amiga.

-Eu sei! Eu sei!

Garante ele afagando os cabelos castanhos da nascida trouxa enquanto tentava inutilmente normalizar o ritmo da sua respiração. Como ele poderia dizer a ela que ainda não confiava o bastante nela ou que ele tinha medo, sim muito medo de estar perto dela porque ela provocava nele sentimentos que não podia reconhecer ou controlar?

Vê-la agir dessa forma, furiosa com ele, com os olhos cheios de lágrimas, completamente transtornada por sua causa despertou nele uma necessidade sem nome de consolar aquela mulher na qual se convertera sua amiga de infância em Hogwarts. Movido por essa necessidade desconhecida pelo moreno, ele levantou-se e a trouxe para seu abraço desesperadamente. Ele precisava acalmá-la, ansiava por tocá-la, desejava loucamente essa proximidade apesar dos dolorosos pensamentos que acompanhavam sua presença.

Seu coração estava aos solavancos, suas mãos suando frio, sua respiração seguindo um ritmo sobre-humano e seus lábios ansiando pelo contato dos seus tão macios e rosados lábios perfeitos. Fora preciso um esforço hercúleo para não ceder a essa vontade e Harry manteve-se segurando a sua melhor amiga num abraço apertado, permitindo-se deliciar com o perfume delicado da grifinória e a maciez da sua pele guardada pelo tecido escorregadio da camisola.

Doce Merlin, a mesma camisola que ele lembrava ter arrancado do seu corpo cheio de curvas esta madrugada. Engolindo em seco, o moreno fechou os olhos com força chutando-se mentalmente por tais pensamentos, mas quem poderia culpa-lo? Era um adolescente no corpo de um adulto, com uma mulher incrivelmente linda em seus braços.

"Essa mulher incrivelmente linda é sua melhor amiga!" repetia para si mesmo mentalmente. "Você não se importou muito com esse detalhe quando admirava o corpo magnifico da Senhora Potter mais cedo!" Rebatia sarcasticamente sua consciência. Droga! Era Hermione, mas ao mesmo tempo não era a "sua" Hermione, essa Hermione era mais passional, mais madura, mais segura... mais mulher... ele se perguntou se a sua estudiosa amiga de cabelos espessos se tornaria realmente uma mãe tão dedicada e esposa tão apaixonada quanto esta Hermione.

ARG! Pára de pensar besteiras! Exigia à sua mente furiosamente. Imaginar a sua Hermione de quinze anos de idade, com o corpo esguio e tão pecaminosamente convidativo o deixava fora de si, a possibilidade de qualquer outro garoto ter percebido a verdadeira beleza da nascida trouxa por trás dos uniformes e vestes de Hogwarts o deixavam enraivecido. Já fora o bastante todos os olhares que a nascida trouxa recebera no baile de inverno...

Mais que diabos! De onde vinha aquele sentimento de possessividade em relação a sua melhor amiga? Ele não se sentia assim antes dessa manhã, ou sentia? Malditas dúvidas! Hermione não lhe pertencia! Obrigava-se a acreditar... Droga! Ele não conseguia...

Sim! Pro inferno com o resto, ela o pertencia sim e pertencia somente à ele, ninguém mais! Dizia uma parte de si, como uma voz no fundo do seu ser, percebia Harry com um misto de horror e estupefação. Jamais sentira por garota alguma o que esta Hermione adulta o fazia sentir, ele se sentia completamente desnorteado em contradições.

-Vamos passar por tudo juntos Harry! Eu e você!

Promete Hermione interrompendo mais uma vez os pensamentos conflituosos do moreno de olhos verdes, e pela primeira vez ele encontrou uma profunda semelhança dessa "nova vida" com o que acontecera no Torneio Tribruxo, ao final de tudo, seriam ele e Hermione contra as circunstancias que os cercavam, enfrentariam essa "perda de memórias" juntos! E suspirou aliviado ao entender que lá no fundo isso era tudo que realmente precisava.

Os dois ficaram abraçados por um breve período de tempo, mas apreciando a calma que invadia seus corações naquele gesto tão inocente e ao mesmo tempo tão significativo, até que a nascida trouxa se afastou suavemente de seus braços para tomar um banho e trocar de roupas. Mais uma vez, Harry ficou ao lado de James velando seu sono enquanto esperava o retorno de Hermione. Já se passavam das oito horas da manhã quando os três Potter seguiram para Hogwarts através do flu, Hermione carregava uma bolsa com algumas roupas do seu pequeno James enquanto Harry o levava firmemente em seus braços.

Chegaram diretamente na enfermaria da escola de magia, onde foram recebidos por uma severa madame Pomfrey com suas costumeiras e impecáveis vestes brancas. Assim que se livraram dos vestígios de cinzas do flu, encontraram a bruxa mais velha com certa apreensão. Em resposta a senhora franziu o cenho para Hermione a puxando de lado enquanto resmungava.

-Senhora Potter, não acredito que seja adequado que fique perto do menino, seu estado já delicado o bastante!

O tom de voz autoritário deixou a nascida trouxa sem palavras. Ela abriu a boca disposta a protestar quando a medibruxa a interrompeu.

-Onde está o menino? Senhor Potter, traga-o para a cama, tenho que examiná-lo primeiro!

Exigia madame Pomfrey ignorando o olhar desesperado de Hermione em sua direção, por outro lado os olhos de Harry ampliaram-se em choque. Estado de Hermione? Ela não poderia ficar perto de James? Por que? Ela também estava doente? O que Hermione tinha? Ele desesperava-se mentalmente, mas mal teve tempo de questionar a medibruxa pois fora arrastado para um dos leitos onde colocaria seu filho. James despertou logo em seguida para desgosto do grifinório que esforçou-se tanto para manter o pequeno dormindo.

-Papai, que lugar é esse?

Perguntava um pequeno e assustado James, tentando voltar para os braços de Harry, agarrando com força a manga do casaco que o moreno mais velho usava.

-Estamos em Hogwarts, James, o lugar mais seguro do mundo!

Murmura Harry na tentativa de tranquilizar o menino, mas James não parecia convencido.

-Papai eu não gosto desse lugar, eu quero ir pra casa!

Pedia o pequeno com os olhos enchendo-se de lágrimas para desespero do grifinório.

-Hey, não tem nada para ter medo aqui! Vai ser divertido, eu prometo!

Dizia o Potter mais velho oferecendo ao filho um sorriso encorajador. Na realidade ele estava tão desesperado que não fazia ideia de onde tirara tanta paciência para lidar com uma criança assustada... para acalmar seu filho... sem mais nem menos ele parecia saber o que dizer para manter o pequeno James seguro.

-Você vai ficar comigo?

Questiona o menino com os olhinhos castanhos cheios de esperança.

-É claro que vou ficar! Eu prometi que não deixaria nada te fazer mal não foi?

Responde o moreno bagunçando os cabelos rebeldes do seu filho com ternura. Tudo o que mais desejava aquele momento era garantir a James que não estaria sozinho e que não tinha que ter medo pois ele estaria ali para protege-lo de qualquer mal.

-Hmm... poderia deitar na cama James Potter?

Interrompe Madame Pomfrey, chamando a atenção do menino de seis anos de idade, que olhava hesitante para seu pai antes de obedecer ao comando da bruxa mais velha.

-Muito bem querido, vou pedir para não se mexer muito...

Instruía a medibruxa momentos antes de lançar alguns feitiços de diagnósticos sobre a criança, todo o tempo, Harry mantivera-se ao lado da cama de James, com uma expressão séria no rosto pálido. Ele tinha plena confiança na capacidade de Madame Pomfrey, mas isso não o impedia de se preocupar com o resultado final daquele encanto.

Seus olhos desviaram rapidamente do seu filho para o outro lado da enfermaria... ele não podia ver mas sabia que ela estava lá, Hermione estaria muito mais nervosa por não poder ficar ao lado de James agora, ele tinha certeza. Mas, tudo o que o grifinório poderia fazer era esperar o diagnóstico e avisá-la assim que possível.

O moreno ainda ponderou questionar madame Pomfrey pelo seu comportamento em relação à Hermione, estava preocupado e ao mesmo tempo curioso, a nascida trouxa não dissera nada sobre seu estado de saúde e Harry se questionava a verdadeira razão para ela esconder algo assim dele... Porém, percebendo a concentração da medibruxa em James, preferiu ficar em silencio e não perguntar nada... ao menos por enquanto. James agitava-se ligeiramente incomodado pelas manchas azuis pelo seu corpo e seus olhinhos ansiosos encontraram seu pai.

-Papai?

Chamou ele com quase um fio de voz, estava com medo e aquele silencio enquanto madame Pomfrey o examinava só o deixava mais assustado.

-Estou bem aqui, James!

Responde Harry segurando a mão esquerda do pequeno Potter.

-Cadê a mamãe?

Questiona o menino com um olhar suplicante, estava acostumado à presença constante da sua mãe quando estava doente, e sentia muito a falta dela. Harry hesitou, sua boca abriu um par de vezes mas, não conseguia dizer nada. Como explicar a um menino de seis anos de idade que a mãe não poderia estar com ele agora?

Harry não possuía qualquer tipo de experiência em consolar os outros, muito menos de como agir como um pai, até agora cada gesto seu em relação à James e Hermione fora um grande golpe de sorte, um misto de intuição e muita sorte. Por mais que forte que fosse o sentimento de protetividade que a criança despertasse nele, ainda não seria capaz de arcar com toda a responsabilidade de ser pai, de agir como um pai. Pelas calças de Merlin! Ele só tinha catorze anos de idade, como poderia cuidar de uma criança quando sua única referência de família eram os Dusleys? E se fizesse algo errado? E se assustasse mais o pequeno James? Se dissesse algo errado? Ele suportaria magoar o menino que o adorava como pai?

Os olhos verdes do grifinório seguiram rapidamente para o outro lado da enfermaria onde deixara Hermione momentos atrás. Ele desejou fervorosamente que ela estivesse aqui, ela saberia exatamente o que dizer e o que fazer nessa hora, ela saberia como cuidar de James, como tranquiliza-lo, ela o conhecia muito melhor do que ele... Maldição, o que ele faria sem ela?

Com um suspiro resignado, Harry volta o olhar para o pequeno James que o fitava com expectativa, os olhinhos castanhos ansiosos enquanto Madame Pomfrey guardava a varinha e começava a anotar algumas instruções em uma prancheta.

-Hermione... Sua mãe...

Começava Harry completamente inseguro, até ser interrompido pela velha medibruxa.

-A senhora Potter teve de preencher alguns papéis, James! Mais tarde poderá vê-la!

Anuncia Madame Pomfrey para grande alívio de Harry, que involuntariamente deixa escapar um suspiro pesado que prendia dentro do peito. A resposta da matrona pareceu acalmar o menino, que acenou fracamente com o rostinho em concordância, mas não sem antes fazer mais um pedido ao seu pai.

-Você vai ficar comigo, não vai papai?

Pede ele pela segunda vez, sem soltar sua mão. Ele temia que em algum momento Harry desaparecesse do seu alcance assim como a sua mãe.

Do outro lado da enfermaria, Hermione andava de uma lado a outro, com uma expressão nervosa em seu rosto, ela amaldiçoava-se mentalmente por não estar com seu filho enquanto era examinado por Madame Pomfrey. Estado delicado... ela sentiu uma guinada no estômago ao recordar das palavras da medibruxa, seu estado não era delicado, a única coisa delicada em jogo era a saúde do James!

Pensar em como seu filho estaria assustado ao acordar em um lugar estranho, com pessoas estranhas e fazendo sabe-se lá quantos tipos de exames diagnósticos diferentes. O que ele teria? Seria grave? Contagioso? Como poderia ficar melhor? Que remédios teria que tomar? Teria que ficar sob observação? Quais as poções que teria que tomar?

A cada pergunta, a nascida trouxa fechava os olhos com força e apertava as mãos em punhos até que as unhas machucassem a palma das mãos. A única figura capaz de cuidar de James agora não fazia ideia de quem ele era... Harry não tinha a menor lembrança do seu próprio filho e saber disso provocava um sentimento de forte desespero dentro do coração da grifinória. Porque Madame Pomfrey não a deixou ficar com eles?

Andar de um lado a outro naquele pequeno espaço não estava lhe fazendo bem, percebeu Hermione, quando fora pega de surpresa por uma forte tontura e se vira obrigada a sentar-se com uma mão firmemente apoiada na sua testa. Ela estava verde, as mãos suavam frio e a respiração ganhava um ritmo acelerado. Ela fechou os olhos com força, contou até cinco mentalmente e depois os abriu, arrependeu-se logo em seguida, as imagens pareciam dançar a sua frente.

-Agora não!

Murmura aflita a nascida trouxa, puxando a varinha com a mão trêmula e murmurando um feitiço sobre o estômago. Uma luz branca iluminou seu tórax antes de desaparecer sem deixar vestígios e a jovem senhora Potter suspira aliviada jogando a cabeça no apoio da cadeira esforçando-se para manter a calma. Minutos mais tarde, quando finalmente fora capaz de abrir os olhos na direção do leito onde estaria seu pequeno James e seu marido à espera da resposta de Madame Pomfrey. Ela não podia ouvir a voz do filho ou de Harry agora e esse silencio era perturbador para a grifinória.

Harry estava sentado ao lado do leito de James, enquanto ainda segurava sua pequena mãozinha. O pequeno tinha os olhinhos pesados de sono, mas se recusava a ceder com medo de perder o pai de vista, por mais que Harry prometesse não sair do seu lado, ele ainda tinha medo de ficar ali sozinho. A única coisa que o Potter mais velho poderia fazer era esperar pacientemente naquela desconfortável cadeira de madeira. Seus pensamentos em um emaranhando de dúvidas, especialmente em relação à Hermione.

-Sarapintose aguda!

Anuncia severamente madame Pomfrey chamando a atenção de Harry. O grifinório levanta os olhos alarmados em direção à medibruxa, ela não fazia ideia de que doença era essa, mas pelo tom de voz da bruxa mais velha não parecia nada bom. Sentindo um aperto dentro do peito, ele firma ainda mais sua mão sobre a do seu filho antes de questionar.

-É muito... muito grave? Ele vai melhorar?

As palavras escaparam da boca do grifinório antes que pudesse impedir, ele não queria soar tão inseguro como um adolescente, especialmente na frente de James, mas o medo do que o pequeno Potter poderia ter o deixou apavorado. Nesse momento a única coisa que ele queria é Hermione, ela saberia que doença era essa, ela não falharia, ela teria mantido a calma e saberia as perguntas certas... o que Harry poderia fazer era segurar a mão do filho e sentir medo.

-É uma variação de sarampo trouxa com um vírus mágico senhor Potter!

Explica madame Pomfrey como se tivesse lido seus pensamentos, a velha bruxa mal parava de remexer em suas poções enquanto falava com ele. Harry engoliu em seco, acenando com a cabeça para ela continuar.

-Não consegui prever quanto tempo ele esteve infectado até que as manchas azuladas começassem a aparecer!

Explica ela pacientemente, ao que Harry franziu a testa em preocupação.

-Por isso recomendo que o mantenha afastado dos seus irmãos e fique de repouso o resto da semana!

Anuncia a medibruxa entregando um frasco com uma poção amarelada para James.

-Ele vai tomar algum remédio?

Questiona o moreno soltando a mão do filho e bagunçando suavemente a cabeça do pequeno.

-Sim, três poções de mel de Albanilha por dia para sarapintose e uma poção de alívio de febre!

Responde a medibruxa entregando um pergaminho com as instruções sobre os horários das medicações.

-Papai eu não quero tomar essa coisa!

Protesta James fazendo uma careta ao destampar a poção amarelada. Harry encarou a sua miniatura de olhos castanhos com um fantasma de sorriso. James parecia muito com ele, especialmente em relação às poções de madame Pomfrey. Inclinando-se ligeiramente em direção ao pequeno, o Potter mais velho pega a poção amarelada a levantando na altura do rosto.

-Não parece tão ruim assim, James! Quando eu estava estudando aqui, tomei coisas muito piores...

Começa o moreno recebendo um olhar curioso e mais desperto do filho.

-Você estudou aqui?

Pergunta James impressionado.

-Claro que sim! Eu e Hermione, Hogwarts é muito mais que essa enfermaria!

Continuava Harry alheio a presença de Madame Pomfrey ao seu lado.

-E você tinha que tomar poções ruins?

Perguntava inocentemente o menino ganhando um meio sorriso maroto do seu pai.

-Muitas! Essa daqui parece doce como mel perto do que eu já tomei!

Confessa o moreno apontando para o frasco em sua mão. James ri da careta do seu pai ao relembrar as inúmeras poções que já tomara na velha enfermaria de Hogwarts.

-Mas, eu ainda não quero tomar essa poção papai!

Murmura o mais novo cruzando os braços teimosamente.

-Mas, você não vai ficar bom se não tomar James!

Alerta o moreno severamente.

-Quanto mais rápido tomar a poção, mais rápido vai ficar bom para brincar com seus irmãos!

Continuava ele numa tentativa desesperada para convencer o pequeno. Estava a ponto de desistir e implorar a madame Pomfrey que deixasse Hermione vir, quando James finalmente concordou em tomar a poção.

-Tudo bem...

Sussurra o mais novo a contragosto, pegando o frasco e levando à boca, engoliu a poção de uma vez só, fazendo uma careta engraçada quando sentiu o gosto do remédio. Harry fitava com certo orgulho o pequeno James, ele entregou o frasco vazio à madame Pomfrey e voltou a se deitar na cama limpando a boca com as mangas do casaco que vestia.

-Tem o mesmo cheiro das meias do tio Rony!

Resmunga Jame vez do Potter mais velho cair na risada sentado ao lado da cama do filho até que este caísse no sono.

Hermione fitava o relógio na parede da enfermaria, estava sentada no mesmo lugar a mais de uma hora, os cotovelos doloridos, apoiados sob os joelhos enquanto as mãos seguravam o rosto angustiado. Estava contando os minutos... Céus, não tivera notícias de madame Pomfrey ou Harry a mais de duas horas, seu coração batendo furiosamente contra o peito.

Mordeu o lábio inferior e voltou os olhos em direção ao leito onde estariam, porque ninguém viera até agora? O quão grave era a situação de James? Harry conseguiria acalmar seu pequeno filho? Ela deveria estar lá! Protestava mentalmente a grifinória quando fora interrompida pelo chamado de Harry. Ele parecia visivelmente exausto, os cabelos mais rebeldes do que nunca os olhos verdes demonstrando um misto de incerteza e calmaria.

Hermione não esperou que a chamasse novamente, ela levantou-se e rapidamente o alcançou o abraçando com força. Harry fora pego de surpresa, quando madame Pomfrey o liberou para chamar Hermione, não esperava encontrar a nascida trouxa tão abatida, tão aflita, tão frágil... ele demorou alguns segundos antes de devolver o abraço segurando sua melhor amiga contra o peito.

-Oh Harry! Eu estava tão preocupada!

Murmura ela sem esconder o medo em sua voz, o grifinório apertou o abraço com uma das mãos alcançando os cabelos encaracolados de Hermione em uma carícia suave e tranquilizante.

-Está tudo bem!

Murmura ele pacientemente, na tentativa de acalmar sua amiga. Ele tinha planejado questioná-la sobre o seu estado de saúde além de explicar a situação de James, tinha preparado todo discurso em sua mente pouco antes de chegar à grifinória de olhos castanhos, mas no momento que a viu tão preocupada, enterrando o rosto delicado entre as mãos, a única coisa que conseguiu dizer antes de ser preso em um de seus abraços apertados, fora seu nome. Ele ficara desnorteado, confuso antes de chutar-se mentalmente e obrigar-se a devolver o abraço.

-James tem sarapintose aguda!

Explica o moreno enquanto afagava os cabelos encaracolados da melhor amiga.

-Oh não! Ele vai ter que ficar longe de Teddy e Lily?

Exclamava a nascida trouxa afastando o rosto do peito de Harry e o encarando alarmada. Harry respira fundo antes de assentir com um gesto da cabeça.

-E vai ficar de repouso o resto da semana, além de tomar três poções por dia!

Diz o moreno repetindo cuidadosamente tudo o que madame Pomfrey lhe dissera. Hermione o ouvia atentamente, mordia o lábio inferior com força pensando em como James reagiria ao ser isolado dos seus irmãos por tanto tempo.

-Como James reagiu? Ele tomou a poção? Ele ficou triste? E a febre? Madame Pomfrey explicou a ordem das poções? Ele vai ter que passar o dia aqui ou podemos leva-lo para casa?

Começava a perguntar desesperadamente a nascida trouxa deixando o Potter perplexo e momentaneamente sobrecarregado, mal conseguindo pensar na primeira coisa a responder-lhes.

-Hermione, calma!

Pedia ele severamente a tomando pelos ombros e olhando no fundo dos seus olhos. A grifinória o encarava aflita, mas obrigou-se a retardar o ritmo dos seus questionamentos, mais parecia que estava interrogando o marido, quando na realidade este ignorava temporariamente o seu "problema de memória" e lhe trazia notícias do filho que ele mal conhecia.

-Eu... eu sinto muito Harry! Eu fiquei tão nervosa por não estar lá... James nunca esteve aqui antes e...

Começa ela divagando novamente sem coragem de encará-lo, no entanto, Harry a interrompeu.

-James está bem, a febre cedeu e agora ele está dormindo como um bebê! Eu não saí do lado dele até ter certeza que estava bem!

Confessa Harry olhando em seus olhos com determinação, ainda segurando seus ombros a impedindo de se afastar ainda mais dele. Ele desejava com sua revelação tranquilizar a nascida trouxa, deixa-la mais relaxada, estava visivelmente transtornada, afinal se encontrava sozinha para cuidar de seus filhos com o homem que deveria ser seu companheiro agia e pensava como um menino de catorze anos de idade, traumatizado com a morte de um amigo e perseguido por um maldito bruxo das trevas.

Hermione o fitava com admiração e agradecimento absolutos. Com os olhos ligeiramente marejados, a jovem senhora Potter não conteve a emoção e abraçou novamente o melhor amigo enterrando o rosto na curva do pescoço de Harry que envolveu ainda que hesitante, a cintura da grifinória com seus braços, apreciando o calor do seu corpo contra o seu.

-Obrigada Harry!

Disse Hermione contra a pele fria do seu pescoço e o moreno estremeceu, fechando os olhos e obrigando-se mentalmente a não pensar na forma como podia sentir a plenitude daquele corpo perfeito contra sua pele durante a intensa madrugada que compartilhara com ela... seus braços instintivamente a mantinham contra ele, aquele perfume que emanava da nascida trouxa o trazia paz e percebeu com assombro renovado que não queria que aquele abraço acabasse tão cedo.

Mas, o som dos passos de madame Pomfrey os despertou do breve instante de paz que compartilhavam com aquele abraço. Os morenos se entreolharam ligeiramente rubros, Hermione por perceber que apoiava-se na figura de seu melhor amigo de catorze anos de idade e Harry, por ansiar por muito mais que um simples abraço quando deveriam estar esclarecendo todo o caos que o atormentava desde que acordara ao lado da melhor amiga em sua "versão" adulta.

-Porque?

Questiona Harry sem perceber, recebendo um olhar confuso da nascida trouxa.

-O que quer saber Harry?

Pergunta Hermione o fitando com certa curiosidade, descobrir o que se passava na mente do seu marido agora era um verdadeiro desafio. Este Harry Potter trazia memórias infelizes até agora, encontrava-se instável e endurecido pelas maldades que fora obrigado a enfrentar para sobreviver ao torneio tribruxo. Ela se aproximou dele lentamente, e ofereceu-lhe uma cadeira enquanto sentava-se em outra a sua frente.

Harry hesitante sentou-se, seu olhar encontrando o dela brevemente antes que sua expressão tornar-se novamente fria e distante. Hermione engoliu em seco, ele provavelmente pensava em como toda aquela situação parecia absurda demais para suas memórias de adolescente suportar.

-Por que madame Pomfrey não te deixou ficar com James? Que estado delicado é esse, Hermione?

Questiona o grifinório severamente, a encarando como se ela tivesse o enganado. Hermione congelou em choque diante do olhar acusador de Harry, seus olhos ampliaram visivelmente e a boca abriu e fechou rapidamente sem nenhuma resposta. Ela precisou respirar fundo e esfregar os rosto com ambas as mãos para despertar de seus devaneios, recordando do temperamento do seu melhor amigo após o torneio tribruxo e seu comportamento desconfiado e desiludido, a nascida trouxa obrigou-se a reagir rapidamente e responder suas perguntas antes que ele começasse a imaginar que ela escondia segredos muito piores dele.

Este pensamento a fez estremecer. Apesar de tudo, estava muito preocupada com o estado do moreno, o que quer que tenha feito com que ele perdesse a memória tinha que ser forte e silencioso o bastante para arrancar quase dez anos de lembranças enquanto dormiam. Era essencial para a segurança de Harry e da sua família ter sua confiança, ela tinha que segurar a confiança que seu marido depositara nela com unhas e dentes e nesse momento ela teria de contar tudo à ele.

-Eu não disse nada, Harry, porque queria evitar sobrecarregar você!

Confessa a grifinória com um suspiro trêmulo. Harry a encara seriamente, franzindo a testa e ajeitando os óculos sob o nariz aristocrático, a responde:

-Me sobrecarregar? Mais? O que está escondendo de mim, Hermione? Você diz que temos que ajudar um ao outro, que vamos passar por tudo juntos, mas se estamos juntos não deveria existir segredos entre nós não acha?

Protestava furiosamente o Potter, sentindo-se cada minuto mais ansioso e angustiado, temendo que o que ela escondera dele fosse grave demais, que a impedisse de ajuda-lo, que em algum momento fosse afastá-la dele, especialmente agora que era a única pessoa que sabia sobre sua situação. Ele perderia o seu chão sem Hermione, não sabia se seria capaz de confiar em qualquer outra pessoa, estava tudo tão desgraçadamente diferente do que se lembrava que ele se sentia andando sem óculos em um labirinto escuro.

-Eu prometi que passaríamos por tudo isso juntos Harry, eu não estava mentindo! Mas, a forma como você estava reagindo a cada coisa "nova" que descobria me deixou com medo de assustá-lo ainda mais!

Começa Hermione desesperadamente após a explosão do grifinório.

-E depois teve a doença de James, ainda tinha que lembrar de mandar as crianças para a escola em segurança e eu fiquei apavorada, eu não queria perder sua confiança!

Explicava ela completamente angustiada, mas novamente é interrompida pelo moreno.

-Como posso continuar confiando em você quando está escondendo coisas de mim? Eu estou fazendo um esforço tremendo para não enlouquecer aqui, nesse lugar, nesse mundo, nesse futuro, seja o que for e descubro por outros que está mentindo pra mim!

Desabafa o Potter amargurado, esfregando os olhos por baixo dos óculos em um gesto angustiado e furioso, antes de levantar-se bruscamente e ficar de costas para Hermione, ele dá alguns passos até a janela a sua frente controlando o ritmo da sua respiração, tentando manter a calma.

-Harry...

Murmura Hermione sentindo o coração em pedacinhos com as palavras do seu melhor amigo, seu companheiro de tantos momentos, felizes, tristes, desesperadores, seu parceiro, seu grande e único amor. O sabor da desconfiança era amargo e ameaçava afastava o breve e tão necessário momento de tranquilidade entre eles. Ele se recusava a olhá-la nos olhos e a grifinória engoliu em seco, segurando as lágrimas que ameaçavam transbordar seus olhos.

-Harry eu não menti para você! Eu apenas não tive tempo para te dizer que eu... para te dizer que eu estou grávida!

Confessa a jovem senhora Potter sem esconder a mágoa em sua voz, ela já estava de pé, mas não fizera nenhum movimento para aproximar-se dele. Para grande choque do grifinório de olhos verdes. Ele a fitava impressionado e completamente assustado, sua cabeça parecia estar girando enquanto absorvia as palavras da sua melhor amiga. Pelo amor de Merlin, ela estava grávida, ela estava esperando um filho dele, Hermione sua inocente e muito inteligente melhor amiga estava grávida! A menina atenciosa e completamente dedicada aos livros estava grávida... as imagens de uma Hermione Granger aos quinze anos de idade usando um belo vestido azul no baile de inverno veio a sua mente, fundindo-se com a imagem de uma apaixonada Hermione Potter... era uma loucura! Hermione... a "sua" Hermione... a "nova" Hermione... estava grávida!

Ele sentiu o chão desaparecer sob seus pés, de repente sentiu uma forte necessidade de se sentar, suas pernas pareciam geleias, mal sustentariam o peso de seu corpo. Com uma expressão aterrorizada ele apoiou-se na cadeira quase a derrubando no processo, ao que Hermione correra ao seu encontro o segurando pelo braço e o ajudando a sentar-se.

-Harry você está bem?

Pergunta a nascida trouxa preocupada com a palidez que tomara conta das feições do Potter. Ele não a respondeu, se quer conseguiria se o quisesse, estava em choque, mal conseguia formar uma frase completa, céus ela estava grávida, essa era a única coisa que ecoava na sua mente perturbada.

-Harry, espere um pouco, eu vou chamar madame Pomfrey!

Alerta ela ficando de pé e preparando-se para encontrar a medibruxa quando Harry a segura firmemente pelo pulso a impedindo de se afastar.

-Não vá!

Pede o moreno, para surpresa de Hermione.

.../...

Muhauhauhauhaua o capítulo termina por aqui! (foge das pedradas e avadas mode on)

Hauahuahuahuaha brincadeirinha gente, logo logo tem a continuação, Harry cada vez mais confuso, Hermione não conseguindo mais manter o controle de tudo sozinha, James com sarapintose aguda e agora a bomba final, a gravidez de Hermione!

Nossa, antes de qualquer coisa eu tenho que agradecer de coração todos os comentários maravilhosamente lindo que recebi! Me deram uma força tremenda para escrever este capítulo de hoje, apesar de ainda estar me recuperando da quimioterapia! É muito bom saber que as minhas fics Harmony são tão queridas aqui a hauhauhauhauaha este capítulo é dedicado completamente, totalmente, mil por cento a vocês Fernanda, Layza Mar, Luana Evans, Sasha, Larissa. Mi, Carol Zoldic, Witchysha, Lize Suaw, Coveiro-SAMA-sensei, Carol Granger, Guest, Effy, Kako, Mrs. Granger Potter, Uma FicWriter, F numero um, Felícia Malfoy, Mel, Nicklley,Cecy Black Hathaway e a primeiríssima a comentar a fic, Izzalima! Muito muito muito obrigada pelos coments incríveis, agradeço de coração essa presença de vocês na fic hahauahuahuhauaua e espero que gostem do capítulo novo!

Beijinhux cor de rosa!