O passado

Primeiro ato - Viver

Deidara, aquele nome ele jamais esquecerá e finalmente tempos depois reencontrará, agora ciente de que aquela bela jovem era apenas um belo homem. Um shinobi de uma vila que não era a das mais fortes mas possuía técnicas e traços únicos, tanto em sua história como no método de luta de cada um de seus membros. Agora já estava ciente de quais eram as suas obrigações e deveres, mas por algum motivo que desconhecerá, talvez por seguir todos os pedidos e exigências feitas por aquele chamado de Uchiha Itachi o mesmo lhe dera um presente. Deidara, aquela mesma criança que hoje se tornará um homem, agora esse mesmo estava dentro de um grupo no qual o jovem Uchiha fazia parte. O Tobi podia agora observá-lo de longe, sua personalidade não mudará nada desde a última vez que pudera vê-lo, ainda agia de modo impensado e imaturo. Mas o Tobi agora não o via do mesmo modo que antes, quando o virá da primeira vez não era ninguém e graças ao loiro agora era Tobi. Tinha graças à convivência com diversas pessoas, adquirido uma personalidade e gostos, alguns um tanto excêntricos, mas nada que o tornasse uma pessoa realmente diferente ou desagradável.

Tobi era um jovem ainda com traços infantis, aprenderá as coisas lentamente, já que fora necessário aprendê-las tudo novamente, tudo sendo agora Tobi! Não adiantava saber o que era o mar se nunca tivera sentido que realmente o viu, então viajará até o mesmo para poder conhecê-lo e sentir o que devia sentir, criar lembranças. A primeira coisa que fizera ao conhecer finalmente o Deidara como Tobi foi tentar se aproximar dele de modo amigável, o que por algum motivo não conseguia. Rejeição, não que não estivesse acostumado, mas era apenas com ele.. O Deidara não lembrava daquele dia, óbvio, para ele tinha sido apenas um mero acontecimento sem significado, mas havia coisas que o Deidara não era capaz de esquecer.

- Senpai, Tobi queria saber se o senpai tem alguma recordação muito importante! - perguntou de modo alegre, ambos estavam dentro da sede do esconderijo do Akatsuki.

Tobi estava sentado em uma cadeira de madeira no canto da sala enquanto Deidara estava no centro dela, em pé ao lado de uma enorme mesa terminando uma detalhada escultura de argila com a forma de uma criança. De alguma forma aquela figura fazia o Tobi lembrar que não tivera realmente uma infância, quando havia dado conta de quem realmente era já era um adulto. O loiro apenas voltou o olhar para ele meio perplexo, não esperava ouvir uma pergunta daquele tipo, mas era claro para o loiro que quando o moreno fazia uma pergunta ela era sempre repentina e sem qualquer noção! Seu rosto formou uma expressão irritada, odiava ser interrompido enquanto fazia a sua detalhada arte, e ser interrompido por um garoto irritante não era algo agradável.

- É claro que eu tenho, un! - falou de modo irritado, voltando seu olhar para escultura, não ia responder de modo detalhado, o outro não merecia tamanha atenção.

- Qual é a sua recordação mais importante, senpai? - perguntou Tobi fitando-o atentamente de modo curioso, queria saber mais coisas sobre o Deidara, mesmo que o mesmo não concordasse com isso.

- Para que você quer saber, un? - bufou com o olhar voltado à escultura, havia algum erro nela mas não sabia qual, ainda não estava perfeita! E apesar de achar esse defeito nela por culpa da distração que o Tobi causava não conseguia sequer voltar toda a sua atenção a ela.

- Tobi queria saber o que é especial para o senpai guardar na memória com tanta importância! - falou em um tom calmo esboçando um sorriso por trás da mascara, por mais que o Deidara tentasse ser rude o Tobi ainda assim gostava dele.

- Un.. - ficou pensativo por uns instantes fitando a escultura. - Eu tenho dois momentos muito importantes na memória, o primeiro é quando eu descobri a beleza da arte momentânea e a segunda foi quando eu vi o que o Sasori no danna chama de eterno.. - falou pensativo, fechando os olhos por alguns instantes tentando recordar com detalhes os momentos.

- Como você viu isso, senpai? - perguntou Tobi analisando a calma que invadia o Deidara naquele instante, para o Tobi aquilo sim que lhe parecia arte.

- A primeira foi quando eu vi ainda criança a arte da explosão, un! - falou em um tom seco como se dissesse o óbvio, em seguida retornando a calma de sempre e voltando o olhar para o Tobi calmamente. - A segunda foi quando eu vi uma criança sair de um boneco.. - falou pensativo, parecia que por alguns segundos a mente do Deidara vagava para longe daquele local.

- Tobi não.. - Tobi congelou por alguns segundos, ia dizer que não entendeu mas ao ver a mente do Deidara tão distante, e a escultura em cima da mesa finalmente entendiam qual era a recordação. Sasori, ele era a criança que saía do boneco, podia não ser uma criança mas a primeira vista qualquer um pensaria que ele é uma, a escultura era sobre ele! Tudo o que o Deidara fazia era baseado nele, finalmente o Tobi conseguiu saber um pouco sobre o Deidara, mas de alguma forma aquilo não lhe trazia a felicidade que imaginava. - Senpai.. - chamou em um tom meio decepcionado, foi dessa forma que aprendeu a conhecer o Deidara, observando-o perto do Sasori.

Segundo ato - Recordar

O jovem moreno sorriu de maneira calma, fitando o pequeno item em suas mãos com orgulho, vendo o brilho que ele emitia, o brilho da vitória. Estava em seu quarto na sede dos Akatsukis, finalmente tinha conquistado seu título para participar do grupo como um membro assim como os outros. Tinha o seu anel do grupo, no qual anteriormente tinha pertencido ao famoso Escorpião da Areia Vermelha, mas agora era seu e ninguém ia tirá-lo de si. Ao obter o anel além de ganhar algum respeito dentro do grupo conseguia algo que almejava desde o início, a oportunidade de aproximar-se do jovem ninja da Iwagakure.

Tobi parou de brincar com o anel e colocou-o em um dos dedos, levantando-se de sua cama e fitando o espelho com orgulho, agora era mesmo um temido e respeitado membro da Akatsuki, possuía o anel, o sobretudo e a dupla! Mas estava faltando algo, olhou-se no espelho dos pés a cabeça, tentando encontrar pacientemente o que faltava nele e quando deu por si, falta apenas a dupla! Sorriu por trás da mascara e abriu a porta do quarto incentivada a procurar o Deidara e passar a maior parte do tempo com ele a partir de agora como um bom Akatsuki. Foi de encontro no quarto do loiro que estava vazio, atravessou os corredores e percorreu cômodo por cômodo a procura dele, mas por mais que procurasse não o achava. Onde estaria a sua dupla do Akatsuki? Agora era um membro do grupo, o mínimo que o loiro podia fazer é estar ao lado dele e juntos se prepararem para cumprir quaisquer missões que o líder lhe entregassem.

- Tobi, algum problema? - perguntou um homem alto no qual ocultava o seu rosto com um véu branco, deixando apenas os seus olhos em um tom amarelo vibrante a mostra.

- Kakuzu-san, você viu o Deidara-senpai? Tobi está procurando-o por todo lugar mas não o acha! - falou em um tom um pouco pensativo, tinha ido em todos os lugares, não tinha? Por que não conseguia achar o Deidara?

- Ele deve estar lá fora.. - comentou em um tom um pouco depressivo, relembrando-se do quão estranho o Deidara agira desde que voltará e tivera seus braços costurados novamente.

- Mas está chovendo.. - falou voltando o olhar para a janela mais próxima. deveriam ser em torno das sete da noite e estava uma chuva forte no local, o que fez a noite chegar mais rápido e a escuridão tomar conta lá de fora.

- Eu sei.. - falou Kakuzu fazendo um sinal de desinteresse com os ombros e voltando a caminhar na direção na qual ia, deixando o Tobi para trás, uma regra que colocavam no Akatsuki era não criticar o passado e ações dos outros membros.

Estranhou a atitude do Kakuzu, por que aquele local trazia consigo um clima mórbido? Nunca tinha acontecido nada assim! Aproximou-se da porta de entrada do local e pegou um guarda-chuva no qual estava encostado no canto, abrindo a porta e assustando-se a primeira vista com a intensidade da chuva lá fora. Ainda assim, determinado, abriu o guarda-chuva e se pós a caminhar em direção a chuva, sentindo no primeiro impacto os seus pés encharcarem, as gotas de chuva estavam frias. Com ainda mais determinação e preocupação por onde o loiro poderia estar começou a andar no meio da intensa chuva, a procura do loiro.

- Deidara-senpai!! - chamava, esperando assim obter uma resposta e poder sair dali o mais rápido possível na companhia do loiro.

Não tardou de encontrá-lo, mas não foi como ele esperava, a apenas uns cinco minutos de caminhada a direção oeste do esconderijo encontrou no meio daquela escuridão e chuva o jovem loiro ajoelhado no chão em frente a uma pedra com um olhar vazio. Aproximou-se assustado, pensando no que poderia fazer o outro ficar ali parado naquele estado e naquele frio sem qualquer proteção, deixando a chuva encharcar seu corpo por completo. Seus cabelos loiros estão despenteados e caindo sobre os seus olhos, seu rosto um pouco corado, talvez estivesse começando a ficar febril devido à friagem, ou talvez estivesse..

- Senpai, você está bem? - perguntou Tobi colocando o guarda-chuva sobre a cabeça do Deidara e assim protegendo os dois da chuva, por alguma razão achava que o Deidara estava melancólico, parecendo que estivera chorando..

- Tobi, sai daqui, un! - falou em um tom levemente irritado mas soando ainda mais para angustiado, levantando o rosto lentamente para fitar o Tobi. Sentia frio e cansaço, mas nada disso lhe trazia realmente algum dano naquele momento, já que o dano que tinha sofrido antes era ainda mais profundo e fazia aquilo não parecer nada.

- Senpai, saia da chuva ou vai ficar doente.. - disse em um tom paciente, observando os olhos do Deidara, estavam apagados, não possuíam nem metade do brilho que normalmente tinha, um brilho tão explosivo. Por um momento sentiu o seu coração apertar, mas por que o Deidara estava daquele jeito tão estranho? Ele não era assim!

- Não importa, un.. - falou em um tom fraco, sentindo a sua garganta arder, voltando o olhar para o chão e deixando os seus cabelos caírem sobre o rosto e ocultar a sua face. A última coisa que desejava agora era ser visto por alguém, principalmente por Tobi, alguém com quem não tinha a menor afinidade.

- Senpai.. - Tobi ficou preocupado com a reação do Deidara, não entendia o motivo daquilo tudo, voltou o olhar para a pedra, a escuridão dificultava que a visualizasse bem, mas notará que nela havia sido talhado com uma kunai de maneira rude o nome "Akatsuna no Sasori". Era um tumulo, um tumulo vazio aonde não existia quaisquer sinais da existência de um homem enterrado ali, mas o suficiente para que o Deidara preenchesse com as suas angustias e magoas.

- Me deixe em paz, un!! - falou em um tom mais alto, forçando a voz ao máximo para gritar e sentindo a sua garganta doer ainda mais por culpa daquilo, levando a mão até ela.

- Senpai! - Tobi abaixou-se ao lado de Deidara e ficou fitando-o assustado e preocupado, o Deidara já estava doente, por que ele mesmo não entendia isso e agia daquele jeito? - Temos que sair da chuva, senpai! - falou agarrando um dos pulsos do Deidara e tentando forçá-lo a se levantar.

- Não, eu não quero!! - falou Deidara tentando soltar o seu pulso do Tobi mas sem conseguir utilizar muita força com isso, sentia-se fraco e não desejava sair dali! Tinha que ficar ao lado do danna, do que restava dele, agarrou uma das mãos na pedra que ele mesmo talhará o nome do outro, abraçando-a e tentando soltar seu pulso.

- Deidara-senpai, não há nada aí! - falou tentando puxar com mais força o Deidara mas sem machucá-lo, odiava Vê-lo daquele modo tão deprimente, ele tinha que parar com aquilo!

- Não!! O Sasori no danna está aí, ele.. ele.. - não conseguia mais raciocinar com calma, sentia as lágrimas e as gotas de chuva misturarem-se e caírem por seu rosto, começava a gaguejar quando falava, seu coração estava quase que se partindo em dois e sua respiração ficava descompassada. Não conseguia entender o que estava fazendo mas não sentia que deveria sair dali, se o fizesse estaria abandonando o seu danna, não poderia abandoná-lo!

- Deidara-senpai.. - respirou fundo soltando o pulso do loiro, deixando-o ficar abraçando aquela ridícula pedra, não tinha coragem de contrariá-lo, não agora ao Vê-lo em meio aquelas lágrimas. Mas não poderia abandoná-lo ali sozinho, abaixou-se, ajoelhando ao lado do Deidara e abraçando-o carinhosamente. - Está tudo bem, senpai.. - sussurrou no ouvido do loiro, ouvindo entre aquela chuva ensurdecedora o choro infantil do Deidara, tão frágil, como se finalmente agisse condizente com a sua aparência.

Não se importou em sentir a pesada e gélida chuva cobrir o seu corpo, em pouco tempo do abraço foi capaz de sentir o corpo gelado do loiro retribuí-lo, apoiando a cabeça em seu ombro. O som dos gemidos que saíam entre as lágrimas agora eram mais audíveis, o frio mais insuportável e a dor ainda mais inconsolável. A cada segundo que passava o Deidara sentia que estava mais próximo de admitir que seu danna estava morto, a pessoa que lhe inspirou tanta confiança e lhe protegeu por tanto tempo. Não restavam mais laços, mais discussões de arte e mais esperanças de um possível gentil e doce romance, Deidara aprendia o que era solidão, enquanto abraçava a outra pessoa na qual entendia o que era amor. Tobi finalmente soube, às vezes amar era sentir a dor da outra pessoa, ser capaz de se sacrificar pela felicidade dela e desejar mais do que tudo bela sorrir, naquele instante se pudesse morrer para dar vida ao Sasori faria, para assim dar ao Deidara mais tempo ao seu lado, quem sabe talvez aquilo que o ruivo sempre chamará de 'arte eterna'.