Manos, socorro! Postei o novo capítulo há algum tempo mas percebi a lombra! O que foi isso? Enfim, mando aqui o capítulo de novo. Um beijo pra Júlia Rodrigues que me mandou uma adorável review. E POR FAVOR MANDEM REVIEWS, EU SOU CARENTE! Obrigada. De nada. AAAH, e tem uma coisa importante...A história tem MuraAka, viu? Bem mais adiante, mas não pude resistir. Nosso querido e chibi capitão e o gigante de Yosen...Precisava escrever isso hehehe. Amor e saudações para todos!


Entre Hades e Apolo

Capítulo II:Como uma cadela no cio

Um barulho um pouco incômodo foi ouvido, uma espécie de série de estalidos graves que se repetiam. Kise observava curioso Kuroko. Já era noite, e ambos estavam no Maji Burguer, uma lanchonete de fast food que ficava próxima ao colégio. Sentado em uma das várias mesas, ele observava o amigo terminar de tomar seu milk shake de baunilha – uma das poucas coisas que Kuroko gostava de comer.

- Eu não consigo acreditar, Kurokocchi. – Ele sibilou, perplexo. - E nem entender direito. Como assim há pessoas que não descendem de primatas?

- É algo complexo, Kise-kun. – Ele disse, colocando o copo de bebida vazio à sua frente. – Especialmente para alguém que nunca teve contato com isso antes.

- Eu continuo sem entender. E as palavras daquele idiota...o que Aomine quis dizer? Que outros irão me perseguir? Como as garotas da outra turma?

- Talvez. – Kuroko afirmou brevemente. – Talvez devêssemos começar esta conversa do início. Eu te explico tudo, e você pode tirar suas conclusões.

- É, é uma boa ideia. – Kise disse, um pouco nervoso. – Eu sei que você não poderia falar depois que Kagami-kun apareceu na sala e Aomine saiu porque tínhamos que voltar para a classe, mas eu fiquei preocupado...Eu realmente quero saber.

- Não se precipite, Kise-kun. – Ele disse. – E por favor tenha paciência. É uma longa história, e talvez você não acredite em muito do que eu vou dizer, mas é tudo verdade.

E o loiro assentiu devagar com a cabeça. Fosse lá que tipo de maluquice estava prestes a ouvir, que fosse tudo dito logo. Não estava se aguentando de ansiedade.

- Cerca de 29% da população mundial é composta por Madararuis. Somos pessoas um pouco diferentes da maioria; nossos ancestrais compartilham com os humanos comuns diversas características. Nosso físico é igual ao humano, nossa capacidade de aprendizado e convivência também. Mas nós somos um pouco diferentes. Embora os humanos dividam seu mundo conosco, nós não dividimos o nosso com eles. Vemos diferente, sentimos diferente, pesamos diferente e nossa sociedade é estruturada de outra maneira. Além do mais, os humanos não sabem sobre nossa existência, afinal, não podem ver nosso lado animal.

- Então...você é um Madararui também, Kurokocchi? E...é por isso que...as pessoas não conseguem te ver direito?

- Eu sou um Madararui. – Ele disse. – Mas isso não tem nada a ver com as pessoas não prestarem atenção em mim.

- Então...ambos somos "lobos?"- Kise perguntou levantando uma sobrancelha. Kuroko, estático, negou.

- Não. Você é um lobo, Kise-kun. Mas eu não. Somos espécies diferentes.

- Como assim?

- Existem dezenas de tipos de Madararui. Talvez algumas centenas. Alguns tipos de Madararui só podem ser encontrados em comunidades isoladas, tribos fechadas. Mas a maioria hoje se globalizou. Todos nós descendemos de três classes de cordados diferentes: os répteis, as aves e os mamíferos. Nossos cientistas acham que as outras espécies não tinham um nível de sofisticação evolutiva suficiente para se converterem em seres racionais como nós.

- Então...há pessoas que são lagartos?! E eu sou um lobo e nunca soube?!

Kuroko apenas negou com a cabeça.

- Não, Kise-kun. Você descende de um lobo e a sua alma tem a forma de um. Mas não quer dizer que você é um lobo...Embora eu tenha que dizer que é um lobo bastante diferente. Suas pintas me parecem ser de leopardo...Talvez...Não. Com certeza você descende de mais de uma espécie.

E o loiro parou, tentando raciocinar. Aquilo estava ficando difícil. E então Kuroko tornou a falar.

- Você se parece exatamente como você sempre se viu, Kise-kun. Mas a sua alma se parece com um lobo. E com um leopardo. E os Madararuis podem ver as almas uns dos outros. Logo, as pessoas normais continuam a vê-lo como sempre viram; apenas os outros Madararuis conseguem ver que você é um canino. É por isso que Aomine-kun e Kagami-kun viram que algo estava diferente em você hoje. Eles são Madararuis também.

- Oh...mas Kurokocchi, eu continuo te vendo como sempre vi! E eu continuo vendo Aomine como o bastardo que sempre foi.

- É verdade. – O rapaz concluiu. – Por que na verdade, todos os Madararuis escondem o formato de suas almas. Andar com a alma exposta libera feromônios e é considerado um sinal vulgar de disponibilidade sexual. Ninguém expõe sua alma a troco de nada. E apesar de não enxergarem as almas, até mesmo os humanos comuns são susceptíveis aos nossos feromônios e se tornam...bastante...dispostos.

- Eh? E como todos viram que eu era um animal se eu escondo...isso?

- Esse é o problema. Você não escondeu, Kise-kun. Por que você não sabe esconder.

- E isso quer dizer que...

- Que você praticamente estava pedindo para fazer sexo grupal em público, Kise-kun. – Tetsuya apenas disse num tom tão simplista que parecia estar comentando o tempo. Kise sentiu calafrios. Aquela conversa era estranha, e ainda por cima, o dava vontade de chorar. – Você estava agindo como um gato...ou melhor, cadela no cio. Sem ofensas, é claro.

- Eu...Eu...Eu não queriaaa! – Ele choramingou, com lágrimas escorrendo pelo canto dos olhos. Ele afundou a cabeça na mesa, confuso. Mas o que estava acontecendo? O mundo de repente ficava louco demais.

E então ele sentiu uma mão morna sobre sua cabeça. Ele levantou os olhos para olhar para Kuroko, que apesar de ter a cara sem emoções de sempre, parecia solidário ao sentimento alheio.

- Não é sua culpa, Kise-kun. Você não nasceu Madararui. Você não tinha a obrigação de saber...e de fato, isso é que faz de você tão especial.

- Eh?

- Eu sou Madararui desde que nasci. Minha avó é Madararui, meu avô era. E assim são meus tios, meus primos e eram meus bisavós. Madararuis normanete só nascem da união entre dois Madararuis. Quando um Madararui se casa com um humano comum, que também chamamos de "macaco", então geralmente o gene Madararui é ofuscado e os filhos nascem macacos também. O gene humano é mais forte que o nosso, Kise-kun. Eles dominam todas as características dos filhos, o que oculta toda a porção Madararui deles. É por isso que a maior parte da população mundial é de descendente de macacos. E macacos filhos de Madararuis quase sempre se casam com macacos, e assim os filhos continuam macacos por toda a descendência. O gene Madararui é dominado. Mas, em alguns casos muito raros, um dos descendentes ao longo da linhagem nasce Madararui. Chamamos esse tipo de indivíduo "ancestral". Eles são raríssimos. São menos de um por cento de toda a população Madararui do mundo. Um ancestral é alguém que, mesmo filho de macacos, é Madararui pela herança de algum ancestral. No seu caso...foi algo exótico. Normalmente a identidade Madararui é evidente desde a infância nos ancestrais. E quanto a você, aparentemente, seu gene esteve adormecido até agora. Provavelmente o incidente com aquelas meninas o despertou. Kise-kun...você é algo sobre o que a maioria esmagadora das pessoas ouve falar alguma vez na suas vida, mas morre sem ser capaz de ver pessoalmente. Pessoas como você são tão raras ue quase não há dados sobre ancestrais na literatura científica Madararui. Você é alguém muito, muito especial.

- Mas...por que todo mundo está atrás de mim? – Ele inquiriu confuso. – Eles querem me transformar numa cobaia de laboratório?

- Não. Bem...acho que você não deveria saber disso por enquanto, Kise-kun. Vamos deixar isso para outro momento.

- Não! – Ele chiou em tom infantil, que chamou a atenção de algumas pessoas. De repente as atenções do restaurante haviam sido desviadas para eles. – Eu quero saber, Kurokocchi! Você tem que me dizer!

E então Kuroko manteve a face pálida sem qualquer movimento. Pegou a pasta que estava em cima da mesa da lanchonete e levantou-se.

- Aonde você está indo, Kurokocchi? – Kise inquiriu, talvez ressentido de ter acabado de protagonizar um escândalo infantil. Kuroko suspirou.

- Venha comigo, Kise-kun. – Ele disse. Ryouta pareceu confuso, mas o seguiu.

Na rua, foi difícil seguir Kuroko. O garoto parecia desaparecer na multidão se Kise não prestasse uma boa atenção nele. Mas não foi impossível, até porque o destino de ambos se situava a menos de uma quadra de distância.

Kise conhecia o lugar. Uma velha livraria que se olhada com maus olhos, mais parecia um sebo mal tratado e caindo aos pedaços. O modelo achava aquele lugar assustador. Dentro dele, havia vários livros, mas todos completamente desinteressantes. E ninguém nunca entrava lá. Francamente, Kise não entendia por que Kuroko insistia tanto em entrar ali – e também nunca sabia onde o garoto se metia todas as vezes que iam para lá. Eles costumavam chegar e logo Kise perdia Kuroko de vista, sentando-se uma poltrona gasta e mal-cheirosa e lendo um daqueles livros chatos até que o amigo tivesse a boa vontade de aparecer.

- Por que você quer vir aqui agora, Kurokocchi? – Ele inquiriu um pouco enojado. – Você sabe que eu odeio esse lugar.

- Apenas me siga, Kise-kun.

E então eles se meteram pelos fundos da livraria, onde Ryouta viu uma porta que tinha duas placas. Uma dizia "Não entre" e a outra "Zona madararui". Aquela segunda placa era nova? Ele não lembrava de tê-la visto antes...

- Eh? Então essa livraria tem livros...?

- Literatura Madararui, Kise-kun. – O mais baixo respondeu prontamente. – E você provavelmente sempre viu essa placa Madararui como apenas uma placa em branco.

- É! – Ele confirmou, surpreso como Kuroko parecia ler seus pensamentos.

- Só Madararui podem lê-la. – O jovem disse. – E ela sempre esteve aqui. O "não entre" é para macacos.

E então, Kuroko abriu a porta.

Dentro estava tudo escuro. Havia apenas uma escada sombria que o garoto subia velozmente, enquanto Kise o seguia com uma careta, afobado. E lá em cima, havia outra porta, que Kise achava que mais parecia coisa de um filme medieval. Parecia que iria encontrar instrumentos de tortura lá dentro, ou coisa parecida.

Depois de alguns instantes, viu Kuroko abrir a porta e parou no meio do trajeto. A porta emanava uma luz branca e forte, que impedia Kise de ver o que havia além dela. E então ele engoliu seco, tomou coragem e subiu os últimos degraus, abrindo o queixo.

Diferente do ambiente cheio de mofo e pó do térreo, no primeiro andar havia um piso de madeira brilhante, estantes altas e abarrotadas de livros coloridos, além de um ar de limpeza surpreendente. Kise ficou boquiaberto. Kuroko então desapareceu por alguns instantes, e o loiro passou a vaguear pelo espaço.

Havia dezenas de títulos. Alguns pareciam ser romances, outros literatura científica. Kise não sabia o que cada um era, mas sempre que lia as orelhas, deparava-se com aqueles termos biológicos. Clado, reino, espécie. Na maioria das vezes, elas se encontravam em contextos curiosos que o espantavam. E então, ele sentiu algo bater em seu ombro, e deparou-se com Kuroko a segurar um pacote nas mãos.

- Isso não pode ser visto por humanos. – Ele disse, entregando-lhe o embrulho. Kise começou a desfazer o pacote. – A tinta é especial para Madararui...

- Eu não consigo nem acreditar. – Ele disse, nervoso. – Antes, na lanchonete, eu achava que você estava tentando me enrolar, Kurokocchi...mas tudo isso é...

- A verdade é muito maior do que imaginamos, Kise-kun. – O rapaz disse misteriosamente. – Nunca devemos subestimá-la.

E então Kise leu o título, vendo um livro colorido e cheio de desenhos de animaizinhos. Era fino, e com letras grandes. O garoto logo chiou:

- Mas Kurokocchi! Isso é... – E então ele ergueu os olhos, transtornado.

Kuroko tinha sumido.

- "O mundo Madararui". – Ele leu, piscando surpreso. Não entendia porque Kuroko havia lhe dado um livro infantil, mas de certa forma, mal podia esperar para lê-lo.

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Kuroko acordou cedo naquela manhã, como de costume. Levantou-se da cama preguiçosamente e foi ao banheiro, onde tomou um banho rápido e ajeitou o cabelo – que costumeiramente amanhecia com um topete esdrúxulo em sua porção mais frontal. E então, desceu para o café da manhã.

Seu pai como sempre tinha o nariz metido no meio do jornal, que lia com atenção. Ao ouvir o filho chegar, ele o cumprimentou com polidez, o que foi repetido pelo menor. E então, a mãe de Kuroko, uma moça pálida como ele, de olhos negros e cabelos azuis disse-lhe:

- Bom dia, filho. Ajude a sua avó a descer, por favor.

E ele então deu-se conta de que obaa-san ainda não estava à mesa. Subiu para o andar de cima da suburbana casa, e lá estava a senhora, vindo pelos corredores, magrinha, com o cabelo preso em um coque largo e branco, vestida com um yukata rosa e os olhos grandes e azuis mirando-o com certa curiosidade. Ela sorriu, e ele ajudou-a a descer.

- Bom dia, meu neto. – Ela cumprimentou, a boca engilhada pelos anos num meio sorriso.

- Bom dia, vovó.

- Como vai hoje, querido?

- Bem...

- Tem alguma coisa que a vovó deva saber? – Ela inquiriu, enquanto desciam os degraus em direção ao térreo. Kuroko parou por instantes.

- Eu gostaria de falar com a senhora depois, obaa-san.

- Algo na escola, meu querido?

- Eu queria conselhos. Mas a senhora promete...

- Seus pais não vão saber, querido. – Ela disse com um sorriso amável. – Vovó nunca conta a eles, certo?

E ele sorriu. Sua avó era mesmo sua melhor amiga.

O café da manhã foi tranquilo e silencioso. Como sempre comeram sem falar quase nada. E então, Testuya levantou-se da mesa e anunciou sua partida. Todos sorriram e desejaram-lhe bons estudos.

Como de costume, o caminho foi longo. Primeiro ele subiu num ônibus, que por sorte e pela hora ainda estava vazio. E depois, teve que pegar o metrô lotado. As pessoas pareciam estranhar um garoto com o uniforme de uma escola tão prestigiada andar por veículos públicos, mas Kuroko já estava acostumado. E além do mais, conseguia passar despercebido o suficiente para serem poucos os que observavam seu uniforme. Era nessas horas que ter uma presença tão fraca conseguia ser oportuno. Pelo menos assim as pessoas não o irritavam com seus olhares indiscretos.

Seguiu seu trajeto demorado até o colégio. Mirou o discreto relógio de pulso de visor pequeno e pulseira de couro gasta, que apesar de barato lhe tinha um grande valor sentimental, afinal, tinha sido um presente de sua avó, quizás a pessoa mais preciosa do mundo para ele.

Os ponteiros andavam velozes, mas ainda faltavam quinze minutos para o início das aulas. Chegaria a tempo.

Andou até avistar os portões do colégio, na frente dos quais os carros dirigidos por motoristas particulares faziam filas para deixar os filhos de seus patrões. Alguns poucos alunos vinham andado como bons moradores da vizinhança, e nenhum vinha da direção do metrô. Kuroko andou até ultrapassar os altos portões de aço da entrada principal, e quando se dirigia ao grande prédio pintado de branco e de arquitetura extremamente moderna, teve uma surpresa ao ouvir um estalo e um leve barulho de metal caindo ao chão. Deu uma única passada antes de parar, sentindo algo bater em seus sapatos e então olhou para a frente, vendo que acabara de chutar seu velho e valorado relógio, que sabe-se como tinha caído de seu pulso. Provavelmente o pequeno pino de metal que prendia a fivela havia se soltado. Ele então fez menção de caminhar até o objeto, preocupado se ele ainda estaria funcionando, quando ouviu um estalo. Diante de seus olhos, um dos garoto mais ricos – e metidos - do colégio esmagava seu reloginho bem debaixo da sola de seus sapatos caros. Kuroko parecia consternado.

- Chateado? – O garoto inquiriu, com seu corpo alto, cabelos desgrenhados e olhos escuros, com certo escárnio. – Só fiz um teste de qualidade. E adivinhe, era tão ruim e barato que não levou nem um pezinho em cima dele. Rolex não é para a ralé, não é mesmo?

E outros garotos, amigos do rapaz, riram, bem como a maior parte do pátio, que assistia à cena bem humorada. Eles pareciam se divertir com a humilhação de Kuroko.

- Você não podia ter feito isso, Hanamiya-kun. – Kuroko resmungou, cerrando os punhos, sentindo-se de repente consternado e ligeiramente entristecido. O que diria à sua avó quando ela perguntasse onde estava o relógio que ela lhe dera há tantos anos e que escolhera para ele com tanto carinho?

- Isso não vale nem uma esmola, coelhinho. – Ele disse, aproximando-se de Kuroko com as mãos enfiadas nos bolsos e ar de superioridade. Os olhos emoldurados pelas sobrancelhas grossas brilharam com maldade. – A gorjeta das minhas putas vale mais que isso.

- Você não tem o direito de estragar o que é dos outros. – O rapazinho repetiu, com seus orbes azuis adquirindo um ar determinado e frívolo. O rapaz aproximou-se ainda mais.

- Ok, eu te pago então. – Ele respondeu, cheio de escárnio. – Se eu te foder e te der uma esmola de prêmio, com certeza você poderá comprar outro reloginho barato, não é, mocinha?

Kuroko realmente sentiu vontade de batê-lo, ele e aqueles amigos retardados dele que continuavam a rir da situação e chamar Kuroko de "bichinha", "fracote" e tantos outros xingamentos. Mas o que poderia fazer? Eles estavam em grupo, e eram todos altos, Madararui de porte maior que o dele e vindos de famílias influentes. Poderiam esmurrar Kuroko até que o garoto perdesse os sentidos e que nunca seriam penalizados por isso. Era injusto, Tetsuya sabia. Mas ninguém nunca tinha dito que o mundo era justo. Pessoas como ele ainda eram tratadas como a escória, por imbecis como aqueles, só por ser "uma presa". Mas que idiota.

Enraivecido, mas sentindo-se impotente, Kuroko abaixou o rosto, manteve a expressão inerte e preparou-se para sair, em silêncio, como sempre fazia. Os outros já riam de sua cara, quando alguém se aproximou, vindo andando atrás de Tetsuya, que não pôde vê-lo.

- O que você acha que está fazendo? – O estranho perguntou, para a surpresa geral. Era um rapaz alto, muito alto, maior que todos ali e com um ar com certeza muito assustador, Kuroko presumia. Só a sombra dele parecia ter pelo menos duas vezes o tamanho de Tetsuya, e a voz dele parecia extremamente irritada. Houve silêncio. As pessoas de repente pararam de rir e se tornaram nervosas. – Você não pode fazer isso com as pessoas.

- Mas que porra...?

- Deixe o garoto em paz. O que acha que está fazendo?

Kuroko observava tudo atônito. Não soube o que fazer, como reagir. O grandalhão agora estava ao seu lado, mas estava tão próximo que Tetsuya não conseguia ver seu rosto direito, vendo apenas um queixo bronzeado somado a cabelos vermelhos bagunçados.

- Você está me desafiando? – O valentão inquiriu, os cabelos longos e desgranhados voando com a brisa. Não houve resposta.

E então algo surpreendente aconteceu.

Os macacos do pátio que observavam a cena não entenderam, mas Kuroko e seu buller, um Madararui de porte médio, sim. De repente, o grandalhão começou a emanar uma espécie de aura avermelhada e em poucos instantes, os Madararuis viam assustados um tigre enorme no meio do pátio. Um tigre grande, realmente grande, de pelo laranja vívido e um grande instinto assassino, presas enormes e extremamente afiadas. Depois, como se tudo não passasse de um transe, todos encararam o rapaz de volta a sua forma humana, amedrontados. Kuroko sequer se mexeu.

- Estou. – A voz, que finalmente parecia familiar a Tetsuya, ecoou. – Vai encarar?

O rapaz do outro lado não mexeu nenhum músculo. Estava pálido e pasmo. Depois de engolir seco, respondeu:

- Não vou desperdiçar meu tempo, tenho mais o que fazer. Vamos. – Ele disse, virando-se e sendo seguido pelo grupo de amigos que estavam rindo de Kuroko mais cedo. Todos eles pareciam extremamente temerosos, bem como todos os Madararuis do pátio. Os humanos apenas decepcionavam-se por aquilo não ter evoluído para uma briga séria Kuroko deu alguns passos e recolheu os restos de seu relógio, tentando não se cortar com os cacos de vidro partido. E então, ele colocou tudo no bolso e virou-se, assistindo a um Kagami que com as mãos enfiadas nos bolsos tinha um ar ligeiramente ameaçador.

- Arigato, Kagami-kun.

- Tsk. Eu só odeio aquele idiota. Não pense que foi por você.

E então Kuroko ficou em silêncio enquanto o pátio inteiro o observava e Kagami deixava o local. Então, em suas mãos, segurou com força o pequeno relógio.

Por que Kuroko nunca conseguia proteger as coisas que mais lhe eram preciosas?

XxXxXxXxXxXxXxX

Kagami virou a esquina do prédio, em direção a entrada lateral do edifício, quando subitamente parou diante de um outro rapaz que com gravata desgrenhada e ares rudes encostava-se na parede, com desleixo.

- E então, já salvou sua mocinha? – Aomine perguntou com um tom debochado.

- Tsk. Só fui ajudar o garoto. – Ele respondeu irritadiço. Daiki o olhou com um sorriso cheio de escárnio.

- Você tem ficado de olho nele. Interessado no coelhinho?

- NÃO! – Kagami berrou, um pouco mais alto do que deveria. Então, cobriu a própria boca enquanto Aomine dava uma escandalosa gargalhada.

- Essa foi boa. Você veio dos Estados Unidos, terra das gostosas dos peitos grandes para gostar de um coelhinho como aquele. Heh. Ainda nem acredito que você largou aquela sua professora gostosona para vir pro Japão. E agora ainda escolhe alguém como o Tetsu...

- Eu nunca tive nada com a Alex! – Ele rosnou, raivoso. – E eu já disse que só fui ajudar o garoto.

- Vamos lá, a mulher passava o dia com você e ainda mais com aqueles peitos gigantes balançando por aí. Eu não sei você, mas eu com certeza iria me divertir muito com uma gostosa daquela na minha humilde residência. Pena que você prefere menininhos magrinhos. – Ele disse, se levantando da parede. – Em todo caso, Tetsu é uma boa. Ele desenrola muito bem.

- Mas o que...?

- O sexo, eu digo. – Ele disse. Kagami pareceu estático.

- Você e ele...man. Sempre achei que vocês tinham sido só amigos.

- Éramos garotos curiosos. – Ele disse, com certo descaso. – Eu continuo preferindo tetas grandes. Mas ainda acho que ele é uma boa saída para você, enquanto não tiver nenhuma gostosa na sua cola. Pra mim, já passei dessa fase.

- Eu não sou gay! - O ruivo rosnou. – E o que há com você, de qualquer maneira? Você fala dele como se fosse uma puta. Aliás, até uma puta merece respeito. Você fala dele como se fosse um nada! Ele é uma pessoa, e ainda foi seu melhor amigo! Damn, Aomine! Não seja tão imbecil! A escola inteira usa o garoto como saco de pancadas, e você deixa. Você não tem coração, por acaso?

- Quem você está chamando de imbecil?! – Ele resmungou, se aproximando de Kagami e agarrando-o pelo colarinho.

- Você, idiota!

- Ah, então vem encarar!

- Bate aqui, maricas!

- Vem cá, bicha!

E então eles trocaram diversos insultos e ameaças, mas no fim, não houve qualquer movimento. Aomine então apenas empurrou Kagami para longe e proferiu:

- Acha mesmo que pode salvar o mundo? Que imbecil. Kuroko é a escória do colégio. Não é mostrar seu tigrinho interior por aí que vai salvá-lo, Taiga. Você fica querendo ajudar todo mundo, achando que a vida é a porra de um conto de fadas. Mas não é. Tetsu não tem nenhuma perspectiva nessa colégio. Sempre tem o garoto excluído e no caso essa pessoa é Tetsu. Sempre funcionou assim. O mundo é cruel. Não adianta atravessar a porra da velhinha no sinal e cuidar do menininho excluído, porque advinhe, ela vai continuar sendo velha e ele vai continuar a ser excluído.

- Você não era assim. – Kagami rosnou. – Você não era um imbecil. Três anos atrás você não era esse monstro.

- Tsk. Como se eu me importasse. – Ele disse, debochado.

E então Kagami cerrou os pulsos, enfurecido. O rosto já estava vermelho de raiva. Ele estava prestes a berrar, explodir e socar Aomine. E então apenas rosnou:

- Eu vou para a sala, não adianta discutir com você. – Mencionou, dando as costas.

- A propósito, Kagami...

E o ruivo se virou, para ver o que o primo queria dizer, quando sentiu uma dor dilacerante entre as pernas. Ele olhou para baixo para ver o pé de Aomine enfiado em sua calça com um chute ligeiramente forte que o atingira nos testículos.

- ...Eu não o sou imbecil aqui. – O moreno disse, deixando o ruivo cair chiando de dor no chão, enquanto saía com um sorrisinho arrogante entre os lábios. – Boa aula, primo.

- Bastardo... – Foram as últimas palavras que Aomine ouviu antes de andar para dentro do colégio, com um sorriso extremamente satisfeito no rosto. Depois que tocasse, ele iria fazer uma visitinha a um certo alguém. E que Kagami não estivesse perto, porque ele o socaria de novo se estivesse.

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Kuroko seguia pelos corredores devagar e imperceptível como sempre. Ele ainda estava confuso com o fato de que tinha acabado de ser "salvo" pelo primo de seu ex melhor amigo. Conhecia o rapaz pelos corredores – Kagami era o nome - mas nunca imaginaria que ele faria algo assim. Nunca tinham conversado antes, mas para a sua surpresa, ele o tinha defendido contra um valentão e sua trupe diante de pelo menos uma dúzida de colegas. Logo ele, Kuroko Tetsuya, o menino bolsista e excluído, renegado principalmente pela ala Madararui da escola. E Kuroko duvidava muito que houvesse algum tipo de explicação óbvia para aquilo. Não era como se aquilo fosse obra de Aomine, como talvez se pudesse imaginar. Estava estudando no mesmo colégio que Daiki há mais de um ano agora e até então Aomine nunca manifestara o mínimo de interesse nos maus tratos que Tetsuya sofria, além de que duvidava que o moreno pedisse a qualquer pessoa para inteceder por ele. Aomine era do tipo que fazia as coisas com as próprias mãos, desde o tempo em que eram amigos. E também não imaginava que aquilo tudo tivesse sido só para provocar aquele valentão, afinal, já fazia três semanas que o tal Kagami-kun chegara à escola e até então nunca ouvira falar de qualquer atrito entre ele e outra pessoa – e olhe bem que Kuroko era bem informado, afinal sua falta de presença o permitia sentar-se perto dos maiores fofoqueiros do colégio e ainda passar despercebido.

Absorto em seus próprios pensamentos, ele seguia pelo corredor com a mente tentando processar todas as informações que pudesse. Ainda distraído, adentrou sua classe silencioso como sempre, sentando-se à janela enquanto via Kise, do outro lado da sala, conversar com pelo menos sete meninas que estavam à volta dele como urubus rodeando sua próxima presa. Kuroko suspirou. Talvez Kagami só tivesse o ajudado porque sentia pena de Kuroko, assim como Kise. Mas não havia o que fazer. Ele era só como uma sombra, no fim das contas. Um ninguém que precisava de alguém para ser necessário; uma sombra que precisava de luz para poder existir.

Imerso em seus pensamentos, Kuroko surpreendeu-se quando de repente ouviu um barulho alto ao seu lado. Virou o rosto para deparar-se com um Kise destrambelhado que vinha em sua direção, afastando bancas e pessoas e deixando as garotas com quem conversava completamente atordoadas. O loiro pediu desculpas a todos e pegou Kuroko pelo braço, que foi arrastado até o lado de fora da sala.

- Kise-kun? – Ele inquiriu, a cara estoica de sempre, mas um tom de preocupação surgindo na voz.

E então o loiro olhou para os lados, certificando-se de que ninguém estava próximo o suficiente para ouvir a conversa deles.

- Você não parece ter dormido muito, Kise-kun...

- Como eu poderia?! Aquele livro que você me deu...aquilo é verdade? Kurokocchi! – E ele choramingou. – Eu estou assustado.

Kuroko apenas o observou confuso.

- Por que eu te daria um livro mentiroso, Kise-kun?

- Eu não sei, mas...é tudo tão absurdo!

- Muito do universo Madararui não segue a lógica dos humanos, Kise-kun...

- Eu sei! Mas lá tinha dizendo até mesmo que homens podem... – E então o loiro pareceu realmente nervoso. Abaixou a voz e disse próximo ao ouvido do de cabelos azulados: - ...engravidar.

Kuroko sequer piscou.

- E por que não, Kise-kun?

Kise então olhou para Kuroko como se o menor estivesse louco, mas Tetsuya sequer se mexeu.

O sinal tocou, obrigando todos a se sentarem à espera do professor. Mas Kise ainda estava prostrado na mesa de Kuroko, que disse

- Vá para o seu lugar. O professor deve estar chegando. Conversaremos no intervalo, Kise-kun.

E assim, o loiro retornou à sua cadeira de olhos esbugalhados, perambulando para a sala como um zumbi.

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- Você quer dizer...bebês? Bebês de verdade?

- É claro que sim, Kise-kun. – Kuroko disse. – O que mais uma pessoa grávida carregaria em si?

Eles estavam na sala vazia que Kuroko costumava frequentar. Tetsuya sentava em uma cadeira da sala vazia, com seu bentou no colo e uma serenidade imensa no rosto. Kise andava em círculos ao redor da sala, nervosamente.

- Mas é impossível!

- Para os humanos. – O de cabelos azuis respondeu, colocando um pedaço de polvo na boca.

- E qual é a necessidade de homens terem bebês? Eu entendi a parte que você disse que a maioria dos Madararui são bissexuais e...

- Não isso, Kise-kun. Eu só disse que os madararuis são, em geral, liberais quanto ao sexo do parceiro e...

- Eu entendi! - Ryouta disse, atropelando o menor com as palavras - Mas por que?! Quer dizer...por que não adotar? E como isso é mesmo possível?!

- Alguns aspectos da ciência Madararui se desenvolveram mais rápido que a ciência humana, Kise-kun. E além do mais, a reprodução Madararui é muito mais complicada que a humana. Homens engravidarem é uma necessidade.

E então Kise parou para ouvir.

- Humanos podem ter quantos filhos quiserem. Os macacos são muito férteis. – Kuroko disse, com certa tranquilidade. – Mas para Madararui, a coisa é diferente. A maioria das mulheres só suportam no máximo três ou quatro gestações na vida, e mesmo assim é um processo penoso. É claro que algumas espécies tem uma facilidade grande para reproduzir, mas a verdade é que nossa taxa de reprodução é baixa e com a modernidade...muitas delas preferem nem ter filhos. E veja bem, somos a minoria da população. Precisamos de meios para evitar uma redução muito drástica da natalidade, que poderia resultar em nossa extinção. É verdade que queremos reduzir nossa população para manter um melhor controle do nosso desconhecimento pelos humanos, mas mulheres não querem mais ter filhos, o casamento com macacos se tornou comum...E nunca tivemos problemas com casais do mesmo sexo, então por que não criar soluções para que eles possam ter filhos biológicos? - E então ele fez uma pausa. – Nunca entendi por que os humanos tem problemas com isso. Se os casais se entendem e as crianças crescem felizes, não há problemas, certo?

- Não...não tem problema. É só que é...estranho.

- Você irá se acostumar com a ideia. – Kuroko disse, comendo mais um pouco de seu almoço. – Por sinal, acho que tenho que explicar como muitos de nós escolhem seus parceiros. Também é um pouco diferente dos humanos.

- Eh?

- Nós não escolhemos os nossos parceiros de forma muito racional...É algo instintivo.

E Kise pareceu confuso.

- É verdade, Kise-kun. Em geral, nós Madararuis não empreendemos esses namoros, a fase de "se conhecer" que muitos humanos fazem. Creio que os humanos levam tempo para se apaixonarem e iniciarem relacionamentos. Com os Madararuis, se há um interesse mútuo, geralmente se iniciam as relações sexuais muito depressa.

E Kise continuava perturbado.

- Creio que deva estar imaginando que nossa sociedade é..."promíscua". Mas não é bem intencional...Os Madararui funcionam praticamente à base de feromônios. Então quando a atração é instintiva, os feromônios são muito fortes, então o instinto animal desperta e a racionalidade é posta de lado. Nesse aspecto, os humanos são mais controlados do que nós. Os nossos instintos geralmente sobrepõem-se à nossa racionalidade com muita facilidade.

- Isso é... um tanto...esquisito. - Ryouta disse.

- Não é tão difícil de entender, Kise-kun.

- Não é que eu não tenha entendido, Kurokocchi! Mas... – E ele parou um pouco, ficando cavernoso. – Eu nunca imaginei que eu pudesse ter um bebê. E você me diz tantas coisas...É difícil aceitar que é tudo verdade.

E então Kuroko fez silêncio. Agora entendia a angústia do loiro. Não era angústia de estar descobrindo coisas antes impensáveis, mas sim a angústia de saber que não sabia o que poderia acontecer consigo no futuro.

- ...Kise-kun, você se lembra de que eu disse que tinham coisas que eu só contaria a você em outro momento?

- Ontem, na livraria?

- Sim. Eu acho que posso contá-las agora, se me permitir.

- Por favor, Kurokocchi. – Ele inquiriu, extremamente curioso. Kuroko então fechou a sua caixa de almoço, e recomendou:

- Por favor, pegue uma cadeira, Kise-kun.

Kise obedeceu.

- Você entendeu a parte que eu disse que você era um ancestral, não entendeu?

- Hai.

- Quer dizer que, mesmo com um monte de genes de macaco, você ainda conseguiu ser Madararui. Do ponto de vista reprodutivo, isso é algo interessante.

- Como?

- Bem, quer dizer que seus genes Madararui são bem..."fortes". Um gene Madararui sobrepor-se ao de um macaco é algo difícil, ainda mais gerações depois de se ter um Madararui na família. É como se seus genes tentassem preservar o sangue Madararui através das gerações. Então teoricamente são genes fortes, bons para se gerar a descendência. Entende?

- Hai...

- Bem, agora se lembre que uma mulher madararui só pode ter, em média, uns três ou quatro filhos na vida. É claro que isso depende da espécie, mas se uma humana quiser, quantos ela pode ter? Uns quinze ou vinte ao longo da vida, certo? – Kuroko inquiriu. Kise assentiu. – Pois bem. É aí que ser ancestral conta tanto. Do ponto de vista reprodutivo, como há uma descendência do macaco, há uma fertilidade muito maior do que os Madararuis comuns. É muito mais fácil pra você engravidar. Bem, para homens Madararuis continua sendo difícil engravidar, mas acho que se formos comparar, você ainda é mais fértil que uma mulher Madararui.

E a cabeça de Kise ia enchendo-se de nós. Onde aquilo ia chegar?

- Bem, para entender tudo, preciso que entenda algo mais por favor, Kise-kun. Os Madararuis constam em três tipos de espécies: de pequeno porte ou presas, de médio porte e de grande porte. Há também uma hierarquia envolvida nisso. Indivíduos de grande porte são socialmente muito mais prestigiados do que os de pequeno porte e geralmente pertencem a famílias muito ricas, por motivos históricos que não vale a pena explicar agora. Mas a questão é que nossa sociedade funciona como na cadeia alimentar. Você concorda que leões estão acima de garfanhotos na cadeia?

- Hai...

- Pois bem, Kise-kun. Há mais leões ou garfanhotos no mundo?

- Garfanhotos.

- Então para os leões, que estão no topo da cadeia, é mais difícil de reproduzir, não é mesmo, Kise-kun?

- Sim, Kurokocchi...então para os grandes animais é mais difícil ter filhos? É essa a analogia?

- Creio que sim, Kise-kun. Para eles, a reprodução é algo muito, muito complicado. Mas eles nunca querem deixar a sua descendência terminar, até por que há prestígio envolvido nisso. Famílias de grandes animais são muito tradicionais. Por isso, procuram manter herdeiros. E a tendência é procurar por pessoas com prestígio que tenham facilidade de engravidar ou de fornecer herdeiros formidáveis. Tudo isso direciona para a opção de um ancestral como você. E em seu caso ainda mais. Além de você ter a fertilidade e os genes fortes de um ancestral, você vem de boa família, o que conta muitos pontos. Sem falar que além de tudo isso, você tem sangue de lobo, que é um animal praticamente extinto no mundo Madararui. E sangue de leopardo também, que é um animal de prestígio. E além de tudo, você tem boas aparência e educação, Kise-kun. E sobretudo, será fácil para você engravidar ou fecundar um óvulo. Você é um grande reprodutor em potencial.

"- Tem muitos piores do que eu por aí. E agora todos vão querer enfiar o pãozinho deles no seu forno. Ainda vai se arrepender de hoje".

E as memórias de Kise estalaram. Ele arregalou os olhos.

- Eu sinto muito em ter que dizer isso, Kise-kun...mas você é um grande pretendente para muitos daqui. Há homens e mulheres nesta escola que fariam de tudo para ter um filho seu. Muitos aqui serão os presidentes e os dirigentes de grandes corporações e fortunas que precisam de herdeiros para passar seu legado adiante. E de fato, as garotas que estavam com você em seu acidente eram todas de grande porte. E eu soube que elas o fizeram ingerir alguns remédios para disfunção erétil...Às vezes me pergunto se alguma delas não tinha percebido o que você é antes mesmo do acidente, e tentado...conseguir material para uma futura fertilização.

- E então, aquilo que Aomine disse...é isso?

- Sim.

- E o que Aomine queria comigo era...?

- Como eu disse, Kise-kun, há homens nesse colégio que fariam de tudo para ter um filho com você. E sinto em dizer...mas Aomine-kun é um deles.

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Awnnn! Aomine-kun quer comer Kise-kun! Mas que amor né non? Mandem reviews pra tia. Amo vocês! 3