O nome
Não.. não podia estar acontecendo.. Por que se esforçar tanto daquele jeito? Não, não era verdade, não estava indo tão longe! Aquilo já era extremo demais, por que tinha tanto medo assim? Por que estava se esforçando tanto para ganhar? Tinha que haver algum engano, aquilo não podia ser real, se fosse então.. não! Ele não podia morrer, se ele morresse como ficaria? Queria gritar, queria impedir aquilo, não podia simplesmente vê-lo morrer por vontade própria sem fazer nada!
A dor lhe encheu o coração, com pensamentos, dúvidas, ódio. Por um momento temeu a situação que observava frente a frente, queria fazer alguma coisa mas não encontrava a chance certa para intervir. Era a luta final de seu amado senpai, Deidara estava lutando contra o Sasuke e usaria a sua técnica extrema, utilizando o seu próprio corpo para criar uma bomba com uma potência avassaladora. Era uma técnica suicida, tanto ele quanto o seu oponente estavam cientes do que resultaria essa técnica, uma explosão colossal aonde ia desfragmentar tudo em quilômetros de distância. Tobi observava tudo desesperado, não tinha como intervir naquela luta mas desejava fazê-lo, porém se o fizesse estava ciente que o Deidara ia odiá-lo! O que devia fazer naquele instante? Enquanto perguntava-se sobre isso e muitas outras coisas, tivera consciência de uma única coisa, era tarde demais, o jutsu já estava sendo executado, seu senpai ia morrer. Talvez por mero instinto ou desespero algo lhe fez correr para o lado do Deidara, queria estar com ele, pelo menos naquele último instante, se fosse para o Deidara desaparecer queria estar do lado dele, e quem sabe assim, no último segundo, o loiro entender e retribuir os seus sentimentos.
- Deidara.. - sussurrou no último instante, vendo o olhar do loiro cair sobre si, depois não restou mais nada a não ser uma explosão. Fechou os olhos pronto para suportar aquilo, a dor que viria em seguida o nada, mas não foi o que imaginava, algo no início da explosão lhe fez despertar, seu corpo se moveu de maneira que jamais poderia imaginar ocorrer, foi quando notou, ele já não era mais ele.
Sua mente ficou confusa, perdida, conseguia ver o que acontecia mas não conseguia sentir mais seu corpo, sentir que pensava, era apenas algo como uma lembrança perdida vagando nas profundezas da própria alma. Um homem, um homem estava ao seu lado, sentia isso, ele que tinha total controle sobre o seu corpo, sentiu algo pior do que a própria dor e finalmente entendeu, recordou. Uchiha Madara, o homem que havia lhe criado, ele não tinha passado pois começara a existir naquele instante que abrirá os olhos, mas aquele homem tinha um passado e ele o conhecia bem! Como pode ter esquecido da existência se seu criador? De que ele ficará no interior do seu coração todo esse tempo? Ficou tonto por alguns segundos, finalmente sentindo os seus olhos realmente abrirem e notar que o Madara apenas sorria de maneira cínica sentado com seu corpo em cima de uma rocha fitando a poucos metros de distância o corpo do Deidara deitado no chão todo ferido.
O loiro abriu os olhos lentamente, seu corpo estava doendo de uma maneira enlouquecedora, sentiu a luz do sol cegar seus olhos antes que pudesse realmente sentir a dor ainda mais profunda que antes. Em poucos segundos pode entender, a maior parte de seus principais ossos de sustentação do corpo estavam partidos, havia um corte profundo no abdômen que fazia o seu sangue jorrar pelo chão. Estava morrendo.. mas como? Tinha explodido tudo, não era para ter restado nada! Nem mesmo um pedacinho sequer do seu corpo, como podia ainda estar vivo? Moveu os olhos em sua volta, sentindo que sua visão estava embaçada devido à perda de sangue e vira uma figura familiar sentada em uma pedra de forma descompromissada.
- Tobi! Venha cá, un! - gritou, usando quase todas as forças que tinha para fazê-lo, sua voz estava fraca e tremida, conseqüências da explosão, mas o que lhe surpreendia de alguma forma é o outro ainda estar intacto.
O jovem moreno, levantou-se e aproximou-se do Deidara, olhando-o com um desprezo que só não foi percebido devido a mascara. Achava o menor extremamente fraco e repugnante, jamais teria sobrevivido se não fosse a sua ajuda, mas manteve-o vivo apenas com um objetivo. Utilizaria o pouco de vida que tinha o outro para assim matar aquele coração infantil que existia em seu corpo, voltando assim a tomar por completo o corpo tornando-se unicamente Uchiha Madara.
- O que está fazendo aí parado, un? Ajude-me! - falou em um tom irritado porém baixo, notando que o outro apenas ficava parado lhe observando, julgou nesse momento mais do que tudo o Tobi um idiota.
- Acha que está em posição de me dar ordens? - perguntou o maior dando um chute fraco no braço do loiro, fazendo-o assim mover-se e ficar deitado de barriga para cima.
- AHHH! O que você está pensando, seu retardado, un? - gritou, seu braço estava com pelo menos dois ossos quebrados, ser empurrado assim lhe causará extremo desconforto, voltou seu olhar furioso para o Tobi, mas havia algo diferente nele. - Tobi?!
- Não me chame por esse nome ridículo.. - falou em um tom frio, abaixando-se ao lado do outro e com uma das mãos pressionando sem muita força o ombro do loiro, fazendo-o contorcer-se de dor.
- AHH! Para com isso!!! - gritou, e quando sentiu o outro parar por um momento temeu, aquele não era o Tobi, não podia ser ele, o Tobi não falava daquele jeito.
- Seja mais educado, eu prolonguei a sua vida.. - disse de modo calmo, retirando uma kunai de sua bolsa e começando a brincar com ela entre os dedos, fitando-a com maior interesse e ignorando o loiro.
- O que deu em você, un? - perguntou assustado, tinha a voz do Tobi mas não falava como o Tobi, sem falar que até onde recordava o Tobi havia sido atingido pela explosão também, como podia estar ali ao seu lado intacto?
- Eu.. - falou em tom calmo acertando com força a kunai no braço direito do Deidara, perfurando-o por completo até a ponta da kunai tocar o chão.
- AHHHHHH!! - um gritou alto ecoou no local, sua face tomou uma expressão de desespero, aquilo era tortura, estava sendo torturado e sequer tinha idéia do que realmente acontecia.
- Já disse.. - torceu a kunai, fazendo o grito do outro se agravar ainda mais. - Para me tratar com respeito..- falou de maneira calma, puxando a kunai do braço do loiro rapidamente e fazendo-o arquear o corpo devido à dor, e em seguida limpando-a no sobretudo do mesmo.
- Quem é você..? - perguntou com a respiração acelerada, o sangue corria de seu braço e a dor era intensa em várias partes do seu corpo, nesse instante até utilizar suas forças para falar lhe doía, tentava manter a sanidade sentindo que com aquela dor não agüentaria por muito tempo.
- Continua sendo direto e mau educado.. - falou em um tom calmo, voltando a acertar com força a kunai em uma das pernas do Deidara, sentindo ela atingir o fêmur dele e trincá-lo. O menor ia gritar novamente mas conteve-se, mordendo a língua com força e sentindo-a começar a sangrar.
- O que.. - engoliu o sangue que nascia devido ao corte da língua e escorria parte pelo canto de seus lábios. - Você deseja de mim..? - falou tentando manter a educação, tossindo sangue e tombando a cabeça de lado, para assim facilitar que ele escorresse para fora de sua boca.
- Digamos que está pagando por rejeitar diversas vezes tão friamente o coração do pobre Tobi.. - fala forçando uma leve tristeza na voz que soava falta e cínica, sem seguida levou as mãos a mascara, retirando-a e sorrindo para o menor.
- Eu não.. - congelou, sabia o quão o Tobi odiava ficar sem a própria mascara, era estranho já que o máximo que possuía de feio em seu rosto era por ter um tapa-olho branco. Ao ver a face do outro a mostra suas dúvidas acabaram por completo, era o Tobi, mas o sorriso dele soava sádico, contrário ao Tobi idiota que sempre conhecerá.
- Você é mesmo muito belo, senpai.. - sua última palavra soou com sarcasmo, aproximou os seus lábios dos lábios ensangüentados do menor, tocando-os e roçando-os contra os dele. Notando no quão o outro contraiu o corpo ao ver essa atitude, ficando arrepiado só com a aproximação, temendo qualquer atitude que o maior pudesse vir a ter. Riu, lambendo os lábios úmidos de sangue em seguida, logo voltando a fitar o loiro da mesma forma sádica, sentindo a agitação na qual o seu interior estava naquele instante.
- Cadê o Tobi..? - perguntou assustado com a atitude, ainda sentindo o seu corpo se contrair, nunca sentirá que temerá alguém de verdade até aquele instante. Queria de alguma forma desaparecer dali, fugir o mais rápido que podia mas a dor lhe impedia de se mover, o desespero tomava conta da sua mente, invadindo-a sem piedade.
- Mais uma vez.. - pegou novamente a kunai com velocidade e atingiu sem hesitar o lado esquerdo do abdômen do Deidara, ao lado de um corte profundo que ali já possuía. Deidara tentou gritar mas a sua própria respiração, agora ainda mais rápida que antes lhe impedira, sentindo-se sufocado cada vez mais no meio daquela intensa dor. - Você me destratou.. - disse de modo calmo, deixando a kunai ali e voltando o olhar para o Deidara de modo extremamente calmo.
- Por favor.. - Deidara fechou os olhos, temendo ser morto naquele instante, o ataque agora tinha sido mais profundo que antes, sabia que seria morto, mas temia aquela forma violenta na qual estava sendo tratado. - Me mate.. - disse respirando fundo, engolindo o sangue que estava se formando dentro de sua boca, no fundo ficaria aliviado com isso, fazia tempo que cobiçava a morte. Nesse instante o Madara fechou os olhos pacientemente, sentia o desespero que percorria dentro de parte de sua consciência, um desespero enlouquecedor que precisava ser eliminado. Suspirou, e em seguida abriu os olhos, agora com um brilho diferente, um brilho assustado e desesperado que parecia estar no limite para agüentar as lágrimas. Deidara mantinha os olhos fechados, aguardando o momento certo no qual ia ocorrer, preparado para o inevitável sem temer a morte mas temendo um pouco a dor. Agora o jovem, que era Tobi, tinha sua respiração acelerada, ia mesmo cometer aquele ato tão impensado para assim evitar que o outro continuasse a proporcionar ao jovem loiro tanta dor.
Retirou a kunai cuidadosamente do abdômen do loiro, evitando agravar o ferimento e assim machucá-lo ainda mais, ouviu o loiro gemer baixo de dor, em seguida aproximou a kunai do pescoço dele com as mãos tremulas. Sentiu a primeira lágrimas escorrer de seu rosto e cair contra o chão, tinha realmente começado a chorar por estar fazendo aquilo, por saber que o loiro estava ali, ao seu lado, respirando, e o único que podia fazê-lo por ele agora era matá-lo. Afastou a kunai do pescoço do menor, dando uma distância, preparando-se para assim fincá-la com toda a sua força bem na garganta e eliminá-lo da maneira mais rápida e indolor possível naquele instante.
- Me perdoe.. senpai.. - disse com a voz tremula, sentindo que estava prestes a morrer com a dor que lhe causará fazer aquilo. Deidara apenas esboçou um leve sorriso nos lábios e moveu um pouco a cabeça em sinal de afirmação, sentia de certo modo algum alivio ao ouvir aquele pedido. Preferia estar morrendo pelas mãos do Tobi, o Tobi no qual sempre conhecerá, do que pelas mãos de um completo desconhecido. As mãos do Tobi tremiam ainda mais que antes, fechou os olhos e desceu com força contra o pescoço do Deidara, perfurando a sua garganta, pode ouvir um leve gemido de dor e agitação antes de sentir o corpo ficar totalmente inerte.
"Você o matou..", uma voz soou na mente do Tobi, naquele instante sua história havia acabado, o início e o fim, mas lhe restava apenas uma coisa. A sua última lembrança na qual fora silenciada naquele instante, no último segundo na escuridão da sua mente deixou passar seu último pensamento "Eu amo o Deidara..". Ao retornar a abrir os olhos o jovem moreno tinha o olhar frio e paciente, retirando a mão da kunai e fitando o jovem loiro ensangüentado e morto em sua frente. Não tardaria de que aquele jovem tornar-se um mero cadáver pútrido que serviria de alimento a outros seres, mas de alguma forma aquela última frase que soará em sua mente não lhe permitia deixar aquele cadáver exposto daquele modo.
Sem muito esforço cavou uma cova, para um Akatsuki, nos quais havia sido decidido que ao serem mortos não deveriam haver quaisquer registros, apenas que seus restos e itens fossem queimados. Jogou sem muita delicadeza o cadáver dentro da cova e cobriu-a de terra, mas antes que terminasse de fazê-lo pegou uma pedra no chão, de aproximadamente uns trinta centímetros quadrados. Nela talhou sem muito cuidado os seguintes dizeres "Tobi e Deidara", jogando-a em seguida na terra e cobrindo-a junto com o corpo por aquela terra.
Nesse instante encerro a minha narração, dizendo apenas uma coisa, não era possível matar aquela minha criação imperfeita, ela sequer realmente existiu, era apenas uma parte do meu corpo e alma. Não tinha história, face, nome ou coração, mas de alguma forma conseguiu desenvolvê-la não para si mesma, mas sim para as pessoas com quem teve a chance de conviver. Por isso por mais que considere aquela um dos meus erros e obras imperfeitas ele não foi apagado como todas elas, como o clã, ele ainda existe de algum modo, ele teve seu nome: Tobi.
Nunca vou entender aquela completa imperfeição que me enoja de diversas formas, com aquele repulsivo sentimento no qual chamava de amor. Mas de algum modo compreendo parte do que ele sentia, aquela coisa que superava o sentimento de alto preservação, o instante que matará o que jurava amar apenas para levar consigo sua alma para completa escuridão. Não há vida eterna para quem nunca existiu, uma vez que viverão juntos jamais poderão encontra-se aonde quer que for, no final o Tobi não existia. Mas pelo menos para mim, o pouco que estou dele foi descrito nessa curta história em poucas palavras, ele não teve qualquer significado na minha vida, mas de algum modo, teve para aquela outra criança.
